Ele já não consegue nem mais passar por ela na rua sem ter uma ereção. Essa vizinha que desfila diariamente seminua logo abaixo da sua janela está começando a deixar seus nervos literalmente à flor da pele.
Moreninha de cabelo preto chegando ao fim das costas onde desponta a bunda saliente, coxas perfeitas, peitinhos deliciosamente redondos e rostinho falsamente inocente, Aninha sabe que todos os homens da rua a acham gostosa. Depois dos muitos namoradinhos, colegas de escola e "ficantes" da sua idade, com quem ela ensaiou e praticou um pouco de tudo que se situe entre o beijo e a dupla penetração, ela quer ingressar no mundo dos homens com agá maiúscula. Ela não quer mais pés-rapados como o Tiago, o Beto, o Serginho; ela quer o Tadeu dono do bar, o MC Cláudio do clube de funk local, o "seu" Estevão que chega de BMW uma vez por semana e vai conversar sabe-se lá sobre o quê com os caras armados morro acima. Enfim, ela quer homens de verdade, grandes e pesados, que não fiquem só fazendo ginástica sexual com ela e querendo pular de um lugar para outro, mas que queiram preenchê-la com um pau de gente grande e lhe dar todo o prazer que ela sabe que uma mulher pode obter de um homem.
O problema é que o Gabriel está com dezoito incompletos e não tem um milésimo da experiência dessa vizinha que ele vê ora dentro de casa, ora no quintal de cimento da casa eternamente em construção. Aninha sabe que ele vive de plantão tentando espiá-la e não o priva de nenhum ângulo do seu corpo delicioso. Ocasionalmente, ele a vê completamente nua atravessando a casa na saída do banho, mas o que ele mais vê é a menina desfilando pelo quintal usando um dos muitos biquinis de sua coleção, todos diminutos e perfeitamente ajustados ao corpo. Ele se masturba olhando-a através das fendas da veneziana de folhas deslizantes, de alumínio resplandecente, recém instaladas no seu quarto tórrido, sem se dar conta de que ela pode ver nitidamente a sua silhueta através delas. Com que prazer ela toma sol e banhos de mangueira quando sabe que ele está lá, a postos, olhando-a passar creme, virar-se e revirar-se na toalha para bronzear o corpo todo, ajeitar o biquini para evitar as marcas indesejáveis, baixar a calcinha ao máximo para bronzear o púbis até quase o comecinho da preciosa fenda, enfim, toda a série de pequenos gestos tão sensuais que todo homem gosta de ver fazer uma mulher que toma sol!
Gabriel ignora que às vezes ela tenta imaginá-lo nu. Eles se conhecem desde a infância e ela o cumprimenta com desprezo quando ele está de janela aberta ou quando passa por ela na rua e ouve o "oi" que ele solta, baixinho, tímido e sem jeito como um garotinho apaixonado. Contudo, embora ela não o considere propriamente bonito de rosto, reconhece que seu corpo é bem feito. Sempre de bermuda e sem camisa, Gabriel tem uma bela cor de chocolate ao leite perfeitamente uniforme e sem manchas e é magro sem ser descarnado; suas costelas não transparecem sob a pele e suas pernas não são finas, como vários meninos dos arredores. O futebol de rua lhe deu coxas musculosas e Aninha gosta do conjunto peito-barriga que ele ostenta sem se pavonear. Ela tenta às vezes adivinhar o que ele tem dentro da cueca, mas com esses horríveis bermudões, o corpo do homem sumiu da praça e ela, como todas as mulheres do Brasil, ficou privada dessa visão quase desnuda do macho, que foi tão comum para sua mãe e suas tias, vinte anos antes. "Até a praia perdeu a graça!" comenta reiteradamente sua assanhada tia Deisimar, que declara abertamente ter saudade dos bons tempos em que um homem com agá maiúscula era imediatamente avaliado pelo volume na sunga.
Mas Gabriel sabe de si e, embora inexperiente – para um menino do bairro onde ele mora, suas incursões no mundo do sexo, a maioria com colegas meninos como ele, são consideradas insignificantes –, ele sabe que mais de dezoito centímetros de comprimento por cinco de diâmetro não é tamanho que se despreze tendo em vista um uma população feminina local que raramente ultrapassa um metro e sessenta de altura. Ele sabe que tem algo que elas gostam, mas não imagina como sinalizar isso, e em especial à sua vizinha sempre tão arrogante e inabordável. A solução, pensa ele, seria que ela descobrisse suas dimensões por acaso, mas como obter isso?
A resposta veio em sonho e Gabriel trata de pô-la em prática. Num dia em que Aninha está em casa, ele escancara a veneziana e, apenas com uma toalha enrolada na cintura, sobe numa cadeira no centro do quarto fingindo estar consertando a instalação da lâmpada. Ele vê a vizinha passar uma, duas, três vezes pela janela que dá vista direta para a sua e assim que percebe que ela fica curiosa, espera o momento propício e deixa a toalha cair, mas continua fingindo consertar a instalação como se não quisesse desconcentrar-se por nada. O resultado é o esperado: vendo-o nu, a menina começa a passar rapidamente de um lado para o outro do cômodo olhando de rabo de olho e acaba postando-se atrás da cortina, coisa que ele percebe muito bem pois está controlando a cena toda sem que ela note. Ele tem certeza que daquela distância – cerca de oito metros – ela pode ver perfeitamente o seu dote que lhe pende entre as coxas com a glande intencionalmente descoberta para a ocasião. Se ele é capaz de ver parte do seu ombro e rosto quando ela arrisca uma olhada, então ela também pode vê-lo no meio do quarto em pleno dia, pensa Gabriel, que fica um bom momento fingindo consertar sua instalação até ter certeza absoluta de que ela o viu muito bem.
E de fato, esta primeira parte do plano funcionou; julgando ter visto sem ser vista, Aninha saboreia a imagem desse vizinho que ela acaba de descobrir muito bem dotado pela natureza. Habituada, ela estima corretamente o comprimento e, juntando quatro dedos e fazendo um círculo com o indicador e o polegar, tem uma ideia muito próxima da realidade do diâmetro. A pós-imagem a faz salivar e ela se dá conta de que agora deseja o seu vizinho imaturo. Naquela noite, ela sonha que está tomando sol de olhos fechados quando ele pula completamente nu pela janela e, aproximando-se em silêncio, passa-lhe a lisa e intumescida glande recoberta de fluido perfumado pelos lábios, mas ela não é capaz de abri-los. A aflição a desperta e ela procura acalmar-se lendo uma revista para voltar a adormecer. Amanhã é outro dia, pensa a menina, tentando evitar a ideia fixa.

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