Quando o navio
ancorou de manhã e iniciou-se o lento desembarque dos passageiros
em shuttles que os levariam até o porto da ilha paradisíaca, Cícero
avistou o casal que ele vira pela última vez na véspera, durante o jantar no
restaurante principal, e seguira discretamente até descobrir que ocupavam a
cabine 7028. Ele apostara que se tratava de recém-casados em lua de mel. Eram
muito jovens, ela certamente mal chegando aos vinte, ele cerca de vinte e dois,
vinte e três no máximo. Durante os primeiros dias de cruzeiro, ele os vira
descobrindo juntos as mil atividades propostas à bordo, mas percebera que o
prazer maior do casal era a piscina e as quatro enormes banheiras de
hidromassagem em torno dela. Em sumários trajes de banho, eles chamavam a
atenção dos passageiros, na maioria largamente cinquentões que, não podendo
revelar suas maliciosas tendências, olhavam-nos com um sorriso embevecido e falsamente
infantil nos lábios, cumprimentando-os com polidos acenos de cabeça.
Cícero Athaíde, quadragenário bem apessoado e
recém-divorciado, era um dos poucos que mereciam um pouco mais de atenção do
casalzinho, que passava por ele olhando-o bem nos olhos e oferecendo-lhe
sorrisos francos. Isso logo o estimulou a ver até onde se estenderia o
privilégio dessa simpatia. Bom estrategista, ele procurou estar por perto deles
para que se acostumassem à sua presença neutra e pôde assim admirar seus corpos
já dourados expostos ao sol mediterrâneo. Seu inseparável telefone celular
mantinha-o conectado ao seu melhor amigo, instalado no Alasca a negócios e
ávido de notícias quentes.
— E então, meu caro, como vão indo as conquistas?
— Ah, Estêvão, acabei de passar à fase dois. Já posso admirar minha eleita e seu jovem
garanhão de pertinho e sem despertar suspeitas.
— E como está hoje
a nossa Vênus? Vou poder vê-la de novo?
— Só ela? Ha! Ha!
Ha!
— Ainda não cheguei
ao seu grau de perfeição, caro amigo. Por enquanto, dos casais, só me interessa
a metade feminina!
— Estou admirado
com seu poder de autocrítica, Estêvão! Aí vai a foto, julgue por si mesmo,
disse Cícero, efetuando o envio pelo celular.
— Hum! Biquíni
amarelo é sinal de que a mocinha se sente realmente bem na pele!
— Com exceção da
meia dúzia de crianças e adolescentes, é a mascote da casa, não tiram os olhos
dela! E aqui na piscina, quando ela remexe esse traseirinho para se acomodar
melhor, os olhares convergem em massa para a espreguiçadeira que ela ocupa.
— Deslumbrante! E
você já assistiu a alguma cena mais íntima?
— Agora há pouco,
saindo da água, o rapaz estava visivelmente excitado, depois de longos minutos
de brincadeiras. Percebi que não foi por preferência que ele se deitou de
bruços.
— E...?
— Assim, à primeira
vista, o apetrecho pareceu-me interessante. Não há dúvida de que eles devem
estar se divertindo um bocado.
— Você não tem
jeito mesmo! Algum plano em mente?
— ...
E assim continuavam
as conversas, três ou quatro vezes por dia, momentos em que
Cícero brincava de antecipar ao seu amigo os passos seguintes de uma
abordagem que para muitos pareceria impossível. Antes do jantar, à véspera do
desembarque na primeira ilha do roteiro de visitas, ele oferecera discretamente
bebidas ao casal elegantemente vestido e acomodado num conjunto estofado
próximo ao piano. Eles agradeceram com um sorriso, elevando sutilmente os copos
em sinal de que o identificavam com simpatia. Na passagem ao restaurante,
trocaram duas ou três palavras, o suficiente para que se apresentassem. Giovana
e Francis eram paulistas e estavam de fato em lua de mel. Cícero foi sentar-se
sozinho junto a uma mesa distante situada de modo a poder observá-los
discretamente. Depois do jantar, divertindo-se a segui-los de longe, ele os viu
tomarem um dos elevadores e enveredar por corredores que levavam ao bar de uma
boate que só abriria as portas bem mais tarde, por volta das 23h, portanto
ainda deserto. Julgando-se sozinhos com o barman, eles pediram bebidas e
fingiram dançar ao som de alguma música techno imaginária. Giovana rodopiava e
seu vestido subia proporcionando ao marido o espetáculo do seu corpo delgado e
forte valorizado pela ínfima calcinha "string" perfeitamente
ajustada. Ao unirem-se, Francis beijava-a voluptuosamente acariciando-lhe os
seios enquanto ela premia-lhe discretamente a calça, numa dança extremamente
sensual que forçava a parar na porta os eventuais passantes.
Mas a atitude do
barman, que se debruçara no balcão do bar para assistir ao showzinho privado,
pareceu subitamente incomodá-los, e eles saíram. Cícero seguiu-os até o convés,
onde avistou Giovana debruçada na amurada, fingindo olhar o mar, com Francis
abraçando-a estreitamente pela cintura. Ela levara a mão atrás e estava provavelmente
acariciando-o por fora da calça, mas a distância de segurança impedia a Cícero
de ter certeza disso. Francis parecia desejar ousar mais, puxando-a para si,
mas ela o repelia rindo e acabou por desvencilhar-se dele e levá-lo para o
interior. Apostando alto, Cícero continuou a segui-los até mesmo quando percebeu
que eles se encaminhavam para o sétimo convés e para o corredor das cabines.
Ocultando-se o melhor que pôde, ele os viu parar diante da cabine 7028. Francis
recostou-se à porta, Giovana agachou-se de pernas abertas e abriu-lhe
apressadamente a calça. Em seguida, ela olhou para um lado e para o outro antes
de extrair-lhe o membro da calça e presenteá-lo com uma rápida felação antes de
desaparecerem quarto adentro, às gargalhadas.
A noite foi de puro
delírio para Cícero, que até de olhos fechados via reiterar-se ad infinitum a
cena da porta da cabine. Ele desejava aqueles dois e os incluíra
definitivamente em seu programa de férias. Ele não sabia nada sobre os hábitos
sexuais do casal, mas acostumado às conquistas extraordinárias, essa era a
menor de suas inquietações. Ele dormiu como um Cupido e no dia seguinte, bem
cedo, vestiu sandálias, bermuda e camiseta e desceu para tomar o café da manhã
enquanto aguardava o chamado para o desembarque em Koufonissi, uma pequena ilha
pouco frequentada e de praias idílicas. Ele logo descobriu que não tomaria o
mesmo shuttle que Giovana e Francis, mas sabia que daria um jeito de
encontrá-los depois. Quando ele desembarcou na ilha, viu-os caminhando já bem
longe e pôs-se a segui-los com a maior cautela. Eles pareciam saber aonde iam,
andando decididamente como se tivessem pressa de chegar, embora a caminhada
fosse durar cerca de 40 minutos.
Por sorte, havia
rochedos por todo lado. Assim que Cícero encontrou abrigo, descobriu a praia
praticamente deserta, com três surfistas numa extremidade e ninguém na outra,
cerca de trezentos metros a leste, para onde o casal se dirigiu. Ele pôde
segui-los e ocultar-se a poucos metros de onde eles estenderam as toalhas. Giovana
tirou a saída de banho e sequer permaneceu dez segundos de biquíni. Seu corpo
moreno claro reluziu ao sol da Hélade e Cícero engoliu em seco ao descobri-la
completamente depilada, exibindo apenas uma longa fenda sombria entre as coxas
bem feitas. Francis aproximou-se dela e beijou-a longamente enquanto sua mão
acariciava a virilha. Giovana respondeu entreabrindo e erguendo um pouco as
pernas, provavelmente para acolher um dedo mais audaz enquanto cuidava de abrir
a bermuda do marido. Esta caiu-lhe aos tornozelos deixando o pênis em riste a
roçar-lhe a barriga, e foi por ele que, rindo muito, ela o levou até a água
para um primeiro mergulho. Isso deu a Cícero a chance para uma mudança
estratégica de posto que lhe permitiu ficar bem mais próximo do casal, por trás
de uma faixa rochosa que invadia a areia.
Ao saírem da água,
Francis estava mais "calmo", seu longo membro descoberto pendendo
entre as pernas. Cícero avaliou-o em cerca de dezoito centímetros de
comprimento por cinco de diâmetro, estimando perfeitas essas dimensões, dada a
compleição longilínea e saudável da jovem esposa. Assim que o casal sentou-se
nas toalhas, Francis olhou em volta, disse alguma coisa a Giovana que por sua
vez, olhou detidamente na direção da outra extremidade da pequena praia, onde
se viam os surfistas na água. Não havia dúvida de que se um deles aguçasse a
vista, assistiria ao que estava acontecendo na extremidade oposta, mas eles
pareciam mais ocupados em divertir-se com as ondas do que em espreitar casais.
Ela então debruçou-se sobre Francis e pôs-se a chupar gulosamente o seu
imponente dote. Cícero os via praticamente de frente, como se lhe
proporcionassem um espetáculo privado. Embora muito jovem, Giovana parecia
experiente, admitindo integralmente na boca o avantajado membro, que
rapidamente atingira as dimensões finais, e esforçando-se para colar os lábios
no raso tapete castanho da pélvis do rapaz. Apoiado num cotovelo e afagando-lhe
o cabelo com a mão livre, Francis pôs-se a gemer dizendo-lhe coisas que o vento
infelizmente levava para longe dos ouvidos do nosso observador oculto.
Embora demorada, a
felação era preliminar. Não houve orgasmo e, a certa altura, Giovana
interrompeu-a para olhar detidamente em direção à outra extremidade da praia.
Quando ela teve a certeza de que não estavam sendo observados, lambeu dois
dedos, umedeceu a vagina e montou em Francis, apoiando-se com ambas as mãos em
seu peito para encaixar-se e por-se a cavalgá-lo. De seu posto, Cícero podia
ver a longa barra encurvada desaparecendo gradativamente sob a jovem mulher
para tornar a emergir, e assim por diante a cada movimento completo de um trote
que ia tornando-se mais e mais regular. Com os dedos crispados e as coxas
tensas, Giovana parecia excitar-se ao delírio, a cada vez que soltava o peso do
corpo para empalar-se profundamente. Francis olhava-a fixamente premendo-lhe os
seios e buscando ainda mais estímulo nas feições extáticas de sua jovem esposa
que agora gemi sem qualquer pudor ou temor.
Após ter registrado
algumas cenas com o celular, Cícero tentou contactar seu amigo Estêvão, mas não
havia sinal. Ele conseguiu a duras penas evitar a masturbação, acalentando a
esperança de compor com o casal um trio nessa ocasião tão única, mas como
forjar uma falsa coincidência para tentar uma aproximação ali mesmo? A
alternativa mais realista seria afastar-se sem ser visto e retornar à praia
como se tivesse chegado lá por acaso, pensou ele. Com muita cautela, ele
afastou-se e deu uma ampla volta por trás da praia para retornar como se nada
fosse pelo mesmo lugar em que todos chegam, uma estradinha de terra que culmina
numa elevação que dá acesso à areia. Ele logo os avistou ao longe, ainda
envolvidos em seu joguinho amoroso. Olhando para a frente, ele caminhou até a
orla, despiu-se sem contudo retirar sunga e caminhou para a água. De lá, ele os
via sem ser visto ou, pelo menos, sem ser reconhecido. Giovana avançara até o
rosto de Francis, que parecia entregue a um interminável cunilinguus enquanto
ela balançava os braços numa espécie de dança dionisíaca. Mesmo de longe,
Cícero podia ver a redondeza de suas belas nádegas refletindo ao sol ainda
baixo da manhã.
Nadando e
deixando-se intencionalmente derivar pela fraca corrente da pequena enseada,
Cícero foi aproximando-se até estar quase em frente ao ponto em que se
encontrava o casal, que agora invertera posições e era Francis que multiplicava
as estocadas em sua jovem esposa deitada de bruços. Observando-os apenas com a
cabeça fora d'água, Cícero tomou a decisão de aguardar que fizessem uma pausa
para apresentar-se como se surgisse do nada. Enquanto isso, ele pôde admirar o
belo trabalho muscular de Francis que, apoiado nos braços e joelhos, desfechava
vigorosos golpes de pélvis enquanto Giovana, as pernas fechadas e curvando ao
máximo a coluna, oferecia-se com a resistência necessária à obtenção do máximo
prazer. Passados alguns minutos, Francis deixou-se cair ao lado dela,
afagando-lhe o cabelo, ofegante. Era o momento esperado. Cícero preparou-se
para sair da água e fingiu ir caminhando distraidamente pelos cerca de trinta
metros de areia que os separavam, até ser avistado pelo rapaz, que limitou-se a
sentar-se de pernas cruzadas e prevenir a esposa da sua chegada.
— Mas que
coincidência! disse Cícero, detendo-se pouco antes e todo sorrisos. Vi um casal
se amando, mas nunca imaginei que fossem vocês!
— Pois é, estive
aqui em outra viagem e quis mostrar à Giovana.
— Desculpem, meus
amigos, eu não queria...
— Relaxe, Cícero!
Estamos numa praia deserta fazendo o que todos fazem em praias desertas, não é
mesmo? disse a moça, virando-se sem parecer minimamente incomodada.
— É uma linda
praia, de fato. Quer dizer que você já conhecia, Francis?
— Sim, estive aqui
com amigos, há dois anos. Mas, sem querer mudar de assunto, Cícero, você saiu
do navio assim, só de sunga?
— Euh... Não! Ha!
Ha! Minhas roupas estão lá no meio da praia. Comecei a nadar e me distraí.
— Se quiser ir
buscá-las, podemos ficar juntos e depois ir almoçar em algum lugar.
— É sério? Vocês
não se importam mesmo? Não vão me acolher por pena porque estou sozinho, hein!
— Que nada! Tem
alguém aqui que ficou feliz da vida, brincou o rapaz empurrando de leve a
esposa pelo ombro.
— É sério, Giovana?
perguntou-lhe o convidado.
— Ela é sua fã
número um no barco, Cícero.
— Assim vocês vão
me deixar vermelha! brinca a moça, sacudindo os ombros de queixo colado ao
peito pouco acima dos seios, fingindo-se de menina tímida.
— Estou tão
lisonjeado que não posso recusar! exclama Cícero, já afastando-se para ir
buscar suas roupas.
Conjeturando sobre
a perfeição do seu plano, Cícero lamentou mais uma vez não poder entrar em
contato com seu amigo Estêvão para um relatório matinal. Não havia dúvida de
que a sua presença, à qual o casal se habituara imperceptivelmente ao longo das
várias ocasiões em que estiveram nos mesmos recintos do navio, era bem-vinda.
Giovana lhe pareceu linda nua, seu corpo deslumbrante e o contato com eles logo
após o sexo o deixara profundamente excitado. Francis também o interessava.
Cícero vivera várias experiências a três e estava acostumado a interagir com os
parceiros masculinos de programa. Ele se perguntava se o rapaz seria mais ou
menos permissivo, até onde ele iria diante da jovem esposa e até que ponto da
escala de ousadia ela estaria disposta a vê-lo chegar.
O pênis de Cícero avolumara-se na sunga, obrigando-o a ajeitá-lo, o que o inibiu para despir-se completamente como lhe pareceria correto. Ele alcançou o montículo formado pelas sandálias, bermuda e camiseta, e retomou a direção do casal. Sua chegada interrompeu um beijo durante o qual o pênis semiereto de Francis rolava indolente sobre a barriga. Ele pigarreou para assinalar sua presença.
— Você não pratica
nudismo? perguntou Francis, de pronto, assim que o viu de sunga.
— Pratico, mas
sozinho não me sinto muito à vontade.
— Agora você não
está mais sozinho! cobrou Giovana, brincalhona.
— OK, vocês
venceram, eu tiro.
Assim que livrou-se
da sunga, Cícero percebeu os dois olhares furtivos em direção ao seu sexo e
agradeceu mais uma vez os seus genes pela boa forma física, pelas feições
agradáveis e pela barriga plana com que fora agraciado por eles. Essas
características podiam não significar muito para alguns, mas no que lhe dizia
respeito, delas dependia o bom desempenho das suas conquistas. Dono de um par
de coxas fortes e nádegas estreitas e firmes, além de um belo pênis longo e bem
feito dotado de uma glande privilegiada, Cícero não tinha o que temer. Ao
sentar-se junto aos novos amigos e perceber o ar satisfeito da jovem mulher
instalada entre os homens, ele não teve dúvida de que fora de bom grado
acolhido por eles.
— A Giovana me
disse que está curiosa para saber uma coisa, Cícero.
— Pois diga,
menina! instou o interessado, voltando-se amistosamente para ela.
— Eu queria
saber... Bem, você sabe, quando você chegou, nós...
— Ahá! Você quer
saber o que eu vi, não é isso?
— É, respondeu ela,
tapando o sol com as mãos, o que elevou-lhe os seios, salientando os bicos
ainda intumescidos.
Obviamente Cícero
não podia comentar sobre tudo o que vira antes de deixar seu primeiro
observatório. Ele concentrou-se nas lembranças mais recentes.
— A palavra
"cunilinguus" faz sentido para vocês?
— Haha! disparou
Francis, dando um tapa na areia, enquanto Giovana cobria o rosto fingindo
vergonha.
— Você viu mesmo?
perguntou ela.
— Se eu dissesse
que vocês ficaram invisíveis naquela hora, estaria mentindo. E pelo visto, devo
ter interrompido as preliminares!
— Que nada! Já
estávamos longe delas, disparou Francis.
— Ufa! Mas isso me
intriga: vocês começam pelo fim?
— É, o Francis tem
umas taras estranhas, interferiu Giovana.
— Como degustar
seus próprios sabores? arriscou Cícero.
— Adivinhou.
— Isso não é tara,
mas requinte, Giovana! E o mais gostoso é continuar, passar de boca em boca e
manter o nectar entre as papilas durante um bom momento.
— Obrigado, Cícero!
Você está resgatando a minha reputação, declarou Francis, radiante.
— É sempre um
prazer abrir a mente dos mais jovens! retrucou o homem.
— Você me faz
pensar no Valmont das Ligações Perigosas, exclamou Giovana, dirigindo
sutilmente o olhar para o baixo-ventre do convidado, agora deitado de lado e
voltado para ela.
— Isso sim, é
elogio! Valmont é um mestre!
— Estojinho-surpresa?
brincou ela, aludindo ao pênis que ela via repousando sobre a coxa de Cícero,
todo recoberto por seu prepúcio.
— A cabeça deve ser
grande, Giovana. Olha como ela marca a pele, observou Francis.
— É verdade! Será
que ela sai toda? indagou ela com malícia no olhar.
— Fiquem à vontade
para descobrir! retrucou Cícero.
Os recém-casados
entreolharam-se sorrindo e assim que percebeu o assentimento do marido, Giovana
colheu o membro de Cícero com a mão, sopesando-o e apalpando-o, sentindo-o
inchar e enrijecer entre seus dedos, avolumando-se consideravelmente.
— Quanto mede,
Cícero? perguntou Francis, realmente interessado.
— Da última vez,
dezessete por quatro quando ereto, mas estou em fase de crescimento, então
creio que posso ser otimista!
Todos riram. O gelo
estava definitivamente quebrado. Mas Goiovana não cabia em si de curiosidade
para saber o que se ocultava o "estojinho-surpresa" que ela tinha nas
mãos.
— Posso mesmo?
insistiu ela.
— Por favor!
respondeu Cícero, dando uma piscadela para Francis.
Ao começar a recuar
o prepúcio, o diâmetro do orifício pareceu-lhe pequeno e ela não teve coragem
de prosseguir, com medo de causar dor ou aflição. Cícero teve que estimulá-la a
ir adiante até que a volumosa glande rosada abriu espaço e desabrochou como um
cogumelo.
— Ele é bonito!
exclamou ela, pondo-o em várias posições.
— E bem
proporcional, acrescentou Francis.— Curvado para cima como o teu, observou a
jovem.
— Obrigado! fez
Cícero, lisongeado.
Ele conhecia bem
esses momentos em que tudo pode dar em nada e adiar encontros carregados de
potencial. Ele estava pronto, a atmosfera era propícia, a praia deserta... Mas
o menor erro tático poderia por tudo a perder em segundos.
Era preciso recorrer à sua longa experiência enquanto o casal parecia
entusiasmado com a situação inovadora. Ele sabia que nessas ocasiões nem tudo
era dito e nem todos os desejos expressos. Giovana parecia excitada e desejosa
de ir adiante, mas como saber se ela não estava evitando ferir a masculinidade
do jovem marido? E opostamente, como saber se este último não estava igualmente
inibido para revelar algum desejo ou curiosidade oculta em relação ao sexo
masculino? Cabia a ele, o mais velho e experiente dos três, a tarefa de fazer
com que eles exteriorizassem sem receio essas fantasias tão íntimas. Ele
decidiu começar por Francis.
— Você não se
habilita? perguntou ele, propondo-lhe a experiência táctil que Giovana aceitara
de pronto.
— Não sei... faz o
rapaz, hesitante.
— Aceita, Fran!
exortou sua jovem esposa. Quem sabe quando uma chance dessas vai se repetir?
disse ela, soltando o membro pulsante para dar-lhe a vez.
— Você não se
importa mesmo, Giovana?
— Não vou
considerar você menos homem por isso! Aposto que você está curioso.
— Curioso eu estou,
mas...
— Giovana tem
razão, interveio Cícero. Sua masculinidade não vai ficar comprometida por tão
pouco, rapaz!
— Está bem, está
bem. E afinal, ninguém vai ver.
Uma onda de
excitação invadiu Cícero com a troca do suave aperto de Giovana pela pegada
máscula e firme de Francis, que a familiaridade com o pênis tornava mais segura
e destemida. Um fio transparente logo escorreu do orifício e desceu até a areia.
— Uau! exclamou
Giovana. Pelo visto, o Cícero gostou!
— É que o homem
empunha mais decididamente, Giovana, e isso excita, justificou-se o homem,
ligeiramente sem jeito.
Por trás da esposa,
a excitação de Francis fazia-se igualmente sentir. Uma nova ereção se formara e
seu pênis roçava nas nádegas da jovem. Sentindo a disposição do marido, ela
curvou-se sobre Cícero e abocanhou-lhe o membro que Francis largou de pronto.
Assim que conseguiu envolver com os lábios a glande volumosa como uma ameixa,
ela ergueu ligeiramente a perna e franqueou ao marido o acesso à vagina agora
úmida e desejosa. O trio estava formado. Cícero aproximou-se mais para
desfrutar plenamente a carícia dispensada pela boca de Giovana enquanto
observava Francis mover-se por trás dela ao mesmo tempo que lhe acariciava os
mamilos eriçados.
— Não cuspa, está
bem, Giovana? recomendou Cícero.
— Mmm-hmm? indagou
ela, intrigada.
— Vamos aplicar o
que eu disse antes sobre o sexo oral. Você está disposto a ousar um pouquinho
mais, Francis? perguntou ele, procurando o olhar do rapaz.
— Acho... que
sim... disse ele, empenhado em seu vaivém. Desde que você... concorde em
retribuir, acrescentou.
— Com o maior
prazer! Basta que você me diga como quer que eu faça.
— Eu gostaria de
ver a Giovana sentar no seu rosto depois do meu orgasmo.
— Por mim está
ótimo, mas a Giovana é que decide.
— Não posso
recusar, disse ela, erguendo momentaneamente a cabeça.
— Perfeito, então.
Quando você quiser, Giovana, basta me masturbar e chupar ao mesmo tempo, está
bem?
— Mmm-hmm,
respondeu ela, voltando a empenhar-se na felação.
Eles permaneceram
assim por agradáveis minutos, num movimento lento e harmonioso em que cada qual
pôde extrair o máximo de prazer de sua posição. Francis foi o primeiro a
atingir o orgasmo, gemendo muito e declarando estar ejaculando fartamente
embora fosse a segunda vez em poucos minutos. Muito excitado, ele permaneceu
dentro de Giovana que, como combinado, iniciou uma firme masturbação em
Cícero sem interromper a felação, o que o levou rapidamente ao orgasmo. O jato
inicial assustou-a, mas ela manteve o pênis bem direcionado para a sua boca
enquanto Cícero contorcia-se e gemia a cada descarga. No fim, vendo-a de olhos
arregalados e sem saber o que fazer do conteúdo em sua boca, Cícero deitou-se
junto dela e pediu-lhe que lhe passasse tudo. Giovana debruçou-se sobre ele e,
sem beijá-lo, deixou escorrer um espesso fio translúcido diretamente entre os
lábios do seu Valmont mediterrâneo diante do olhar de aluno atento do jovem
marido.
Em silêncio, mas
sem engolir ou cuspir, Cícero dirigiu-se a Francis, indicou-lhe que se deitasse
de costas e empunhou seu pênis. Em seguida, abocanhou-o e chupou-o
vigorosamente, deixando escorrer por ele o conteúdo de sua boca para
recuperá-lo logo após com amplas sugadas da base à extremidade, reiterando o
processo até levar Francis a um novo orgasmo. Sem dar tempo ao casal de
manifestar-se, ele voltou-se para Giovana e colou seus lábios aos dela,
repassando-lhe o sumo enriquecido, que ela acolheu sem asco.
— É disso que eu
estava falando, disse ele em tom didático. Agora é com vocês.
Giovana sequer deu
a Francis a oportunidade de pensar. Atirando-se sobre ele, deu-lhe um beijo
lascivo, introduzindo-lhe a língua na boca e passando-lhe tudo.
— É você que vai
engolir! disse ela assim que esvaziou a boca.
O desafio era de
monta. De olhos arregalados, Francis imobilizara-se, respirando pela boca
entreaberta, a língua paralisada, incapaz de tomar qualquer decisão.
— Você tem a
liberdade de cuspir, Francis, mas garanto-lhe que vai se arrepender mais tarde,
porque o gosto por esses sabores é questão de hábito e qualquer ocasião é
preciosa para adquirir tais hábitos, disse-lhe Cícero, modulando a voz da
experiência.
Armando-se de
coragem, Francis apertou os olhos e engoliu ruidosamente, de uma vez só, mostrando
em seguida a boca vazia. Satisfeito, Cícero deu-lhe dois tapinhas no ombro
e, pensando em dar ao rapaz a oportunidade de recuperar-se do choque, foi
mergulhar a cabeça entre as coxas de Giovana, pondo-se a devorar-lhe
gulosamente a vagina. Todavia, ver a esposa acolher Cícero sem qualquer
resistência estimulou Francis a ir acariciá-la e beijá-la em vez de
inspirá-lo a entregar-se a uma meditação solitária sobre a deglutição de
coquetéis orgásticos, e foi o que ele fez.
Ocorre que, por uma
dessas misteriosas quebradas da mente, a posição que o corpo de Francis assumiu
ao ir beijar Giovana evocou-lhe o efeito que suas próprias nádegas sempre
suscitaram no imaginário de suas amantes, e ele decidiu servir-se disso para
provocar o homem que parecia agora estar levando ao sétimo céu a sua jovem
esposa. Montando sobre ela, ele ofereceu-lhe o pênis e pôs-se a copular com sua
boca, numa variação da felação muito apreciada por ela, cuidando entretanto de
salientar bem o traseiro para exibi-lo a Cícero. E a manobra surtiu efeito. Ao
mesmo tempo que esfregava habilmente com a língua o clitóris de Giovana, Cícero
pôde deliciar-se com a proximidade das nádegas do jovem, tão lisas quanto as da
mulher, e com a visão do orifício aparentemente intocado, bem como dos testículos
que valsavam logo abaixo. O desejo estimulou-o a tal ponto que a firmeza dos
seus golpes de língua não tardou a levar a moça ao orgasmo, acrescentando o seu
próprio sumo ao já farto conteúdo deixado antes pelo marido.
Quando o efeito do
orgasmo de Giovana pareceu ter abrandado, Cícero deitou-se de costas e
interrompeu o duo para pedir a ela que se pusesse de quatro e voltada para o
lado oposto ao corpo dele. Em seguida, puxou-a para trás, ajustando-a para que
ficasse praticamente sentada em seu rosto, e esperou. Não lhe foi preciso
muito esforço de imaginação para entender quem acabara de empunhar o seu pênis
e começava a sugá-lo intensamente, mas a mistura tão esperada já descia pelo
orifício vaginal diretamente em sua boca, e isso o distraiu. Ele saboreou o
nectar diante do olhar apreensivo de Francis que permanecia atracado ao seu
membro. Quando Giovana terminou de verter seu conteúdo, Cícero deu-lhe
algumas lambidas finais e piscou para Francis, que o soltou sem demora e foi
para junto da esposa. Cícero permaneceu sentado na areia enquanto o casal
encerrava com um longo beijo e uma última penetração, na posição mais inocente,
essa sessão tão inovadora de sexo na praia. Ele contemplou excitado o vaivém
suave do rapaz, admirando mais uma vez as formas sensuais que as belas nádegas
do jovem assumiam a cada posição. Quando Francis retirou de Giovana o seu dardo
pulsante e ainda armado, um último filete de prata gotejou da fenda aberta,
indo fundir-se à mãe Terra.
Os três foram
banhar-se uma última vez, mas ao vestir a sunga, Cícero avaliou sua
insatisfação pela medida do volume nela. Era impensável interromper aquela
relação, mas diante da dificuldade de Francis para assumir plenamente a
pluralidade dos seus desejos, ele ignorava se e de que modo uma continuidade
aconteceria. Eles foram almoçar juntos num restaurante típico da ilha
paradisíaca, e o casal foi seu convidado. Por volta das cinco horas,
encaminharam-se para o navio que zarpava à noitinha. Chegada a hora de retomar
as cabines e separar-se o trio, uma apreensão saudável apoderou-se da mente do
nosso conquistador inveterado. Tudo estava por começar.

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