Certa vez, há muitos anos, minha mãe me deixou com um casal de amigos, durante
um mês, para ir fazer um curso numa cidade próxima. Arthur, o mais velho dos
dois filhos do casal, era um lourinho com uma farta cabeleira que lhe caía
sobre os olhos. Ao contrário de mim, ele não tinha vergonha do próprio corpo e
vivia exibindo‑o, evidentemente sem a menor malícia, mas aberta e
repetidamente. Lembro‑me de jamais termos tomado banho juntos porque ele exigia
que a empregada lhe desse banho sozinho. Diariamente, ele aprontava um
escândalo, berrando e esperneando até que a pobre mulher interrompesse suas
tarefas para ir dedicar‑se exclusivamente a ele. Quando fui embora, não levei
muitas recordações daquele período que embora curto, me pareceu bem longo. Não
tive o menor desejo de olhar para trás quando dei as costas à casa e ao bairro.
Mas, sem saber, eu fora marcado para sempre e minha história com o Arthur
estava longe de terminar naquele breve capítulo.
Durante a nossa
adolescência e juventude era raro que Arthur e eu nos encontrássemos.
Pertencíamos a mundos diferentes porque nossas famílias tinham objetivos de
vida diferentes: a dele era ambiciosa e moderna, a minha conformada e
retrógrada. No entanto, como nossa cidade era pequena, ocasionalmente nos
víamos. Certa vez, caminhando por uma calçada, avistei Arthur de moto. Assim
que ele me viu parou e me perguntou se eu queria carona. Recusei ‑ eu jamais
andara de moto. Ele insistiu e, quando montei, recomendou que eu me agarrasse
bem à sua cintura. Obedeci e, não sei por quê, instantaneamente me veio a
imagem do menino que eu vira tantas vezes correndo nu dentro de casa. Essa
lembrança, associada ao corpo agora desenvolvido do jovem que ele se tornara,
me excitou muito.
Em outra ocasião,
tivemos um encontro casual na piscina do clube que frequentávamos. Arthur
estava usando uma sunga vermelha muito justa. Aos meus olhos, seu corpo se
tornara deslumbrante porque se desenvolvera sem deixar de ser completamente
liso. Ele agora tinha peito e braços musculosos, barriga plana, um par de coxas
grossas, uma bundinha curta e saliente, pesada o suficiente para formar
curvinhas sensuais na junção com as coxas, e um volume frontal considerável!
Isso me trouxe mais uma vez à lembrança o período passado em sua casa.
Conversamos um pouco e nessa ocasião ele me convidou para o seu aniversário, ao
qual comprometi-me a não faltar.
Arthur organizara
uma festa bem íntima; havia apenas dois amigos e os demais eram parentes, a
maioria dos quais me haviam conhecido na infância e se alegraram ao rever‑me
"tão crescido". Isso me descontraiu e logo fui ao quarto de Arthur,
onde os mais jovens estavam conversando e se divertindo. Em dado momento,
apenas Arthur, seu primo Wilson e eu ficamos no quarto. Notei que esse primo
tinha com ele umas brincadeiras maliciosas, como passar a mão e tentar agarrá‑lo
por trás, mas que ele não se importava e, pelo contrário, abria a calça, punha
o polegar por dentro do elástico da cueca e fazia que ia baixá‑la, exibindo a
pele branca em contraste ao bronzeado do corpo exposto. Constatei embaraçado
que meu coração disparava a cada vez que eu via uma parte oculta do corpo do
Arthur, por mínima que fosse. Ele acabou deixando‑se agarrar por trás pelo
primo e ambos puseram‑se a imitar o gestual do sexo, gemendo como se estivessem
em plena ação e olhando para mim com malícia. Fiquei com a impressão de que, na
intimidade, eles faziam "coisas" e, claro, saí daquele aniversário
transtornado de excitação. Lembro‑me de ter chegado em casa e ido diretamente
para o banheiro.
Mas a masturbação
não foi suficiente para aplacar meu transtorno. Comecei a ser assediado pela
lembrança múltipla do Arthur nu correndo pela antiga casa de bairro; do Artur
me convidando a montar atrás dele, na moto; do Arthur de sunga, na piscina; do Arthur
sendo agarrado por trás pelo primo; da pele do Arthur, das coxas do Arthur, da
bunda do Arthur... Logo formou‑se a idéia fixa de que eu precisava encontrá‑lo
sozinho. Que fosse apenas para vê‑lo nu uma única fez, mas eu não podia
continuar sendo assaltado por todas aquelas imagens e sensações! Não suportando
mais, tomei a decisão de ir à sua casa. Arrumei um pretexto para ir quando ele
estivesse sozinho: levar meus discos de heavy metal. No dia combinado, ele me
atendeu sorridente e, com um olho nos discos, me fez entrar no apartamento
moderno e bem mobiliado. Entreguei os discos para que ele escolhesse e,
enquanto ele punha o primeiro, examinei seu corpo, para certificar‑me de que
não estaria me arriscando inutilmente a perder um amigo. Ele estava usando
apenas uma calça de ginástica azul bem fina que só não caía devido à curvatura
da bunda, acentuadamente pronunciada em Arthur, à qual ela se amoldava
perfeitamente. Isso me convenceu e me levantei para ir até ele. Começamos a
olhar juntos as capas dos CDs, acompanhando o ritmo da música com o corpo.
Estávamos muito próximos, praticamente colados ombro a ombro. Algo me dizia que
Arthur estava gostando dessa proximidade; ele não se afastou de mim em nenhum
momento. Resolvi tirar a camisa para ficar igual a ele. Agora, nossos braços
roçavam um no outro e nossos cheiros invadiam‑me as narinas. Meu coração estava
disparado, mas eu não sabia o que fazer para dar o passo seguinte. Por sorte,
não foi necessário. Pondo a música no último furo, ele se virou para mim e, já
baixando a calça junto com a cueca, gritou: "vamos ficar pelados!"
Assim que Arthur
ficou nu, começou a dançar na minha frente, agitando freneticamente a cabeça e
rindo, com ar de que estava se divertindo com a dupla transgressão do volume
altíssimo da música e da nudez. Seu corpo nu me excitou como sempre excitara e,
quando baixei minha cueca, acho que meu sexo estava mais aceso do que eu teria
preferido. Meio encabulado, não consegui me soltar, mas não tive como
ocultar-me e Arthur cravou-me os olhos abaixo da cintura sem o menor
constrangimento. Nessa época, ele devia estar com dezoito anos e eu vinte, mas
como ele era muito branco e sempre fora liso, seu corpo parecia bem mais jovem.
Eu tinha coxas muito peludas, peito e axilas também, e bastante pêlo pubiano. Em
suma, meu corpo parecia mais maduro e isso deve ter chamado a atenção dele, que
não tirava os olhos de mim e sorria desinibido, pondo as mãos na cintura e
meneando a cabeça como quem diz "quem diria!" Sorri de volta, mais
descontraído, e voltei a dançar para me distrair, mas Arthur virou as costas e
assim ficou, proporcionando‑me o espetáculo da sua bunda perfeita que, àquela
altura (a imagem do primo me veio à cabeça), ele certamente sabia ser muito
apreciada. Quando ele se virou, olhei‑o bem nos olhos e gritei "Assim eu
não aguento, cara!", dirigindo seu olhar para o meu sexo que havia inchado
e subido um pouco mais. Mas ele voltou a me dar as costas e, para total espanto
meu, começou a caminhar para trás até se encostar em mim. Nesse exato
momento, minhas dúvidas se dissiparam.
Ainda ficamos nos
agitando durante alguns instantes assim, a milímetros de distância um do outro,
meu pau já duro roçando contra a bunda convidativa do Arthur, mas ele logo me
chamou para o banheiro com um ar tão resoluto que parecia fruto do hábito. A
imagem do primo dele voltou-me à mente e tive que perguntar se ele já fizera
"aquilo" com alguém. A resposta foi afirmativa, mas quando eu quis me
certificar de que havia sido com o Wilson, ele já estava apoiado na pia, me
oferecendo de pernas entreabertas o traseiro redondo e empinado. "Passa
sabonete", disse ele, apontando o lugar da pia com o beiço. Quando olhei
para abaixo e vi meu sexo duro apoiado no sulco profundo da bunda, a cabeça
vermelha e inchada apontando para as costas do Arthur, foi como a realização de
um sonho tão impossível que me senti tomado de vertigem. Ver meu pau encostado
entre queles gomos tão lisos, tão brancos, tão firmes era uma imagem que eu
tinha formado tantas vezes na mente que a minha incredulidade chegava a me
surpreender. Mas era verdade e eu estava ali, segurando o Arthur pela cintura,
esfregando-me nele e me preparando para comê‑lo por oferta sua. Eu mal podia
acreditar!
Ele me pediu para
meter logo porque não tínhamos tanto tempo assim. Ensaboando bem o pau com uma
mão, acariciei com a outra a bunda que ele mexia devagar, oferecido e excitado.
Quando comecei a penetrá‑lo, não me senti com um gay, mas num cara que estava
apenas aproveitando a vida, tirando prazer daquilo que lhe dava prazer. Ele
sempre soube que tinha um corpo atraente. Eu já o vira inúmeras vezes abraçado
com meninas na rua, mas entendia que o fato de ser bonito e ter aquele corpo
atraía meninos e meninas. Quando entrei todo nele, Arthur gemeu, ficou quase de
pé e me pediu para envolvê‑lo fortemente com os braços enquanto, por sua vez,
me agarrou pela bunda apertando‑me contra si. Nós temos quase a mesma altura, o
que tornava a posição extremamente confortável e excitante. Eu, pessoalmente,
gosto até hoje de transar de pé, com homens ou mulheres. Ele queria me sentir
duro e quente dentro dele e me fez saber disso para que eu o ajudasse a extrair
todo o prazer dessa posição. Ele estava bem diante do espelho e pude vê‑lo por
várias vezes contemplando seu próprio rosto bonito enquanto eu o penetrava até
o fim. Ele estava perfeitamente à vontade consigo mesmo. Em nenhum momento, ele
se mostrou encabulado ou sujeito a algum tipo de submissão pela situação de
passividade, e quero sublinhar que, comigo, ao contrário do que ele me contou
ocorrer quando se tratava do primo, ele foi exclusivamente passivo.
Depois que ele se
disse satisfeito com o longo momento em que fiquei imóvel, apenas sentindo-me
pulsar dentro dele, iniciei o vaivém. Arthur agarrou firmemente as bordas da
pia e me deixou comê‑lo, olhando para mim através do espelho, observando meu
rosto e sorrindo ao me ouvir gemer. Passei quase o tempo todo a olhar meu sexo
deslizar para dentro e para fora, entre os dois gomos de geometria perfeita.
Quando minha respiração se acelerou e senti o orgasmo próximo, vi qui Arthur
começara a masturbar-se e isso elevou minha excitação ao pico, fazendo-me
acelerar até entrar num ritmo tão frenético quanto o da música, que continuava
à todo volume, ocupando cada recanto das nossas mentes. Interrompendo um gemido
crescente, Arthur explodiu em gozo, sendo seguido imediatamente por mim, que
comecei a desfechar jatos e mais jatos em seu interior, ao mesmo tempo que o
agarrava com toda força pela cintura, como se fosse possível entrar todinho em
seu corpo. Ficamos assim durante alguns instantes, enquanto eu sentia as
fortíssimas pulsações da base do meu membro, que dilatava o anel, que a
comprimia em reação.
Passando
discretamente uma mão para frente, cheguei ao sexo duro do meu amigo,
inicialmente tocando, sopesando, depois empunhando, acariciando e premendo de
leve as bolas. Em seguida, fui sentar‑me no vaso trazendo‑o comigo pelo pulso.
Deixando‑o de pé entre as minhas pernas e com as mãos em suas coxas, abocanhei
seu pau ainda encharcado e comecei a degustar o esperma que ainda o envolvia,
sorvendo‑o em pequenos goles, como se eu precisasse guardar em mim um troféu
daquela caçada memorável que ia chegando ao fim. Enquanto pendulava, entrando e
saindo da minha boca como numa cópula oral, Arthur pegou minhas mãos e pousou‑as
no fim das costas, no lugar exato onde a bunda desponta, para me dar talvez uma
última oportunidade de contato com a região mais sensual do seu corpo.
Entreguei‑me a essa carícia enquanto me deliciava com seu pau encharcado,
sentindo nos lábios o dourado e liso baixo‑ventre. Sua excitação foi tamanha
que ele teve um novo orgasmo, deixando‑me provar mais plenamente o seu sabor.
Quando terminamos,
me vi de pé, totalmente nu, descontraidamente encostado na pia, conversando com
aquele menino bonito que eu conhecia desde a infância sem nunca ter imaginado
que algum dia me proporcionaria tanto prazer. Arthur ficou com meus discos e
algum tempo depois se mudou da cidade. Cheguei a pensar em procurá-lo, mas a
vida se complica tanto que nunca mais nos vimos.
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| "Ao contrário de mim, ele vivia exibindo-se." |

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