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Odisseia Emergente 11


11. Matando dois coelhos

    É sábado de folga para as duas amigas. Soraya observa o vaivém incessante de Aninha entre o banheiro e o quarto, agitada enquanto se prepara para mais um fim de semana no apartamento do Peró.
— Como é que você tem esse corpo, amiga? Eu fico impressionada cada vez que te vejo sem roupa!
— Sei lá, pergunta à minha mãe! Só que esse corpinho está carente. Desde que eu cheguei aqui, só transei com o Kleber e estou longe da minha cota.
— Você quer transar com outros namorando o Kleber?
— Primeiro: não sei se estou namorando o Kleber; segundo: quando é que você vai entender que uma coisa não tem nada a ver com a outra?, responde a moreninha, parando de frente para a amiga, que contempla com uma ponta de inveja a harmonia de suas formas.
— É verdade, eu esqueço como você separa tudo.
— E você deveria aprender comigo! A gente poderia fazer uma grana juntas, com esse monte de turistas na cidade. Daqui a pouco o verão termina e só vai ter meia dúzia de caipiras tomando cachaça no bar na sexta à noite. Eu tenho medo de anunciar programa sozinha, senão te juro que já tinha começado!, dispara ela, fazendo ares de doutora em "acompanhamento" de executivos de alto nível.
— Ai, não sei se eu quero isso, não, Aninha, retruca a outra, retorcendo as mãos de aflição.

    Voltada para o espelho, examinando tops de várias cores para escolher aqueles que vai levar, Aninha oferece com toda a naturalidade à Soraya a visão da sua irretocável bunda morena.
— Você nunca foi gordinha, né? Não tem a menor estria no bumbum!
— Sempre fui assim. Minha mãe e minha tia diziam que eu parecia uma mulherzinha desde pequena e que eu só ia crescendo sem mudar de forma. Quando o porco do meu padrasto me olhava, minha mãe dizia para ele nem abrir a boca se não quisesse ser enxotado a pontapé. Ele nunca fez nada, mas sempre me olhou com cara de vira-lata faminto.
— Quando você começou a ficar com os meninos, ele disse alguma coisa?
 — Claro! Ele quis bancar o moralista, tentou ter umas conversas "de pai para filha" comigo, mas isso nunca colou e eu botei ele no lugar rapidinho. Ele já teve muita sorte porque até uns dezesseis anos eu não estava nem aí para nada, saía do banho pelada e andava de calcinha em casa. Agora eu presto atenção para nem ficar de biquíni quando ele está em casa.
— Homem é fogo!
— É tudo igual, só tem uma coisa na cabeça.
— Sexoooo! Haha!

    Nesse momento, o celular de Aninha toca. É Kleber, ainda no Rio de Janeiro. Ele não vai poder ir a Cabo Frio no sábado. Talvez vá domingo, mas tudo ainda está muito incerto. Ele se despede carinhosamente, lamenta sinceramente frustrar o fim de semana de Aninha e recomenda que ela não vá para o Peró sem ele porque seu irmão Henrique está lá, como sempre acompanhado.
— Droga!, exclama ela, visivelmente decepcionada.
— Não faz mal, a gente faz alguma coisa juntas. Ele vem amanhã.
— Detesto que desmarquem programa em cima da hora. E eu aqui ralando para escolher roupa!
 — Vamos para a praia!
 — É, vamos... Espera, tive uma idéia!

    Aninha pega o telefone e procura os nomes dos meninos que ela encontrou à noite e despojou do anel, da carteira de estudante e dos fones de ouvido. Ela se lembra do nome do mais esperto, Francis, mas mal se lembra do apelido do tímido. O lourinho que lhe trouxe o sorvete era lindo, mas novinho demais; ela o descarta. Após alguns segundos, ela liga para o mais esperto.
— Alô, Francis? Sou eu, Aninha, a menina na praça. Você me deu os fones de ouvido... Lembrou?

    É claro que ele se lembra, e fica radiante com o telefonema. Aninha lhe pergunta se ele não quer ir à praia com ela e a amiga, e se o amigo dele – o tímido – não gostaria de ir também. Francis fica de ligar assim que souber se o Mosca – esse é o apelido – pode ou não ir junto. Cinco minutos depois, ele liga confirmando. Aninha marca encontro em frente à Matriz e quarenta e cinco minutos depois, o grupinho se encontra, Soraya é apresentada aos meninos e os quatro seguem para a praia do Forte.
— Quem foi que disse que agora só queria "homem feito"?, sussurra Soraya caminhando ao lado de Aninha.
— Eu estava falando de sexo, Soraya! Mas vai dizer que eles não são gatos? Olha a bundinha do Francis!
— Não estou dizendo isso; claro que eles são gatos. Mas você está saindo com o Kleber, que tem trinta e lá vai pedrada, e eu saí com o João, que também já passou dos trinta.
— Pois é, e deu tudo errado para você! Quem sabe com eles... Mas por enquanto a gente só está indo à praia, nada mais.
— Sei! Você já viu como eles estão acesos?
— Viu o jeito de olhar do Francis? Aposto que ele transa direto com as namoradas. E o Mosca é tímido desse jeito, mas se você visse como ele me pegou pela cintura, na praça, quando eu sentei no colo dele!
— Bom, deixa para lá e vamos pensar na praia. O importante é a gente se divertir um pouco senão não compensa trabalhar tanto para ganhar tão pouco. Aliás já estou ficando cheia daquela loja de peão!
— Eu também não aguento mais! Vamos procurar outra coisa?
— Acho uma boa idéia...

    Cerca de dez metros à frente, Francis e Mosca caminham lado a lado e o assunto é parecido.
— A Aninha foi super legal de chamar a gente, não é? diz Francis, entusiasmado.
— É, mas o que é que a gente vai fazer depois da praia? retruca o amigo, intimidado.
— Sei lá, cara, a gente nem chegou na praia!
— Por que será que elas não chamaram o Fábio?
— Criança demais. Ele ia sobrar. Você gostou da Soraya? Eu queria tentar ficar com a Aninha.
— A Aninha dá de dez, mas a Soraya é gata também.
— Ela tem vinte e um.
— Tudo bem. Melhor mais velha que mais alta!
— Isso é verdade. Bom, chegamos. Vamos arrumar um lugar.

    Cada metro quadrado de praia está ocupado. Eles custam a encontrar um espaço de areia onde estender as cangas das meninas para sentar. Quando por fim conseguem um lugar, a poucos metros da água onde crianças brincam acompanhados de perto pelas mães, Aninha a despe-se da canga diante de inúmeros pares de olhos esbugalhados. O biquíni vermelho, no tamanho exato para tapar o mínimo, chama a atenção da gens masculina num raio de vinte metros. Habituada, Aninha estende a canga como se nada fosse e senta-se nela expirando de satisfação.

    Soraya faz o mesmo sob o olhar atento do Mosca, que analisa favoravelmente o que vê, não encontrando nada a criticar nesse corpo um pouco mais generoso que o da Aninha mas de modo algum imperfeito. O biquíni estampado em tons de verde, azul e vermelho realça a cor clara da pele e destaca bem as formas da bunda e dos seios. Olhando em volta, Mosca se sente intimamente orgulhoso de integrar um quarteto de jovens atraentes.
— A Aninha me disse que vocês são do Rio. Vocês passam o verão todo aqui? pergunta Soraya, puxando conversa.
— Eu só volto para o Rio em março porque a minha faculdade está em obras, diz o Mosca, mas a minha família tem casa aqui e a gente vem todo ano.
— Você faz o quê?
— Direito na PUC. Vou para o segundo período.
— E você, Francis?
— Eu faço odontologia em Caxias e as aulas começam na segunda semana de fevereiro. Mas eu vou tentar transferência porque é um inferno ir para lá; eu moro em Jacarepaguá! Fora que eu não aguento mais ver "presunto" no meio-fio toda segunda-feira!

    Soraya observa os meninos e os acha bonitos, cada um ao seu modo. Francis tem cabelo castanho muito liso e móvel, é todo fortinho e ágil, tem coxas de quem faz muito esporte de praia e uma bundinha que dá vontada de beliscar. Sem um pelo no corpo, o bronzeado da pele reluz ao sol e revela os músculos definidos. Brincalhão e tranquilo, ele parece ser fácil no trato e de muito bom convívio. Ela considera seus olhos e o corpo moreno irresistíveis. O Mosca tem a pele clara como ela e tende mais para o magro e alto do que para o forte. Pelinhos esparsos distribuídos entre os braços, peito e pernas lhe dão um ar um pouco mais velho que Francis, mas seu olhar meigo e – talvez devido à timidez – um sorriso "pidão" revelam sua falta de experiência com as mulheres.  Se ela ficar com ele e Aninha com Francis, os pares serão parecidos na cor e no temperamento, pensa Soraya, achando graça.

    Aninha, por sua vez, não demora muito a tentar avaliar as qualidades relevantes desses dois que ela chamou com um plano mais ou menos definido na cabeça. Ela não teme por Francis, cujas esperanças parecem adequar-se bem ao projeto que ela tem em mente. Sua atenção se volta portanto para o Mosca, que ela vê se entrosando pouco a pouco com a amiga, fazendo uma pergunta aqui, respondendo a outra ali, tentando preencher os silêncios com observações sobre a praia e o dia bonito, mas de modo algum ingressando no jogo de sedução, coisa que, para pessoas como ela e Francis, é como o ar que se respira.

    Vendo que será impossível organizar tudo sozinha, Aninha decide chamar Francis para a água. Os outros ficam na areia para tomar conta das coisas.
— Francis, você tem que me ajudar numa coisa.
— Pode falar! responde o outro, orgulhoso por ter sido chamado por ela.
— É o seguinte. A Soraya é toda travada quando o assunto é "ficar". Ela está com vinte e um anos e só teve um namorado na vida.
— Ela pelo menos transou com ele?
— Transou, mas ele foi o primeiro e único; eles namoraram durante 7 anos. No outro dia, ela saiu com um cara aí, mas deu tudo errado, ela não aproveitou nada e é claro que o cara ficou puto. E eu já vi que ela não vai saber se virar sozinha, então eu tramei essa saída da gente hoje pensando em ir lá para casa depois. Eu queria que rolasse alguma coisa entre ela e o Mosca. Vocês podiam ir para lá passar o dia com a gente, o que você acha? A gente almoçava por lá e pegava um cinema de noite, de repente.
— No que depender de mim, tudo bem, mas você sabe que o Mosca é tímido, não é? Para te falar a verdade, eu nem sei se ele já transou. Ele namora, mas nunca conta nada sobre isso.
— É por isso que eu vou precisar de ajuda. De repente a gente vai ter que fazer um clima para eles e eu não sabia se você estaria a fim.
— Claro que estou a fim, Aninha! Não parei de pensar nisso desde o dia em que a gente se encontrou na praça! Você acha que eu ia te dar os meus fones de ouvido novinhos à toa? E assim a gente mata dois coelhos com uma cacetada só! Diz aí qual é o plano.
— Bom, eu tinha pensado em sair daqui e passar no supermercado para comprar as coisas para um estrogonofe, que é fácil de fazer. A gente comprava umas cervejas e ia lá para casa, botava música e assim que eles relaxassem, a gente começava alguma coisa para ver se eles dois tomavam coragem.
— Estou dentro! E por falar nisso, posso te dizer uma coisa? O teu corpo molhado fica um tesão. Dá vontade de te dar um beijo.
— Demorou!

    Puxando-a pela cintura, Francis cola os lábios aos seus enquanto as mãos descem até o bumbum. As línguas se emaranham a Aninha sente as pulsações do membro ereto contra o seu corpo. Francis é desses que estão sempre prontos, pensa ela, satisfeita. De longe, Soraya e Mosca se entreolham sorrindo timidamente diante da rapidez com que os dois se entrosam. Vendo-a sair da água, Mosca admira o corpo molhado de Aninha, resplandecente ao sol de quase meio-dia. Eles ficam de pé, secando ao sol enquanto ele e Soraya se dirigem para a água.
— Não sei como a Soraya pode ser tímida com um corpão desses, declara o Francis vendo-a de costas.
— É o que eu vivo dizendo a ela. Se você visse ela nua! Bom, se tudo der certo hoje, você vai poder ver! Se eu fosse homem, ficaria com ela, sério mesmo!
— Não exagera. Ela é gostosa, mas você é demais.

    Aninha se deita de bruços e fecha os olhos fingindo indiferença, consciente do espetáculo que essa posição proporciona ao Francis e aos demais homens. Francis deita-se ao lado dela, também de bruços.
— Eu sou o mais sortudo da praia, aqui com você.
— Isso é óbvio! brinca ela, dando-lhe um empurrão com o ombro.
— É bom ser gostosa, né? retruca ele, procurando sua boca.

    Quando os outros voltam da água e deparam com eles tomando sol, as imagens se cruzam, Soraya percorrendo o corpo de Francis e Mosca o de Aninha. O Mosca pergunta-se se algum dia terá a mesma sorte que seu amigo de ter tão perto de si uma mulher assim. Soraya disfarça para não dar na vista, mas o mesmo tipo de pensamento lhe ocorre em relação a Francis. Embora cada um o sinta ao seu modo, o clima erótico está instalado entre os quatro. A partir desse momento, tudo depende da habilidade com que Aninha e Francis farão desencadear-se e evoluir o processo.

    Por volta de duas da tarde, Aninha propõe seu programa aos três outros, contando com o silêncio do seu  cúmplice Francis. Todos aprovam e racham o preço dos ingredientes para um estrogonofe e do máximo possível de latinhas de cerveja. Chegando em casa, as anfitriãs dão toalhas aos meninos, apontando-lhes o banheiro. Eles entram juntos. Mosca senta-se na tampa do vaso enquanto Francis entra no chuveiro e já vai tirando a sunga para lavá-la.
— Vai molhar a sunga de novo? Você trouxe cueca?
— Ih, não! Vou ter que ficar de bermuda sem cueca. Tudo bem. Pior é ficar de sunga com areia.
— É mesmo. Acho que eu vou fazer isso também. Não vai dar nem para notar.

    Francis toma banho espalhafatosamente, sem a menor inibição. Ele flexiona as coxas e levanta o saco para ensaboar o períneo e o interior das coxas, depois lava o pênis, tendo o cuidado de recuar o prepúcio ao máximo para lavar o freio e a borda da glande. Quando ele se dá por satisfeito no que toca ao "lado A", ele se vira e se ensaboa abundantemente entre as nádegas para lavar o orifício, passando energicamente o sabonete em cada uma. A tudo isso, Mosca assiste fazendo-se de indiferente, mas sentindo um misto de inveja e de atordoamento erótico pelo excesso de nudez e despudor do amigo, que sai do box em cinco minutos deixando a água correndo.
— Tua vez, diz o Francis, começando a enxugar o cabelo enquanto o longo pênis pende entre as pernas.

    Mosca, mais discreto, evita a plena visão frontal ou posterior do seu corpo. Fechar a porta do box seria ridículo, então ele se deixa ver de perfil. Mas Francis, realmente indiferente à nudez masculina, conversa com ele olhos nos olhos, ora coçando a bunda, ora a virilha, ora passando a mão nas axilas, sem prestar a menor atenção ao que se passa abaixo do pescoço do amigo. Se porventura seu olhar vagueia e topa com o pênis do outro, nada se passa em sua cabeça, a não ser uma rápida comparação da qual ele sai vencedor.

    Findo o banho, ambos deixam as sungas secando na porta do box e vestem as bermudas sem nada por baixo, passam a mão no cabelo e saem.
— Já? Não devem nem ter ensaboado o corpo! brinca Aninha, dando um tapinha no peito desnudo de Francis.
— Quer cheirar embaixo do braço? brinca ele, erguendo o braço e deixando ver o único lugar guarnecido de pelos de seu corpo. Está perfumado!
— Soraya, vai na frente. Eu tomo banho depois para não deixar os meninos sozinhos. Vai que eles roubam nossas joias e todo o dinheiro do cofre!
— Nossa, é verdade! Minhas joias são da H. Sperm!

    Soraya vai para o banho e Aninha pega três cervejas.
— Ainda não estão no ponto. Botei as outras no congelador.
— O apartamento é legal, hein, Aninha! comenta o Mosca, sério, dirigindo-se à moreninha que o Francis, apoiado na janela da sala, enlaça pela barriga.
— A gente preferia que fosse mais para o centro, mas fica muito mais caro, responde ela, pondo-se na ponta dos pés para aproveitar melhor o contato com o corpo do Francis, já com a intenção de provocar um pouco os instintos do menino tímido que desvia o olhar sem deixar de ouvir os chupões no pescoço e as falsas broncas que ela dá em retorno. O casal se entreolha sorrindo; o plano parece estar funcionando.

    Um tanto perturbado, o Mosca pergunta-se o que fará se o clima "esquentar". O simples fato de ver Aninha de biquíni já despertou sua libido e ver os joguinhos dos dois está sendo um suplício, principalmente porque ele percebe que seu amigo está excitado. É Soraya que rompe a tensão ao sair do banho e exalando frescor, vestida numa minissaia de tecido mole que deixa de fora as coxas inteiras e um top elástico que só cobre os seios.
— Hum! Olha como ela está gostosa, gente! exclama Aninha, fazendo a amiga corar.
— É mesmo, Soraya. Está um tesãozinho, acrescenta Francis, visando a calcinha quando ela se senta no sofá ao lado do Mosca.
— Assim eu fico com ciúme!, brinca Aninha.
— Gente, essa saia deve ser do tempo de colégio!, exclama a recém-chegada.
— Você podia ter ficado de sunga, Francis! Que coisa mais sem graça, eu de biquini e você de bermuda. Vou te dar um short meu! dispara Aninha.
— Eu, botar short de mulher? É ruim, hein!
— Então vou tomar banho e me vestir toda!, ameaça ela, arregalando os olhos para o Francis em cobrança à encenação.
— Ah não, gata, fica assim! Você está tão gostosa com esse biquininho! Por mim, você é que tiraria mais roupa, não eu!
— Olha só, Soraya! Ele quer que eu tire mais!, faz a morena.
— Engraçadinho! responde a outra, cruzando as pernas para evitar o olhar de Francis que se insinua entre elas desde que ela se sentou no sofá.
— A parte de cima, então! Quem quer que a Aninha tire a parte de cima?, propõe Francis, já erguendo a mão e sendo logo imitado pelo Mosca.
— Empatou!, exclama Aninha, morrendo de rir.
— Empatou nada! Você também quer tirar, faz Francis, erguendo o braço da menina. Só a parte de cima, vai. Para ficar como a gente.

    Ele diz isso e já vai desatando o laço do sutiã do biquíni de Aninha, que finge inicialmente esconder os seios com os braços, mas logo os exibe fazendo um melódico "ta-dá!" Soraya explode num riso nervoso e Mosca contempla os seios morenos e redondos, de mamilos escuros, que Aninha agora exibe toda prosa.
— Ai, estou cansada de ficar em pé! declara ela, desgrudando-se de Francis e puxando-o até a poltrona para sentar-se em seu colo.
— Aiê! Faz ele. Vai quebrar meu pau!
— Nossa! Já está assim, é?
— Claro! responde ele, olhando para o amigo que o encara atônito fazendo cara de "o que é que eu faço?"

    Embora inexperiente e tendo fracassado em seu encontro com João, Soraya é mais madura que o Mosca e já percebeu o complô de sua amiga com Francis. Ela percebe igualmente que este não é o caso do Mosca, que vai dando a impressão crescente de que se pudesse sairia correndo dali para se livrar do clima ansiogênico. Aproximando-se, ela pega a mão dele e, como quem não quer nada, pousa-a de costas em sua coxa, fingindo que vai lê-la. Isso o descontrai um pouco.
— Estou vendo aqui que você vai ter muitas mulheres, diz ela em tom profético.
— Aproveita para ganhar a primeira, Mosca!, brinca a Aninha, vulgar.
— É, cara, vai fundo!, acrescenta o Francis.

    Desistindo de esperar por uma reação "normal" do Mosca, Aninha se levanta e, tomando a mão dele, põe-na espalmada sobre a coxa da amiga.
— Pára de torturar o menino, Soraya!
— Eu? Não estou fazendo nada, responde ela, um tanto desorientada.

    Cansada de tantos rodeios para chegar ao que, no fundo, todos querem, Aninha vai sentar-se ao lado da Soraya e faz que vai arrancar-lhe a miniblusa. A outra resiste inicialmente, prendendo a roupa com os braços, mas acaba se deixando vencer. Embora encabulada, ela reconhece é o único jeito de vencer a timidez quase patológica do Mosca. Assim que os seus seios - um pouco mais fartos e pesados que os da Aninha - ficam livres, três pares de olhos os contemplam, admirados.
— Tem "alguém" levantando! cantarola Francis, apontando com os olhos para o colo do Mosca, que pulsa flagrantemente.

    Sem perder a deixa, Aninha se ajoelha no chão diante do Mosca e tenta abrir caminho entre suas pernas, já com a mão no botão da sua bermuda. Num reflexo, ele tenta fechar as pernas e repeli-la, mas Soraya o impede gentilmente. Ao mesmo tempo, Francis o agarra para imobilizar seus braços. O zíper desce, a bermuda se abre, mas é preciso que as duas meninas unam forças para puxá-la para baixo enquanto Francis, muito mais forte, o mantém imóvel. Pronto, o Mosca está nu e seu membro dança livre. Vencido e ofegante, o menino tímido entrega-se e exibe o riso nervoso de quem acaba de derrubar uma barreira antes considerada intransponível.
— Que cara complicado! exclama Aninha. Viu só como não tem nada demais? Ainda por cima com esse pau lindo! Se fosse um treco feio e torto, miudinho e sem graça, não digo nada, mas olha como é gostoso!

    Ainda de joelhos, Aninha diz isso passeando a mão pelas coxas do Mosca até chegar ao membro, que ela empunha para exibir aos outros. Francis soltou seu amigo e está sentado ao lado dele. Soraya voltou a sentar-se do lado oposto e olha para a amiga dando-lhe a entender que está pronta para receber o bastão. Agora o Mosca respira aliviado e sorri enquanto Soraya começa carinhosamente a masturbá-lo.

    Aninha vai ajoelhar-se entre as coxas fortes do Francis, vendo a estaca maciça de cerca de dezessete centímetros colada ao "tanquinho" do abdomen trabalhado. Puxando-a carinhosamente, ela dá uma lambida sob a glande e a abocanha de uma vez só. Francis joga a cabeça para trás e geme, levando automaticamente a mão à cabeça da moreninha. Vez por outra, eles olham para o lado para certificar-se de que seus amigos se entregam honestamente ao jogo. Vendo Soraya profundamente ocupada com Francis, lambendo e chupando com prazer, eles se entreolham felicitando-se pelo sucesso da empreitada.

    Mosca está sinceramente disposto a aprender com o amigo mais experiente, imitando-o a cada gesto, mas quando ele vê Francis jogar as pernas para cima e segurá-las pelos tornozelos, numa posição que lhe parece tipicamente feminina, ele custa a perceber qual será o próximo passo. É só quando Aninha mergulha o rosto abaixo dos testículos do seu amigo, arrancando-lhe um gemido, que ele entende o propósito da posição. Ele observa, mas abre mão da imitação nesse caso específico. Ele prefere pedir à Soraya que seja ela a assumir a mesma posição que o Francis, o que ela faz prontamente.

    As bordas dos pequenos lábios vermelhos se insinuam por entre o grandes lábios carnudos. É uma vagina grande, generosa à língua que pode percorrê-la longamente de alto a baixo. Soraya se acomoda, deixando que o peso de suas coxas as rebata sobre seu corpo, sorrindo entre elas e acariciando suas panturrilhas enquanto observa o seu parceiro que começa a pincelar-lhe copiosamente a fenda. Não há pressa e ambos sabem disso. É o início de um entardecer que não tem hora para terminar.

    Aninha sente Francis pronto e já sonha com o momento de empalar-se no grosso membro que ela empunha enquanto devora o orifício do companheiro. Abandonando o anel pulsante todo ensalivado, ela ressurge entre as coxas escancaradas do rapaz, olhando-o nos olhos com um sorriso malicioso e indo sentar-se sobre sua barriga. Ela mesma providencia para que a cabeça se encaixe e penetre de uma vez só, convidando ao trote.
— Isso... Gostoso... Assim..., geme Francis. Eu desejei essa bucetinha assim que te vi de biquíni.
— É mesmo? faz ela, dengosa. Então deu sorte porque esse desejo eu posso realizar!

    Ao lado deles, Soraya está tomada pelo prazer que lhe proporciona a língua incansável do Mosca. A verdade é que ela já teve um orgasmo, que a inibição não lhe permitiu manifestar com a devida intensidade. Mas ela quer muito mais e se sente pronta para ser penetrada por esse menino aplicado como um escolar à disciplina do cunilinguus. Mas ela precisa mudar de posição para relaxar as costas. Pondo-de se quatro no sofá, ela oferece ao Mosca a visão das suas nádegas bem feitas e da longa fenda que parece dar continuidade a elas. O aroma de banho e de sexo que se desprende do corpo de Soraya invade as narinas do Mosca que se prepara para penetrá-la.

    Sem deixar de cavalgar Francis, Aninha acaricia as costas da amiga, ao seu lado, sinceramente feliz por ela.
— Ahn! geme Soraya com um pequeno sobressalto.
— Entrou, amiga? pergunta Aninha, sorridente.
— Mm-hm.
— Está gostoso? pergunta Francis.
— Cala a boca, gente!, faz ela, querendo desfrutar de cada milímetro dessa primeira incursão do Mosca, que se deslumbra ao ver seu membro desaparecer pela fenda aberta.
— Posso? pede Francis, ao lado dela, levando a mão aos seus seos.
— Tarado! dispara Aninha, por cima dele, esbofeteando-lhe o rosto e empinando o corpo para destacar seus próprios atributos que dançam livres enquanto ela cavalga sem parar.
— Hum! Bate mais, Ana. Esse tapa me deu tesão.
— Ai cansei dessa posição, Francis! Me come em pé? pede a moreninha, querendo exclusividade.
— Em pé?
— Vai dizer que nunca fez?
— Engraçadinha. Levanta que eu te mostro.

    Aninha se desencaixa do Francis, ele se levanta e ela pula em seu pescoço enroscando-lhe as pernas na cintura para reencaixar-se na tora corretamente direcionada. Forte, ele consegue facilmente agarrá-la pelas coxas para fazê-la subir e descer e permitir que a vagina superlubrificada percorra o seu mastro.
— Ahhh! Como é bom, geme ela, agarrada ao pescoço dele. Fode, fode, fode, assim...

    No sofá, Soraya e Mosca também mudaram de posição. Sentada em seu colo de costas, ela esfrega nervosamente o clitóris com os dedos enquanto sobe e desce na estaca dura como aço. Ele acaricia suas costas, os seios, as coxas, sentindo-se capaz de penetrá-la por horas nesse mesmo ritmo e intensidade. Divagando sobre sua curta vida sexual, ele se lembra das vezes em que fora preciso inventar maneiras de "desconcentrar-se" para evitar a ejaculação precoce. Ele se lembra da tarde em que finalmente a Gabriela abrira a guarda e ele tivera um tremendo orgasmo antes mesmo que o seu membro fremente tocasse a fenda. Tanta intensidade e tanto esperma desperdiçados! A menina, frustrada, dera por encerrado o encontro. Mas desta vez, não. Desta vez, ele se sente senhor absoluto do seu prazer, e por mais excitante que seja a cena que se descortina ao lado deles, por mais eletrizante que esteja sendo o seu próprio ato, ele se sente capaz de prosseguir e até mesmo de só decidir o momento do climax.

    O mesmo não acontece com Soraya, que se vê na iminência de um novo orgasmo e está agora suficientemente à vontade para exprimi-lo. O clitóris estimulado ao extremo e a sensação ritmada da penetração por Mosca levam-na a um ponto sem volta e a erupção se desencadeia provocando uma série de incontroláveis gemidos e gritinhos. Seu gozo é farto, encharcando o pau do Mosca que passa a pistonear num meio de viscosidade perfeita. Literalmente arrastada pela torrente orgásmica, Soraya firma-se com ambas as mãos nas coxas dele, trotando para que a velocidade e a profundidade da penetração compensem a perda de atrito. Ela quer mais e mais, quer descobrir até onde essas ondas sucessivas de prazer podem levá-la.

    À certa altura, Soraya perde o controle das pernas e desaba com todo o peso sobre o Mosca, empalando-se nele sem conseguir mais erguer-se, sem parar de gemer e choramingar, pegando suas mãos e levando-as aos seios, depois apalpando a área intumescida por onde ele a penetra. Isso excita o Mosca, que a observa empinar-se sobre ele oferecendo-lhe os seios cujos mamilos enrijecidos ele aperta sem medo. Então, ela cochicha alguma coisa em seu ouvido e ele mal pode crer no que ouve.
— O quê, Soraya? Não entendi direito.
— Quero na boca, repete ela, baixinho, gemendo, parecendo infinitamente sensível e excitada, já saíndo dele para posicionar-se de joelhos sobre o sofá.

    Quando Soraya empunha o seu membro e o abocanha, Mosca mal acredita no que está para acontecer, mas ela engrena numa felação tão intensa, devorando seu sexo com tanta avidez que ele não controla o vagalhão do orgasmo que se anuncia e enche a boca da menina com numerosos jatos fartos enquanto ela continua a esfregar o clitóris com os dedos, ainda entregue a um prazer indefinível. Ela acolhe cada jato, engolindo de pronto, procurando permitir que o membro se aprofunde ao máximo em sua boca. A tortura do prazer se torna insuportável para o rapaz que a puxa delicadamente pelo cabelo e contempla o seu olhar extático. Soraya passa a língua pelos lábios, colhendo e engolindo o que resta de esperma e, abraçando-o carinhosamente, lhe dá um beijo lascivo oferecendo-lhe o seu sumo diluído em saliva. Voltando a sentar em suas coxas, ela o beija e o elogia pelo desempenho, acariciando seu membro que vai gradativamente amolecendo. Ele passa as mãos por suas coxas e também lhe faz agrados, confessando-se surpreso pelo presente final. 

Subitamente, a voz de Aninha ecoa no banheiro.
— Aiê! Tira!
— Não faz drama, Aninha! Também não é assim, né!
— Eu é que sei, Francis! Tira!

    Apoiada nas torneiras do box, Aninha quase se arrepende de ter concedido a Francis um final apoteótico para esse primeiro encontro. Encaixado nela, o rapaz tenta desesperadamente iniciar os movimentos que vão levá-lo ao tipo de orgasmo que lhe dá mais prazer, mas ela berra como um bezerro desmamado.
— Quem manda não ter nada para lubrificar!
— O Kleber tem tudo, bestinha! Ficou no Peró.
— Então vou passar sabonete.
— Mas não vai mesmo! Eu já te disse que faz mal.
— Então vou lá na cozinha pegar margarina. Quero comer teu cu, Aninha, dá para entender?
— Ai, tá bom, Francis, vai lá.

    O casal que ficou na sala dá gargalhadas vendo Francis sair ensopado do banheiro e voltar com um pote de margarina na mão.
— Está rindo, né, dona Soraya?, diz ele, irritado. No dos outros não dói, não é isso?
— Vai amarelar para o Francis, amiga? grita a Soraya, olhando em direção ao banheiro.
— Vem tentar, Soraya! Quero ver!, desafia a outra.
— Eu, hein! Credo!
— A Soraya gosta de macho, Aninha! O Francis curte linguada no cuzinho, não serve pra ela!, brinca o Mosca, todo saidinho.
— Então vem provar, Mosca! grita o Francis.
— No meu ninguém toca!

    O casal da sala diverte-se ouvindo os protestos dos ocupante do banheiro até que a Aninha deixa-se enfim penetrar com margarina e aguenta bravamente as estocadas do seu machinho dotado. Ela reclama, grita, xinga mil palavrões, mas aos poucos as injúrias se transformam em gemidos e o desconforto em prazer. Habituado, o corpo dela se acomoda às dimensões avantajadas do Francis e oferece-lhe o desfecho esperado. Num orgasmo explosivo, ele inunda-lhe as entranhas ao mesmo tempo que a leva ao orgasmo com os dedos. Quando o grosso membro desliza para fora, Francis separa as nádegas da menina para observar o esperma que escorre misturando-se à água do banho. Com um tapinha irreverente, ele beija Aninha, enfiando-lhe a língua na boca enquanto ela empunha o seu pau amolecido e ainda grosso.

    Quando os dois casais voltam a se reunir na sala, banhados e perfumados, não falam do que fizeram, mas pensam num programa para a noite. Aninha volta a propor o cinema e a ideia é aprovada por unanimidade. Mas a fome é grande. É hora do estrogonofe!

" 'Quero na boca', repete a Soraya, baixinho."







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