2. Topando a Carona
Se é verdade que
Tatiana "fugiu" de mim nos dias subsequentes, não foi por causa dos
meus sonhos, mas muito provavelmente por causa do incidente do retrovisor. O
fato é que, no dia seguinte, ela veio me dizer que tinha dado um jeito com o
tal amigo taxista. Inconformado, deixei passar o resto da semana e, na
segunda-feira seguinte (isto é, há três semanas exatamente) resolvi segui-la
por dois dias e descobri que ela estava pagando um mínimo de táxi – diferente a
cada vez – para ir até o primeiro ponto onde passasse um ônibus para a Tijuca. O
táxi esperava até que o ônibus chegasse e ela embarcava. Mas o perigo era
equivalente; o ônibus estava invariavelmente quase vazio. Tomei a
decisão de falar com ela.
— Você não está mesmo tendo problemas para voltar para
casa? Pode ser sincera comigo, ouviu?
— Não, respondeu ela prontamente. Meu amigo está me
levando.
— Tatiana, eu vi você saindo do táxi e entrando num
ônibus. Você não está indo para casa de táxi.
— Andou me seguindo, é? Por quê, Walter? Você está
preocupado comigo ou é outra coisa? Vamos ser sinceros um com o outro!
Desta vez, era eu que estava no corredor, diante da
fileira onde a Tatiana trabalhava. Ela estava sentada, olhando-me fixamente nos
olhos. Ela tinha ido trabalhar de calça branca e blusinha amarrada acima do
umbigo, estava de arco no cabelo, brincos circulares de aro dourado e o mesmo
batom na boca incrivelmente sensual, mostrando ao falar aqueles dentes
certinhos, de encaixe perfeito. Do alto, eu via seus peitinhos tremulando
através da transparência do sutiã de renda.
— Mas eu já disse, Tatiana, que não sou exceção à
regra e que você me atrai tanto quanto aos outros funcionários da empresa. Eu
não menti sobre isso. Você ficou mesmo irritada porque olhei para o seu corpo
no carro? Isso foi tão ofensivo assim?
— Não é isso. É que...
Ela se levantou e começou a repor suas coisas na
bolsa. Reparei que a calça branca era tão baixa que o fio da tanguinha estava
na mesma altura que o cós.
— Nunca entendi como é que vocês conseguem enfiar
essas calças tão justas, brinquei.
— Engraçadinho! retrucou ela, puxando levemente a
calça pelo cós, sem na verdade mudar nada.
Visivelmente mais à vontade comigo, Tatiana me deu as
costas para ajeitar o cabelo, oferecendo-me, mais uma vez de perto o espetáculo
das suas costas empinadas e da bunda saliente, dividida ao meio pela costura
profundamente enterrada. Lembro-me bem de descobrir que os dois bolsos, naquela
calça, eram perfeitamente inúteis, costurados no alto de cada lado. Eram puro
enfeite, apenas para que a bunda não ficasse completamente desguarnecida sob o
tecido esticado e liso. Tive vontade de por as mãos ali para sentir a firmeza
da carne e o contorno sensual. Pensei que eu teria dado tudo para ir com aquela
menina à praia no fim de semana e vê-la de biquíni.
— Quer me levar hoje? disse ela, voltando-se para mim e exibindo uma calça tão apertada que a costura da frente invadia profundamente a fenda.
— Claro! Estou vindo de carro para isso, confessei.
— Esperto ou bonzinho?
— Que tal os dois? respondi, sorrindo com malícia.
— Vamos embora daqui?
— Vamos!
Já no carro, os dois bastante descontraídos, encontrei
a velocidade ideal para conversar sem temer pela segurança.
— E como está a vida sem o namorado quarentão?
— Sinceramente? Estou me sentindo livre, Walter.
— Não sente falta de nada? Nem do sexo com um homem
experiente, ironizei, acentuando o adjetivo.
— Isso sim, mas nada me impede de conhecer outros.
— Fora o sexo, é bom se relacionar com coroa?
— Mais ou menos. Ele vivia ligado em um monte de
coisas: família, dinheiro, emprego, falta de tempo, dificuldade de tirar
férias, etc. É muito chato.
— Imagino.
— E na hora de transar, ele se transformava, parecia
que nunca tinha feito, ficava numa sede! Queria tudo e às vezes eu não estava a
fim de tudo.
— Por exemplo?
— Ah, é chato falar disso...
— Tá legal, eu tento imaginar.
Tatiana estava tão à vontade nessa segunda carona, que
ela tirou as sapatilhas e apoiou os pés no porta-luvas.
— Você não tem nenhuma gordurinha na barriga, hein!
exclamei, dando uma olhada explícita e sorrindo para ela.
— É verdade, isso eu não tenho, respondeu ela dando
tapinhas na barriga plana, provocando um som que me lembrou outro, de natureza
mais sexual.
— Você preferiria estar no táxi indo para o ponto de
ônibus, agora?
— Nem brinca! Aquilo foi horrível.
— Os taxistas azaram muito?
— Direto. Não param de olhar pelo espelhinho, fazendo
caras, sorrindo... Tive medo das duas vezes.
— Sem falar do ônibus!
— Ah! Fico apavorada. Me sento quietinha no primeiro
banco, doida para chegar.
— E com essas roupas, ainda por cima! É arriscado.
— Você fala sempre nisso, mas não sei usar outra
coisa, Walter! Se eu puser roupa larga ou frouxa me sinto uma velha!
— Posso ser indiscreto, uma vez?
— Pode, respondeu ela, condescendente.
— Você sabe que essa calça mostra tudo, não sabe?
— Como assim, "tudo"? fez ela, se fazendo de
desentendida.
— Vamos dizer que ela "divide" tudo. Deu
para entender?
— Ah, entendi. É assim mesmo com calça apertada. A
gente acostuma.
— Vocês acostumam e os homens sofrem! retruquei, rindo.
Talvez sem imaginar que eu perceberia, Tatiana abriu
um pouco as pernas e olhou para a clivagem dos lábios vaginais pela costura da
calça justa. Enquanto ela se inspecionava, respirei fundo, tomei coragem e
lancei:
— Quer se tocar?
— Hã?
— Eu sempre quis ver uma mulher de calça se tocar. Não
sei por que nunca pedi a uma namorada.
Um breve silêncio me fez pensar que eu acabara de
estragar tudo novamente. Mas para a minha surpresa, Tatiana se acomodou melhor
no assento, abriu bem as pernas, levou uma mão entre as coxas, de leve, apenas
roçando os dedos médio e anular na região dos lábios e da fenda, alternando seu
olhar entre a própria mão e meu rosto.
— Assim?
— É gostoso? Está quente? Isso excita você?
— Com você olhando e querendo que eu faça, é
excitante, sim.
— Você vai ficar molhada?
— Se você continuar, vou.
— Então continua. Passa bem o dedo na rachinha.
Aos poucos, Tatiana foi ficando ofegante, excitada. Notei
que ela levou uma mão aos seios, por baixo da blusa fina.
— Assim... Continua gemendo gostoso... Estou adorando
ver você assim, excitada como uma gatinha no cio.
— Você está de pau duro, é?
— Tão duro que chega a doer, respondi, olhando para ela sorridente.
Não precisei mais do que isso para que ela viesse
apalpar meu sexo que eu sentia pulsar violentamente na calça jeans.
— Nossa! Está mesmo! Não vá se desconcentrar, hein!
brincou ela, já tirando a mão e deixando-a entre as próprias pernas. Sua voz
estava lânguida e relaxada, segura de sua capacidade de dar prazer a um homem.
— Estamos na Conde, mas vou dar uma rodada para
demorar mais, tudo bem? Queria te ver com a mão dentro da calça.
— Só não pode demorar muito porque a minha mãe não vai
para cama enquanto eu estou fora de casa.
— Está bem, só mais um pouquinho.
Enquanto continuei lentamente pela Conde de Bonfim,
Tatiana soltou a grande fivela dourada do cinto, em seguida abriu o botão do
cós e mais outros três. Como ela já desatara o nó da blusa, pude ver toda a
barriga até o elástico da tanguinha minúscula que devia ficar a milímetros do
início da fenda.
— Eu vi que você estava de tanga lá no trabalho.
— Sério? Seu tarado!
— Você já usou com o elástico acima do cós?
— Quando eu saio, de dia, sempre que me sinto segura,
principalmente quando estou com meus amigos, faço isso.
— Acho super sensual. Agora, passa a mão por dentro da
tanguinha, vai.
Tatiana precisou baixar a calça para conseguir passar
os dedos entre o final do zíper e o corpo. Não vi sinal de pelos.
— Você se depila?
— Todinha!
— Lisinha?
— Carequinha!
— Ah! Quero ver!
— Quer mesmo?
— Claro!
Não sem dificuldade, ela baixou a calça até o meio das
coxas e pude ver que a tanga consistia apenas do elástico e de um sumário
tapa-sexo.
— Não é bem uma tanga, mas uma fio-dental, não é?
— É fio-dental, isso mesmo. Tenho montes e adoro usar,
acho super confortável, sem falar que não marca a roupa. E ela baixou o
tapa-sexo, permitindo-me ver monte de Vênus carnudo, perfeitamente depilado.
— Continua, vai...
Tatiana abriu novamente as pernas e começou então a se
acariciar diretamente, percorrendo o sulco com o dedo médio e logo começando a
respirar mais forte e gemer baixinho, contorcendo-se um pouco.
— Está molhada?
— Mm-hm! fez ela, levando dois dedos
brilhantes a centímetros do meu rosto.
— Me dá, pedi.
— Quê?
— Põe os dedos na minha boca.
Ela riu e aproximou dos meus lábios seus dois dedos
encharcados, que lambi e chupei avidamente, sentindo as pulsações do meu colo. Tatiana
ria, divertindo-se com a cena.
— Eca! Passei o dia todo com essa roupa. Você não tem
nojo?
— Bah! Depois do gosto de bacalhau fica uma delícia!
retruquei, rindo, mas me sentindo realmente excitado com o sabor dela
percorrendo a minha língua.
— Porco! brincou ela, retirando a mão.
— Homem também molha muito, você sabe. Quer abrir
minha calça?
Um celular tocou. Era o dela e era a mãe, já
preocupada. Tivemos que nos recompor e deixei Tatiana em casa cinco minutos depois.