Quando vou à praia com o Alex e o Pedro, o assunto é
único: mulher. Não há uma sequer que
escape ao nosso crivo e já tivemos até mesmo a sorte de ser
"presenteados" por finalistas e até campeãs dessas nossas competições
informais. É de uma dessas ocasiões que trata o presente relato, mas uma
ocasião em que o desfecho foi um tanto inesperado.
Se bem me lembro, foi em Ipanema, num sábado de manhã
de maio de 2011. Nos encontramos por volta das 10h, jogamos um voleizinho,
caímos n'água e fomos tomar sol porque o dia não estava muito quente. Nosso
tema tradicional logo veio à baila e começamos a examinar e julgar cada mulher
interessante à nossa volta, estivesse ela sentada, deitada, de pé, andando ou
parada, sozinha ou acompanhada, de maiô ou biquíni, fosse loura, negra, ruiva
ou morena. Das "sweet sixteen" às balzaquianas, nenhuma escapava
desde que tivesse tudo no lugar.
Cerca de uma hora depois, já havíamos atribuído notas
a dezenas de mulheres, quando descobrimos uma verdadeira raridade, de pé a
alguns metros de nós, conversando com uma amiga. Seu corpo era tão perfeito que
dispensa descrição; direi apenas que a proporção seios-bunda e a curvatura das
costas eram coisa de escultor. Era uma morena de rosto incrivelmente bonito e
cabelo castanho comprido, num biquíni pequeno mas não ínfimo que deixava de
fora duas maravilhosas polpas e, na frente, envolvia o monte de Vênus tão
justamente que podíamos ver a marca discreta da fenda impressa no tecido fino. Não
havia quem não olhasse ao passar por ela, e foi a campeã por unanimidade da
nossa competição: três notas dez.
À certa altura, a amiga da nossa eleita se despediu e
a deixou sozinha bronzeando-se de pé. Estávamos muito perto dela, em termos de
escala praiana — cerca de 10 metros —, comentando animadamente sobre o nosso
resultado sem tirar os olhos de seu corpo deslumbrante. Não estávamos falando
ou rindo alto nem apontando e muito menos sendo grosseiros, mas o fato é que
ela percebeu que era o objeto da nossa conversa e, para estupefação nossa, veio
em nossa direção.
— Vocês estavam falando de mim, não estavam? perguntou
ela, com bom-humor.
— Estávamos falando tão alto assim? brincou o Alex.
— Não, não dava para ouvir, mas percebi que era sobre
mim.
— Pois é, interveio o Pedro, você acaba de ganhar um
concurso de beleza!
— Ah é? Estou curiosa.
E coube a mim explicar como ela tinha sido eleita a
mais bonita e desejável praiana de Ipanema daquele dia. Como o meu relato foi
gentil e engraçado, ela aprovou e acabou juntando-se a nós. Ela se chamava Lia,
tinha 25 anos, era solteira, morava num pequeno apartamento na Visconde de
Pirajá e era uma "rata de praia" desde a mais tenra idade. Ela tinha
estudado fisioterapia, mas acabamos não falando de trabalho; o incrível céu
azul, o sol e a brisa nos impediram. Lia nos pareceu inteligente e segura de si.
Ficamos alternando momentos de conversa com pequenas
incursões na água até umas 4h da tarde, quando Lia disse que estava pensando
voltar para casa. Os três protestamos, mas ela estava irredutivel. Insistimos,
mas como não queríamos ser inconvenientes, acabamos deixando-a à vontade. Ela
ficou um momento em silêncio, pensativa e, para maior espanto nosso, acabou
propondo de irmos todos para a casa dela, garantindo que era uma cozinheira de
primeira e que ia nos preparar um spaghetti à bolonhesa inesquecível. Pronto,
estávamos amigos da nossa miss do dia!
A porta se abriu e nos vimos num delicioso
sala-e-quarto mobiliado e decorado com gosto e refinamento. Ela nos indicou o
canto de estar e nos acomodamos, Alex e Pedro num sofá de couro e eu numa
poltrona, enquanto ela ia deixar seus pertences de praia no quarto ou banheiro.
Nos entreolhamos sorrindo, fizemos "assim" com as mãos em sinal de
disponibilidade para o que desse e viesse, e esperamos que Lia voltasse. Como
eu disse, já havíamos vivido situações de encontro com nossas
"concorrentes".
Lia voltou vestida com o sutiã do biquíni, mas numa
minissaia flutuante que parecia feita para cobrir o mínimo necessário. Calculei
que ela havia trocado a parte de baixo por uma calcinha. Ela trouxe latinhas de
cerveja para todos e veio sentar-se entre Alex e Pedro. Ela queria saber toda a
história dos nossos concursos privados de Miss praia, e queria detalhes
picantes! À medida que as cervejas foram se sucedendo e fazendo efeito, fomos
revelando mais e mais, até chegar aos episódios dignos das interjeições mais
exclamativas. Lia não tardou a sentir-se tão à vontade que ria e conversava
pousando as mãos nas coxas dos meus amigos e descuidava de fechar as pernas,
embora eu estivesse quase de frente para ela. Rapidamente, a cor de sua
calcinha deixou de ser segredo para mim e saboreei cada momento em que seu
delicioso monte de Vênus me era involuntariamente exibido enquanto ela se
contorcia de rir com as nossas aventuras. E o papo animado prosseguia.
(...)
— Mentira!
— Estou falando sério! Quando nós chegamos à casa
dela, cheios de vontade, fomos atendidos por pai, mãe, tia, avó, irmãos
menores, papagaio, empregada e vizinhos! disse o Pedro, às gargalhadas,
contando uma das vezes em que tudo deu errado.
— Tiveram que tomar suquinho e fazer sala com a
família!
— Isso mesmo! E o pior é que nem tínhamos troféu para
dar à menina!
— Ha! Ha! Ha!
(...)
A geladeira parecia comportar toneladas de latas de
cerveja; cada vez que esvaziávamos uma, Lia trazia mais. Ela parecia mais
resistente que nós, e julguei que isso se devesse à sua consciência de que
teria que cozinhar depois. Mas isso não a impedia de rir a valer e de aderir a
todas as brincadeiras, dentre as quais desfilar para nós. Fingindo-se de
manequim, ela ensaiou alguns passos mas logo desabou no sofá, por cima dos meus
amigos, o que me permitiu descobrir que a calcinha cuja frente eu entrevia vez por
outra nada mais era do que uma ínfima "string" que desaparecia entre
as elevações gêmeas da bunda morena e firme. Lia acabou deitada com a cabeça
sobre as pernas do Pedro e os pés sobre as do Alex, a respiração ofegante,
resultado de tanto riso e agitação.
Brincando, fazendo caretas e rindo muito, Pedro pôs as
mãos espalmadas ligeiramente acima dos seios de Lia, como se fingisse
impedi-los de subir e descer ao sabor da respiração forte. Esperei que isso
provocasse alguma piadinha maliciosa, mas o que vi foi o rosto de Lia tornar-se
mais sério, seu olhar encher-se de lascívia, e suas mãos virem pesar sobre as
do Pedro, presenteando-as com seus seios. Em seguida, vendo que Alexandre
estava sem fala assissindo à cena, ela levou uma perna ao alto do sofá, expondo-se
completamente diante dos olhos esbugalhados do meu amigo. Tudo ficou claro para
nós: Lia entendera o jogo.
— Percebeu que a minha calcinha é perfumada,
Alexandre? perguntou ela, pronunciando arrastadamente seu prenome completo e
levando um dedo ao canto da boca para olhá-lo com rostinho inocente.
Alex não pensou duas vezes; mergulhou de cabeça entre
as coxas dela, inspirando profundamente com o nariz colado à calcinha.
— Delicioso! disse ele, reerguendo a cabeça, olhando
para nós inebriado já soltando o botão da bermuda.
— Que é isso aqui, Pedro? perguntou a Lia, procurando
os olhos dele e apalpando a área em que sua cabeça estava recostada,
provavelmente muito dura e pulsante.
— Essa bermuda está me matando, respondeu ele, também
abrindo-a.
Sem sair da poltrona, eu me permitia pela primeira vez
contemplar uma cena de sexo sem obrigar-me a participar de pronto. O trio à
minha frente estava suficientemente aceso para me proprocionar um espetáculo
superexcitante por uns bons momentos e, embora pronto a aderir ao grupo, eu
estava curioso para me iniciar ainda que brevemente no papel de voyeur. Limitei-me
a livrar-me da bermuda e ficar de sunga. Abrindo mais uma cerveja gelada,
acomodei-me confortavelmente em minha poltrona e deixei que meu corpo reagisse
espontaneamente ao que passasse pelas minhas retinas.
Alexandre não despiu Lia de saída. A calcinha
amarelo-ouro bem esticada sobre o monte de Vênus parecia inspirar-lhe doces
fantasias, e ele continuou enfiando o rosto entre suas coxas para lambê-la e
mordiscá-la por fora do tecido. Pedro, por sua vez, tirou-lhe o sutiã,
libertando um par de seios redondos, de bicos eretos e provocantes. Em seguida,
recostando-se bem no sofá e já livre da bermuda, ele libertou seu pau da sunga,
para que ela brincasse com ele. Os três entrosaram-se perfeitamente e a cena
era das mais excitantes para o espectador neófito que eu era.
À certa altura, Lia olhou para mim, convidando-me, mas
fiz sinal de que estava adorando ser platéia. Ela então se virou de bruços e, agora
de frente para Pedro, empunhou seu membro para examiná-lo de perto. Alex, louco
de excitação com a linda bunda desnuda diante de seus olhos, acariciou-a um
pouco, até que a própria Lia tomou a iniciativa de erguer-se, ficando de quatro
entre os meus dois amigos. Não havia o que pensar; Alex tirou-lhe sem
dificuldade a calcinha e livrou-se da própria roupa, preparando-se para
penetrá-la. Pude comparar seu membro grosso e longo às dimensões de Lia,
avaliando o quanto de prazer a primeira penetração da sua volumosa glande lhe
proporcionaria. E de fato, assim que ele a encaixou na entrada, Lia se voltou
para trás, olhando-o nos olhos com certa apreensão. Mas como ela nos transmitia
tudo menos inexperiência, Alex penetrou-a de uma vez, numa estocada firme e profunda,
avançando até colar seu corpo contra o dela, que emitiu um gemido longo,
crispando os dedos na coxa do Pedro e sendo empurrada em direção ao membro
ereto à sua frente, que ele lhe ofereceu assim que Alex iniciou um vaivém
regular e cadenciado.
A cortina filtrava a luz da tarde, difundindo-a
homogeneamente pela sala do apartamento. Levantei-me para descobrir a paisagem
urbana. De dentro, podia ver-se a parede de prédios do lado oposto da Visconde
de Pirajá, banhada de luz do sol da tarde, e embora eu soubesse que o inverso
não se aplicava, o fato de ver algumas pessoas à janela me trazia a fantasia
dos exibicionistas. Resolvi despir-me da sunga e também ficar nu, acolhendo em
meu imaginário os olhares de Ipanema e excitando-me também com isso.
Enquanto recebia
com gemidos os impactos das coxas de Alex contra as suas, Lia aplicava-se a uma
profunda felação em Pedro, admitindo seu membro na boca literalmente até o talo
e produzindo gulosos "hms". Dei a volta ao sofá para ver o trio sob
todos os ângulos possíveis sentindo-me livre para interagir se bem me
aprouvesse. Alex, o mais jovem de nós três, tem um corpo cuja peculiaridade é a
voluptuosidade das formas e a ausência total de pelos. Descendente de russos,
muito branco e de grandes olhos azuis, seu aspecto é o de um rapagão de
dezenove anos, embora tenha passado dos trinta. Dono de um par de coxas fortes
e de uma bunda máscula e estreita, mas carnuda e saliente, é ele que desperta a
minha bissexualidade sempre que vivemos aventuras grupais. Quando eles mudaram
de posição para iniciar uma dupla penetração, pude contemplar Alex de pé,
contraindo os glúteos para encaixar-se nela o mais suavemente possível por
trás. Com uma mão espalmada em suas costas, acariciei-lhe a bunda juvenil,
percorrendo-a até o saco que oscilava entre as coxas, redondo e cheio. Envolvi-o
com a mão e acompanhei assim o percurso de Alex rumo às entranhas de Lia, que
gemia languidamente, já bem encaixada pela frente em Pedro, que ora devorava
avidamente seus seios, ora procurava sua boca para beijá-la. Fiquei assim por
um momento, acariciando a massa quente dos testículos do meu amigo, observando
o seu corpo, sentindo as contrações dos seus músculos e, vez por outra,
buscando ver o orifício no fundo do sulco da bunda branca, que se abria,
relaxada, antes de cada arremetida.
Tomado pela excitação, vi que eu podia dar mais prazer
à Lia. Dando a volta e parando por trás do sofá, afaguei seu cabelo e
aproximei-me o suficiente para que ela pudesse alcançar-me, o que ela fez. Assim
que sua boca molhada e terna envolveu meu sexo e seus três principais orifícios
estiveram ocupados, engrenamos num movimento suave e harmonioso que foi-nos
levando a um estado quase ióguico. Lia oscilava como um pêndulo, embalada pelo
vaivém de Alex, o que gerava os movimentos da felação e, muito provavelmente,
também uma fricção prazerosa de Pedro, profundamente encaixado nela pela
frente. Eu teria podido fumar um cigarro naquele momento serenamente erótico,
sentindo o suave estímulo do meu sexo e observando o pipocar esporádico dos
moradores nas janelas dos prédios em frente, que eu continuava a ver através da
membrana cor de areia da cortina. O que torna o sexo entre amigos uma coisa
sublime é não só a intimidade, mas a ausência da histeria barulhenta que caracteriza
tantas situações grupais. O auge do prazer erótico é atingido quando a sintonia
do grupo o torna um só corpo, e o nosso trio já atingira esse ponto, nessa
época.
Tivemos um primeiro orgasmo quase simultâneo. Alex
desencadeou o processo, sendo seguido de perto por Pedro. A excitação deles e
uma vigorosa fricção clitoriana arrastaram Lia para um clímax igualmente
intenso e eu fui autorizado através de um gentil piscar de olhos seu a despejar
meu conteúdo em sua boca que agora me devorava com gula. Ela não engoliu meu
sêmen, mas deixou que eu o visse inundar sua língua, gengiva e dentes antes de
levantar-se e desaparecer banheiro adentro. Os três amigos nos entreolhamos
novamente, jubilantes e repetindo pela quinta ou sexta vez que deveríamos, sim,
ter um troféu para premiar de verdade as nossas campeãs. E no caso de Lia,
tratava-se de uma campeã de beleza, de sexo e, muito provavelmente, de cozinha,
o que a tornava triplamente merecedora de um agrado mais concreto!
Lia voltou do banheiro banhada e vestida apenas na
sainha de tecido frouxo, brincando de levantá-la para exibir sua lisa nudez
pélvica. Aprovamos com unanimidade, tomamos nossos banhos e fomos para a
cozinha assisti-la preparar seu spaghetti à bolonhesa que degustamos com um bom
vinho. Um tiramisu inacabado esperava na geladeira e o todo foi coroado por um
cafezinho que só um carioca da gema sabe preparar, e que fomos tomar no sofá
que momentos antes testemunhara a nossa "homenagem" à campeã.
Ainda era cedo. Estávamos conversando animadamente e
talvez tivéssemos "gás" para uma última sessão de sexo, mas por volta
das dez da noite, Lia nos deixou entender que era tempo de terminar. Fui o
porta-voz do trio para dizer a ela que lamentávamos infinitamente por não
termos um troféu real a oferecer-lhe, e não só isso, mas passagens aéreas,
carros, dinheiro, contratos com a televisão, etc., por ter ganho o nosso
concurso de Miss praia de Ipanema, pelo incrível desempenho erótico e pela
excelência de sua aptidão culinária.
Quando terminamos de rir e íamos nos levantando para
as despedidas, Lia foi até a porta, abriu-a e dois homens entraram, dois homens
bem vestidos mas muito sérios. Em seguida, ela tomou a palavra.
— Queridos, eu tenho certeza de que vocês vão poder me
gratificar pela minha vitória e pelo tratamento régio que dei a vocês aqui em casa. Nós vamos sentar
calmamente ali na mesinha do computador (ela apontou para o quarto) e, um de
cada vez, vocês vão me fazer um depósito bancário, está oquei?
Não havia o que dizer; os dois homens estavam
obviamente armados e era inegável que, sendo uma prostituta de luxo, Lia
merecia pagamento. Pedro, em choque, foi incapaz de se lembrar da senha. Alex e
eu transferimos três mil setecentos e cinquenta reais para a conta da nossa
campeã, que passou a merecer o quádruplo título de Miss praia-sexo-culinária...
e extorsão!

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