Pedi a um conhecido
a permissão para redigir no meu próprio estilo e publicar no Erotexto uma
aventura vivida por ele nos últimos tempos de universitário. O relato que se
segue traduz a mais pura realidade, mas afim de aproximar o leitor da ação e
dos personagens, eu o transpus para a primeira pessoa e atualizei (2015-2018) a
época em que os fatos ocorreram. Espero que esse novo relato agrade a todos.
M. F.
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Em 2015, eu
ingressara no mestrado em engenharia quando fui convidado por veteranos da
graduação para participar do trote. Durante uma semana, as brincadeiras,
"torturas" e humilhações de praxe se sucederam dentro e fora do
campus e, embora desagradáveis para a maioria, um certo vínculo ia criando-se
com alguns dos calouros, independentemente do fato de serem nerds ou
tímidos. Luis era um desses. Coberto de uma lama composta de suor misturado a
talco, tinta, clara e gema de ovos, ele não perdia o sorriso e a disposição,
empolgado que estava pelo ingresso na Engenharia na universidade de maior
renome do Rio de Janeiro. Era impossível não observá-lo, sempre animado,
gritando as músicas que nós os mandávamos repetir. No terceiro dia, já conversávamos
um pouco e na sexta-feira da confraternização final, eu já sabia que ele não
era do Rio e estava à procura de um lugar para ficar. Habitualmente, eu rachava
apartamento com mais três, mas um deles se formara e portanto, havia uma vaga
na nossa república. Luis ficou entusiasmado com meu convite; nada mais
conveniente do que encontrar um apartamento antes mesmo do início das aulas! Como
eu precisava consultar meus colocatários, convidei-o para passar aqui em casa o
que restasse da madrugada daquela sexta-feira festiva, e dormir um pouco. No
dia seguinte conversaríamos e todos poderiam avaliar se minha indicação era
pertinente ou não. Assim foi feito, e o Luis agradou. Foi aceito por
unanimidade. No mesmo dia, ele voltou a Teresópolis, onde morava com os pais,
para fazer as malas, despedir-se da família, dos amigos e da namorada e vir
para cá na segunda-feira, primeiro dia de aulas.
Como eu disse,
éramos sempre quatro no apartamento, mas estávamos em três porque um se
formara. Eu era o mais velho, estava com vinte e cinco anos e era o único
cursando pós-graduação. Como o apartamento está em meu nome, eu tinha direito
de veto e até mesmo expulsão sobre os colocatários postulantes e antigos. Esse
era o trato e eu era irredutível quanto a isso. Vou descrever
rapidamente o quarteto para facilitar a visualização mais realista possível.
Renê tinha vinte e quatro anos em 2015, era de Magé e
estava na reta final do curso de engenharia mecânica. Era alto em magro, de
cabeça quase raspada para evitar o cabelo hirsuto. Ele não tinha um aspecto
agradável, e sabia disso, mas atraía as mulheres mais pelo impressionante
apetrecho que ele ostentava entre as pernas do que pela vivacidade de espírito.
De vez em quando, ele pedia que nos ausentássemos por algumas horas num dia
determinado para que pudesse receber alguma mulher. Cheguei a ver duas ou três
saindo de rosto corado, sorridentes, visivelmente aturdidas, mas satisfeitas. Ele
nunca se envolvia afetivamente, as relações se limitavam ao sexo. Renê e eu
raramente conversávamos fora do tópico da engenharia, e eu tinha pouca
afinidade com ele porque o considerava um tanto rígido e até preconceituoso
sobre vários temas. Ele não me incomodava, era concentrado nos estudos e queria
terminar seu curso para começar a trabalhar o quanto antes. Hoje em dia, Renê
não mora mais conosco.
João é de Resende, tinha vinte e dois anos em 2015 e
estava em pleno curso de arquitetura. Ele é simpático e bem-humorado, não há
como não gostar dele, e se o apartamento vive cheio de visitantes de ambos os
sexos, é em grande em parte por sua causa. João é sem dúvida o mais bonito de
nós quatro, com seu rosto moreno fino, grandes olhos castanhos e sobrancelhas
retas e bem feitas, traços muito regulares perfeitamente simétricos e uma
cabeleira castanha tão móvel que naquele tempo vivia tapando-lhe os olhos. Muito
falante, ele gosta de contar o dia quando nos encontramos para alguma refeição
ou simplesmente para ver televisão. Ele namora meninas lindas, que ficam
perdidamente apaixonadas e quase cometem suicídio quando ele termina com elas
para dar lugar a novos romances. João e eu sempre nos entendemos perfeitamente
e é com prazer que o ajudo até hoje nas disciplinas que a arquitetura tem em
comum com a engenharia.
Sempre é mais difícil descrever a si próprio. Como eu
disse pouco acima, eu tinha vinte e cinco anos em 2015 e estava iniciando o
mestrado. Minha família é de Vitória (ES), mas moro no Rio desde o início da
graduação em
engenharia. Sou moreno claro e tenho um metro e setenta.
Quando me olho no espelho, gosto do meu olhar, mas tenho certas restrições
quanto aos meus lábios, um pouco grossos para o meu próprio gosto. Mas eles
fazem sucesso e as namoradas gostam de mordê-los, então há muito que deixei de
me incomodar com eles. Meu cabelo não é a coisa que mais me agrada em mim, mas
como não me importo tanto assim com o aspecto físico, também não ligo muito
para ele. Optei por não namorar durante o mestrado, mas gosto de sair com
mulheres um pouco mais velhas que eu e faço isso regularmente. Do ponto de
vista puramente sexual, as circunstâncias da minha vida levaram-me a não
desenvolver uma preferência marcada por este ou aquele gênero. Tive
experiências com ambos, mas, talvez por força da cultura familiar e local,
sempre predominaram as relações com o sexo oposto.
Luis veio fechar a composição de colocatários de 2015.
Ele era o mais jovem, com vinte anos incompletos, recém-saído de Teresópolis. Ao
chegar, ele tinha o jeito característico dos moradores da Região Serrana,
gentil, sorridente e reservado. Luis ainda mora conosco. Muito claro, de
descendência alemã, ele tem um pouco mais de um metro e setenta, cabelo quase
alourado até a nuca e era o único dentre nós a possuir olhos azuis. Ele
namorava uma menina desde o início do secundário – Luana – e já declarava sem
receio que era com ela que ia se casar mais tarde e ter filhos. Luana vem ao
Rio de vez em quando, passar um fim de semana ou outro com ele, mas ela é o
fator que o mantém preso à sua cidade, onde ele passa praticamente todos os
fins de semana.
Nosso apartamento fica numa rua da Tijuca. É um sala e
quarto muito iluminado com dois amplos cômodos principais, uma cozinha que dá
para uma pequena área e um banheiro com espaço suficiente para despir-se e
enxugar-se entre o box, a pia e o vaso. Decidi alugá-lo porque ele era
semi-mobiliado, com fogão e geladeira na cozinha, sofá e poltrona na sala e – o
fator decisivo – duas camas beliche no quarto. Como a condição de aluno de
mestrado me permitiria passar mais tempo que os outros em casa, eu não queria
morar "acampado".
Talvez este seja o momento de confessar que eu gosto
de observar meus colocatários na intimidade, cada um com seu jeito e
temperamento, cada um lidando com seu corpo à sua maneira. Renê era
ostensivamente exibicionista e não perdia a menor ocasião de deixar bem clara a
sua opinião de que tamanho é, sim, documento, desfilando pela casa com a mão
nas partes e a expressão de que o balanço de um membro avantajado requer o
mesmo cuidado que os seios para uma atleta de Jogos Olímpicos. João, o
narcisista simpático, era incapaz de passar por um espelho sem dar uma
olhadinha de canto de olho e dar uma mexida no cabelo. E Luis não tardaria a
revelar um atributo que me pegou de surpresa. Em duas ou três semanas, ele já
estava bem à vontade conosco e, embora ainda fosse um pouco reservado com seu
próprio corpo, não mostrava mais sinais de inibição para sentar na sala perto
do João aos beijos com alguma namorada, entrar no banheiro com o Renê tomando
banho ou topar comigo de cueca na cozinha. Na verdade, ele logo revelou ter
praticamente os mesmos hábitos e fundiu-se perfeitamente à nossa cultura
republicana.
Aconteceu numa tarde em que eu estava sozinho
estudando quando ele voltou intempestivamente para casa. Ele entrou, disse um
"oi" ao me ver na sala, foi para o quarto tirar a roupa e meteu-se no
banheiro. Ouvi a água do chuveiro caindo, mas instantes depois ele saiu
completamente nu e foi até a sala perguntar se eu não teria um sabonete para
emprestar porque o dele acabara. Eu tinha. Passei por ele para ir até o quarto,
entreguei o sabonete e quando ele me deu as costas, tomei uma espécie de choque
estético: o Luis possuía a bunda masculina mais bonita que eu já vira. Eu já o
vira várias vezes de cueca, portanto tinha uma boa idéia geral do tipo de corpo
que era o seu, mas o que eu tinha diante dos olhos era um par de nádegas
estreitas e másculas, porém tão salientes que chamariam a atenção do mais
radical asceta. Parei na porta do quarto, hipnotizado pela alternância das
dobras sensuais formadas pelo peso delas a cada passo do Luis em direção ao
banheiro. A partir daquela terceira semana, um motorzinho silencioso começou a
trabalhar no meu cérebro.
Os dias se passaram e pouco a pouco,
imperceptivelmente, acumularam-se os meses. Nós quatro vivíamos nossas vidas
com breves momentos de encontro, até porque os três passavam a maioria dos fins
de semana em suas cidades respectivas. Eu, que morava mais longe e tinha menos
amarras com a família, permanecia no Rio e aproveitava para passar noites de
sexta ou sábado com amigos e eventualmente com alguma companhia feminina
apresentada por alguém. Embora ciente de que o meu percurso levara-me à
bissexualidade, eu me entregava à comodidade das relações heterossexuais e
deixava-me levar pela lei do menor esforço, contentando-me com clipes, gifs e
imagens de Internet para tudo que fosse pertinente ao "lado B" da
minha ambivalência. Eu continuava a deleitar-me com os flashes que o Luis
proporcionava assim que dava-me as costas com pouca ou nenhuma roupa, mas
observava calado e não dava o menor indício de interesse, de modo que essa
característica, no entanto tão forte em mim, era completamente ignorada pelos
demais. Mas como eu disse, um motorzinho ativara-se em meu cérebro, e mesmo que
ele tenha trabalhado surdamente durante quase dois anos depois daquela visão
surpreendente, uma conjunção de fatores viria a desencadear um processo
irreversível na primeira semana de novembro de 2017.
Era uma tarde de sábado como outra qualquer em que eu
ficara em casa quando os outros viajaram. Eles costumavam voltar no domingo e
eu gostava de ter o apartamento só para mim. Eu estava instalado no sofá da
sala estudando um texto complicado de um dos cursos do mestrado. Por volta das
quatro da tarde, ouço uma chave dar a volta na fechadura e Luis irrompe na sala
soltando um "Ah!" de alívio. A noite de sexta e a manhã de sábado
foram tão infernais com a família que ele decidira voltar mais cedo. Ele largou
a mochila, foi sentar no parapeito da janela, desabafou um pouco comigo durante
uns quinze minutos e foi para o quarto. Voltei ao meu texto, mas poucos minutos
depois, Luis começou a zanzar do qarto para o banheiro e vice-versa, e aquela
movimentação toda me desconcentrou. Quando olhei para tentar entender, percebi
que ele estava nu. Inferi que ele ia tomar banho, mas que, como tantas outras
vezes, esquecia alguma coisa a cada vez.
Como eu disse antes, o apartamento é pequeno. Do sofá
da sala vê-se a porta do banheiro a cerca de quatro metros. Sentado, eu via
Luis em grande escala, com a riqueza de detalhes que, por assim dizer, me
empolgava. Estávamos sozinhos e ele meio desanimado depois de momentos atrozes
com a família. Pela primeira vez em quase dois anos, resolvi mexer com ele de
um modo inédito até então. Eu disse, e me lembro como se fosse hoje:
"Cara, se você continuar para lá e para cá mostrando essa bunda, vai me
deixar nervoso!" Ele parou, olhou para trás, deu um risinho e continuou em
direção ao quarto, dizendo: "Vai à m..., cara!" Eu então perguntei
pela razão daquele vaivém incessante e ele explicou que não estava encontrando
uma cueca que ele tinha certeza de ter posto para secar no chuveiro. Eu não
sabia de nada, nunca fui dado a fetichizar com roupas de baixo, então
limitei-me a mandá-lo parar com aquilo, repetindo que a visão reiterada do
traseiro dele estava me deixando nervoso, sabendo que ele entenderia
perfeitamente a conotação que eu pretendia dar ao meu adjetivo. Ele me mandou
ir procurar mulher, mas alguma coisa me dizia que eu encontrara um filão a
explorar, então insisti, perguntando se ele sabia que ficava
"interessante" de costas, ao que ele respondeu que sim e que a
namorada dele elogiava muito. Pedi a ele que desenvolvesse um pouco mais,
sugerindo que ele me explicasse se ela se limitava realmente a elogiar as
nádegas dele ou se ela também as tocava, etcétera e tal. Ele não gostou, mas
admitiu que ela gostava de tocá-las.
A essa altura, eu me levantara. Um início de ereção já
se fazia sentir, mas embora eu estivesse apenas usando roupas de baixo, nada se
percebia sob a velha camiseta larga que eu costumava usar em casa. No quarto,
Luis soltou um "Ah! Achei!" e finalmente decidiu ir para o chuveiro,
deixando a porta entreaberta. Continuamos conversando, ele no banho e eu
encostado no batente. Ele detalhou um pouco os dissabores do fim de semana e
disse que até mesmo o sexo com a namorada fora prejudicado pelas discussões
dele coma família. Percebi que estávamos dialogando com a naturalidade de
duas pessoas vestidas. Nosso box é um volume aberto porque a porta de plástico
foi quebrada e o proprietário nunca trouxe outra. Nada se interceptava à imagem
que eu tinha de Luis tomando banho. Meticuloso, ele se ensaboou todo fora
d'água e em seguida entrou nela para enxaguar-se, percorrendo o corpo da cabeça
aos pés para tirar o sabão. Quando ele deu-me as costas e ia passando as mãos
pela cintura, não consegui ficar de boca fechada. A frase saiu espontaneamente:
"Cara, não é por nada não, mas a tua bunda é linda!" Dessa vez, ele
não se mexeu, continuou na posição que me oferecia a plena visão das nádegas
brancas e molhadas. Inferi que o gesto era um tipo de "presente" a um
amigo que acabara de confiar-lhe um segredo. Ele estava permitindo que eu
olhasse essa parte do corpo que visivelmente me agradava nele. E eu olhei e
contemplei enquanto ele permanecia na mesma posição, de costas para mim,
desensaboando-se. Duas covinhas bem definidas ornavam o baixo das costas, que a
água só fazia destacar, pondo em relevo os dois gomos lisos e rosados que o
Luis esfregava vigorosamente por dentro e por fora diante dos meus olhos
incrédulos. Mais palavras saíram da minha boca sem que eu sequer refletisse:
"Eu daria tudo para passar a mão nela!"
Luis virou-se, retomando posse do que ele oferecera
por pura generosidade. Mas eu falara com tanta sinceridade e estava tão sério
que ele não se zangou, apenas olhou-me com ar intrigado. Perguntei então se ele
nunca dirigira o olhar para as nádegas de um amigo trocando de roupa ou de
algum homem num vestiário ou academia, por exemplo. Ele disse que sim, mas no
passado, quando ainda nem tinha vida sexual. Eu então me lembrei do comentário
que ele fizera sobre os elogios da namorada e perguntei se ele não sentia prazer
com os toques dela. Ele respondeu que sim, mas apressou-se a dizer que ela não
chegava a tocá-lo mais intimamente.
— No cu, você quer dizer? precisei.
— É, disse ele rindo, encabulado.
Enveredando mais por esse caminho, perguntei se ele
tivera alguma experiencia sexual com colegas, amigos, primos ou vizinhos. Ele
negou de saída, mas diante da insistência, acabou admitindo que tivera uma ou
duas experiências com vizinhos, mas desajeitadas e não consumadas, na verdade
sequer concluídas. Eu então confessei minha adoração por essa parte do corpo
que, nele, era uma verdadeira dádiva dos deuses. Ele voltou a sorrir,
descontraiu-se e finalmente atendeu ao meu pedido de me dar as costas para que
eu olhasse mais um pouco. Agora bem-humorado, ele pôs as mãos nelas, acariciou,
pressionou, balançou zombeteiramente e deu tapinhas fazendo-as estremecer. Eu
estava tomado de uma ereção tão tenaz que as pulsações dirigiram minha atenção
para o meu próprio sexo. Acabei não resistindo ao impulso de revelar ao Luis o
efeito que o corpo dele estava causando no meu. Simultaneamente ergui a
camiseta e baixei a cueca, exibindo meu sexo que veio quase colar-se todo duro
à minha barriga. A voz do Luis ressoou numa gargalhada nervosa: "Que é
isso, cara! Guarda esse troço!"
Eu guardei, mas não sem reiterar meu desejo de
contato. Eu continuava sério e foi sério que ele me perguntou se eu estava
falando sério. Respondi que sim, que minha excitação era autêntica e me parecia
justificável, e que se ele não me deixasse tocá-lo, eu provavelmente me
aliviaria depois do banho dele, sozinho. Ele ficou por um momento em silêncio,
um pouco indeciso, e voltou a falar. Era uma proposta: ele satisfaria o meu
desejo de tocá-lo atrás se eu satisfizesse o dele de ser tocado... na frente. Ele
sabia o quanto isso aborrece um homem e talvez tenha feito a proposta
imaginando que eu fosse renunciar, mas eu não tive um momento sequer de
hesitação para concordar e ir apertar a mão dele para fechar o negócio.
Eu estava fora do box e ele dentro. Ele pôs-se de
perfil em relação a mim, oferecendo-me o lado esquerdo e dando as costas para
as torneiras à minha direita. Bastou-me estender a mão, mas ao primeiro toque,
uma mão firme empunhou-me o pulso: "Só na bunda!", impôs ele, temendo
certamente que eu fosse ultrapassar os limites. Prometi que sim e ele
lembrou-me do combinado, voltando-se ligeiramente para oferecer-me a frente. Não
havia ereção, mas seu pênis estava arqueado e pulsante. Pareceu-me um pouco
maior que o meu próprio, com cerca de dezessete centímetros ou um pouco mais. Sem
tirar a mão direita de trás, empunhei-o com a esquerda e senti-o
desenvolvendo-se e enrijecendo rapidamente até atingir as dimensões finais. "Disso
você gostou, não é, engraçadinho!" disparei rindo. Ele sorriu e,
distraído, soltou meu pulso deixando minha mão livre. Pude enfim dar vazão à
minha fantasia, acariciando primeiro uma nádega, depois a outra, lentamente
para sentir a textura em detalhes, envolvendo cada uma com a mão toda,
apalpando e pressionando com as pontas dos dedos. Em seguida, percorri as
dobras bem marcadas que o peso delas criava na fronteira com as coxas e tornei
a subir até o baixo das costas para apalpar as duas covinhas com o polegar. Em
minha mão esquerda, o membro de Luis pulsava vigorosamente. "Me faz gozar,
vai!" pediu ele, como se nada fosse, apertando a minha mão com a sua.
Foi minha vez de explorar a situação. Se eu o levasse
ao orgasmo, a excitação se extinguiria e eu ficaria literalmente "na
mão". Por outro lado, o que eu queria ultrapassava sem dúvida as
possibilidades oferecidas por alguém que se autoproclamava heterossexual. Eu
precisava conceder mais para obter mais. Decidi então iniciar uma masturbação
leve, mas pressionando o tronco do membro e evitando friccionar a glande para
não levá-lo ao clímax. Ele iniciou um vaivém, esperando que a contribuição com
o movimento aceleraria as coisas, mas eu acompanhava o vaivém e o neutralizava
cmo duas ondas em fase. "Por favor, cara!" suplicou ele, tentando
relaxar minha mão com a sua para ampliar os movimentos. Mas eu mantive a tática
e ele percebeu que não seria tão fácil. Ele quis assumir a masturbação. Era o
momento de lançar a minha proposta: "Se você me deixar sarrar, te faço
gozar. Eu gozo nas tuas costas e você na minha mão." A réplica foi imediata:
"Está achando que eu vou te dar, cara?!" disse ele, visivelmente
chocado. Respondi que pessoalmente, eu não via nada de mal nisso, mas que não
era o que eu estava pedindo. Lembro-me de ter brincado que eu só queria fazer
uma "espanhola" nas nádegas dele enquanto eu o masturbava até o gozo.
Preciso lembrar que a situação era longe de ser
simétrica. Sou seis anos mais velho que o Luis, e naquele tempo ele considerava
essa diferença colossal. Além disso, temos corpos diametricamente opostos. Sou
moreno, com abundância de pelos nos braços, coxas e pernas, o que certamente
torna menos atraente qualquer tentativa de proximidade física por parte de um
heterossexual como ele fazia questão de ser considerado. O que eu tinha a
oferecer em troca de um contato mais íntimo era de fato bem pouco. A verdade,
portanto, é que eu não o excitava. Ele se empolgou pela idéia de ser masturbado
por um amigo, mas não via interesse algum num corpo mais másculo que o dele. A
proposta de deixar-se agarrar por trás parecia desproporcional à banalidade da
masturbação. Mais uma vez e como sempre vali-me da persuasão para sair do
aperto; argumentei que estávamos sozinhos em casa, naquele contexto francamente
erótico. O que faríamos ali, os outros e ninguém mais precisariam saber. E além
disso, arrisquei, me parecera que ele não se zangaria se a namorada o tocasse,
digamos assim, mais profundamente, numa carícia a essa parte do corpo dele que
ela também dizia apreciar. Eu disse isso voltando a afagar suas nádegas em
sinal de que elas eram realmente muito sedutoras, e Luis deu-se por convencido.
Convencido? Nem tanto! Ele saiu do box, enxugou-se e,
para enorme desapontamento meu, a primeira coisa que fez foi vestir a cueca que
ele tanto procurara e que estava sobre a toalha, no secador. Ele não voltou
atrás, mas não me daria o prazer do contato direto. Baixando apenas a frente da
cueca, ele deu-me as costas, olhando sério para mim através do espelho da pia e
disse em tom amolado: "Está legal, cara... Mas vamos ficar de cueca."
E apressou-se a acrescentar: "E eu vou querer gozar, hein!"
Àquela altura, e naquele estado de excitação e desejo,
eu não tinha mais escolha e não estava disposto a recomeçar as negociações. Pouco
abaixo dos meus olhos, comprimidas pela cueca justa, as nádegas muito salientes
do Luis esticavam o elástico separando-o das costas na altura do início do
sulco, formando um pequeno "v". Meus elogios arrancaram-lhe um
sorriso encabulado. Colei-me todo a ele, segurando-o pela cintura com uma mão e
indo com a outra cumprir nosso trato. Luis estremeceu ao sentir-se empunhado e
teve que apoiar-se na pia ao perder o equilíbrio com o meu ímpeto. "Está
vendo como não é o fim do mundo?" disse eu, começando a masturbá-lo
lentamente enquanto minha ereção se consolidava mais e mais ao contato do seu
corpo. Hoje entendo bem que do ponto de vista dele, a experiência não estava
muito distante do fim do mundo. Por mais interessante que fosse a sensação de
ser masturbado por outro, deixar-se abordar daquela maneira requeria muita
abertura de espírito, e seu desconforto era visível. Ele não demorou muito a
querer desvencilhar-se de mim muito antes de atingir o orgasmo e a declarar que
aquilo não fazia sentido para ele. Recompondo-se, ele deixou-me plantado no
banheiro em plena ereção.
Praticamente não vi o Luis no resto do sábado e ele
resolveu voltar a Teresópolis no domingo, alegando a impaciência para tentar
corrigir o estrago psicológico da véspera. Da minha cama no segundo andar do
beliche, vi-o trocar de roupa por volta das seis da manhã e sair de casa ainda
antes das sete, avisando que voltaria no mesmo dia à noitinha.
A segunda e a terceira semanas de novembro escoaram-se
praticamente como se Luis e eu jamais tivéramos feito o que fizéramos naquele
primeiro sábado. Ele me cumprimentava ao entrar e sair, mas sem mais, apenas
por educação. Seu embaraço era tão evidente que eu o percebia até mesmo no
contato entre ele e os outros colocatários. João chegou a perguntar-lhe se
estava tudo bem, mas só conseguiu extrair um curto desabafo sobre os problemas
familiares. Ele me evitava na cozinha e no banheiro, e só vinha sentar-se para
ver televisão quando havia mais alguém na sala. Ele só pareceu afrouxar um
pouco a guarda a partir do meio da segunda semana, após ter-me pedido uma
explicação sobre as funções, revisão salva-vidas em todo período básico de
engenharia. Aludi a uma provável falta de base no segundo grau e acabamos tendo
uma conversa bastante madura sobre o nível lamentável do ensino no Brasil. Na
sexta-feira, senti-o quase de volta ao que era. Ao despedir-se para ir passar o
fim de semana em Teresópolis, ele me disse que voltaria no domingo de manhã
porque sabia que não teria terminado todos os exercícios que ele tinha para
fazer. Fiquei satisfeito e ofereci ajuda se ele precisasse.
Passei o sábado estudando e pensando nas consequências
do processo que eu desencadeara para o tipo de relação que eu teria dali para
frente com o Luis. Eu sabia que não fizera nada de mau; grande parte do meu
desejo tinha fundamento estético, não provinha meramente do instinto animal, o
que me parecia ser um ponto muito favorável. Além disso, algo me dizia que o
Luis era receptivo a esse tipo de solicitação, e a menção que ele fizera aos
elogios da namorada me parecia corroborar claramente essa intuição. O interregno
que estávamos vivendo há duas semanas só podia explicar-se pelo temor da
novidade e o receio de ser julgado. No final do sábado, fui dormir convencido
de que a próxima etapa seria a tentativa de obter da parte dele a admissão de
que ao menos a curiosidade persistia. Eu não tomaria mais nenhuma iniciativa se
ele não se mostrasse desejoso de retomar do ponto em que paráramos.
Luis chegou em casa por volta das dez da manhã de
domingo, desta vez cantarolando; as tensões familiares haviam cedido e os
momentos passados com a namorada sido dos mais proveitosos. Resolvi descobrir
um pouco mais sobre a relação entre ele e essa namorada com quem ele já estava
há uns quatro anos. Para surpresa minha, ele veio sentar-se ao meu lado no sofá
e começou a mostrar-me fotografias dela enquanto contava como a conhecera e
como começara o namoro. Luana tinha dezenove anos, moreninha clara de cabelo
castanho chegando aos ombros, olhos sapecas e boquinha sensual. Luis confessou
que tinha uma irresistível atração sexual por ela. Quando perguntei se ela
gostava de sexo irrestritamente, ele deu um risinho, pegou o celular e
abriu uma pasta abarrotada de fotografias. Ele a fotografara de biquíni em
inúmeras posições sensuais. Pude confirmar que seu corpo era dos mais sedutores.
Ao comentar que aquelas imagens, embora excitantes, não retratavam exatamente o
que chamamos de fazer sexo irrestritamente, ele me perguntou em tom de desafio:
"Quer mais?" Olhei com ar incrédulo, mas ele abriu outro arquivo,
desta vez contendo fotos e pequenos clipes realmente surpreendentes, nas mais
variadas situações, em vários cômodos da casa da família dele e dela, em
motéis, em passeios no campo, numa cachoeira, na praia, no carro e até duas ou
três num elevador, sem contar as várias cenas de bolinação em público no
carnaval e em dois concertos ao ar livre. Tive que dar a mão à palmatória e
reconhecer que Luana gostava, sim, de sexo irrestritamente. Nas fotos mais
explícitas dessa série, os corpos de ambos apareciam completamente e notava-se
que Luis preocupara-se em fazer tomadas à distância, com a minuteria da câmera
do celular, mas não havia sequer uma única imagem que revelasse os rostos, daí
a quase inexistência de imagens de felação, talvez umas quatro ou cinco em que
ele encobrira o rosto com imagens do celular. Conhecendo o corpo de Luis e
tendo visto as fotos da namorada de biquíni, não tive dúvida de que se tratava
deles, mas isso levou-me a supor que eles publicassem em algum site
pornográfico, o que ele confirmou, declarando sentir-se excitadíssimo com os
comentários dos visitantes.
Um aspecto que me chamou a atenção é que Luis não
demonstrava qualquer pudor para mostrar-se de costas. E não só isso, mas ele
não sentiu o menor constrangimento de permitir que eu constatasse e comentasse
isso. Vários clipes eram tomados a partir de algum móvel da casa e com o casal
numa cama ou sofá, ele por cima, movendo-se energicamente sobre ela sem
reprimir em nada os amplos movimentos das nádegas, alguns dos quais revelavam
até mesmo o sombreado da região anal. Era mais do que flagrante que ele se
orgulhava dessa parte com que a genética o presenteara. Quando, num deles, vi
Luana agarrando-as com ambas as mãos para puxá-lo, não pude deixar de comentar
que ele parecia estar apreciando, o que me valeu uma boa cotovelada. Mas
insisti e elogiei mais uma vez meu objeto de desejo, dizendo que Luana tinha
sorte de ter um namorado de mente aberta, insinuando com isso que ele toleraria
facilmente que ela fosse mais longe em suas incursões manuais. Ele sorriu calado
e continuou a mostrar-me as imagens até um certo ponto; recusou-se a mostrar as
mais recentes, que ele fizera na véspera. Embora excitado, não insisti e
disse a ele que saberia esperar. Ele sorriu novamente e foi para o quarto
arrumar suas coisas. Esforcei-me
para voltar ao estudo.
Devo ter passado mais umas duas horas lendo e tomando
notas. De vez em quando, eu ouvia Luis no quarto folheando páginas, o que me
fez lembrar dos exercícios sobre funções que ele ia terminar. A certa altura,
parei de ouvir movimento e resolvi ir dar uma espiada, apostando que ele
estaria no celular textando com a namorada em vez de estudar. Deparei com ele
deitado de bruços, negligentemente adormecido sobre os cadernos, vestindo
apenas uma cueca justa de lateral estreita que punha em destaque a elevação
abrupta que se formava a partir da acentuada concavidade das costas. Devo
ter-me apoiado ao batente para contemplar e provoquei um ruído involuntário. "Está
fazendo o que aí, cara?", perguntou ele, sonolento. Respondi que nada, já
dando as costas para voltar à sala e prevendo que ele se faria de difícil por
mais algum tempo.
Cerca de 45 minutos depois, Luis saiu do quarto
resmungando que estava com calor e que ia tomar um banho. Sem sequer refletir,
soltei um malicioso mas bem-humorado "Também vou!" ao que ele
respondeu com um arrastado "Você é que sabe.". De fato, estava um
calorão daqueles e eu já entrara no chuveiro duas ou três vezes apenas para
refrescar o corpo. Quando entrei no banheiro, Luis acabara de abrir a água. Para
me certificar de não estar sendo inconveniente, perguntei se eu podia entrar e
ele consentiu. Nosso box substituiu uma velha banheira, portanto ocupa um bom
espaço retangular de cerca de dois metros por uns setenta centímetros. Tirei a
camiseta, a cueca e fui ficar do lado oposto ao dele. Luis estava embaixo do
chuveiro tomando um banho quase frio, ensaboando o cabelo de frente para mim
com o membro pendente. Quando ele acabou de tirar o champú, avancei para entrar
no chuveiro, toquei-o e disse que estava difícil aguentar tanto tempo. Como ele
gosta dessas carícias, deixou-me sem resposta durante alguns instantes enquanto
seu pênis inchava entre meus dedos, mas o meu não tardou a roçar em sua coxa e,
talvez para evitar o cara-a-cara, ele virou-se de costas. Suas nádegas brancas
refletiram a luz intensa que inundava o banheiro. Tomei coragem e pus a mão,
invadindo o sulco com as pontas dos dedos e fazendo elogios. Sua pele
arrepiou-se toda. Passei para trás e colei-me, meu membro duro, a glande
voltada para o alto. Luis não disse nada, mas sua respiração foi ficando
ofegante e seus movimentos ondularam. O sinal verde foi dado quando ele mesmo
pegou o sabonete e o passou para mim, fechando a água e advertindo-me detestar
"a" dor. Curioso,
perguntei-lhe se ele já introduzira um dedo ou algum objeto. Ele respondeu que
costumava masturbar-se assim e que já usara o dedo, canetas e até um cabo de
escova. Ele admitiu gostar da sensação, mas unicamente porque ela amplificava o
orgasmo e provocava ejaculações intensas e copiosas. Isso deu-me a coragem para
fazer a pergunta que eu queria fazer quando ele me mostrara as fotos explícitas
com a namorada: ela o satisfazia desse ponto de vista? A resposta foi que ela
limitava-se a acariciá-lo e que ele tinha vergonha de abrir-se com ela sobre
esse aspecto; sem falar do medo de que a reação dela fosse negativa ao ponto de
terminar com um namoro que era a relação mais importante da vida dele. Enquanto
conversávamos, eu ensaboava suas costas e procurava discretamente chegar ao
fundo do sulco, o que o foi deixando cada vez mais excitado. Assim que toquei o
orifício, Luis contraiu fortemente as nádegas, mas não foi difícil convencê-lo
a deixar-se levar pelo prazer, reiterando que estávamos sozinhos, que nada
daquilo alteraria a nossa definição sexual e que tudo ficaria no mais absoluto
sigilo. Aos poucos, com mais carícias e elogios, ele foi relaxando até que pude
trabalhá-lo com a ponta do dedo enquanto eu me concentrava um pouco em seu
pênis que continuava a pulsar duríssimo em minha mão. Puxei o prepúcio, expus a
glande e o masturbei um pouco. Luis logo começou a projetar as nádegas e
declarou não estar mais aguentando de excitação, previnindo-me de que gozaria
se eu não fizesse "o que eu tanto queria fazer". O momento tão
esperado chegara enfim.
À medida que eu
procurava acesso à estreita passagem, Luis agarrava-se às torneiras e sufocava
gemidos. Perguntei-lhe se aquela era realmente a primeira vez na vida que ele
era penetrado, mas ele devolveu-me um enfastiado "Ah...", como se o
assunto fosse impertinente. Insisti e a resposta foi negativa, mas não me
convenceu. Resolvi especificar, perguntando se ele nunca fora até o fim, e ele
hesitou, mas calou-se. Foi preciso que eu confidenciasse ter consumado o ato
com amigos para que ele finalmente admitisse que tivera uma experiência
completa com um vizinho, mas apressando-se a precisar que fora uma única vez, e
assim mesmo uma relação nos dois sentidos, ou seja, que ele também penetrara e
ejaculara, e que depois disso passara a tocar-se sozinho durante a masturbação,
e assim mesmo esporadicamente. Percebendo nessa verborragia o quanto era
importante para ele afirmar-se como homem e heterossexual iniciei uma leve
masturbação para provar o quanto eu lhe dava crédito. Após numerosas tentativas
e inúmeros protestos de incômodo da parte dele, minha glande foi finalmente
tragada e, com ajuda da água ensaboada, pude introduzir-me nele até o final,
unindo-me ao seu corpo e masturbando-o com mais vigor. Naquele momento, Luis
estava de rosto colado ao ladrilho e havia um sorriso de tesão em seus lábios.
Enquanto eu
iniciava um vaivém longo e profundo, trabalhava com a mão para proporcionar um
prazer regular. A cada arremetida minha, Luis projetava as nádegas para trás.
Se me acontecia de largá-lo para, por exemplo, segurá-lo pela cintura, ele logo
me lembrava do combinado e eu voltava a masturbá-lo. O fato de que o seu prazer
não migrava exclusivamente para o ânus deu-me a certeza de que ele não estava
escondendo um desejo passivo mal assumido; seu objetivo era realmente o de
amplificar o orgasmo através da penetração, coisa comum a muitos homens. Não
tardei a sentir os prenúncios do meu próprio orgasmo e acelerei meus movimentos
simultaneamente à masturbação. Assim que Luis avisou-me que ia gozar, senti no
pênis uma série de contrações anais intensas e mal tive tempo de olhar por cima
do ombro dele para vê-lo ejacular em vários jatos fartos sobre o ladrilho azul.
Fiquei tão excitado que não pude mais me conter. Sem pedir permissão,
entreguei-me aos espasmos. Luis tentou desvencilhar-se, mas eu o agarrara com
tanta força pela cintura que foi inútil; esvaí-me até a última gota em suas
entranhas. Quando cedi, ele empurrou-me e levou a mão atrás com ar apreensivo e
zangado. Assegurei-o de que eu não era promíscuo e de que ele não corria perigo
algum da minha parte, acrescentando que o perigo potencial era mútuo, mas que
eu acreditava também poder confiar nele, já que ele namorava Luana há tanto
tempo e não dava mostras de desejar traí-la. Ele não gostou de ver resíduos de
esperma em seu dedo, mas acabei conseguindo acalmá-lo e restituir-lhe a
confiança inicial. Afinal, todo o processo da penetração decorrera sem que
nenhum de nós mencionasse o uso de preservativo. Tomamos banho e fomos para a
cozinha comer alguma coisa; estávamos ambos famintos.
Muitos leitores
sabem o quanto de constrangimento essas situações podem gerar, principalmente
para aquele que faz a parte passiva da relação. Conosco não foi diferente; as
duas semanas seguintes foram de afastamento e conflito interior. Para sorte
minha, Luis foi maduro o suficiente para reconhecer que estava numa posição
privilegiada, já que podia obter de Luana todo o prazer convencional de que
necessitava e de mim a realização de desejos inconfessos. No final de novembro
de 2017, pouco mais de duas semanas depois daquele primeiro encontro no
chuveiro, voltamos a conversar mais à vontade, Luis voltou a pedir-me
explicações sobre matérias da faculdade e temos feito sexo com naturalidade
crescente. O preconceituoso Renê já não mora aqui há quase um ano e o novo
ocupante é tão simpático quanto o João, mas o mero fato de sermos colocatários
que se entendem não torna mais divulgável uma prática do tipo da nossa, que
permanece no mais absoluto sigilo. Todavia, enquanto dura o desejo e a força de
vontade de dar vazão a essas pulsões que ainda são tabu, Luis e eu vamos dando
um jeito de aproveitar da melhor maneira as poucas ocasiões oferecidas por esse
espaço tão único que conseguimos abrir para desenvolver a nossa sexualidade não
convencional.

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