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Tatiana e Walter V



5. Praianos*


Sábado de manhã. Tatiana vai ligar a qualquer momento e Walter, embora entusiasmado com a nova conquista e satisfeito pelo fim de semana que se anuncia, sente-se ligeiramente ansioso. Torcendo para que ela venha em jejum, ele confere mais uma vez as compras que fez na véspera para um saboroso café da manhã, quando o telefone toca.
— Cheguei!
— Você já está aqui na rua?
— Estou na calçada em frente a um clube ou coisa assim.
— Ótimo. Dá uma olhada em volta até achar uma banca de jornais.
— Já vi!
— A portaria fica em frente. Chama o 1601 pelo interfone.
— OK. Estou chegando!

    Walter sai para esperar no corredor. É sábado, não há movimento no prédio e o elevador é rápido. Quando a porta deslizante se abre, Tatiana surge deslumbrante, o cabelo louro solto sobre uma blusa verde vaporosa e generosamente aberta. Uma saia cor de areia, muito curta, e as sandálias de couro só fazem realçar as pernas bronzeadas.
— Você está linda!
— Obrigada! Tudo bem?
— Tudo ótimo.

    Eles se beijam, sentindo o corpo um do outro e a avidez do encontro íntimo próximo. As línguas se esfregam, as salivas se misturam, o desejo mútuo incontestável para ambos. Mas não há pressa; eles têm dois dias só para eles.
— Hum! Que perfume gostoso! diz Walter, com o nariz colado no pescoço de Tatiana. Mas vamos entrar. Finalmente você vai conhecer o meu esconderijo!
— Uma gracinha de apartamento! Você mora aqui há muito tempo?
— Há uns 3 anos; foi herança de um tio. Ele deixou um para a minha irmã também, um pouco mais acima, na Laranjeiras mesmo.
— Ele foi superlegal com vocês!
— Era o irmão preferido da minha mãe. Morreu de tuberculose, acredita? Em pleno século XXI, no Rio de Janeiro!
— Caramba! Inacreditável mesmo.
— Quando eu conto, ninguém acredita. Mas não vamos falar de coisas tristes. O dia está lindo, você está super-sexy e temos dois dias para ficar juntos.
— É verdade. Mas o que você mais vai mais está na mochila.
— O que eu mais vou gostar... Já sei: os bikinis!
— Hum-hum! Mas a gente vai à praia direto? É que eu preciso pelo menos de um café porque acordei em cima da hora, tomei banho e saí correndo.
— Eu previ um café da manhã gostoso para nós. A praia nao vai fugir, podemos ir lá para as dez e meia, o que você acha?
— Ótima idéia!
— O apê é isso aí: esta sala e, ali, no corredor, o quarto e um banheiro.
— E aquela porta, no fundo do corredor?
— É igual às outras portas, mas é um closet. E a cozinha, que você está vendo, tem uma surpresa.
— Ah é? Quero ver!
— Então entra e abre aquela outra porta, ao lado da geladeira.

    A porta da cozinha fica ao lado da porta de entrada e, por sua vez, dá acesso a uma pequena área onde se vêem uma mesinha e três cadeiras. Mas o que desperta a atenção de Tatiana é a vista excepcional para o morro do Corcovado com o Cristo Redentor.
— Uau! Quem me dera ter uma vista assim!
— É o meu canto favorito; vamos tomar café aqui.
— Oba! Estou adorando.

    Tatiana se aproxima de Walter e lhe dá um beijo apaixonado, encostando-se completamente em seu corpo enquanto aprofunda a língua em sua boca. Ele a abraça e a acaricia por fora da saia leve, sentindo o arredondado das formas e a firmeza da carne. Tatiana suspira de desejo, totalmente disponível e já sentindo a umidade invadir-lhe o sexo. Mas Walter tem todo um programa em mente.
— Tati, se a gente começar agora, nem café da manhã vai tomar. Você me deixa maluco e eu me conheço, mas vamos fazer o que combinamos; tempo é o que não falta. O que você acha?
— Acabei de chegar e já estou toda acesa, não é? Vamos parar com isso, tomar o café delicioso que você preparou e ir para a praia; estou doida para ir à praia!

    Walter providenciou croissants, morangos, queijos, geléias, mel, que eles degustam tomando um bom café preto e conversando sobre tudo exceto trabalho. A paisagem deslumbrante só contribui para aumentar o clima sensual entre eles, que se entreolham cheios de desejo, trocando carinhos com os pés sob a mesa.
— Posso perguntar uma coisa que me deixa curioso?
— Claro!
— Aquela sua am...

O celular de Tatiana interrompe a frase.
— Alô!
— (...)
— Débora!
— Que coincidência! exclama Walter, levantando-se para deixar Tatiana à vontade com a amiga.
— A Débora quer saber para que praia a gente vai e em que ponto. Ela e o namorado queriam encontrar com a gente lá.
— Eu gosto de ir para Ipanema, na altura da Joana Angélica.
— Você se incomoda, se eles forem?
— Nem um pouco!
— OK. Vou dizer a ela. A que horas a gente pode se encontar?
Por volta das onze e meia está bom?
— É, entre onze-meia e meio-dia.
(...)

    Findo o telefonema, eles terminam o café da manhã e a conversa gira em torno do casal Tomás e Débora.
— Eles são superlegais, Walter. A Débora é mais nova que eu, mas a gente se dá super bem, e o Tomás, além de inteligente, é um doce de menino, todo educado, de ótima família. E – comentário de mulher – ele é lindo!
— Se eles são amigos seus, só podem ser ótimos. Mas, por falar em praia, me fala dos bikinis, Tatiana. Você trouxe mesmo algum "indecente"?
— Touxe, sim. Vou colocar para você ver. Quer ver agora?
— Acho ótima idéia. Vou até aproveitar para colocar a sunga. Você pode usar o quarto enquanto eu me troco no banheiro.
— Tudo bem!

    Assim que Tatiana se levanta, Walter vai ao banheiro e coloca rapidamente a Speedo azul que ele usa no clube para nadar. Ele nota que essa sunga fica um tanto marcada, mas ele se ajeita da melhor maneira, convencido de que deve continuar protestanto contra o uso dos horríveis "sungões" e encarar o fato com a maior naturalidade.

    Tatiana, no quarto, encosta a porta e se despe completamente, depois escolhe um bikini branco dentro da mochila. Nua diante do espelho do guarda-roupa, ela se olha de frente, de costas e, satisfeita com seu corpo, veste a calcinha, alinhando o elástico com o limite retilíneo do pequeno triângulo muito bem aparado de pelinhos louros. Em seguida, ela ajusta o sutiã para ocultar o pouco de pele não bronzeada, e se prepara para a sair. Quando ela surge na saída do corredor, Walter mal acredita no que vê. No corpo dourado, duas ínfimas peças brancas cobrem apenas o essencial. A calcinha, perfeitamente ajustada ao corpo, delimita estritamente o triângulo pubiano e o sutiã cobre a metade inferior dos seios a partir dos anéis dos mamilos. Walter está de pé no meio da sala, boquiaberto.
— Uau! Estou sem fala, Tati. Você já usou isso em público?
— Algumas vezes, mas nunca no Rio. Aqui, tem gente que pega muito pesado até quando a gente entra na água. Já passei por vários apertos.
— Você vai me contar tudo isso. Mas agora quero que você dê uma voltinha!

    Quando Tatiana se vira, Walter a descobre praticamente nua. A única coisa que cobre a carne dourada é um curto triângulo cuja base se inicia abaixo de duas lindas covinhas no final das costas e o vértice oposto mergulha entre dois gomos que a curvatura das costas torna deliciosamente salientes, desaparecendo entre eles.
— Gostou? pergunta ela, já se voltando.
— Estou sem fala! Teu corpo é estonteante, Tatiana. Você não teria mesmo coragem de ir com esse bikini?
— Com você, talvez. Mas a gente teria que fazer tudo juntos, até ir para a água. Você nem quer ver os outros?
— Quero sim! Quero ver todos, e vamos escolher juntos, democraticamente!

    Tatiana dá um risinho e volta para o quarto, deixando Walter às voltas com um início de ereção. Em seguida, ela volta com outro bikini, e outro, e mais outro, todos bonitos porém mais "comportados" que o primeiro. Diante da insistência, ela aceita o desafio e consente ir à praia com o bikini branco, sob a condição de que Walter não a deixe sozinha por nenhum instante. Ele promete e propõe que saiam. Tatiana enrola uma canga na cintura e eles se encaminham para o carro rumo a Ipanema.

    Eles chegam antes de Débora e Tomás. Walter encontra seu ponto favorito e Tatiana estende a canga para que os dois se instalem. Assim que ela se deita de bruços, Walter percebe que as duas elevações douradas e firmes que se erguem abruptamente do final da curvatura das costas chamam imediatamente a atenção. Mas ela parece segura ao seu lado. A praia já está cheia, há famílias com crianças, não há o que temer. Eles começam a conversar enquanto observam o calçadão à espera dos amigos.

    A atmosfera de início de namoro não impede Walter de olhar em volta. Na sua opinião, Ipanema é a praia frequentada pelas pessoas mais bonitas do Rio e os corpos esculturais, tanto de homens quanto de mulheres, se impõem inexoravelmente ao olhar. Ele nota que Tatiana também observa as pessoas. Para sua surpresa, é ela que introduz o assunto sobre os banhistas.
— Eu sei que o meu bikini é minúsculo, mas olha aquelas meninas: estão nuas!

    Ela aponta para um grupo de quatro jovens que conversam animadamente à beira d’água. Duas meninas de costas para ela e Walter estão usando bikinis tão pequenos que elas parecem de fato estar nuas, exibindo corpos tão perfeitos que ningém consegue se impedir de olhar, homens para se inspirar, mulheres para procurar defeitos. Flagrantemente interessadas nos rapazes, vez por outra as meninas lhes dão as costas fingindo olhar indiferentes para o mar, mas conscientes de que eles as olham hipnotizados.
— Elas estão se jogando em cima dos caras! diz Walter, divertido.
— É mesmo! O moreninho está até amuado; deve estar imaginando a menina sem bikini. Está na cara que vair rolar depois da praia!
— A gente não pode dizer nada, não é, Tatiana!
— Verdade! diz ela dando um risinho. Mas elas são tão novas!
— Vai me dizer que você não começou cedo?
— Haha! Não está mais aqui quem falou!

    Walter cola-se a ela para um beijo fazendo-a sentir contra a coxa a protuberância pulsante formada na sunga.
— Ai se eu pudesse pegar nele! cochicha ela entre um beijo molhado e outro.
— Ele está alucinado pelo teu corpo, Tati.
— Está querendo me deixar molhada antes de cair n’água, é?
— Eu sou capaz de produzir esse efeito?
— Se é!
— Xi! Já vi que vai rolar aqui mesmo! exclama uma voz feminina, acima deles.

    Tatiana e Walter olham em direção à voz. Débora e Tomás estão parados diante deles, olhando para baixo e meneando maliciosamente a cabeça.
— Tsk, tsk, tsk!
— Débora! exclama Tatiana, já se levantando para cumprimentar a amiga com dois beijinhos.
— Custamos a encontrar os dois pombinhos! Foi o Tomás que desconfiou que o casal quase transando na areia era vocês.
— Para com isso! retruca Tatiana, bem-humorada. Bom, deixa eu apresentar vocês. Esse é o Walter...
— Tudo bem? diz Débora, já oferecendo o rosto para a troca de beijinhos.
— E o Tomás.
— E aí, Tomás?, diz Walter, estendendo-lhe amistosamente a mão.

    Enquanto os recém-chegados se instalam e Tatiana começa a tagarelar com a amiga, Walter empreende o inevitável reconhecimento. Tomás tem cerca de 1,75m, é muito branco, com uma bela cabeleira castanha, mas pouquíssimos pelos no corpo, com exceção das coxas. Ele aparenta ter menos de vinte anos, tem, de fato, feições delicadas e extremamente regulares, o que faz dele um menino bonito comparado à média brasileira. De relance, Walter tenta avaliar seus atributos mais íntimos, mas, como era de esperar, o desgracioso sungão permite uma apreciação melhor das costas do que da frente. Tomás tem uma bela curvatura dorsal, que ele não disfarça, deixando adivinhar uma bunda curta e bem provida de carne.

    Quanto à Débora, é a carioquinha típica, moreninha queimada de sol e corpo talhado pelo vôlei de praia. Walter a surpreende ajustando negligentemente o biquini para cobrir as marquinhas a fim de não estragar o trabalho de semanas de sol. Débora é tão empinada que a calcinha ínfima fica num plano mais fundo que o das coxas, que sobressaem em primeiro plano, perfeitas, sem o menor vestígio de estrias ou celulite. Enquanto ela refaz o rabo-de-cavalo, Walter aprecia os seios redondos, de tamanho ideal, que se projetam marcando o tecido fino com duas provocantes saliências centrais. Vendo as duas amigas lado a lado, Walter não pode evitar as idéias carregadas de erotismo que lhe invadem a mente e resolve convidar Tatiana a ir dar um mergulho.
— Vamos para a água, Tati? Parece que está uma delícia.
— Podemos ir na frente? pede Tatiana aos amigos.
— Demorem à vontade. Queremos dar uma boa bronzeada primeiro.

    Assim que a água ultrapassa-lhe a cintura, Tatiana submerge tapando o nariz e volta com o cabelo colado ao corpo.
— Brrrr! Gelada... mas gostosa.
— Ao contrário de você, que é sempre quente! brinca Walter, aproximando-se.

    Walter cola-se a ela já agarrando os dois gomos da bunda que o faz fantasiar a semanas. Tatiana estremece; é a primeira vez que ele a toca desse jeito. Ela sente a resposta do seu sexo e vai à procura do dele, acariciando-o por fora da sunga. Está duro, atravessando-a diagonalmente até quase o elástico.
— Ele está agitado!
— Ele fica assim quando quer carinho, cochicha ele com os lábios colados em sua orelhinha salgada de sal, fazendo-a novamente estremecer.
— É mesmo? Então não tenho escapatória?
— Acho que não!

    Tatiana passa a mão por dentro da sunga de Walter e empunha o membro que ela já conhece razoavelmente bem. Está duríssimo, palpitante. Walter a puxa para si, separando os dois gomos, fazendo-a sentir a água fria acariciar-lhe o interior do rego.
— Coloca entre as coxas, vai. pede ele.
— Walter! As pessoas não vão perceber? Tem tanta gente na água!
— E daí? Ninguém tem nada a ver com isso. Por favor, Tati!

    Relutante, Tatiana encaixa o membro rígido e grosso entre suas coxas, sentindo-o pressionar seu sexo através da calcinha do bikini. Ela abraça Walter, que inicia um vaivém e cochicha em sua orelha.
— Não consigo parar de pensar em transar com você, Tati.
— Eu também não estou aguentando de tanta vontade. Se a Débora e o Tomás não tivessem vindo, a gente podia voltar para casa agora.
— Eu queria te fazer gozar uma vez na água do mar.
— Seu louco! Está falando sério?
— Estou sim!

    Walter diz isso já invadindo a calcinha do bikini com os dedos. Tatiana abre um pouco as pernas e deixa-o encontrar seus lábios. Ele então começa a masturbá-la, esfregando seu clitóris e dizendo-lhe coisas, sentindo sua mão pressionar-lhe a verga pulsante.
— Quero te sentir gozar na minha mão, aqui no mar.
— Quer? Então vamos gozar gostoso, juntos.

    O clitóris enrijecido estimula Walter a esfregá-lo mais e mais, forçando Tatiana a controlar-se para não se contorcer e gemer. A excitação é tanta que o orgasmo logo se anuncia.
— Está vindo, Walter... Vou gozar... Ahn....
— Isso, goza gostoso na minha mão. E mais tarde, quero chupar essa bucetinha para te fazer gozar muito mais.
— Vou cobrar, hein! Ahn... Você está me deixando doidinha com essa mão. Vou dar um berro.

    Walter sente a descarga viscosa lubrificar-lhe o dedo e inicia um vaivém que alucina Tatiana a ponto de levá-la a crer que está sendo notada. Grudada nele, ela morde seu ombro para não gritar, enquanto, empunhando com o toda força o seu sexo, masturba-o vigorosamente. O orgasmo vem em seguida e distrai Walter da dor da mordida. Ele ejacula na água gelada.
— Ahhh! Fecundei o mar com a minha semente!
— E desperdiçou a primeira vez! A próxima é todinha minha e vou querer provar.
— Claro! Vou inundar essa boquinha linda e assistir você engolindo.
— Então vamos para casa, pelo amor de Deus! Vou ter um treco aqui se a gente não foder agora, cochicha ela como uma felina em pleno cio, ajustando a calcinha do bikini, separando-a do corpo para apagar a marca da fenda.
— Vai pegar mal, Tati. Vamos ficar pelo menos uma hora com eles.

    Recompostos, eles saem da água e caminham de volta ao ponto de encontro. Assim que avista Débora e Tomás, Tatiana percebe que o namoradinho da amiga não está apenas olhando para o seu rosto, mas devorando seu corpo com os olhos, o que a excita ainda mais. Ela sorri fugazmente e mas vai sentar-se ao lado da amiga, que está tomando sol deitada de bruços. Walter percebeu o olhar de Tomás, mas ocupado que está em tentar descobrir um pouco mais sobre o corpo da Débora, não dá maior atenção ao fato.

    A verdade é que cada integrante desse quarteto está intimamente torcendo para que "algo" aconteça. Débora e Tomás sabem que Tatiana vai passar o fim de semana na casa do Walter, e que ele mora sozinho. Tatiana e Walter, por sua vez, sabem que Débora e Tomás são bastante emancipados para eventualmente toparem um programa grupal. Mas é preciso esperar o momento oportuno e os quatro decidem dar tempo ao tempo. A certa altura...
— Passa bronzeador nas minhas costas, Tomás? pede Débora, sempre de bruços, já alongando os braços junto ao corpo.
— Também vou querer, Tomás!, pede Tatiana, sorrindo sedutoramente. O Tomás pode, não é, Walter?
— Claro que pode! Se ele conseguir se concentrar!, responde o Walter dando uma piscadela maliciosa para Débora.
— Homem só pensa nisso! brinca Tatiana, provocando o riso geral.

    Walter assiste à cena. As duas jovens estão deitadas lado a lado, uma olhando para a outra, conversando, enquanto Tomás, no centro, espalha o creme nas costas ora de uma, ora de outra. Uma inegável intimidade se estabelece, sinal de que os quatro já se sentem perfeitamente à vontade. Quando ele termina de untar as costas de Tatiana, ela agradece mandando-lhe um beijinho e ele começa naturalmente a espalhar o bonzeador pelo corpo da namorada, que abre ligeiramente as pernas para franquear-lhe o acesso ao interior das coxas. Isso excita Tomás, mas sua ereção só é percebida por Walter. Quando Tomás vai terminando, Walter toma coragem e lança:
— Tati, você vai deixar o folgado do Tomás passar bronzeador só da cintura para cima? Na Débora, ele está fazendo o serviço completo!
— Por que é que você não termina, Walter? pergunta Tatiana, fingindo zanga pela facilidade com que ele delega a tarefa a outro homem.
— Ah! Porque eu não gosto de melar a minha mão no bronzeador! responde ele com ar maroto.
— Ele pode, Débora? pede a Tatiana, olhando divertida para a amiga.
— Só se for bem de levinho! Não vá bancar o engraçadinho, hein, Tom! faz a outra, também fingindo severidade.
— Pode deixar, vou ser profissional, responde o rapaz, todo empolgado e já se virando para o corpo exuberante da Tatiana.

    A conversa é retomada, Walter parece impassível, mas sua excitação é tanta ao ver a mão de Tomás percorrendo o as formas sensuais de Tatiana, que ele se vê obrigado a por os braços sobre os joelhos cruzados para encobrir a ereção. Ele nota o pequeno sobressalto de sua namorada quando as mãos fortes de Tomás alcançam os dois gomos que se elevam abruptamente das costas para espalhar o creme. Ele não tem dúvida de que Tomás percebe cada uma dessas ínfimas reações e dirige discretamente o olhar para a sunga que só ele vê. A certa altura, os olhares dos dois se cruzam e Tomás se detém, faz que vai voltar às costas de Tatiana, mas recebendo de volta a aprovação de Walter, sorri gentilmente e, baixando os olhos com a timidez própria de sua extrema juventude, volta a espalhar o bronzeador pelas coxas maravilhosamente bem torneadas de Tatiana. Walter percebe que, vez por outra, Débora observa de relance o comportamento do namorado, mas, não vendo sinal de reprovação, tranquiliza-se e prepra-se para lançar uma ofensiva que ele vem trabalhando há alguns momentos.

    Quando o casalzinho finalmente decide ir dar um mergulho e se afasta, Walter e Tatiana se olham e começam a falar quase no mesmo instante.
— De repente...
— De repente...

Eles riem e, dão um estalinho e Tatiana retoma.
— Você está pensando na mesma coisa que eu?
— Sei lá... Fala.
— Eu estava pensando... De repente, eles podiam ir lá para a tua casa com a gente, o que você acha?
— Eu ia propor exatamente isso. Mas... você só pensou num convite inocente para passar o dia ou tem mais alguma coisa nessa cabecinha?
— Por quê? Na tua tem? responde ela, com o olhar mais sonso do mundo.
— Tati, acho que a gente pensou exatamente na mesma coisa. Será que eles topariam ir "mais longe" com a gente?
— Olha, eu sei que a Débora já acampou com um casal de amigos nossos. Do Tomás, não sei te dizer grande coisa. Parece que ele é bem misterioso com isso.
— Eu acho que eles estão a fim, e você?
— Em todo caso, a Débora já me deu umas indiretas de que eles não têm muito lugar para ficar sozinhos à vontade.
— E você, estaria a fim? Eu confesso que queria ver os dois juntos e de repente algo mais.
— Seu safado! Que "algo mais" é esse?
— Ah, Tati, sei lá... Vai dizer que você não sentiu nem um tesãozinho leve quando o Tomás passou bronzeador em você?
— Walter! Você curte ver outro com a tua namorada, é?
— Por quê? Você não está preparada para isso?
— Não é isso... É que a gente nem transou ainda.
— Você prefere ir só comigo lá para o apê? Por mim, tudo bem. Passar dois dias só com você seria a realização de um sonho!
— Ah, sei lá... Agora estou em dúvida. Me deu uma curiosidade de saber como seria com eles dois ou, pelo menos... ver os dois.
— Ahá! E eu pensando que ela era santinha! Mas, falando sério, você já fez esse tipo de coisa?
— O quê: ver?
— Não, ficar mesmo. Fazer a três, por exemplo.
— Ah Walter...
— Não vai ficar encabulada comigo, né, Tati! Pode falar! Foi com esse último ex?
— Com ele? Nunca! Eu era a "propriedade" dele, ele não desgrudava e seria capaz de matar por ciúmes. Você não vai ficar chateado se eu só contar agora?
— Não, juro.
— Sabe o Luís e a Serena, aquele casal lá do trabalho?
— Sei, mas nunca vejo você conversando com ninguém lá.
— Pois é, foi uma coisa muito doida. Nós três fomos contratados no mesmo dia. Durante as primeiras semanas, éramos unha e carne e saíamos todo fim de semana. Um dia, o Luís combinou encontro na casa dele e de lá nós iríamos jantar e depois dançar. Só que não aconteceu nada disso. Nós começamos a tomar cerveja e a Serena acabou só de calcinha dançando para nós na mesinha de centro. Você já viu o corpo que ela tem, não é? Pois é, nós estávamos bem íntimos e, com a bebida, não demorou muito, o Luís também tirou a roupa e eu fiquei sem jeito de continuar vestida.
— Ele tirou a roupa toda?
— Começou tirando a camisa, mas logo abriu a calça e começou a bancar o dançarino de boite de mulheres. Aliás, ele leva o maior jeito; me pergunto se ele já não fez isso na vida.
— E aí rolou.
— E aí rolou. Eles começaram com carícias, depois beijos, depois foram para o sofá e a Serena me chamou.
— Já imagino a cena. Vocês chuparam o cara.
— No início ficamos sentados com ele no meio e só rolou beijo e mão pra cá e pra lá, mas ele botou para fora e a Serena "atacou". Quando eu achei que fosse ficar só assistindo, ela tirou da boca e me ofereceu.
— E a menininha inocente aceitou! brinca Walter.
— Eu tinha bebido demais, Walter! defende-se Tatiana, falsamente envergonhada.
— Não precisa se desculpar. Você estava namorando?
— Já estava com o meu ex.
— Ele mereceu! E a Serena, pelo visto, curtia.
— Se curtia!
— Você gostou de chupar em dupla?
— Ah, sei lá!
— Gostou ou teve nojo da saliva dela?
— Nem pensei na saliva dela, Walter!
— Gostaria que acontecesse de novo? Talvez hoje seja seu dia de sorte.
— Você toparia?
— Você ainda não me conhece em matéria de sexo, Tatiana. Um dia, você vai saber de tudo. Mas, me diz, você, o Luís e a Serena chegaram a transar?
— E dava para evitar? O Luís foi ficando maluco para ter as duas, e a Serena botando gás...
— Sei, você não pôde dizer não, né! E ele deu conta das duas, bêbado?
— Não posso reclamar!
— Garanhão?
— Por aí... Mas você não quer que eu descreva um homem, não é, Walter?
— Ué, por que não? Bem que eu "traçaria" o Tomás!
— Walter! Eu não sabia que você era bi.
— De carteirinha!
— Você nunca me disse isso.
— Como não disse muita outra coisa. Mas a gente conversa sobre isso depois; eles estão voltando da água e a gente tem uma decisão para tomar. Vamos convidar, então?
— Por mim, tudo bem, estou a fim.
— OK, deixa comigo.

    Débora e Tomás, gotejantes, tentam não molhar os corpos escaldantes dos amigos que se bronzeiam de pé. Walter lança a proposta.
— O que vocês acham de ir lá para casa com a gente passar o resto do dia? Estou de carro. E se quiserem, podem até dormir lá em casa.

    Entusiasmada e já fazendo que sim com a cabeça, olhando toda animada para a amiga, Debora encara Tomás nos olhos, esperando por sua resposta. Ele demora um pouco para decidir, mas...
— Tudo bem, só que eu vim de bermuda e com essa camiseta velha.
— Se o único problema for esse, então não é problema! retruca o Walter.
— Então tudo bem! Assim que a gente secar pode ir, responde ele, animado e recebendo um beijo agradecido da namoradinha.


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(*) O leitor atento perceberá de imediato a mudança do foco narrativo a partir desta parte. Embora heterodoxa e sujeita a críticas, minha escolha foi deliberada porque precisei de outro ponto de vista, mais abrangente, para melhor narrar as etapas seguintes. Estou perfeitamente ciente da estranheza que esse tipo de mudança causa no leitor desavisado.
M. F.