37. Combatendo a Ansiedade
Por mais que Kleber a tanquilize por
telefone e em pessoa, assegurando-a de que o emprego de secretária é seu porque
a empresa é dele e que portanto quem decide, em última análise, é ele, Aninha
está ansiosa com a espera pelo chamado da parte de Maximiliano Borges, diretor
de produção da Sincrotec. Ela procura preencher seus dias com saídas diversas:
passeios, praia, cinema, shopping, barzinhos e algumas visitas a antigos
conhecidos. Aos poucos, entretanto, à ansiedade soma-se a carência sexual; já
faz algum tempo que ela teve sua aventura com os dois amigos que conheceu na
praia. Ela percebe que suas saídas começam a ter por objetivo a busca de um
parceiro de cama.
É uma fresca quarta-feira de julho. Aninha
decide passar a tarde no Shopping Rio Sul, seu preferido. Ela percorre os
corredores e os andares, entra nas lojas, experimenta aqui e ali, compra uma
sandália e decide tomar um lanche. Uma pequena fila está formada e, à sua
frente, a mulher de um casal jovem dirige-se a ela com muita simpatia e sotaque
paulistano. Eles trocam algumas palavras e o casal acaba convidando Aninha a
sentar-se com eles. Os três logo se identificam, os assuntos se sucedem, aninha
conta de maneira romanceada a sua aventura de gerente em Cabo Frio , omitindo, é
claro, os nomes e as reais peripécias que acabaram trazendo-a de volta ao Rio. O
casal é de São Paulo capital. Ele se chama Axel, tem 30 anos e é um bem
sucedido analista de sistemas; ela se chama Beth e é professora numa escolinha
para crianças ricas. Aninha
sente uma ponta de inveja de vidas como as deles, mas a companhia é agradável e
ela se deixa levar no embalo do que der e vier. O programa acaba estendendo-se
até Copacabana porque Axel descobriu que um filme de ficção científica que ele
esperava acabou de entrar em cartaz. Aninha jamais teve paciência para a
ficção científica, mas sempre há uma primeira vez, diz ela a si mesma,
suspirando.
No cinema, Aninha
senta-se ao lado de Beth. Por sorte, Ex-machina é um filme repleto de beleza e
sensualidade capaz de prender até mesmo alguém cru como ela. Além disso, assim
que o erotismo desponta na tela, Aninha percebe na penumbra o trabalho manual
intenso do jovem casal. Axel beija lascivamente a esposa que, momentos antes,
abrira amplamente as pernas para que ele encaixasse a mão entre elas,
cruzando-as em
seguida. Aninha consegue ouvir a respiração ofegante da
moça e cochichos indistintos dele, certamente dizendo-lhe coisas obcenas. Se
eles fossem estranhos, ela daria um jeito de tocar-se observando-os, mas seu
vestido, muito curto, tornaria qualquer gesto flagrante demais. Ela limita-se a
ver e ouvir.
O filme progride e a
questão central da inteligência artificial escapa por completo à inteligência
natural de Aninha, que anseia pelas cenas mais eróticas e concentra-se no
aspecto sexual do filme, que, diga-se, não é desprezível, já que o protagonista
se serve irrestritamente das suas lindas robôs. Subitamente, ela sente uma mão
quente espalmar-se sobre sua coxa e percorrê-la em sentido ascendente. De
pronto, ela pensa que Beth, tomada de excitação, deu-se essa liberdade, mas ela
logo percebe que se trata da mão do marido, Axel, que passou pela esposa com
seu pleno consentimento e veio pousar na coxa desnuda da nova amiga. Aninha
olha de rabo de olho para Beth, que lhe sorri enquanto a mão forte escala e vai
instalar-se entre suas pernas, forçando-a a abri-las. Avançando o corpo, Axel
faz-lhe o sinal de que ela o imite e beija-a lascivamente enquanto seus dedos
travam conhecimento com o relevo do seu sexo através do fino e bem ajustado
tapa sexo da calcinha. Findo o beijo, é a mão de Beth que toma lugar sobre sua
coxa, desta vez para tranquilizá-la quanto ao pleno consentimento da manobra. Aninha
sente-se encharcada. Ela puxa discretamente o vestido para cima e se oferece à
mão de Beth que a acaricia até quase provocar um orgasmo. O filme está perdido.
Eles só esperam que termine para disparar rumo ao apartamento do casal.
No carro alugado,
Beth faz o percurso até o Leblon com a mão diretamente sobre o sexo do marido. No
elevador do prédio, as duas mulheres agarram-se a Axel e se alternam beijando-o
enquanto ele acaricia suas nádegas. Assim que a porta do apartamento se abre,
Beth se precipita em direção ao quarto e Axel vai para a cozinha preparar
bebidas.
— Ana, o banheiro é
na primeira porta do corredor! grita ela.
Os três se
reencontram na sala, Beth usando uma leve saída de banho e sem soutien, Axel
ainda vestido e Aninha também, embora tenha optado por já livrar-se da
calcinha. Os três sentam-se no sofá com Axel ao meio e brindam com um gin
tônica preparado por ele. Eles tomam um primeiro gole e Beth logo decide que o
marido está vestido demais e começa a abrir-lhe o cinto para tirar-lhe a calça.
Ele está usando uma boxer imaculada, cujo "recheio" desperta
imediatamente o interesse de Aninha.
— Me ajuda a deixar
esse homem nu, Ana, diz a anfitriã.
— Demorou! exclama
Ana, descurando da linguagem que a denuncia sem surpreender seus novos amigos.
— Você precisa ver a
ferramenta desse homem! Não casei com ele à toa não! diz Beth, bem-humorada,
pondo na diagonal a espessa barra que distende a cueca, sem ainda expô-la.
— Hum! Já dá para
adivinhar, diz Ana, lambendo os lábios enquanto termina de remover a calça de
Axel e atira-a na poltrona.
Quando Aninha volta
a sentar-se ao lado dele, Axel está acariciando os seios da mulher e beijando-a
profundamente enquanto ela empunha seu pênis com força ainda por fora da boxer,
fazendo-o gemer. Ela pega a mão dele e coloca sobre sua coxa. Como no cinema,
ele a percorre até descobrir a vagina lisa que ele ainda não tivera a
oportunidade de apalpar desnuda. Beth o empurra para o lado, instigando-o a
dedicar-se um pouco à nova amiga, e vai sentar-se na poltrona para assistir
sorvendo seu gin tônica. O vestido de Aninha, um tubinho justo de tecido
elástico, sobe facilmente até a cintura quando ela escancara as coxas a pedido
do homem. Ele então a explora, acariciando-a, percorrendo a fenda, esfregando o
clitóris e finalmente enterrando-lhe dois dedos, fazendo-a abrir-se ainda mais,
erguendo as pernas e flexionando os joelhos sobre o corpo. Ele olha para a
esposa, que o exorta a continuar. Num gesto, ele puxa o elástico da boxer para
baixo e libera um membro que Aninha avalia ter mais de dezoito centímetros e
ser de bom diâmetro. Ele avança, entra no sofá de joelhos e sem sair da posição
de "rã", que ela considera das mais confortáveis, Aninha admite-o
gulosamente na boca.
Confortavelmente instalada
em sua poltrona, Beth observa as contrações das belas nádegas do marido e a
dança dos testículos entre suas coxas longas e musculosas. Ela gosta de vê-lo
com outras de vez em
quando. Ela sabe que, em matéria de sexo, ou bem se toma
parte na ação ou bem se observam as evoluções do casal, jamais as duas coisas. Aliás,
foi ele que chamou a atenção para esse fato quando da primeira vez que eles
interagiram com outras pessoas, na ocasião dois amigos comuns, um dos quais um
ex-namorado dela. Ele abandonou-a aos dois, que lhe deram uma memorável
"surra", penetrando-a em todas as posições possíveis e imagináveis. Daquele
dia em diante, como dois bons paulistanos, eles não abriram mais mão de
encontros múltiplos que incluíam o ménage clássico, o sexo grupal, os encontros
com dois parceiros masculinos ou femininos e até mesmo travestis.
Assim que a felação
cumpre sua finalidade de levar Axel à plenitude da ereção, ele simplesmente
retira-se da boca de Aninha e vai diretamente cravar-se em sua vagina
encharcada. Ela acolhe com um gemido profundo o calibre avantajado da cabeça
que mergulha entre os lábios no ponto e ângulo perfeitos, e sem a mínima
hesitação da parte do homem. Ela sente-se preenchida, sua vagina distendida até
o máximo diâmetro que ela suporta sem desconforto. Ela toca com os dedos as
bordas do orifício, setindo-as estreitas e tensas enquanto o longo membro
começa a mover-se para dentro e para fora, penetrando-a a cada vez até a base. Ela
apalpa seus mamilos intumescidos e olha para Axel com ar de beatitude. Ele está
tão excitado que baba, literalmente. Sim, um fio de saliva escorre de sua boca
diretamente na dela. Aninha acoolhe-a sem asco, grata por receber tanto prazer.
À certa altura, Beth
levanta-se, caminha até eles, ajoelha-se no tapete e põe-se a lamber
generosamente os testículos do marido. Ele retribui passando uma mão para trás
e afagando-lhe o cabelo. Ela separa-lhe as nádegas e ataca o centro, lambendo-o
e dando-lhe pequenas estocadas com a ponta da língua. Isso relaxa o ânus e o
projeta um pouco. Ele conhece a próxima etapa. Um dedo começa a penetrá-lo
suavemente, a acariciar a parede interna, aprofundando-se e relaxando-o mais e
mais. Em seguida, outro dedo vem juntar-se ao primeiro e esse alargamento
suplementar arranca um gemido forte do macho que chama a atenção de Aninha, que
fechara os olhos. Ela se pergunta se é o orgasmo anunciando-se, mas logo
percebe Beth por trás dele. Por um momento, ele interrompe o vaivém e ela pode
sentir o maciço membro apenas pulsando dentro dela, ampliando um pouco mais seu
diâmetro e distendendo proporcionalmente a vagina. Excitadíssima, ela puxa suas
coxas para trás até que elas emoldurem os seios e sente seu orgasmo tomá-la num
vortex alucinante. Axel reinicia seus movimentos, acelera-os e procura os olhos
de Aninha para obter consentimento. Ela acredita nele e o autoriza piscando
lentamente os olhos. Ele então dá algumas estocadas violentas e segundos depois
gruda-se a ela, imprimindo ao corpo movimentos de pouca amplitude, mas
demorando-se dentro dela a cada vez que ejeta seu esperma em vários jatos
fortes. Por trás dele, Beth sente as contrações do ânus premendo seus dedos,
que ela deixa profundamente cravados no marido até que o orgasmo se esvaia. Quando
ele se retira de Aninha, a esposa puxa seu pênis para trás e o suga
repetidamente para recolher o sumo dos dois, que se beijam e sorriem olhando-se
nos olhos, ofegantes.
Axel volta a
sentar-se ao lado de Aninha que continua de vestido negligentemente erguido até
a cintura e de pernas abertas, como se desejasse arejar-se após o exercício
intenso. Beth entrega aos dois seus copos de gin tônica e conversa em pé com
eles.
— Você parece
experiente, menina! diz ela, sorrindo para Aninha, a saída de banho aberta
deixando entrever a metade dos seios e abaixo, uma longa fenda sombria entre
dois lábios generosos.
— É Beth, passei por
algumas camas, sim.
— O que você achou
do dote do Axel?
— Olha, cheguei a
ter medo da grossura!
— Meu maridinho fode
gostoso?
— Ele
"manda" muito bem, disse ela, dando um pegadinha no sexo do homem ao
seu lado.
— Agora vem, Beth,
diz ele, puxando-a pela mão.
— Não senhor!
Esqueceu que ainda temos que visitar seu amigo, hoje? Não quero estar um bagaço
às nove da noite.
— Xi, é mesmo! Eu já
tinha esquecido do Pedro.
— Vocês ficam no Rio
até quando? pergunta Aninha.
— Voltamos para
Sampa no domingo. Segunda é dia de trabalho.
— Eu posso vir de
novo, vocês é que sabem.
— Seria ótimo!
exclama Axel, saliente.
— Então deixo meu
telefone e a gente se fala.
— Ótimo, Ana, diz
Beth. Uma vez sem duas não tem graça.
Aninha volta para
casa de taxi, feliz e sentindo-se menos ansiosa. O sexo e o afeto do casal
paulista lhe fizeram bem, e a perspectiva de revê-los a deixa animada. Ela
promete a si mesma fazer um esforço para ocupar-se enquanto espera o telefonema
da Sincrotec. Se o Sr. Maximiliano Borges não tiver gostado dela, vai falar com
o Kleber e ele saberá como dar a má notícia à amiga sem deixá-la arrasada. Decidida
a banir as idéias obsessivas, ela pede ao motorista para deixá-la na altura da
R. Santa Clara e caminha pela Av. N. S. de Copacabana até em casa, nesse fim de
tarde fresca de um dia como outro qualquer.

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