7. Relatos (fim)
— É verdade, Marta,
vivi uma experiência impressionante de algo que foi várias vezes repetido por
uma turma do meu condomínio. Aliás, não faz tanto tempo assim, tanto que
as imagens ainda povoam minha mente e tumultuam muitas das minhas noites.
Paulinho era um vizinho que morava na minha
rua, pouco acima. De vez em quando eu o via no condomínio, mas não dava maior
atenção e não me lembro de ter falado diretamente com ele. Um belo dia,
conversando no pátio, meus amigos me chamam e noto que há um burburinho
infernal; estavam muito irrequietos, falando muito, dando risadas e combinando
alguma coisa. Acabei sabendo da incrível notícia: Paulinho topava dar para
vários ao mesmo tempo. Um grupo estava tramando ir com ele até a casa
abandonada do terreno abaixo, onde nossas brincadeiras mais proibidas
aconteciam. Só faltava alguém corajoso para combinar com ele, etecetera e tal. Por sorte, o designado não fui eu, mas tudo foi
planejado e um ou dois dias depois, íamos em dez — exatamente, dez garotos
exalando adrenalina e testosterona — com o Paulinho puxando o bloco, para a tal
casa em ruínas, que servia de parque de diversões a todas as nossa brincadeiras e encontros lascivos. Assim que chegamos ao cômodo
devastado onde todas as tábuas corridas em melhor estado haviam sido roubadas,
o que nos forçava a pular para o que havia sido um ex-porão com chão de terra
batida, os mais ousados foram logo abrindo as calças e exibindo aos outros a
sua virilidade. Um certo tumulto foi gerado e quem pôs ordem no caos foi o
próprio Paulinho, certamente habituado à semi-histeria que situações como
aquela provocavam especialmente nos neófitos. Alguns o tinham cercado e já
passavam-lhe a mão puxando sua bermuda para tentar tirá-la. Foi ele que disse
que ia ser um de cada vez e que todos podiam tratar de formar fila. E lá fomos
nós, como se fosse a fila para escovar os dentes de um internato. Paulinho chegou perto do muro de pedra do tal
ex-porão, baixou a calça e a cueca até os pés, exibindo uma bunda bem feita,
lisa e empinada — seu maior motivo de orgulho — e chamou o primeiro. Não vou
descrever cada segmento porque seria cansativo, mas posso dizer que quando
chegou a minha vez — eu devia ser o sexto ou o sétimo — tudo estava bem
lubrificado e fácil de entrar. Cada um comia Paulinho até gozar dentro. Ele
gostava disso e o demonstrava dando instruções de como penetrá-lo e gemendo
quando se sentia correspondido. A maioria de nós tinha sexos bastante medianos,
mas os dois mais velhos deram um certo trabalho ao Paulinho, que não poupou
palavrões e ordens de parar ou interromper definitivamente. Mas não se
interrompe uma brincadeira dessas enquanto todos não estiverem satisfeitos! Sob
uma chuva de ameaças, Paulinho foi obrigado a suportar os dois dotados, cujo
desempenho nos impressionaria e marcaria para sempre. Tavinho e Robson — eram
seus nomes — quiseram que Paulinho chupasse um enquanto o outro o penetrava e
isso nos proporcionou um espetáculo inédito ao vivo. Paulinho gemia sem parar
com a tora de Tavinho por um lado e o igualmente avantajado membro de Robson do
outro. Sons desconexos saíam de sua boca cheia e ele foi forçado a se segurar
na cintura de Robson para não se desequilibrar. Ainda vejo o resto da turma, eu
dentre eles, em semicírculo diante da cena, de calças arriadas, segurando
nossos sexos duros, alguns se masturbando discretamente, outros absolutamente
empolgados com a experiência. Quando os dois maiores terminaram de se revezar
em Paulinho e terminaram de gozar dentro dele, houve um clamor de aprovação aos
dois "garanhões" do grupo, que se tornaram ainda mais admiráveis aos
olhos de todos. Quanto a Paulinho, ele fez uma breve pausa e continuou
recebendo um por um até saciar nós dez.
Devo admitir que minha experiência
particular foi menos emocionante do que a lembrança global que tenho do
episódio. Embora bem feito, Paulinho tinha um corpo grande e me incomodou um
pouco sentir-me menor do que a pessoa que eu penetrava. Ainda não sei explicar
bem isso, mas guardei essa impressão desse dia único.
— Deve ter sido
incrível mesmo, disse Marta, toda acesa. Sempre gostei de sexo com
muita gente. O máximo que fiz foi a três, mas quero arrumar um grupo daqueles
em que vale tudo para todo mundo. Sei que não foi o caso de vocês, mas me
excita pensar em muita gente nua de mente aberta e só pensando em transar.
— Vocês comeram esse
Paulinho várias vezes? perguntou Tiago, com um sorrisinho entre os dentes.
— Eu só participei
duas vezes porque perdi o interesse, mas sei que ele fez muita coisa com os
caras do prédio, inclusive com o Robson e o Tavinho individualmente.
— Claro, ele gostava
de pau grande!
— É, devia ser isso.
— Tomás, você não
tem nadinha para contar que não seja com o Marcos? Nadinha
mesmo? perguntou Marta.
— Nadinha mesmo. Eu moro num prédio chato,
cheio de velhos. Não acontece nada là.
— É verdade que isso
conta. Agora imaginem como é para mim, que moro em casa!
— Tem que se virar
com as professoras particulares! brincou Tomás.
— Ha! Ha! Não, falando sério, é muito mais
difícil. O que eu fiz até agora foi com namorado, algumas colegas da escola,
amigas de amigas... Quando se tem vizinhos é muito mais fácil acontecer desde
cedo.
— Isso é, respondi. Nunca me faltou
oportunidade. Se eu fosse menos tímido já teria feito de tudo até com umas
meninas de lá.
— Bom, isso está
resolvido, não é Marcos, lançou Marta, sorrindo maliciosamente para mim.
— Está? Você é que sabe, retruquei, com ar
de menino desamparado. Estou esperando a minha vez!
— Ah, eu queria
tanto ver vocês dois... disse Marta com ar pidão.
— Por mim, tudo bem,
respondi.
— Só topo se você
participar, Marta, lançou Tomás.
— Mas é claro que
vou participar! Eu disse que quero assistir, mas não sou
freira!
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