Dois homens
conversam ao telefone.
— O que me fez
desconfiar foi vê-la virar de quatro, afastar as pernas e pedir: "Põe
atrás um pouquinho, vai. Hoje estou querendo." A Mariana não é disso,
foge do anal como o diabo da cruz. Mas com a mesma cara, o mesmo corpo, a mesma
voz, a Andrea quase me enganou. Aposto que não é a primeira vez que elas me
aprontam essa.
— Considere-se um homem de sorte, meu caro. Com essas gêmeas deliciosas querendo se
divertir desse jeito, você realiza uma das fantasias recorrentes do imaginário
masculino.
— É, eu sei, e não me queixo, mas sou casado com a
Mariana e tenho medo que algum dia o ciúme entre em jogo.
— É só você nunca fazer nada com a Andrea sem a
Mariana por perto. Ela
estava em casa, não é?
— Ah sim, claro.
Andrea veio trazer umas coisas e elas devem ter combinado a brincadeirinha.
— Pois continue assim e tudo vai dar certo. O que queima esse tipo de jogo é quando o
homem ver separadamente uma e outra.
— Não, não, isso não vai acontecer, mas pelo visto, a
coisa não vai parar por aí.
(...)
O telefonema de
Luis com seu melhor amigo foi profético. Na sexta seguinte, Andrea e o marido Otávio beberam um pouco demais durante a
transmissão de uma semi-final de tênis e ficaram para dormir na casa da irmã e
cunhado.
Por volta das 13h, os gemidos eram intensos no quarto
do casal de anfitriões. Andrea deixou Otávio ressonando na cama e, sem a menor
cerimônia, abriu a porta de onde vinha a profusa exteriorização erótica. Sem
interromper a cavalgada em Luis, Mariana olhou para trás sorrindo para a irmã,
enquanto ele acenava dando um sorrisinho amarelo.
— Otávio está de ressaca, dormindo como um urso. Posso
entrar?
— É claro, maninha! Vem me ajudar a pôr este
preguiçoso em ação!
Andrea desfez-se do top e do short de seda e entrou de
joelhos na cama, usando apenas uma calcinha fio-dental muito bem ajustada ao
monte de Vênus, o que Luis percebeu muito bem, contemplando a marca da fenda
que denunciava a depilação total. Percorrendo as costas da irmã da nuca às
nádegas, a recém-chegada foi acariciar gentilmente os testículos que
transpareciam redondos e inchados entre as coxas musculosas do cunhado e
eventual parceiro de sexo. Sentindo esse afago, sua irmã avançou um pouco e
deixou escapulir de dentro dela o belo membro fremente de cerca de 18cm x 5cm,
ligeiramente encurvado para o alto e dotado de uma glande volumosa e
desenvolvida, que Andrea já conhecia muito bem e apreciava mais do que tudo. Ela
o abocanhou, pondo-se a chupá-lo por alguns instantes e repondo-o em seguida na
vagina da irmã que instalou-se nele e voltou a trotar com regularidade. Entre
suspiros, Mariana pediu à irmã que fosse sentar-se sobre o rosto de Luis que
tão-logo pôs-se a lamber-lhe a vagina através do fino tapa-sexo da calcinha.
Cerca de dois ou três minutos depois, a porta rangeu e
Otávio surgiu por ela, detendo-se imóvel diante da cena, boquiaberto. Seus
olhos procuraram imediatamente os da esposa que, de frente para ele, acabara de
afastar o tapa-sexo para franquear a Luis o pleno acesso e começava
a revirar os olhos de prazer. Ao deparar com o marido, Andrea deu um tranco no
ombro da irmã, que continuava cavalgando como se nada fosse.
— Oi, Otávio! exclamou Mariana, sem se fazer de
rogada. Veio brincar conosco?
Otávio não sabia o que dizer nem o que fazer. Embora já tendo fantasiado mil vezes sobre a
cena em seus momentos de prazer solitário, ele jamais acreditara na
possibilidade de realizá-la, e o que tornava a coisa tanto mais inconfessável é
que o que o excitava não era tanto a idéia de explorar o corpo da cunhada, já
que as gêmeas eram rigorosamente idênticas, nem tampouco a idéia de faze sexo
com ambas simultaneamente, mas a oportunidade do sexo grupal incluindo Luis,
que ele considerava atraente desde os tempos de adolescência,
quando se viam regularmente nus no vestiário do clube onde praticavam
esportes. Por um breve instante, a mente de Otávio foi assaltada por um
turbilhão de imagens e pensamentos, o que o deixou nesse estado de absoluta
inação.
— Ei, acorda, cara!
exclamou Luis, empurrando delicadamente Andrea para frente para conseguir olhar
para o lado.
Um tanto encabulada
diante da verdade exposta tão de repente, Andrea saiu da cama e foi dar um
beijo de bom dia ao marido, puxando-o pela mão em direção à cama. Hesitando um
pouco, ele a olhou fixamente nos olhos à procura de algum sinal mais sutil, mas
não vendo neles qualquer tensão ou culpabilidade, beijou-a voluptuosamente
agarrando suas nádegas com as mãos. Pouco depois, os quatro estavam juntos na
cama. Tudo que uma das mulheres fazia com o próprio marido, repetia com o
cunhado e o mesmo para os homens. Começaram com uma boa e demorada felação. Em
seguida, ajoelhando-se atravessadas no meio da cama, cada uma virada para um
lado, foram penetradas por um enquanto deleitavam o outro com uma intensa
felação. Seguiu-se a dupla penetração, cada gêmea tendo o direito de ser
penetrada em ambos os orifícios pelo marido e pelo cunhado, com a ressalva de
que Mariana logo pedia para que o sexo anal fosse abreviado e se resumisse a
poucos instantes. Era esse o único traço que distinguia e as impedia de ser
idênticas em tudo. Ela se
esforçou para deixar-se ao menos penetrar, mas o momento do vaivém logo
tornava-se um suplício e era preciso interromper. Enquanto os homens poupavam-se ao máximo, as mulheres tinham orgasmos sucessivos e
quase contínuos que as deixavam ofegantes e de pernas bambas.
Entretanto, os
jogos iam avançando sem que nenhum dos quatro fizesse qualquer menção do
interesse em assistir a algo entre os dois homens. As irmãs beijavam-se
ternamente nos lábios, mas os cunhados mantinham-se afastados. Otávio
aproveitava a menor oportunidade para desfrutar dos eventuais contatos com
Luis, mas nada era explícito e muito menos recíproco. Ele desfrutou do
inevitável roçar de coxas, pênis ou testículos durante a dupla penetração, de
um toque por descuido aqui e ali, mas nada além disso. Em suas fantasias
bissexuais, ele via-se empunhando o pênis dos parceiros, entregando-se a
felações lascivas e até mesmo penetrando e sendo penetrado por eles
enquanto a ou as mulheres presentes completavam o prazer do trio ou quarteto.
Mas Luis parecia não compartilhar em absoluto esse tipo de fantasia e
comportava-se como o macho de vocação 100% heterossexual. Engrenando num longo
vaivém por trás da esposa, ajoelhada no tapete, enquanto ela devorava
avidamente o pênis do cunhado comodamente instalado na pltrona do quarto,
Otávio pôs-se a divagar sobre as ocasiões em que vira Luís em
situações que o excitavam.
Durante anos, eles
se encontravam diariamente no clube onde jogavam vôlei e praticavam natação.
Quantas vezes Otávio o vira nu, sempre mais desinibido e sempre mais
exibicionista que ele. Assim que tirava a sunga, Luis punha-se a desfilar pela
longa alameda de armários, exibindo o pênis que, ao contrário dos demais, nunca
ficava encolhido e insignificante devido à água fria, curvado sobre os
testículos como um bico de papagaio. Não, o pênis do Luis era longo e espesso,
encabeçado por uma glande que chamava a atenção pela bela forma desenvolvida e
pela saudável cor rosada. Otávio não perdia esse espetáculo por nada nesse
mundo, observando discretamente, de cabeça baixa, cada vez que seu amigo passava
por ele em seu desfile narcísico. Os anos foram passando e quando o entusiasmo
pela natação e pelo clube cessou, inicialmente para Otávio, o sexo de Luis já
atingira as proporções definitivas. Foi com pesar que o seu colega deixou de
assistir ao espetáculo quase diário que talvez o houvesse motivado pouco tempo
depois a tomar coragem de fazer algum avanço. Mas assim é a vida, e os dois se
separaram por dez anos até que a coincidência os levasse a travar conhecimento
com irmãs gêmeas e a casar-se com elas.
— Otávio, você está
com tanto sono que dormiu no vaivém, meu amor? perguntou Andrea, olhando para
trás.
Despertado do
devaneio, Otávio corou ao ouvir as gargalhadas dos três outros, mas para
desespero seu, deu-se conta de que estava olhando diretamente para o pênis de
Luis, que pulsava e dansava, ainda duríssimo, contra a barriga plana, chegando
quase ao umbigo. Otávio tentou disfarçar, mas Andrea desprendera-se dele e
estava ajoelhada ao seu lado com uma mão pousada em sua coxa. Era tarde demais:
tanto Mariana quanto Luis olhavam-no com expressões inconfundíveis.
— Relaxa,
encorajou Mariana. Somos da família. Você só deveria ter dito antes.
— Nem eu
sabia que ele "gostava", rosnou a esposa, dando-lhe um tapinha.
— Não é fácil
admitir essas coisas, disse Luis, conciliador, brincando com o pênis em vias de
amolecimento. Não vamos torturar o Otávio.
Otávio estava
calado, o cérebro a mil por hora, incapacitado de dizer o que quer que fosse.
Vendo-o assim e odiando a idéia de que o astral mudasse repentinamente, Mariana
improvisou uma solução.
— Jogo da verdade,
gente! Cada um tem direito de fazer uma pergunta ao outro.
— Topo! retrucou
Luis.
— Vale perguntar
tudo mesmo? indagou Andrea.
— Tudo mesmo,
respondeu a irmã gêmea.
— Pode começar,
Andrea, convidou Otávio.
— Está bem. Deixe
eu ver... Para você mesmo, Otávio: você já teve alguma experiência homo na vida?
As três cabeças se
voltaram para ele.
— Já, mas faz muito
tempo.
— Com quem?
— Isso é outra
pergunta, Andrea. Você só tem direito a uma.
— Droga! Se eu
tivesse me lembrado, teria perguntado de outro jeito.
— Pois é, mas não
formulou. Mariana, é tua vez.
— Para o Otávio.
Nós acabamos de ver você olhando muito para o Luis. Você tem atração sexual por
ele?
Otávio reagiu com
um olhar embaraçado para a cunhada que claramente parecia não querer poupá-lo.
— Estamos todos no
mesmo barco, Tavinho. Todo mundo aqui vai se comprometer, disse a esposa com um
olhar gentil.
— É, Otávio,
relaxa, disse Mariana.
— Bom, vou
responder parcialmente, iniciou Otávio. Eu tinha um tipo de fascínio pelo Luis
na época da natação porque ele era descontraído com o próprio corpo e mais
dotado que o resto. Nós todos éramos mais ou menos da mesma idade, tínhamos
corpos parecidos, mas ele era diferente e em termos sexuais parecia estar
léguas à nossa frente.
— E estava!
retrucou Luis. Bem antes de parar com a natação, eu já tinha começado a minha
vida sexual. É por isso que eu era prosa como um pavão.
— É por isso que
era tão "competente" com as meninas, não é? Pensa que eu não sondei
tudo antes de aceitar teu pedido de namoro? soltou Mariana, rindo.
— Agora é a vez dos
rapazes, interrompeu Andrea. Pergunta, Luis.
— Ok. Andrea, o que
você faria se descobrisse que o Otávio é bissexual?
— Caramba, que
pergunta! exclamou a cunhada. Acho que... Sei lá, eu... Bom, primeio eu preciso
saber se tem isso de bissexual ativo e bissexual passivo. Não sei se eu ia
gostar de saber que o Otávio curte os dois sexos, mas é sempre passivo com
homens.
— Você tem que
pensar que um homem casado já é "ativo" no casamento, Andrea, disse
Luis. O que torna a bissexualidade interessante é que ela faculta à mesma
pessoa o prazer sexual de ambos os gêneros, ou quase.
— Isso é, reforçou
Mariana. Então, o que você faria?
— Se eu descobrisse
que o Otávio é bi...
— Sim, aqui e agora.
Otávio estava
sentindo-se no banco dos réus. Por outro lado, ninguém pedira maiores detalhes
depois da confissão de que ele tivera experiências homossexuais. Isso o fez
crer que não devia sentir-se julgado pelos demais. Talvez fosse o momento mais
importante de sua vida, o momento de liberação, e não houvesse senão
consequências positivas. Ele olhou para Andrea com um sorriso meigo e autorizou-a
tacitamente a dizer exatamente o que ela pensava.
— Se eu descobrisse
aqui e agora que o meu marido é bissexual, eu daria um beijo nele, diria que o
amo e que ele pode contar comigo, mas ficaria um pouqinho preocupada porque,
das duas, uma: ou ele se priva do prazer com homens porque é casado comigo, ou
ele não se priva e isso pode ser perigoso para ele e para mim do ponto de vista
higiênico e médico.
— Você pode ter
certeza de que ele se priva, diz Luis.
— Tenho certeza
disso, reforçou Mariana.
— E eu digo que
você pode ter certeza disso também, disse Otávio, dando um abraço e beijando
afetuosamente a esposa.
— Quer dizer que eu
acabei de descobrir que o meu marido é bissexual? diz Andrea, rindo.
— Pelo visto, sim,
maninha, disse Mariana, estendendo o pescoço para dar um beijinho na irmã.
— Agora eu fiquei
foi curiosa, Tavinho! disparou Andrea. O Luis está aqui. A velha atração ainda
funciona?
Vencido, Otávio
meneou a cabeça afirmativamente e deixou-se arrastar de joelhos pelas duas
gêmeas até entre as pernas de Luis, que continuava sentado na poltrona. Era a
hora de cumprir a sentença. Diante dos três pares de olhos atentos, Otávio
viu-se pela primeira vez a centímetros de um dos objetos de excitação mais
importantes dos seus tempos de adolescente. O pênis bem real e volumoso de Luis
continuava repousando sobre uma coxa, desta vez ao seu dispor. Ele o colheu com
a mão e o empunhou, sentindo-o logo tomar vida e começar a enrijecer ao mesmo
tempo que os testículos inchavam e tomavam a forma arredondada que o agradava.
Andrea observou seu marido ajoelhado como um menino que faz a oração da noite
diante da cama. Acariciando suas nádegas para mostrar que não o recriminava,
ela o encorajou a ir em frente. O pênis de Luis logo atingiu as
dimensões máximas e Otávio pôde senti-lo pulsar vigorosamente em sua mão, já
liberando um fio de líquido lubrificante. Num gesto de encorajamento, Mariana,
que ajoelhara-se ao lado da poltroninha de quarto, curvou-se e abocanhou o
pênis do marido, chupando-o algumas vezes. Por fim, vencido pelo desejo, Otávio
envolveu a glande molhada com os lábios e deixou-a aprofundar-se em sua boca
até onde lhe foi possível. As irmãs aplaudiram e Luis fez-lhe um afago na
cabeça, convidando o cunhado a iniciar um lento vaivém.
As gêmeas entreolharam-se.
Os rapazes pareciam entrosados, elas agora podiam começar a planejar joguinhos
a quatro participantes. Mariana pulou no colo do marido, beijando-o
lascivamente e permitindo que seu pênis alternasse entre sua vagina e a boca de
Otávio, sempre ajoelhado no chão entre as pernas de Luis. Andrea continuava
curiosa a respeito da sexualidade recém-revelada do seu homem. Suas carícias
nas nádegas de Otávio logo aprofundaram-se, roçando-lhe o ânus, que pela
primeira vez mostrou-se receptivo aos seus dedos.
— Por que é que
você nunca me disse que gostava dessas coisas, Tavinho? perguntou ela,
aprofundando um dedo o mais possível no ânus relaxado do marido, que agora
alternava lambidas entre a vagina e o pênis à sua frente.
— Sei lá...
Vergonha, repondeu ele entre duas lambidas.
— Vergonha de ser o
mais perfeito dos quatro em matéria de sexo, cara? disparou Luis.
— Pois é, Otávio,
de nós quatro, você é que tem tudo para sentir mais prazer aqui, hoje,
acrescentou a cunhada.
A cada vez que
Mariana subia, Otávio passava a língua pelo tronco do pênis de
Luis, e quando ela descia, ele separava suas nádegas para passar-lhe a
língua no ânus. Isso foi deixando-a tão excitada que ela acabou esquecendo o
medo e pedindo a dupla penetração, que pôde ser realizada de maneira bem mais
descontraída que antes. Enquanto ela gemia de prazer entre os dois homens,
Otávio premia-lhe os seios ao mesmo tempo que sentia o roçar das suas coxas nas
de Luis e o contato quente dos testículos de ambos. A ação simultânea do dedo
de Andrea em seu ânus provocou um prazer tão intenso que ele teve um primeiro
orgasmo de copiosa descarga dentro de Mariana.
— Ahhh! Como isso é
bom! Exclamou ele, sentindo seu membro pulsar a cada jato do orgasmo
intensíssimo.
— Tirou um peso das
costas, não é, Tavinho? perguntou Andrea, voltando a acariciar-lhe as nádegas
lisas e bem feitas.
— Tirei. Já é um
começo, não é? disse ele, procurando a boca da esposa enquanto se retirava de
Mariana.
— Ou um recomeço!
soltou a esposa, dando um risinho malicioso e rolando com ele no chão.
— Para com isso!
sussurrou ele, encabulado.
— Você chupou o
Luis, mas vai esconder o resto? cochichou-lhe ela, provocativa.
— Você vai me fazer
passar vergonha, Andrea.
— Vai me dizer que
você não quer? disse ela procurando a sua boca e esfregando seu corpo no dele.
Nesse momento,
ouviu-se um "ai!" e as atenções se voltaram para Mariana.
— Que foi?
perguntou-lhe o marido?
— Droga! Quebrei
uma unha na costura do sofá... E está sangrando!
Andrea
precipitou-se sobre a irmã, inquieta e tão empática que parecia estar sentindo
a mesma dor. Mudando subitamente de humor e levantando-se para sair, Mariana
declarou com ar dramático que a brincadeira estava encerrada e saiu amparada
pela irmã gêmea como se tivesse sido amputada de um membro.
Luis já conhecia as
manhas da esposa e isso o irritava, mas interromper a primeira sessão de swing
com os cunhados acrescentava frustração à zanga. Para ele, foi como um coito
interrompido que o deixou desamparado e excitado, presa de uma ereção
consistente que estava longe de ser aplacada. Otávio se afastara e fora
debruçar-se na janela para olhar o preguiçoso trânsito matinal de fim de semana
na Visconde de Pirajá. Pela primeira vez na vida, Luis deteve seu olhar no
corpo deste que ele conhecera tão jovem sem contudo jamais ter-lhe dado a menor
atenção. Claro, magro e muito liso, com parcos pelos alourados e quase
invisíveis limitados às coxas e um par de nádegas bem feitas que, embora
voluptuosas na forma, transmitiam contraditoriamente uma inocência angelical,
Otávio ainda lembrava o menino que Luis via três vezes por semana a vestir-se
timidamente após a aula de natação. Decidido a permanecer um pouco mais no
clima de erotismo que se havia formado até o incidente da unha, ele levantou-se
da poltrona e foi lentamente até a janela, detendo-se ao lado do cunhado.
— Quem dera que o
movimento aqui fosse sempre esse, disse ele.
Otávio sentiu suas
coxas enrijecerem involuntariamente. A presença tão próxima de Luis o
intimidava, mas deixá-lo perceber isso poderia torná-lo arredio, pensou ele.
Saindo da posição francamente debruçada em que se encontrava, ele ergueu-se um
pouco, ficando apoiado no parapeito com os braços esticados.
— Ah, seria o
paraíso, isso aqui sem carros, mas...
Ele foi
interrompido pela mão de Luis que veio pousar-se em suas costas e desceu até as
nádegas, logo insinuando-se pelo sulco.
— Quer dizer que
você me espiava no vestiário?
— Po-pois é, eu...
Você tinha um... corpo... diferente dos outros e isso me deixava curioso.
— Você quer dizer
corpo ou pau, Otávio?
— Pois é... Eu...
Bom, eu olhava sim, pronto.
— Olhava o meu, mas
foi se satisfazer com outros?
— Como assim?
— Você já se
esqueceu do jogo da verdade de agora há pouco?
— Ah! É mesmo, eu
confessei.
— Pois é. Com quem
você se "aliviou"?
— Ah, não foi com
ninguém da natação. Fiz umas coisas com um primo muito próximo e com uns
vizinhos do condomínio.
— Punhetinhas
coletivas? Troca-troca?
— É, por aí,
respondeu Otávio, um tanto sem graça, num misto de falta de jeito e de
excitação com a mão de Luis entre suas nádegas.
— Você pode pegar,
se quiser, disse Luis virando-se um pouco para oferecer-se.
— Ah, está bem,
respondeu o outro, empunhando seu membro ainda inchado e quase ereto, mas
evitando olhá-lo nos olhos.
— Me conta um pouco
o que fez, mas a verdade.
— Com meu primo era
mais pegar no pau e ver o outro se masturbar.
— Só isso?
— De vez em quando
um deixava o outro se esfregar nele por trás, mas nunca baixamos as cuecas.
Havia como um limite após o qual os dois achavam que passariam por
"viados", e nenhum de nós queria isso.
— Mas chegavam a
gozar?
— Ah, isso sim,
molhamos as cuecas muitas vezes! Você não viveu esse tipo de experiência?
— Não porque eu
tive a sorte de transar logo com as meninas que eu namorava. Fui muito precoce.
Eu era considerado bonito, era muito exibicionista...
— E as pessoas
deviam espalhar que você era bem dotado.
— É, provavelmente.
O que sei é que aos quinze eu só olhava para meninas mais velhas que eu e já
tinha feito um pouco de tudo.
— Enquanto a
maioria não conseguia nada com as meninas e tinha que se virar sem elas.
— É, faz sentido e
acho que é a solução da maioria, sim, retrucou Luis, seriamente, olhando para
baixo e sentindo seu pênis plenamente ereto na mão do cunhado.
— Eu quis muito
fazer isso quando via você no vestiário, declarou Otávio, concentrado numa
lenta masturbação que revelava por completo a bela glande luzidia do cunhado.
— Você fez bem de
me ocultar isso na época. Eu teria levado a mal.
— Eu sei disso,
sempre tive bom senso.
— Você chupou bem.
Chegou a fazer muitas vezes?
— Se disser que foi
minha primeira vez, você acredita?
— Claro, claro. Mas
parabéns, então!
Ainda um pouco
tímido, Otávio largou o pênis de Luis e voltou-se novamente para fora. Num ato
reflexo, Luis passou para trás dele e colou seu pênis ao sulco, pondo as mãos
em suas ancas. Otávio teve um sobressalto e virou-se mostrando-se inquieto e
olhando para a porta.
— Relaxa, disse-lhe
Luis. Elas agora vão passar o dia grudadas, como se a Mariana tivesse perdido
um filho.
Otávio deu um longo
suspiro e voltou a debruçar-se na janela sentindo tão-logo o membro quente e
molhado tornar a instalar-se entre suas nádegas.
— Alguém já disse
que a tua bunda é gostosa, Otávio?
— Andrea diz sempre.
— E fora ela? Algum
cara te disse isso? Ainda não sei quem chegou a te comer.
Como o lento vaivém
espalhasse o líquido que escorria da glande por todo o membro de Luis e
permitia que o pênis se aprofundasse no sulco, Otávio separou suas próprias
nádegas com as mãos para senti-lo roçar seu ânus.
— Você não conhece
os caras para quem eu dei, Otávio.
— Ah, então foi
mais de um!
— Sim, foi mais de
um. As brincadeiras com meu primo me excitavam, mas ele não queria ir além,
então eu comecei a me tornar mais permissivo com os meninos do meu condomínio.
— Os mais velhos
que você?
— Os mais velhos e
mais tarados.
— Com quem foi a
primeira vez? Me conte dizendo os nomes.
— O nome dele era
Renato. Ele ia muito lá em casa e acabamos nas mesmas brincadeiras que
eu fazia com meu primo, mas ele começou a pedir mais.
— Ele queria
penetração.
— Sim.
— E foi no quarto?
— Não, não,
imagine! Ele não era morador do condomínio; ele morava numa casa da minha rua
um pouco acima. Na casa dele havia um morrinho onde havia duas caixas d'água,
uma funcionando e outra vazia que servia de reservatório quando a água ficava
escassa. Foi dentro dessa caixa d'água.
— Dentro? Sério?
— É, dentro. Eu já
tinha me escondido com ele dentro dela muitas vezes, nos esconde-esconde com a galera, e foi muito estranho entrar lá para isso.
— Vocês ficaram
pelados?
— Não, só tirei a
bermuda e a cueca e fiquei de quatro.
— E entrou fácil?
— Que nada, foi um
suplício! Tive que pedir para parar um monte de vezes e quase desisti outras
tantas.
— Quer dizer que
dói mesmo?
— Se dói! Mas ele
queria tanto que não me deixou amarelar de vez.
— Acabou
conseguindo meter tudo.
— Ahan, foi bem
completo. Ele já tinha feito.
Excitado com a narrativa, Luis começou a forçar levemente o orifício de Otávio, que levou a mão em seu baixo-ventre para evitar qualquer desconforto.
— Não quero que doa
nada dessa vez, cochichou ele.
— Vai ser perfeito,
você vai ver, respondeu Luis. Relaxa bem para entrar mais fácil. Fazer um pouco
de força para fora ajuda.
Otávio ouviu com
atenção e concentrou-se forçando-o ligeiramente para fora, o que permitiu-lhe acolher um ou dois centímetros a mais da glande. Mas ele logo
conscientizou-se da vulnerabilidade de sua posição e sentiu-se
encabulado.
— Que é que eu
estou fazendo, cara? disse ele, meneando a cabeça.
— Não está se
sentindo à vontade? A gente para, se quiser.
— Eu me sentia assim com meu primo. Acho que é da posição, de costas, me oferecendo
tanto... É uma sensação de estar sendo submisso e... "viado".
— Mas qual é o
problema de se sentir "viado" com um cara que te dá tesão? Não é
verdade que você está com vontade de me dar?
— O pior é que
estou, disse ele, desanimado.
— Então, eu prefiro
estar comendo um cara que se sente "viado" comigo do que um que se
diga todo macho. Nunca senti tesão por homens.
— Mas eu sou homem
e não vou deixar de ser por isso.
— Eu sei, eu sei...
Bom, você me entendeu.
— Entendi. Você
prefere que eu assuma que estou dando a bunda do que me finja de hétero vivendo
um "momento de fraqueza".
— Comigo, pelo
menos. Afinal, você me olhava quando ainda era tão indefinido...
— É verdade.
Otávio disse isso
abandonando-se um pouco e voltando a procurar relaxar-se o mais possível para
não perder a oportunidade única de reviver sensações que já lhe foram tão
prazerosas um dia. Cada vez mais excitado, Luis sentiu que podia aprofundar-se
mais e sua glande mergulhou enfim, forçando Otávio a firmar-se no parapeito,
soltando um gemido longo.
— Ahn.... As-sim...
— Está ficando gostoso?
— Se você cuspir
nele vai facilitar, fez ele contorcendo-se um pouco sem contudo deixar de
oferecer-se.
Luis fez o que ele
sugeriu e viu seu membro deslizar até o fim por entre as nádegas lisas que
encaixaram-se à sua pélvis como uma América na África. Otávio levou a mão atrás
para tocar a rígida ponte de carne que o ligava ao cunhado e sentiu seu próprio
membro ereto tocando a parede abaixo do parapeito a cada pulsação. Quando Luis
pôs-se em movimento, a mente de Otávio foi assaltada por velhas imagens de
primos, vizinhos, colegas de colégio e amigos que ele permissivamente deixava
baixar-lhe os shorts para esfregar-se nele e eventualmente penetrá-lo. Naqueles
tempos, o constrangimento era breve e a vergonha passava em 24 horas, quando
todos se encontravam no pátio do condomínio para uma nova pelada. Ele era o
goleiro, e um bom goleiro, o que o tornava quase intocável no bando. Havia
tempo para tudo, tempo de pelada e tempo de ficar pelado, pensou ele, sorrindo,
enquanto sentia as estocadas firmes do cunhado no presente.
— Está bom?
perguntou Luis, agora embalado num vaivém profundo e regular.
— Está perfeito,
respondeu o outro, debruçado no parapeito e empinando-se ao máximo, concentrado
nas mãos do cunhado firmemente agarrado às suas ancas.
O ruído da rua
impedira os homens de ouvir a porta do quarto abrindo-se. Lado a lado,
Mariana e Andrea contemplavam a cena tórrida entre os cunhados.
— Ah, essa bundinha
do Luis! exclamou Andrea.
— Que pelo visto
não se compara à do Otávio! retrucou a cunhada.
— Está chamando meu
marido de "viado", é?
— E preciso chamar?
— Bem, a Mariana
está te chamando de "viado"! disse ela, numa voz suficiente para ser
ouvida pelo quarto inteiro.
Os cunhados
desencaixaram-se imediatamente e ficaram de pé contra a janela tentando
inutilmente tapar os sexos em total ereção. Ocorre que Luis estava chegando ao
orgasmo e essa retirada brusca só fez precipitá-lo, de modo que ele estava
vivendo a experiência mais desesperadora de sua vida, contorcendo-se ao sentir
seu esperma ser ejetado em vários pequenos jatos na mão e tentando em vão
impedi-lo de gotejar.
— Nossa, entre
homens deve ser mesmo intenso! comentou Mariana com uma
ponta de inveja, lembrando sua incapacidade de apreciar o sexo anal.
— Já consertou a
unha? perguntou-lhe Luis, vermelho como um pimentão.
— Demos um jeito,
mas está doendo.
— Vamos para casa,
Tavinho? Está ficando tarde, pediu Andrea.
— Vamos... Vamos
sim, respondeu o homem, reticente e tomado de mal-estar, sem saber que cara
fazer após o flagrante tão explícito.
No carro, no
caminho de volta à casa, foi Andrea que quebrou o silêncio.
— Você gostou de
realizar esse desejo antigo, Tavinho? Teve prazer? Se satisfez?
— Mm-hm,
respondeu ele.
Fazia muitos anos
que Otávio não deixara de sentir aquela espécie de vaga pulsação e a leve
irritação gerada pela fricção do pênis contra as paredes do ânus. Quando
menino, ele mal dava importância a isso porque os joguinhos sexuais se davam
entre uma brincadeira e outra, jamais retendo a atenção dele por mais de alguns
minutos. Mas aos trinta anos, dirigindo e ao lado da esposa intrigada, a velha
sensação tomava proporções colossais, perpassando seu corpo para invadir-lhe a
mente.
— Você está se
sentindo diferente, agora que fez... isso?
— Estou me sentindo
como o bissexual que sempre fui mas nunca tive peito para assumir, Andrea.
— É, precisa peito
mesmo, retrucou ela com uma ponta de ironia.
— Você acha que
isso vai gerar uma crise conjugal, Andrea?
— Não, mas...
— Mas o quê?
— Mas é claro que
tudo vai mudar entre nós, não é?
— Você se refere ao
Luis quando diz esse "nós"?
— De certa forma.
— Para mim, é
bastante claro: ou você aceita que ele participe da minha vida sexual ou você
não aceita.
— E se eu não
aceitar?
— Das duas uma: vou
continuar abstêmio ou vou incluir homens na minha vida de alguma outra forma. Você
vai ou não aceitar?
Andrea olhou para
fora do carro, para longe, onde a paisagem é sempre a mesma. Ela sempre teve
dificuldade de lidar com a mudança, e a idéia de adaptar-se à nova sexualidade
do marido a assustava. Ela queria conseguir adaptar-se porque o amava. Ela
faria esse esforço, mas não podia deixar de fazer a pergunta que mais a
atormentava.
— Eu só quero saber
uma coisa, Tavinho. Com os homens, você vai ser sempre o passivo ou também tem
desejo de penetrar?
— Por que essa
pergunta, Andrea?
— Não sei... Eu...
Não sei se quero continuar a viver com você sabendo que os homens vão ver você
como...
— Como o quê?
— Ah, você sabe.
— Não, não sei.
— Então, como...
Como... Como "viado", pronto!
Uma vez mais, a
mente de Otávio explodiu em imagens, mas desta feita, acompanhada de algumas
vozes que ecoaram em sua cabeça: "Viadinho!" "Eu sei que você
deu para o Fulano!", "O Otávio é a putinha do Maurício, gente!",
"Quem dá o cu é viado!", "Pega no meu também, bichinha!",
"Mulherzinha!", etc. É verdade que ele fora obrigado a ouvir essas
coisas esporadicamente, quando alguma aventura vazava e outros meninos da rua
ficavam sabendo. É óbvio que havia no grupo uma consciência tácita de que ele
era um dos que facilitavam a eclosão da vida sexual dos machinhos do condomínio
e da vizinhança imediata. Mas também é verdade que ele saíra dessa experiência
incólume, impaciente para beijar meninas, namorar, depois casar e ter filhos.
Ele nunca experimentara a menor ponta de afetividade por um vizinho ou colega.
O estatuto de "viado" que lhe poderia ter sido atribuído era
claramente provisório e limitado às circunstâncias favoráveis do condomínio e
da rua de bairro tranquilo de classe média em que ele passara a infância e
adolescência. Além disso, ele tivera, sim, experiências como ativo, embora em
número muito mais reduzido, quando dos famosos "troca-troca" com
tentativas desajeitadas de penetração, entre meninos ávidos de começar a
introduzir o pênis em algo vivo. Ele reconhecia que preferia os assédios dos
mais velhos que ele, mas essas experiências de penetração faziam parte do
elenco de experiências que ele vivera. Isso o decidiu a falar.
— Andrea, eu não
sei que tipo de desejo homossexual vou ter e por quem, mas caso eu tome gosto
pelo papel de passivo, isso não quer em absoluto dizer que eu va tornar-me uma
espécie de passivo asqueroso e vulgar que não escolhe parceiros e tem obsessão
por um pênis. O que você vai ver será sempre semelhante ao que você viu hoje
entre mim e o Luis. Eu fiz sexo oral com ele, depois ele me penetrou, mas em
momento algum me senti desrespeitado ou vulgar. E fique tranquila porque
garanto a você que se algum dia o Luis quiser experimentar o papel de passivo,
serei o primeiro a querer satisfazê-lo.
— Então você também
tem atração por...
— Por uma bunda
masculina?
— Hãhã.
— É claro que
tenho! Só não falo muito em penetração com homens porque na vida de casado o
homem já tem isso à disposição. O que muda na atividade bissexual é que o homem
pode ser penetrado.
— Então você está
apenas em busca da diferença? Do prazer novo?
— É claro! Você achou que eu estivesse a caminho de trocar você por homens?
— Não sei... Eu...
— Pois relaxe. Eu
amo você, e essa possibilidade de mostrar um pouco mais a você como eu sou me
trouxe um enorme alívio, livrou-me de um peso dos ombros, como você mesma
disse. O mais provável é que eu me satisfaça de vez em quando com o Luis e que
todo o resto fique igual ao que era antes. Tenho certeza de que o que aconteceu
só poderá contribuir para a nossa vida sexual.
— Se é assim, viva
o meu marido bi!
Eles se beijaram
ternamente e chegando em casa não pensaram duas vezes para voar para a cama ter
outra sessão de sexo tórrido.

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