Seja bem-vindo!

Caro Visitante,

Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

Os botões "Índice" e "Resumos" propiciam acesso fácil aos textos e uma visão global do conteúdo do blogue.

Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Meu Tio Poeta

Lembro-me bem daquelas visitas ao meu quarto para o beijo de boa noite. Era um dos irmãos do meu pai, o tio Afonso. Ele era muito carinhoso comigo e eu sentia que era a sobrinha predileta. Morávamos num edifício com quatro apartamentos por andar e ele morava na porta em frente. Durante toda a minha infância e pré-adolescência, ele ia quase diariamente ao quarto que eu dividia com meu irmão desejar-nos boa noite. Às vezes ele contava alguma coisa que ele havia feito durante o dia; outras vezes, ele lia uma história; outras ainda, ele colocava uma música baixinho no aparelho que tínhamos no quarto. Quando ele julgava que havíamos pego no sono, ele nos dava um beijinho na testa e saía silenciosamente do quarto, mas muitas vezes eu me fingia de adormecida e extraía daquele beijinho final toda a volúpia que uma menina era capaz de extrair com míseros sete ou oito anos de existência.

Quando veio a adolescência, meu corpo mudou radicalmente e os hormônios se apossaram dele de maneira brutal. Tornei-me agressiva com meus colegas, tentando desajeitadamente arrancar-lhes carícias e beijos, o que deu aos mais ousados e mais oportunistas a chance de iniciar-se nas primeiras e mais superficiais etapas do jogo amoroso. Mas chegando aos doze, fui considerada linda e uma série interminável de pretendentes fazia fila para merecer o título de namorado. Não se passava um dia sem que eu trocasse inúmeros beijos de língua inundados na saliva fina e inodora daqueles tempos inocentes.

Na mesma época, em casa, tornei-me rebelde, quase insuportável por ainda não dispor de uma autonomia suficiente que me permitisse entrar e sair quando bem entendesse. Meu tio já não me visitava à noite, e isso me deixava dividida entre o alívio e uma certa insatisfação. Eu ouvia a sua voz na sala, tinha a esperança secreta de que ele fosse ao meu quarto, mas durante aquele período ingrato que vai dos doze aos quinze anos, ele privou a menina insuportável do clássico beijo de boa noite.

Lembro-me bem da primeira tentativa de reaproximação por parte do tio Afonso. Foi no dia dos meus quinze anos. A festa foi no clube Piraquê, eu estava num vestido branco deslumbrante, e dancei a tarde toda com meus amigos e colegas de escola mais bonitos, sem falar da primeira valsa com meu pai e de um momento muito sutil e especial com o meu tio Afonso. Vendo-me passar febrilmente de braço em braço para dançar com meus amigos, ele interpôs-se a um deles e puxou-me para o meio do salão de festas. Vou tentar reproduzir os diálogos que tivemos para tornar a minha narrativa o mais realista possível.
- Não sabia que você gostava de dançar, tio! eu disse.
- Gabi, pára de te assanhar com cada menino que dança contigo; está começando a dar na vista.
- Isso te incomoda, tio? lancei.
- Não me incomoda, mas teu pai e tua mãe já fizeram mil caras.
- E daí? A festa é minha, os convidados são meus e não estou fazendo nada de mais.
- Gabriela, alguns desses meninos têm mais de dezoito anos!
- São amigos meus de outras turmas, e daí?
- Eu não quero... Euh... Eles estão interessados em você!
- Tio, posso perguntar uma coisa?
- O que é?
- Você está com ciúmes?

Lembro-me dele ficando vermelho, a ponto de parecer explodir. Ele olhou em volta, localizou um dos meus amigos, confiou-me a ele e não o vi mais por alguns dias.

Não retomei meu ritmo alucinante, embora os meninos ainda me assediassem sem cessar. Durante minha festa, eu dançara várias vezes com um mesmo menino, o Denis, magro e alto, de cabelo castanho revolto e olhar penetrante, e seus beijos e carícias me convenceram a ficar com ele por mais tempo que eu concedia à maioria. Acabamos juntos até o fim do ano e só fomos separados pela força irresistível dos namoricos das férias de verão.

Meus dezesseis anos não foram fáceis. Fui muito precoce na escola e o vestibular tomou-me todo o tempo disponível. Só relaxei aos dezessete, quando passei para Informática na PUC. Pela primeira vez em anos, senti-me dócil e carinhosa, disponível com os entes queridos, meu irmão, meus pais e, claro, meu tio Afonso, que voltou a ser meu melhor amigo. Eu não sabia o que era estar sem namorado, mas gostava de passar longos momentos em casa, em companhia da família ou até sozinha, estudando, lendo ou vendo minhas séries favoritas. Meu tio escrevia e trabalhava no ramo da editoração. Ele ficava muito em casa, sempre enterrado em livros, ao computador e ao telefone. Era eu que o interrompia, chamando-o para um café e biscoitos ou uma fatia de bolo para obrigá-lo a fazer pausas. Passávamos uma meia hora na mesa da cozinha, conversando, ele descansava os olhos e os dedos e voltava para casa para retomar o trabalho.

Naquele dia, eu fora à praia sozinha num dia de semana em que não havia aula. Voltei pouco depois do meio-dia e, como estivesse sozinha – meus pais estavam trabalhando e meu irmão na escola –, permaneci de bikíni, e só com a parte de baixo. Meus seios não eram grandes e senti-los soltos me agradava. Eu sabia que se alguém chegasse seria fácil correr para o quarto e me vestir sem qualquer alarde. Fiz uma refeição leve, de salada, e fui fazer o que eu mais gostava: deitar de bruços na minha cama para ler. Na época, eu estava lendo Harry Potter em inglês, não só para praticar, mas porque eu achava que a tradução privava o leitor de toda a atmosfera dada pelo original. Eu passava horas mergulhada em toda aquela fantasia e sentia um prazer indescritível de reencontrar mais uma vez os meus amigos Harry, Ron e Hermíone que eu conhecia desde tão novinha.

Não me lembro mais há quanto tempo eu estava entregue à leitura, quando acreditei ter ouvido um farfalhar quase imperceptível perto da janela, como se fosse o roçar de um tecido na parede. Eu estava sozinha em casa, portanto virei-me para olhar a tempo de reconhecer as costas da pessoa que tentava sair de fininho do meu quarto. "Pode tratar de voltar!", gritei, furiosa.

Eu me levantara e cobrira os seios com as mãos. Quando ele voltou, vermelho como eu já o vira no dia dos meus quinze anos, meu tio estava trêmulo.
- O que você está fazendo aqui, tio? perguntei.
- N-nada... Eu vim pegar um livro do teu pai e resolvi dar uma olhada no teu quarto, mas fiquei com medo de te assustar.
- Isso é verdade?
- Eu juro, você pode acreditar em mim.

Não sei por que, mas foi num gesto de absoluta inocência que eu larguei meus seios e fui dar um beijo no rosto daquele homem que me conhecia desde o berço. Instantaneamente, senti que a retribuição fora de uma outra natureza, inteiramente nova para mim. Ele me deu um beijo no rosto, mas um bejio de lábios entreabertos, um beijo longo, indicando visivelmente querer demorar-se ali para, quem sabe, obter alguma reação minha. Eu já conhecia a trama porque muitos meninos faziam isso para conseguir beijos na boca. Numa fração de segundos, sentindo o leve arrepio dos meus seios em contato com a malha áspera da camisa pólo, todo o meu mecanismo de censura desarmou-se. Estávamos sozinhos e não havia a menor dúvida que esse tipo de segredo fica bem guardado para sempre. Concedi então ao meu tio o beijo que ele parecia aguardar tão ansiosamente. A língua dele penetrou-me a boca ao mesmo tempo que uma mão veio aninhar-se entre minhas coxas e um dedo percorreu-me a fenda. A voracidade do tio Afonso surpreendeu-me. Ele queria tudo, pôs-se a beijar-me o pescoço e afagar-me os seios enquanto eu tentava livrar-me o melhor que podia da peça que me restava do bikíni.
- Não, fica assim, pediu ele.
- De calcinha de bikíni?
- É. Quero te ver.

Ele pegou-me pela mão e fez-me rodopiar, admirando meu corpo. Nenhum namorado fizera isso até então; senti-me lisongeada e pela primeira vez admirada como mulher.
- Teu corpo está lindo, Gabi, elogiou ele, olhando-me de cima a baixo.
- Obrigada! respondi, ainda incapaz de adivinhar a sequência, mas sentindo-me extremamente excitada com a admiração daquele homem maduro pelo meu jovem corpo.
- Você me fez esperar um bocado por esse dia, Gabi, disse ele, segurando-me por ambas as mãos e olhando diretamente para os meus seios.
- É sério, tio? Você me "notava"? Eu nem podia imaginar.
- Você desabrochou como uma flor na primavera, Gabi. De repente, numa explosão, do dia para a noite, teu corpo passou da insipidez retilínea a uma volúpia exuberante. Você era jovem demais para tomar consciência disso, mas eu percebia o quanto você era precoce. Eu observava o teu comportamento com teus amigos, via o deslumbramento nos olhos deles e as tuas reações, quase sempre carregadas de uma sensualidade que revelava claramente a tua autoconsciência. Mas eu, é claro, não podia manifestar minha própria admiração por esse aspecto da existência da minha sobrinha; isso seria por demais mal visto por todos, em primeiro lugar pelo meu irmão, teu pai. Mas...
- Mas você...
- Eu te desejo como nunca desejei ninguém na vida, Gabi.

Ele disse isso se aproximando muito de mim e pondo a mão num seio meu. Senti que ele estava profundamente excitado, e não posso negar que também estava. Enquanto nos beijávamos, sua mão passeou pelo meu corpo indo até as nádegas, praticamente expostas com a calcinha de bikíni exígua que eu estava usando. Senti que ele estava me conduzindo muito gentilmente em direção à minha cama. Ele sentou-me nela e ficou de pé afagando-me o cabelo e olhando-me diretamente nos olhos. A ereção dele era perceptível na bermuda cáqui. Eu já vira cenas como aquela em filmes, sabia que seria capaz de agir com maturidade, então, sem hesitar, abri o botão da bermuda e baixei o zíper. Meu tio livrou-se dela e ficou de cueca, uma cueca de um branco imaculado que me pareceu muito nova. Ainda vejo seu membro rebatido para o lado, como um longo pepino curvo. Ele puxou-me carinhosamente pela cabeça, convidando-me a tocá-lo ainda vestido. Lembrei-me dos filmes e abocanhei aquele relevo bem no meio, fingindo morder, enquanto acariciava as coxas daquele homem de mais de quarenta anos que viria a ser o primeiro homem maduro em minha vida. Ele suspirava de excitação com a pressão dos meus dentes no corpo do seu pênis que forçava o elástico da cueca, parecendo um animal vivo ansioso por liberdade.
- Baixa minha cueca, pediu ele, numa voz profunda e quase num sussurro.
- Assim? retruquei, obedecendo de pronto e vendo saltar para frente o sexo masculino mais bonito e perfeito que eu já vira até então, um belo membro envolto numa pele levemente mais escura que o resto do corpo, encurvado para cima e pulsando intensa e frequentemente.
- Quando ele mede, tio? perguntei, realmente admirada, empunhando-o de pronto.
- Dezessete por cinco, respondeu ele, suspirando ao meu contato.
- Olha como escorre!

Lembro-me que essa observação me saiu espontaneamente porque assim que puxei um pouco o prepúcio para trás, um espesso fio transparente desceu até o chão. Eu já vira o fenômeno algumas vezes com namorados, mas jamais em tal quantidade. Fiquei olhando estarrecida até ser interrompida por ele.
- Você pode provar isso, se quiser. Não é ruim.
- Eu sei, só tenho nojo da... da outra coisa! respondi rindo.
- Então... Eu adoraria ver, Gabi.

Terminei de expor a cabeça puxando a pele toda para trás. Ela era grande, tinha uma forma bonita e bem definida e estava encharcada dessa baba transparente que lubrifica tão bem o sexo do homem. Meu tio aproximou-se mais e eu abri a boca para admitir somente a cabeça vermelha, que deixei pousar na língua e envolvi com a boca como se fosse uma fruta.
- Estou vendo que não sou o primeiro, comentou meu tio com malícia na voz.
- Acorda, tio! Tenho quase dezoito!
- É verdade, seria um desperdício mesmo, disse ele convidando-me a chupá-lo com uma leve pressão da mão por trás da minha cabeça.

Enquanto eu me deliciava com aquela companhia adulta e segura de si, eu me dizia que minha vida sexual estava mudando daquele momento em diante. Foi ali que eu dei um basta nos meninos nervosos e superexcitados que costumavam ter ejaculações ao primeiro toque da minha boca ou no primeiro contato com meu corpo. Tio Afonso parecia saber para onde ia, conhecer cada etapa do processo que leva ao clímax tanto do homem quanto da mulher. Ele me conduzira até ali e ia continuar orientando-me ao longo da consumação do ato. Toquei-me discretamente e senti que estava tão molhada quanto ele. Enquanto isso, ele mergulhava seu sexo em minha boca em vários ângulos, ensaiando aprofundar-se e vendo que eu admitia uma boa porção dele, ainda que não fosse capaz de realizar a fantasia masculina da deep throat.
- Estou ensopada, tio... disse eu, afastando-me e olhando-o nos olhos.
- Imagino, retrucou ele. Vamos cuidar disso já.

Ele ajoelhou-se no chão entre minhas pernas, pôs ambas as mãos sobre minhas coxas, em seguida percorreu-as até deixá-las por trás de mim e puxou-me para ele colando a boca na minha calcinha de bikíni, fazendo-me deitar e abrir as pernas como uma rã, por puro reflexo. Ele lambeu, lambeu como um gato o meu monte de Vênus, enquanto eu me contorcia de desejo e me felicitava intimamente por ter tido a inspiração de retocar a depilação na véspera. Eu estava mais do que lisa e isso me tranquilizava sobremaneira. E de fato, ele não perdeu tempo. Puxando destramente minha calcinha para o lado, ele descobriu completamente minha vagina e ficou olhando à distância.
- Linda como eu imaginava!
- Imaginava desde quando, seu tarado? brinquei.
- Há coisas que o homem não pode dizer, Gabi.
- Entendi, respondi, piscando um olho e em seguida tirando agilmente a calcinha para facilitar as coisas.

Ele abriu minhas pernas e rebateu-as sobre o meu corpo facilmente com as suas mãos grandes de homem feito. Em seguida, ele merguhou de boca no meu sexo, lambendo-o, sugando-o e engolindo ruidosamente o líquido abundante. Cada toque da língua provocava um choque elétrico que se propagava pelo meu corpo. Sua mão trabalhava simultaneamente, ora escovando-me o clitóris, ora penetrando-me com o polegar. A certa altura, ele ergueu a cabeça e falou comigo, olhos nos olhos.
- Quem foi o primeiro, Gabi? Eu conheço?
- Conhece sim. Você o viu na minha festa de quinze anos. Foi o menino a quem você me entregou antes de ir embora. Lembra?
- Vagamente, vagamente... Eu estava zangado, ali.
- Com ciúmes.
- É, com ciúmes, não vou mentir.

Ele repôs-se a lamber, ternamente, aplicando a língua em toda a extensão da minha vagina. Eu a sentia percorrendo meus grandes lábios e roçando na borda dos pequenos lábios sem forçá-los. Bastou-lhe imprimir um pouco mais de esforço nas mãos para forçar minhas coxas mais para trás e expor o outro ponto tão cobiçado por todo homem. Ele contemplou sorrindo durante alguns momentos...
- Tão fechadinho, comentou quase apiedado.
- E o que é que você queria, tio? Não sou do tempo em que as meninas queriam ficar virgens!
- Até que era interessante, esse tempo, sabia?
- Eu sei, mas... Aaaaah!

Ele merguhou novamente entre minhas pernas e afundou a ponta da língua em pleno alvo, arrancando-me um grito. Nunca nenhum namorado me fizera isso. A avidez de penetrar era sempre tão grande que eles não se davam conta de que o carinho nessa área é algo de extremamente prazeroso. Meu tio parecia querer demorar-se ali, contornando o orifício com a língua, cutucando-o e ensalivando-o abundantemente. Puxei minhas pernas para trás ao máximo e o mais abertas possível para facilitar-lhe o acesso. Senti sua língua trabalhar por toda a área, do cóccix ao clitóris. Ele parecia querer conhecer cada centímetro do meu corpo, afagando-me as coxas e a cintura sem parar de lamber-me com sua lingua quente e ágil. Fui ficando num estado tal de excitação que o desejo de ser penetrada ocupou integralmente o meu pensamento, mas os primeiros orgasmos aconteceram antes e só fizeram ampliar minha avidez. Ele parecia comprazer-se em levar-me ao clímax sem consumar o ato. Eu gemia e gritava e quase arrancava o cabelo dele a cada vez que a onda me invadia e me fazia ver tudo negro por frações de segundo, deixando-me ofegante e trêmula.
- V-vem, tio... Por favor, anda..., gemia eu, desnorteada.

Eu estava toda decomposta quando ele se levantou e ficou me olhando. Eu negligenciara minha posição e continuava de pernas escancaradas, apoiada nos cotovelos, olhando seu membro duro e inchado apontar para o teto. Ele limitou-se a fazer um gesto com o dedo indicador, vários pequenos círculos no ar, que interpretei da forma correta e pus-me de quatro na cama. Ele aproximou-se, segurou-me pelas ancas e colou seu pênis entre minhas nádegas. Pude senti-lo pulsar e estremeci de apreensão.
- Linda! exclamou ele, acariciando-me os flancos e as costas.
- Não estou aguentando, tio, supliquei, agitando-me um pouco para que ele agisse.
- Quero que você olhe para trás, Gabi.

Fiz o que ele mandou e pude ver pelo canto dos olhos quando ele forçou seu membro para baixo e pôs-se a pincelar-me os lábios vaginais. Chegara o momento. Aprumei-me nos joelhos e braços e, sem deixar de olhar para trás, dei-lhe o sinal de que estava pronta. Daquele momento em diante, meu tio me possuiu sem interrupção durante cerca de quarenta minutos, nas posições mais conhecidas, mas explorando cada uma delas como nenhum dos meus namorados ou parceiros de sexo até então. O roçar dos testículos dele ora em minhas coxas, ora em meu períneo, ora em minhas nádegas dava-me a certeza de que cada estocada era funda e as penetrações integrais, e a presença do seu membro maciço em meu interior era tão prazerosa que a cada vez que ele se afastava eu o chamava de volta gemendo.
- Ai, tio, ninguém nunca me...
- Fala.
- Ninguém nunca fez assim comigo. Você está me virando do avesso, sussurrei entre gemidos.
- Se não fosse eu, seria um amigo do seu pai, o pai de alguma amiga sua ou um homem mais velho qualquer, mas você estava pronta para um homem maduro, Gabi. Seria desperdício ficar brincando com essa meninada incompetente e incapaz de concentração, disse ele, sem interromper o vaivém, comigo agora debruçada em minha mesa de estudo.
- Você acha? gemi, tentando em vão agarrar-me a alguma coisa e já enfraquecida pela sucessão de orgasmos.
- Sem dúvida. Vem me chupar de novo, ordenou ele.

Trocamos de lugar, ele sentou-se na mesa e voltei a abocanhar seu membro, sentindo-me bem mais à vontade com ele. Após breve interrupção, meu tio continuou a falar.
- Você recebeu a dádiva de um rosto lindo e um corpo perfeito, Gabi; seria um crime não usar isso. O sexo é uma atividade inesgotável que você pode aperfeiçoar ao longo de toda a vida. Você já conheceu homens jovens, agora um homem maduro, e vai continuar, entrando em contato com casais, com grupos e até com mulheres.
- Mulheres? Não tenho nenhuma atração!
- Tudo depende da ocasião, Gabi. No sexo, o que manda na nossa conduta é a excitação do momento. Se você encontrar outras mulheres lindas, não tenha dúvida de que não vai rejeitá-las.
- Pode ser, pode ser...

A certa altura, meu tio começou a olhou em volta.
- O que é que você está procurando? perguntei.
- Você tem algum gel? Se não tiver, creme hidratante serve.
- Gel de...
- É, de sexo anal. Você não faz com seus amigos?
- Seu te disser que nunca deixei, você acredita?
- É sério?
- Sempre tive medo da dor ou que estragasse alguma coisa.
- O sexo anal é uma arte, minha querida, disse ele fazendo um gesto galante. Voa para o bidê que eu vou resolver esse pequeno problema para você.

Entendi prontamente o que ele quis dizer e fui ao banheiro preparar-me. O máximo que eu fizera até então fora introduzir um fino vibrador anal cromado, presente de uma amiga. Eu o utilizava sozinha porque sabia que o dia viria em que algum homem não me perdoaria se eu lhe negasse o sexo anal. Intimamente eu considerava meu orifício apertado demais para acolher um pênis, e alguns vídeos corroboravam essa impressão minha; as expressões de dor e desconforto no rosto das mulheres submetidas a ele causavam-me uma boa dose de apreensão. Até hoje, raras são as vezes em que eu acredito no prazer que as "profissionais" estampam no rosto, mas devo admitir que com meu tio Afonso, tive uma das melhores experiências, senão a melhor.

Quando voltei do banheiro, ele estava calmamente sentado em minha cama, recostado na parede e folheando um livrinho japonês.
- Você gosta de erotismo japonês?
- Um amigo me emprestou. Acho os desenhos bem feitos e é muito sensual, mas os japoneses gostam de muita diferença de idade no sexo. Acho exagerado.
- E nós? Tenho idade para ser teu pai.
- Sim, mas você pelo menos me esperou! retruquei de pronto. Você já viu a cara dessas meninas das revistas?
- É, quase bebês. Também me revolta um pouco.

A resposta dele agradou-me. Eu me sentara ao lado dele e recostara a cabeça em seu ombro para ver a revista, mas ele a folheou mais duas ou três vezes apenas e logo atirou-a longe para beijar-me ternamente. Levei instintivamente a mão ao seu pênis que jazia amolecido sobre a coxa e logo senti-o enrijecer e crescer.
- "Alguém" tinha prometido me ajudar a resolver um probleminha, cobrei, tocando a ponta do nariz do meu tio com o dedo.
- E vou ajudar! disse ele, saltando da cama. Você vai ficar de quatro ali, no tapete.

Antes de tomar a posição, fui até o armário e tirei do fundo um frasco de gel importado, presente da mesma amiga que me dera o vibrador anal. Entreguei-o ao meu tio e pus-me de quatro da maneira mais confortável possível para as minhas costas, isto é, deixando as curvarem-se preguiçosamente para baixo. Eu já sabia que isso punha as nádegas em destaque.
- Hum! Linda! exclamou meu tio. Perdi a conta de quantas vezes ele fez esse comentário naquele dia!

Ele ajoelhou-se ao meu lado, pôs uma boa quantidade de lubrificante na concavidade da mão e untou-me generosamente o orifício com o dedo, chegando a penetrá-lo ligeiramente.
- Faz um pouquinho de força para fora, depois solta. Várias vezes.
- Vou tentar.

Senti que o dedo dele ia sendo "tragado" aos poucos, até afundar-se completamente em meu ânus. Ele então começou a massagear-me interiormente em movimentos circulares. Minha excitação retomou os níveis anteriores e meu pensamento preencheu-se com a idéia da penetração.
- Acho que estou pronta, tio, gemi.
- É, acho que sim, disse ele, untando fartamente o pênis. Ele passou para trás de mim, não de joelhos, mas de cócoras, e apoiou-se firmemente em meus flancos.
- Olha para trás, Gabi.

Com a mão, ele direcionou o pênis e senti o contato da cabeça exatamente no ponto de entrada. Uma leve pressão permitiu que ele se encaixasse o suficiente para não escapulir e logo senti a pegada firme das duas mãos grandes em minhas ancas.
- Ai, já estou com medo, tio! confessei.
- Bobagem. Vou empurrar bem devagar e paro ao menor sinal de desconforto teu.
- Está bem.

Não vou detalhar a enorme quantidade de pequenas sensações que aquela primeira verdadeira penetração anal da minha vida provocou. Só vou dizer que uma vez que a mulher é penetrada assim, passa a ver o sexo de outra forma. É intenso demais! Além disso, a submissão é evidente e a vulnerabilidade é total quando se está ali, de quatro, com o homem montado e encaixado até os testículos. Uma vez vencida a fase da dor, que é inegavelmente intensa, o prazer invadiu-me de maneira avassaladora, tornando-me ainda mais entregue àquele homem de quem eu esperava tudo menos o prazer sexual. À certa altura, precisei masturbar-me e devo dizer que raras vezes senti os espasmos do orgasmo de maneira tão intensa quanto naquela situação. Fui ficando tão fraca que precisei arrastar-me até a cama para debruçar-me nela enquanto meu tio desferia sem parar estocadas firmes e profundas, gemendo muito e exclamando que nunca sentira tanto prazer na vida. Cerca de dez minutos depois, ele anunciou que teria enfim seu orgasmo, o primeiro em duas horas praticamente ininterruptas de atividade sexual, se eu levar em conta todos os beijos, masturbações, cunilinguus, felações e penetrações. Praticamente a montado a cavalo em minhas nádegas, ele cravou-se em mim com toda a força uma, duas, três, quatro vezes, urrando e despejando seu sêmen em jatos que eu podia adivinhar pelas intensas expansões anais provocadas pelas pulsações do pênis. Imóvel eu estava e imóvel fiquei. O sexo anal desnorteia e o prazer auferido dele é de uma outra natureza, bem diferente do vaginal. Senti-me literalmente prostrada, o tronco mole e a cabeça sobre os braços, gemendo, gemendo, gemendo. Quando meu tio retirou-se de mim, percebi que ele agarrou firmemente minhas nádegas e fechou-as, agitando-as um pouco.
- O que é que você está fazendo? perguntei, intrigada.
- Evitando que saia.
- Você acha que vai sair?
- Costuma escorrer, mas quero que você fique com a minha semente como lembrança desse dia. Não me lembro de ter sentido tanto prazer com uma mulher. Eu nunca vou esquecer.

Lembro-me de ter dado uma risadinha, mas senti-me lisongeada com tantos agrados. Permaneci naquela posição durante longos minutos enquanto meu tio me afagava o cabelo e me cobria de beijos carinhosos. Em seguida, tomamos banho juntos, pus um short e camiseta confortáveis e fiz um café para comermos com bolo. Pela primeira vez, senti uma espécie de relaxamento total do meu corpo, que englobava uma série de novos músculos pertencentes às regiões solicitadas pela atividade erótica. Minha boca, vagina e ânus pareciam ainda preenchidos pelo sexo generoso do meu tio. Minha vontade era de não parar de sorrir. E foi o que fiz enquanto durou aquele primeiro encontro verdadeiramente significativo entre nós.

A partir daquele dia, tornei-me uma verdadeira secretária do meu tio Afonso. Ele me retribuia com sexo as horas e horas que eu dedicava escaneando ou transcrevendo seus milhares de velhos textos ao computador. Fomos parceiros de cama dos meus dezoito anos quase vinte e três, vésperas do meu casamento, e devo confessar que embora ele esteja hoje bem avançado em anos, nossa relação jamais foi definitivamente interrompida.



"Fiz o que ele mandou e pude ver pelo canto dos olhos..."


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Eu gostaria de receber um parecer seu. Obrigado!