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Entre Mar e Montanha 17


17. Misterioso semideus do sexo

Hércules debruçou-se sobre ombro da esposa para vê-la em ação, o que me inibiu. Sorri sem jeito e ele fez com a cabeça um gesto que corresponderia a "Finja que não estou aqui!" Gentilmente, ela baixou minha sunga e empunhou meu sexo já expondo a cabeça. Seu rosto moreno e bonito passou a revelar interesse e senti pela firmeza da mão que o desejo começava a manifestar-se. Ela me masturbou um pouco, acariciou-me até o saco, sorriu e tirou-me a camiseta. Com um sinal de cabeça, o marido me ordenou a tirar a camiseta dela, expondo um velho sutiã barato que ele cuidou de soltar revelando os seios mais bonitos que eu já vira, redondos e firmes, uniformemente morenos, prova de que o quintal da casinha tosca era palco da exposição daquele belo corpo ao deus Sol. Cassia levou minhas mãos a eles e pude sentir os bicos escuros intumescendo-se ao meu contato. Mas não me veio a iniciativa; além de me sentir imaturo, o rosto mal barbeado e másculo do homem que observava operava em sentido oposto sobre minha libido.
— Ah, já vi que só tem juventude mesmo! bradou o Hércules, empurrando-me pela segunda vez, desta vez fazendo-me cair sentado na poltrona enquanto agarrava a mulher e abocanhava-lhe os seios, chupando e sugando ruidosamente os bicos, sem parar de esfregar-lhe o meio das pernas, fazendo-a gemer e protestar ao mesmo tempo.
— Ai, Hércules! Assim machuca!

    Enquanto ela se debatia, a sainha de tecido mole subia me deixava ver a calcinha enfiada no sulco profundo que dividia a bunda tão morena quanto os seios. Sentindo minha ereção voltar, olhei para baixo e vi o quanto estava molhado. Terminei de tirar a sunga, pondo-a sobre o braço da poltrona e quando voltei a me concentrar no casal, Cassia terminara de despir a calcinha e estava sendo empurrada na minha direção. Recuei e a vi entrando de joelhos na poltrona, endireitando meu sexo para empalar-se nele até a base e soltando o ar em vez de gemer, enquanto o homem, que também se livrara da roupa, já se aproximava de nós pelo lado. O que era todo um ritual em minhas fantasias e escritos ocasionais levara bem poucos minutos para acontecer.

    Encaixado em Cassia e tendo suas mãos delicadamente pousadas em meus ombros, eu estava livre para acariciar seu corpo que começara a mover-se, subindo e descendo lenta e ritmadamente. Eu teria desejado beijá-la novamente, mas sua boca logo foi ocupada pelo membro tão hercúleo e cheio de veias quanto o pescoço do marido insaciável. Ela o tragava até o segundo terço e o chupava com os lábios projetados, enquanto ele afagava seu cabelo e a observava trotar sobre mim.
— Está gostando, minha linda? O garoto manda bem?
— Mm-hm...

    De vez em quando, ele a empurrava um pouco para trás e se espichava para ver o nosso ponto de contato, o que o excitava e o fazia voltar à sua boca com vigor redobrado, afagando seu cabelo e rosto. Quanto a mim, como essa posição reduz a fricção da glande, senti que poderíamos ficar assim pelo tempo que fosse e procurei me acostumar à visão do homem em busca do qual eu fora e que agora dividia sua esposa comigo. Ele tinha aspecto ocidental, era alourado, mas muito bronzeado pela constante exposição ao sol. Tinha cerca de um metro e oitenta, era magro, mas um feixe de músculos. Devia ter entre trinta e cinco e quarenta anos e me lembrava um ator que o meu pai adorava, Terence Hill, de comédias de faroeste italiano. Não era difícil admirar seu corpo, e eliminar o mal-estar de transar diante dele era questão de costume. Afinal, eu tinha ido procurar por ele e não por ela. Seu comportamento me intrigara no banheiro do forró e eu queria uma resposta. O mistério parecia estar sendo desvendado e quanto mais eu me mostrasse adaptável, melhor seria.

    Poucos minutos depois, Hércules passou para trás da Cássia e grudou-se a ela, acariciando seus seios. Ela olhou para ele sorrindo, como se soubesse a lição de cor e salteado, e baixou a coluna empinando-se ao máximo. Pude então experimentar pela primeira vez na vida a estranha sensação de compartilhar um mesmo espaço sexual. Fortemente comprimido contra o meu e esfregando-se nele, o longo membro de Hércules afundou-se até que nossos sacos se tocaram. Cassia, com a cabeça apoiada na minha e as unhas cravadas em meus ombros, mal continha um grito.
— Agora a gente vai fazer a moça gozar! exlamou o homem, dando-me uma piscadela e aplicando um tapinha na mulher.

    Cassia recomeçou a mover-se dando gemidos aspirados para não acordar os filhos que dormiam no quarto. Ela estava lívida. Eu continuava sem muita mobilidade, seu sexo envolvia fortemente os nossos, e o membro do Hércules, livre, começou a deslizar sobre o meu. A excitação não tardou a subir, temi não conseguir conter o orgasmo por muito tempo, mas o olhar do homem me indicava que seria um erro. Meu prazer ia começando a tornar-se dor quando senti uma fortíssima dentada no ombro e uma descarga quente alagar meu sexo. Um orgasmo avassalador tomou conta do corpo inteiro de Cássia que, agora agarrada ao meu pescoço, pôs-se a ter espasmos a ponto de revirar os olhos enquanto seu homem continuava a pistonear vigorosamente dentro dela. Procurei por sua boca, mas foi impossível beijá-la; ela não conseguia parar de arfar.

    A excitação do momento era tamanha que não pude me conter e acabei gozando profusamente sem a autorização do marido. Ele percebeu meu gemido e deu um sorriso sarcástico, afastando-se e olhando para mim com um meneio de cabeça. Cassia ficou encaixada em mim, ofegante, a cabeça recostada no meu ombro, enquanto eu sentia meu membro amolecer dentro dela.
— Gozou muito hein, morzão! sussurrou ele, aproximando-se e dando-lhe um beijo antes de retirá-la de sobre mim como se tirasse uma criança da gangorra.

    Hércules levou a esposa ainda titubeante até o sofá, sentou-a e ajoelhou-se entre suas pernas, escancarando-as. Em seguida, olhou para mim como se fosse me mostrar a coisa mais interessante do mundo e afundou a cabeça entre as coxas abertas, fazendo uma profusão de ruídos molhados. Cassia não correspondeu, zonza e cansada demais para reagir. Ela permaneceu sentada, de olhos fechados, apenas afagando devagar o cabelo do marido. Hércules me dava a impressão de estar apenas começando.

    Ele deve ter passado cerca de dez minutos lambendo-a, beijando-lhe a barriga e os seios, a boca e sussurrando obscenidades. Quando se deu por satisfeito, entrou de joelhos no sofá e, erguendo as pernas dela, recomeçou a penetrá-la com igual disposição, levando-a a um novo orgasmo, menos intenso que o primeiro, mas assim mesmo forte, que a deixou prostrada, a cabeça pendendo no peito. Como da primeira vez, ele se afastou sem mostrar o menor sinal de cansaço... nem de orgasmo.
— Vem, garoto, ordenou ele, de pé no centro da salinha exígua, ostentando ainda um resto de ereção.

    Me levantei da poltrona torcendo para que o bom senso falasse mais alto e ele visse que era impossível continuar. Cassia passara o dia todo entremeando "rapidinhas" de vinte minutos à atenção às visitas e ainda tinha-se disposto a terminar numa sessão de sexo a três. Lembrei-me ainda que ela estava grávida; provavelmente de um mês ou menos, mas grávida. Será que aquele homem ficaria insensível a isso por mais tempo?
— É melhor parar por aqui, Hércules; ela está cansada.
— E o moço acha que eu não sei disso?

    Foi então que se deu o inusitado ou, melhor dizendo, um início de revelação do mistério. Diante da esposa, que agora brincava, apática, com a barra da sainha que ela não tirara em nenhum momento, Hércules sentou-se na beira do sofá e puxando-me pela coxa, abocanhou por inteiro meu sexo amolecido, pondo-se a chupá-lo vorazmente. De braços estendidos e afastados do corpo, eu não sabia o que fazer nem para onde olhar. Escolhi olhar para Cássia, que retribuiu com um sorriso cansado, como quem diz "Liga não, ele é assim mesmo!" e pus as mãos nas cintura para evitar tocar no marido que se aplicava ruidosamente à tarefa. Endureci rapidamente na boca do homem e achei que um segundo orgasmo encerraria em minutos a estranha orgia. Eu não poderia estar mais enganado.





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