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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

A Odisséia de Aninha (folhetim, episódio final)

40. Círculo Onírico?

São dez em ponto. Com um suspiro e tomando coragem para iniciar um segundo programa que certamente terminará em sexo, Aninha está prestes a enfiar um vestido de noite quando o telefone toca. A foto de Maximiliano não deixa dúvida e ela atende com um alô tímido. Ele começa a falar com uma voz desanimada e após desculpar-se declarando-se profundamente desapontado e envergonhado, desmarca o encontro alegando razões que fogem ao seu controle. Aninha se ilumina toda e um enorme alívio se instala em seu ser. Mesmo assim, ela faz uma voz compungida que emerge do "biquinho" comovente que não passa despercebido ao chefe.
- Não fica assim, Ana. Vamos recuperar isso o mais rápido possível, está bem?
- Fiquei tristinha, mas se você está prometendo, eu acredito.
- Essa é a boa atitude, Ana. Boa noite, então.
- Boa noite.

Quando Maximiliano desliga, Aninha deixa-se cair no sofá, achando graça da sorte que deu. O longo banho que ela acaba de tomar fez bem, mas ela sente-se mentalmente cansada após o primeiro dia de trabalho somado à intensidade da sessão de sexo no loteamento com Ricardo e toda e expectativa que acaba de dissipar-se. Ela faz um lanche frugal na cozinha e, contrariando seus hábitos, mete-se na cama antes mesmo das dez e meia, fechando os olhos quase instantaneamente.
- Aninha! Aninha! Acorda! sussurra uma voz masculina.
- Hã? Que foi? Quem é que...
- Está maluca? Foi dormir e nem me viu aqui!
- Gabriel?! indaga ela, apoiando-se nos cotovelos para olhar na direção da voz.
- Acertou!
- Como é que você entrou?
- Liguei para o Kleber e ele me deixou aqui. O dono do apartamento sempre tem a chave, lembra?
- Mas... Como assim? Não estou entendendo nada!
- Relaxa! Não gostou de me ver?
- Não é isso, é que... D'aonde você saiu, cara?
- Cansei de Cabo Frio e voltei para o Rio, mas não volto para casa não, vou morar é contigo!

Aninha afasta o lençol e senta-se na cama esfregando os olhos, ainda incrédula, vendo uma silhueta baça em meio ao que lhe parece ser uma bruma confusa que a impede de saber com precisão onde se encontra a origem da voz. Aos poucos, a bruma se dissipa e uma misteriosa luz ilumina o quarto, permitindo-a ver o reflexo da porta através do longo espelho do guarda-roupa em frente à cama. O intruso avança. É mesmo o Gabriel que ela conhece desde sempre, alto, magro e bonito, a pele cor de chocolate ao leite que ela tanto gosta, o Gabriel que a olhava da janela tomar sol de biquíni no quintal de cimento da casa de subúrbio. Ela se levanta correndo e vai pendurar-se em seu pescoço, cobrindo-o de beijos, toda emocionada.
- Eu achei que a gente nunca mais ia sever, cachorro!
- Foi você que me largou lá em Cabo Frio, esqueceu?
- A francesa não desgrudava mais de você!
- É, mas confessa que você queria ir embora, vai.
- Você nem sabe o que eu sofri. Apanhei da vida, cara.
- Esquece isso, diz ele, desinteressado. Sabia que você está muito gostosa?

Gabriel sai do quarto puxando Aninha pela mão. Ainda confusa, ela tateia na sala difusamente iluminada pela claridade dos prédios vizinhos que se infiltra através da cortina translúcida. Gabriel a solta no meio do cômodo e contempla seus seios nus.
- Você não pode ficar aqui, Gabriel, diz ela, olhando-o.
- Por que não? Você não quer?
- Isso aqui não é meu. O Kleber não vai aceitar alguém morando aqui comigo.
- Porquê? Ele é teu macho? Ah não, eu tinha esquecido que ele era viado!
- Ah, deixa de ser ignorante, cara!
- O quê? Só pode ser viado para te deixar morar aqui sem pagar e não querer nada em troca!
- O Kleber é meu amigo e está me dando uma chance. Eu arrumei emprego, comecei ontem. Agora vou poder pagar aluguel.
- Então! Se você vai pagar aluguel, eu posso ficar! dispara o rapaz, querendo parecer inteligente.
- Não é bem assim, Gabriel, diz ela, impaciente. Quer uma cerveja?
- Quero.

Aninha vai até a cozinha sabendo-se observada. Siderado com sua semi-nudez, Gabriel acompanha extasiado o caminhar provocante que destaca o movimento das nádegas. Ela olha para trás e dá um risinho. Ele a segue e agarra-a por trás, colando-se a ela e premendo-lhe os seios.
- Saudade desse corpo tesudo!
- Ai, Gabriel, para! Me deixa pegar a cerveja, vai.

Ele a solta rindo, vendo-a curvar-se diante da geladeira para pegar as latinhas. O fio da calcinha surge, bem ajustado ao fundo do sulco.
- Você fica sempre assim em casa? Deve ter vizinho tocando punheta todo dia
- Não estou nem aí, Gabriel! diz ela, passando-lhe a cerveja.

A temperatura na cozinha está mais agradável. Eles decidem ficar.
- E aí, trepando muito no Rio? pergunta ele, de chofre.
- Não prefere saber se eu estou namorando ou gostando de alguém? pergunta ela, fazendo-se de ofendida.
- Não. Você está?
- Não, mas já fiquei com alguns caras. E você?
- Não, larguei a francesa e estou solteiro.
- A Stéphanie era boa para você, não era?
- Era, mas ela queria mandar na minha vida. O lance dela era ter um novinho para trepar, só isso.
- Ela é uns vinte anos mais velha que você!
- Por aí, diz ele, sorrindo orgulhoso.

Aninha gosta desse último sorriso que lhe parece desarmado e franco. Ela se aproxima de Gabriel que está encostado na mesa da cozinha sorvendo um gole de cerveja. Ela tira-lhe a latinha das mãos, aninha-se entre suas pernas e lhe dá um beijo cheio de ternura.
- Você queria tanto isso quando me espiava da janela, lembra?
- Se lembro! Minhas punhetas eram todas para você, responde ele, enquanto pousa ambas as mãos nas nádegas do seu primeiro objeto de desejo.
- Uma vez eu te vi nu trocando a lâmpada, sabia?
- Claro que eu sabia; foi de propósito!
- Ah é, safado?!, quase colando a boca na dele e socando-lhe o peito de brincadeira.
- Vai dizer que não gostou?
- Eu lembro que achei grande porque deu pra ver lá do quintal.
- Agora está maior retruca ele, todo prosa, puxando-a.
- Será? indaga ela, apalpando-o através da calça.
- Hãhã, cresceu mais.

Aninha sabe que é incapaz de resistir. Ela vai vai abrindo a calça de Gabriel como quem não quer nada. O membro de mais de dezoito centímetros por cinco de diâmetro está rebatido para um lado e mantido junto ao corpo pelo tecido elástico da cueca. Aninha agarra e aperta a protuberância roliça, excitada com as sensações da textura, rigidez e temperatura. Gabriel lhe dá toda a liberdade, deixando-a redescobri-lo ao seu ritmo. Pretensioso, ele pensa que despertou nela uma avidez de adolescente, mas está enganado. Aninha o solta, afasta-se e vai para a sala propondo-lhe que fique de cueca se quiser. Ele a segue e despe-se, deixando a roupa pelo chão, assanhado. Ela o chama até a janela e mostra-lhe os prédios em frente, apontando para os apartamentos onde ela ja viu gente nua e cenas íntimas.
- Hum! Você vê muita putaria, é? faz ele, passando para trás dela, excitado.
- Já vi até de dia, casais trepando na volta da praia, responde ela, oferecendo-se e sentindo os bicos dos seios entumecerem-se ao contato das mãos quentes do invasor.
- Aposto que alguém já te viu, diz ele, aninhando o membro entre as coxas que ela abre e fecha em seguida.
- Pode ser, responde ela, dispersiva.
- Estou doidinho para te dar prazer, gata, murmura ele com a boca colada à sua nuca enquanto seu pênis roça gentilmente a vagina num vaivém suave.
- Você quer é trepar comigo, Gabriel! Você sempre quis trepar comigo. Pensa que eu nasci ontem?
- Está legal, eu confesso! E você não acha que a hora é essa? retruca ele, já tentando abrir espaço ao lado do fio da calcinha para penetrá-la por trás.
- Para, menino! Daqui a pouco a gente vai dar show, aqui!
- Você disse que não estava nem aí, lembra? provoca ele, pincelando a fenda com o sexo molhado.
- Lembro, Gabriel! exclama ela, pondo-se na ponta dos pés e debruçando-se na janela para dificultá-lo.
- Você não vai me negar isso, vai, gata? diz ele, puxando-a gentilmente para baixo e desistindo momentaneamente de penetrá-la, observando a glande reluzente que agora desliza entre as nádegas.
- Faz quanto tempo que você me quer, Gabriel? pergunta ela, virando-se e empunhando o membro para olhá-lo.
- Sei lá. Um montão de tempo. Anos. Eu tocava punheta te vendo tomar sol de biquíni ou lavando roupa de shortinho.
- Você contou as punhetas?
- Eu não, mas foi muita coisa.
- E aí eu saí de lá.
- Pois é, e eu fui atrás, mas cada um foi pra um lado.
- Eu queria largar aquela vida, Gabriel, melhorar, explica ela com sinceridade, enquanto percore o tronco do pênis dele com a mão, espalhando o líquido.
- E não melhorou? Você foi até gerente da loja da francesa!
- É, mas o preço foi alto, cara, diz ela, reflexiva.
- Eu sei que a barra pesou, mas não pensa mais nisso. Vem, faz ele, puxando-a até o sofá.

Pela primeira vez, o eterno admirador e sua deusa inacessível vêem-se juntos sem qualquer animosidade. Gabriel senta-se recostado num braço do sofá e Aninha ao seu lado com as pernas por cima das dele. Fragilizada pelas reminiscências desse reencontro, ela retoma-lhe o membro e fica brincando com ele como se fosse um João bobo, enquanto o rapaz olha sorrindo para o seu rosto bonito e para os seios perfeitos. Aninha se inclina na direção dele e um primeiro beijo apaixonado inaugura um tipo completamente diferente de relação entre os dois velhos conhecidos, um longo beijo profundo e molhado que causa a ambos arrepio e emoção, um beijo de longos minutos que os leva a um grau de excitação intenso. Aninha só deixa os lábios de Gabriel quando as pulsações em sua mão lhe ditam o próximo passo. Ela se curva e colhe o orvalho da fruta rubra, proporcionando ao rapaz o prazer tão desejado. Ela percebe na língua o efeito do seu gesto; o pênis verte fluido abundante que ela não hesita em engolir. Em seguida, ela se apropria integralmente do que tem na boca, arrancando gemidos de Gabriel até forçá-lo a fazê-la gentilmente parar, e eles se beijam novamente.
- Pensei que fosse ter nojo de me beijar, brinca ela.
- Por quê? É o meu gosto! retruca ele, beijando-a com mais volúpia ainda.

Gabriel levanta-se e, sem que ele diga nada, Aninha ergue as pernas abrindo-as ao máximo e puxando-as para trás, oferecendo-se. Ele então se ajoelha no chão e põe-se a lambê-la, concentrado, disposto a proporcionar-lhe o maior prazer do mundo. Sua língua percorre os lábios, brinca com o clitóris e desce até o ânus, sentindo-o pulsar intensamente.
- Assim.... Está delicioso com a língua, sussurra ela, abrindo-se toda para este que ela agora sabe ser o único que a merece realmente.

Um primeiro orgasmo faz Aninha experimentar um prazer novo; de sua vagina, um jato quente colide contra o rosto de Gabriel, que recua assustado.
- Não é nada, bobo! Eu também não sabia. Isso nunca me aconteceu.
- Você mijou?
- Não! Eu gozei, mas isso é outra coisa. Eu já vi num vídeo, mas não prestei atenção no nome. Vem, ordena ela.

Gabriel ajoelha-se na beira do amplo assento do sofá, dá tapinhas na vagina encharcada com o pênis e prepara-se. Aninha olha-o fixamente nos olhos quando ele se afunda nela com a intenção de penetrá-la até a base do seu longo e grosso membro.
- Aaaah! Vai me rasgar, geme ela, detendo-o um pouco com as mãos.
- Está doendo?
- Eu não sabia que era tão grosso. Mas não para, vai.

O pênis de Gabriel a preenche tão completamente que a cada arremetida, ela morde os lábios com os dentes, mas isso não o impede de iniciar um vaivém profundo e ritmado que revela uma bela resistência.
- Estou realizando o meu maior sonho, gata, geme ele.
- É, meu lindo? Teu sonho era comer essa bucetinha, era? faz ela, toda manhosa. Então come. Fode gostoso, fode.
- Com você falando desse jeito, então, eu endoido de tesão! diz ele, dando inúmeros golpes de bacia para fazê-la saborear cada sonoro impacto do seu corpo contra o dela.
- Vem me beijar, ordena ela, agarrando-lhe as nádegas e puxando-o para ficar dentro dela.
- Hum... Isso, agarra com força a minha bunda, gata!
- Você gosta disso? indaga ela.
- Com você, eu gosto, defende-se ele.

Aninha então arrisca-se a percorrer o sulco com os dedos, roçando intencionalmente o orifício.
- Aí não, gata! protesta ele, afastando-se sem sair dela.
- Por que não?
- Não curto. A francesa chegou a fazer, mas não é a minha.
- Vem de papai-e-mamãe que você vai adorar.
- Ah não...
- Vem que eu estou mandando! brinca ela.

Aninha deita-se no sentido do comprimento do sofá, abre as pernas e Gabriel vem por cima, penetrando-a à maneira tradicional. Agora, ela alcança facilmente as nádegas e continua a explorá-las.
- Não vai meter! pede ele.
- Psiu! Eu é que mando.

Induzindo-o a retomar o vaivém, ela inicia lentos movimentos circulares diretamente no ânus, interrompidos por curtas tentativas de penetração da extremidade do dedo. Gabriel é forçado a admitir intimamente que a sensação não o desagrada e intensifica seus movimentos para encorajá-la. Instantes depois, Aninha consegue introduzir um dedo e logo sente as vigorosas pulsações que o comprimem.
- Até que com você não é ruim, diz ele, gemendo.
- Eu sabia que você ia gostar. Todo homem gosta!
- Mas parece coisa de viado, brinca ele.
- É, mas não é, reforça ela, movendo o dedo dentro dele. Agora soca forte para você gozar.
- Vou poder gozar dentro, é?
- Não. Quando chegar a hora, vou querer na boca.
- Aí falou bem!

A aceleração dos movimentos e o acréscimo de excitação trazido por Aninha leva Gabriel rapidamente ao ápice do prazer. Assim que ele sente a primeira fisgada no períneo, retira-se dela e vem montá-la para descarregar em sua boca todo o conteúdo que ele destinou-lhe há tanto tempo. Empunhando firmemente o pênis, ele o aponta diretamente para a língua e assiste extático à sucessão de jatos certeiros. Aninha mantém a boca aberta num largo sorriso de satisfação enquanto prova nas papilas os diversos sabores desse sêmen, o primeiro que ela acolhe sem qualquer repugnância. Quando Gabriel termina, ela suga-lhe a glande e o grosso membro até limpá-los de todo resíduo. Em seguida, dando tapinhas na coxa do rapaz para que ele a olhe com atenção, ela brinca com o esperma na boca e o deglute num so gole, estalando a língua bem-humorada. Gabriel contempla maravilhado cada detalhe e antevê as delícias de sua nova relação com a paixão de sua vida. Subitamente, uma  bruma os envolve e os transporta para o quarto, para a cama. Aninha descobre seus dedos mergulhados em seu próprio sexo, e isso a intriga. Ela olha para um lado, para outro, mas só consegue ver a bruma luminosa dissipar-se e dar lugar aos primeiros raios de sol que conseguem penetram pelos orifícios da velha persiana.

E assim se termina essa Odisséia que, se não levou Aninha aos cumes da emergência, permitiu-lhe certamente comprovar que não só a vida não é fácil, como deve ser vivida sem a falsa convicção tão comum de que o que temos ao alcance da mão é precisamente o que devemos desprezar. Onírico ou não, o círculo se fecha na origem.





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