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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

Nem Tudo se Revela

Em que termos explicar aos amigos que o que ela mais aprecia em Augusto, muito mais que sua conversa, sua inteligência ou seu sucesso na gestão dos bens de família, é sua maneira de lhe dar prazer, seu jeito de fazer-lhe sexo? A cada saída, a cada festa em que ela se encontra com os amigos é a mesma coisa: uma saraivada de perguntas curiosas sobre as qualidades elevadas do homem que ela escolheu. Mas Beatriz simplesmente não tem palavras para descrever em que consiste a sua felicidade com essa última conquista e acaba desligando-se do burburinho, deixando-se levar pelas emanações etílicas e pelas volutas da fumaça de cigarro, que a transportam para a existência de sonho que ela vive há quase um ano.

Eles se conheceram na saída do Teatro Municipal, onde Beatriz fôra assistir à première do Quebra-Nozes para agradar uma amiga bailarina. Augusto estava ao lado dela, na quinta fileira da platéia e, por mais discreto que fosse, não tirava os olhos de suas pernas, de fato muito expostas. Beatriz arrependera-se de ter escolhido aquele vestido, mas não havia como voltar atrás e, para sua maior desolação, tanto a bolsa que ela levara quanto o programa eram curtos para permitir-lhe cobrir-se um pouco mais. Mas vendo que Augusto, além de bonito e jovem como ela, não ultrapassava os limites do olhar, ela acabou tomando a coisa como elogio e não mais importou-se. Ele não a importunou no intervalo, mas na saída, ao descer a escadaria monumental, foi ele que pegou sua bolsa, que ela deixara cair por descuido e que deslizara até embaixo. Ela percebeu que ele mais uma vez olhou suas pernas enquanto ela descia, e chegou a recear que ele houvesse visto mais que isso.
– Sua bolsa. Augusto. Muito prazer, disse ele, todo sorrisos.
– Obrigada. Beatriz.
– Você está de carro?
– Não. Meu pai me trouxe, mas vou esperar uma amiga que dançou hoje. Ela está de carro. Tem gente demais nos camarotes, então preferi vir para cá.
– Fez muito bem.

Augusto lhe pareceu ainda mais bonito, alto e magro, de camisa preta, jeans baixa, cinto e sapatos de couro excelente. E ele vira, sim, mais do que devia, quando a esperou descer as escadas. Já bem próxima, a cerca de dez degraus do rés-do-chão, Beatriz desequilibrara-se ligeiramente ao descer e, num átimo, ele avistara a calcinha branca bem ajustada o monte de Vênus. Foi o suficiente para convencê-lo a tentar prolongar o contato e descobrir mais sobre ela.
– Você não quer ligar para a sua amiga dizendo que houve um imprevisto? Podemos ir beber alguma coisa. A tarde está tão bonita.
– Ah, não sei! Eu só vim por causa dela. Não quero ofendê-la.

Augusto notara o seu desejo de ficar com ele. Ela o olhava sem medo com seus olhos vivos e inteligentes, e isso o estimulava a tal ponto que ele chegava a sentir as sutis pulsações que ele conhecia tão bem e que evidenciavam seu apetite sexual. Ele resolveu arriscar.
– É que eu gostaria de ficar um pouco mais com você, disse ele, olhando-a nos olhos.
– Até depois de todo um Quebra-Nozes sentado ao meu lado?
– Eu gosto de olhar para você.
– Isso eu percebi bem; você não tirou os olhos das minhas pernas!
– E tive a sorte de ser premiado, agora há pouco, ousou o rapaz.
– Premiado agora há pouco? Não entendi.
– Você nem percebeu; foi muito rápido.
– Quanto mistério! O que foi que eu fiz tão rápido?
– Não vá se ofender, mas você me deixou ver um pouco mais do que antes.
– Não! É sério? Você olhou por baixo do meu vestido?
– Não olhei de propósito, mas vi... e gostei do que vi.
– Ufa! Pelo menos isso, respondeu ela, bem-humorada. Eu não deveria ter vindo com esse vestido, mas quando descobri, já era tarde.
– Você se depila toda?
– Ha! Ha! Esse é o primeiro assunto  que você propõe a uma mulher?
– Eu adoro a pele lisa, por vários motivos. Você não?
– Concordo que é mais sensual, mas...
– Eu não tenho nenhum pêlo, prosseguiu ele, sem pudor.
– Ah é? E o que é isso nos braços?
– Você não entendeu?
– Entendi, claro. Puxa, esquentou de repente, não acha? disse ela, olhando para o céu.
– Poderia esquentar mais ainda, dependendo de você.
– E tudo isso porque eu errei de vestido?
– Para você ver como é o acaso!

A verdade é que Beatriz já nem se lembrava mais do espetáculo nem da amiga, e estava concentrada apenas em não se meter em encrenca caso aceitasse sair com aquele desconhecido. Não fôra preciso muito esforço para concluir que Augusto correspondia ao seu tipo em vários aspectos, exceto talvez pela juventude excessiva.
– Que idade você tem? perguntou ela.
– Vinte e três. E você?
– Vinte. Você sabe que idade tem meu namorado?
– Hum... Imaginei que você tivesse um. Não, não faço idéia.
– Trinta e quatro anos.
– Catorze anos mais velho...
– Sabe quantos anos tinha o meu ex-namorado, há dois anos?
– Também não.
– Trinta e nove anos, e era divorciado.
– É muito! E isso quer dizer...

Não queria dizer nada. Beatriz estava mais do que interessada no jovem Augusto, mas queria mostrar-se mais madura que ele. O acaso a levara a sucumbir às insistências de homens geralmente mais velhos, mas não era de modo algum por uma questão de preferência. Pelo contrário, aquela presença coetânea aguçara-lhe os sentidos e ela queria provar dessa fruta que prometia ser tão suculenta e estimulante quanto ela própria.
– Isso quer dizer que se você tiver uma proposta irrecusável, talvez me convença a pensar no caso.
– Agora sim! Bom, nós poderíamos ir comer ou beber alguma coisa, e eu diria o que tenho a propor.
– Hum! Eu adoraria tomar um sundae. Mas como é que eu faço com a Felícia?
– Você liga para ela e inventa algum problema de família.
– Boa idéia.

Numa famosa confeitaria do centro, Beatriz e Augusto sentaram-se lado a lado numa mesa isolada ao fundo e pediram uma banana-split. Entre uma colherada e outra, eles conversavam para conhecer-se melhor e Augusto arriscava aqui e ali uma olhadela nas pernas que Beatriz cruzara e virara em sua direção. Ela notava isso, mas agora sentia-se apenas lisongeada. À certa altura, não resistindo, ele pediu.
– Posso ver de novo?
– Ah, quer dizer que o senhor viu mesmo?
– Vi sim, não foi mentira.
– Então prove. Como ela é?
– Branca, justinha...

Antes que ele terminasse de falar, Beatriz descruzou as pernas e puxou o vestido até expor o que ele queria ver. De tão perto, Augusto via até mesmo a linha sutil que demarcava a junção dos lábios impressa no tecido fino e elástico.
– Linda! sussurrou ele.
– Agora é sua vez! disse Beatriz, sorridente e procurando seus olhos.
– Uau! Já vi que acertei insistindo com você, disse ele já desafivelando o cinto.
– Slip da Calvin Klein. Sempre dou desses aos meus namorados.
– Acho mais interessante que a boxer, disse Augusto enfatizando "interessante".
– Concordo, fez Beatriz, olhando concentrada para avaliar as dimensões da elevação roliça que enchia a peça de um branco imaculado.
– Dezessete por quatro? arriscou ela.
– Dezoito por cinco, mais ou menos, corrigiu o rapaz, abrindo mais a calça.

Beatriz engoliu ruidosamente em seco e isso não passou despercebido de Augusto. Ele olhou em volta para certificar-se de que não havia curiosos e pegou gentilmente a mão dela para pousá-la em seu colo. Dedos frementes reagiram às pulsações, mas a mão logo veio instalar-se sobre a barra que atravessava longitudinalmente a Calvin Klein honrando-a com uma respeitável elevação.
– Já está assim?
– Há um tempão!
– Desde quando?
– Desde o Municipal.
– Na escada?
– Não, no espetáculo.
– Com tanta mulher de tutu?
– Bah! Corpo de bailarina não me deixa assim.
– "Assim"? fez ela, fechando a mão com força e causando um sobressalto em Augusto.

Enquanto fechava a calça, o rapaz não cabia em si de felicidade pela nova conquista.
– Quer ouvir minha proposta, agora?
– Claro!
– Bem, acontece que eu tenho um conjugado na Praia do Flamengo, que herdei do meu avô, mas não moro nele...
– Sei, uma garçonnière.
– Mais ou menos. Vou para lá quando não estou a fim de ficar em casa e é claro que levo amigos, namoradas...
– E você quer me levar lá.
– Se você quiser! enfatizou ele.
– E você acha que depois do que acabei de ver e tocar posso ir para casa como uma freira que volta do refeitório para a cela?
– Haha! Boa! Então vamos!

No carro, Beatriz não pôde deixar de constatar uma vez mais seu erro por ter ido a um espetáculo no Municipal com aquele vestido. Por mais bonito que fosse, a barra subia demais, expondo exageradamente suas coxas. Ela cobriu o essencial com a pequena bolsa e o programa do ballet, para não expor-se aos olhares alheios durante as paradas nos sinais de trânsito.
– Vocês são corajosas de sair com vestidos tão curtos aqui no Rio; sempre digo isso à minha irmã, comenta Augusto, olhando-a sem pudor.
– É loucura mesmo, mas não quero me sentir velha antes do tempo. Esse corpo não vai durar para sempre e não pretendo jogar fora as roupas que combinam com ele só porque são curtas! Bolsa, dinheiro e celular, agente arruma mais. Um corpo bonito, só se tem uma vez. Aliás, isso se aplica aos homens também!
– Eu sei, mas de modo geral, os homens só têm que se preocupar com dinheiro e celular. Nosso corpo, os marginais dispensam!
– Ah, não sei, Augusto! Abuso e estupro não é "privilégio" feminino, não. Mas como a sociedade é machista, o que acontece com vocês é abafado. Enfim...
– É, pode ser... Bom, chegamos!

O conjugado com uma imensa vista para o Pão de Açúcar, amplo e de construção sólida característica dos tempos honestos do Rio antigo, foi modernizado e redecorado. Muito iluminado, todo branco, com móveis modulares, padrões de tecido em cores vivas e grandes quadros modernos nas paredes, além de um enorme sofá em L que se destacava num dos cantos, ele causou em Beatriz a impressão de estar em Amsterdam, onde ela passara um ano. Era um convite ao encontro desinibido e saudável que só os jovens conhecem.
– Conheço essa vista! brincou ela, jogando a bolsa no sofá e indo diretamente debruçar-se à janela sem dar a mínima atenção ao vestido.
– Hoje estou preferindo a vista daqui de dentro! disse Augusto com voz marota.

Apressada para entrar no jogo, Beatriz fez que não ouviu, sentindo o contorno da calcinha invadir-lhe suavemente o interior das nádegas, num claro sinal a Augusto, que não se fez de rogado. Aproximando-se, ele colou-se a ela e envolveu-a com os braços, provando num beijo o perfume que emanava da nuca descoberta.
– Hum! fez ela ela, sentindo o arrepio e ondulando o corpo como uma gata, levando as mãos de Augusto aos seios por fora do vestido.
– Quero ver essas duas delícias, disse ele, fazendo-a virar-se.

Dando as costas para o Pão de Açúcar, Beatriz ergueu os braços, convidando Augusto a tirar seu vestido por cima, o que ele fez admirando cada centímetro do belo corpo que ia sendo revelado. Fato raro no meio frequentado por eles, Beatriz tinha formas, a barriga não era cavada e não se viam as costelas. Longe de ser descarnado, porém sem nenhuma gordura, seu corpo era digno dos qualificativos mais elevados. Ela mesma abriu o sutiã e, baixando-o revelou dois seios redondos e firmes, feitos para a concavidade das mãos. Ao mesmo tempo em que Augusto os envolvia e sentia os mamilos roçarem-lhe as palmas, já entumescidos, Beatriz desafivelava o seu cinto e abria-lhe a calça botão por botão para fazê-la despencar até os calcanhares.
– Essas cuecas são resistentes! brincou ela, fazendo estalar o elástico sobre o baixo-ventre plano, admirada com o comprimento da protuberância que, curvada, forçava o tecido como se fôra rasgá-lo.
– Hum! suspirou Augusto, puxando Beatriz para junto de si e beijando-a com volúpia enquanto invadia a calcinha e descobria a fenda já encharcada.
– Vamos sair daqui, gemeu ela, empurrando-o.

Augusto levou Beatriz pela mão até o enorme sofá em L de assentos largos como camas. A excitação de ambos era tamanha que eles não conseguiam separar-se sequer de um palmo. Ela sentou-se na beira do sofá já acariciando-lhe as coxas e percorrendo-as até chegar às pequenas nádegas curtas e firmes, mas bem nutridas, enquanto passava o rosto em seu sexo, sentindo-o pulsar na cueca, ávido de liberdade. Augusto afagava-lhe o cabelo agora solto, feliz com a descontração de sua nova amiga, sentindo as mãos dela percorrem-lhe o corpo como se precisasse conhecê-lo antes de oferecer-se plenamente a ele. Por fim, ela afastou-se um pouco e, impaciente, pôs gentilmente os dez dedos no elástico da cueca. Eles entreolharam-se sorrindo e Augusto pôde assistir ao desvelamento do que ele tinha para ela.
– Ele é bonito! exclamou Beatriz, contemplando o membro em riste que pulsava a centímetros dos seus olhos, praticamente na vertical. Empunhá-lo encheu-lhe a mão e ela puxou instintivamente o prepúcio, expondo uma glande volumosa de contorno muito bem definido.
– É todo seu! Exclamou Augusto, entregue a mil sensações.
– E é grande mesmo!
– Dezoito por cinco. Eu não podia mentir, já que você ia ver.
– É verdade, assentiu ela, baixando-lhe a slip até os pés, sentindo dois ou três toques do membro pulsante no alto da cabeça.

Quando Beatriz ergueu-se, Augusto estava certo de que ela poria na boca o membro tão ávido de um primeiro estímulo, mas não foi o que aconteceu; num gesto rápido, ela retirou a calcinha e recuou para recostar-se no sofá, deixando Augusto de pé fora dele com seu gordo sexo oscilando como a haste de um metrônomo.
– É sua vez, disse ela, sorrindo enquanto abria e elevava agilmente as pernas para exibir a fenda entre dois lábios perfeitamente depilados.

Augusto aproximou-se, ajoelhou-se no largo sofá e merguhou entre as pernas de Beatriz, que ofereceu-se ainda mais puxando-as completamente para trás. Glutão, ele começou a devorá-la, passando a língua entre os pequenos lábios encharcados de orvalho lúbrico, colhendo-o e engolindo-o sem temor enquanto sentia as pulsações violentas e o roçar do seu sexo no couro liso do sofá. Beatriz, por sua vez, puxava nervosamente suas coxas para trás, gemendo muito e deixando-se lentamente levar pela torrente de sensações cujo desfecho explosivo ela antegozava com profusão de gemidos. Nesses momentos, sua imaginação disparava à rédea solta e sua mente perdia-se em lembranças e devaneios.

Olhando por sobre as costas tão finas e jovens de Augusto, ela desejou ver um terceiro que estivesse ali, de pé, por trás dele, dando-lhe um prazer que ela ainda ignorava se corresponderia aos gostos do seu novo amante. Ah, como ela gostava de fazer amor com dois homens! Ela não dissera a Augusto que seus dois últimos namorados, os tais de mais de trinta anos, não foram sucessivos, mas em parte simultâneos, e que se conheciam. Quando ela apresentou um ao outro, já tinha a intenção de estar com os dois na mesma ocasião, e foram os melhores encontros de sua vida. Eles não só satisfaziam-na à exaustão, mas presenteavam-na com um espetáculo a dois de exuberante intensidade, ao qual ela assistia masturbando-se e oferecendo-se lascivamente aos dois pares de olhares extáticos. Essas imagens amplificaram a tal ponto as sensações provocadas pela boca de Augusto que Beatriz julgou possível ao menos tentar provocar um simulacro do que o prazer a três proporciona.
– Augusto... gemeu ela.
– Hum? fez ele, sem afastar-se.
– Você tem um dildo?

Augusto ergueu-se prontamente, ficando ajoelhado no sofa, fitando Beatriz. Em seguida, olhou para a direita e voltou a encará-la profundamente.
– Por quê? perguntou ele, com ar um pouco inquieto.
– Por nada, respondeu ela, espantada com a reação.
– Por que é que eu teria isso aqui?
– Sei lá. Até para brincar com as namoradas.
– "Até", não é? Entendi.

Voltando à calma anterior e sorrindo, Augusto saiu do sofá e foi exatamente na direção do ponto à sua direita para onde ele olhara há poucos instantes. De uma prateleira da estante, ele tirou um estojo e o trouxe para o sofá. O estojo plástico abria-se em dois e exibia, de um lado, um vibrador cromado e fino, e de outro, um exuberante dildo transparente e de ar ameaçador.
– Vinte e dois por cinco e meio.
– Uau! É seu?
– É. Eu trouxe de uma viagem à Holanda.
– Sério? É por isso que eu não acrdito no acaso! exclamou Beatriz.
– Não entendi.

Ela então explicou-lhe que ao entrar sentira-se em Amsterdam e contou-lhe rapidamente o seu ano passado na Holanda, onde ela pudera não sómente constatar a abertura de espírito dos holandeses, mas viver algumas experiências memoráveis, dentre as quais algumas com apetrechos como os que estavam diante deles naquele momento.
– Fiquei sabendo por lá que muitos homens usam isso neles mesmos, e não só os gays, terminou ela, sopesando o dildo maior.
– Ficou sabendo ou viu?
– Cheguei a ver.
– Você está me escondendo alguma coisa, Beatriz.
– Está bem, estou. Você se lembra que eu disse que namorei dois homens de mais de trinta anos?
– Claro.
– Então, eles... Bem, eles se conheciam e chegamos a fazer sexo a três.
– Não! Isso me excita demais!
– E não é tudo: eles faziam entre eles.
– Uau! Bissexuais, então.

Augusto parecia verdadeiramente intrigado, mas Beatriz não podia crer que, com aqueles dois brinquedos em casa, ele não tivesse tentado algo, ainda que que fosse por curiosidade. Nada mais natural que ele tivesse experimentado pelo menos o vibrador, que devia ter cerca de quinze por três centímetros.
– Está carregado? perguntou ela, pegando o vibrador cromado.
– Deve estar, respondeu ele, indiferente.
– Mostre o que você faz.
– O quê?
– Foi isso que você ouviu: quero ver o que faz com ele em você.
– Ah! Está bem.

Augusto sentou-se, ligou o vibrador e o encostou sob a glande. Seu membro reagiu imediatamente, enrijecendo e vertendo fluido transparente.
– Assim eu gozo rápido e forte, explicou ele, revelando excitação na voz.
– O que mais você faz?
– Com isso? Mais nada. Ah, sim! Nos mamilos também é bom.

Beatriz não precisou de mais para convencer-se de que Augusto não lhe diria mais nada sobre sua eventual relação com dildos e vibradores. Ela queria entrar no assunto, mas sabia que teria que ser da maneira mais sutil. Se ele tivesse uma reação negativa, seria o fim do encontro. Ela então recostou a cabeça em seu peito e começou a contar-lhe suas aventuras na Holanda enquanto passava-lhe o vibrador cromado pelos mamilos, descia até a barriga, percorria o V da virilha, em seguida o longo membro e os testículos. Absorto na narrativa e embalado pelas sensações, além, é claro, do prazer causado pela proximidade de Beatriz, Augusto foi-se excitando novamente e acabou deitando-se sobre ela para penetrá-la pela primeira vez na mais convencional das posições, e não obstante a mais íntima. Beatriz abocanhou seu ombro e o mordeu com força enquanto sentia sua vagina ser distendida pela glande e friccionada pelo tronco maciço que a invadiu até o fundo.
– Ahn! As-sim, fez ela, escancarando as pernas e arranhando as costas de Augusto até sentir o contato pleno do corpo dele.
– Está gostoso? perguntou ele, olhos nos olhos.
– Mmm-hmm, gemeu ela, hipersensível.

Augusto sabia-se competente em matéria de sexo e já pusera sua resistência a todo tipo de prova. Ele era capaz de levar uma mulher ao orgasmo por várias vezes sem precisar parar para evitar o seu próprio. Engrenando sem receio num vaivém que ocupou corpo e mente de Beatriz, ele arrastou-a numa série de orgasmos encadeados que lhe arrancavam um gemido soluçado, revelador da intensidade do seu prazer. As mãos dele viajavam pelo seu corpo, passando ora pelas coxas, ora pelos seios, ora pelo rosto que ele achara tão bonito desde o primeir instante. Beatriz também queria explorar o corpo dele, sobretudo para saber se ele estava realmente ao seu inteiro dispor. Percorrendo-lhe as costas, até a pronunciada elevação das nadegas, ela agarrou-as com força para intensificar a penetração. Foi nesse momento que, para surpresa sua, Augusto cochichou em seu ouvido.
– Pode tocar, se quiser.

Bastou isso para que Beatriz invadisse o sulco e fosse, com um dedo, descobrir o orifício que jazia úmido no fundo. Assim que ela o tocou, sentiu na polpa do dedo médio algumas pulsações nervosas, como mordidinhas ágeis que mais convidavam do que repeliam esse insólito invasor. Ela teve a impressão de que Augusto ampliou seus movimentos de vaivém para discretamente convidá-la a entrar, e foi o que ela fez. Seu dedo foi lentamente tragado até a metade pela série de curtas pulsações, enquanto Augusto respirava ofegante em sua orelha, emitindo pequenos gemidos que dissipavam qualquer dúvida quanto ao seu prazer. Beatriz então deu tratos ao bom senso e procurou ao seu lado, às apalpadelas, o objeto que ela agora julgava perfeitamente apropriado para levar Augusto a um prazer novo e intenso. Levando-o até a entrada recentemente franqueada ao seu dedo, ela ligou o vibrador e o passou entre as nadegas que elevaram-se prontamente em resposta ao novo estímulo.
– Você, hein! disse-lhe o rapaz, lambendo-lhe a orelha, penetrando-a profundamente e esfregando-se nela para esfregar sua pélvis contra a dela.
– Você vai adorar, eu prometo.
– Quero ver, desafiou ele, recuando apenas o suficiente para oferecer-se.

Beatriz explorou um pouco mais o sulco, chegando aos testículos, o que provocou em Augusto um pequeno sobressalto seguido de mais uma estocada firme.
– Hum! Aí é gostoso, suspirou ele, abrindo um pouco mais as pernas.
– E você ainda não viu nada, retrucou ela, beijando-o na boca.

Ao primeiro toque do aparelho no orifício, Augusto reagiu às vibrações fazendo Beatriz sentir seu membro pulsar repetidamente dentro dela. Ele deteve-se, apoiado nos braços, parecendo um pouco apreensivo, mas ela tranquilizou-o voltando a beijá-lo e a acariciar suas nádegas até que ele voltasse ao vaivém regular.
– Como é que você tem esse bumbum de bebê, me diz? É muito gostosinho! Dá vontade de apertar e morder sem parar.
– E pelo visto, fazer outras coisas também! retrucou ele, rindo.
– Provavelmente, mas isso, só você pode saber. Só quero ver prazer.

Ela disse isso voltando a tocá-lo com o vibrador desligado bem no ponto sensível. Desta vez, assim que Augusto reagiu, ela fez um pouco de pressão para que a extremidade penetrasse e acionou o aparelho. Inesperadamente, o rapaz levou uma mão atrás e uniu sua força à dela. Muito liso, o vibrador venceu a resistência do primeiro esfíncter e deslizou para dentro até a base especialmente concebida para detê-lo. Visivelmente perturbado, mas literalmente tomado de excitação, Augusto contraiu as nádegas e pôs-se a desfechar estocadas pélvicas tão fortes que Beatriz teve a certeza de que se tratava do prenúncio de um orgasmo.
– Você pode... sussurrou ela.

Beatriz tinha razão; a profusão de sensações rompeu a resistência de que Augusto tanto se orgulhava e deu lugar a um orgasmo avassalador. Ele descarregou os primeiros jatos dentro dela e ainda teve reserva para vir terminar em seus seios e em seu rosto, fetiche indispensável na prática sexual do jovem garanhão. Sugando-lhe gulosamente a glande encharcada, Beatriz pôde degustar o fruto do prazer inovador que ela suscitara.
– Levemente adocicado. Você come muito cereal? perguntou ela doutamente, observando-o sentado em sua barriga.
– Isso é que é adivinhar! Sou viciado em cereais!
– Então é isso. As mulheres devem adorar esse leitinho condensado.
– Você deveria se chamar Morgana! Ou Circe!
– Quem você prefere: Artur ou Ulisses? Não vá me dizer que não gostou do que sentiu!
- É intenso, mas dá um pouco de vergonha.
– Você não tem a menor tendência bi, não é?
– Acho que não. Por quê? Será que vou perder você por isso?
– Nunca é tarde para aprender. O material, você já tem, respondeu ela, apontando com o queixo para a caixa que ele tirou da estante.
– Você acha que eu vou usar isso?!
– E por que não? Eu tenho amigos bem machos que fazem coleção.
– Você viu o tamanho desse troço, Beatriz?
– Quanto maior, melhor. É pura questão de hábito.
– Mas você aguenta um desses... atrás?
– Quer apostar? Apostar de verdade!
– Quero. Qual é a aposta?
– Se ele entrar em mim, você vai ter que me deixar pôr em você.

Augusto pegou a caixa e tirou dela o dildo esculpido em silicone transparente, sopesando-o e avaliando suas dimensões. As medidas estavam impressas discretamente na base: "corpo: 22cmx5cm; glande: 5cmx6,5cm".
– A textura é parecida, disse ele apalpando o tronco do pênis, mas duvido que isso entre em você. Na frente, sim, mas atrás...

Beatriz então puxou suavemente o vibrador, que deslizou para fora com a mesma facilidade com que entrara. Em seguida, fez com que Augusto saísse de cima dela e pôs se de joelhos, apoiando-se na lateral do enorme sofá em L, exibindo a paisagem vaginal que ele acabara de explorar a fundo enquadrada pelas coxas e pelas nádegas bem feitas e salientes.
– A aposta está de pé não é? insistiu ela.
– Está. A chance de que isso entre em mim é zero.
– Primeiro aqui, para lubrificar bem, disse Beatriz, indicando-lhe a vagina e passando-lhe o dildo.
– Tudo bem.

Entusiasmado como um menino, Augusto encostou a glande de silicone na fenda ainda bem úmida e começou a pressioná-la muito lentamente. Beatriz gemeu, mas não deu o menor sinal de dor ou sequer desconforto. A bela cabeça transparente ampliou a entrada de um modo que pareceu desmesurado aos olhos de Augusto, mas ele logo lembrou-se de que vaginas são feitas levar bebês ao mundo e, acompanhado pelos gemidos da sua adversária na aposta, fez força até vê-la desaparecer.
– Enfia todo, gemeu Beatriz, oferecendo-se o mais possivel e olhando para trás.
– Pronto. Vinte e dois centímetros dentro de você!
– Hãhã, disse ela num gemido. Agora deixa o dildo aí e me lambe.

O orifício anal, que nao lhe parecia em nada diferente do seu, a não ser, talvez, por uma configuração um pouco mais afunilada, reforçava a incredulidade de Augusto. Curvando-se, ele pôs-se a lambê-lo para ensalivá-lo e penetrou-o suavemente com o polegar. Beatriz gemia, sempre voltada para trás, olhando o pênis dele, sempre muito duro, balançando entre as coxas. A excitação de Augusto amplificava a sua, mas evidenciava que havia algo de absurdo naquilo tudo. Ela teve uma idéia.
– Mete você primeiro, pediu ela.
– Está falando sério?
– Hãhã. Para eu acostumar com a abertura.

Augusto parecia uma criança em dia de aniversário. Empunhando o membro mais do que pronto, ele estabeleceu o contato e cuspiu na glande ligeiramente encaixada no ânus de Beatriz. Ela gemeu, preparou-se e deu-lhe a ordem de prosseguir. Ele mal pôde acreditar na facilidade com que o tronco foi sumindo até desaparecer por completo entre as redondezas perfeitas das nádegas da sua nova amiga.
– Pronto, disse ele, ainda pasmo. Você aguentou dezoito por cinco atrás.
– Agora sai e põe o outro, ordenou ela, movendo-se para relaxar a posição.
– A cabeça tem seis centímetros e meio de diâmetro, Beatriz!
– A tua tinha cinco?
– Quase isso.
– Começa, anda. Estou pronta.

Um pouco frustrado por ter que sair de dentro dela, Augusto afastou-se e pegou o longo dildo transparente. Quando ele se preparava para começar, foi interrompido.
– Você pode chupar e lamber um pouco para lubrificar?
– Hã? Lamber isso?
– Me dá aqui que eu faço. Vocês homens são terríveis mesmo!

Arrancando o dildo das mãos de Augusto, Beatriz pôs-se a lambê-lo com saliva profusa. 
A glande entrou com dificuldade em sua boca, mas entrou, e ela devolveu-lhe o monstro todo ensalivado, que ele logo começou a pressionar contra o ânus recém-penetrado. Nada indicava que aquele diâmetro todo fosse passar pelo anel elástico, mas com alguns gemidos e contorções de Beatriz, a enorme glande não tardou a ser lentamente tragada, deixando ver uma cratera rubra que logo foi sendo preenchida pelo imenso corpo transparente.
– Ahn! Gemeu ela, mordendo nervosamente o sofá.
– Você vai aguentar? Quer que eu pare?
– Continua! ordenou ela com a voz abafada pelo couro e começando a masturbar-se furiosamente.

O colossal apetrecho foi deslizando para dentro de Beatriz e até sumir diante de um Augusto literalmente boquiaberto. A cena o excitou tanto que seu membro parecia rebentar com a pressão de cada pulsação. Ele ia também começando a masturbar-se quando ouviu uma voz suplicante, desmilinguindo-se.
– M-mete... Mete de novo, anda...

Pressionando o dildo para mantê-lo inserido, Augusto direcionou seu pênis para a fenda desocupada, muito vermelha e úmida, e enterrou-o até o final, arrancando um gemido intenso e suspirado de Beatriz, cujas pernas ficaram tão bambas que ela teve que lutar para manter-se em posição durante essa dupla penetração apoteótica. Suas mãos quase despedaçavam o braço do sofá e à medida que Augusto alternava seus movimentos com os do dildo, que ele inseria e tirava com a mão, um novo orgasmo apropriou-se do corpo de Beatriz, que pôs-se a emitir um gemido disforme e contínuo, agora debruçada sobre o braço do sofá e sem forças para manter-se de quatro.
– Isso... vai me matar... de tesão, balbuciou ela, toda entregue.
– Eu também não vou aguentar muito, respondeu Augusto, resfolegante.
– Goza dentro... Eu me viro depois.

Bastou isso para que Augusto começasse a ejetar dentro dela o que lhe restava de esperma, sentindo a intensidade das convulsões maior que a dos jatos e uma forte pressão do períneo a cada emissão. E foi ele que, desta vez, procurou discretamente o vibrador cromado para inseri-lo em si mesmo e amplificar seu prazer. Bem que Beatriz ouviu o zumbido discreto do aparelhinho, mas aprisionada no orgasmo, não teve forças para articular palavra e continuou entregue aos gemidos. Quando os espasmos de Augusto cessaram, ele retirou o vibrador e o repôs no mesmo lugar com a mesma discrição.

Nus e sentindo-se exaustos, mas realizados, sentados lado a lado no sofá com os pés na mesa de centro, Beatriz e Augusto conversaram molemente fumando Gauloise Blonde.
– Você perdeu a aposta, disse ela, dando palmadinhas na coxa dele.
– Como é que você pode ser tão experiente?
– Não seja machista! Você também é experiente!
– É verdade, desculpe. Mas qual é seu segredo?
– As viagens, eu acho. Conhecer estranhos abriu as portas para o sexo, e eu viajo sozinha por todo lado desde os dezesseis.
– É, acho que você tem razão. Basta eu pegar um avião que tudo fica incrivelmente fácil em matéria de sexo.
– Pois é, os desconhecidos se entendem e... Mas você está desconversando! E a aposta?
– A aposta? Acho que vou decepcionar você.
– Ah é? E por quê?
– Você se lembra que me pediu para "amaciar" você antes de pôr o dildo?
– Hãhã, me lembro. E daí?
– Você por acaso tem com que "amaciar" a mim?
– Espertinho! Já ouviu falar em dedos?
– Sei, sei... Bem, então tenho uma proposta: que tal adiarmos?
– Adiar? Está bem, mas só porque eu estou exausta!
– Só por isso, e não porque vai me ver de novo?
– Mas como é cheio de si! diz ela, apertando-lhe o sexo ainda inchado que jazia amolecido entre as coxas, mas sucumbindo a uma chuva de cócegas da parte de Augusto.

O reencontro aconteceu, e muitos outros depois dele. Augusto tem aprendido a apimentar sua relação com Beatriz através de jogos variados e vem tornando-se um aficcionado do sexo a três, que o casal começou a praticar há alguns meses com um dos ex-namorados de Beatriz, e que tende a tornar-se uma prática integral. É essa mulher jovem e satisfeita que vemos perambulando neste momento pelo salão de uma casa em festa, imersa nos mais inconfessáveis devaneios, enquanto seus amigos confabulam sobre o seu misterioso namorado que insiste em não revelar-se e, ainda menos, juntar-se a eles.




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