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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

A Odisséia de Aninha (folhetim, episódio XXXV)

35. Uma Semana Para Pensar

Tendo em mente a proposta feita por Kleber, Aninha se dá uma semana para tomar uma decisão, o que lhe deixará uma semana livre para preparar a entrevista com Max, caso opte por ir em frente. Ela explora Copacabana, Ipanema e Leblon, vai à praia em horários variados, passeia no calçadão, abre uma conta em outro banco para onde transfere suas economias, faz compras, mantém contato com a mãe e a irmã mais nova, e, através das redes sociais, com seus ex-clientes mais gentis. A solidão não a incomoda tanto quanto ela supunha quando pensava na eventualidade de estar só. O telefone, o computador e a televisão são bons companheiros, sem contar as dezenas de janelas por onde ela acompanha a vida dos vizinhos da Av. N. S. de Copacabana. Depois das nove da noite, ela passa cerca de uma hora explorando essa vizinhança tão diferente daquela que ela conheceu no subúrbio e, nos últimos tempos, em Cabo Frio. É precisamente enquanto ela está absorta em sua viagem noturna pela vida alheia que ela recebe uma chamada inesperada, quinta-feira à noite.
– Ai não! Ele não! exclama ela, em voz alta, olhando o mostrador do telefone.

Ela resolve não atender e escuta o recado.

"Oi Ana, é o Gabriel. Mudou de Cabo Frio, hein! Fiquei sabendo. A Steph está puta da vida porque você acabou com a loja. A gente chegou da França na segunda. Eu já estava de saco cheio. Ah, eu trouxe uma coisa para você. Bom, não adianta ficar falando sozinho… me liga. Estou no Rio até segunda. Fui."

A entonação e o estilo do rapaz lhe pareceram um pouquinho menos bruscos. O convívio com a francesa serviu para alguma coisa, conjetura Aninha, ainda com o telefone na mão, mas decidida a não ligar de volta para não reatar esse contato que lhe joga na cara as suas origens. Ela liga a televisão, mas os programas são tão ruins em todas as emissoras que ela logo desiste e abre o laptop. Mal a máquina começa a captar o wi-fi, o Skype acusa a presença de vários dos contatos que ela tem refeito.
– Mário, Jorge, Renildo, Edmar, Célio… Os tarados de carteirinha estão todos no Skype a essa hora da noite, e com a família toda em casa! murmura ela, impressionada e sorteando um deles para clicar no botão de convite a uma vídeochamada.
– Aninha?! Que surpresa boa, gata! Que bom te ver!
– Oi Edmar. Tá fazendo o quê no Skype a essa hora, meu filho? Matou a família e enterrou no quintal, é?
– Hahaha! Para com isso, menina! A mulher está para a casa da sogra, em Magé, com as crianças. Você está no Rio? Vem para cá!
– Esqueceu que eu não tenho carro?
– Não, esqueci que você não mora mais aqui, nesse fim de mundo. Virou bacana!
– Que nada! Estou dando um tempo, mas começo a trabalhar logo, logo. Mas e você, estava fazendo o quê aí?
– Adivinha, gata!
– Nem preciso. Só na caça, né?
– O que é gostoso é para se dividir, não é mesmo, linda? gaba-se ele com voz de conquistador barato, baixando a câmera.
– Ele está bonitinho! exclama Aninha, reconhecendo o sexo do ex-cliente grosseirão mas sempre simpático.
– Não pago mais por sexo, Ana. Depois que descobri isso aqui, mulher é o que não falta.
– Ah é? Quer dizer que se eu ficar na pior, nem posso te procurar? brinca ela.
– Não, com você é diferente. Sempre vou quebrar o teu galho, haha!
– Ah, agora quem quebra o galho é você? Entendi!
– Pois é, gata, aprendi a valorizar o "material", né, retruca ele, acariciando o membro ereto voltado para a câmera.
– Sei!
– Mas vamos brincar, menina, propõe ele, exibindo-se sem o menor pudor. "Ele" está com saudades desse corpo gostoso!
– Ah, não estou muito a fim disso não, Edmar. Depois fico toda acesa e não tem ninguém para apagar meu fogo.
– Se eu pudesse, pegava o carro e ia aí, mas é tarde e amanhã eu trabalho cedo.
– Eu sei, gato. Vou te deixar aí com as gostosas. Beijo.
– Outro, minha linda.

"Não pago mais por sexo, Ana!" faz ela, imitando voz de homem e já fechando a tampa do laptop, entediada. A verdade é que ela está se sentindo carente, mas não de sexo com clientes nem da servilidade do Gabriel. Ela está sentindo falta do namorado, Rômulo, que ela deixou para trás como se a coisa mais fácil do mundo fosse romper uma relação que estava dando certo. A imagem do rapaz alto e louro, de feições bonitas e sorriso meigo invade a sua mente preenchendo-a toda. Ela torna a pegar o telefone.
– Ana?! ele responde, surpreso e feliz, imediatamente após o primeiro toque.
– Sou eu.
– Pensei que você nunca mais fosse ligar. Você está bem?
– Estou sim. Estou num apartamento do Kleber, no Rio, em Copa.
– Eu não sabia ao certo onde você estava, mas imaginei que fosse o Rio. Eu…
– O que foi?
– Eu penso em você todo dia, Ana.
– Eu fiz muita besteira, fui burra, estraguei tudo. Foi uma pena.
– Tudo bem, Ana. Não vamos mais pensar nisso.
– A butique fechou mesmo?
– Está toda montada, mas de portas fechadas.
– O Gabriel ligou. A Steph voltou.
– Eu sei. Eu não ia dizer nada, mas ela ligou para mim pedindo explicações. Eu disse a ela que me ia me demitir de qualquer maneira por causa da faculdade.
– Quer me ver?
– Você diz…
– Agora.
– Ah! Quero, quero. Me dá só um tempinho.

Minutos depois, Rômulo aparece na tela de Aninha, pelo Skype.
– Oi, faz ele, acenando a mão com jeito inocente.
– Oi. Você está lindo.
– Você também. Estou sentindo falta. De tudo.
– Eu também. Você tem saído?
– Como sempre, mas não estou com ninguém.
– Não mente, Rômulo! Nem uma transadinha?
– Não, juro.
– Gracinha, diz ela, comovida.
– O que você tem feito? Já arrumou emprego?
– Estou arrumando. Acho que vou virar secretária de um diretor na empresa do Kleber.
– Uau! Que legal! Subindo de vida!
– É. E você?
– Até que foi bom dar um tempo no trabalho. Estou precisando me dedicar mais à faculdade.
– E quando é que você vem ao Rio?
– Ainda não sei, mas estou para ir. A gente pode se ver?
– Eu adoraria! Você podia ficar aqui em casa.
– Sério? Então por mim está combinado! Estou com saudades. É estranho chegar no quarto, lá no fundo, e não ver mais nada teu.

Na tela do computador, Rômulo vê Aninha afastar-se e abrir a blusa.
– Hmm! Demais! sussurra ele, levantando-se e também se afastando de sua câmera.
– Usando o short da loja, hein!
– É, comprei um monte de coisas de lá.
– A gente tinha um bom desconto! lembra ela, levantando-se também.

Eles fazem um longo strip-tease, depois voltam a sentar-se. Rômulo se masturba vendo Aninha acariciar-se e penetrar-se com os dedos. Ele disse a verdade, não saiu com ninguém desde o dia em que ela deixou Cabo Frio às pressas, portanto seu desejo é grande.
– Que saudade dessa bucetinha linda!
– Ela é que está com saudade desse pau gostoso, responde Ana, acompanhando a lenta masturbação enquanto esfrega o clitóris e geme.
– Vou gozar para você.
– Então goza muito lembrando da gente.

Apontando o membro para cima, ele faz uma última série de movimentos enérgicos e começa a ejacular fartamente no peito e na barriga enquanto Aninha, de costas e bem curvada, exibe-lhe a linda bunda e os lábios vaginais, virada para trás para olhá-lo durante esse orgasmo magistral.
– Uh! Que tesão, Ana!
– Se melou todo! Deixa um pouco para eu ver. Não limpa ainda não.
– Está legal, assente ele, olhando para as pequenas poças que logo se desfazem para seguir as leis da gravidade.
– Se eu estivesse aí, te lambia todo e deixava "ele" limpinho.
– Eu sei. Eu adorava quando você fazia isso. E sabe do que é que eu estou sentindo muita falta também?
– Fala.
– Do teu cuzinho.
– Sério? Por que você não falou logo?

Aninha volta a dar as costas para a câmera e separa bem as nádegas fazendo pulsar o orifício no centro do sulco.
– Caramba! Assim você me faz querer bater outra!
– Aproveita! exclama ela rindo, mas já voltando a sentar-se.
– E você, já saiu com alguém aí?
– Só com o Kleber. A gente foi ao restaurante e dançar.
– E depois…
– É, rolou, mas com o Kleber é só para aliviar mesmo. Ele transa bem, mas acho que ele curte mais homem que mulher.
– É, você me disse que ele é bi. Bom, que mais? faz o rapaz, procurando assunto.
– A gente já está falando há um tempão, Rômulo.
– É, vamos desligar, então. A gente se fala amanhã?
– Só se você ligar para mim. Ainda não tenho salário, esqueceu? diz ela, sorridente.
– Haha! Eu ligo, pode deixar. Tchau, encerra ele, formando um beijo com a boca.
– Tchau, diz ela, fazendo o mesmo.

Em Cabo Frio, Rômulo vai para o banho todo animado e torna a masturbar-se sonhando com o reencontro próximo. No Rio, Aninha permanece por alguns minutos sentada diante do computador, pensativa, olhando para os seus contatos conectados do Skype. Ela está tão habituada a esse tipo de vida que é a sua desde a primeira adolescência que a idéia de mudar completamente de rumo e trocar a legging superjusta pelo tailleur a apavora. Ela chega a pensar que teria sido mais fácil fazer carreira na agência Happy Hour, mesmo depois de tudo que aconteceu. "Sua burra! Nem pensa naquele filho da puta!" exclama ela, dando um tapa na testa para apagar a imagem do Ernesto e levantando-se ofegante para ir procurar por um pouco de brisa na janela. São onze da noite passadas. As cenas familiares se multiplicam nas centenas de furos da imensa parede de prédios que compõe a nova paisagem de Aninha. Isso a distrai até levá-la ao sono. Ela tem uma semana para se decidir, mas cada noite a leva inexoravelmente à faceta da sua personalidade com a qual ela mais se identifica: a puta. Ela tem uma semana para acolher de uma vez por todas ou repelir corajosamente esse aspecto tão forte que a tem definido há tanto tempo.

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