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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

"Bon Sauvage"

Como faço diariamente, desde que me mudei para esta cidadezinha litorânea com meu marido que tomou asco pela cidade grande brasileira, saí hoje às 8h da manhã para correr. Contei dezessete pessoas ao longo do meu primeiro percurso pelos cerca de mil metros de areia fina e fresca, a maioria mães com filhos pequenos, homens de meia-idade e nativos catando mariscos. A praia era toda minha.

É a terceira semana, desde a adolescência, em que me sinto à vontade para correr de biquíni. Meu corpo se desenvolveu muito cedo, portanto vi-me precocemente às voltas com os homens e suas gracinhas, ora assoviando, ora fazendo comentários inconvenientes. Isso me inibiu, fez-me retrair procurando maiôs discretos em vez de biquínis bonitos e coloridos. Foi aqui, há menos de um mês e já aos vinte e três anos de idade que tive coragem de comprar e usar biquínis que respondem ao meu verdadeiro gosto: modernos, coloridos e bonitos, mas sem dúvida, "minimalistas". Ainda incomoda um pouco o meu marido Jonas que eu não vá de short por cima do biquíni, mas eu o convenço dizendo que como não gosto de ficar parada na praia, teria que me preocupar com o short se o deixasse na areia a cada vez que entrasse n'água. E, verdade seja dita, ele sai para trabalhar ao mesmo tempo que eu para correr e raras têm sido as vezes em que o nosso encontro matinal na cozinha não tenha resultado numa intensa "rapidinha", como ele gosta, fazendo-me debruçar na mesa e até mesmo untando-me de manteiga quando tem um desejo um pouco mais hard. Depois disso, ele vai saltitante para o trabalho, o que prova que o incômodo causado pelo meu biquíni é muito relativo na cabecinha do meu marido. Hoje, contudo, ele não me procurou e saiu de cenho franzido, recomendando-me cautela. Ainda que moremos numa cidade pacata de menos de dez mil habitantes, Jonas trouxe consigo o estresse profissional e a responsabilidade de fazer com que toda essa gente deseje intensamente possuir um telefone celular da marca que ele promove. Atribuí a isso a mudança na nossa gostosa rotina matinal.

Habitualmente, tenho corrido cerca de quatro quilômetros, o que corresponde a quatro idas e voltas pela beira d'água. Em seguida, me banho, me bronzeio um pouco e volto para casa para começar meu dia de trabalho de administradora de sites comerciais online. No primeiro quilômetro, costumo contar as pessoas, depois me concentro na música do meu leitor mp3 e me abstraio completamente da presença humana. Hoje, contudo, talvez porque a abstinência do meu marido tenha-me posto a pulga atrás da orelha, esqueci o aparelhinho em cima da mesa. Não dei maior importância ao fato, mas isso fez-me ficar mais ligada ao que ocorria na praia.

Foi no terceiro percurso que o vi. Ele estava bem afastado da praia, mas água é rasa até cerca de cinquenta metros e a sunga de um branco resplandecente em contraste com o corpo escuro e o mar azul chamou-me a atenção. Sempre correndo, olhei sem virar a cabeça para não ser notada, mas percebi que ele me acompanhava, explicitamente voltado para mim. A água chegava-lhe ao final das coxas, quase em contato com a sunga. Cheguei à extremidade da praia e comecei meu último percurso sentindo-me continuamente observada. Na minha cabeça, a história se repetia: bastava usar uma roupa mais sexy ou um biquíni para que os homens se excedessem. Tentei pensar em outra coisa, mas como ele era a única pessoa dentro d'água, era impossível não vê-lo enquanto eu ia na mesma direção. Resolvi então agir ao contrário do que eu sempre fizera e aproveitar a possibilidade de olhar sem que ele soubesse. Aguçando a vista, percebi que se tratava de um homem de mais de trinta anos, alto e robusto, a pele de um bronzeado escuro, quase negra e o cabelo quase raspado, à moda dos que preferem desfazer-se do cabelo a mostrá-lo. Aqui houve índios, depois fazendas com portugueses e escravos, portanto a presença desse tipo miscigenado é bastante comum. Mas no meu imaginário esse aspecto era um tanto misterioso e até um pouco assustador. Sendo assim, ao passar pelo trecho mais em frente a ele, procurei fazer-me o mais discreta possível, correndo do modo mais "técnico" que eu conhecia, para não despertar qualquer fantasia de natureza sensual.

Foi em vão. Pouco antes de cruzar a linha imaginária após a qual eu estaria de costas para ele, o homem baixou a sunga e exibiu o sexo, que avaliei enorme porque estava perfeitamente visível, oscilando solto enquanto o homem fazia movimentos pélvicos com a mão na cintura. Acelerei até ver-me enfim de costas para ele, sentindo gosto de sangue na boca, de tanto pânico. Mas a imagem do membro imenso já não desgrudava das minhas retinas e fui com ela até a extremidade da praia, decidida a ir embora rápido para não pensar mais no assunto.

Numa das extremidades dessa praia há uma elevação rochosa que compõe o cantinho eleito por mim para o banho final e os minutos de bronzeamento diário sob o sol saudável de antes das dez da manhã. Fiz como todo dia: entrei n'água de corpo inteiro, dei algumas braçadas e parei para olhar em volta. O homem ainda estava lá, mas parara de me olhar. Supus que fosse porque cerca de quatrocentos metros nos separavam. Sentindo-me segura, fiquei mais alguns minutos n'água e fui deitar-me na areia. Fechei os olhos e meu pensamento se voltou novamente para a manhã, em casa, o cenho franzido do Jonas, seu ar já ausente e a excepcional ausência de libido. Ele deve mesmo estar tenso com o trabalho, pensei, antes de ser assediada pelas imagens mais recentes, que preencheram-me a mente sem deixar espaço para mais nada e foram completadas por uma onda sensual que logo tomou-me o corpo.
– Está gostoso? Uma voz grave retumbou no meu cérebro.

Lutei contra a sonolência, venci e quando abri os olhos, focalizou-se imediatamente a sunga branca. O homem que se exibira no mar estava de pé, ao lado ddo meu corpo, olhando para baixo e sorrindo com os dentes mais incrívelmente brancos e perfeitos que eu jamais vira. Ergui-me num sobressalto para sentar, mas isso só fez aproximar-me ainda mais da sua cintura.
– Estava gostoso? ele repetiu.
– Como assim? respondi, zangada. Gostoso o quê?
– A sirirca, ué! disse ele, estendendo a mão em direção ao meu corpo.
– Olha, se você não me deixar em paz, eu grito, hein! ameacei.
– Você estava com a mão na buceta! Está precisando de homem, disse ele, simplório.
– Eu não estava fazendo nada disso! repliquei, furiosa, mas mortalmente encabulada por começar a entender a natureza da sensação que me tomara momentos antes.
– Você estava com a mão dentro da calcinha do biquíni, passando o dedo no grelinho. Eu vi!
– Está bem, digamos que eu estivesse fazendo isso; o que é que você tem a ver com isso? Eu estou sozinha aqui!
– Nada, mas eu mostrei o pau para você e isso te deixou com tesão. Vai dizer que não foi?

A situação me pareceu tão surrealista, que comecei a levantar-me, decidida a ir embora. Como ele tinha falado comigo, eu não estava propriamente com medo, mas um certo receio me dizia que o melhor seria ir embora dali o mais rápido possível. Ocorre que o homem estendeu a mão para me ajudar, o que desmontou completamente a idéia do grosseirão animalesco que eu construíra até ali. Mas ele estendeu a mão e a burra qui não aceitou, é claro! Resultado: vi-me ajoelhada na areia com a cabeça a centímetros da sunga branca... e cheia, muito cheia. O homem não pestanejou; baixou o elástico com o polegar e descobriu o monstro que eu já vira à distância.
– De perto é mais bonito, não é? fez o sujeito.

Eu não queria, não podia dizer nada. E a verdade é que nada nos ameaçava, tudo era propício. Não há policiamento e havia menos de vinte gatos pingados na praia, hoje de manhã. Terminei de me levantar, mas fiquei bem perto do homem.
– Guarda isso, anda, falei, passando a mão pelo longo e curvado tronco cor de chocolate.

Ele fez o que eu disse e uma barra preencheu a sunga branca, esticando-a e afastando o elástico do corpo. Minha boca estava seca, meu coração aos pulos e a cabeça a mil, sem encontrar solução para o meu dilema. Trair ou não trair não era a questão; o Jonas e eu somos suficientemente inteligentes para saber que um casamento não pode reduzir definitivamente a uma só as possibilidades de relacionamento sexual de um homem e de uma mulher. Assim mesmo, a questão era tripla: onde, quando e como? Se a resposta fosse "aqui, agora e sem camisinha", eu não relaxaria e seria uma droga. Se fosse "lá em casa, daqui a pouco, com proteção", alguém poderia ver, o Jonas poderia voltar intempestivamente, etc. Eu também não ficaria tranquila. Eu não tinha solução, mas estava tão excitada que minha mão foi passear sozinha pelo volume roliço que preenchia a sunga enquanto o homem olhava francamente para os meus seios.
– Você tem lugar para ir? Eu não tenho e não quero aqui, disse eu, aflita.
– O que não falta aqui é lugar, a não ser que você tenha alguma coisa contra foder no mato.
– Você precisa falar desse jeito, é? disse eu, roçando meus dedos abdomem acima sem tirar os olhos da massa pulsante.
– E como é que eu tenho que falar se o que eu quero é trepar com você?
– Está bem, já entendi. Então vamos para algum lugar porque eu já estou ficando maluca com tanta demora, supliquei, me sentindo molhada e ansiosa.

O homem me pegou pela mão e levou para fora da praia por um caminho de areia entre plantas rasteiras. Nada se via que pudesse nos ocultar. À certa altura, ele me fez caminhar na frente.
– Que bunda gostosa tu tem, hein mulher! disse ele, aplicando-me um sonoro tapa.
– Aiê! Não precisa ser grosso! respondi, sentindo-me ainda mais molhada.
– Vou querer morder essa bunda e lamber o cuzinho que está escondido no meio desse rego fundo, continuou ele, aproximando-se para me tocar.
– Já falei que você vai me deixar louca desse jeito! Para onde você está me levando?
– É logo ali.

A vegetação rasteira foi-se transformando e o que eu via agora à minha frente era o início de uma elevação com mato e árvores.  O mesmo caminho embrenhava-se no frescor de uma flora diferente, mais próxima da mata atlântica, mas de características transicionais onde se via areia e terra. Adentrando cerca de cinquenta metros, o homem me fez parar e puxou-me, esfregando-se contra mim. Eu estava elétrica. Livrei-me do sutiã do biquíni e me virei para ter novamente acesso à sunga. Vendo meus seios, o homem me puxou e colou a boca berta num deles, sugando e esfregando a língua no mamilo como se já fosse um clitóris. Minha mão apertava nervosamente o membro grosso, empunhando-o e puxando ainda por fora da sunga, enquanto ele chupava-me alternadamente os seios.
– Hum! Você é toda tesuda, loira! Não quero perder nem um pedacinho desse corpo.
– Me dá, anda, supliquei, baixando-lhe a sunga e me ajoelhando na areia enquanto percorria com ela suas longas coxas musculosas.

O homem se livrou da sunga branca e me deixou descobrir com calma o que ele estava para introduzir em mim. Era uma serpente escura de cerca de dezenove centímetros de comprimento por seis de diâmetro, ligeiramente encurvado para cima e com uma volumosa cabeça descoberta e inchada. Nada sequer parecido com aquilo jamais me penetrara. Além de miúda – tenho menos de um metro e sessenta –, sou magra, portanto estreita de perfil; amigas minhas dizem que não entendem onde está meu estômago. A impressão que tive foi a de que quando ele me penetrasse, eu sentiria na barriga e nas costas a fricção do membro dentro de mim. Com senso de humor, encostei o rosto nele; era maior que a minha cabeça da ponta do queixo ao topo.
– Agora chupa, vai, ordenou o homem, falando sério e baixando o membro duro com a mão.
– Está bem, respondi, obediente, e pus me a chupar da melhor maneira que eu conhecia, relaxando os lábios ao máximo e usando saliva abundante.

Foi a primeira vez da minha vida que fiz sexo em local público e com um desconhecido, portanto eu estava me sentindo corajosa, aventureira e, vendo aquele homem tomado de desejo por mim, inegavelmente gostosa. Ali, de joelhos, meu sexo encharcado espremido entre as coxas, eu me perguntava qual seria a etapa seguinte. O que eu tinha na boca e entre as mãos já não tinha mais para onde crescer, inchar e endurecer. Estava pronto para mim e eu sentia o momento próximo. Empunhando-o com força, lambi de cima a baixo algumas vezes e quando olhei para cima, o homem me fez levantar. Ficamos frente a frente por alguns momentos e, para surpresa minha, ele me deu um beijo mais que ardente, vasculhando-me a boca e sugando-me a língua.
– Uau! Assim, logo depois de...? perguntei, um pouco espantada.
– O pau é meu, posso chupar por tabela, foi a resposta.

Ele então começou a baixar minha calcinha do biquíni e a tirou gentilmente, colocando-a por cima da imaculada sunga branca. Estávamos ambos nus. Ele me fez caminhar dois ou três passos para ir apoiar-me num tronco de árvore, agachou-se, separou-me as nádegas com as mãos enormes e iniciou uma longa sessão de sexo oral que me deixou entregue às baratas. Sua língua percorria-me da vagina ao ânus com tanta voracidade que tive um primeiro orgasmo assim, abraçada à árvore, sentindo meus seios roçarem no tronco. Pela primeira vez pude gemer e gritar no volume que eu quis, dizer palavrões, exprimir-me com toda a espontaneidade e sinceridade. E o homem parecia perfeitamente familiarizado com essa forma de expressão duranto sexo.
– Isso, gostosa, fala tudo, geme e goza para mim!
– Me faz gozar muito, seu puto! Assim! Mhm...

De pernas abertas e forçando o corpo para trás, eu me entreguei à boca ávida daquele homem que me fazia sexo com a língua sem dó nem piedade, enfiando os polegares no orifício desocupado pela língua como se dedilhasse uma ocarina ou instrumento semelhante. Acabei literalmente sentada em seu rosto e fomos parar no chão, onde nos entregamos a um selvagem sessenta-e-nove.

Eu estava pronta e mais que pronta, sentindo meus lábios, meus seios e meu sexo intumescidos. Não havia mais razão para prolongar as preliminares e meu homem sabia disso. Deitado de costas no chão, ele me fez virar e por-me a cavalo sobre ele. Com as mãos espalmadas em seu peito, esfreguei-me em seu membro deitado sobre a barriga, sentindo-o deslizar entre meus pequenos lábios. Ele então me puxou pelas coxas fazendo-me ficar de quatro por um momento, empunhou seu sexo e o dirigiu para a minha vulva. Quando voltei a recuar, mal pude crer na sensação de repuxamento causada pelo alargamento pela cabeça.
– Vai me matar! exclamei, gemendo de dor.
– Não vai entrar? ele indagou.
– Não sei, respondi, dando um sorriso desesperado.

Ele se deteve e me pôs sentada em suas coxas. Com a mão, ele pôs o sexo na vertical diante da minha barriga; ele ultrapassava de longe meu umbigo e o diâmetro era assustador.
– É enorme, eu disse, meio assustada.
– Mas entra sim, disse ele, seguro de si.

Tirando-me de cima dele e pondo-me deitada de costas, ele abriu-me as pernas, entrou de joelhos entre elas, empurrou minhas coxas para cima e para trás e cuspiu abundantemente em minha vagina e na cabeça do pênis. Em seguida, deu uma série de pinceladas com ela em minha fenda, olhou-me nos olhos para obter meu assentimento e começou a empurrar lentamente. O alargamento foi mais suportável e instantes depois, o tronco imenso começava a deslizar para dentro de mim.
– Eu não disse? lançou ele, cheio de si.

Mas eu estava sem voz. A sensação era tão intensa e minha excitação tamanha que eu me contorcia já ingressando em novo orgasmo antes mesmo que os movimentos se iniciassem. Senti um misto de languidez e agressividade.
– Agora fode. Fode! gritei, puxando minhas coxas com força sobre o corpo.
– Sente esse pau gostoso entrando na buceta.

De fato, a sensação não tinha fim; era como se uma serpente mitológica estivesse invadindo-me pela vagina. E a sensação de dilatação era indescritível. Como eu ainda acreditasse ser possível controlar alguma coisa, pus a mão no tronco maciço, mas só pude acompanhar sua entrada até o fim, até nossas coxas se tocarem, as dele por cima, as minhas por baixo, e eu ver-me a centímetros da boca daquele homem, que mais uma vez veio procurar a minha. Eu estava completamente imobilizada pelo corpanzil que pesava sobre meu para manter-se encaixado nele.

Foi então que, num lampejo, veio-me pela segunda vez um instante de lucidez. Desgrudei-me da sua boca e olhei aterrorizada dentro dos seus olhos.
– A gente esqueceu!
– Que foi, mulher?
– Camisinha!

Ele sorriu um sorriso imenso, exibindo a dentição de marfim, perfeita, e desembestou num vaivém vigoroso e rápido.
– Camisinha é pra criança, mulher! gritou ele, fazendo-me sentir toda a extensão do seu membro mergulhar profundamente em mim.
– Estou... ahn... falando sério... balbuciei sem convicção, desejando tudo e mais ainda e caminhando para um novo orgasmo, agora poderosíssimo.
– Dá nada não, loira! Já fodi muito nessa vida e nem gonorréia eu peguei.

Ele esmagava meus seios com o peso do corpo sobre minhas coxas. Eu podia sentir seu membro colidindo em minhas paredes internas, mas a excitação pela fricção vaginal era tamanha que fui lançada numa sucessão de orgasmos que foram tornando o meu corpo num órgão integralmente sexual. Vez por outra, ele saía de mim e vinha dar-me o pênis encharcado a chupar. Minha vagina então começava a retomar a abertura normal, mas ele logo voltava à carga nas mais diversas posições. Acabei vendo-me novamente a cavalo e sendo, desta vez, capaz de empalar-me até sentar-me completamente. Ele me possuiu de lado, de quatro, de pé e trepada nele, agarrada em seu pescoço...

A idéia do sexo seguro agora atravessava-me o espírito como os aviõezinhos de propaganda atravessam a praia de Copacabana. Será que não era importante, diante do prazer que aquele homem me dava? Eu já podia morrer feliz? Acho que sim. Homem nenhum me fez sexo tão intensa e tão longamente como ele. A impressão que eu tinha era de que ele não precisava de orgasmo, que era uma máquina de dar prazer. Quando ele me dava o membro a chupar, dizendo "agora mama" e enterrando-o em minha boca, eu me preparava para o encerramento, conformada, mas não, ele queria apenas lubrificar a ferramenta para prosseguir melhor na prospecção sem fim à qual ele se entregara. E ele me comia contra a árvore, de costas, depois de frente erguendo-me uma coxa, depois outra, depois ambas. E o orgasmo não vinha, como se não existisse para ele. Em dado momento, novamente no chão, empalada em seu colo e de frente para ele, que se recostara no tronco da árvore, resolvi arriscar a pergunta, acariciando seu peito forte.
– Você... não goza nunca? Não precisa gozar?

A resposta veio sob forma de gesto. Puxando-me bem junto a si, ele precorreu minha coxa com a mão e foi mergulhar profundamente um dedo em meu ânus.
– Ai, filho da puta! Isso dói! protestei, tentando detê-lo com uma mão e socando-lhe o peito com a outra, séria pela primeira vez desde a praia.
– Só gozo aqui, mulher. O resto é fraquinho pra mim.

Para que é que eu tinha que perguntar se ele não gozava? Gelei, emudeci e não tive como desconversar. A verdade é que era mais do que tempo, para ele, de chegar ao tal orgasmo. Entendi a tática: ele faz sexo como um deus, leva a mulher ao orgasmo mil vezes e assim a impede de negar o que quer que seja. Euzinha, acostumada às dimensões humanas do meu maridinho Jonas, me vi a milímetros de ser demolida pela máquina mortífera daquele semideus tropical que, de fato, não me deu tempo nem de pensar numa estratégia. Substituindo o dedo pela cabeça do monstro, ele me mandou sentar, relaxar o orifício e soltar pouco a pouco o peso do corpo. Ele me deixou no comando, mas visivelmente não admitiria uma desistência.

Nada indicava que aquilo pudesse entrar em mim, mas entrou, e quando chegou ao fim, me senti presa naquele homem por um gancho que se afundava em minhas entranhas, sem coragem de me mover. Com as mãos em seus ombros, olhando para ele nos olhos, eu tentava hipnotizá-lo para que ele também não se movesse. Ele então pousou as mãos em minhas coxas, agarrou-as e começou a mover-me não para baixo e para cima, mas para frente e para trás. Vi-me cada vez mais empalada nele, até que não havia mais nada separando o anel esticado do meu ânus da pele flexível do saco dele. Eu conseguira acolher integralmente o monstro em meus intestinos e o sentia por dentro, ereto e duro.
– Agora é contigo, mulher, disse ele.
– O que é que eu faço?
– Sobe e desce. Quero gozar.
– Dentro?
– Dentro.

Não havia o que discutir. Eu era o peixe fisgado, a foca arpoada, e para sair do anzol ou do arpão, eu ia ter que rebolar, como se diz. Vendo-me hesitante, o homem levou uma mão ao meu clitóris e pôs-se a estimulá-lo, esfregando bem. Isso reacendeu a excitação em mim e me animou a fazer o que ele queria. Apoiei-me em seus ombros e elevei-me um pouco, apenas para testar o atrito. Era o limite do suportável, mas era suportável. Iniciei então um curto trote e isso começou a animar meu selvagem. Usando meu líquido vaginal para lubrificar seu membro, ele me permitiu ir ampliando o movimento até que uma boa porção do arpão monstruoso entrava e saía de mim. Quando eu levava a mão atrás para apalpá-lo, mal podia crer na rigidez contra os meus dedos. Contudo, acabei atingindo o resultado esperado e consegui até mesmo ficar quase de quatro sobre seu corpo para que ele empreendesse a série de estocadas que o levariam ao orgasmo, proeza que só consegui masturbando-me continuamente para distrair-me do repuxamento e do atrito. Quando veio enfim o orgasmo monumental, o homem arqueou o peito, arfou e, desferindo mais um sem número de curtas estocadas bruscas, ejaculou dentro de mim, tornando-me uma espécie de lago viscoso e quente dentro do qual seu membro deslizava agora com bastante facilidade. A masturbação levou-me a um outro orgasmo quase simultâneo ao dele, aniquilando-me as forças e fazendo-me desmoronar sobre seu corpo. Ele pôde então desfrutar desse meu momento de inação para esvaziar o resto de conteúdo em meu reto com longos golpes finais. Procurando a minha boca, ele colou seus lábios aos meus, procurou a minha língua, mas eu já não tinha mais forças para nada.


Quando ele saiu de mim, senti-me literalmente um trapo, um corpo frouxo e incapaz de sair do chão. Descansei por alguns momentos enquanto, com a mesma gentileza inesperada, meu homem abriu-me as pernas para lamber-me copiosamente os orifícios, aliviando o ardor do atrito com uma saliva morna e viscosa. Em seguida, ele vestiu-me a parte de cima do biquini, estendeu-me a parte de baixo, repôs sua sunga branca e ajudou-me a levantar-me. Passáramos cerca de duas horas naquele caminho de areia dissimulado pela vegetação.

Ao chegar de volta à praia, eu quis contemplar a beleza da paisagem. Quando olhei para o lado com a intenção de agradecer pela mais louca aventura da minha vida, meu desconhecido da sunga branca não estava mais lá. São cinco da tarde, Jonas está para chegar e é interessante e inovador ter essa certeza de que agora tenho um segredo para com o meu marido.

Luíza S. V.

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