O que me
perturbava, com a Cléia, era saber que ela fazia sexo oral com colegas meus. Assim
que ela entrava em sala, eu olhava para aquele sorriso falsamente inocente e
ficava imaginando quem teria sido o felizardo da véspera, e à medida que as
aulas iam se sucedendo eu ia aprendendo as novidades e ficando cada vez mais
excitado ao olhar para essa colega de mente tão aberta.
Certo dia, o Caio,
um colega com quem eu me entendia sempre muito bem conseguiu que um dos que
recebiam os favores da Cléia o autorizasse a assistir escondido a uma dessas
felações tórridas, que se passaria na própria escola, durante o recreio, na
sala do material esportivo. Isso me valeu um convite para ir com ele e, alguns
minutos antes da hora H, lá fomos nós para o local combinado, procurar um
esconderijo. Decidimos ficar atrás de uma pilha de tatames de judô, de onde
teríamos acesso visual a tudo que se passasse na sala, e assim que ouvimos
vozes, ficamos absolutamente imóveis.
A porta foi aberta
pelo Túlio, um dos alunos que ficavam sempre na última fileira das salas e por
quem eu não tinha a menor simpatia. Ele entrou seguido pela Cléia, que puxara
para cima a saia plissada do uniforme e exibia aquele par de coxas que deixava
a todos nós transtornados de excitação. Por último, entraram
mais dois, os inseparáveis irmãos Lineu e Armando. Olhei para o Caio, que
fingiu esfregar uma mão na outra e piscou o olho de empolgação enquanto o Lineu
fechava cuidadosamente a porta.
— Quem vai ser o primeiro? sussurrou o Túlio
nervosamente, passando a mão pela calça já marcada pela ereção.
— Eu! Disseram os irmãos simultaneamente, também num
sussurro.
— Empatou, então vou ser eu o primeiro, retrucou
Túlio, com um sorriso malicioso entre os dentes.
Cléia estava parada entre os três de braços cruzados,
como se esperasse pela decisão, e parecia tranquila, como se aquilo fizesse
parte da sua rotina diária. Eu, com meus botões, me perguntava se ela não teria
o menor nojo de fazer aquilo assim, sem a menor higiene prévia, mas tudo
indicava que não. Voltado para
ela, Túlio abriu o botão da calça, baixou o zíper e em seguida, com as duas
mãos, o elástico da cueca, liberando o pênis que saltou já completamente duro
para fora para ficar oscilando no ar. Os irmãos entreolharam-se dando uma
risadinha, mas a Cléia parecia olhar concentrada para o membro que ela estava
sendo convidada a pôr na boca. Aproximando-se do Túlio, ela o empunhou por cima
como se para avaliá-lo e puxou destramente para trás o prepúcio, revelando uma
glande inchada e de bom tamanho enquanto Túlio dava um pequeno gemido de
desconforto.
Ao meu lado, Caio
parecia agitadíssimo, com a mão enfiada no bolso, certamente agarrado ao pênis
duro. Quanto a mim, estava tão curioso para saber de que modo a coisa se
desenrolaria que, embora sentindo minha ereção, preferi não me tocar de pronto.
Dois metros à nossa frente, Cléia curvou-se, deu algumas lambidas rápidas na
glande do Túlio e pegando uma porção da saia, passou a língua no avesso dela,
voltando logo em seguida ao pênis do nosso colega. Os irmãos entreolharam-se e
olharam juntos para o primeiro agraciado, que exibia um sorriso exultante
enquanto Cléia começava a desfrutar com gosto do seu sexo, soltando curtos
"Hmm! Hmm!" a cada ida e vinda.
Em dado momento,
vendo-a curvada e talvez considerando-a ocupada demais para reagir, Lineu
tentou agarrar Cléia por trás, mas ela reagiu imediatamente, interrompendo a
felação, erguendo-se e ameaçando muito seriamente parar tudo. Uns cascudos do
irmão bastaram para que o espertinho se aquietasse e voltasse ao papel de mero
espectador. Lembro-me que a cena me fez refletir sobre o motivo para uma reação
tão hostil da parte da Cléia. O sexo oral é sem dúvida infinitamente mais
comprometedor do que um toque dos corpos através da roupa, mas ela se comportou
como se estivesse sofrendo assédio. Concluí que embora em posição aparentemente
vulnerável, era na verdade a Cléia que estava no comando. Ela não estava ali
"concedendo" nada; estava auferindo prazer daqueles três incautos.
O fato, porém, é
que o clima fôra rompido e a Cléia não parecia mais disposta a retomar o que
estava fazendo com o Túlio. Desmotivada, ela mostrou a intenção de parar tudo.
— Ah não, Cléia,
por favor! implorou o organizador do encontro, com a mão no pênis ainda duro,
olhando-a com ar desamparado.
— É, Cléia, a gente
teve tanto trabalho para arrumar esse lugar e combinar tudo direito! disse
Armando, o irmão mais quieto.
— Se foi por minha
causa, desculpa, vai, suplicou o causador do incômodo.
Do nosso
obervatório, Caio e eu torcíamos para que a sessão fosse retomada, masa a única
coisa que aconteceu foi uma irrupção intempestiva na sala de esportes.
— O que é que está
acontecendo aqui? gritou o professor de judô, que todos tratávamos de sensen,
parado em posição de ataque no meio da porta escancarada, certamente
acreditando ter surpreendido uma cena extremamente suspeita.
— N-não é n-nada,
sensen, disse o Armando, apavorado.
— Não é nada? Então
o que é que o Túlio está fazendo de braguilha aberta?
— Eu... Eu só
estava mostrando uma coisa para eles, defendeu-se o rapaz mal e porcamente.
— Isso eu estou
vendo, que você estava "mostrando uma coisa"!
A situação ia
certamenta periclitar se Cléia não tivesse intervindo de maneira muito
decidida, explicando ao instrutor de judô que eles eram muito amigos e que o
Túlio queria mostrar uma espinha que aparecera "lá" naquela manhã;
que ele não precisava enervar-se nem levar o fato ao diretor porque não
acontecera nada de mais.
— Bom, se é você
que está dizendo... Mas não quero ninguém aqui. Os quatro para fora, e já!
Eles saíram em
silêncio, mas para desespero nosso, o sensen ficou, e tivemos que passar pela
cena constrangedora de vê-lo tirar a roupa e vestir o quimono. Por sorte, ele
foi rápido e não tirou a cueca. Assim que ele terminou, alguém bateu na porta e
ele foi atender. Surpresa: era a Cléia.
Ela passou por ele
e o deixou com a maçaneta na mão, olhando espantado. Ela continuava com a saia
alta e as coxas de fora, coisa que não passou despercebida ao nosso instrutor,
um cara de cerca de trinta anos e corpo esculpido pelo esporte.
— Você não vai
mesmo dizer nada ao diretor, não é? cobrou ela com falsa inquietude na voz,
indo encostar-se na pilha de tatames atrás da qual Caio e eu nos encontrávamos.
— Isso não é com
vocês; ainda não decidi, disse ele diante de um armário aberto, pendurando
as roupas no cabide.
— Eu prefiro que
você não conte, disse a Cléia.
— Ah é? E se eu
achar que devo contar para o seu bem? Você já ouviu falar em más companhias?
— Eles não são más
copanhias, são meus amigos.
— Que tal você
deixar isso comigo? Qual é seu nome mesmo? Você não é minha aluna de judô.
— Meu nomem é Cléia
e não, não faço judô. O que é que eu preciso fazer para você não contar nada ao
diretor? Ele é amigo do meu pai e se você contar, a coisa lá em casa vai
esquentar.
— Você não precisa
fazer nada; não vou negociar com aluno, Cléia! disse ele, descontente, elevando
a voz.
Até ali,
conseguíamos ver o sensen, mas da Cléia só era possível ouvir a voz. Pudemos
voltar a vê-la quando caminhou até o lado oposto da sala, a uns cinco metros
dele e, diante do nosso olhar incrédulo, ergueu a saia.
— Será que isso
ajuda um pouco? perguntou ela olhando sem pestanejar para o sensen enquanto
exibia na íntegra o par de coxas que terminava numa calcinha estreitamente
ajustada ao monte de Vênus.
O sensen foi em
silêncio até a porta e deu duas voltas na longa chave de casa velha. Em
seguida, caminhou até a Cléia, colou-se nela agarrando-a pela cintura e deu-lhe
um tremendo beijo de língua enquanto, com a outra mão (víamos muito bem esse
braço), invadiu-lhe as nádegas por baixo da saia. A menina suspirou, toda
ofegante, parecendo um pouco assustada com a forma pronta com que o sensen
aceitara a sua proposta de manter silêncio, mas ele logo tornou-se
incontrolável, beijando-a na boca e no pescoço, tomado de excitação. Do nosso
posto, todo cuidado era pouco para não provocar ruídos atrás da pilha de
tatames. De repente, ouvimos a voz sussurrada do sensen.
— Tira a calcinha,
rápido.
Cléia obedeceu
prontamente. Ao lado deles havia uma mesa e uma cadeira. O sensen afastou a
cadeira e a pôs sentada na mesa, arreganhando suas pernas para tão-logo mergulhar
entre elas, arrancando um ruído sibilar da garota que tentava agarrar-se às
bordas da mesa. Ele a devorou ávidamente durante alguns momentos, a tal ponto
que ela precisou fechar as pernas e prender-lhe a cabeça durante o que nos
pareceu ser um primeiro orgasmo. Em seguida, após livrar-se agilmente da calça
do quimono, ele liberou seu pênis e o enterrou nela até o fim, como se diz,
"sem dó nem piedade", arrancando-lhe desta vez um gemido que veio do
âmago.
— Eu sou quase
virgem, sua besta! exclamou ela, sussurrando por medo mas desejando dizer isso
aos berros, socando-lhe os ombros e empurrando-o para fora dela.
— Quase? Quase
virgem não existe, menina, disse o homem, tentando inutilmente puxá-la para si.
— Não! Não quero
assim! fez ela, repelindo-o.
— Olha, menina, não
estou entendendo mais nada. Há dois minutos, você estava se oferecendo toda e
agora...
— Você não me
deixou mais falar, disse ela, olhando para baixo e passando a mão na vagina.
— Então fala, mas
fala rápido porque não podemos passar o dia todo aqui.
— Eu não ia te dar
desse jeito.
— Desse jeito como?
— Eu não queria
aqui, fez ela, apontando para entre as pernas.
— Não queria, mas
agora que já entrou... Deixa de ser complicada.
— Não, é sério, aí
eu quero só com os namorados muito especiais. Eu só fiz uma vez com um menino
que eu gostei muito no ano passado.
— Você não se
parece nada com isso, sabia, toda saidinha desse jeito!
— As aparências
enganam, já ouviu falar?
— Sei, você é
certinha e toda pura, não é?
— Não é isso, mas
eu tenho o direito de escolher como usar o meu corpo, concorda?
— O que eu sei é
que com isso tudo, eu fiquei doido por esse corpo e não vou sair daqui enquanto
não ficar satisfeito. É isso ou aguentar as consequências quando eu contar o
que eu vi hoje ao diretor.
— Espera. Me deixa
descer daqui.
E a Cléia
supreendeu mais uma vez seus pobres espectadores boquiabertos. Descendo da
mesa, ela deu as costas ao sensen e debruçou-se nela, exibindo o par de nádegas
mais incríveis que eu jamais vira até aquela data.
— Agora põe atrás,
autorizou ela.
Incapaz de
controlar-se, Caio, ao meu lado, abriu a calça e pôs-se a masturbar-se, decisão
que eu não tardaria a imitar. A poucos metros de nós, o sensen colou o pênis
entre as nádegas da Cléia e começou a esfregar-se nela, dizendo coisas lascivas.
— Você é bem
putinha mesmo, hein, garota. Quer dizer que a bucetinha é só para os namorados,
não é?
— Fechadinha só
para eles, disse ela com dengo na voz e olhando para trás.
— Está bem, então
eu vou no cuzinho. Respira fundo, gracejou ele, deixando um longo fio de saliva
cair sobre a glande já colada ao orifício.
Ele não fez mais
cerimônia para enrabar a Cléia do que fizera para penetrá-la na frente. Ela
abafou um berro com a mão e debateu-se inutilmente com a verga já toda cravada
em suas entranhas. O sensen engrenou num vaivém vigoroso e não tardou a ejetar
nela uma bela quantidade de esperma que logo escorreu pelas pernas, sem sequer
dar-lhe tempo de ter prazer.
— Você é um animal,
cara! exclamou ela, sempre sussurrando, agora tocando no ânus e olhando os
dedos para conferir se havia algum estrago.
— Confessa, esse
cuzinho já viu foi pau, tô certo? disse ele, debochado, revelando uma grosseria
até ali oculta. Meu pau entrou que nem colher no pudim!
— Grosso! retrucou
ela, já tornando a vestir a calcinha.
— Relaxa, gatinha.
Seu pedido vai ser atendido.
— Você não vai
contar nada?
— Prometido e
jurado! fez ele, beijando os indicadores cruzados.
Cléia limpou-se com
lenços de papel que o sensen lhe deu, depois alisou a blusa, retificou a saia e
ajustou-a comportadamente na altura recomendada pela diretoria. Quando esteve
pronta, olhou bem nos olhos do professor de judô.
— E que isso também
fique entre nós, está bem? fez ela, indicando a "cena do crime" com
os olhos. Se você revelar a alguém da escola que isso aconteceu, eu vou ficar
sabendo e os seus dias de sensen estarão contados. Entendeu bem?
— Sim senhora,
entendi. Pode ficar tranquila porque sou um túmulo com essas coisas.
— Espero porque o
interesse é seu, disse ela, já encaminhando-se para a porta.
Ufa! A questão
estava encerrada, mas Caio e eu fomos obrigados a permanecer em nosso
esconderijo até que o sensen se recuperasse do choque causado pela experiência
louca que ele acabara de viver, e resolvesse sair. Duas pequenas poças
esbranquiçadas no chão, atrás da pilha de tatames, e algumas gotas diante da
mesa foram as únicas evidências de que algo de anormal acontecera ali e rompera
a rotina de um dia de aula. De volta à classe, vendo a Cléia conversando
descontraidamente com outros colegas nossos (prováveis candidatos a novas
aventuras?), não pudemos deixar de admirá-la pelo modo como ela resolveu o
assunto com tanta maturidade.

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