Rio de Janeiro, 13/9/2016
"Guido, Guido, que sábado!
Não posso deixar de te contar isso. Como eu disse
antes, arrumei o tal encontro em nosso site de chat, que rendeu um
"aperitivo" no carro, meio às pressas, na própria quinta-feira em que
você e eu conversamos. O nome dele é Afonso, um professor universitário. É um
homem mais para magro, 43 anos e cheio de gás como você. Com o carro ainda em
movimento, fomos fazendo um "reconhecimento" por fora da roupa, até
que ele parou numa praça vazia. Conversamos mais um pouco, principalmente para
saber se algum de nós era muito promíscuo, questão de confiança na higiene e
saúde, etc. Assim que o clima relaxou bem, ele quis ver. Baixei a calça até o
meio das coxas, ele olhou por uns segundos e logo foi pegando, acariciando
minhas bolas e querendo ser o primeiro. O cara estava ávido! Chupou com tanta
vontade que gozei, e muito! Ele não engoliu, mas não mostrou qualquer asco.
Muito pelo contrário, deixou claro que estava morrendo de pena de fazer o que
ia fazer e só então abriu a porta do carro para cuspir. Trocamos algumas
impressões e foi a vez dele de abrir a calça. Tive a agradável supresa de
descobrir um belo membro reto, de uns 17cm x 5cm, dotado de uma volumosa glande
rosada e descoberta! Admirei por alguns instantes, em seguida empunhei,
masturbei um pouco, mas Afonso foi ficando muito excitado e convidou-me a
chupar. Por sorte, a tal pracinha era deserta, porque ele é resistente e adora
sexo oral, o que me permitiu ter longos minutos de distração.
A verdade é que eu estava doido para ir mais longe.
Se eu fosse menos medroso, teria convencido o Afonso a consumar o ato ali
mesmo, mas pareceu-me arriscado demais com residências em volta. Tive que
resignar-me, mas chupei até receber na boca os jatos quentes e abundantes de um
esperma de consistência ideal, nem muito espesso, nem muito ralo. Mas ao
contrário do Afonso, armei-me de uma dose incomum de confiança, e engoli. Rapaz,
isso o deixou alucinado. Quando acabou, vi que estávamos com fome de sexo! Mas
tínhamos que voltar pra casa para não alterar a rotina doméstica. Seria
complicado para ambos avisar em cima da hora às esposas que não voltaríamos
para o jantar. Ainda estacionado na praça, Afonso refletiu durante alguns
instantes e acabou convidando-me à casa dele no sábado. A esposa e os filhos
estariam em Magé, na casa da sogra. Concordei sem hesitar e ele me passou
endereço e número do celular.
Você sabe que o Rio tem uns subúrbios
"cabeludos", não é? Pois é, o Afonso mora num desses, perto da igreja
da Penha, aquela da escadaria que alguns sobem de joelhos para pagar promessa. É
a zona do Rio antigo, mas ficou muito feia e pobre, com raras exceções de
famílias de classe média que se recusam a sair do seu bairro de origem. É o
caso do Afonso. Ele tem uma dessas casas de beira de rua, com uma varandinha
retangular que dá acesso à porta de entrada e uma janela dando para a calçada. Tudo
é feio, mas ainda se vêem crianças jogando bola e andando de bicicleta nas
calçadas. Liguei do carro quando fui chegando perto, para que ele me orientasse
melhor. Eram por volta de 11h da manhã quando o avistei diante da casa, de
bermuda e camiseta. Ele me recebeu tranquilo e sorridente com tapinhas nos
ombros, como se fôssemos velhos amigos.
Na sala de tábua corrida e mobilíario moderno, nada
dizia que estávamos na mesma casa. Afonso mostrou-me os três quartos
amplos, o banheiro e a cozinha estalando de novos, e o pequeno quintal
cimentado com um varal carregado de lençóis imaculados e roupas coloridas de
menino, menina, homem e mulher. Em seguida, ele pegou latas de cerveja e
azeitonas na geladeira e convidou-me a sentar no amplo sofá da sala. Começamos
a conversar sobre a vida, o país, o trabalho, a família e, claro, o assunto que
nos interessava mais imediatamente. Afonso me disse que sempre morou naquela
rua, na mesma casa, e que viveu algumas experiências sexuais marcantes com
vizinhos, desde cedo. Como também passei por isso, tivemos muito a trocar e
concluímos que essas experiências precoces devem ter sido determinantes para a
tendência bissexual de um e outro, e que, embora casados, apaixonados por
nossas esposas e profundamente felizes por ter filhos, sempre nos pareceu
estupidez tentar eliminar da mente e da vida um elemento da nossa sexualidade
que nos permitiu obter mais prazer que o que se obtém da relação convencional. Lamentamos
a impossibilidade de trazer isso ao conhecimento das família e dos amigos, e
evocamos as inúmeras complicações que essa omissão necessária acarreta a cada
vez que temos um encontro homossexual, mas reconhecemos que o Brasil está longe
de ser o país ideal para resolver questões como essa de maneira moderna e
civilizada. Quando demos por nós, mais de uma hora se havia passado. Com
naturalidade, Afonso levantou-se dizendo que ia tomar um banho e convidou-me a
acompanhá-lo, nem que fosse para continuarmos a conversa.
Assim que chegou ao banheiro, Afonso tirou toda a
roupa sem o menor constrangimento e entrou no box deixando aberta a porta
corrediça. Concluí que aquela talvez fosse uma maneira que ele encontrara
para apresentar seu corpo aos parceiros. De fato, e curiosamente, quase nunca é
fácil passar da conversação inicial aos "finalmente". Não havia
sinal de ereção, mas seu pênis pendia longo e bem presente entre as coxas. Logo
notei que aquele homem de meia idade cuidava muito muito bem do corpo. Na quinta-feira,
no carro, eu já estivera em contato com a pele lisa do seu baixo-ventre e agora
eu constatava que esse cuidado se estendia ao belo par de nádegas, masculinas
mas bem providas de carne, assim como ao alto das coxas, onde se percebia a
fronteira entre o final da cobertura pilosa e a região perfeitamente lisa que
se estendia tronco acima com exceção das axilas. Ele me explicou que se raspava
criteriosamente, inclusive o interior das nádegas, e que depilava a região anal
com pinça. Eu disse a ele que limitava-me a raspar a frente e não senti
qualquer desaprovação de sua parte.
Em vez de entrar no banheiro, eu ficara de pé,
apoiado no batente da porta, com uma latinha de cerveja na mão. À certa altura,
me dei conta de que Afonso permanecia muito tempo de costas para mim. Tomei
aquilo como sinal de que talvez ele fosse menos ativo que eu imaginara com
homens e ponderei que, de certa forma, isso me facilitava a tarefa da
abordagem. Foi nesse momento que perguntei se a água estava boa e, após a
resposta afirmativa, despi-me para entrar no chuveiro. Pude notar que ele me
olhou atentamente enquanto eu tirava peça por peça e ia deixando
negligentemente no chão de mármore. Quando fiquei completamente nu, ele me
olhou de alto a baixo e fez o gesto amistoso de chamar-me.
A base do box era um retângulo de pouco mais de 2
metros quadrados, mas a área sob o chuveiro era a única livre porque um pequeno
armário plástico abarrotado de produtos higiênicos ocupava quase todo o
segundo. Afonso explicou-me que o arranjo se devia a obras recentes e era
provisório. Assim que entrei, ele acolheu-me envolvendo-me os testículos e
premendo-os como se colhesse uma fruta. Minha ereção foi quase instantânea e
tive a certeza de que os papéis estavam determinados, pelo menos naquela
primeira etapa. Passando-me o gel de banho, ele pediu que lhe ensaboasse as
costas. A espuma desceu por elas e pelas nádegas, tornando-as lisas,
reluzentes. Ensaboei-as bem, por fora e por dentro, detendo-me no orifício. Afonso
reagiu apoiando-se nas torneiras e oferecendo-se. Meu dedo deslizou faclmente
até o fundo arrancando-lhe um gemido e o pedido de que eu introduzisse um
segundo dedo, o que fiz. A espessa parede de carne me pareceu elástica mas
firme, e Afonso logo mostrou ter prática suficiente para "morder"
meus dedos ora com o anel externo, ora com o esfíncter mais interno, o que me
excitou sobremaneira. Meu pênis agora estava totalmente ereto e roçava em suas
coxas, a glande tão inchada que bastou-me um toque para que prepúcio recuasse
até sua borda detendo-se nela. Amaciei o ânus por mais alguns instantes e
preparei-me para penetrar Afonso, colando-me a ele e puxando-o pela cintura
enquanto ia empunhar seu sexo agora tão duro quanto o meu. Ele suspirou e gemeu
a súplica de que eu o penetrasse logo, já levando a mão atrás para direcionar
meu pênis. Em dois tempos, eu estava movendo-me dentro dele, sentindo o aperto
no tronco do meu membro duro a não mais poder. Afonso sussurrou que seria capaz
de passar horas assim, sob a ducha, sendo suavemente penetrado daquela maneira.
Agradeci e elogiei-o por dominar a arte de acolher um pênis. De fato, seu ânus
trabalhava sem cessar, provocando em minha verga uma sucessão de ondas de
prazer. Senti que tínhamos afinidade quanto a isso. Ele explicou-me que estimular
o pênis do parceiro com sua técnica de massagem gerava nele uma excitação
peniana de uma intensidade tal que o levava ao orgasmo. E de fato, passados
alguns minutos, ele pediu-me que olhasse o seu membro que, para surpesa minha,
começou a expelir pequenas porções de esperma sem que ele sequer o tocasse. Tive
a presença de espírito de recolher um pouco do precioso líquido para levá-lo à
boca do seu dono, que o recebeu e engoliu com gosto, agradecendo-me sorridente.
Foi o próprio Afonso que, perspicaz, aconselhou-me
a não gozar naquele momento para que eu "aproveitasse" mais. Retirei-me
dele ainda em plena ereção e cheio de desejo. Ele então convidou-me a sair do
box e pediu que eu me debruçasse na bancada da pia. Fiz o que ele pediu e logo
senti duas mãos firmes separarem-me as nádegas para expor meu ânus, que Afonso
qualificou de "experiente" assim que o viu. Tive que admitir que não
foram poucos os que o penetraram, mas garanti-lhe que isso não reduzira em nada
a sua capacidade de proporcionar prazer. Ele não duvidou e pôs-se a lambê-lo
vorazmente, introduzindo-lhe a ponta da língua e levando minha excitação a
crescer exponencialmente. Na minha cabeça, a imagem do seu pênis mais volumoso
que o meu já produzia seu efeito e provocava a aceleração de minhas pulsações
anais. Olhando para baixo, eu via meu pênis colado à barriga e minhas coxas
frementes. Afonso elogiou minhas nádegas, bem masculinas (de fato, são curtas e
estreitas), mas firmes e salientes, o que lhes confere uma bela redondeza. O
contraste entre elas e seu membro avantajado excitou-o a ponto de dar-lhes
tapinhas com ele, como nos filmes. Lambido, massageado e estimulado de várias
formas, não tardei a fazer como ele e suplicar que me penetrasse. Bem
debruçado, preparei-me para receber o diâmetro da glande que eu agora conhecia
bem. Afonso colou-a à entrada, cuspiu repetidamente e começou a empurrar,
dizendo-me jocosamente que um cuzinho treinado dispensa maiores lubrificações. Concordei
dizendo-lhe que essa etapa da primeira expansão me excita muito. Abrindo bem
minhas nádegas com as mãos para facilitar-lhe a tarefa, pude sentir plenamente
o ingresso do grosso calibre em minha estreita passagem. Quando as soltei e que
meu orifício abduziu os centímetros finais da glande fechando-se sobre o tronco
do membro, tive a certeza de que não havia nada contrário à masculinidade no
gosto por sensações tão intensas.
Afonso acoplou-se profundamente a mim e permaneceu
no interior para que eu premesse a sua verga com as pulsações voluntárias
da minha poderosa parede anal. Este é, para mim, o segundo momento sublime da
penetração. Nunca fui um aficcionado da fricção extrema provocada pelos vaivéns
frenéticos que levam ao orgasmo rápido. Sempre preferi a isso a sensação do
corpo rígido que reage às compressões regulares do meu ânus treinado. Afonso
entendeu isso e deixou-se ficar em meu interior, longamente, gemendo e
comentando suas próprias sensações. Durante segundos preciosos, nossas
mentes foram invadidas pelas imagens pretéritas de aventuras em quintais, morros,
casas abandonadas, terrenos baldios, porões, garagens e até banheiros de
escola, numa fase em que estávamos todos apenas em busca de sensações que as
meninas ainda nos recusavam.
Concentrado em dar prazer, senti que minha própria
ereção se desfizera e, com a cabeça repousando sobre os braços, apreciei por
alguns instantes o balançar do meu sexo entre as coxas. Subitamente, um pequeno
tranco indicou-me que Afonso iniciara movimentos mais firmes. Ele explicou-me
que como era muito resistente, precisava deles para atingir o orgasmo. Firmei-me
então na bancada em que eu estava debruçado e preparei-me para ser penetrado à
maneira tradicional. Afonso pôs a máquina em movimento e em instantes passou a
desferir violentas estocadas, chocando-se ruidosamente contra o meu corpo. Não
pude poupá-lo de alguns protestos e gemidos, mas ele veio procurar meu membro
para masturbar-me, para que alcançássemos o orgasmo juntos, o que reequilibrou
a balança. Ele não tardou a ser tomado de espasmos e a ejacular em meu interior,
arfando de prazer. A fricção anal levou-me a um estado segundo, como uma
vertigem, intensificada pela masturbação. Sem sair de mim, Afonso puxou-me pelo
ombro para que eu me erguesse e direcionou meu pênis para frente para que
assistíssemos pelo espelho à minha ejaculação, que deu-se em vários jatos
curtos mas fartos. Resistente, ele retomou os vaivéns, mas eu não sentia mais
nada, devido talvez a um efeito anestésico gerado pela fricção e pela dilatação
do ânus. Só aos poucos pude voltar a sentir a pressão anal sobre seu membro
ainda duro e pulsante. Afonso queria aproveitar a intensa lubrificação pelo
esperma, mas seu pênis não tardou a amolecer e escapulir. Habituado, esperei
imóvel até o momento de poder expelir o líquido, que ouvi borbulhar na saída do
ânus antes de escorrer pelo períneo e gotejar no chão. Afonso ficou de pé
ao meu lado, olhando-me através do espelho, radiante, acariciando minhas
nádegas e introduzindo-me suavemente o dedo. Através do espelho, eu via seu
membro, pendente, mas ainda inchado e desenvolvido. Fui sentar-me no vaso,
pedi-lhe que se aproximasse e colhi seu sexo com a boca, assim mesmo, amolecido
e gotejante, com o intuito de aliviá-lo com saliva quente durante alguns
instantes. Isso lhe trouxe conforto e pessoalmente, prefiro a felação quando o
membro não está em estado de ereção total.
Voltamos ao chuveiro para um novo banho e
permanecemos nus. A intimidade se instalara entre nós e nos sentíamos mais à
vontade assim do que voltando logo a vestir-nos. Fizemos uma refeição leve e
tivemos outra intensa sessão de sexo à tarde, percorrendo móveis e cômodos como
dois iniciantes. Por volta das 7h da noite, realmente exaustos, despedimo-nos
com a promessa de manter contato. Ao volante do meu carro, no caminho de casa,
vim matutando sobre o quanto as pessoas deveriam ser mais inteligentes no que
diz respeito à busca do prazer sexual. O que eu acabara de fazer com esse homem
recém-conhecido era uma prática homossexual, portanto privativa dos homens
taxados de "gays", que eu defino essencialmente como homens que amam
homens. E no entanto, esse homem e eu estávamos longe de ser gays; éramos
apenas dois homens dotados de uma disposição natural para um tipo de prazer
sexual que nem todo homem sente, talvez por razões puramente anatômicas. O que
nos diferencia da maioria dos homens, é que vamos em busca desse prazer
específico, e o preço da coragem é alto. Lamentavelmente, seria preciso calar
mais uma vez porque ninguém, fosse da família, do trabalho ou do nosso círculo
de amizades está preparado para entender isso de maneira serena e desprovida do
preconceito burro e cego. Como de costume, umas duas voltas no quarteirão
bastaram-me para forjar uma desculpa pelo avançado da hora, e voltei para casa
feliz por reencontrar esposa e filhos sorridentes e também felizes por
rever-me. Não pude deixar de pensar em você, meu caro Guido, integrante do
mesmo clã, que passa pelos mesmos apertos que o Afonso, eu e tantos, tantos
outros homens. Mas a esperança é a última que morre. Haveremos de dobrar a humanidade
e de ter tempo de ser nós mesmos, ainda que isso aconteça momentos antes do
último suspiro!
Um abraço,
Marcos"

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