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Odisseia Emergente 2


2. O Mecânico

Ocorre que, na vizinhança, os homens com agá maiúscula já perceberam que Aninha não desfila mais com os namoradinhos da mesma idade e anda arrastando asa para o lado deles. Gerson, o imenso negro da oficina da rua da padaria, quarentão casado e com filhos mas cheio de energia e uma considerável cronologia de pequenas traições carnais, já repara há tempos na maneira sensual de vestir da garota e mais recentemente, seus inexplicáveis olhares e sorrisos. Ele chegou até a comentar com um colega que se ela continuasse "arrastando asa" para o seu lado, iria para a panela. E de fato, ultimamente, Aninha vem circulando pelas ruas próximas à sua casa usando mini-saias, shortinhos e vestidos de malha curtos, justos e mais que provocantes, e quando para em alguma loja, não reprime o olhar desses homens feitos para os quais ela agora acredita estar pronta.

    No dia seguinte ao plano coberto de êxito do Gabriel, ansiosa e cheia de desejo, Aninha escolhe uma calcinha fio-dental branca, novinha em folha, que lhe causa um frisson quando ajusta-se aos lábios da bucetinha perfeitamente depilada e ao beicinho do cu. Ela se vê no espelho e, ora de frente, ora de costas, aprova o efeito do minúsculo tapa-sexo e do discreto fio que some entre os gomos da bundinha delicadamente carnuda, saliente e bem feita. O sutiã combinado e de fina malha transparente se segue à calcinha; ela o ajusta sobre os seios para que os mamilos se situem no mesmo ponto equidistante das bordas. Ela sabe que seus seios serão maiores, mas enquanto esse dia não chega, ela os contempla com orgulho, lembrando-se do prazer no rosto dos que os viram, tocaram e chuparam. Em seguida, ela pega um vestido branco de malha elástica. Ela o avalia no corpo, constatando mais uma vez que ele é tão curto que a forçará a puxá-lo pela barra de vez em quando, se não quiser que lhe vejam as polpas. É um de seus vestidos mais sensuais, tão justo que molda o corpo por inteiro, além de ser um pouco transparente. Não há dúvida de que é arriscado usá-lo, mas como é de manhã, Aninha conclui que não deve haver maiores problemas. Ela está excitada, desejando ver a reação dos homens, então não há outra solução senão provocá-los e isso implica sempre um certo risco. Ela termina calçando sandálias baixas de tiras também brancas e sai para comprar pão, percorrendo a rua no sentido que a obriga a passar primeiro pela garagem do Gerson.

    O mecânico está na porta da oficina ocupado em extrair o pneu de uma imensa roda de caminhão e não só a vê passar como nota seu sorriso e retribuiu de forma explicitamente convidativa, assoviando. Aninha faz que não dá muita atenção e continua até a padaria, compra pão e leite como faz diariamente, volta para casa, toma o café da manhã com a avó, a mãe, o padrasto e seus 5 irmãos. Sua roupa não escapa aos comentários — os do padrasto são sempre os mais deslocados e hipócritas, diretamente alusivos ao seu corpo —, mas ela já tem prática de desvencilhar-se deles com meia dúzia de gritos e palavrões. Terminada essa que é a primeira batalha diária, ela escova os dentes e, meia hora depois de ter chegado com o pão, já está na calçada, agora apenas com uma bolsinha contendo o necessário para eventuais urgências: seu celular, a escova, batom, um pacotinho de lenços de papel e três camisinhas que ela se acostumou a trazer sempre consigo depois de algumas aventuras com amigos bêbados ou irresponsáveis.

    Ao vê-la repassando diante da oficina, Gerson só precisa de um gesto de cabeça para convidá-la a entrar e indicar-lhe uma porta ao fundo, à esquerda, enquanto vai até o tanque tirar a graxa das mãos com água raz. Aninha descobre um quartinho relativamente em ordem, contendo uma cama contra a parede direita, uma pequena cômoda com retratos de família e santinhos no espelho na parede em frente, e um guarda-roupa estreito, de porta espelhada, contra a parede esquerda. Ao lado deste e imediatamente à sua esquerda, uma abertura sem porta deixa ver um minúsculo banheiro sem pia cujo vaso fica sob o chuveiro. O todo é iluminado por um longo basculante no alto. Ela conclui estar no o apartamento do "seu" Jaime, o dono, velho de quase oitenta anos mas ainda forte como um touro, que deve cedê-lo aos empregados para usar o banheiro, descansar e talvez outras eventualidades como a que lhe parece estar na iminência de acontecer.

    Aninha tira a escova da bolsinha, que ela deixa na cama, e vai pentear-se diante do espelho. Seu vestido subiu novamente, deixando suas coxas tão descobertas que ela chega a rir da sua imprudência. Mas ela não o puxa para baixo, pronta a assumir as consequências da sua decisão. Ela está um pouco apreensiva e até mesmo ligeiramente ofegante, mas respira fundo e não se esquiva, olhando-se nos olhos e encorajando-se a não ceder ao medo do desconhecido. Ela tenta distrair-se trazendo uma imagem da véspera: Gabriel perdendo a toalha e ficando completamente nu sobre uma cadeira, bancando o eletricista no quarto. A excitação volta quando ela visualiza o pau bem feito, as coxas musculosas, o "tanquinho", a curva da bunda quando ele sem saber lhe oferecia o perfil...

    Subitamente, arrancando-a do devaneio, o quadro da porta é quase totalmente preenchido pelo Gerson, que chega sorridente, mostrando as mãos e os braços impecáveis, mas cheirando a água raz.
 — Vai passar um sabonete, Gerson! exige a menina, pondo a mão nas ancas para amplificar o ar de zanga, o que lhe dá um ar vulgar que enche de fantasia os olhos do macho.

    Ele vai ao banheirinho, abre o chuveiro e lava abundantemente a mão com o Lux da saboneteira na parede. Cumprida a tarefa, ele vem mostrar as mãos a Aninha, sentada na beira da cama. Ela pega as mãos enormes do mecânico, examina de um lado, de outro, diz-lhe que não vai levar em conta as unhas pretas, cheira de perto e dá-se por satisfeita. Gerson então a faz levantar e procura a sua boca para enfiar-lhe a língua enquanto agarra sua bunda com força por fora do vestido agora francamente acima da calcinha. Aninha se sente arrebatada e tem plena consciência de que será impossível voltar atrás. A porta está fechada, a oficina é barulhenta e muito provavelmente os colegas de Gerson foram prevenidos por ele. Seu vestido foi parar na cintura e o homem a acaricia firmemente entre as coxas, por trás, quase levantando-a do chão. Arfante, ele revela de saída o seu grau de excitação.
 — Tu me deixa louco, bebê... Sempre me deixou louco, mas eu tinha que te esperar crescer. Agora chegou a hora e tô vendo que tu tá no ponto.

    Largos dedos ávidos percorrem a fenda molhando a calcinha no sumo da excitação que Aninha não consegue impedir. Ela se livra do beijo molhado sob pretexto de concentrar-se na calça que ela começa a abrir diante do olhar vitorioso do seu primeiro homem com agá. Ela abre o botão enquanto com a outra mão acaricia a protuberância que marca o tecido com uma barra oblíqua, aproveitando para avaliar seu homem.

    Ronronando de prazer, Gerson tenta tirar-lhe o vestido, mas Aninha ainda não consente. Baixando lentamente o zíper e olhando-o nos olhos, ela sente mais uma vez o poder da fêmea nesse momento de preliminares. Se a mulher tivesse a força física, ela dominaria o mundo, mas basta que ela diga um não num momento crítico como esse para que o homem vire bicho e perca o controle de si. De que vale, então, tanto poder? conjetura confusamente a menina. Um cheiro forte emana da cueca agora visível. Aninha sopra discretamente para dissipá-lo, mas não se importa realmente com esses detalhes. Desde que o homem seja limpo, o resto é natural. Gerson ajuda-a baixando a calça até o meio das coxas musculosas de jogador de pelada e ela pode então ver perfeitamente o relevo cilíndrico e pulsante marcando e molhando a malha preta da cueca barata. De mãos na cintura, o homem contempla a moreninha de cabelo longo e rosto bonito que se prepara a proporcionar-lhe talvez os minutos de prazer mais intensos de sua vida. Seu membro arma-se como um guindaste apontando noventa graus à frente, encabeçado por uma glande não muito ampla, mas oblonga e gotejante.

    Comparado ao corpo do seu dono e considerando o fato de que se trata de um homem negro, o volume do todo é decepcionante para Aninha, que não imaginou seu primeiro homem com agá maiúscula equipado de um membro de pouco mais de dezesseis centímetros de comprimento por três de diâmetro.
 — Gostou? pergunta o mecânico, na expectativa, mas perfeitamente consciente de sua anatomia mediana.
 — É, maneirinho... responde a garota, olhando o membro oscilante à sua frente e incapaz de ocultar a frustração. Se ao menos fosse um daqueles paus fortes, curvos para cima e tão duros que dá até para se pendurar neles..., pensa ela. Mas não, é um pênis reto e bem feito, nada mais. Gabriel é muito mais dotado que esse homem de mais de um metro e oitenta. "Se era para isso, não precisava nem ter saído de casa!", pensa ela, indignada, matutando sobre o que fazer para contornar a situação sem despertar a ira do titã.

    Aninha tem estratagemas para as horas de aperto e resolve apelar para um deles. Empunhando o corpo roliço desse medíocre exemplar de órgão masculino, ela começa a fazer agrados, elogiando-o com uma vozinha falsamente erotizada enquanto o masturba subrepticiamente para elevar ao máximo a excitação do homem inebriado pela lisonja. Com a mão livre, ela acaricia o interior das coxas e o volumoso saco que se vai inflando e ganhando uma textura mais lisa e firme. Tomado de arrepios pelo corpo inteiro, Gerson começa a gostar dessa modalidade lenta e progressiva de abordar o sexo. Gerson geme, de olhos fechados, entregando-se ao prazer das carícias preliminares e mal sentindo que está sendo efetivamente — e perigosamente — masturbado.

    Mas o homem é resistente e Aninha teme que sua estratégia não funcione. Ele tenta mais uma vez despi-la, curvando-se para pegar a barra do vestido branco e ela se vê forçada a conceder mais um pouco para distraí-lo. Puxando-o o mais para si pela coxa, ela percorre com a língua o caminho que vai do saco à glande e prova involuntariamente o fluido que brota copiosamente dela, arrancando um suspiro desse homão que aparenta só ter tamanho.
— Chupa, vai... suspira ele. Chupa esse pau.

    "O cara aguenta muito!" pensa a menina vadia, começando a ficar impaciente. Resignada, ela lambe várias vezes a glande para lavá-la e finalmente coloca-a entre os lábios, sem deixar de masturbar muito lentamente o grandalhão, que mal percebe o seu intento. O pau maduro acostumado ao sexo não tem pressa sequer de endurecer completamente. Ela o sente ainda macio na boca, coisa que ela desconhece e admite não ser desagradável. Ela o degusta pouco a pouco, admitindo-o lentamente na boca até tocar a barriga de Gerson com os lábios. O homem geme e estremece vendo seu pau desaparecer entre os lábios projetados da garota. Ela consegue engoli-lo inteiro sem dificuldade e, escancarando a boca, consegue até por um pouco da língua para fora e tocar o saco, o que comprova que as dimensões do negrão não são desmesuradas.

    Aninha inicia um vaivém oral que logo leva a tensão sexual de Gerson aos píncaros. Ele arfa e ofega, suas mãos acariciam nervosamente o cabelo da menina sem saber se a manda parar ou ir em frente haja o que houver. Mas não há mais tempo. Pressionando com força o corpo do pau com os lábios, a garota está disposta a fazê-lo gozar intensamente já nessa etapa inicial e arrumar um jeito de escafeder-se. Agarrada com as duas mãos às coxas de Gerson, sua cabeça vai e vem masturbando o membro agora em plena ereção, até que, não se aguentando mais, o homem irrompe num orgasmo avassalador, puxando a cabeça da moça para si, copulando furiosamente com esse terceiro e não menos competente orifício do sexo, inundando-a de esperma sem lhe dar chance de recuar. Quando por fim ele se retira e que Aninha, tossindo muito, tenta expelir tudo que tem na boca, empurrando-o e xingando-o dos palavrões mais escabrosos, realmente furiosa, uma nova onda de excitação invade o sexo ainda duríssimo obrigando Gerson a empunhá-lo, mas ele não consegue evitar uma nova ejaculação abundante que, desta vez, vai parar  no chão.

    No rosto do homem Aninha percebe a expressão da frustração. Intimamente satisfeita, mas sem parar de chamá-lo de todos os nomes, gritando-lhe que está para nascer o homem que vai gozar em sua boca sem que ela autorize, ela vai ao banheiro lavar-se, com a esperança de que ele dê a sessão por terminada. Ele fica sentado na cama com a calça nos tornozelos, o queixo entre as mãos e o pau mole. Manso, ele pede uma nova tentativa, mas reconhecendo que será impossível recomeçar imediatamente, ele tenta programar um novo encontro para o dia seguinte. Aninha se esquiva com inteligência; ela sabe que é péssima estratégia negar categoricamnte sexo a um homem. Pegando sua bolsinha e já com a mão na maçaneta, ela se dirige ao gigante vencido com voz condescendente.
 — Relaxa, Gerson. Você estava com tesão demais, foi isso. De repente rola outra vez. Eu não vou mudar de bairro não. Bom, eu vou nessa, tá, senão fica tarde. Tchau.

    E ela sai tendo o cuidado de fechar a porta atrás de si. Na garagem, todos os olhares se voltam para a gostosa do vestido branco que teima em deixar descobertas mais do que as belas coxas morenas. Todos creem que ela acaba de tornar Gerson o homem mais feliz do mundo e que ele ainda está entregue às últimas vagas de erotismo, fechado no quartinho, antes de voltar ao trabalho. Minutos depois, o homem sai de lá com um sorriso tenso emplacado no rosto. Ninguém percebe nada; ele é o herói do dia.

    Aliviada, Aninha vai até o barzinho comprar cigarro para se livrar dos resquícios de gosto de esperma. No caminho de casa, entre uma baforada e outra, refeita do susto e da zanga, ela se pergunta quem nas redondezas será o seu homem com agá maiúscula. Apesar de uma primeira tentativa frustrada, ela continua farta dos mais jovens, que ela nem olha quando passam por ela comentando o quanto ela está gostosa em seu vestido que teima em subir.

    A poucos metros de casa, ela vê que vai passar por Gabriel. É sempre estranho passar por ele, principalmente agora que ambos se viram nus, matuta a menina. Como sempre, ela não responde ao "oi", mas desta vez, está atenta ao fato de que ele a observa e, já entrando na ruela que leva à sua casa, deixa-o saborear amplamente a visão das suas coxas até praticamente as polpas. Excitado, Gabriel espera até que ela esteja fora de vista e corre para casa ocupar o seu posto atrás da veneziana. Poucos minutos depois, ela surge no quintal, vestindo um biquini de calcinha preta e sutiã azul, carregando o vestido e a roupa de baixo que ela acaba de tirar, para lavar no enorme tanque de cimento. Gabriel pode admirar pela enésima vez a morena bonita de cabelo longo e corpo perfeito que ele viu crescer ali, a poucos metros dele, e que o destino insiste em manter longe do seu caminho. Ele fantasia sobre o vestido que viu nela há poucos minutos. Por que lavá-lo logo depois de usá-lo de manhã se ele parecia impecável?

    Concentrado na cintura fina e na bundinha saliente de sua vizinha, ele assiste orgulhoso ao espetáculo da sua ereção e assim que a tensão chega ao máximo, empunha o grosso calibre já recuando o prepúcio e observando a ampla cabeça despontar pela abertura desmesurada da extremidade. Assim que a pele se instala por trás da cabeça e o desconforto do repuxamento se dissipa, ele inicia mais uma sessão inspirada pela imagem da sua musa inatingível. Desta vez, Aninha nem suspeita da sua presença, portanto nem dirige um olhar furtivo para a resplandecente veneziana de alumínio. Gabriel está longe de fazer parte da lista dos seus potenciais candidatos.

    Curvando-se bem para trás e dirigindo seu sexo para a barriga, como ele se acostumou a fazer para evitar o chão e a parede, o rapaz acolhe os espasmos do gozo observando os jatos que se sucedem e as trilhas esbranquiçadas que eles deixam em seu peito liso mas forte e na barriga de onde brota o pequeno calombo do umbigo mal conformado. Quando tudo está terminado, ele toca uma gota de esperma com a ponta do dedo, leva à boca, mas constata uma vez mais que ainda não é capaz de engolir esse líquido de gosto estranho, mistura de clara de ovo e cinza de cigarro. As mulheres devem ter um paladar diferente dos homens, conjetura ele enquanto pega a cueca na cama para enxugar a boca e o corpo. Em seguida, ele repõe cueca e bermuda e vai debruçar-se na janela como se tivesse acabado de voltar para casa. A umidade da cueca o incomoda, mas ele sabe que vai lavá-la no banho depois. Lá fora, Aninha está enxaguando o vestido branco e já percebeu a presença do seu admirador, mas isso passa despercebido ao Gabriel e ele sai da janela para ir tomar banho.


"Chupa, vai, suspira ele. Chupa esse pau."







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