Lembro-me bem
daquelas visitas ao meu quarto para o beijo de boa noite. Era um dos irmãos do
meu pai, o tio Afonso. Ele era muito carinhoso comigo e eu sentia que era a
sobrinha predileta. Morávamos num edifício com quatro apartamentos por andar e
ele morava na porta em
frente. Durante toda a minha infância e
pré-adolescência, ele ia quase diariamente ao quarto que eu dividia com meu
irmão desejar-nos boa noite. Às vezes ele contava alguma coisa que ele havia
feito durante o dia; outras vezes, ele lia uma história; outras ainda, ele
colocava uma música baixinho no aparelho que tínhamos no quarto. Quando ele
julgava que havíamos pego no sono, ele nos dava um beijinho na testa e saía
silenciosamente do quarto, mas muitas vezes eu me fingia de adormecida e
extraía daquele beijinho final toda a volúpia que uma menina era capaz de
extrair com míseros sete ou oito anos de existência.
Quando veio a
adolescência, meu corpo mudou radicalmente e os hormônios se apossaram dele de
maneira brutal. Tornei-me agressiva com meus colegas, tentando desajeitadamente
arrancar-lhes carícias e beijos, o que deu aos mais ousados e mais oportunistas
a chance de iniciar-se nas primeiras e mais superficiais etapas do jogo
amoroso. Mas chegando aos doze, fui considerada linda e uma série interminável
de pretendentes fazia fila para merecer o título de namorado. Não se passava um
dia sem que eu trocasse inúmeros beijos de língua inundados na saliva fina e
inodora daqueles tempos inocentes.
Na mesma época, em
casa, tornei-me rebelde, quase insuportável por ainda não dispor de uma
autonomia suficiente que me permitisse entrar e sair quando bem entendesse. Meu
tio já não me visitava à noite, e isso me deixava dividida entre o alívio e uma
certa insatisfação. Eu ouvia a sua voz na sala, tinha a esperança secreta de
que ele fosse ao meu quarto, mas durante aquele período ingrato que vai dos
doze aos quinze anos, ele privou a menina insuportável do clássico beijo de boa
noite.
Lembro-me bem da
primeira tentativa de reaproximação por parte do tio Afonso. Foi no dia dos
meus quinze anos. A festa foi no clube Piraquê, eu estava num vestido branco
deslumbrante, e dancei a tarde toda com meus amigos e colegas de escola mais
bonitos, sem falar da primeira valsa com meu pai e de um momento muito sutil e
especial com o meu tio Afonso. Vendo-me passar febrilmente de braço em braço
para dançar com meus amigos, ele interpôs-se a um deles e puxou-me para o meio
do salão de festas. Vou tentar reproduzir os diálogos que tivemos para tornar a
minha narrativa o mais realista possível.
— Não sabia que você gostava de dançar, tio! eu disse.
— Gabi, para de te assanhar com cada menino que dança
contigo; está começando a dar na vista.
— Isso te incomoda, tio? lancei.
— Não me incomoda, mas teu pai e tua mãe já fizeram
mil caras.
— E daí? A festa é
minha, os convidados são meus e não fiz nada de mais.
— Gabriela, alguns desses meninos têm mais de dezoito
anos!
— São amigos meus de outras turmas, e daí?
— Eu não quero... Euh... Eles estão interessados em
você!
— Tio, posso perguntar uma coisa?
— O que é?
— Você está com ciúmes?
Lembro-me dele ficando vermelho, a ponto de parecer
explodir. Ele olhou em volta, localizou um dos meus amigos, confiou-me a ele e
não o vi mais por alguns dias.
Não retomei meu ritmo alucinante, embora os meninos
ainda me assediassem sem cessar. Durante minha festa, eu dançara várias vezes
com um mesmo menino, o Denis, magro e alto, de cabelo castanho revolto e olhar
penetrante, e seus beijos e carícias me convenceram a ficar com ele por mais
tempo que eu concedia à maioria. Acabamos juntos até o fim do ano e só fomos
separados pela força irresistível dos namoricos das férias de verão.
Meus dezesseis anos não foram fáceis. Fui muito
precoce na escola e o vestibular tomou-me todo o tempo disponível. Só relaxei
aos dezessete, quando passei para Informática na PUC. Pela primeira vez em
anos, senti-me dócil e carinhosa, disponível com os entes queridos, meu irmão,
meus pais e, claro, meu tio Afonso, que voltou a ser meu melhor amigo. Eu não
sabia o que era estar sem namorado, mas gostava de passar longos momentos em
casa, em companhia da família ou até sozinha, estudando, lendo ou vendo minhas
séries favoritas. Meu tio escrevia e trabalhava no ramo da editoração. Ele
ficava muito em casa, sempre enterrado em livros, ao computador e ao telefone. Era
eu que o interrompia, chamando-o para um café e biscoitos ou uma fatia de bolo
para obrigá-lo a fazer pausas. Passávamos uma meia hora na mesa da cozinha,
conversando, ele descansava os olhos e os dedos e voltava para casa para
retomar o trabalho.
Naquele dia, eu fôra à praia sozinha num dia de semana
em que não havia aula. Voltei pouco depois do meio-dia e, como estivesse
sozinha — meus pais estavam trabalhando e meu irmão na escola — permaneci de
bikini, e só com a parte de baixo. Meus seios não eram grandes e senti-los
soltos me agradava. Eu sabia que se alguém chegasse seria fácil correr para o
quarto e me vestir sem pânico. Fiz uma refeição leve, de salada, e fui
fazer o que eu mais gostava: deitar de bruços na minha cama para ler. Na época,
eu estava lendo Harry Potter em inglês, não só para praticar, mas porque eu
achava que a tradução privava o leitor de toda a atmosfera dada pelo original. Eu
passava horas mergulhada em toda aquela fantasia e sentia um prazer
indescritível de reencontrar mais uma vez os meus amigos Harry, Ron e Hermione
que eu conhecia desde tão novinha.
Não me lembro mais há quanto tempo eu estava entregue
à leitura, quando acreditei ter ouvido um farfalhar quase imperceptível perto
da janela, como se fosse o roçar de um tecido na parede. Eu estava sozinha em
casa, portanto virei-me para olhar a tempo de reconhecer as costas da pessoa
que tentava sair de fininho do meu quarto. "Pode tratar de voltar!",
gritei, furiosa.
Eu me levantara e cobrira os seios com as mãos. Quando
ele voltou, vermelho como eu já o vira no dia dos meus quinze anos, meu tio
estava trêmulo.
— O que você está fazendo aqui, tio? perguntei.
— N-nada... Eu vim pegar um livro do teu pai e resolvi
dar uma olhada no teu quarto, mas fiquei com medo de te assustar.
— Isso é verdade?
— Eu juro, você pode acreditar em mim.
Não sei por que, mas foi num gesto de absoluta
inocência que eu larguei meus seios e fui dar um beijo no rosto daquele homem
que me conhecia desde o berço. Instantaneamente, senti que a retribuição fora
de uma outra natureza, inteiramente nova para mim. Ele me deu um beijo no
rosto, mas um beijo de lábios entreabertos, um beijo longo, indicando
visivelmente querer demorar-se ali para, quem sabe, obter alguma reação minha. Eu
já conhecia a trama porque muitos meninos faziam isso para conseguir beijos na
boca. Numa fração de segundos, sentindo o leve arrepio dos meus seios em
contato com a malha áspera da camisa pólo, todo o meu mecanismo de censura
desarmou-se.
Estávamos sozinhos e não havia a menor dúvida que esse tipo de
segredo fica bem guardado para sempre. Concedi então ao meu tio o beijo que ele
parecia aguardar tão ansiosamente. A língua dele penetrou-me a boca ao mesmo
tempo que uma mão veio aninhar-se entre minhas coxas e um dedo percorreu-me a
fenda. A voracidade do tio Afonso surpreendeu-me. Ele queria tudo, pôs-se a
beijar-me o pescoço e afagar-me os seios enquanto eu tentava livrar-me o melhor
que podia da peça que me restava do bikini.
— Não, fica assim, pediu ele.
— De calcinha de bikini?
— É. Quero te ver.
Ele pegou-me pela mão e fez-me rodopiar, admirando meu
corpo. Nenhum namorado fizera isso até então; senti-me lisonjeada e pela
primeira vez admirada como mulher.
— Teu corpo está lindo, Gabi, elogiou ele, olhando-me
de cima a baixo.
— Obrigada! respondi, ainda incapaz de adivinhar a
sequência, mas sentindo-me extremamente excitada com a admiração daquele homem
maduro pelo meu jovem corpo.
— Você me fez esperar um bocado por esse dia, Gabi,
disse ele, segurando-me por ambas as mãos e olhando diretamente para os meus
seios.
— É sério, tio? Você me notava? Eu nem
podia imaginar.
— Você desabrochou como uma flor na primavera, Gabi. De
repente, numa explosão, do dia para a noite, teu corpo passou da insipidez
retilínea a uma volúpia exuberante. Você era jovem demais para tomar
consciência disso, mas eu percebia o quanto você era precoce. Eu observava o
teu comportamento com teus amigos, via o deslumbramento nos olhos deles e as
tuas reações, quase sempre carregadas de uma sensualidade que revelava
claramente a tua autoconsciência. Mas eu, é claro, não podia manifestar minha
própria admiração por esse aspecto da existência da minha sobrinha; isso seria
por demais mal visto por todos, em primeiro lugar pelo meu irmão, teu pai. Mas...
— Mas você...
— Eu te desejo como nunca desejei ninguém na vida,
Gabi.
Ele disse isso se aproximando muito de mim e pondo a
mão num seio meu. Senti que ele estava profundamente excitado, e não posso
negar que também estava. Enquanto nos beijávamos, sua mão passeou pelo meu
corpo indo até as nádegas, praticamente expostas com a calcinha de bikini
exígua que eu estava usando. Senti que ele estava me conduzindo muito
gentilmente em direção à minha cama. Ele sentou-me nela e ficou de pé
afagando-me o cabelo e olhando-me diretamente nos olhos. A ereção dele era
perceptível na bermuda cáqui. Eu já vira cenas como aquela em filmes, sabia que
seria capaz de agir com maturidade, então, sem hesitar, abri o botão da bermuda
e baixei o zíper. Meu tio livrou-se dela e ficou de cueca, uma cueca de um
branco imaculado que me pareceu muito nova. Ainda vejo seu membro rebatido para
o lado, como um longa barra curva. Ele puxou-me carinhosamente pela cabeça,
convidando-me a tocá-lo ainda vestido. Lembrei-me dos filmes e abocanhei aquele
relevo bem no meio, fingindo morder, enquanto acariciava as coxas do homem que viria a ser o primeiro homem maduro da minha vida.
Ele suspirava de excitação com a pressão dos meus dentes no corpo do seu pênis
que forçava o elástico da cueca, parecendo um animal vivo ansioso por liberdade.
— Baixa minha cueca, pediu ele, numa voz profunda e
quase num sussurro.
— Assim? retruquei, obedecendo de pronto e vendo
saltar para frente o sexo masculino mais bonito e perfeito que eu já vira até
então, um belo membro envolto numa pele levemente mais escura que o resto do
corpo, encurvado para cima e pulsando intensmente.
— Quando mede, tio? perguntei, realmente admirada,
empunhando-o de pronto.
— Dezessete assim e cinco assim, respondeu ele, indicando com o dedo o comprimento e o diâmetro, e suspirando ao
meu contato.
— Olha como escorre!
Lembro-me que essa observação me saiu espontaneamente
porque assim que puxei um pouco o prepúcio para trás, um espesso fio
transparente desceu até o chão. Eu já vira o fenômeno algumas vezes com
namorados, mas jamais em tal quantidade. Fiquei olhando estarrecida até ser
interrompida por ele.
— Você pode provar isso, se quiser. Não é ruim.
— Eu sei, só tenho nojo da... da outra coisa! respondi
rindo.
— Então... Eu adoraria ver, Gabi.
Terminei de expor a cabeça puxando a pele toda para
trás. Ela era grande, tinha uma forma bonita e bem definida e estava encharcada
dessa baba transparente que lubrifica tão bem o sexo do homem. Meu tio
aproximou-se mais e eu abri a boca para admitir somente a cabeça vermelha, que
deixei pousar na língua e envolvi com a boca como se fosse uma fruta.
— Estou vendo que não sou o primeiro, comentou meu tio
com malícia na voz.
— Acorda, tio! Tenho quase dezoito!
— É verdade, seria um desperdício mesmo, disse ele
convidando-me a chupá-lo imprimindo uma leve pressão da mão por trás da minha cabeça.
Enquanto eu me deliciava com aquela companhia adulta e
segura de si, eu me dizia que minha vida sexual estava mudando daquele
momento em diante. Foi ali que eu dei um basta nos meninos nervosos e
superexcitados que costumavam ter ejaculações ao primeiro toque da minha boca
ou no primeiro contato com meu corpo. Tio Afonso parecia saber para onde ia,
conhecer cada etapa do processo que leva ao clímax tanto do homem quanto da
mulher. Ele me conduzira até ali e ia continuar orientando-me ao longo da
consumação do ato. Toquei-me discretamente e senti que estava tão molhada
quanto ele. Enquanto isso, ele mergulhava seu sexo em minha boca em vários
ângulos, ensaiando aprofundar-se e vendo que eu admitia uma boa porção dele,
ainda que não fosse capaz de realizar a fantasia masculina da garganta profunda.
— Estou ensopada, tio... disse eu, afastando-me e
olhando-o nos olhos.
— Imagino, retrucou
ele. Vamos cuidar disso já.
Eu continuava sentada na cama. Ele ajoelhou-se no
chão entre minhas pernas, pôs ambas as mãos sobre minhas coxas, em seguida
percorreu-as até o final e puxou-me para ele colando a boca
na minha calcinha de bikini, fazendo-me deitar e abrir as pernas na posição da rã. Ele lambeu, lambeu como um gato o meu monte de Vênus,
enquanto eu me contorcia de desejo e me felicitava intimamente por ter tido a
inspiração de retocar a depilação na véspera. Eu estava mais do que lisa e isso
me tranquilizava sobremaneira. E de fato, ele não perdeu tempo. Puxando
destramente minha calcinha para o lado, ele se afastou um pouco para contemplar.
— Linda como eu
imaginava!
— Imaginava desde
quando, seu tarado? brinquei.
— Há coisas que o
homem não pode dizer, Gabi.
— Entendi,
respondi, piscando um olho e em seguida tirando agilmente a calcinha para
facilitar as coisas.
Ele escancarou minhas
pernas e rebateu-as sobre o meu corpo facilmente com suas manoplas de
homem feito. Em seguida, ele mergulhou de boca no meu sexo, lambendo-o,
sugando-o e engolindo ruidosamente o líquido abundante. Cada toque da língua
provocava um choque elétrico que se propagava pelo meu corpo. Sua mão
trabalhava simultaneamente, ora escovando-me o clitóris, ora penetrando-me com
o polegar. A certa altura, ele ergueu a cabeça e falou comigo, olhos nos olhos.
— Quem foi o
primeiro, Gabi? Eu conheço?
— Conhece sim. Você
o viu na minha festa de quinze anos. Foi o menino a quem você me entregou antes
de ir embora. Lembra?
— Vagamente,
vagamente... Eu estava zangado, ali.
— Com ciúmes.
— É, com ciúmes,
não vou mentir.
Ele repôs-se a
lamber, ternamente, aplicando a língua em toda a extensão da minha vagina. Eu a
sentia percorrendo meus grandes lábios e roçando na borda dos pequenos lábios
sem forçá-los. Bastou-lhe imprimir um pouco mais de esforço nas mãos para
forçar minhas coxas mais para trás e expor o outro ponto tão cobiçado por todo
homem. Ele contemplou sorrindo durante alguns momentos...
— Tão fechadinho,
comentou quase apiedado.
— E o que é que
você queria, tio? Não sou do tempo em que as meninas queriam ficar virgens!
— Até que era
interessante, esse tempo, sabia?
— Eu sei, mas...
Aaaaah!
Ele acabara de cravar a ponta da língua em pleno alvo,
arrancando-me um grito. Nunca nenhum namorado me fizera isso. A avidez de
penetrar era sempre tão grande que eles não se davam conta de que o carinho
nessa área é algo de extremamente prazeroso. Meu tio parecia querer demorar-se
ali, contornando o orifício com a língua, cutucando-o e ensalivando-o
abundantemente. Puxei minhas pernas para trás ao máximo e o mais abertas
possível para facilitar-lhe o acesso. Senti sua língua trabalhar por toda a
área, do cóccix ao clitóris. Ele parecia querer conhecer cada centímetro do meu
corpo, afagando-me as coxas e a cintura sem parar de lamber-me com sua lingua
quente e ágil. Fui ficando num estado tal de excitação que o desejo de ser
penetrada ocupou integralmente o meu pensamento, mas os primeiros orgasmos
aconteceram antes e só fizeram ampliar minha avidez. Ele parecia comprazer-se
em levar-me ao clímax sem consumar o ato. Eu gemia e gritava e quase arrancava
o cabelo dele a cada vez que a onda me invadia e me fazia ver tudo negro por frações
de segundo, deixando-me ofegante e trêmula.
— V-vem, tio... Por
favor, anda..., gemia eu, desnorteada.
Eu estava toda
decomposta quando ele se levantou e ficou me olhando. Eu negligenciara minha
posição e continuava de pernas escancaradas, apoiada nos cotovelos, olhando seu
membro duro e inchado apontar para o teto. Ele limitou-se a fazer um gesto com
o dedo indicador, vários pequenos círculos no ar, que interpretei da forma
correta e pus-me de quatro na cama. Ele aproximou-se, segurou-me pelas ancas e
colou seu pênis entre minhas nádegas. Pude senti-lo pulsar e estremeci de
apreensão.
— Linda! exclamou
ele, acariciando-me os flancos e as costas.
— Não estou
aguentando, tio!, supliquei, agitando-me para que ele agisse.
— Quero que você
olhe para trás, Gabi.
Fiz o que ele
mandou e pude ver pelo canto dos olhos quando ele forçou seu membro para baixo
e pôs-se a pincelar-me os lábios vaginais. Chegara o momento. Aprumei-me nos
joelhos e braços e, sem deixar de olhar para trás, dei-lhe o sinal de que
estava pronta. Daquele momento em diante, meu tio me possuiu sem interrupção
durante cerca de quarenta minutos, nas posições mais conhecidas, mas explorando
cada uma delas como nenhum dos meus namorados ou parceiros de sexo até então. O
roçar dos testículos dele ora em minhas coxas, ora em meu períneo, ora em
minhas nádegas dava-me a certeza de que cada estocada era funda e as
penetrações integrais, e a presença do seu membro maciço em meu interior era
tão prazerosa que a cada vez que ele se afastava eu o chamava de volta gemendo.
— Ai, tio, ninguém
nunca me...
— Fala.
— Ninguém nunca fez
assim comigo. Você está me virando do avesso, sussurrei entre gemidos.
— Se não fosse eu,
seria um amigo do seu pai, o pai de alguma amiga sua ou um homem mais velho
qualquer, mas você estava pronta para um homem maduro, Gabi. Seria desperdício
ficar brincando com essa meninada incompetente, egoísta e incapaz de concentração, disse
ele, sem interromper o vaivém comigo, agora debruçada em minha mesa de estudo.
— Você acha? gemi,
tentando em vão agarrar-me a alguma coisa e já enfraquecida pela sucessão de
orgasmos.
— Sem dúvida. Vem
me chupar de novo, ordenou ele.
Trocamos de lugar,
ele sentou-se na mesa e voltei a abocanhar seu membro, sentindo-me bem mais à
vontade com ele. Após breve interrupção, meu tio continuou a falar.
— Você recebeu a
dádiva de um rosto lindo e um corpo perfeito, Gabi; seria um crime não usar
isso. O sexo é uma atividade inesgotável que você pode aperfeiçoar ao longo de
toda a vida. Você já conheceu homens jovens, agora um homem maduro, e vai
continuar, entrando em contato com casais, com grupos e até com mulheres.
— Mulheres? Não
tenho nenhuma atração!
— Tudo depende da
ocasião, Gabi. No sexo, o que manda na nossa conduta é a excitação do momento.
Se você encontrar outras mulheres lindas, não tenha dúvida de que não vai
rejeitá-las.
— Pode ser, pode
ser...
À certa altura, meu
tio começou a olhou em volta.
— O que é que você
está procurando? perguntei.
— Você tem algum
gel? Se não tiver, creme hidratante serve.
— Gel de...
— É, de sexo anal.
Você não faz com seus amigos?
— Seu te disser que
nunca deixei, você acredita?
— É sério?
— Sempre tive medo
da dor ou que estragasse alguma coisa.
— O sexo anal é uma
arte, minha querida, disse ele fazendo um gesto galante. Voa para o bidê que eu
vou resolver esse pequeno problema para você.
Entendi prontamente
o que ele quis dizer e fui ao banheiro preparar-me. O máximo que eu fizera até
então fora introduzir um fino vibrador anal cromado, presente de uma amiga. Eu
o utilizava sozinha porque sabia que o dia viria em que algum homem não me
perdoaria se eu lhe negasse o sexo anal. Intimamente eu considerava meu
orifício apertado demais para acolher um pênis, e alguns vídeos corroboravam
essa impressão minha; as expressões de dor e desconforto no rosto das mulheres
submetidas a ele causavam-me uma boa dose de apreensão. Até hoje, raras são as
vezes em que eu acredito no prazer que as "profissionais" estampam no
rosto, mas devo admitir que com meu tio Afonso, tive uma das melhores
experiências, senão a melhor.
Quando voltei do
banheiro, ele estava calmamente sentado em minha cama, recostado na parede e
folheando um livrinho japonês.
— Você gosta de
erotismo japonês?
— Um amigo me
emprestou. Acho os desenhos bem feitos e é muito sensual, mas os japoneses
gostam de muita diferença de idade no sexo. Acho exagerado.
— E nós? Tenho
idade para ser teu pai.
— Sim, mas você
pelo menos me esperou! retruquei de pronto. Você já viu a cara dessas meninas
das revistas?
— É, quase bebês.
Também me revolta um pouco.
A resposta dele
agradou-me. Eu me sentara ao lado dele e recostara a cabeça em seu ombro para
ver a revista, mas ele a folheou mais duas ou três vezes apenas e logo atirou-a
longe para beijar-me ternamente. Levei a mão ao seu pênis que
jazia amolecido sobre a coxa e logo senti-o enrijecer e crescer.
— "Alguém"
tinha prometido me ajudar a resolver um probleminha, cobrei, tocando a ponta do
nariz do meu tio com o dedo.
— E vou ajudar!
disse ele, saltando da cama. Fica de quatro ali, no tapete.
Antes de tomar a
posição, fui até o armário e tirei do fundo um frasco de gel importado,
presente da mesma amiga que me dera o vibrador anal. Entreguei-o ao meu tio e
pus-me de quatro da maneira mais confortável possível para as minhas costas,
isto é, deixando as curvarem-se preguiçosamente para baixo. Eu já sabia que
isso punha as nádegas em destaque.
— Hum! Linda!
exclamou meu tio. Perdi a conta de quantas vezes ele fez esse comentário
naquele dia!
Ele ajoelhou-se ao
meu lado, pôs uma boa quantidade de lubrificante na concavidade da mão e
untou-me generosamente o orifício com o dedo, chegando a penetrá-lo
ligeiramente.
— Faz um pouquinho
de força para fora, depois solta. Várias vezes.
— Vou tentar.
Senti que o dedo
dele ia sendo "tragado" aos poucos, até afundar-se completamente em
meu ânus. Ele então começou a massagear-me interiormente em movimentos
circulares. Minha excitação retomou os níveis anteriores e meu pensamento
preencheu-se com a ideia da penetração.
— Acho que estou
pronta, tio, gemi.
— É, acho que sim,
disse ele, untando fartamente o pênis. Ele passou para trás de mim, não de
joelhos, mas de cócoras, e apoiou-se em meus flancos.
— Olha para trás,
Gabi.
Com a mão, ele
direcionou o pênis e senti o contato da cabeça exatamente no ponto de entrada.
Uma leve pressão permitiu que ele se encaixasse o suficiente para não escapulir
e logo senti a pegada firme das duas mãos grandes em minhas ancas.
— Ai, já estou com
medo, tio!
— Bobagem. Vou
empurrar bem devagar e paro ao menor sinal de desconforto.
— Está bem.
Não vou detalhar a
enorme quantidade de pequenas sensações que aquela primeira verdadeira
penetração anal da minha vida provocou. Só vou dizer que uma vez que a mulher é
penetrada assim, passa a ver o sexo de outra forma. É intenso demais! Além
disso, a submissão é evidente e a vulnerabilidade é total quando se está ali,
de quatro, com o homem montado e encaixado até os testículos. Uma vez vencida a
fase da dor, que é inegavelmente intensa, o prazer invadiu-me de maneira
avassaladora, tornando-me ainda mais entregue àquele homem de quem eu esperara
tudo na vida, menos o prazer sexual. À certa altura, precisei masturbar-me e devo dizer
que raras vezes senti os espasmos do orgasmo de maneira tão intensa quanto
naquela situação. Fui ficando tão fraca que precisei arrastar-me até a cama
para debruçar-me nela enquanto meu tio arremetia sem parar estocadas firmes e
profundas, gemendo muito e exclamando que nunca sentira tanto prazer na vida.
Cerca de dez minutos depois, ele anunciou que teria enfim seu orgasmo, o
primeiro em duas horas praticamente ininterruptas de atividade sexual, se eu
levar em conta todos os beijos, masturbações, cunilinguus, felações e
penetrações. Praticamente montado a cavalo em minhas nádegas, ele cravou-se
em mim com toda a força uma, duas, três, quatro vezes, urrando e despejando seu
sêmen em jatos que eu podia adivinhar pelas intensas expansões anais provocadas
pelas pulsações do pênis. Imóvel eu estava e imóvel fiquei. O sexo anal
desnorteia e o prazer auferido dele é de uma outra natureza, bem diferente do
vaginal. Senti-me literalmente prostrada, o tronco mole e a cabeça sobre os
braços, gemendo, gemendo, gemendo. Quando meu tio retirou-se de mim, percebi
que ele agarrou firmemente minhas nádegas e fechou-as, agitando-as.
— O que é que você
está fazendo? perguntei, intrigada.
— Evitando que saia.
— Você acha que vai
sair?
— Costuma escorrer,
mas quero que você fique com a minha semente como lembrança desse dia. Não me
lembro de ter sentido tanto prazer com uma mulher. Eu nunca vou esquecer.
Lembro-me de ter
dado uma risadinha, mas senti-me lisonjeada com tantos agrados. Permaneci
naquela posição durante longos minutos enquanto meu tio me afagava o cabelo e
me cobria de beijos carinhosos. Em seguida, tomamos banho juntos, pus um short
e camiseta confortáveis e fiz um café para comermos com bolo. Pela primeira
vez, senti uma espécie de relaxamento total do meu corpo, que englobava uma
série de novos músculos pertencentes às regiões solicitadas pela atividade
erótica. Minha boca, vagina e ânus pareciam ainda preenchidos pelo sexo
generoso do meu tio. Minha vontade era de não parar de sorrir. E foi o que fiz
enquanto durou aquele primeiro encontro verdadeiramente significativo entre nós.
A partir daquele
dia, tornei-me uma verdadeira secretária do meu tio Afonso. Ele me retribuía
com sexo as horas e horas que eu dedicava escaneando ou transcrevendo seus
milhares de velhos textos ao computador. Fomos parceiros de cama dos meus
dezoito anos quase vinte e três, vésperas do meu casamento, e devo confessar
que embora ele esteja hoje bem avançado em anos, nossa relação jamais foi
definitivamente interrompida.

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