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Odisseia Emergente 16


16. Dia de Demissão

    Gabriel toca a campainha no momento exato em que Aninha abre a porta para sair com Soraya.
 — Pouco não ficou na rua! E aí? A francesa te botou para dormir na senzala?
 — Para com isso, Aninha! exclama Soraya, sorrindo amarelo para Gabriel.
 — Se você visse o apartamentaço na beira da praia!, retruca o rapaz, ofendido.
 — Depois você me conta. Toma a minha chave. Se sair, leva celular para eu te ligar, senão eu é que fico na rua. Só vou até a loja pedir demissão e volto.
 — Vai embora assim? Não teve que dar aviso prévio?
 — Pois é, quero ver se o seu Jarbas me libera, assim eu tenho uns dias de folga até começar na butique.
 — Boa sorte! exclama Gabriel, sarcástico.
 — Vamos nessa, Soraya.

    Exausto, Gabriel não tem a menor intenção de sair. Ele coloca um short e uma camiseta, deita-se no sofá e adormece antes mesmo de fechar completamente os olhos, sonhando com sua noite em companhia da francesa. Ela extraiu tudo o que pôde do seu corpo jovem e pulsante e lhe deu em troca uma primeira experiência de sexo adulto. Ele se sente cansado, mas relaxado e amadurecido.

    "Seu" Jarbas é um homem de quarenta e seis anos que trabalha desde os treze com material de construção. É o negociante típico e o gerente a quem Aninha deve se dirigir se quiser se liberar do aviso prévio. Ela sabe que a resposta será não e está pronta a negociar. Assim que ele a vê indo em sua direção em vez de ir direto para a cabine dos caixas, o longo hábito o prepara a ouvir um pedido típico de empregado: folga, desconto, liberação para ir ao médico, dispensa de aviso prévio ou, na pior das hipóteses, aumento. Ele se posta de mãos na cintura e ar severo, aparentemente insensível à visão de Aninha, que escolheu para a ocasião uma saia plissada curtíssima e uma blusinha branca cujos botões finais deixam entrever o umbigo e seu piercing, o que a deixa parecida com uma estudante japonesa de vídeo erótico.

    Ajeitando sedutoramente o longo cabelo negro, ela se aproxima e explica a sua situação. O homem ouve em relativo silêncio e a resposta é obviamente não: ela tem que trabalhar mais um mês.
 — Por favor, seu Jarbas! Me quebra esse galho, senão não posso começar no novo emprego.
 — Não arrumasse outro antes de pedir demissão aqui!
 — Mas é que esse emprego caiu do céu, seu Jarbas. Olha para mim. O senhor me vê mofando aqui a vida toda, estragando esse corpinho na poeira de cimento, areia e cal?

    O homem aproveita a deixa para olhar de perto o tal "corpinho" e admite com seus botões que se trata de um senhor corpaço, o que o confirma na convicção de que deve se manter irredutível na questão do aviso prévio.
 — Não senhora! Não é assim que a coisa funciona. E como é que eu fico, sem um caixa de uma hora para outra? Tenho que ter tempo de arrumar outro!
 — Todo dia vem gente aqui pedir emprego!, retruca a garota, dando um jeito de empinar-se ao máximo e dar-lhe tempo de olhá-la melhor.

    E de fato, ele aproveita para devorá-la com os olhos, o que o enche de um desejo vago e esperançoso. Os poucos empregados chegaram, o movimento da segunda-feira de manhã é tranquilo e lugar é o que não falta para uma estrepolia. Ele passa instintivamente a representar contra o pano de fundo das segundas intenções.
 — Não vai dar não, Ana. Eu até poderia reduzir de um mês para menos, mas a gente ia ter que ver.
 — Então, seu Jarbas, já melhorou um pouco. Quantos dias o senhor me dá?
 — Ah, uns quinze no máximo.
 — Mas eu não tenho quinze dias! A butique vai abrir nessa semana talvez.
 — Isso não é problema meu, Ana.
 — Seu Jarbas, mas e tudo que eu já fiz aqui, os galhos que eu quebrei, as folgas que eu só tirei pela metade, as vezes que eu fui buscar café com pão na padaria, isso não conta nada?

    O homem rude, de rosto talhado a formão e curtido de sol sente que tem diante de si a oportunidade de talvez realizar um dos maiores sonhos de todo quarentão como ele. Olhando para Aninha que continua disposta a negociar sob qualquer espécie, ele resolve obeder aos mandamentos da natureza e prosseguir.
 — Deixa eu pensar...

    Ele simula uma profunda reflexão enquanto Aninha se distrai mexendo com os vendedores jovens, contratados por um punhado de reais e doidos por ela. Não há dúvida de que ela eletriza o astral dessa loja sem atrativos. Soraya passa por ela para ir ao banheiro, dando uma piscadela para encorajar a amiga nessa dura negociação. Enquanto isso, Jarbas deseja que todos desapareçam como por encanto e o deixem sozinho com sua deliciosa solicitante.
 — E aí, seu Jarbas? Pensou? interrompe ela, sabendo-se culpada e sentindo tudo menos impaciência.
 — Olha, Ana, vamos fazer o seguinte. Você trabalha até sexta e "tamos" conversados, propõe ele, sério, já lhe dando as costas.
 — Ai, seu Jarbas, sexta não! Vão me ligar na quarta ou na quinta, faz ela, torcendo as mãos, aflita.
 — Mas o que é que você quer, menina? Não posso te deixar ir embora assim! Que é que eu digo ao patrão?
 — Ah, o senhor pode, seu Jarbas, retruca ela com jeitinho adulador. É só o senhor querer.
 — Quantos dias você pode me dar, Ana?
 — Eu posso ficar hoje e trabalhar amanhã.
 — Caramba! De um mês para dois dias, Ana?
 — Aí o senhor é que vê. Eu vim disposta a tudo para poder parar hoje mesmo, declara ela, encarando-o.

    O homem percebeu muito bem a ênfase que ela pôs no "tudo" de sua última frase e não tem mais dúvida de que isso inclui certos favores extra-profissionais.
 — Bom..., começa ele, um tanto hesitante, se eu quebrar o teu galho, você faz umas coisas para mim?
 — É só falar, seu Jarbas, responde ela ainda incerta do que vai ouvir.
 — Não é bem fazer umas coisas para mim, mas... Ah, você entendeu!
 — Entendi não. Fala, seu Jarbas! provoca ela, rindo.
 — Bom, lá vai, diz ele, sentindo a boca seca. Se eu pedir, você vai comigo... você pode ir comigo... até a minha sala, lá embaixo, no depósito?
 — Ahá! exclama ela sonoramente, dando o sorriso dos vencedores enquanto observa o homem contorcer-se de nervoso à sua frente.

    Ele sabe que ela é o tipo de mulher que não recusa, mas não tem certeza de que ele próprio não seja "recusável" por uma jovem desse pedigree, e é isso que o deixa tão nervoso, porque hábito com mulheres, ele tem, sim senhor! Os segundos passam como se fossem horas até que...
 — Então vamos lá para baixo, seu Jarbas, diz ela, fingindo-se de conformada e já olhando para a porta que leva ao subsolo.

    É preciso que o leitor saiba que o depósito da loja de materiais de construção é mais familiar a Aninha do que o próprio Jarbas suspeitaria. Entusiasmados por ela, os rapazes mais audaciosos da loja não perdiam uma chance de lhe pedir "ajuda" nos momentos de folga em que a viam perambular, indo ou voltando do banheiro ou do bebedouro, etc. Uma vez lá, revelavam-lhe, espremendo-a contra uma estante, tentando um beijo na boca ou passando-lhe as mãos pelo corpo, suas intenções mais depravadas. Sempre dona da situação, ela cedia muito pouco, mas como não se fazia de difícil, o labirinto de estantes que se estende, no subsolo, por toda a área da loja foi se tornando um lugar de encontros-relâmpago que ela passou a conhecer como a palma da mão. Não há portanto o que estranhar em sua ausência de apreensão diante do pedido do gerente.

    Chegando à pequena sala de porta aberta onde se vêem, logo à direita, quatro arquivos de ferro e à esquerda, duas cadeiras para visitantes diante de uma escrivaninha abarrotada de recibos em volta de um velho computador amarelado, seu Jarbas diz a Aninha para entrar e fechar. Ela não vê chave, olha para ele, mas ele dá de ombros porque confia no respeito dos funcionários e na tradição de bater na porta que traz a placa "GERÊNCIA" quando está fechada.
 — Pronto, seu Jarbas, e agora? ela pergunta, olhando impaciente para o homem que não revela o menor sinal de pressa.

    Apoiado no tampo de sua escrivaninha, Jarbas olha incrédulo para a moreninha de cabelo comprido e coxas expostas, vestida como as ninfetas das suas fantasias menos confessáveis.
 — Eu sempre quis te olhar assim, de perto.
 — Pode olhar! retruca ela, dando uma voltinha que abre a minissaia plissada e revela as polpas.
 — Você pode abrir a blusa para mim?

    Em silêncio, ela abre lentamente cada botão da blusa branca expondo um sutiã meia-taça vermelho preenchido com o volume e a redondeza exatos. Jarbas se aproxima e os envolve coma as mãos ásperas, já sentindo a ereção incomodá-lo na roupa. Cauteloso apesar de tudo, ele prefere subir o sutiã do que pedir a Aninha para tirá-lo, e mal acredita quando é autorizado a pegá-los nas mãos e inclinar-se para lambê-los, colhê-los com a boca, chupá-los, mordiscá-los. E ela não recusa a excitação que vem vindo com isso, provocada pelo pinicar da barba mal feita em seu peito e a pegada firme das mãos em suas costas. Esse homem forte o suficiente para fazer o que quiser com ela procura dominar-se como se tivesse nas mãos uma peça de porcelana, e isso a excita, desperta, a tal ponto que ela mesmo decide livrar-se do sutiã, desabotoando-o e jogando-o na cadeira enquanto o homem passa dos seios ao pescoço, inspirando profundamente assim que seu nariz se impregna de perfume floral barato.

    Aninha não mais dúvida de que ele pode lhe dar muito prazer, mais do que os jovens temerosos que tantas vezes tentaram ali perto obter dela os mesmos privilégios. Levando a mão ao cinto dele, ela o abre, depois o botão da jeans, o zíper, mas quando vai baixar a cueca, Jarbas detém sua mão.
 — Espera.
 — Que foi?
 — Quero olhar um pouco mais para você.

    Ela dá dois ou três passos para trás, disponível, os bicos dos seios intumescidos empurrando as bordas da blusa aberta.
 — Levanta a saia, ordena o homem.

    Ela faz o que ele manda, expondo as coxas, com a calcinha entre elas, vermelha como o sutiã, estreita e curta, mas muito cavada, tão ajustada ao corpo que o monte de Vênus se destaca, generoso e liso, sem sinal de pelos pubianos. E de fato, Aninha se depilou para a ocasião, prevendo a eventualidade da "pior" das hipóteses, e não se arrepende.
 — Gostosa demais, diz ele, embevecido. Dá uma voltinha para mim.

    Ela obedece e, sem baixar a saia, empina-se para exibir o lindo traseiro, que já defini mil vezes e não canso de repetir que é uma das maravilhas da anatomia feminina, a tal ponto que Jarbas se belisca no antebraço para ter certeza de não estar sonhando. Ele vai até ela, ajoelha-se e pondo as mãos em suas coxas, baixa gentilmente a calcinha e beija-lhe cada gomo da bunda morena e apetitosa, causando um verdadeiro frisson na menina, que discretamente toca a fenda com um dedo e constata a umidade enquanto ele passa a acariciar suas coxas e lamber-lhe a bunda, esfregando o rosto nela e arrancando gritinhos meigos que ela não consegue conter. Contraditoriamente, esse homem rude que lhe dá ordens a trata às vezes como uma deusa.

    Jarbas se levanta e, agora sim, olha para a sua calça aberta, sinalizando que Aninha está livre para tocá-lo. Ela o empurra de volta à escrivaninha e cola-se toda a ele enquanto explora com a mão o relevo da cueca. Aninha gosta desse momento do jogo em que ainda meio vestidos os participantes se descobrem. Por fora da roupa, ela testa a maciez do saco e a rigidez do membro, percorrendo-o até a extremidade que quase desponta no elástico. Mais nervoso, Jarbas baixa a calça até o meio das coxas. Ela baixa então o elástico liberando o prisioneiro, um tronco maciço percorrido por veias, encimado por uma cabeça ampla completamente exposta e molhada. Aninha logo vê que tem nas mãos uma ferramenta moldada pelo uso. Ela o observa por um momento, depois olha para Jarbas e, tirando o excesso de líquido com a mão, abocanha a glande.

    Jarbas apóia-se na escrivaninha com ambas as mãos enquanto contempla as idas e vindas do rosto delicado da moreninha que, quase de cócoras, proporciona-lhe um prazer tão intenso que chega a causar-lhe formigamento no couro cabeludo. Ela chupa generosamente, massageando suas bolas e lavando seu sexo com a saliva abundante. Faz tempo que ela deixou de impressionar-se com a "sujeira" no sexo dos homens. Os odores e resíduos são facilmente elimináveis pela saliva e uma cuspidinha discreta num lenço habilmente dissimulado na roupa resolvem a parada com toda elegância. Isso ela ouviu da boca de sua tia Deisimar antes de imaginar que lhe fosse ser útil, e agora é o que lhe permite evitar interrupções que ela sabe serem invariavelmente "brochantes". Mas Jarbas, um inveterado cliente de mulheres de vida fácil, sabe que não precisa se incomodar com detalhes que são de responsabilidade da profissional. Pondo todos os gatos no mesmo cesto, ele vai tratando sua deusa como se fosse uma delas, no que, cá entre nós, ele não está tão enganado.

    Aos quarenta e seis anos, Jarbas já aprecia o estímulo prolongado em preparação ao sexo, mas tudo tem limites e, cerca de cinco minutos depois, ele se sente pronto para "começar". Com um toque no ombro da moça, ele a convida a levantar-se e, cedendo seu lugar na escrivaninha, indica que a quer debruçada. Ela mesma toma a iniciativa de erguer a sainha plissada, expondo novamente a bunda que agora se projeta na direção do homem, firme, redonda, alucinantemente excitante.

    É preciso dizer que Aninha chegou ingenuamente a pensar que a felação bastaria para a finalidade da transação. Ela hesitou entre falar ou não com Jarbas, mas, a fim de evitar negociações intermináveis, preferiu calar e deixar rolar. Acomodando-se da melhor maneira sobre os papéis na escrivaninha ela oferece ao gerente o espetáculo completo do seu corpo íntimo. Ela ouve a respiração ofegante e sente mais uma vez as mãos ásperas acariciando-lhe a bunda e percorrendo-lhe as coxas. Trêmulo de excitação, Jarbas separa os dois gomos divinos para ver o que eles preciosamente ocultam. O cuzinho surge intacto como se jamais tivesse servido a um homem e é essa visão que dá a Jarbas a certeza de estar pronto.
 — Seu Jarbaaaas..., interrompe Aninha, prolongando o segundo "a" com voz melódica e sacudindo o pacotinho de celofane preto.
 — De onde você tirou isso, menina?
 — Mulher prevenida vale por duas!
 — Vai me dizer que nunca chupou a bala sem embrulho! Bem que a gente podia continuar assim.
 — Nem pensar! Pode ir colocando!, retruca ela com falsa severidade.

    O homem abre o pacotinho e descobre o preservativo lubrificado enquanto Aninha aproveita para espalhar seu próprio líquido entre os lábios e no orifício vaginal, relaxar a barriga sobre a mesa, afastar as pernas e por-se na posição ideal, a cabeça deitada sobre os braços, preparando-se para o que ela não nega ser o momento sublime. Segue-se o primeiro toque da glande entre os lábios, depois o primeiro alargamento, o deslizar verga até o fundo e o impacto do corpo do homem contra o seu. Isso a faz liberar montes de líquido e Jarbas não perde a chance.
 — Molhadinha, hein moça!
 — Ahn! Ahn!, geme ela, recebendo as primeiras estocadas.
 — Assim é que é bom. Buceta seca é uma desgraça.
 — Tô com tesão, seu Jarbas. Mete, vai!
 — Tá com tesão, é? Eu também. Então geme gostoso na minha geba, cabritinha. Realiza o meu sonho!
 — Pára de falar e fode, seu Jarbas...

    Mais excitada do que ela esperava, Aninha refaz sua estratégia e passa a agir como a mulher consciente de que essas ocasiões são preciosas demais para ser desperdiçadas. Supresa, ela intui por esse início que Jarbas pode levá-la às nuvens; ele parece ter a chave certa.
 — Que bucetinha deliciosa, menina... sussurra ele, imprimindo-lhe um vaivém firme e regular.
 — Fode... fode... não para, seu Jarbas. Estou toda arrepiada de tesão.

    Orgulhoso, o macho não tem nenhuma intençaõ de parar. Ele extrai seu membro e torna a mergulhar na fenda encharcada, reiterando a operação e arrancando gemidos que Aninha abafa mordendo a mão. À certa altura, ela o empurra para trás e vira-se rapidamente para deitar-se na mesa de pernas erguidas e escancaradas. Ele não resiste ao desejo de colher o suco entre os lábios encharcados. Pressionando-lhe as coxas contra o corpo, ele lambe copiosamente a buceta, o que deixa Aninha tão excitada que ela lhe implora que volte a penetrá-la. Assim que ele enterra-lhe profundamente o membro, ela mesma começa a esfregar energicamente o clitóris, olha para ele com sorriso satânico. Ele assume a responsabilidade de levá-la ao climax e começa a se preparar mentalmente para resistir até que chegue a hora. Desvairada de excitação, Aninha ordena que ele lhe chupe os seios, entregue à vertigem do vaivém intenso.
 — Assim... fode gostoso... Fode a minha buceta com esse teu pauzão grosso!
 — Você gosta grosso assim?
 — Adoro grosso... Fode... Fode...

    Estimulado, lisonjeado, Jarbas redobra de esforço, duplica as investidas, intensifica o vaivém e, sem entender como consegue reter o orgasmo por tanto tempo, alcança o resultado tão esperado.
 — Mh... Mh... Mh...  Não pára, seu Jarbas... Mete... mete... Eu estou... Eu vou... Ahhh... Ahhh...  Eu estou... Estou gozando... gozando mu... muito... balbucia a jovem, agarrada ao homem com pernas e braços.

    Ele consegue dar-lhe alguns momentos de vantagem, mas seu próprio orgasmo acaba sendo detonado pela atmosfera reinante e vem somar-se ao dela como uma verdadeira explosão. Segurando-a pela cintura e mantendo-a apenas com as costas na mesa, ele a golpeia de tão perto e com tanta força enquanto ejacula que Aninha, ainda imersa em seu próprio orgasmo, chega a perder a consciência por alguns instantes e se entrega completamente a esse homem que a surpreendeu como poucos.

    Quando ele termina e sai dela, livrando-se da camisinha e avaliando o conteúdo, Aninha, de pernas bambas, mal pode com o próprio peso e precisa sentar-se em uma das cadeiras para recompor-se.
 — Seu Jarbas, o que foi isso! exclama ela, ainda ofegante, passando um dedo umedecido pela fenda e para aliviar o efeito do atrito.
 — Para você ver como eu estava, menina, de tanta vontade! retruca ele dando risada e preparando-se para subir a cueca.
 — O senhor manda bem demais! Deve ter mulher assim atrás.
 — Olha, como muita mulher jeitosa aqui de Cabo Frio e nunca ouvi reclamação, mas eu cheguei a pensar que não fosse dar conta com você.
 — Sério? Por quê?
 — Nem sei como aguentei tanto tempo. Acho que nunca fiz tanto esforço para não gozar antes de uma mulher. Mas com você, eu não podia terminar antes.
 — E não podia mesmo! Espera, não fecha a calça ainda, que eu tenho um presentinho pro senhor.

    Puxando-o para perto dela, Aninha apenas baixa o elástico da cueca e abocanha o membro amolecido, chupando-o da base à cabeça com saliva copiosa, sob os olhos maravilhados do homem.
 — Serviço nota dez, menina!
 — Assim o senhor nem precisa lavar, diz ela sorrindo.
 — Está de parabéns, diz ele, voltando a recompor-se.
 — Mas... e aí, seu Jarbas, "tamos" quites? diz ela com ar indiferente, já de pé e ajustando a calcinha sob a sainha plissada.
 — Você nem quer trabalhar hoje?
 — Ah, seu Jarbas, não vai recomeçar, né!
 — Está bem, Ana, vá-se embora que eu dou um jeito, diz ele, suspirando e recuperando um vago sotaque nordestino. Mas vou sentir sua falta, ouviu? Você foi boa no caixa e melhor ainda aqui no escritório!
 — Engraçadinho! Eu também gostei de conhecer o senhor, seu Jarbas. De vez em quando vou dar um pulo aqui para fazer uma visita.
 — Quando quiser, é só ligar... ou vir direto aqui na gerência!
 — Seu safado!

    Aninha termina de ajustar a roupa enquanto Jarbas pega um calhamaço de papéis para fingir que esteve todo esse tempo, cerca de uma hora, falando de direitos e números com ela. Assim que ela se diz pronta, ele abre a porta e os dois saem falando de amenidades. Chegando à loja, eles se separam com dois beijinhos e Aninha passa rapidamente por Soraya, dando-lhe uma piscadela em sinal de que tudo foi resolvido da melhor maneira. Por fim, ela se despede de cada um dos ex-colegas, recebe muitos elogios e agrados, manifestações de apreço e até revelações românticas acompanhadas de emails e números de celulares de admiradores ocultos.

    Momentos antes de sair, Aninha se emociona quando a extremidade do velho balcão é erguida para que ela passe pela última vez. Caminhando pela calçada com a cabeça fresca, um rápido e superficial pensamento sobre a bondade humana aflora-lhe a mente, logo encoberto pela necessidade premente de tomar um sorvete de manga antes da tarefa ingrata de ligar para o Gabriel avisando que está voltando para casa. Degustando o sorvete pelo caminho, Aninha se deixa levar mais uma vez pelo embalo cego e vertiginoso da confiança no futuro.


"Dá uma voltinha pra mim."


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