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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

Relato a um Amigo do Clã

Guido, Guido, que sábado! Não posso deixar de te contar isso. Como eu disse antes, arrumei o tal encontro em nosso site de chat, que rendeu um "aperitivo" no carro, meio às pressas, na própria quinta-feira em que você e eu conversamos. O nome dele é Afonso, um professor universitário. É um homem mais para magro, 43 anos e cheio de gás como você. Com o carro ainda em movimento, fomos fazendo um "reconhecimento" por fora da roupa, até que ele parou numa praça vazia. Conversamos mais um pouco, principalmente para saber se algum de nós era muito promíscuo, questão de confiança na higiene e saúde, etc. Assim que o clima relaxou bem, ele quis ver. Baixei a calça até o meio das coxas, ele olhou por uns segundos e logo foi pegando, acariciando minhas bolas e querendo ser o primeiro. O cara estava ávido! Chupou com tanta vontade que gozei, e muito! Ele não engoliu, mas não mostrou qualquer asco. Muito pelo contrário, deixou claro que estava morrendo de pena de fazer o que ia fazer e só então abriu a porta do carro para cuspir. Trocamos algumas impressões e foi a vez dele de abrir a calça. Tive a agradável supresa de descobrir um belo membro reto, de uns 17cm x 5cm, dotado de uma volumosa glande rosada e descoberta! Admirei por alguns instantes, em seguida empunhei, masturbei um pouco, mas Afonso foi ficando muito excitado e convidou-me a chupar. Por sorte, a tal pracinha era deserta, porque ele é resistente e adora sexo oral, o que me permitiu ter longos minutos de distração.

A verdade é que eu estava doido para ir mais longe. Se eu fosse menos medroso, teria convencido o Afonso a consumar o ato ali mesmo, mas pareceu-me arriscado demais com residências em volta. Tive que resignar-me, mas chupei até receber na boca os jatos quentes e abundantes de um esperma de consistência ideal, nem muito espesso, nem muito ralo. Mas ao contrário do Afonso, armei-me de uma dose incomum de confiança, e engoli. Rapaz, isso o deixou alucinado. Quando acabou, vi que estávamos com fome de sexo! Mas tínhamos que voltar pra casa para não alterar a rotina doméstica. Seria complicado para ambos avisar em cima da hora às esposas que não voltaríamos para o jantar. Ainda estacionado na praça, Afonso refletiu durante alguns instantes e acabou convidando-me à casa dele no sábado. A esposa e os filhos estariam em Magé, na casa da sogra. Concordei sem hesitar e ele me passou endereço e número do celular.

Você sabe que o Rio tem uns subúrbios "cabeludos", não é? Pois é, o Afonso mora num desses, perto da igreja da Penha, aquela da escadaria que alguns sobem de joelhos para pagar promessa. É a zona do Rio antigo, mas ficou muito feia e pobre, com raras exceções de famílias de classe média que se recusam a sair do seu bairro de origem. É o caso do Afonso. Ele tem uma dessas casas de beira de rua, com uma varandinha retangular que dá acesso à porta de entrada e uma janela dando para a calçada. Tudo é feio, mas ainda se vêem crianças jogando bola e andando de bicicleta nas calçadas. Liguei do carro quando fui chegando perto, para que ele me orientasse melhor. Eram por volta de 11h da manhã quando o avistei diante da casa, de bermuda e camiseta. Ele me recebeu tranquilo e sorridente com tapinhas nos ombros, como se fôssemos velhos amigos.

Na sala de tábua corrida e mobilíario moderno, nada dizia que estávamos na mesma casa. Afonso mostrou-me os três quartos amplos, o banheiro e a cozinha estalando de novos, e o pequeno quintal cimentado com um varal carregado de lençóis imaculados e roupas coloridas de menino, menina, homem e mulher. Em seguida, ele pegou latas de cerveja e azeitonas na geladeira e convidou-me a sentar no amplo sofá da sala. Começamos a conversar sobre a vida, o país, o trabalho, a família e, claro, o assunto que nos interessava mais imediatamente. Afonso me disse que sempre morou naquela rua, na mesma casa, e que viveu algumas experiências sexuais marcantes com vizinhos, desde cedo. Como também passei por isso, tivemos muito a trocar e concluímos que essas experiências precoces devem ter sido determinantes para a tendência bissexual de um e outro, e que, embora casados, apaixonados por nossas esposas e profundamente felizes por ter filhos, sempre nos pareceu estupidez tentar eliminar da mente e da vida um elemento da nossa sexualidade que nos permitiu obter mais prazer que o que se obtém da relação convencional. Lamentamos a impossibilidade de trazer isso ao conhecimento das família e dos amigos, e evocamos as inúmeras complicações que essa omissão necessária acarreta a cada vez que temos um encontro homossexual, mas reconhecemos que o Brasil está longe de ser o país ideal para resolver questões como essa de maneira moderna e civilizada. Quando demos por nós, mais de uma hora se havia passado. Com naturalidade, Afonso levantou-se dizendo que ia tomar um banho e convidou-me a acompanhá-lo, nem que fosse para continuarmos a conversa.

Assim que chegou ao banheiro, Afonso tirou toda a roupa sem o menor constrangimento e entrou no box deixando aberta a porta corrediça. Concluí que aquela talvez fosse uma maneira que ele encontrara para apresentar seu corpo aos parceiros. De fato, e curiosamente, quase nunca é fácil passar da conversação inicial aos "finalmente". Não havia sinal de ereção, mas seu pênis pendia longo e bem presente entre as coxas. Logo notei que aquele homem de meia idade cuidava muito muito bem do corpo. Na quinta-feira, no carro, eu já estivera em contato com a pele lisa do seu baixo-ventre e agora eu constatava que esse cuidado se estendia ao belo par de nádegas, masculinas mas bem providas de carne, assim como ao alto das coxas, onde se percebia a fronteira entre o final da cobertura pilosa e a região perfeitamente lisa que se estendia tronco acima com exceção das axilas. Ele me explicou que se raspava criteriosamente, inclusive o interior das nádegas, e que depilava a região anal com pinça. Eu disse a ele que limitava-me a raspar a frente e não senti qualquer desaprovação de sua parte.

Em vez de entrar no banheiro, eu ficara de pé, apoiado no batente da porta, com uma latinha de cerveja na mão. À certa altura, me dei conta de que Afonso permanecia muito tempo de costas para mim. Tomei aquilo como sinal de que talvez ele fosse menos ativo que eu imaginara com homens e ponderei que, de certa forma, isso me facilitava a tarefa da abordagem. Foi nesse momento que perguntei se a água estava boa e, após a resposta afirmativa, despi-me para entrar no chuveiro. Pude notar que ele me olhou atentamente enquanto eu tirava peça por peça e ia deixando negligentemente no chão de mármore. Quando fiquei completamente nu, ele me olhou de alto a baixo e fez o gesto amistoso de chamar-me.

A base do box era um retângulo de pouco mais de 2 metros quadrados, mas a área sob o chuveiro era a única livre porque um pequeno armário plástico abarrotado de produtos higiênicos ocupava quase todo o segundo. Afonso explicou-me que o arranjo se devia a obras recentes e era provisório. Assim que entrei, ele acolheu-me envolvendo-me os testículos e premendo-os como se colhesse uma fruta. Minha ereção foi quase instantânea e tive a certeza de que os papéis estavam determinados, pelo menos naquela primeira etapa. Passando-me o gel de banho, ele pediu que lhe ensaboasse as costas. A espuma desceu por elas e pelas nádegas, tornando-as lisas, reluzentes. Ensaboei-as bem, por fora e por dentro, detendo-me no orifício. Afonso reagiu apoiando-se nas torneiras e oferecendo-se. Meu dedo deslizou faclmente até o fundo arrancando-lhe um gemido e o pedido de que eu introduzisse um segundo dedo, o que fiz. A espessa parede de carne me pareceu elástica mas firme, e Afonso logo mostrou ter prática suficiente para "morder" meus dedos ora com o anel externo, ora com o esfíncter mais interno, o que me excitou sobremaneira. Meu pênis agora estava totalmente ereto e roçava em suas coxas, a glande tão inchada que bastou-me um toque para que prepúcio recuasse até sua borda detendo-se nela. Amaciei o ânus por mais alguns instantes e preparei-me para penetrar Afonso, colando-me a ele e puxando-o pela cintura enquanto ia empunhar seu sexo agora tão duro quanto o meu. Ele suspirou e gemeu a súplica de que eu o penetrasse logo, já levando a mão atrás para direcionar meu pênis. Em dois tempos, eu estava movendo-me dentro dele, sentindo o aperto no tronco do meu membro duro a não mais poder. Afonso sussurrou que seria capaz de passar horas assim, sob a ducha, sendo suavemente penetrado daquela maneira. Agradeci e elogiei-o por dominar a arte de acolher um pênis. De fato, seu ânus trabalhava sem cessar, provocando em minha verga uma sucessão de ondas de prazer. Senti que tínhamos afinidade quanto a isso. Ele explicou-me que estimular o pênis do parceiro com sua técnica de massagem gerava nele uma excitação peniana de uma intensidade tal que o levava ao orgasmo. E de fato, passados alguns minutos, ele pediu-me que olhasse o seu membro que, para surpesa minha, começou a expelir pequenas porções de esperma sem que ele sequer o tocasse. Tive a presença de espírito de recolher um pouco do precioso líquido para levá-lo à boca do seu dono, que o recebeu e engoliu com gosto, agradecendo-me sorridente.

Foi o próprio Afonso que, perspicaz, aconselhou-me a não gozar naquele momento para que eu "aproveitasse" mais. Retirei-me dele ainda em plena ereção e cheio de desejo. Ele então convidou-me a sair do box e pediu que eu me debruçasse na bancada da pia. Fiz o que ele pediu e logo senti duas mãos firmes separarem-me as nádegas para expor meu ânus, que Afonso qualificou de "experiente" assim que o viu. Tive que admitir que não foram poucos os que o penetraram, mas garanti-lhe que isso não reduzira em nada a sua capacidade de proporcionar prazer. Ele não duvidou e pôs-se a lambê-lo vorazmente, introduzindo-lhe a ponta da língua e levando minha excitação a crescer exponencialmente. Na minha cabeça, a imagem do seu pênis mais volumoso que o meu já produzia seu efeito e provocava a aceleração de minhas pulsações anais. Olhando para baixo, eu via meu pênis colado à barriga e minhas coxas frementes. Afonso elogiou minhas nádegas, bem masculinas (de fato, são curtas e estreitas), mas firmes e salientes, o que lhes confere uma bela redondeza. O contraste entre elas e seu membro avantajado excitou-o a ponto de dar-lhes tapinhas com ele, como nos filmes. Lambido, massageado e estimulado de várias formas, não tardei a fazer como ele e suplicar que me penetrasse. Bem debruçado, preparei-me para receber o diâmetro da glande que eu agora conhecia bem. Afonso colou-a à entrada, cuspiu repetidamente e começou a empurrar, dizendo-me jocosamente que um cuzinho treinado dispensa maiores lubrificações. Concordei dizendo-lhe que essa etapa da primeira expansão me excita muito. Abrindo bem minhas nádegas com as mãos para facilitar-lhe a tarefa, pude sentir plenamente o ingresso do grosso calibre em minha estreita passagem. Quando as soltei e que meu orifício abduziu os centímetros finais da glande fechando-se sobre o tronco do membro, tive a certeza de que não havia nada contrário à masculinidade no gosto por sensações tão intensas. 

Afonso acoplou-se profundamente a mim e permaneceu no interior para que eu premesse a sua verga com as pulsações voluntárias da minha poderosa parede anal. Este é, para mim, o segundo momento sublime da penetração. Nunca fui um aficcionado da fricção extrema provocada pelos vaivéns frenéticos que levam ao orgasmo rápido. Sempre preferi a isso a sensação do corpo rígido que reage às compressões regulares do meu ânus treinado. Afonso entendeu isso e deixou-se ficar em meu interior, longamente, gemendo e comentando suas próprias sensações. Durante segundos preciosos, nossas mentes foram invadidas pelas imagens pretéritas de aventuras em quintais, morros, casas abandonadas, terrenos baldios, porões, garagens e até banheiros de escola, numa fase em que estávamos todos apenas em busca de sensações que as meninas ainda nos recusavam.

Concentrado em dar prazer, senti que minha própria ereção se desfizera e, com a cabeça repousando sobre os braços, apreciei por alguns instantes o balançar do meu sexo entre as coxas. Subitamente, um pequeno tranco indicou-me que Afonso iniciara movimentos mais firmes. Ele explicou-me que como era muito resistente, precisava deles para atingir o orgasmo. Firmei-me então na bancada em que eu estava debruçado e preparei-me para ser penetrado à maneira tradicional. Afonso pôs a máquina em movimento e em instantes passou a desferir violentas estocadas, chocando-se ruidosamente contra o meu corpo. Não pude poupá-lo de alguns protestos e gemidos, mas ele veio procurar meu membro para masturbar-me, para que alcançássemos o orgasmo juntos, o que reequilibrou a balança. Ele não tardou a ser tomado de espasmos e a ejacular em meu interior, arfando de prazer. A fricção anal levou-me a um estado segundo, como uma vertigem, intensificada pela masturbação. Sem sair de mim, Afonso puxou-me pelo ombro para que eu me erguesse e direcionou meu pênis para frente para que assistíssemos pelo espelho à minha ejaculação, que deu-se em vários jatos curtos mas fartos. Resistente, ele retomou os vaivéns, mas eu não sentia mais nada, devido talvez a um efeito anestésico gerado pela fricção e pela dilatação do ânus. Só aos poucos pude voltar a sentir a pressão anal sobre seu membro ainda duro e pulsante. Afonso queria aproveitar a intensa lubrificação pelo esperma, mas seu pênis não tardou a amolecer e escapulir. Habituado, esperei imóvel até o momento de poder expelir o líquido, que ouvi borbulhar na saída do ânus antes de escorrer pelo períneo e gotejar no chão. Afonso ficou de pé ao meu lado, olhando-me através do espelho, radiante, acariciando minhas nádegas e introduzindo-me suavemente o dedo. Através do espelho, eu via seu membro, pendente, mas ainda inchado e desenvolvido. Fui sentar-me no vaso, pedi-lhe que se aproximasse e colhi seu sexo com a boca, assim mesmo, amolecido e gotejante, com o intuito de aliviá-lo com saliva quente durante alguns instantes. Isso lhe trouxe conforto e pessoalmente, prefiro a felação quando o membro não está em estado de ereção total.

Voltamos ao chuveiro para um novo banho e permanecemos nus. A intimidade se instalara entre nós e nos sentíamos mais à vontade assim do que voltando logo a vestir-nos. Fizemos uma refeição leve e tivemos outra intensa sessão de sexo à tarde, percorrendo móveis e cômodos como dois iniciantes. Por volta das 7h da noite, realmente exaustos, despedimo-nos com a promessa de manter contato. Ao volante do meu carro, no caminho de casa, vim matutando sobre o quanto as pessoas deveriam ser mais inteligentes no que diz respeito à busca do prazer sexual. O que eu acabara de fazer com esse homem recém-conhecido era uma prática homossexual, portanto privativa dos homens taxados de "gays", que eu defino essencialmente como homens que amam homens. E no entanto, esse homem e eu estávamos longe de ser gays; éramos apenas dois homens dotados de uma disposição natural para um tipo de prazer sexual que nem todo homem sente, talvez por razões puramente anatômicas. O que nos diferencia da maioria dos homens, é que vamos em busca desse prazer específico, e o preço da coragem é alto. Lamentavelmente, seria preciso calar mais uma vez porque ninguém, fosse da família, do trabalho ou do nosso círculo de amizades está preparado para entender isso de maneira serena e desprovida do preconceito burro e cego. Como de costume, umas duas voltas no quarteirão bastaram-me para forjar uma desculpa pelo avançado da hora, e voltei para casa feliz por reencontrar esposa e filhos sorridentes e também felizes por rever-me. Não pude deixar de pensar em você, meu caro Guido, integrante do mesmo clã, que passa pelos mesmos apertos que o Afonso, eu e tantos, tantos outros homens. Mas a esperança é a última que morre. Haveremos de dobrar a humanidade e de ter tempo de ser nós mesmos, ainda que isso aconteça momentos antes do último suspiro!

Um abraço,


Marcos

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