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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Lutando Pela Exceção

Pedi a um conhecido a permissão para redigir no meu próprio estilo e publicar no Erotexto uma aventura vivida por ele nos últimos tempos de universitário. O relato que se segue traduz a mais pura realidade, mas afim de aproximar o leitor da ação e dos personagens, eu o transpus para a primeira pessoa e atualizei (2015-2018) a época em que os fatos ocorreram. Espero que esse novo relato agrade a todos.
Marc Fauwel
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Em 2015, eu ingressara no mestrado em engenharia..., quando fui convidado por veteranos da graduação para participar do trote. Durante uma semana, as brincadeiras, "torturas" e humilhações de praxe se sucederam dentro e fora do campus e, embora desagradáveis para a maioria, um certo vínculo ia criando-se com alguns dos calouros, independentemente do fato de serem nerds ou tímidos. Luis era um desses. Coberto de uma lama composta de suor misturado a talco, tinta, clara e gema de ovos, ele não perdia o sorriso e a disposição, empolgado que estava pelo ingresso na Engenharia na universidade de maior renome do Rio de Janeiro. Era impossível não observá-lo, sempre animado, gritando as músicas que nós os mandávamos repetir. No terceiro dia, já conversávamos um pouco e na sexta-feira da confraternização final, eu já sabia que ele não era do Rio e estava à procura de um lugar para ficar. Habitualmente, eu rachava apartamento com mais três, mas um deles se formara e portanto, havia uma vaga na nossa república. Luis ficou entusiasmado com meu convite; nada mais conveniente do que encontrar um apartamento antes mesmo do início das aulas! Como eu precisava consultar meus colocatários, convidei-o para passar aqui em casa o que restasse da madrugada daquela sexta-feira festiva, e dormir um pouco. No dia seguinte conversaríamos e todos poderiam avaliar se minha indicação era pertinente ou não. Assim foi feito, e o Luis agradou. Foi aceito por unanimidade. No mesmo dia, ele voltou a Teresópolis, onde morava com os pais, para fazer as malas, despedir-se da família, dos amigos e da namorada e vir para cá na segunda-feira, primeiro dia de aulas.

Como eu disse, éramos sempre quatro no apartamento, mas estávamos em três porque um se formara. Eu era o mais velho, estava com vinte e cinco anos e era o único cursando pós-graduação. Como o apartamento está em meu nome, eu tinha direito de veto e até mesmo expulsão sobre os colocatários postulantes e antigos. Esse era o trato e eu era irredutível quanto a isso. Vou descrever rapidamente o quarteto para facilitar a visualização mais realista possível.

Renê tinha vinte e quatro anos em 2015, era de Magé e estava na reta final do curso de engenharia mecânica. Era alto em magro, de cabeça quase raspada para evitar o cabelo hirsuto. Ele não tinha um aspecto agradável, e sabia disso, mas atraía as mulheres mais pelo impressionante apetrecho que ele ostentava entre as pernas do que pela vivacidade de espírito. De vez em quando, ele pedia que nos ausentássemos por algumas horas num dia determinado para que pudesse receber alguma mulher. Cheguei a ver duas ou três saíndo de rosto corado, sorridentes, visivelmente aturdidas, mas satisfeitas. Ele nunca se envolvia afetivamente, as relações se limitavam ao sexo. Renê e eu raramente conversávamos fora do tópico da engenharia, e eu tinha pouca afinidade com ele porque o considerava um tanto rígido e até preconceituoso sobre vários temas. Ele não me incomodava, era concentrado nos estudos e queria terminar seu curso para começar a trabalhar o quanto antes. Hoje em dia, Renê não mora mais conosco.

João é de Resende, tinha vinte e dois anos em 2015 e estava em pleno curso de arquitetura. Ele é simpático e bem-humorado, não há como não gostar dele, e se o apartamento vive cheio de visitantes de ambos os sexos, é em grande em parte por sua causa. João é sem dúvida o mais bonito de nós quatro, com seu rosto moreno fino, grandes olhos castanhos e sobrancelhas retas e bem feitas, traços muito regulares perfeitamente simétricos e uma cabeleira castanha tão móvel que naquele tempo vivia tapando-lhe os olhos. Muito falante, ele gosta de contar o dia quando nos encontramos para alguma refeição ou simplesmente para ver televisão. Ele namora meninas lindas, que ficam perdidamente apaixonadas e quase cometem suicídio quando ele termina com elas para dar lugar a novos romances. João e eu sempre nos entendemos perfeitamente e é com prazer que o ajudo até hoje nas disciplinas que a arquitetura tem em comum com a engenharia.

Sempre é mais difícil descrever a si próprio. Como eu disse pouco acima, eu tinha vinte e cinco anos em 2015 e estava iniciando o mestrado. Minha família é de Vitória (ES), mas moro no Rio desde o início da graduação em engenharia. Sou moreno claro e tenho um metro e setenta. Quando me olho no espelho, gosto do meu olhar, mas tenho certas restrições quanto aos meus lábios, um pouco grossos para o meu próprio gosto. Mas eles fazem sucesso e as namoradas gostam de mordê-los, então há muito que deixei de me incomodar com eles. Meu cabelo não é a coisa que mais me agrada em mim, mas como não me importo tanto assim com o aspecto físico, também não ligo muito para ele. Optei por não namorar durante o mestrado, mas gosto de sair com mulheres um pouco mais velhas que eu e faço isso regularmente. Do ponto de vista puramente sexual, as circunstâncias da minha vida levaram-me a não desenvolver uma preferência marcada por este ou aquele gênero. Tive experiências com ambos, mas, talvez por força da cultura familiar e local, sempre predominaram as relações com o sexo oposto.

Luis veio fechar a composição de colocatários de 2015. Ele era o mais jovem, com vinte anos incompletos, recém-saído de Teresópolis. Ao chegar, ele tinha o jeito característico dos moradores da Região Serrana, gentil, sorridente e reservado. Luis ainda mora conosco. Muito claro, de descendência alemã, ele tem um pouco mais de um metro e setenta, cabelo quase alourado até a nuca e era o único dentre nós a possuir olhos azuis. Ele namorava uma menina desde o início do secundário – Luana – e já declarava sem receio que era com ela que ia se casar mais tarde e ter filhos. Luana vem ao Rio de vez em quando, passar um fim de semana ou outro com ele, mas ela é o fator que o mantém preso à sua cidade, onde ele passa praticamente todos os fins de semana.

Nosso apartamento fica numa rua da Tijuca. É um sala e quarto muito iluminado com dois amplos cômodos principais, uma cozinha que dá para uma pequena área e um banheiro com espaço suficiente para despir-se e enxugar-se entre o box, a pia e o vaso. Decidi alugá-lo porque ele era semi-mobiliado, com fogão e geladeira na cozinha, sofá e poltrona na sala e – o fator decisivo – duas camas beliche no quarto. Como a condição de aluno de mestrado me permitiria passar mais tempo que os outros em casa, eu não queria morar "acampado".

Talvez este seja o momento de confessar que eu gosto de observar meus colocatários na intimidade, cada um com seu jeito e temperamento, cada um lidando com seu corpo à sua maneira. Renê era ostensivamente exibicionista e não perdia a menor ocasião de deixar bem clara a sua opinião de que tamanho é, sim, documento, desfilando pela casa com a mão nas partes e a expressão de que o balanço de um membro avantajado requer o mesmo cuidado que os seios para uma atleta de Jogos Olímpicos. João, o narcisista simpático, era incapaz de passar por um espelho sem dar uma olhadinha de canto de olho e dar uma mexida no cabelo. E Luis não tardaria a revelar um atributo que me pegou de surpresa. Em duas ou três semanas, ele já estava bem à vontade conosco e, embora ainda fosse um pouco reservado com seu próprio corpo, não mostrava mais sinais de inibição para sentar na sala perto do João aos beijos com alguma namorada, entrar no banheiro com o Renê tomando banho ou topar comigo de cueca na cozinha. Na verdade, ele logo revelou ter praticamente os mesmos hábitos e fundiu-se perfeitamente à nossa cultura republicana. 

Aconteceu numa tarde em que eu estava sozinho estudando quando ele voltou intempestivamente para casa. Ele entrou, disse um "oi" ao me ver na sala, foi para o quarto tirar a roupa e meteu-se no banheiro. Ouvi a água do chuveiro caindo, mas instantes depois ele saiu completamente nu e foi até a sala perguntar se eu não teria um sabonete para emprestar porque o dele acabara. Eu tinha. Passei por ele para ir até o quarto, entreguei o sabonete e quando ele me deu as costas, tomei uma espécie de choque estético: o Luis possuía a bunda masculina mais bonita que eu já vira. Eu já o vira várias vezes de cueca, portanto tinha uma boa idéia geral do tipo de corpo que era o seu, mas o que eu tinha diante dos olhos era um par de nádegas estreitas e másculas, porém tão salientes que chamariam a atenção do mais radical asceta. Parei na porta do quarto, hipnotizado pela alternância das dobras sensuais formadas pelo peso delas a cada passo do Luis em direção ao banheiro. A partir daquela terceira semana, um motorzinho silencioso começou a trabalhar no meu cérebro.

Os dias se passaram e pouco a pouco, imperceptivelmente, acumularam-se os meses. Nós quatro vivíamos nossas vidas com breves momentos de encontro, até porque os três passavam a maioria dos fins de semana em suas cidades respectivas. Eu, que morava mais longe e tinha menos amarras com a família, permanecia no Rio e aproveitava para passar noites de sexta ou sábado com amigos e eventualmente com alguma companhia feminina apresentada por alguém. Embora ciente de que o meu percurso levara-me à bissexualidade, eu me entregava à comodidade das relações heterossexuais e deixava-me levar pela lei do menor esforço, contentando-me com clipes, gifs e imagens de Internet para tudo que fosse pertinente ao "lado B" da minha ambivalência. Eu continuava a deleitar-me com os flashes que o Luis proporcionava assim que dava-me as costas com pouca ou nenhuma roupa, mas observava calado e não dava o menor indício de interesse, de modo que essa característica, no entanto tão forte em mim, era completamente ignorada pelos demais. Mas como eu disse, um motorzinho ativara-se em meu cérebro, e mesmo que ele tenha trabalhado surdamente durante quase dois anos depois daquela visão surpreendente, uma conjunção de fatores viria a desencadear um processo irreversível na primeira semana de novembro de 2017.

Era uma tarde de sábado como outra qualquer em que eu ficara em casa quando os outros viajaram. Eles costumavam voltar no domingo e eu gostava de ter o apartamento só para mim. Eu estava instalado no sofá da sala estudando um texto complicado de um dos cursos do mestrado. Por volta das quatro da tarde, ouço uma chave dar a volta na fechadura e Luis irrompe na sala soltando um "Ah!" de alívio. A noite de sexta e a manhã de sábado foram tão infernais com a família que ele decidira voltar mais cedo. Ele largou a mochila, foi sentar no parapeito da janela, desabafou um pouco comigo durante uns quinze minutos e foi para o quarto. Voltei ao meu texto, mas poucos minutos depois, Luis começou a zanzar do qarto para o banheiro e vice-versa, e aquela movimentação toda me desconcentrou. Quando olhei para tentar entender, percebi que ele estava nu. Inferi que ele ia tomar banho, mas que, como tantas outras vezes, esquecia alguma coisa a cada vez.

Como eu disse antes, o apartamento é pequeno. Do sofá da sala vê-se a porta do banheiro a cerca de quatro metros. Sentado, eu via Luis em grande escala, com a riqueza de detalhes que, por assim dizer, me empolgava. Estávamos sozinhos e ele meio desanimado depois de momentos atrozes com a família. Pela primeira vez em quase dois anos, resolvi mexer com ele de um modo inédito até então. Eu disse, e me lembro como se fosse hoje: "Cara, se você continuar para lá e para cá mostrando essa bunda, vai me deixar nervoso!" Ele parou, olhou para trás, deu um risinho e continuou em direção ao quarto, dizendo: "Vai à m..., cara!" Eu então perguntei pela razão daquele vaivém incessante e ele explicou que não estava encontrando uma cueca que ele tinha certeza de ter posto para secar no chuveiro. Eu não sabia de nada, nunca fui dado a fetichizar com roupas de baixo, então limitei-me a mandá-lo parar com aquilo, repetindo que a visão reiterada do traseiro dele estava me deixando nervoso, sabendo que ele entenderia perfeitamente a conotação que eu pretendia dar ao meu adjetivo. Ele me mandou ir procurar mulher, mas alguma coisa me dizia que eu encontrara um filão a explorar, então insisti, perguntando se ele sabia que ficava "interessante" de costas, ao que ele respondeu que sim e que a namorada dele elogiava muito. Pedi a ele que desenvolvesse um pouco mais, sugerindo que ele me explicasse se ela se limitava realmente a elogiar as nádegas dele ou se ela também as tocava, etcétera e tal. Ele não gostou, mas admitiu que ela gostava de tocá-las.

A essa altura, eu me levantara. Um início de ereção já se fazia sentir, mas embora eu estivesse apenas usando roupas de baixo, nada se percebia sob a velha camiseta larga que eu costumava usar em casa. No quarto, Luis soltou um "Ah! Achei!" e finalmente decidiu ir para o chuveiro, deixando a porta entreaberta. Continuamos conversando, ele no banho e eu encostado no batente. Ele detalhou um pouco os dissabores do fim de semana e disse que até mesmo o sexo com a namorada fora prejudicado pelas discussões dele coma  família. Percebi que estávamos dialogando com a naturalidade de duas pessoas vestidas. Nosso box é um volume aberto porque a porta de plástico foi quebrada e o proprietário nunca trouxe outra. Nada se interceptava à imagem que eu tinha de Luis tomando banho. Meticuloso, ele se ensaboou todo fora d'água e em seguida entrou nela para enxaguar-se, percorrendo o corpo da cabeça aos pés para tirar o sabão. Quando ele deu-me as costas e ia passando as mãos pela cintura, não consegui ficar de boca fechada. A frase saiu espontaneamente: "Cara, não é por nada não, mas a tua bunda é linda!" Dessa vez, ele não se mexeu, continuou na posição que me oferecia a plena visão das nádegas brancas e molhadas. Inferi que o gesto era um tipo de "presente" a um amigo que acabara de confiar-lhe um segredo. Ele estava permitindo que eu olhasse essa parte do corpo que visivelmente me agradava nele. E eu olhei e contemplei enquanto ele permanecia na mesma posição, de costas para mim, desensaboando-se. Duas covinhas bem definidas ornavam o baixo das costas, que a água só fazia destacar, pondo em relevo os dois gomos lisos e rosados que o Luis esfregava vigorosamente por dentro e por fora diante dos meus olhos incrédulos. Mais palavras saíram da minha boca sem que eu sequer refletisse: "Eu daria tudo para passar a mão nela!"

Luis virou-se, retomando posse do que ele oferecera por pura generosidade. Mas eu falara com tanta sinceridade e estava tão sério que ele não se zangou, apenas olhou-me com ar intrigado. Perguntei então se ele nunca dirigira o olhar para as nádegas de um amigo trocando de roupa ou de algum homem num vestiário ou academia, por exemplo. Ele disse que sim, mas no passado, quando ainda nem tinha vida sexual. Eu então me lembrei do comentário que ele fizera sobre os elogios da namorada e perguntei se ele não sentia prazer com os toques dela. Ele respondeu que sim, mas apressou-se a dizer que ela não chegava a tocá-lo mais intimamente.
- No cu, você quer dizer? precisei.
- É, disse ele rindo, encabulado.

Enveredando mais por esse caminho, perguntei se ele tivera alguma experiencia sexual com colegas, amigos, primos ou vizinhos. Ele negou de saída, mas diante da insistência, acabou admitindo que tivera uma ou duas experiências com vizinhos, mas desajeitadas e não consumadas, na verdade sequer concluídas. Eu então confessei minha adoração por essa parte do corpo que, nele, era uma verdadeirad dádiva dos deuses. Ele voltou a sorrir, descontraiu-se e finalmente atendeu ao meu pedido de me dar as costas para que eu olhasse mais um pouco. Agora bem-humorado, ele pôs as mãos nelas, acariciou, pressionou, balançou zombeteiramente e deu tapinhas fazendo-as estremecer. Eu estava tomado de uma ereção tão tenaz que as pulsações dirigiram minha atenção para o meu próprio sexo. Acabei não resistindo ao impulso de revelar ao Luis o efeito que o corpo dele estava causando no meu. Simultaneamente ergui a camiseta e baixei a cueca, exibindo meu sexo que veio quase colar-se todo duro à minha barriga. A voz do Luis ressoou numa gargalhada nervosa: "Que é isso, cara! Guarda esse troço!"

Eu guardei, mas não sem reiterar meu desejo de contato. Eu continuava sério e foi sério que ele me perguntou se eu estava falando sério. Respondi que sim, que minha excitação era autêntica e me parecia justificável, e que se ele não me deixasse tocá-lo, eu provavelmente me aliviaria depois do banho dele, sozinho. Ele ficou por um momento em silêncio, um pouco indeciso, e voltou a falar. Era uma proposta: ele satisfaria o meu desejo de tocá-lo atrás se eu satisfizesse o dele de ser tocado... na frente. Ele sabia o quanto isso aborrece um homem e talvez tenha feito a proposta imaginando que eu fosse renunciar, mas eu não tive um momento sequer de hesitação para concordar e ir apertar a mão dele para fechar o negócio.

Eu estava fora do box e ele dentro. Ele pôs-se de perfil em relação a mim, oferecendo-me o lado esquerdo e dando as costas para as torneiras à minha direita. Bastou-me estender a mão, mas ao primeiro toque, uma mão firme empunhou-me o pulso: "Só na bunda!", impôs ele, temendo certamente que eu fosse ultrapassar os limites. Prometi que sim e ele lembrou-me do combinado, voltando-se ligeiramente para oferecer-me a frente. Não havia ereção, mas seu pênis estava arqueado e pulsante. Pareceu-me um pouco maior que o meu próprio, com cerca de dezessete centímetros ou um pouco mais. Sem tirar a mão direita de trás, empunhei-o com a esquerda e senti-o desenvolvendo-se e enrijecendo rapidamente até atingir as dimensões finais. "Disso você gostou, não é, engraçadinho!" disparei rindo. Ele sorriu e, distraído, soltou meu pulso deixando minha mão livre. Pude enfim dar vazão à minha fantasia, acariciando primeiro uma nádega, depois a outra, lentamente para sentir a textura em detalhes, envolvendo cada uma com a mão toda, apalpando e pressionando com as pontas dos dedos. Em seguida, percorri as dobras bem marcadas que o peso delas criava na fronteira com as coxas e tornei a subir até o baixo das costas para apalpar as duas covinhas com o polegar. Em minha mão esquerda, o membro de Luis pulsava vigorosamente. "Me faz gozar, vai!" pediu ele, como se nada fosse, apertando a minha mão com a sua.

Foi minha vez de explorar a situação. Se eu o levasse ao orgasmo, a excitação se extinguiria e eu ficaria literalmente "na mão". Por outro lado, o que eu queria ultrapassava sem dúvida as possibilidades oferecidas por alguém que se autoproclamava heterossexual. Eu precisava conceder mais para obter mais. Decidi então iniciar uma masturbação leve, mas pressionando o tronco do membro e evitando friccionar a glande para não levá-lo ao clímax. Ele iniciou um vaivém, esperando que a contribuição com o movimento aceleraria as coisas, mas eu acompanhava o vaivém e o neutralizava cmo duas ondas em fase. "Por favor, cara!" suplicou ele, tentando relaxar minha mão com a sua para ampliar os movimentos. Mas eu mantive a tática e ele percebeu que não seria tão fácil. Ele quis assumir a masturbação. Era o momento de lançar a minha proposta: "Se você me deixar sarrar, te faço gozar. Eu gozo nas tuas costas e você na minha mão." A réplica foi imediata: "Está achando que eu vou te dar, cara?!" disse ele, visivelmente chocado. Respondi que pessoalmente, eu não via nada de mal nisso, mas que não era o que eu estava pedindo. Lembro-me de ter brincado que eu só queria fazer uma "espanhola" nas nádegas dele enquanto eu o masturbava até o gozo.

Preciso lembrar que a situação era longe de ser simétrica. Sou seis anos mais velho que o Luis, e naquele tempo ele considerava essa diferença colossal. Além disso, temos corpos diametricamente opostos. Sou moreno, com abundância de pelos nos braços, coxas e pernas, o que certamente torna menos atraente qualquer tentativa de proximidade física por parte de um heterossexual como ele fazia questão de ser considerado. O que eu tinha a oferecer em troca de um contato mais íntimo era de fato bem pouco. A verdade, portanto, é que eu não o excitava. Ele se empolgou pela idéia de ser masturbado por um amigo, mas não via interesse algum num corpo mais másculo que o dele. A proposta de deixar-se agarrar por trás parecia desproporcional à banalidade da masturbação. Mais uma vez e como sempre vali-me da persuasão para sair do aperto; argumentei que estávamos sozinhos em casa, naquele contexto francamente erótico. O que faríamos ali, os outros e ninguém mais precisaria saber. E além do mais, arrisquei, me parecera que ele não se zangaria se a namorada o tocasse, digamos assim, mais profundamente, numa carícia a essa parte do corpo dele que ela também dizia apreciar. Eu disse isso voltando a afagar suas nádegas em sinal de que elas eram realmente muito sedutoras, e Luis deu-se por convencido.

Convencido? Nem tanto! Ele saiu do box, enxugou-se e, para enorme desapontamento meu, a primeira coisa que fez foi vestir a cueca que ele tanto procurara e que estava sobre a toalha, no secador. Ele não voltou atrás, mas não me daria o prazer do contato direto. Baixando apenas a frente da cueca, ele deu-me as costas, olhando sério para mim através do espelho da pia e disse em tom amolado: "Está legal, cara... Mas vamos ficar de cueca." E apressou-se a acrescentar: "E eu vou querer gozar, hein!"

Àquela altura, e naquele estado de excitação e desejo, eu não tinha mais escolha e não estava disposto a recomeçar as negociações. Pouco abaixo dos meus olhos, comprimidas pela cueca justa, as nádegas muito salientes do Luis esticavam o elástico separando-o das costas na altura do início do sulco, formando um pequeno "v". Meus elogios arrancaram-lhe um sorriso encabulado. Colei-me todo a ele, segurando-o pela cintura com uma mão e indo com a outra cumprir nosso trato. Luis estremeceu ao sentir-se empunhado e teve que apoiar-se na pia ao perder o equilíbrio com o meu ímpeto. "Está vendo como não é o fim do mundo?" disse eu, começando a masturbá-lo lentamente enquanto minha ereção se consolidava mais e mais ao contato do seu corpo. Hoje entendo bem que do ponto de vista dele, a experiência não estava muito distante do fim do mundo. Por mais interessante que fosse a sensação de ser masturbado por outro, deixar-se abordar daquela maneira requeria muita abertura de espírito, e seu desconforto era visível. Ele não demorou muito a querer desvencilhar-se de mim muito antes de atingir o orgasmo e a declarar que aquilo não fazia sentido para ele. Recompondo-se, ele deixou-me plantado no banheiro em plena ereção.

Praticamente não vi o Luis no resto do sábado e ele resolveu voltar a Teresópolis no domingo, alegando a impaciência para tentar corrigir o estrago psicológico da véspera. Da minha cama no segundo andar do beliche, vi-o trocar de roupa por volta das seis da manhã e sair de casa ainda antes das sete, avisando que voltaria no mesmo dia à noitinha.

A segunda e a terceira semanas de novembro escoaram-se praticamente como se Luis e eu jamais tivéramos feito o que fizéramos naquele primeiro sábado. Ele me cumprimentava ao entrar e sair, mas sem mais, apenas por educação. Seu embaraço era tão evidente que eu o percebia até mesmo no contato entre ele e os outros colocatários. João chegou a perguntar-lhe se estava tudo bem, mas só conseguiu extrair um curto desabafo sobre os problemas familiares. Ele me evitava na cozinha e no banheiro, e só vinha sentar-se para ver televisão quando havia mais alguém na sala. Ele só pareceu afrouxar um pouco a guarda a partir do meio da segunda semana, após ter-me pedido uma explicação sobre as funções, revisão salva-vidas em todo período básico de engenharia. Aludi a uma provável falta de base no segundo grau e acabamos tendo uma conversa bastante madura sobre o nível lamentável do ensino no Brasil. Na sexta-feira, senti-o quase de volta ao que era. Ao despedir-se para ir passar o fim de semana em Teresópolis, ele me disse que voltaria no domingo de manhã porque sabia que não teria terminado todos os exercícios que ele tinha para fazer. Fiquei satisfeito e ofereci ajuda se ele precisasse.

Passei o sábado estudando e pensando nas consequências do processo que eu desencadeara para o tipo de relação que eu teria dali para frente com o Luis. Eu sabia que não fizera nada de mau; grande parte do meu desejo tinha fundamento estético, não provinha meramente do instinto animal, o que me parecia ser um ponto muito favorável. Além disso, algo me dizia que o Luis era receptivo a esse tipo de solicitação, e a menção que ele fizera aos elogios da namorada me parecia corroborar claramente essa intuição. O interregno que estávamos vivendo há duas semanas só podia explicar-se pelo temor da novidade e o receio de ser julgado. No final do sábado, fui dormir convencido de que a próxima etapa seria a tentativa de obter da parte dele a admissão de que ao menos a curiosidade persistia. Eu não tomaria mais nenhuma iniciativa se ele não se mostrasse desejoso de retomar do ponto em que paráramos.

Luis chegou em casa por volta das dez da manhã de domingo, desta vez cantarolando; as tensões familiares cederam e os momentos passados com a namorada foram dos mais proveitosos. Resolvi descobrir um pouco mais sobre a relação entre ele e essa namorada com quem ele já estava há uns quatro anos. Para surpresa minha, ele veio sentar-se ao meu lado no sofá e começou a mostrar-me fotografias dela enquanto contava como a conhecera e como começara o namoro. Luana tinha dezenove anos, moreninha clara de cabelo castanho chegando aos ombros, olhos sapecas e boquinha sensual. Luis confessou que tinha uma irresistível atração sexual por ela. Quando perguntei se ela gostava de sexo irrestritamente, ele  deu um risinho, pegou o celular e abriu uma pasta abarrotada de fotografias. Ele a fotografara de biquíni em inúmeras posições sensuais. Pude confirmar que seu corpo era dos mais sedutores. Ao comentar que aquelas imagens, embora excitantes, não retratavam exatamente o que chamamos de fazer sexo irrestritamente, ele me perguntou em tom de desafio: "Quer mais?" Olhei com ar incrédulo, mas ele abriu outro arquivo, desta vez contendo fotos e pequenos clipes realmente surpreendentes, nas mais variadas situações, em vários cômodos da casa da família dele e dela, em motéis, em passeios no campo, numa cachoeira, na praia, no carro e até duas ou três num elevador, sem contar as várias cenas de bolinação em público no carnaval e em dois concertos ao ar livre. Tive que dar a mão à palmatória e reconhecer que Luana gostava, sim, de sexo irrestritamente. Nas fotos mais explícitas dessa série, os corpos de ambos apareciam competamente e notava-se que Luis preocupara-se em fazer tomadas à distância, com a minuteria da câmera do celular, mas não havia sequer uma única imagem que revelasse os rostos, daí a quase inexistência de imagens de felação, talvez umas quatro ou cinco em que ele encobrira o rosto com imagens do celular. Conhecendo o corpo de Luis e tendo visto as fotos da namorada de biquíni, não tive dúvida de que se tratava deles, mas isso levou-me a supor que eles publicassem em algum site pornográfico, o que ele confirmou, declarando sentir-se profundamente excitado com os comentários dos visitantes.

Um aspecto que me chamou a atenção é que Luis não demonstrava qualquer pudor para mostrar-se de costas. E não só isso, mas ele não sentiu o menor constrangimento de permitir que eu constatasse e comentasse isso. Vários clipes eram tomados a partir de algum móvel da casa e com o casal numa cama ou sofá, ele por cima, movendo-se energicamente sobre ela sem reprimir em nada os amplos movimentos das nádegas, alguns dos quais revelavam até mesmo o sombreado da região anal. Era mais do que flagrante que ele se orgulhava dessa parte com que a genética o presenteara. Quando, num deles, vi Luana agarrando-as com ambas as mãos para puxá-lo, não pude deixar de comentar que ele parecia estar apreciando, o que me valeu uma boa cotovelada. Mas insisti e elogiei mais uma vez meu objeto de desejo, dizendo que Luana tinha sorte de ter um namorado de mente aberta, insinuando com isso que ele toleraria facilmente que ela fosse mais longe em suas incursões manuais. Ele sorriu calado e continuou a mostrar-me as imagens até um certo ponto; recusou-se a mostrar as mais recentes, que ele fizera na véspera. Embora excitado, não insisti  e disse a ele que saberia esperar. Ele sorriu novamente e foi para o quarto arrumar suas coisas. Esforcei-me para voltar ao estudo.

Devo ter passado mais umas duas horas lendo e tomando notas. De vez em quando, eu ouvia Luis no quarto folheando páginas, o que me fez lembrar dos exercícios sobre funções que ele ia terminar. A certa altura, parei de ouvir movimento e resolvi ir dar uma espiada, apostando que ele estaria no celular textando com a namorada em vez de estudar. Deparei com ele deitado de bruços, negligentemente adormecido sobre os cadernos, vestindo apenas uma cueca justa de lateral estreita que punha em destaque a elevação abrupta que se elevava em rampa da acentuada concavidade das costas. Devo ter-me apoiado ao batente da porta para contemplar e provoquei um ruído involuntário. "Está fazendo o que aí, cara?", perguntou ele, sonolento. Respondi que nada, já dando as costas para voltar à sala e prevendo que ele se faria de difícil por mais algum tempo.

Cerca de 45 minutos depois, Luis saiu do quarto resmungando que estava com calor e que ia tomar um banho. Sem sequer refletir, soltei um imediato e bem-humorado "Também vou!" ao que ele respondeu com um arrastado "Você é que sabe." De fato, estava um calorão daqueles e eu já entrara no chuveiro duas ou três vezes apenas para refrescar o corpo. Quando entrei no banheiro, Luis acabara de abrir a água. Por prudência, perguntei se eu podia entrar e ele consentiu. Nosso box substituiu uma velha banheira, portanto ocupa um bom espaço retangular de cerca de dois metros por uns setenta centímetros. Tirei a camiseta, a cueca e fui ficar do lado oposto ao dele. Luis estava embaixo do chuveiro tomando um banho quase frio, ensaboando o cabelo de frente para mim com o membro pendente. Quando ele acabou de tirar o champú, avancei para entrar no chuveiro, toquei-o e disse que estava difícil aguentar tanto tempo. Como ele gosta dessas carícias, deixou-me sem resposta durante alguns instantes enquanto seu pênis inchava entre meus dedos, mas o meu não tardou a roçar em sua coxa e, talvez para evitar o cara-a-cara, ele virou-se de costas. Suas nádegas brancas refletiram a luz intensa que inundava o banheiro. Tomei coragem e pus a mão, invadindo o sulco com as pontas dos dedos e fazendo elogios. Sua pele arrepiou-se toda. Passei para trás e colei-me, meu membro duro, glande voltada para o alto. Luis não disse nada, mas sua respiração foi ficando ofegante e seus movimentos ondularam. O sinal verde foi dado quando ele mesmo pegou o sabonete na saboneteira e o passou para mim, fechando a água e advertindo-me detestar a dor. Curioso, perguntei-lhe se ele já introduzira um dedo ou algum objeto. Ele respondeu que costumava masturbar-se assim e que já usara o dedo, canetas e até um cabo de escova. Ele admitiu gostar da sensação, mas unicamente porque ela amplificava o orgasmo e provocava ejaculações intensas e copiosas. Isso deu-me a coragem para fazer a pergunta que eu queria fazer quando ele me mostrara as fotos explícitas com a namorada: ela o satisfazia desse ponto de vista? A resposta foi que ela limitava-se a acariciá-lo e que ele tinha vergonha de abrir-se com ela sobre esse aspecto; sem falar do medo de que a reação dela fosse negativa ao ponto de terminar com um namoro que era a relação mais importante da vida dele. Enquanto conversávamos, eu ensaboava suas costas e procurava discretamente chegar ao fundo do sulco, o que o foi deixando cada vez mais excitado. Assim que toquei o orifício, Luis contraiu fortemente as nádegas, mas não foi difícil convencê-lo a deixar-se levar pelo prazer, reiterando que estávamos sozinhos e que tudo ficaria no mais absoluto sigilo. Aos poucos, com mais carícias e elogios, ele foi relaxando até que pude trabalhá-lo com a ponta do dedo enquanto eu me concentrava um pouco em seu pênis que continuava a pulsar duríssimo em minha mão. Puxei o prepúcio, expus a glande e o masturbei um pouco. Luis logo começou a projetar as nádegas e declarou não estar mais aguentando de excitação, prevenindo-me de que gozaria se eu não fizesse "o que eu tanto queria fazer". O momento tão esperado chegara enfim.

À medida que eu procurava acesso à estreita passagem, Luis agarrava-se às torneiras e sufocava gemidos. Perguntei-lhe se aquela era realmente a primeira vez na vida que ele era penetrado, mas ele devolveu-me um enfastiado "Ah...", como se o assunto fosse irrelevante. Insisti e a resposta foi negativa, porém nada convincente. Resolvi especificar, perguntando se ele nunca fora até o fim, e ele hesitou, mas calou-se. Foi preciso que eu confidenciasse ter consumado o ato com amigos para que ele finalmente admitisse que tivera uma experiência completa com um vizinho, mas apressando-se a precisar que fora uma única vez, e assim mesmo uma relação nos dois sentidos, ou seja, que ele também penetrara e ejaculara, e que depois disso passara a tocar-se sozinho durante a masturbação, e assim mesmo esporadicamente. Percebendo nessa verborragia o quanto era importante para ele afirmar-se como homem e heterossexual iniciei uma leve masturbação para provar o quanto eu lhe dava crédito. Após numerosas tentativas e inúmeros protestos de incômodo da parte dele, minha glande foi finalmente tragada e, com ajuda da água ensaboada, pude introduzir meus dezesseis centímetros até o final, unindo-me ao seu corpo e masturbando-o com mais vigor. Naquele momento, Luis estava de rosto colado ao ladrilho e havia um sorriso em seus lábios.

Enquanto eu iniciava um vaivém longo e profundo, trabalhava com a mão para proporcionar um prazer regular. A cada arremetida minha, Luis projetava as nádegas para trás. Se me acontecia de largá-lo para, por exemplo, segurá-lo pela cintura, ele logo me lembrava do combinado e eu voltava a masturbá-lo. O fato de que o seu prazer não migrava exclusivamente para o ânus deu-me a certeza de que ele não estava escondendo um desejo passivo mal assumido; seu objetivo era realmente o de amplificar o orgasmo através da penetração, coisa comum a muitos homens. Não tardei a sentir os prenúncios do meu próprio orgasmo e acelerei meus movimentos simultaneamente à masturbação. Assim que Luis avisou-me que ia gozar, senti no pênis uma série de contrações anais intensas e mal tive tempo de olhar por cima do ombro dele para vê-lo ejacular em vários jatos fartos sobre o ladrilho azul. Fiquei tão excitado que não pude mais me conter. Sem pedir permissão, entreguei-me aos espasmos. Luis tentou desvencilhar-se, mas eu o agarrara com tanta força pela cintura que foi inútil; esvaí-me até a última gota em suas entranhas. Quando cedi, ele empurrou-me e levou a mão atrás com ar apreensivo e zangado. Assegurei-o de que eu não era promíscuo e de que ele não corria perigo algum da minha parte, acrescentando que o perigo potencial era mútuo, mas que eu acreditava também poder confiar nele, já que ele namorava Luana há tanto tempo e não dava mostras de desejar traí-la. Ele não gostou de ver resíduos de esperma em seu dedo, mas acabei conseguindo acalmá-lo e restituir-lhe a confiança inicial. Afinal, todo o processo da penetração decorrera sem que nenhum dos dois mencionasse o uso de preservativo. Tomamos banho e fomos para a cozinha comer alguma coisa. Estávamos ambos famintos.


Muitos leitores sabem o quanto de constrangimento essas situações podem gerar, principalmente para aquele que faz a parte passiva da relação. Conosco não foi diferente; as duas semanas seguintes foram de afastamento e conflito interior. Para sorte minha, Luis foi maduro o suficiente para reconhecer que estava numa posição privilegiada, já que podia obter de Luana todo o prazer convencional de que necessitava e de mim a realização de desejos inconfessos. No final de novembro de 2017, pouco mais de duas semanas depois daquele primeiro encontro no chuveiro, voltamos a conversar mais à vontade, Luis voltou a pedir-me explicações sobre matérias da faculdade e temos feito sexo com naturalidade crescente. O preconceituoso Renê já não mora aqui há quase um ano e o novo ocupante é tão simpático quanto o João, mas o mero fato de sermos colocatários que se entendem não torna mais divulgável uma prática do tipo da nossa, que permanece no mais absoluto sigilo. Todavia, enquanto dura o desejo e a força de vontade de dar vazão a essas pulsões que ainda são tabu, Luis e eu vamos dando um jeito de aproveitar da melhor maneira as poucas ocasiões oferecidas por esse espaço tão único que conseguimos abrir para desenvolver a nossa sexualidade não convencional.



"...a bunda masculina mais bonita que eu já vira."



Um comentário:

Anônimo disse...

Marc, seu amigo não escreveu mais nada sobre a república dele? Essa história é demais!