Há muitos anos atrás, tive uma relação com um colega
de escola mais novo, uma relação única que, embora incompleta, foi muito
intensa e prazerosa. Já perdi a
conta de quantas vezes rememorei aqueles minutos febris passados no meu quarto,
em que os dois adolescentes que éramos tentamos fazer sexo como gente grande! Nossa
vida e nossos corpos se transformaram, nos casamos, constituímos família e
perdemos quase completamente o contato, a não ser pelos rápidos acenos
esporádicos de uma calçada para outra do centro da cidadezinha onde moramos. Foi num
desses encontros, mais precisamente o último, na quinta-feira, 9 de abril, às
vésperas da Páscoa deste ano de 2009, que se deu o episódio que vou narrar.
"Lá vem o Tomás", pensei com meus botões,
avistando o homem de farta cabeleira castanha rosto hereditariamente imberbe,
sentindo uma leve tensão com a lembrança de que, já nos tempos de escola, ele
era motivo de zombaria nos vestiários por não ter nenhum pelo no corpo. Pela
primeira vez em anos, Tomás parou, sorridente e descontraído, e me convidou
para tomar um café no bar do Otávio. Aceitei imediatamente, sem revelar meu
espanto. De pé junto ao balcão de zinco, começamos a conversar sobre
trivialidades: família, emprego, dinheiro, a crise atual, etc. Eu não estava
com pressa, mas, ao cabo de uns vinte minutos, foi-me parecendo exagerada a
inclinação do Tomás de continuar ali, jogando conversa fora com um ex-colega de
escola com o qual ele não desenvolveu intimidade ao longo da vida e – mais
estranhamente ainda – para o qual ele "dera" na meninice. Pensei com
os meus botões que talvez ele tivesse algo mais a me dizer, talvez algo
importante.
Foi só após uns quarenta minutos que o Tomás resolveu
me propor sair do bar do seu Otávio. O carro estava "logo ali", disse
ele, e nós poderíamos continuar o papo em sua casa porque a esposa e filhos
tinham ido passar a Semana Santa na casa de praia e ele só iria para lá no
domingo de Páscoa. Aceitei perguntando-me o que ele poderia ter de tão
importante a me contar. Não nego, o caráter sexual da nossa relação pretérita
voltou-me imediatamente ao pensamento; mas a atitude, a voz e a linguagem
corporal do Tomás não assinalaram qualquer reciprocidade quanto a isso. Ao
chegar à casa dele – eu nunca estivera lá – fomos direto para a sala e nos
sentamos num longo sofá bege de tecido rústico. Tomás ofereceu-me uma generosa
dose de uísque, serviu-se e começou a falar mais ou menos nos seguintes termos.
"Cláudio, o que vou dizer-te não pode sair daqui.
Nem minha mulher sabe e, dependendo do modo como venha a saber, vai ter o maior
choque de sua vida. Como bem sabes, temos um casal de filhos, a Talita e o
Bruno, de treze e dezessete anos. Pois bem, na semana passada, tive que dar um
pulo aqui em casa durante o expediente e quando ia levantando a porta da
garagem, vi dois pares de pernas sumirem correndo pela porta que dá aqui para
dentro. Tive a impressão de que essas pessoas estavam completamente nuas, mas
quando entrei em casa, encontrei o Bruno e um amigo conversando comportadamente
na cozinha, ambos vestidos de bermuda e camiseta. Acho que meu filho está
andando com rapazes e não sei o que fazer. Até agora, calei sobre o assunto,
mas minha cabeça está a mil por hora e, mais dia menos dia, vou ter que ter uma
conversa com o Bruno. És a única pessoa no mundo com quem toquei nesse assunto,
e a coincidência do nosso encontro foi providencial."
Tomás disse isso num fôlego só e toda a sua atitude
havia mudado. Já não havia a serenidade de antes e seu olhar estava
transtornado. Pensei um pouco para dizer algo pertinente, mas a única coisa que
me ocorreu dizer foi: "E isso está te excitando, não é, Tomás?" Ele
me olhou inclinando o rosto como um cachorro espantado, ficou calado por alguns
instantes e pondo a cabeça entre as mãos, entrou num riso nervoso dizendo:
"É... É isso. Tens razão, Cláudio. Que loucura! Isso está me excitando
barbaramente! A possibilidade de que o meu filho seja homossexual está mexendo
comigo da maneira mais imprevisível."
Ele continou falando até esgotar o que tinha a dizer e
parou com os cotovelos sobre as coxas e o queixo apoiado nos punhos fechados,
olhando-me fixamente.
— Estás com quantos anos, Tomás? perguntei.
— Quarenta, e tu?
— Quarenta e cinco. Tinhas treze anos, eu dezessete, e
fizemos a mesma coisa que o teu filho, há quase trinta anos atrás, aduzi,
trazendo à tona o que me pareceu ser a verdade essencial e profunda de todo
aquele monólogo.
— Mas...
— "Mas" o quê, Tomás? A única diferença,
contigo é que optaste por uma vida heterossexual. Mas nós dois sabemos o quanto
gostaste do nosso encontro único e que, não fosse a tua família repressora, o
terias repetido dezenas de vezes comigo e reproduzido com muitos outros. Estou
inventando alguma coisa?
— Não, Cláudio. É verdade. O que fizemos marcou-me
profundamente e não se passa uma semana sem que eu pense naquele dia em tua
casa.
— Ao contrário dos outros meninos, que riam de ti, eu
te achava muito desejável, com aquela bundinha muito empinada e rechonchuda, e
o corpo tão liso. Não tinhas um pelo, te lembras?
— Haha! É verdade! Isso me encabula! exclamou ele,
corando.
— Por quê, se é a verdade e o mais puro elogio?
— Meu corpo continua liso como o de uma lombriga. Só
me despontaram pelos acima do pinto, no saco e axilas, e assim mesmo bem poucos!
— Eu gostaria de ver isso, respondi, meneando a cabeça
e olhando para ele com o olhar sonhador de quem se voltou para o passado.
— Continuaste procurando pessoas do mesmo sexo?
desconversou ele.
— Eventualmente, respondi. Casei-me, tenho filhos e
minha vida em família, mas mantive uns contatos que me facultam um certo alívio
dessas pulsões despertadas há tantos anos.
— Pois eu, não. Nunca mais tive o menor contato físico
com homens. Dei várias escapadelas, mas sempre com mulheres. Em duas ou tês
ocasiões mais prementes, procurei prostitutas, porque elas não se opõem a
atender a pedidos "bizarros". Mas homens, jamais.
— Imagino que terias dificuldades se continuasses hoje
com tendência passiva. Terias que fazer tudo na maior discrição. Se conseguiste
aliviar-te assim, tanto melhor.
Um momento de silêncio brotou, longo e frágil,
interrompendo a sonoridade densa e brilhante da conversa, que se tornara
descontraída após deslocada do seu eixo. Após o que talvez tenham sido uns dois
minutos, Tomás voltou a olhar-me, depois olhou para o chão sem focalizar os
motivos do tapete e para a parede oposta sem focalizar os quadros, hesitou e
por fim, decidiu-se.
— Tenho uma proposta que, para mim, seria a única
possibilidade de...
— Diz, respondi, atento.
— Nosso banheiro social é muito bonito e espaçoso, com
um chuveiro de água forte e farta. Se quiseres...
— Podemos tomar um banho, completei.
Respirei profundamente e foi a minha vez de percorrer
com olhar vago o aposento em que estávamos, tentando encontrar um motivo único
que me fizesse levantar-me e despedir-me. Uma fotografia da família toda sobre
um móvel antigo, por exemplo, ter-me-ia dissuadido. Mas não havia nada, motivo
algum; éramos dois adultos sozinhos com tempo disponível. Aceitei diante do
olhar admirado do Tomás.
O banheiro era, de fato, um luxo: um amplo espaço
central com piso de mármore verde cercado por duas pias, um box, uma bela
banheira redonda de hidromassagem, um conjunto de armários embutidos, secadores
para as toalhas em uso e uma janela francesa dando para um espaço interno
fechado no qual eles fizeram um pequeno jardim. E muitos espelhos. Tomás foi
diretamente pegar uma toalha enquanto designava uma cadeira para minhas roupas.
Como sempre fui desinibido, comecei logo a despir-me. A temperatura da
quinta-feira passada foi, por si só, um convite à nudez. Os espelhos refletiram
meu corpo de homem de quarenta e cinco anos, moreno, de estatura média, o
cabelo ainda quase completamente escuro e traços faciais viris. Notei que Tomás
me olhou discretamente, talvez indagando se teria tomado a decisão certa. Meu
sexo estava ligeiramente enrijecido, o suficiente para não parecer
completamente pendente. Eu podia quase sentir os corpos cavernosos enchendo-se
muito lentamente de sangue, aguardando o momento propício para erguê-lo. Tomás
também despiu-se e pude ver pelo espelho, quase trinta anos depois, seu corpo
branco e quase completamente desprovido de pelos. Fiquei feliz ao descobrir que
suas coxas ainda eram grossas e arredondadas, e que ainda formavam duas dobras
pronunciadas com o peso da bunda que continua carnuda e rija. Quando estávamos
completamente nus, Tomás foi até o box, ligou a água e me convidou a entrar sob
o jato ligeiramente morno, copioso e pesado, entrando em seguida e fechando a
pesada porta deslizante de vidro.
Assim que me virei, Tomás aproximou-se, envolvendo-me
o saco com uma mão e levando, com a outra, a minha mão à sua bunda. Minha
ereção foi imediata e Tomás olhou demoradamente o meu sexo.
— Perdi a conta de quantas vezes na vida me lembrei
dele pulsando duro contra o meu corpo.
— Eu também sonhei muitas vezes com a bunda perfeita
que eu espiava no vestiário do judô, na ginástica, na piscina...
— Mas era tão rápido!
— O suficiente para levar-me ao delírio em punhetas
homéricas que eu dedicava a ti, no banheiro de casa!
— Eu quase não me masturbava. Só pensava nos meninos
passando a mão na minha bunda, de pau duro, com tesão, espremendo-me nas
filas... Eu sonhava com alguns deles me pedindo para pegar seu pau, sentar no
colo, mal imaginando como seria ser penetrado mas desejando intensamente que
isso acontecesse.
— Vem, pedi, convidando-o a virar-se para que eu o
pegasse por trás. Quase trinta anos depois, meu sexo ainda reconhecia
aquele corpo que ele conhecera em profundidade.
— Ahhh! Que gostoso poder sentir isso outra vez, fez
ele, pondo uma mão para trás para tocar-me.
— Não abriste a boca em nossa única vez.
— Eu era muito novo! Eu não tinha nada a dizer; só
desejava.
Permanecemos por algum tempo assim, grudados. Eu ora
acariciava-lhe as laterais côncavas das nádegas, ora as separava para sentir
meu sexo bem colado ao fundo do sulco, ora explorava o seu pênis, mais discreto
que o meu, mas igualmente duro e ávido de sensações tácteis. Enquanto sentia as
pulsações do meu, passava do seu aos testículos, insinuava-me entre suas coxas,
depois voltava pelo lado e massageava os ralos pelos da pélvis e a barriga
ainda razoavelmente plana. Tomás, de mãos espalmadas contra as minhas coxas,
esfregava-se em mim com movimentos circulares, deitando a cabeça em meu ombro. Senti
que ele me queria dentro dele.
Na parede oposta do longo box desse magnífico banheiro
há um armário com material de banho, de onde Tomás tirou um frasco de
lubrificante. Ele o pôs na minha mão, mandou-me fechar a torneira e saiu do
box. Quando saí, vi-o debruçando-se na pia e oferecendo-me um exuberante par de
nádegas empinadas como eu vira há tantos anos, mas maiores, fazendo-me lembrar
a garupa de um cavalo puro-sangue. O sombreado da região anal reteve o meu
olhar como o de um hipnotizado. Por entre as coxas transparecia a pele rugosa e
escura do saco e a extremidade do membro pendente. Aproximei-me e pondo um
joelho no chão, afastei gentilmente os dois gomos e avistei o orifício raiado,
que me pareceu de fato intocado desde o nosso encontro de há décadas. Observei-o
durante alguns segundos, sentindo na ponta dos polegares a firmeza da carne. Depois,
me aproximei, meu nariz tocou a pele, absorvi o ar quente, úmido, perfumado de
sabonete, e colei minha língua ao períneo, percorrendo-o no sentido ascedente
até sentir as contrações nervosas do ânus. Tomás gemeu e seus dedos
esbarraram-me o queixo quando ele agarrou os testículos para massageá-los. Continuei
explorando, dando cuspidinhas e lambendo o orifício, tentando invadi-lo com a
ponta da línga e sentindo nas mãos as contrações musculares das coxas de Tomás.
— Mete, Cláudio... Ele só foi teu.
— Espera um pouco. Não quero deixar de fazer nada que
possa aumentar nosso tesão mútuo, respondi, premendo-lhe com força as nádegas e
separando-as, como se eu não quisesse perder essa nova oportunidade de guardar
para sempre na memória o que elas ocultaram por tanto tempo.
— Então com o dedo, pelo menos, suplicou ele,
ávido de prazer.
— Está bem, respondi, já encobrindo a entrada com a
ponta do indicador.
Enquanto eu ia imprimindo uma força leve para que o
meu dedo entrasse sem nenhuma dor, pude constatar o quanto o orifício anal de
Tomás parecia intacto. Se ele mentiu e teve, sim, experiências homossexuais
depois daquela nossa, devem ter sido quase inóquas, talvez sem penetração. E se
ele introduz alguma coisa no para excitar-se, deve ser algo bem pequeno e liso
que não alterou em nada a anatomia anal. Fiquei deslumbrado com a perfeição
daquele pequeno diafragma tão preservado. Tive vontade ficar contemplando para
não esquecer, mas Tomás logo lembrou-me que sua excitação estava tornando-se
insuportável.
Levantei-me olhando meu membro e vi um fio de
pré-esperma escorrer até o chão. Olhei Tomás pelo espelho e esse breve encontro
deu-me a entender que eu podia prosseguir sem medo... e sem proteção. Dei-lhe
uma piscadela e empunhando meu sexo, percorri o sulco até encontrar o ponto de
entrada. Tomás repousou o tronco na bancada da pia, empinou-se ao máximo e me
deu a entender que estava pronto, indicando-me um grande frasco de creme
hidratante. Espalhei creme na glande e untei a região anal. Em seguida, fiz
alguns vaivéns para expandir a carne elástica, o que fez Tomás dar gemidos
intensos mas suplicar-me que não parasse. Senti o anel interno ceder o
suficiente para acolher ao menos a cabeça entre as apertadíssimas paredes. Tive
que dizer a Tomás, já contorcendo-se, ofegante, que tentasse relaxar a região
ou, se não soubesse, que fizesse força para fora, porque isso me ajudaria a
entrar. Ele adotou a segunda opção. Enquanto a borda anal expandia-se, ampliei
a pressão e senti minha glande sendo tragada até desaparecer por completo,
forçando Tomás a flexionar as pernas para combater o desconforto inicial do
pênis encaixado em seu máximo diâmetro no orifício praticamente virgem.
Alguns momentos depois, perguntei se estava tudo bem,
ele me mandou prosseguir. Então, agarrando-o fortemente com as duas mãos pela
cintura, avancei o corpo, como se fosse dar um passo, sentindo minha coxa
esquerda tocar na sua. Tomás não só ofereceu resistência como recuou um pouco e
foi o efeito conjunto dos nossos esforços que permitiu que o meu pênis se
afundasse enfim nele e eu acolhesse em minha cavidade pélvica as nádegas
redondas e quentes do meu amigo, que jogou a cabeça para trás com um gemido
forte, símbolo da liberação de uma válvula submetida há muito a uma imensa
pressão. Depois disso, seu corpo todo relaxou-se, inclusive as nádegas, que envolveram
meu sexo como uma almofada, acolhendo-o confortavelmente.
Foi o próprio Tomás que iniciou movimentos lentos e
ritmados, percorrendo meu sexo da base à extremidade e vice-versa com uma
habilidade que não deixou de espantar-me. Logo entramos num ritmo ideal que
produzia em mim ondas de tesão e dava consistência crescente à minha ereção. Em
pouco tempo, o ânus relaxado adaptou-se completamente e a área de contato
aumentou consideravelmente, como se agora meu pênis estivesse sendo envolvido
por um anel deslizante de um ou dois centímetros. Que espetáculo, vê-lo de
cima, entrando e saindo, grosso e duríssimo, por entre os dois gomos brancos,
ainda tão firmes e redondos! Lembrei-me da nossa primeira experiência, quando
essa mesma visão excitara-me tanto que, aliada à pressa, desencadeara o orgasmo.
Mas na quinta-feira passada, Tomás e eu não estávamos
pressionados por nada. Éramos adultos, tínhamos tempo e queríamos prolongar o
prazer ao máximo. Quando senti que, se continuasse com as estocadas, acabaria
ejaculando, saí de dentro dele e pedi-lhe que se virasse para sentar-se na pia
com as pernas abertas. Tomás estava transfigurado pelo prazer, corado,
sorridente, as pupilas dilatadas. Olhei para o seu membro que já amolecera um
pouco sem contudo perder o volume. Não o achei grande, mas os testículos, a
glande e ele pareceram-me bem proporcionais. Colhi o saco por baixo e acariciei
o membro, sentindo-o imediatamente recomeçar a endurecer. Tomás me pareceu um
pouco espantado com essa manipulação, o que é compreensível, já que em nosso
encontro juvenil eu fora 100% ativo e sequer toquei em seu sexo. Sorri em sinal
de que ele ficasse tranqüilo – eu não estava fazendo nada por obrigação –, e
voltei a concentrar-me no pênis que já voltara às dimensões da ereção, de cerca
de 16cm de comprimento por 4cm de diâmetro.
— Tamanho médio, mas mais para grosso. Gosto muito.
— Hmmm! Está uma delícia, Cláudio. Não para!
Empunhando o membro para cima, lambi, mordisquei e
suguei o saco, arrancando gemidos de Tomás. Depois, puxei-o carinhosamente e
envolvi a glande com a boca, sentindo na língua a sua conformação inferior e a
fina e tensa pele do freio. Comecei a sugar, arrancando do orifício fluido
lubrificante e passando-o por toda a glande com a língua. Na mão, eu podia
sentir as vigorosas pulsações do membro agora rígido como... um pau. Tomás pôs
uma mão em minha cabeça e forçou-me a engolir mais, o que fiz, sentindo a glande
deslizar céu da boca adentro até ir bater no palato mole. Embora o dote de
Tomás fosse normal, o diâmetro forçou-me a escancarar o maxilar inferior para
acolhê-lo todo na boca. O toque no fundo produziu saliva grossa e logo todo o
membro estava envolto nela. Trabalhei com minha cabeça, fazendo-o entrar e sair
como se Tomás estivesse copulando com a minha boca. Cada vez que a glande
ultrapassava meus lábios, ele emitia um gemido, prenunciando um orgasmo
monumental que eu ainda estava longe de desejar que acontecesse. Suspendi a
felação deixando meu amigo contorcendo-se de tesão, sentindo o orgasmo iminente
desfazer-se. Quando me ergui, seu membro continuou em riste, meio curvado para
a esquerda, pulsando acima da barriga.
— Não vou poder gozar? perguntou ele.
— Quero meter mais, respondi, olhando-o nos olhos.
— Que fome! respondeu ele com um sorriso malicioso mas
em nada afeminado.
— Vamos para o quarto, pedi.
— Está bem, assentiu, já saltando da pia.
Chegando ao quarto de casal, um amplo cômodo repleto
de móveis coloniais, pedi a Tomás que se sentasse na beira da cama e em seguida
deitasse de costas com as pernas para o alto, o que ele fez prontamente,
sorrindo como um garoto. Apoiei-me nelas com as mãos, forçando-as ao máximo
contra as laterais do seu corpo, expondo bem os testículos. Espalhei saliva
viscosa pela minha glande, depois untei-lhe o ânus, massageando-o e
penetrando-o suavemente com um dedo. Tomás gemeu e seu membro pulsou contra a
barriga. Ainda apoiado com as mãos espalmadas em suas coxas, encostei
brevemente a glande no orifício, apenas para encaixá-la no ponto certo e forcei
lenta mas firmemente, vendo meu pênis deslizar até o talo e quase arrancando um
berro de Tomás, berro que acabou não saíndo para tornar-se expressão de
surpresa: não havia dor. Meu pênis desapareceu completamente em seu ânus e seus
testículos colaram-se à minha pélvis. O membro duro à minha frente convidava-me
a iniciar uma suave masturbação enquanto o meu entrava e saía lentamente do
orifício morno e acolhedor. O rosto de Tomás iluminara-se de prazer e ele movia
os braços como se espreguiçasse.
— Fui um louco de jamais ter procurado por ti todos
esses anos! Como pude ficar sem isso, Cláudio? perguntou ele com voz tranqüila,
passando as mãos na colcha colorida.
— Cheguei a perguntar-me isso também, respondi. Nunca
mais tiveste parceiro masculino? Nunca? O ritmo da penetração se estabilizara e
senti que eu poderia mantê-lo assim pelo tempo que quisesse.
— Nunca! Naquele dia, voltei para casa muito
"grilado" – era esse o termo da moda, na época, te lembras? -,
grilado com a minha tendência homossexual e decidi voltar-me exclusivamente
para o sexo oposto. Continua... Assim... Está ótimo nesse ritmo...
— Pois eu tive as minhas doses de sexo anal e oral com
uma certa regularidade, o que não prejudicou em nada a minha relação conjugal,
até muito pelo contrário, respondi, sorrindo para agradecer o elogio.
— Imagino, senão não estarias mais casado. Cláudio,
quero ficar de quatro, pode ser?
— Claro.
Penetrei-o assim durante uns bons minutos, depois ele
deitou-se de bruços e o possui assim, colado ao seu corpo. Tomás ondulava,
oferecendo-se, fazendo-me cravar-me nele o mais profundamente possível, gemendo
e dizendo que jamais sentira nada de tão gostoso. Passamos mais alguns minutos
assim, ondulando em fases opostas para que eu pudesse afundar-me nele até a
raiz do pênis. Quando senti o orgasmo vir, retirei-me e esperei a sensação
esvair-se. Enquanto Tomás permanecia languidamente na mesma posição de bruços,
abri mais uma vez mais suas nádegas e lambi o orifício quente e agora
entreaberto, conseguindo introduzir nele a ponta da língua, fazendo meu amigo
gemer e oferecer-se plenamente.
Foi nesse momento que pude sentir o quanto Tomás
estava ávido de sexo. Ele não queria o clímax, mas apenas recomeçar
interminavelmente o que ele só conhecera em nosso breve encontro de juventude. Ele queria
que eu lhe fizesse em um só dia algo que pudesse compensar todas as vezes que
ele desejou um pênis ao longo desses quase trinta últimos anos. Tornei a
olhá-lo, admirado com a juventude do seu corpo, que passaria facilmente por um
corpo de homem de trinta anos, com carnes firmes, bom tônus muscular e formas
ainda definidas. Só o rosto de Tomás tem quarenta anos. Mas um rosto que fora
quase angelical na juventude não consegue tornar-se feio. O rosto imberbe e os
olhos azuis dão-lhe, apesar dos traços bem marcados e certos vincos nitidamente
atribuíveis ao sofrimento, um aspecto ingênuo de adolescente perdido. Não
trocamos carícias. O fato de estarmos nus e fazendo sexo não teve nenhuma
conotação afetiva. Nenhum de nós demonstrou estar carente de nada além de sexo.
Tomás estava experimentando uma espécie de desassossego e eu estava disposto a
satisfazê-lo. Nada mais.
Do sexo na cama, passamos para outros móveis e outros
cômodos, depois o chão e as janelas, e até mesmo – como os dois adolescentes
que são o filho dele e o amigo – a garagem! A cada vez que eu chegava à beira
do orgasmo e interrompia a penetração, Tomás passava por uns momentos de
satisfação e languidez, mas logo voltava a sentir o que ele definiu como
"vazio" que reclamava imperativamente por preenchimento. A
última etapa desse périplo sexual pela casa se deu na cozinha. Já eram onze
horas da noite – estávamos juntos há cerca de cinco horas – quando Tomás teve a
idéia de pedir-me para penetrá-lo com objetos. Procuramos no banheiro e nos
quartos por frascos e tubos arredondados e anatômicos, mas foi em vão. A não ser um
frasco de desodorante que consegui introduzir-lhe mais confortavemente, nada
nos pareceu satisfatório. Tive então a idéia de propor que voltássemos à
cozinha e procurássemos alguma coisa na geladeira na esperança de encontrarmos,
bananas, pepinos ou cenouras.
— Cenoura, não, opôs-se Tomás. Cenoura arde; só é bom
com camisinha.
— Ahá! Vejo que já experimentaste! Vamos procurar
outra coisa, então. Pepinos? Abobrinhas?
— Prefiro, respondeu ele, já abrindo a gaveta de
legumes e me passando sacos plásticos e um pote de margarina.
— Hum! Vai ser o "Último Tango"?
— O último? Não sei... Vamos ver, respondeu ele, com o
mesmo sorriso maroto de antes.
Lavamos e secamos os legumes. Meu membro foi
endurecendo enquanto eu imaginava o que faríamos. Percebi que Tomás também
estava bem excitado, o que não se revelava tanto pelo seu pênis, mas pelo seu
estado de exaltação. O "vazio" ia ser novamente preenchido e isso o
deixava agitado. Quando tudo ficou pronto, ele debruçou-se na pia da cozinha. Eu
untei com margarina uma abobrinha bem reta de cerca de 17cm x 3cm e o deixei
ver antes de pedir-lhe que separasse as nádegas. Quando encostei a extremidade
do legume na entrada, vi que o ânus pulsou como se tentasse mordê-la,
capturá-la. A avidez de Tomás era tanta, que ele me pediu para enfiá-lo de uma
vez, o que fiz, vendo o legume deslizar para dentro com impressionante
facilidade ao som dos gemidos de Tomás, que empinou-se todo ficando na ponta
dos pés.
— Me fode gostoso com ela... Assim...
— Te lembras do meu pau? Devia ser dessa grossura, uns
3cm.
— Só me lembro que era gostoso, mais foi tão pouco... Fode...
Assim...
A abobrinha verde e lustrosa entrava e saía do meu
amigo, arrancando dele gemidos loucos súplicas de que eu não parasse. Mas o
diâmetro de 3cm não era mais grande coisa e eu queria experimentar outros,
maiores. Procurando na pia, encontrei uma segunda abobrinha, desta vez com uma
forma interessante. Uma das extremidades era redonda, depois afinava-se até o
meio e tornava a engrossar. O diâmetro da "cabeça" era bastante
impressionante, talvez uns 4cm ou mais, o do meio devia ter uns 3cm e o
comprimento do todo chegava a 20cm. O salto seria grande em relação ao espécime
inicial, mas não tínhamos nada a perder e o meu amigo estava tomado pela tesão.
Untei abundantemente a extremidade e apliquei-a entre as deliciosas nádegas
lisas de Tomás, que ele abriu tão logo. Ao seu sinal, comecei a fazer um vaivém
para acostumar o orifício ao novo diâmetro. Tomás logo sentiu que teria que
vencer uma nova etapa, mas seu ânus estava receptivo e foi tragando porções de
diâmetro crescentes da abobrinha número 2, até a dimensão máxima – eram cerca
de 3 dedos meus -, o que o fez quase urrar de prazer... e alguma dor. Quando
empurrei mais e o legume foi deslizando quase sem atrito para dentro, Tomás
sentiu um prazer tão grande que teve uma pequena emissão de esperma sem sequer
tocar-se. Ele exclamou: "Parece que estou gozando!" e quando olhei,
vi um fio esbranquiçado escorrendo do seu pênis, fenômeno que repetiu-se outras
vezes em que a ampla cabeça da abobrinha entrou. Em pouco tempo, consegui
introduzi-la praticamente inteira no ânus faminto do meu amigo, que a devolvia
com suas próprias contrações e pedia-me para tornar a enfiá-la com força e bem
fundo. Consegui enterrar os 20cm em seu reto, deixando de fora apenas um
cabinho cotó e esperando que ele a expelisse por si. Quando a tirei
definitivamente, Tomás precisou esperar que o orifício escancarado voltasse ao
diâmetro normal. Aproveitei para ajudar a relaxá-lo cuspindo muito em seu
interior e lambendo-o para arrancar-lhe uns outros tantos gemidos de prazer.
Eu estava me preparando para continuar naquela
progressão crescente de dimensões de legumes a enfiar em meu amigo quando, por
curiosidade, abri o armário da pia e vi uma dessas maçanetas de mostruário, isto
é, um retângulo de porta com a maçaneta instalada. A maçaneta consistia
simplesmente de uma esfera de cerca de 5cm de diâmetro, talvez um pouquinho
mais. Imediatamente veio-me a imagem do esperma gotejante que eu vira sair sem
masturbação, provavelmente provocado pela forma arredondada da abobrinha. Peguei
a maçaneta, fiz a proposta ao Tomás e a aprovação foi imediata. Lavei a
maçaneta, untei completamente com manteiga e encaixei-a nele, ainda um pouco
incrédulo. A placa de madeira era de fácil manuseio, eu só tinha que
pressioná-la e soltá-la para fazer o vaivém de relaxamento. Senti que Tomás
queria muito que seu ânus a engolisse inteira, mas a pressão anal contra a
esfera era total e havia um ponto que parecia não poder ser ultrapassado. Expliquei-lhe
que a elasticidade do cu é algo prodigioso e que tudo depente dessa fase de
alargamento e relaxamento. Ele então relaxou-se ao máximo e continuei durante
alguns instantes com meu vaivém crescente de pressão.
— Isso não pode ferir, Cláudio? perguntou Tomas, meio
inquieto.
— Não, porque estou acostumando o teu cu com o novo
diâmetro. É ele que vai dizer se o suporta ou não.
— Agora, quando chegas ao final, eu sinto a mesma
coisa que uma prisão de ventre causa, mas é como se a abertura ainda fosse
insuficiente para deixar passar.
— Mas dá prazer ou só dor?
— Não, dá prazer, e muito! Mas estou um pouquinho
preocupado.
Foi então que
ocorreu-me usar de outro recurso. Deixando a maçaneta de lado, untei a mão e
enfiei três dedos em Tomás, trabalhando em seu ânus para relaxá-lo e alargá-lo
ao máximo enquanto eu massageava seu pescoço, suas costas, suas nádegas. Isso
foi tão prazeroso que Tomás teve uma nova emissão de esperma ralo sem se
masturbar. Não tardei a conseguir introduzir um quarto dedo, isto
é, mais de 5cm, que Tomás acabou acolhendo com prazer redobrado. Eu já podia
voltar à maçaneta. Mais uma vez, untei a esfera metálica e a encaixei no
ânux que logo acolheu uma boa porção. Tomás debruçou-se na pia e ofereceu-se
com desejo. Fui trabalhando a base de madeira tanto no sentido da pressão
quanto com movimentos circulares, perguntando ao Tomás o quanto a maçaneta ia
se aprofundando. Vários minutos se passaram até que o máximo diâmetro se
encaixasse no anel, causando em Tomás uma forte sensação de repuxamento que ele
me disse sentir irradiar-se até o meio das coxas. Empurrei um pouquinho mais e
subitamente senti a placa de madeira sendo atraída para a bunda de Tomás: o
ânus tragara a esfera. Pude até mesmo largar a placa; a maçaneta estava
encaixada nele. Tomás gemeu, desabando literalmente na pia.
— Entrou gostoso? perguntei.
— Nem sei o que dizer, Cláudio! A sensação é tão
intensa que me faz pensar num elástico esticado ao máximo, pronto para
estourar. Mas com essa bola, depois que se ultrapassa esse estágio e ela entra,
a gente vai à lua!
— Agora vem a melhor parte. Vamos tentar fazer a
maçaneta entrar e sair várias vezes, como se fosse a cabeça de um pau gigante.
— Caramba! Está bem.
Segurei a placa-suporte e puxei lentamente, mas o ânus
resistiu, mantendo a maçaneta aprisionada, causando dor. Foi preciso paciência
e um certo esforço para retirá-la. Quando, por fim, ela saiu, o orifício ficou
escancarado com um diâmetro imenso. Antes que ele voltasse ao normal, voltei a
encaixar a esfera nele e pressionar. Desta vez, ela foi prontamente tragada,
arrancando de Tomás um gemido realmente expressivo.
— Isso é bom demais... Continua, por favor!
— Não vou parar. Vais gozar assim.
Tomás e eu "pegamos o jeito" e a maçaneta
começou a entrar e sair como se fosse uma imensa glande. Cada vez que ela
entrava, Tomás sentia o prazer violento de uma primeira penetração, e cada vez
que saía, ele experimentava o vazio arrebatador de algo que precisa
imperativamente reentrar. A cada penetração um fio de esperma escorria-lhe do
pênis, amplificando a sensação de prazer. Ele olhava incrédulo para a pocinha
que ia formando-se no chão.
— Isso é porque não te masturbas. O esperma só escorre
assim quando está acumulado.
— É uma sensação deliciosa, como se fosse um gozo
suave, arrepiante, mas sem espasmos.
— Eu sei. Quando quero sentir isso, acumulo esperma
durante uma semana e consigo provocar o mesmo efeito masturbando-me e
interrompendo repetidamente o orgasmo.
À medida que o ânus de Tomás foi habituando-se ao
diâmetro da maçaneta, pude fazer com que ela entrasse e saísse cada vez mais
rápido. Isso foi levando-o a um tipo de torpor e, segundo ele, uma ampliação do
âmbito do prazer, que passou a ocupar não só a área anal como a área genital
inteira, além de um arrepio geral do corpo. Seu pênis entrou em ereção, mas eu
lhe disse para não tocá-lo em hipótese alguma e continuei a penetrá-lo com a
esfera metálica, num ritmo constante que o fez emitir um gemido baixo e contínuo
até que, subitamente, num "Ahhhnnn", ele explodiu num orgasmo
violentíssimo que o fez contrair as nádegas como se fosse arrancar a maçaneta
de sua base de madeira. Ele pôs-se a ejacular, masturbando-se
vigorosamente. Só foi possível extrair a maçaneta quando o orgasmo cessou
por completo e com ele as últimas pulsações. Tomás estava esgotado, de pernas
bambas e não foi sem dor que seu ânus, que logo adaptou-se ao diâmetro menor do
eixo de rotação da maçaneta, teve que expandir-se uma última vez para expelir a
esfera. Voltamos ao quarto e Tomás deitou-se de bruços para descansar e
permitir que suas carnes voltassem à posição inicial.
Toda aquela brincadeira com legumes e a conclusão
apoteótica com a maçaneta excitaram-me sobremaneira. Solicitei uma felação e em
instantes foi a minha vez de explodir num orgasmo copioso que chegou a fazer
meu amigo engasgar, enchendo sua boca de esperma denso, que ele engoliu
corajosamente até deixar meu membro limpo e reluzente de saliva. Assisti já com
saudades a esse desfecho magistral, desejando uma próxima vez, mas uma próxima
vez que não estivesse num futuro tão distante em relação a essa quinta-feira
quanto essa quinta-feira estava em relação ao nosso primeiro encontro no
passado.
Foi por volta das 2h da manhã de sexta-feira que Tomás
me deixou em casa, após este que foi o dia de sexo mais longo das nossas vidas.
Ele agradeceu-me por ter zerado seu "sexômetro" em atraso e não só me
garantiu que voltaríamos a nos encontrar dentro em breve, como comprometeu-se a
procurar outras relações masculinas. Ele também agradeceu-me por ajudá-lo a ter
idéias mais claras quanto à possibilidade de que seu filho Bruno seja
homossexual. Ontem foi dia de Páscoa e tenho certeza de que o Ressuscitado está
bem mais satisfeito agora com a sua nova ovelha desgarrada do que quando ela
fazia parte do rebanho!
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(*) Excepcional e intencionalmente, este texto não está redigido em carioquês, mas numa
espécie de "híbrido" com outras variedades, notadamente no que toca o
tratamento.

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