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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

Memórias de Corretor - I. Dra. Márcia

Quando percebi meu erro por ter feito vestibular para direito, era tarde, eu estava formado. Aos vinte e dois anos e sem o menor desejo de vestir terno e gravata para ir ouvir baixarias em tribunais cariocas, me vi obrigado encontrar rápido uma solução que me permitisse viver minha própria vida. Andei pelo comércio, vendendo roupa, lanche e celular em shopping centers, mas era dose, depois de ter frequentado aulas com juristas de alto nível e ser diplomado pela UFRJ! Não era por pedantismo, uma vez que eu renegava essa carreira, mas o caráter dos empregos e o lazer dos jovens dessa categoria profissional soava-me como uma volta ao fim da adolescência. Logo precisei de algo mais sério. Recomecei portanto a minha busca.

Conversando com uma amiga, ela lembrou-me que sua mãe era corretora de imóveis e me disse que o trabalho não parecia de todo desinteressante, além de ser lucrativo. Resolvi investir na sugestão e me inscrevi num bom curso de formação, tornando-me aos vinte e três anos um jovem e promissor corretor de imóveis. Encontrei emprego numa agência grande do centro do Rio e, claro, o início foi árduo, relegado ao setor de locação de pequenos apartamentos de subúrbio com alguéis ínfimos. Mas aos poucos, meu diretor foi percebendo que eu poderia render muito mais e, cerca de seis meses depois, fui promovido ao setor de salas comerciais no centro do Rio, um mercado movimentado e razoavelmente lucrativo.

Minha rotina era basicamente a de chegar no trabalho às 9h da manhã, pegar as fichas dos imóveis para locação atribuídos a mim e sair para visitá-los até conhecer cada um deles de cor. Durante o dia, eu atendia telefonemas de clientes e de locadores ou locatários potenciais e me encontrava com eles para ver imóveis, isso até às 17h, quando eu passava na imobiliária para deixar fichas, chaves, carro da empresa e ir embora para casa. Era um sistema que me permitia seguir meu temperamento de preferir lidar com uma ou duas pessoas de cada vez, e isso me agradava.

A quase totalidade dos encontros com clientes se fazia de maneira rápida porque os imóveis não eram grandes, e profissional porque tratava-se de salas comerciais em prédios do centro da cidade. Geralmente, eu abria a porta e deixava que o cliente potencial visitasse à vontade e me chamasse caso necessário. Aos poucos, entretanto, fui percebendo mudanças sutis no comportamento de certas pessoas, mudanças essas que ocorriam assim que elas se viam sozinhas comigo dentro de algum imóvel vazio. Fossem homens ou mulheres, pretos ou brancos, novos ou velhos, eu tinha a impressão de que eles não estavam ali exatamente para visitar o imóvel. Durante algum tempo, isso não passou de impressão, mas certo dia tive a comprovação dessa intuição.

Coincidentemente, ela dizia-se advogada, mas pareceu-me ser "de porta de cadeia", caso estivesse dizendo a verdade. De vestido branco justíssimo, encarapitada no alto de ruidosas sandálias de madeira e agarrada à sua Louis Vuitton falsa, a Dra. Márcia "apareceu" na imobiliária declarando querer ver salas no edifício Avenida Central, na Av. Rio Branco. Esse prédio tem lojas a partir de seis metros quadrados sem janelas até trezentos metros quadrados com janelas panorâmicas e vista para o Pão de Açúcar, mas ela não sabia o que queria e não queria especificar um montante a ser destinado ao aluguel. Tentei dissuadi-la, mas em vão, ela insistia em que seu novo escritório teria que ser no edifício Avenida Central. Portanto, lá fomos nós, numa ensolarada manhã de segunda-feira.

Chegando ao prédio, comecei pelas salas pequenas, muitas delas alugadas por advogados, julgando que ela fosse imediatamente interessar-se. Tínhamos algumas a visitar, mas ela preferiu saltar estas e passar à categoria acima que, no meu entender, já ultrapassaria as suas possibilidades. Tomamos o elevador e fomos até a porção central do prédio. Assim que ela viu a primeira sala, de cerca de trinta metros quadrados, torceu o nariz e quis ver maiores. Embora certo de que os aluguéis já não estariam ao seu alcance, continuei cortês e subimos mais um pouco.
– Ah! Agora sim! disse ela, sorrindo com todos os dentes e pondo as mãos nas ancas, assim que abri a porta que dava para um grupo de salas interligadas perfazendo cerca de cem metros quadrados, com restos do que deveria ter sido uma moderna decoração de escritório de engenharia ou arquitetura.
– Seu escritório tem quantos sócios, doutora? perguntei, curioso.
– Ah, sou só eu mesma! É que eu gosto de espaço.

Ela deixou a bolsa no chão ao lado da porta e foi entrando. A intensa luz proveniente da última sala delineava o contorno do seu corpo no vestido branco justíssimo e sem marca de sutiã ou calcinha. A Dra. Márcia me pareceu uma cafetina procurando lugar onde instalar uma casa de massagem. Ela circulou por cada uma das três salas e chegando à última, me chamou. Quando entrei, ela estava em frente a uma janela fechada, olhando para a Av. Rio Branco, sessenta metros abaixo.
– Vem cá, Maurício! Vem ver como é alto!
– É, eu sei, doutora. Estou sempre mostrando salas aqui.
– Mas vem ver, homem!

Assim que me aproximei, ela se pôs na minha frente e fingiu querer mostrar-me algo de muito interessante num prédio do lado oposto, na Av. Rio Branco.
– Está vendo aquela janela com uma mesa colada?
– Ahã, respondi, desinteressado.
– É o meu escritório.

Ela olhou para trás por cima do ombro sorrindo e roçando seu corpo no meu. Fiz que ia me afastar, mas ela se virou.
– Ah, vamos ficar mais um pouquinho! Vai lá fechar a porta, vai.

Embora eu já tivesse ouvido falar nas derivas da profissão de corretor de imóveis, eu não estava acreditando: era a minha primeira cantada explícita! A Dra. Márcia tinha cerca de trinta e cinco anos e eu acabara de fazer vinte e três, mas era uma morena de corpo muito bem feito e estava literalmente se jogando em cima de mim. Numa fração de segundos decidi aceitar e chamei-a até a sala mais interna, sem janelas. Quando fechei a porta e me voltei, vi a Dra. Márcia de vestido arregaçado até a cintura, exibindo uma calcinha minúscula, estampada de pele de onça.
– Vem logo, anda, disse ela, indo em direção a uma mesa.

Aproximei-me e comecei a abrir o cinto. Impaciente, ela puxou a minha mão e em um segundo vi minha calça descer até os calcanhares e a cueca parar no meio das coxas. Assim que o meu membro se liberou, ela agachou-se para empunhá-lo e chupá-lo sem nem mesmo dar a linguada higiênica inicial. Ela estava louca por sexo.
– Hum, que pau gostoso! disse ela, entre duas chupadas molhadas e ruidosas, enquanto ele crescia e endurecia em sua boca.

Eu estava num misto de tesão e aflição. Meu telefone poderia tocar a qulquer momento, e poderia ser o patrão, que certamente era mais do que calejado em matéria de aventuras entre clientes e corretores. Mas a Dra. Márcia parou de chupar e sentou-se na mesa de pernas escancaradas, exibindo a calcinha fio-dental que tapava sumariamente monte de Vênus.
– Vem foder, Maurício! Me dá pau! choramingou ela, estendendo um braço e oferecendo-se.
– Camisinha! lembrei, correndo até minha bolsa.
– Não precisa, gato! disse ela, impaciente.
– Precisa sim, respondi, já dando-lhe as costas.

Passei-lhe o envelope e foi com habilidade de puta que ela desenrolou-me a camisinha membro abaixo. Em seguida, ela puxou a calcinha para o lado e em instantes eu a castigava com múltiplas estocadas firmes.
– Ai que gostoso! Assim! Fode! Ahn! Ahn!

Era puro sexo selvagem e animal, o que estávamos fazendo. Ela mal me tocava, ocupada em apoiar-se na mesa para manter as pernas elevadas, mas estava tão excitada que não tardou a ter um orgasmo explosivo que ela temperou soltando uma enxurrada de palavrões.
– Puta que pariu, que tesão de pica, menino! Não para, meu lindo! Fode essa buceta que eu quero gozar é muito! Isso! Assim! Caralho, você manda bem demais! Que pau gostoso! Me dá todo, anda! Fode! Fode! Assim! Ahn! Ahn!

Acabei gozando em meio à avalanche de impropérios, mas a essa altura meu pau já deslizava solto e sem atrito algum na buceta encharcada da Dra. Márcia, que nem se incomodou com o meu prazer.
– Joga a camisinha em qualquer lugar e vamos embora, anda! Fez ela, apressada, repondo a calcinha, ajustando o fio entre as nádegas, o tapa-sexo sobre o carnudo monte de Vênus e baixando o vestido.
– Ficou com pressa de repente?
– Estou "até aqui" de coisas para fazer hoje! Toma, isso é para você, disse ela, tirando dinheiro da bolsa e estendendo-o na minha direção entre dois dedos sem nem mesmo me olhar.
– Não quero, respondi, empurrando-lhe a mão.
– Você fez "programa", tem que receber, gato! Não aceito recusa.

Eram cem reais e, de fato, o proveito fora todo dela. Pus o dinheiro no bolso e saímos. Não só essa incrível Dra. Márcia jamais alugou uma sala comercial com a nossa agência como nunca mais tivemos notícias dela. No que me diz respeito, aquele dia foi o marco inaugural de uma série de pequenas aventuras que pontuaram minha breve carreira de corretor de imóveis.

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