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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

A Liberação pelas Gêmeas

- O que me fez desconfiar foi vê-la virar de quatro, afastar as pernas e pedir: "Põe atrás um pouquinho, vai. Hoje estou querendo." A Mariana não é disso, foge do anal como o diabo da cruz. Mas com a mesma cara, o mesmo corpo, a mesma voz, a Andrea quase me enganou. Aposto que não é a primeira vez que elas me aprontam essa.
- Considere-se um homem de sorte, meu caro. Com essas gêmeas deliciosas querendo se divertir desse jeito, você realiza uma das fantasias recorrentes do imaginário masculino.
- É, eu sei, e não me queixo, mas sou casado com a Mariana e tenho medo que algum dia o ciúme entre em jogo.
- É só você nunca fazer nada com a Andrea sem a Mariana por perto. Ela estava em casa, não é?
- Ah sim, claro. Andrea veio trazer umas coisas e elas devem ter combinado a brincadeirinha.
- Pois continue assim e tudo vai dar certo. O que queima esse tipo de jogo é quando o homem ver separadamente uma e outra.
- Não, não, isso não vai acontecer, mas pelo visto, a coisa não vai parar por aí.
(...)

O telefonema de Luis com seu melhor amigo foi profético. Na sexta feira seguinte, Andrea e o marido Otávio beberam um pouco demais durante a transmissão de uma semi-final de tênis e ficaram para dormir na casa da irmã e cunhado.

Por volta das 13h, os gemidos eram intensos no quarto do casal de anfitriões. Andrea deixou Otávio ressonando na cama e, sem a menor cerimônia, abriu a porta de onde vinha a profusa exteriorização erótica. Sem interromper a cavalgada em Luis, Mariana olhou para trás sorrindo para a irmã, enquanto ele acenava dando um sorrisinho amarelo.
- Otávio está de ressaca, dormindo como um urso. Posso entrar?
- É claro, maninha! Vem me ajudar a pôr este preguiçoso em ação!

Andrea desfez-se do top e do short de seda e entrou de joelhos na cama, usando apenas uma calcinha fio-dental muito bem ajustada ao monte de Vênus, o que Luis percebeu muito bem, contemplando a marca da fenda que denunciava a depilação total. Percorrendo as costas da irmã da nuca às nádegas, a recém-chegada foi acariciar gentilmente os testículos que transpareciam redondos e inchados entre as coxas musculosas do cunhado e eventual parceiro de sexo. Sentindo esse afago, sua irmã avançou um pouco e deixou escapulir de dentro dela o belo membro fremente de cerca de 18cm x 5cm, ligeiramente encurvado para o alto e dotado de uma glande volumosa e desenvolvida, que Andrea já conhecia muito bem e apreciava mais do que tudo. Ela o abocanhou, pondo-se a chupá-lo por alguns instantes e repondo-o em seguida na vagina da irmã que instalou-se nele e voltou a trotar com regularidade. Entre suspiros, Mariana pediu à irmã que fosse sentar-se sobre o rosto de Luis que tão-logo pôs-se a lamber-lhe a vagina através do fino tapa-sexo da calcinha.

Cerca de dois ou três minutos depois, a porta rangeu e Otávio surgiu por ela, detendo-se imóvel diante da cena, boquiaberto. Seus olhos procuraram imediatamente os da esposa que, de frente para ele, acabara de afastar o tapa-sexo para franquear a Luis o acesso pleno ao seu sexo e começava a revirar os olhos de prazer. Ao deparar com o marido, Andrea deu um tranco no ombro da irmã, que continuava cavalgando como se nada fosse.
- Bom dia, Otávio! exclamou Mariana, sem se fazer de rogada. Veio brincar conosco?

Otávio não sabia o que dizer nem o que fazer. Embora já tendo fantasiado mil vezes sobre a cena em seus momentos de prazer solitário, ele jamais acreditara na possibilidade de realizá-la, e o que tornava a coisa tanto mais inconfessável é que o que o excitava não era tanto a idéia de explorar o corpo da cunhada, já que as gêmeas eram rigorosamente idênticos, nem tampouco a idéia de faze sexo com ambas simultaneamente, mas a oportunidade do sexo grupal incluindo Luis, que ele considerava fisicamente atraente desde os tempos de adolescência, quando eles se viam regularmente nus no vestiário do clube onde praticavam esportes juntos. Por um breve instante, a mente de Otávio foi assaltada por um turbilhão de imagens e pensamentos, o que o deixou nesse estado de absoluta inação.
- Ei, acorda, cara! exclamou Luis, empurrando delicadamente Andrea para frente para conseguir olhar para o lado.

Um tanto encabulada diante da verdade exposta tão de repente, Andrea saiu da cama e foi dar um beijo de bom dia ao marido, puxando-o pela mão em direção à cama. Hesitando um pouco, ele a olhou fixamente nos olhos à procura de algum sinal mais sutil, mas não vendo neles qualquer tensão ou culpabilidade, beijou-a voluptuosamente agarrando suas nádegas com as mãos. Pouco depois, os quatro estavam juntos na cama. Tudo que uma das mulheres fazia com o próprio marido, repetia com o cunhado e o mesmo para os homens. Começaram com uma boa e demorada felação. Em seguida, ajoelhando-se atravessadas no meio da cama, cada uma virada para um lado, foram penetradas por um enquanto deleitavam o outro com uma intensa felação. Seguiu-se a dupla penetração, cada gêmea tendo o direito de ser penetrada em ambos os orifícios pelo marido e pelo cunhado, com a ressalva de que Mariana logo pedia para que o sexo anal fosse abreviado e se resumisse a poucos instantes. Era esse o único traço que distinguia e as impedia de ser idênticas em tudo. Ela se esforçou para deixar-se ao menos penetrar, mas o momento do vaivém logo tornava-se um suplício e era preciso interromper. Enquanto os homens, como de costume, economizavam-se ao máximo, as mulheres tinham orgasmos sucessivos e quase contínuos que as deixavam ofegantes e de pernas bambas.

Entretanto, os jogos iam avançando sem que nenhum dos quatro fizesse qualquer menção do interesse em assistir a algo entre os dois homens. As irmãs beijavam-se ternamente nos lábios, mas os cunhados mantinham-se afastados. Otávio aproveitava a menor oportunidade para desfrutar dos eventuais contatos com Luis, mas nada era explícito e muito menos recíproco. Ele desfrutou do inevitável roçar de coxas, pênis ou testículos durante a dupla penetração, de um toque por descuido aqui e ali, mas nada além disso. Em suas fantasias bissexuais, ele via-se empunhando o pênis dos parceiros, entregando-se a felações lascivas e até mesmo penetrando e sendo penetrado por  eles enquanto a ou as mulheres presentes completavam o prazer do trio ou quarteto. Mas Luis parecia não compartilhar em absoluto esse tipo de fantasia e comportava-se como o macho de vocação 100% heterossexual. Engrenando num longo vaivém por trás de sua esposa, ajoelhada no tapete, enquanto ela devorava avidamente o pênis do cunhado comodamente instalado na pltroninha do quarto, Otávio pôs-se a divagar sobre as ocasiões em que lhe era dado ver Luís em situações que o excitavam.

Durante anos, eles se encontravam diariamente no clube onde jogavam vôlei e praticavam natação. Quantas vezes Otávio o vira nu, sempre mais desinibido e sempre mais exibicionista que ele. Assim que tirava a sunga, Luis punha-se a desfilar pela longa alameda de armários, exibindo o pênis que, ao contrário dos demais, nunca ficava encolhido e insignificante devido à água fria, curvado sobre os testículos como um bico de papagaio. Não, o pênis do Luis era longo e espesso, encabeçado por uma glande que chamava a atenção pela bela forma desenvolvida e pela saudável cor rosada. Otávio não perdia esse espetáculo por nada nesse mundo, observando discretamente, de cabeça baixa, cada vez que seu amigo passava por ele em seu desfile narcísico. Os anos foram passando e quando o entusiasmo pela natação e pelo clube cessou, inicialmente para Otávio, o sexo de Luis já atingira as proporções definitivas. Foi com pesar que o seu colega deixou de assistir ao espetáculo quase diário que talvez o houvesse motivado pouco tempo depois a tomar coragem de fazer algum avanço. Mas assim é a vida, e os dois se separaram por dez anos até que a coincidência os levasse a travar conhecimento com irmãs gêmeas e a casar-se com elas.
- Otávio, você está com tanto sono que dormiu no vaivém, meu amor? perguntou Andrea, olhando para trás.

Despertado do devaneio, Otávio corou ao ouvir as gargalhadas dos três outros, mas para desespero seu, deu-se conta de que estava olhando diretamente para o pênis de Luis, que pulsava e dansava, ainda duríssimo, contra a barriga plana, chegando quase ao umbigo. Otávio tentou disfarçar, mas Andrea desprendera-se dele e estava ajoelhada ao seu lado com uma mão pousada em sua coxa. Era tarde demais: tanto Mariana quanto Luis olhavam-no com expressões inconfundíveis.
- Pode se soltar, encorajou Mariana. Somos da família. Você só deveria ter nos dito antes.
- Pois é, nem eu sabia que ele "gostava", rosnou a esposa, dando-lhe um tapa na coxa.
- Não é fácil admitir essas coisas, disse Luis, conciliador, brincando com o pênis em vias de amolecimento. Não vamos torturar o Otávio.

Otávio estava calado, o cérebro a mil por hora, incapacitado de dizer o que quer que fosse. Vendo-o assim e odiando a idéia de que o astral mudasse repentinamente, Mariana improvisou uma solução.
- Jogo da verdade, gente! Cada um tem direito de fazer uma pergunta ao outro.
- Topo! retrucou Luis.
- Vale perguntar tudo mesmo? indagou Andrea.
- Tudo mesmo, respondeu a irmã gêmea.
- Pode começar, Andrea, convidou Otávio.
- Está bem. Deixe eu ver... Para você mesmo, Otávio: você já teve alguma experiência homo na vida?

As três cabeças se voltaram para ele.
- Já, mas faz muito tempo.
- Com quem?
- Isso é outra pergunta, Andrea. Você só tem direito a uma.
- Ah, droga! Se eu tivesse me lembrado, teria formulado a pergunta de outro jeito.
- Pois é, mas não formulou. Mariana, é tua vez.
- Para o Otávio. Nós acabamos de ver você olhando muito para o Luis. Você tem atração sexual por ele?

Otávio reagiu com um olhar embaraçado para a cunhada que claramente parecia não querer poupá-lo.
- Estamos todos no mesmo barco, Tavinho. Todo mundo aqui vai se comprometer, disse a esposa com um olhar gentil.
- É, Otávio, relaxa, disse Mariana.
- Bom, vou responder parcialmente, iniciou Otávio. Eu tinha um tipo de fascínio pelo Luis na época da natação porque ele era descontraído com o próprio corpo e mais dotado que o resto. Nós todos éramos mais ou menos da mesma idade, tínhamos corpos parecidos, mas ele era diferente e em termos sexuais parecia estar léguas à nossa frente.
- E estava! retrucou Luis. Bem antes de parar com a natação, eu já tinha começado a minha vida sexual. É por isso que eu era prosa como um pavão.
- É por isso que era tão "competente" com as meninas, não é? Pensa que eu não sondei tudo antes de aceitar o teu pedido de namoro? soltou Mariana, brincalhona.
- Agora é a vez dos rapazes, interrompeu Andrea. Pergunta, Luis.
- Ok. Andrea, o que você faria se descobrisse que o Otávio é bissexual?
- Caramba, que pergunta! exclamou a cunhada. Acho que... Sei lá, eu... Bom, primeio eu preciso saber se tem isso de bissexual ativo e bissexual passivo. Não sei se eu ia gostar de saber que o Otávio curte os dois sexos, mas é sempre passivo com homens.
- Você tem que pensar que um homem casado já é "ativo" no casamento, Andrea, disse Luis. O que torna a bissexualidade interessante é que ela faculta à mesma pessoa o prazer sexual de ambos os gêneros, ou quase.
- Isso é, reforçou Mariana. Então, o que você faria?
- Se eu descobrisse que o Otávio é bi...
- Sim, aqui e agora.

Otávio estava sentindo-se no banco dos réus. Por outro lado, ninguém pedira maiores detalhes depois da confissão de que ele tivera experiências homossexuais. Isso o fez crer que não devia sentir-se julgado pelos demais. Talvez fosse o momento mais importante de sua vida, o momento de liberação, e não houvesse senão consequências positivas. Ele olhou para Andrea com um sorriso meigo e autorizou-a tacitamente a dizer exatamente o que ela pensava.
- Se eu descobrisse aqui e agora que o meu marido é bissexual, eu daria um beijo nele, diria que o amo e que ele pode contar comigo, mas ficaria um pouqinho preocupada porque, das duas, uma: ou ele se priva do prazer com homens porque é casado comigo, ou ele não se priva e isso pode ser perigoso para ele e para mim do ponto de vista higiênico e médico.
- Você pode ter certeza de que ele se priva, diz Luis.
- Tenho certeza disso, reforçou Mariana.
- E eu digo que você pode ter certeza disso também, disse Otávio, dando um abraço e beijando afetuosamente a esposa.
- Quer dizer que eu acabei de descobrir que o meu marido é bissexual? diz Andrea, rindo.
- Pelo visto, sim, maninha, disse Mariana, estendendo o pescoço para dar um beijinho na irmã.
- Agora eu fiquei foi curiosa, Tavinho! disparou Andrea. O Luis está aqui. A velha atração ainda funciona?

Vencido, Otávio meneou a cabeça afirmativamente e deixou-se arrastar de joelhos pelas duas gêmeas até entre as pernas de Luis, que continuava sentado na poltrona. Era a hora de cumprir a sentença. Diante dos três pares de olhos atentos, Otávio viu-se pela primeira vez a centímetros de um dos objetos de excitação mais importantes dos seus tempos de adolescente. O pênis bem real e volumoso de Luis continuava repousando sobre uma coxa, desta vez ao seu dispor. Ele o colheu com a mão e o empunhou, sentindo-o logo tomar vida e começar a enrijecer ao mesmo tempo que os testículos inchavam e tomavam a forma arredondada que o agradava. Andrea observou seu marido ajoelhado como um menino que faz a oração da noite diante da cama. Acariciando suas nádegas para mostrar que não o recriminava, ela o encorajou a ir em frente. O pênis de Luis logo atingiu as dimensões máximas e Otávio pôde senti-lo pulsar vigorosamente em sua mão, já liberando um fio de líquido lubrificante. Num gesto de encorajamento, Mariana, que ajoelhara-se ao lado da poltroninha de quarto, curvou-se e abocanhou o pênis do marido, chupando-o algumas vezes. Por fim, vencido pelo desejo, Otávio envolveu a glande molhada com os lábios e deixou-a aprofundar-se em sua boca até onde lhe foi possível. As irmãs aplaudiram e Luis fez-lhe um afago na cabeça, convidando o cunhado a iniciar um lento vaivém.

As gêmeas entreolharam-se. Os rapazes pareciam entrosados, elas agora podiam começar a planejar joguinhos a quatro participantes. Mariana pulou no colo do marido, beijando-o lascivamente e permitindo que seu pênis alternasse entre sua vagina e a boca de Otávio, sempre ajoelhado no chão entre as pernas de Luis. Andrea continuava curiosa a respeito da sexualidade recém-revelada do seu homem. Suas carícias nas nádegas de Otávio logo aprofundaram-se, roçando-lhe o ânus, que pela primeira vez mostrou-se receptivo aos seus dedos.
- Por que é que você nunca me disse que gostava dessas coisas, Tavinho? perguntou ela, aprofundando um dedo o mais possível no ânus relaxado do marido, que agora alternava lambidas entre a vagina e o pênis à sua frente.
- Sei lá... Vergonha, repondeu ele entre duas lambidas.
- Vergonha de ser o mais perfeito dos quatro em matéria de sexo, cara? disparou Luis.
- Pois é, Otávio, de nós quatro, você é que tem tudo para sentir mais prazer aqui, hoje, acrescentou a cunhada.

A cada vez que Mariana subia, Otávio passava a língua pelo tronco do pênis de Luis, e quando ela descia, ele separava suas nádegas para passar-lhe a língua no ânus. Isso foi deixando-a tão excitada que ela acabou esquecendo o medo e pedindo a dupla penetração, que pôde ser realizada de maneira bem mais descontraída que antes. Enquanto ela gemia de prazer entre os dois homens, Otávio premia-lhe os seios ao mesmo tempo que sentia o roçar das suas coxas nas de Luis e o contato quente dos testículos de ambos. A ação simultânea do dedo de Andrea em seu ânus provocou um prazer tão intenso que ele teve um primeiro orgasmo de copiosa descarga dentro de Mariana.
- Ahhh! Como isso é bom! Exclamou ele, sentindo seu membro pulsar a cada jato do orgasmo intensíssimo.
- Tirou um peso das costas, não é, Tavinho? perguntou Andrea, voltando a acariciar-lhe as nádegas lisas e bem feitas.
- Tirei. Já é um começo, não é? disse ele, procurando a boca da esposa enquanto se retirava de Mariana.
- Ou um recomeço! soltou a esposa, dando um risinho malicioso e rolando com ele no chão.
- Para com isso! sussurrou ele, encabulado.
- Você chupou o Luis, mas vai esconder o resto? cochichou-lhe ela, provocativa.
- Você vai me fazer passar vergonha, Andrea.
- Vai me dizer que você não quer? disse ela procurando a sua boca e esfregando seu corpo no dele.

Nesse momento, ouviu-se um "ai!" estridente e as atenções se voltaram para Mariana.
- Que foi? perguntou-lhe o marido?
- Droga! Quebrei uma unha na costura do sofá... E está sangrando!

Andrea precipitou-se sobre a irmã, inquieta e tão empática que parecia estar sentindo a mesma dor. Mudando subitamente de humor e levantando-se para sair, Mariana declarou com ar dramático que a brincadeira estava encerrada e saiu amparada pela irmã gêmea como se tivesse sido amputada de um membro.

Luis já conhecia as manhas da esposa e isso o irritava, mas interromper a primeira sessão de swing com os cunhados acrescentava frustração à zanga. Para ele, foi como um coito interrompido que o deixou desamparado e excitado, presa de uma ereção consistente que estava longe de ser aplacada. Otávio se afastara e fora debruçar-se na janela para olhar o preguiçoso trânsito matinal de fim de semana na Visconde de Pirajá. Pela primeira vez na vida, Luis deteve seu olhar no corpo deste que ele conhecera tão jovem sem contudo jamais ter-lhe dado a menor atenção. Claro, magro e muito liso, com parcos pelos alourados e quase invisíveis limitados às coxas e um par de nádegas bem feitas que, embora voluptuosas na forma, transmitiam contraditoriamente uma inocência angelical, Otávio ainda lembrava o menino que Luis via três vezes por semana a vestir-se timidamente após a aula de natação. Decidido a permanecer um pouco mais no clima de erotismo que se havia formado até o incidente da unha, ele levantou-se da poltrona e caminhou lentamente até a janela, detendo-se ao lado do cunhado.
- Quem dera que o movimento aqui fosse sempre esse, disse ele.

Otávio sentiu suas coxas enrijecerem involuntariamente. A presença tão próxima de Luis o intimidava, mas deixá-lo perceber isso poderia torná-lo arredio, pensou ele. Saindo da posição francamente debruçada em que se encontrava, ele ergueu-se um pouco, ficando apoiado no parapeito com os braços esticados.
- Ah, seria o paraíso, isso aqui sem carros, mas...

Ele foi interrompido pela mão de Luis que veio pousar-se em suas costas e desceu até as nádegas, logo insinuando-se pelo sulco.
- Quer dizer que você me espiava no vestiário?
- Po-pois é, eu... Você tinha um... corpo... diferente dos outros e isso me deixava curioso.
- Você quer dizer corpo ou pau, Otávio?
- Pois é... Eu... Bom, eu olhava sim, pronto.
- Olhava o meu, mas foi se satisfazer com outros?
- Como assim?
- Você já se esqueceu do jogo da verdade de agora há pouco?
- Ah! É mesmo, eu confessei.
- Pois é. Com quem você se "aliviou"?
- Ah, não foi com ninguém da natação. Fiz umas coisas com um primo muito próximo e com uns vizinhos do condomínio.
- Punhetinhas coletivas? Troca-troca?
- É, por aí, respondeu Otávio, um tanto sem graça, num misto de falta de jeito e de excitação com a mão de Luis entre suas nádegas.
- Você pode pegar, se quiser, disse Luis virando-se um pouco para oferecer-se.
- Ah, está bem, respondeu o outro, empunhando seu membro ainda inchado e quase ereto, mas evitando olhá-lo nos olhos.
- Me conta um pouco o que fez, mas a verdade.
- Com meu primo era mais pegar no pau e ver o outro se masturbar.
- Só isso?
- De vez em quando um deixava o outro se esfregar nele por trás, mas nunca baixamos as cuecas. Havia como um limite após o qual os dois achavam que passariam por "viados", e nenhum de nós queria isso.
- Mas chegavam a gozar?
- Ah, isso sim, molhamos as cuecas muitas vezes! Você não viveu esse tipo de experiência?
- Não porque eu tive a sorte de transar logo com as meninas que eu namorava. Fui muito precoce. Eu era considerado bonito, era muito exibicionista...
- E as pessoas deviam espalhar que você era bem dotado.
- É, provavelmente. O que sei é que aos quinze eu só olhava para meninas mais velhas que eu e já tinha feito um pouco de tudo.
- Enquanto a maioria não conseguia nada com as meninas e tinha que se virar sem elas.
- É, faz sentido e acho que é a solução da maioria, sim, retrucou Luis, seriamente, olhando para baixo e sentindo seu pênis plenamente ereto na mão do cunhado.
- Eu quis muito fazer isso quando via você no vestiário, declarou Otávio, concentrado numa lenta masturbação que revelava por completo a bela glande luzidia do cunhado.
- Você fez bem de me ocultar isso na época. Eu teria levado a mal.
- Eu sei disso, sempre tive bom senso.
- Você chupou bem. Chegou a fazer muitas vezes?
- Se disser que foi minha primeira vez, você acredita?
- Claro, claro. Mas parabéns, então!

Ainda um pouco tímido, Otávio largou o pênis de Luis e voltou-se novamente para fora. Num ato reflexo, Luis passou para trás dele e colou seu pênis ao sulco, pondo as mãos em suas ancas. Otávio teve um sobressalto e virou-se mostrando-se inquieto e olhando para a porta.
- Relaxa, disse-lhe Luis. Elas agora vão passar o dia grudadas, como se a Mariana tivesse perdido um filho.

Otávio deu um longo suspiro e voltou a debruçar-se na janela sentindo tão-logo o membro quente e molhado tornar a instalar-se entre suas nádegas.
- Alguém já disse que a tua bunda é gostosa, Otávio?
- Andrea diz sempre.
- E fora ela? Algum cara te disse isso? Ainda não sei quem chegou a te comer.

Como o lento vaivém espalhasse o líquido que escorria da glande por todo o membro de Luis e permitia que o pênis se aprofundasse no sulco, Otávio separou suas próprias nádegas com as mãos para senti-lo roçar seu ânus.
- Você não conhece os caras para quem eu dei, Otávio.
- Ah, então foi mais de um!
- Sim, foi mais de um. As brincadeiras com meu primo me excitavam, mas ele não queria ir além, então eu comecei a me tornar mais permissivo com os meninos do meu condomínio.
- Os mais velhos que você?
- Os mais velhos e mais tarados.
- Com quem foi a primeira vez? Me conte dizendo os nomes.
- O nome dele era Renato. Ele ia muito lá em casa e acabamos entrando nas mesmas brincadeiras que eu fazia com meu primo, mas ele começou a pedir mais.
- Ele queria penetração.
- Sim.
- E foi no quarto?
- Não, não, imagine! Ele não era morador do condomínio; ele morava numa casa da minha rua um pouco acima. Na casa dele havia um morrinho onde havia duas caixas d'água, uma funcionando e outra vazia que servia de reservatório quando a água ficava escassa. Foi dentro dessa caixa d'água.
- Dentro? Sério?
- É, dentro. Eu já tinha me escondido com ele dentro dela muitas vezes brincando de esconde-esconde com a galera, e foi muito estranho entrar lá para isso.
- Vocês ficaram pelados?
- Não, só tirei a bermuda e a cueca e fiquei de quatro.
- E entrou fácil?
- Que nada, foi um suplício! Tive que pedir para parar um monte de vezes e quase desisti outras tantas.
- Quer dizer que dói mesmo?
- Se dói! Mas ele queria tanto que não me deixou amarelar de vez.
- Acabou conseguindo meter tudo.
- Ahan, foi bem completo. Ele já tinha feito.

Luis, muito excitado com a narrativa, começou a forçar levemente o orifício de Otávio, que logo veio pousar a mão em seu baixo-ventre para evitar qualquer desconforto.
- Não quero que doa nadinha dessa vez, cochichou ele.
- Vai ser perfeito, você vai ver, respondeu Luis. Relaxa bem para entrar mais fácil. Fazer um pouco de força para fora ajuda.

Otávio ouviu com atenção e concentrou-se forçando-o ligeiramente para fora, o que logo permitiu-lhe acolher um ou dois centímetros a mais da glande. Mas ele logo conscientizou-se da vulnerabilidade de sua posição e atitude, e sentiu-se encabulado.
- Que é que eu estou fazendo, cara? disse ele, meneando a cabeça.
- Não está se sentindo à vontade? A gente para, se quiser.
- É a mesma coisa que eu sentia com o meu primo. Acho que é da posição, de costas, me oferecendo tanto... É uma sensação de estar sendo submisso e... "viado".
- Mas qual é o problema de se sentir "viado" com um cara que te dá tesão? Não é verdade que você está com vontade de me dar?
- O pior é que estou, disse ele, desanimado.
- Então, eu prefiro estar comendo um cara que se sente "viado" comigo do que um que se diga todo macho. Nunca senti tesão por homens.
- Mas eu sou homem e não vou deixar de ser por isso.
- Eu sei, eu sei... Bom, você me entendeu.
- Entendi. Você prefere que eu assuma que estou dando a bunda do que me finja de hétero vivendo um "momento de fraqueza".
- Comigo, pelo menos. Afinal, você me olhava quando ainda era tão indefinido...
- É verdade.

Otávio disse isso abandonando-se um pouco e voltando a procurar relaxar-se o mais possível para não perder a oportunidade única de reviver sensações que já lhe foram tão prazerosas um dia. Cada vez mais excitado, Luis sentiu que podia aprofundar-se mais e sua glande mergulhou enfim, forçando Otávio a firmar-se no parapeito, soltando um gemido longo.
- Ahn.... As-sim...
- Está ficando gostoso?
- Se você cuspir nele vai facilitar, fez ele contorcendo-se um pouco sem contudo deixar de oferecer-se.

Luis fez o que ele sugeriu e viu seu membro deslizar até o fim por entre as nádegas lisas que encaixaram-se à sua pélvis como uma América na África. Otávio levou a mão atrás para tocar a rígida ponte de carne que o ligava ao cunhado e sentiu seu próprio membro ereto tocando a parede abaixo do parapeito a cada pulsação. Quando Luis pôs-se em movimento, a mente de Otávio foi assaltada por velhas imagens de primos, vizinhos, colegas de colégio e amigos que ele permissivamente deixava baixar-lhe os shorts para esfregar-se nele e eventualmente penetrá-lo. Naqueles tempos, o constrangimento era breve e a vergonha passava em 24 horas, quando todos se encontravam no pátio do condomínio para uma nova pelada. Ele era o goleiro, e um bom goleiro, o que o tornava quase intocável no bando. Havia tempo para tudo, tempo de pelada e tempo de ficar pelado, pensou ele, sorrindo, enquanto sentia as estocadas firmes e regulares do cunhado no presente.
- Está gostando? perguntou Luis, agora embalado num vaivém profundo e regular.
- Está perfeito, respondeu o outro, debruçado no parapeito e empinando-se ao máximo, concentrado nas mãos do cunhado firmemente agarrado às suas ancas.

O ruído da rua impedira os homens de perceber a porta do quarto abrindo-se. Lado a lado, Mariana e Andrea contemplavam sorrindo a cena tórrida entre os cunhados.
- Ah, essa bundinha do Luis! exclamou Andrea.
- Que pelo visto não se compara à do Otávio! retrucou a cunhada.
- Está chamando meu marido de "viado", é?
- E preciso chamar?
- Bem, a Mariana está te chamando de "viado"! disse ela, numa voz suficiente para ser ouvida pelo quarto inteiro.

Os cunhados desencaixaram-se imediatamente e ficaram de pé contra a janela tentando inutilmente tapar os sexos em total ereção. Ocorre que Luis estava chegando ao orgasmo e essa retirada brusca só fez precipitá-lo, de modo que ele estava vivendo a experiência mais desesperadora de sua vida, contorcendo-se ao sentir seu esperma ser ejetado em vários pequenos jatos na mão e tentando em vão impedi-lo de gotejar.
- Nossa, entre homens deve ser mesmo intenso! comentou Mariana, assistindo à cena com uma ponta de inveja, lembrando sua incapacidade de apreciar o sexo anal.
- Já consertou a unha? perguntou-lhe Luis, vermelho como um pimentão.
- Demos um jeito, mas está doendo.
- Vamos para casa, Tavinho? Está ficando tarde, pediu Andrea.
- Vamos... Vamos sim, respondeu o homem, reticente e tomado de mal-estar, sem saber que cara fazer após o flagrante tão explícito.


No carro, no caminho de volta à casa, foi Andrea que quebrou o silêncio.
- Você gostou de realizar esse desejo antigo, Tavinho? Teve prazer? Ficou satisfeito?
- Mmm-hmm, respondeu ele.

Fazia muitos anos que Otávio não deixara de sentir aquela espécie de vaga pulsação e a leve irritação gerada pela fricção do pênis contra as paredes do ânus. Quando menino, ele mal dava importância a isso porque os joguinhos sexuais se davam entre uma brincadeira e outra, jamais retendo a atenção dele por mais de alguns minutos. Mas aos trinta anos, dirigindo e ao lado da esposa intrigada, a velha sensação tomava proporções colossais, perpassando seu corpo para invadir-lhe a mente.
- Você está se sentindo diferente, agora que fez... isso?
- Estou me sentindo como o bissexual que sempre fui mas nunca tive peito para assumir, Andrea.
- É, precisa peito mesmo, retrucou ela com uma ponta de ironia.
- Você acha que isso vai gerar uma crise conjugal, Andrea?
- Não, mas...
- Mas o quê?
- Mas é claro que tudo vai mudar entre nós, não é?
- Você se refere ao Luis quando diz esse "nós"?
- De certa forma.
- Para mim, é bastante claro: ou você aceita que ele participe da minha vida sexual ou você não aceita.
- E se eu não aceitar?
- Das duas uma: vou continuar abstêmio ou vou incluir homens na minha vida de alguma outra forma. Você vai ou não aceitar?

Andrea olhou para fora do carro, para longe, onde a paisagem é sempre a mesma. Ela sempre teve dificuldade de lidar com a mudança, e a idéia de adaptar-se à nova sexualidade do marido a assustava. Ela queria conseguir adaptar-se porque o amava. Ela faria esse esforço, mas não podia deixar de fazer a pergunta que mais a atormentava.
- Eu só quero saber uma coisa, Tavinho. Com os homens, você vai ser sempre o passivo ou também tem desejo de penetrar?
- Por que essa pergunta, Andrea?
- Não sei... Eu... Não sei se quero continuar a viver com você sabendo que os homens vão ver você como...
- Como o quê?
- Ah, você sabe.
- Não, não sei.
- Então, como... Como... Como "viado", pronto!

Uma vez mais, a mente de Otávio explodiu em imagens, mas desta feita, acompanhada de algumas vozes que ecoaram em sua cabeça: "Viadinho!" "Eu sei que você deu para o Fulano!", "O Otávio é a putinha do Maurício, gente!", "Quem dá o cu é viado!", "Pega no meu também, bichinha!", "Mulherzinha!", etc. É verdade que ele fora obrigado a ouvir essas coisas esporadicamente, quando alguma aventura vazava e outros meninos da rua ficavam sabendo. É óbvio que havia no grupo uma consciência tácita de que ele era um dos que facilitavam a eclosão da vida sexual dos machinhos do condomínio e da vizinhança imediata. Mas também é verdade que ele saíra dessa experiência incólume, impaciente para beijar meninas, namorar, depois casar e ter filhos. Ele nunca experimentara a menor ponta de afetividade por um vizinho ou colega. O estatuto de "viado" que lhe poderia ter sido atribuído era claramente provisório e limitado às circunstâncias favoráveis do condomínio e da rua de bairro tranquilo de classe média em que ele passara a infância e adolescência. Além disso, ele tivera, sim, experiências como ativo, embora em número muito mais reduzido, quando dos famosos "troca-troca" com tentativas desajeitadas de penetração, entre meninos ávidos de começar a introduzir o pênis em algo vivo. Ele reconhecia que preferia os assédios dos mais velhos que ele, mas essas experiências de penetração faziam parte do elenco de experiências que ele vivera. Isso o decidiu a falar.
- Andrea, eu não sei que tipo de desejo homossexual vou ter e por quem, mas caso eu tome gosto pelo papel de passivo, isso não quer em absoluto dizer que eu va tornar-me uma espécie de passivo asqueroso e vulgar que não escolhe parceiros e tem obsessão por um pênis. O que você vai ver será sempre semelhante ao que você viu hoje entre mim e o Luis. Eu fiz sexo oral com ele, depois ele me penetrou, mas em momento algum me senti desrespeitado ou vulgar. E fique tranquila porque garanto a você que se algum dia o Luis quiser experimentar o papel de passivo, serei o primeiro a querer satisfazê-lo.
- Então você também tem atração por...
- Por uma bunda masculina?
- Hãhã.
- É claro que tenho! Só não falo muito em penetração com homens porque na vida de casado o homem já tem isso à disposição. O que muda na atividade bissexual é que o homem pode ser penetrado.
- Então você está apenas em busca da diferença? Do prazer novo?
- É claro, amorzinho! Você achou que eu estivesse a caminho de trocar você por homens?
- Não sei... Eu...
- Pois relaxe. Eu amo você, e essa possibilidade de mostrar um pouco mais a você como eu sou me trouxe um enorme alívio, livrou-me de um peso dos ombros, como você mesma disse. O mais provável é que eu me satisfaça de vez em quando com o Luis e que todo o resto fique igual ao que era antes. Tenho certeza de que o que aconteceu só poderá contribuir para a nossa vida sexual.
- Se é assim, viva o meu marido bi!

Eles se beijaram ternamente e chegando em casa não pensaram duas vezes para voar para a cama ter outra sessão de sexo tórrido.



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