6. Relatos (cont.)
A Professora
Para simplificar,
vou resumir com as minhas palavras o que Marta nos contou. Ela teve, na
adolescência, uma professora particular de matemática. A partir de um
determinado número de aulas, ela notou que a professora a olhava de um modo um
tanto penetrante. Resolvida a descobrir que atitude era aquela, Marta passou a
escolher dias em que que a mãe saía para receber a professora vestida com uma
blusa por cima da pele, os primeiros botões abertos. Ela logo percebeu que
aquela mulher de cerca de vinte e seis anos, sentada ao seu lado, olhava
insistentemente para dentro da sua blusa. Marta continuou a se vestir assim até
que cerca de três semanas depois, resolvendo um exercício enquanto a professora
estava de pé por trás dela, sentiu uma mão pousar suavemente em seu ombro e
descer por dentro da blusa para ir acariciar seus seios. Foi um instante de
silêncio profundo e de intensa emoção. Pela primeira vez, Marta se sentiu
molhada por um estímulo não diretamente provocado por ela própria. Muito
perturbada, a professora encerrou bruscamente a aula e Marta nunca mais teve
mais notícias dela.
Me Lembro que
quando Marta terminou de contar, Tomás estava no auge da agitação.
— Que aula, hein!
Você se lembra qual era o assunto do dia, Marta? Ha! Ha!
— Engraçadinho!
retrucou ela. Claro que naquele dia a aula praticamente não existiu. Apesar de
ter armado aquilo tudo, eu estava nervosíssima.
— Você teria ido mais além com a professora?
— Não sei, porque ela era muito mais velha que eu. Eu queria mais provocar, saber qual era a
dela, e tive a minha resposta. Mas aquilo me marcou porque foi ali, naquele
dia, que eu fiquei sabendo que mulher pode gostar de mulher e, principalmente,
que eu era capaz de me sentir excitada por uma mulher.
— Ela se apaixonou por você, Marta, comentei.
— Certamente! E
teve medo dessa paixão, por isso não voltou.
— De certa forma, é bonito, acrescentei.
— Também acho, mas eu não estava preparada para
encarar uma relação com uma pessoa tão mais velha que eu. Me lembro que naquela noite, sonhei que ela
me levava até perto da minha cama, tirava toda a minha roupa e, me fazendo
deitar, se ajoelhava e enterrava a cabeça entre as minhas coxas. Poucas vezes
tive um orgasmo tão forte me masturbando, como na noite daquele sonho. Aquilo
me apavorou porque ela era adulta e parecia séria em suas intenções.
— Imagino... Acho
que ela teria ido bem mais longe se as aulas tivessem continuado.
— E o engraçado é que essas coisas, a gente não conta
nunca para ninguém. Quem disse
que quanto mais jovem, menos se sabe guardar segredo?
— Eu sempre guardei segredos, e isso me ajudou muito. Quando se revela um segredo, perde-se o
controle dele.
— Você está certo.
Mas agora conte a segunda história, Marcos. Qual era mesmo? Você falou de
experiência em grupo.
Como foi isso?

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