5. Relatos
Quero lembrar que
naquele momento estávamos os três completamente nus, conversando com toda
naturalidade. Foi um dia único que nunca mais se repetiu em minha vida e talvez
por isso tenha ficado intacto na memória. Quando comecei a
contar algumas das minhas experiências, sobretudo com vizinhos do condomínio
onde eu morava desde os doze anos e ficaria até os vinte e dois, uma harmonia
serena se instalou entre nós três, como se nos conhecêssemos desde sempre. Minhas
aventuras eram corriqueiras: passadas de mão, roçadas, masturbações a dois, a
três ou em grupo, taras pelas bundas mais empinadas e provocantes do condomínio
e, bem mais raramente, uma tentativa outra de penetração, quase sempre
frustrada. Mas houve três feitos notáveis: uma experiência por assim dizer
"mágica", uma aventura excepcional em grupo e uma transa mais
recente, com alguém com quem eu ainda tinha contato na época desse relato à
Marta.
— Me conta essas três últimas, vai Marcos, pediu ela.
— Isso! tornou a implicar Tomás, com um riso
sarcástico. E ele só vai te contar as vezes que ele comeu, Marta, não as que
ele deu!
Não dei maior atenção ao meu amigo, julgando-o
dividido entre o despeito em relação ao passado e o excesso de autoconfiança
conferido pela sua iniciação, momentos antes. Eu ainda não havia sido passivo,
mas não tinha nada contra isso e não quis discutir com ele naquele momento. Dirigindo
minha atenção para a Marta, comecei a relatar minhas três aventuras dignas de
nota.
Colisão Mágica
— Minha primeira penetração bem sucedida foi realmente
inesperada. Um vizinho meu, Luís, ia sempre lá em casa porque era fascinado
pela minha coleção de carrinhos Matchbox, que ficava exposta em prateleiras de
vidro que ocupavam uma parede inteira. Naquele dia, Luís e eu estávamos na
piscina quando ele me pediu para ir lá em casa ver os carrinhos. Ele era
fascinado por acidentes mirabolantes em que imensas jamantas iam se aproximando
de pequenos carros esporte até colidir com eles e arrastá-los por quilômetros
antes de jogá-los ribanceira abaixo. Meu quarto tinha uma ampla cama de
cerca de 90cm de altura, com gavetas e armários embaixo, o que permite ficar de
pé e usá-la quase como se fosse uma mesa, e era nela que o Luís montava as
cenas de acidentes. Ele gostava que eu assumisse a direção de um caminhão
e o perseguisse até que ele, em
seu Porsche ou BMW, por mais possante que fosse, decidisse
que era hora da acoplagem mortífera.
Não sei explicar como tudo começou, mas acho que o
fato de estarmos de sunga e de ver o Luís naquela posição muito debruçada me
excitou. Me lembro que acabei dando um jeito de passar por trás dele várias
vezes, sempre roçando meu corpo no dele e sentindo a ereção se armar de vez. Quando
me certifiquei de que ele não estava se importando, tomei coragem e fiquei por
trás dele, esfregando-me explicitamente.
Eu estava preparado para ouvir um "Para!",
mas a resposta não veio e o Luís me pareceu estar gostando daquilo. Em todo
caso, a sorte estava lançada; eu já nao conseguia mais interromper o jogo. A
certa altura, senti que ele começou a acompanhar meus movimentos, oferecendo-se
debruçado e de pés afastados bem plantados no chão; foi o sinal de que eu
precisava para ter a certeza de estar sendo correspondido. Tenso de desejo,
perguntei se podia baixar a sunga dele. Não recebendo oposição, desci-a até o
meio das coxas e o próprio Luís terminou de tirá-la enquanto eu me livrava da
minha.
Sentir meu pau colado entre aqueles dois gomos
brancos, redondos e saltitantes de tão firmes foi a primeira sensação
incrivelmente intensa da minha vida. Luís parecia pronto, querendo continuar,
querendo tudo, rebolando ao contato quente do meu corpo. E foi nesse instante
que se deu a mágica inexplicável desse encontro. Sem nada além do meu próprio
líquido para lubrificar a área, nós estávamos tão prontos e com tanta vontade
de viver aquilo que eu só precisei encontrar o ponto exato, pressionar e
entrar. Não doeu, ele não gritou, não me fez parar, não me empurrou para trás,
foi só emoção e um intenso prazer. Acho que nossas alturas e a posição eram
perfeitas, as proporções dos nossos corpos também. O que posso garantir, Marta,
é que ele adorou me sentir dentro dele, adorou o vaivém e adorou os momentos
finais, quando gozei dentro dele. O mais curioso, nisso tudo, é que foi
uma única vez. Eu sempre quis repetir, sempre tive muito tesão pelo corpo do
Luís, mas dali em diante nós fomos apenas dois amigos que guardavam um segredo.
Ele ainda mora lá, está no colégio São Bento e nos damos super bem.
— Uau! Que transa hot! Agora me responde sinceramente:
ele não quis trocar com você?
— Não, talvez porque eu fosse um ano mais velho, não
sei. Eu não teria negado, mas isso parece nem ter passado pela cabeça dele.
— Você notou se ele ficou excitado também?
— Não reparei. Quando terminou, dei uma olhada e o pau
dele estava entre o mole e o duro.
— Você acha que ele é gay hoje?
— Olha, não vejo muito o Luiz namorar, mas acho que
não; ele é todo metido com esportes... Mas a verdade é que não dá para saber
porque ele pode muito bem esconder isso.
— É verdade, é difícil mesmo. Mas achei a história um
tesão. Depois disso vocês nem se "estranharam" um pouco?
— Acho que não nos vimos logo nos dias seguintes, mas
me lembro dele sempre sorrindo e legal comigo e eu com ele.
— Conta uma história sua com menina, Marta, pediu
Tomás, com uma voz calma e grave de garanhão saciado.
— É Marta, conta alguma coisa para a gente, reforcei.
— Então vou contar uma coisa que aconteceu muito
rápido mas que me despertou para essa possibilidade de gostar de gente dos dois
sexos.

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