A primeira vez que ela esteve lá em casa, não percebi nada, era só mais outra
amiga da minha irmã e, se me deixou alguma impressão, foi a de ser um pouco
mais familiar que as outras. Vera era toda menininha, os cabelos compridos e
muito louros escorrendo por sobre os braços longos, terminados por duas mãos
muito bonitas. E o rosto! Era lindo, angelical, com grandes olhos cinza que as
sobrancelhas bem feitas tornavam ainda mais expressivos. E lábios sensuais,
carnudos na medida justa. Seu corpo era magro, os seios deviam ser bem pequenos
e a bundinha miúda parecia perfeita. Era uma menina bonita, de uns dezessete
para dezoito anos, mas com um não-sei-quê de familiar, embora indecifrável.
Quando ela ia lá em casa eu parava fosse o que estivesse fazendo para ir
conversar a três, no quarto de minha irmã Carla, que devia ter, nessa época,
cerca de dezenove anos. As duas se entendiam maravilhosamente bem e eu tinha a
impressão de que, certas vezes, quando Vera falava, minha irmã ficava em
profunda contemplação. Sua expressão era de alguém maravilhado com alguma coisa
que só ela via. Inexplicavelmente, eu experimentava a mesma sensação e não
conseguia descobrir se estava apaixonado ou não porque, ao mesmo tempo que Vera
exercia fascínio sobre mim, havia algo que me impedia de avançar normalmente,
como sempre fiz com toda mulher que desperta meu interesse. Durante meses a fio
vi aquela menina entrar e seguir minha irmã até o quarto, depois sairem
saltitantes, de mãos dadas, para preparar lanches na cozinha ou assistir DVDs
na sala. Várias vezes a vi chegar sonolenta à cozinha, para o café da manhã,
quando as duas tinham virado a noite fazendo trabalhos de universidade, uma
instalada na mesa, a outra estendida na cama com o caderno a meio palmo dos
olhos. Elas eram como as duas melhores amigas do mundo e não havia dúvida de
que a coisa de que mais gostavam era estar juntas.
Meses se passaram e
eu continuava sentindo aquele estranho misto de atração e incapacidade de tomar
qualquer iniciativa. Do beijinho no rosto, logo fomos tomando intimidade, a
ponto de brincarmos bem livremente; a ponto de, um dia, Vera vir sentar-se em
meus joelhos e tapar-me os olhos para me dar seu presente de aniversário.
Nesses momentos de muita proximidade, eu sentia seu cheiro, olhava-a de perto,
percorria seu pescoço e tentava invadir sua blusa com os olhos enquanto
avaliava as formas de suas coxas sobre minhas pernas. Mas, sobretudo, procurava
desesperadamente seu olhar, coisa que se revelou logo impossível porque Vera
dava um jeito de nunca me olhar diretamente nos olhos. Quando eu comentava isso
com minha irmã, ela me dizia que achava perfeitamente natural que Vera não me
encarasse, porque isso poderia gerar confusões e "era claro" que ela
não estava a fim de mim. Essa afirmação categórica me espantou um pouco mas,
como Carla sempre foi extremamente possessiva, eu creditava isso ao seu
entusiasmo pela nova amiga e passava um longo tempo sem tocar mais no assunto.
Mas o tempo foi
passando e meus pais e eu começamos a fazer os cálculos, que nos levaram ao
seguinte resultado: Carla jamais ficara tanto tempo com a mesma "melhor
amiga". Conclusão deles: a filha deles havia mudado radicalmente, devia
estar amadurecendo. Conclusão minha: minha irmã estava escondendo alguma coisa.
A conseqüência foi que mudei de atitude e vesti a capa do investigador. Minha
atenção triplicou em relação aos menores detalhes concernentes às duas, desde o
simples cumprimento à porta de entrada, o comportamento à mesa, a troca de
olhares, os objetos que ela trazia, até os vestígios que ela deixava por onde
passasse. Certa vez, abri cuidadosamente a porta do quarto de minha irmã
enquanto ambas dormiam. Avistei as duas na cama, mas não havia qualquer indício
de maior intimidade entre elas, que dormiam angelicalmente, cada uma virada
para um lado. Em outra ocasião, consegui abrir a bolsa da Vera, mas não havia
nada que qualquer menina de sua idade não enfiasse na bolsa; estava tudo lá,
inclusive o inseparável diário e, dentro dele, camisinhas. Li algumas páginas,
mas não descobri nada de anormal: paqueras, beijos, encontros, compras, festas,
choro, brigas com os pais ou irmãos, datas de provas, pânicos, alegrias,
tristezas. Não havia nada que chamasse a minha atenção naquele diário de menina
adolescente de zona sul do Rio de Janeiro.
Um belo dia, Vera apareceu lá em casa e fui eu que atendi porque minha irmã não havia chegado. Ela sorriu e perguntou se podia esperar. Respondi que não havia o menor problema e a convidei a entrar. Nos sentamos na sala, ela na poltrona e eu no sofá. Ela estava usando um vestido muito curto, que a forçava a fechar bem as pernas. Tínhamos sempre muito assunto porque estávamos em boas universidades, vivíamos cercados de gente e fazíamos o circuito dos cinemas "cult" e dos teatros do Rio, para não falar das férias, que nossa família fazia questão de passar no Brasil, sempre em lugares diferentes e cheios de história. Vera era filha de um grande empresário da informática – ocupadíssimo e sempre ausente – e de uma atriz neurótica e igualmente ocupada. Ela estudava teatro e levava uma vida bem febril. Pelo que comecei a entender, nossa casa era para ela um tipo de "porto", um lugar tranquilo onde ela tinha tempo para introspecções. É claro que eu desconfiava de que ela e minha irmã estivessem vivendo algo mais do que um simples grude de garotas, mas não era isso que me incomodava, até porque Carla já se havia pronunciado claramente sobre esse tema, dizendo que era escrava da beleza, não importava o gênero. Não havia uma ida às boates sem que ela desse uns beijos em mulheres que eu teria adorado levar para a cama! O que me incomodava era que aquela estranha sensação do início não havia meio de passar. Já nos conhecíamos há uns seis meses e eu não me livrava daquela curiosidade de descobrir um "algo mais" para o qual me faltavam quaisquer hipóteses. Naquele dia, sentado diante de Vera e sabendo que minha irmã – que estava com um bando de amigos – se atrasaria muito (se é que viria para casa, pensava eu), resolvi me abrir. Busquei seu olhar com o meu e, quando ela fez que ia escapar, pedi que me olhasse nos olhos, bem nos olhos. Ela resistiu no início, mas acabou consentindo. Pela primeira vez pude ver suas pupilas imóveis e no mesmo eixo que as minhas. Os enormes olhos de gato produziam um olhar que me invadia como um ponto de interrogação. Ela queria conhecer meu intuito. Tentando me controlar, para não esmorecer depois de tanto tempo de espera, preparei-me para perguntar o que havia nela de tão misterioso. O que consegui, no entanto, foi apenas dizer-lhe que, com qualquer outra menina, tanto tempo de convivência já teria resultado, no mínimo, numa troca de beijos. Vera sorriu meigamente, inclinando o rosto e baixando os olhos. Naquele momento, meu coração disparou, um arrepio percorreu-me o corpo e me senti perdidamente – infinitamente – apaixonado. Saltei para o tapete e, diante dela, de joelhos, as mãos em suas pernas, procurei mais uma vez roubar segundos daquele olhar tão raro. Ela concedeu e, invadindo com as mãos o meu cabelo por trás da orelha disse, com toda a franqueza do mundo: "Não dá, Caio". Um arrepio percorreu-me o couro cabeludo, disparou pescoço abaixo e foi morrer no meio do tronco. Eu tinha certeza de ter a intuição correta sobre a razão da recusa, mas essa intuição ainda se confundia com a explicação mais óbvia: a relação entre Vera e Carla. Quando exprimi o porquê, Vera obviamente limitou-se a declarar que gostava de minha irmã. Deixei-me sentar sobre as pernas, sentindo-me aturdido e consternado. Ela recostou-se na poltrona mas continuou a olhar-me, cheia de empatia.
Eu estava esgotado;
tinha acabado de viver uma verdadeira cena de declaração de amor. Contudo,
encontrei forças para reorientar-me e perceber que, de onde eu me encontrava, o
ângulo me permitia olhar por dentro do vestido curto. Preparei-me para a
invasão e, durante um piscar de olhos de Vera, mergulhei entre suas coxas.
Rápido demais; logo tive que voltar aos olhos. Mas ela não percebeu nada,
portanto preparei uma segunda incursão. Desta vez consegui mais tempo, porque a
empregada passou por trás de Vera, fazendo uma brincadeira qualquer que a fez
virar a cabeça para retribuir sorrindo. Suas pernas se entreabriram e consegui
chegar à calcinha branca. Coxas lindas, lisas, douradas, recobertas de pelos
curtíssimos cuidadosamente alourados. Mas aquele corpo me era familiar,
indubitavelmente, embora não me ocorresse explicação consciente para aquela
curiosa sensação de familiaridade. Sempre peço às mulheres com quem transo para
me deixarem enfiar a mão por dentro de suas roupas e percorrer suas calcinhas
para sentir o tecido bem esticado e, bem no meio, o risco da fendinha. Eu
também adoro vê-las só de calcinha bem justa, sentadas ou deitadas, para
apreciar aquela concavidade tão sensual antes de lançar-me sobre ela,
mordiscá-la e lambê-la, fazendo com que sua dona jogue as pernas para cima e
exponha os risquinhos e as polpas da bunda. Pois bem, em Vera, todo aquele
estímulo invariavelmente causado pelas calcinhas não se produziu e,
paradoxalmente, tudo o que habitualmente tanto me excitava me pareceu
diferente. Infelizmente, quando comecei a investigar o restante do que era
possível ver, Vera fechou as pernas e puxou a borda do vestido um pouco para
baixo, como se fosse possível alongá-lo mais. Gelei de imediato, mas logo
percebi que era apenas um gesto habitual e que ela não havia percebido nada,
continuava a olhar-me, agora até mais sorridente, talvez porque meu aspecto
estivesse menos infeliz. Mas fomos interrompidos pelo barulho da chave na porta
e a voz alegre de Carla perguntando se havia alguém em casa. O rosto
de Vera se iluminou, parecendo aliviado; seus traços se recompuseram e ela se
levantou pronunciando sonoramente o nome da minha irmã. Instantes depois, pude
ouvir o ruído característico de um estalinho enquanto elas pecorriam cochichando
o corredor em direção ao quarto de Carla. Respirei fundo e fui me preparar para
sair; eu sabia que, daquele dia em diante, nada seria como antes.
Meu sono passou a
ser tumultuoso, cheio de sobressaltos e pesadelos que me acordavam regularmente.
Neles, eu via Carla sendo possuída por Vera, que a cavalgava fazendo vigorosos
movimentos de cópula, espremendo seus seios com as mãos e introduzindo a língua
em sua boca. Quando a cena era por demais realista e me fazia sentir ter
perdido qualquer chance de conquistar Vera, eu me levantava e ia à cozinha
beber um copo de leite. Eu aproveitava para colar a orelha na porta do quarto
de minha irmã, na esperança de ouvir algo que revelasse de uma vez por todas
aquilo de que eu queria ter certeza. Mas nada, jamais escutei qualquer ruído.
Fazia quase um ano que eu tinha visto Vera pela primeira vez lá em casa e,
entre ela e minha irmã, tudo se passava como se tivessem acabado de se conhecer.
Numa noite
quentíssima de janeiro, eu estava sentado numa cadeira da cozinha, com um copo
de leite gelado nas mãos, quando ouvi o girar de uma maçaneta e um ruído de pés
descalços na direção do banheiro. Em sucessão rápida, ouvi barulho de tranca de
porta, de xixi na água do vaso, de descarga, de água saíndo da torneira, de
cano de toalheiro rodando, novamente de tranca de porta e – para desespero meu
– de passos em direção à cozinha! Não tive tempo de pensar em nada, mas meu
corpo empertigou-se todo, sozinho. Em pânico, vi Vera surgindo pelo batente
esquerdo e, colocando teatralmente as mãos na cintura perguntar, em tom de
bronca mas com a voz mais simpática do mundo: "O que é que você está
fazendo aqui a essa hora, garoto?!" Eu, que estava sentado de frente para
a porta, portanto, de frente para ela, sorri com a cena, experimentando uma
verdadeira sensação de alegria. Vera entrou e foi até a geladeira pegar água,
que ela verteu no copo e ficou tomando em pequenos goles, de pé. A estranha
sensação de familiaridade assaltou-me a mente quando comecei a olhar para
aquela menina bebendo água. Havia algo na postura, nos gestos, na maneira de
empunhar o copo, no ângulo de elevação da cabeça, que eu conhecia tão bem
quanto a mim mesmo! Vera estava usando um short azul curto de bocas bem abertas
e uma camiseta Hering branca. A primeira coisa que saltava aos olhos era o
peito, quase tão plano quanto o meu, não fossem dois biquinhos que marcavam a
camiseta mais do que os meus marcavam a minha. O cabelo, que ela tinha arrumado
rapidamente, passando a parte que incomodava por trás das orelhas e deixando o
resto pender, caia reto pelos ombros e costas. Reparei como ela tinha pernas
fortes, pés bem cuidados e unhas impecáveis. Imaginei uma barriguinha reta e
dura, ornada de um lindo piercing umbilical, e isso me provocou um arrepio de
excitação. E como os braços eram longilíneos! As mãos não eram tã frágeis, mas
os braços eram de uma delicadeza de rara feminilidade. Os três ou quatro goles
d’água suficientes para esvaziar o copo pareceram multiplicar-se por mil para
permitir-me encontrar a resposta ao que tanto me intrigava. Vera finalmente
pousou o copo sobre a pia e, espreguiçando-se como uma bonequinha de desenho
animado, fez-me desejar levá-la nos braços de volta para a cama. Ela estava de
costas para mim. Isso me deu coragem. Levantei-me rápida mas silenciosamente da
cadeira onde estava, dei dois passos em sua direção e abracei-a firmemente por
trás, colando meu corpo todo ao seu e grudando minha boca à sua orelha direita.
A primeira reação
de Vera foi um sobressalto; ela empertigou-se toda, cessando imediatamente de
espreguiçar-se e baixando os braços para tentar desvencilhar-se dos meus. Mas
eu a agarrava com força e com tanta paixão que ela deve ter sentido meu calor
passando para o seu corpo. Meu sexo estava endurecendo rápido, em contato com
os dois gomos contraídos. Enterrei o rosto entre os cabelos de Vera à procura
de sua nuca, que comecei a beijar e morder para tentar acalmá-la como um leão
que se prepara para copular. Pouco a pouco fui sentindo suas mãos afrouxarem
sobre meus antebraços. Seu tronco amoleceu e finalmente ela se ofereceu ao meu
corpo, encaixando-se nele e deixando-me sentir a firmeza macia dos dois gomos
agora descontraídos. Eu sussurrava: "Estou louco por você... louco!",
sentindo suas orelhas com os lábios. Ela foi então virando o rosto para a
direita e pude sentir a face lisa contra a minha boca que ia em direção à sua.
Quando nossos lábios se encontraram, ela repousou a cabeça no meu ombro
esquerdo e me deixou introduzir a língua profundamente em sua boca. Meu sexo
pulsava incessantemente, livre dentro do short mas comprimido contra aquele
corpo que eu desejava inexplicavelmente mais do que tudo no mundo. De repente,
senti uma das mãos de Vera contra ele, percorrendo-o da base à extremidade,
apertando-o, masturbando-o lentamente por fora da roupa. Isso desinibiu-me e
incitou-me a soltar os braços e a percorrer mais livremente o seu corpo. Levei
as duas mãos aos seus seios nus, por baixo da camiseta e comecei a
acariciá-los. Não havia mais do que dois bicos entumescidos numa ínfima
elevação. Vera empinou-se toda quando comecei a pressionar e torcer levemente
os mamilos com as pontas dos polegares e indicadores. Meu pau se alinhou com
sua bunda e isso me fez desejar possuí-la por trás, de pé, ali mesmo. Bastaria
que ela se debruçasse sobre o balcão ao pé do qual ela estava e teríamos nossa
primeira relação sexual. Eu estava a pronto e com medo de explodir em gozo ao
primeiro contato com seu corpo nu.
Mas Vera hesitava
em deixar-me prosseguir. A cada vez que eu tentava levar minha mão ao seu sexo,
ela me continha segurando meu braço e beijando-me com o máximo de intensidade,
fazendo-me sentir sua bunda contra meu membro em rigidez crescente. Uma vez
consegui descer até a junção de suas coxas unidas e, por dentro da calcinha,
sentir seu baixo-ventre até a parte recoberta de pelinhos curtos. Isso elevou
minha excitação a um ponto tal que cheguei a cochichar em seu ouvido:
"Vera, eu preciso te sentir, preciso entrar em você!" Ela voltou a me
beijar, acariciar-me o rosto e, pela primeira vez, comecei a senti-la se
virando completamente para mim, ficando abraçada comigo, beijando-me de língua
e acariciando-me as costas. Louco de tesão, passei ambas as mãos por dentro de
seu short e agarrei os dois gomos que eu começava a conhecer tão bem. Eram
pequenos mas perfeitamente arredondados e salientes. Vera deixou-me livre para
apalpar sua bunda e me fez saber discretamente que eu podia explorá-la sem
medo. Entendi e, com a mão direita espalmada, comecei a percorrer o rego com o
dedo médio, até encontrar o pequeno orifício que pôs-se a pulsar contra a parte
carnuda do dedo. Enquanto isso, nos beijávamos febrilmente, esfregando nossas
línguas molhadas e colhendo saliva um do outro. Meu pau era como uma barra de
aço atravessada em meu short. Eu sentia a cabeça espremida entre nossas
barrigas e uma leve sensação de masturbação devido aos movimentos resultantes
da pressão das minhas mãos sobre os dois deliciosos gomos da bundinha lisa e
carnuda.
Eu não podia mais
de excitação e Vera sabia disso. Se eu continuasse a boliná-la daquele jeito,
ia acabar gozando no short. De repente, senti sua boca descolar da minha e a
pele lisa de sua bunda deslizando pelos dedos de minhas mãos. Vera agachou-se,
baixou o elástico do meu short e colheu meu pau duríssimo com a boca. Tive
que me apoiar na bancada para não desabar de tesão. Seus olhos se elevaram e
encontraram os meus. Ela tinha uma expressão firme no olhar, muito bonita. Dei
um sorriso de prazer e percorri os cabelos louros com uma das mãos enquanto,
com a outra, eu ajudava o vaivém que eu tinha iniciado. Ela acariciava minhas
coxas, por trás, pela frente, indo até minha bunda e voltando até a panturrilha
contraída. Como Vera chupava bem! Seus lábios pressionavam com força o tronco
do meu pau e a língua, apertando-o contra o céu da boca, imobilizava-o quase.
Então ela o sugava como se fosse arrancar o gozo. Posso dizer que eu nunca
tinha sido chupado daquela maneira. Parecia que ela tinha um conhecimento intuitivo
do corpo masculino, tal era sua intimidade e falta de receio de lidar com o
meu. A noite avançava e, na cozinha, só se ouvia o tic-tac de um relógio e os
ruídos salivares daquela felação que ia me levando ao paroxismo do êxtase e do
desejo.
Depois de chupar
meu pau com muita vontade, Vera levantou-se e, esfregando-se em mim, veio
novamente beijar-me. Seu sabor somado ao meu, a saliva e o calor dos nossos
corpos me deixaram num estado tal que pedi novamente: "Quero entrar em
você... você tem que me deixar entrar... Deixa, vai!" Senti a mão de Vera
em meu pau, seus dedos deslizando contra a cabeça encharcada. Ela parecia
querer certificar-se de de alguma coisa. Mais uma vez, ela girou o corpo e
ficou de costas contra mim. Enlacei-a e senti meu membro pulsar contra o rego
do bumbum delicioso. Instantes depois, senti o roçar do tecido de seu short e,
dando uma rápida olhada, pude ver que Vera estava nua da cintura para baixo.
Ela deu um nó na barra da camiseta e sua bunda pareceu despontar bruscamente do
final das costas, muito empinada. Imediatamente fiz com que meu short caísse
até os pés e nossos corpos voltaram a colar-se. Logo senti meu membro entre os
dois gomos e minha glande deslizando sem atrito no corpo de Vera molhado pelo
meu líquido. Eu estava um pouco agitado, não sabendo se a segurava pela cintura
ou se a envolvia pela barriga. Havia movimento entre nós. Vera então tomou a
iniciativa de empunhar firmemente meu pau e direcioná-lo para frente, na
posição apropriada. Eu iria penetrá-la de costas, era assim que ela parecia
preferir. Eu não iria jogá-la na mesa, nem iríamos para o meu quarto. Ela
preferia debruçar-se sobre o balcão do móvel da cozinha e fazer-se penetrar de
costas. Essa posição não me desagradava e, mesmo não sendo o cara mais experiente
do bairro, eu me virava direitinho para não cometer o ridículo erro dos
adolescentes. Era uma posição ótima para o homem que, além de ficar de pé,
podia continuar a afagar os seios, a beijar a nuca e a boca, a explorar o
clitóris com os dedos e, de vez em quando, segurar os dois gomos e separá-los
ligeiramente para ver o pau entrar e sair. Quando me vi em posição e me dei
conta de que a única coisa que eu precisava fazer era ir em frente, tive a
estranha sensação de estar sendo conduzido, mas isso tornou as coisas ainda
mais fáceis. Vera empunhava meu membro e pincelava-se com ele, passando por
dentro do rego. Quando ela parou, empinou a bunda, afastou ligeiramente as
pernas e me fez sentir que eu estava apontado para o lugar certo, descobri que ela
mesma queria me guiar até o fim.
Com as mãos
apoiadas no balcão, uma de cada lado de Vera, comecei a forçar a cintura para
frente. Ela apertava o meu pau com força e o mantinha na direção certa. Comecei
a fazer pressão para frente. Senti na glande aproximadamente a mesma pressão
que a mão de Vera estava fazendo contra o tronco do membro. Vera me induziu a
ir e voltar algumas vezes, certamente para alargar a entradinha e colher
líquido lubrificante. Na terceira ou quarta vez, senti a cabeça sendo tragada
para dentro e a pressão dos dedos de Vera ser substituída pela pressão de seu
corpo. Ela agora envolvia meu saco com os dedos e deixou o polegar por cima do
final do meu membro. Sua coluna vertebral estava profundamente arqueada e a
bunda completamente empinada, o que me levou a segurar Vera pela cintura e
começar a mexer. Na minha cabeça, a impressão de estar comendo a bucetinha mais
linda, mais apertada e mais desejada de minha vida causava-me uma inexplicável
euforia parecida com a embriaguez. Eu via Vera entregar-se ao balanço natural de
seu corpo empurrado pelo meu. Ela gemia muito baixinho, porém continuamente. O
que eu ouvia era mais uma respiração ofegante do que propriamente um gemido. De
vez em quando ela passava a mão por baixo das coxas e vinha afagar-me o saco a
cada final de penetração. Mas ela gostava de juntar e apertar as coxas,
cruzando as pernas, talvez para sentir melhor meu membro em seu interior ou,
menos egocentricamente, para me dar aquela deliciosa sensação de resistência,
que elevava minha excitação ao paroxismo. Em momento algum deixei de sentir meu
pau deliciosamente pressionado. Em minha fantasia, tudo se passava como se Vera
fosse uma menina virgem, cuja anatomia do corpo fosse a responsável pela
contínua sensação de pressão que eu sentia no membro. É óbvio que, a partir de
certo tempo, ele passou a deslizar quase livremente para dentro e para fora,
mas a sensação da pressão homogeneamente distribuída em torno da circunferência
do pau foi constante.
Duas ou três vezes,
propus a Vera que trocássemos de posição, mas ela não quis. Com efeito, ela
parecia completamente levada pelo êxtase, assim, de costas, apoiada na bancada
da pia, deixando-se guiar pelos meus impactos contra o seu corpo delicioso.
Como era nossa primeira vez, não insisti. Durante longos minutos, mantive um
ritmo estável de longas estocadas, a ponto de conseguir sair completamente dela
e tornar a mergulhar precisamente de volta, arrancando um gemido mais forte e,
numa voz choramingada: "Mete... mete tudo... mete assim!" E ela me
agradecia vindo acariciar-me as bolas. Depois tornava a fechar as coxas, a
cruzar as pernas e eu voltava a sentir a menininha virgem. Ela então erguia-se
um pouco e levava minha mão até seus pelinhos, mas não me deixava ir além.
Minha teoria do estímulo clitoriano estava indo abaixo, com essa misteriosa
garota que não me deixava atingi-lo! Eu sentia pela anatomia de seu corpo que
descer um pouco mais a ponta do dedo pela camada de pelinhos curtos e encontrar
a cabecinha vermelha e entumescida do clitóris era questão de milímetros! Mas
eu não podia ser rude e não queria sê-lo. Atingido o limite, portanto, eu
recuava e ficava acariciando o baixo-ventre, a barriga, o umbigo que – acabei
descobrindo – tinha mesmo um piercing, descoberta que me excitou ao ponto de
multiplicar minha fantasia e de me fazer anunciar o orgasmo.
Para espanto meu,
Vera pediu: "Goza dentro..." Fiquei perplexo e eufórico ao mesmo
tempo. Logo saí da dúvida e continuei meus movimentos com mais liberdade ainda,
para logo entrar em espasmos que obrigaram Vera a agarrar-se nas bordas do
balcão. Eu sentia meu pau ir e voltar quase sem atrito. Comecei a sentir muito
calor e a suar copiosamente. Atingido o limite, desencadeou-se um orgasmo
tão intenso que, a cada jato, eu puxava violentamente Vera para mim. Ao mesmo
tempo, ela foi ficando também ofegante, convidando-me a meter mais e mais, até
o fim. Tive a impressão de inundá-la com meu esperma.
Apesar do orgasmo
intensíssimo e copioso, eu estava alucinado de tesão e queria mais, queria ver,
queria tocar. Desejei ver minha obra, desejei invadir com os dedos aquele
orifício que – quem sabe? – eu tinha acabado de deflorar. Olhei para baixo, vi
meu membro encharcado e grosso entrando e saíndo rapidamente. Agarrei por baixo
os dois gomos avermelhados pelos sucessivos impactos e separei-os bem. Foi
então que reparei que não havia nada acima do ponto de penetração. Forcei mais
os gomos para fora e pude enfim ver a entrada. Vera voltou-se para trás e,
perguntou: "O que foi?", numa voz ansiosa.
- Você acredita que
eu não percebi que estava... atrás? declarei, consternado com minha inépcia.
- Não? respondeu
ela, numa estranha entonação e já abaixando-se para repor o shortinho.
Eu estava tão
apaixonado, me sentindo tão ligado a ela depois de termos tido tanto prazer
juntos que, assim que ela se recompôs e pude olhá-la nos olhos, lancei, de
chofre:
- Você é virgem?
- Caio, de uma
maneira ou de outra, por mim, pela tua irmã ou por outro, você vai acabar tendo
que saber...
Ela pegou minha mão
e, olhando-me profundamente nos olhos com um olhar que eu só vira nas meninas
com quem eu terminara uma relação, convidou-me a acariciá-la diretamente entre
as pernas. Levou alguns segundos, mas quando caí em mim, tive a certeza de que
a dúvida me aflorara antes que a paixão e a louca excitação a varressem para
longe e a substituissem pela volúpia. Eu soubera, ainda que por breves
instantes, que aquele corpo me era tão familiar quanto o meu próprio corpo, mas
o desejo me cegou e desfrutei dele como se fosse o de uma linda mulher.
Naquele momento,
não me foi possível dizer sim ou não; não me foi possível sequer pensar. Vera
afastou-se de mim em silêncio e não a vi no dia seguinte, assim como nunca mais
a veria em minha casa. Minha irmã continuou por algum tempo falando dela como
de sua melhor amiga, mas logo apareceu com outra, como outras tantas traria
depois daquela. Por muito tempo, chorei a Vera que amei mas não soube merecer.
Anos mais tarde, adulto, lembro-me dela sobretudo em sonho, com seu rosto de
beleza indecifrável emoldurado no cabelo tão louro, a interpelar-me pelo olhar
misterioso e infinito: "E hoje, você estaria preparado?"

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