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Um Delicioso Presente do Acaso

    É dia de lavar roupa. Acabei de voltar da lavanderia do prédio, ainda abobalhado após ter vivido os momentos mais insólitos de toda a minha vida e incapaz de fazer outra coisa a não ser transcrever a experiência da melhor maneira possível para ler e relembrar com calma quando o pasmo tiver passado.

    Fui muito cedo à lavanderia; é a melhor maneira de evitar os chatos. Com muita roupa acumulada, eu estava enchendo a segunda máquina quando uma mulher de cerca de trinta anos, feições comuns, alta, loura, o cabelo em rabo de cavalo, de corpo generoso porém de modo algum gorda, entrou já dirigindo-se às máquinas para passar a roupa da lavadora para a secadora. Notei que ela estava usando uma calça vermelha estampada de motivos amarelos, e que era uma calça de flanela, de pijama.

    Cumprimentei respeitosamente, como sempre faço, ao que ela respondeu séria, mas vagamente, dirigindo o olhar para fora através dos janelões desguarnecidos do cômodo de último andar, sem nada focalizar da ampla vista da cidade. A atitude sutilmente inhabitual de não prestar atenção enquanto o olhar revela um fundo de desejo ou, antes, de necessidade, me pareceu tão eloquente e clara que minha reação foi imediata e absolutamente instintiva: agarrei-a por trás contra a máquina de lavar, já levando as mãos aos seus seios e esfregando-me explicitamente nela, que imediatamente começou a ofegar sem oferecer qualquer oposição. Muda, ela se libertou de mim e foi até a mesa branca no centro do cômodo, tirou agilmente a calça do pijama junto com a calcinha e sentou-se, elevando as pernas e apoiando-se nos cotovelos, exibindo a área rubra da longa fenda entreaberta definida por um par de lábios espessos e depilados. Bastou-me baixar a calça de ginástica com a cueca para liberar meu membro, que saltou pronto, em plena ereção. Em segundos eu estava afundando a minha glande entre seus pequenos lábios e começando a mover-me dentro dela, determinado a aguentar o suficiente para levá-la ao orgasmo, sem medo de despejar em seu ventre todo o conteúdo que o meu corpo produzira desde a última ejaculação.

    Muito excitada e receptiva, ela pôs-se imediatamente a gemer com sofreguidão. Pude entrever a aliança de ouro na mão esquerda. Seu timbre de voz, sua higiene e o odor de corpo habituado ao bom perfume revelaram-me um pouco mais sobre ela. Superlubrificado, eu entrava e saía sem sentir o menor atrito, contando apenas com a circunferência do meu membro para proporcionar prazer a essa mulher ávida de prazer, que eu só vira esporadicamente ali mesmo, na lavanderia do prédio. A cada golpe meu ela respondia com um gemido, jogando a cabeça para trás, premendo os lábios com os dentes e cerrando os punhos, deixando-se lentamente invadir pela excitação crescente. Concentrei-me em meu vaivém, tornando-o intenso e regular, ouvindo o ruído molhado do sexo misturado ao rumor das máquinas.

    A certa altura, afastei-me e a visão do meu sexo pulsando diante do seu, aberto em flor e do qual fluía um copioso néctar transparente, encheu-me de água na boca, mas logo dois calcanhares esporearam-me para fazer-me voltar a mergulhar. Foi só num segundo momento, quando tomei coragem para olhá-la significativamente nos olhos, que ela abriu mais as pernas permitindo-me contemplar seu sexo generoso de mulher grande e enfim curvar-me para passar-lhe a língua entre os lábios, colhendo o seu fluido misturado ao meu. Isso a levou aos píncaros da excitação. Percebi-a movendo a cabeça de um lado para o outro, premendo os seios e pude ouvi-la sussurrar "Assim... fode... fode... fode...", como se minha língua fosse o instrumento legítimo que a levaria ao orgasmo.

    Com as coxas escancaradas e as plantas dos pés voltadas para o teto, ela me franqueou integralmente o caminho, permitindo-me percorrê-lo com a língua em toda a sua extensão, a partir do pequeno orifício raiado e bojudo, agora exposto e pulsante de excitação, percorrendo o entrelábios até a fina camada de pelinhos louros e cuidados que orna a pélvis, e ocasionalmente ultrapassando-os para ir até o umbigo. Fustiguei o clitóris já entumescido e invadi com dois dedos, depois três, a deliciosa passagem antes preenchida pelo meu membro. Foi assim que o orgasmo desencadeou-se, tomando a mulher bruscamente de assalto, sob forma de espasmos fortíssimos que a fizeram puxar meu cabelo até quase arrancá-lo enquanto vertia o suco que pude beber na fonte.

    A desconhecida grande e loura não tardou a sentar-se na mesa e sorrir ao ver-me nu da cintura para baixo, embaraçado com meu membro ainda em riste e olhar de menino que não sabe se vai ou não ganhar um doce.
— É sua vez de sentar, disse ela, já passando da mesa para o chão.

    Eram as únicas palavras que sairíam de sua boca. Entendi a mensagem e acomodei-me na mesa enquanto ela tornava a vestir a calça de pijama de flanela vermelha, vindo em seguida empunhar-me o membro. Concentrada, ela o masturbou um pouco, depois acolheu-me o saco com a mão em concha enquanto seus lábios envolviam a glande e sua língua a encaixava no céu da boca para iniciar uma fricção vigorosa na região do freio.

    Voltado para a porta e estimando que mais de dez minutos já se haviam passado, comecei a temer que alguém entrasse, mas a boca da misteriosa mulher excitou-me de tal modo, percorrendo-me o sexo inteiro, premendo-o ora com força ora de leve, movendo-se ora rápido ora devagar, encharcando-o de saliva, lambendo-o e sugando-o, que não tardei por minha vez a gozar intensamente, inundando a sua boca, pasmo e extasiado ao constatar que nenhuma gota se perdia e que ela engolia o que eu lhe dava com o mesmo prazer que se toma um licor.

    Estava terminado. Nosso encontro não chegou a durar quinze minutos, mas o prazer que ambos auferimos dele foi raro e carregado de emoção contida. Depois de um brevíssimo olhar terno, a mulher grande e loura deu-me as costas e saiu pela porta que me preocupara momentos antes e pela qual ela entrara com ar vago mas carregado de um desejo que eu soube decifrar. A única coisa que me prova que não estive delirando durante esses poucos minutos é o meu membro ainda pulsante, quente e inchado em minha roupa, e a sensação tão familiar do orgasmo recente. Voltei para casa descendo lentamente pela escada de serviço, dizendo aos meus botões que a realização das fantasias sexuais, longe de ser um privilégio dos mais competentes ou mais dotados, bem pode ser uma mera questão de acaso.



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