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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Sonho Espanhol (folhetim, ep. VIII)

8. Visitinha Perigosa

Mais uma vez, várias semanas se passaram sem que eu tivesse notícias de Isabel. É bem verdade que eu estava ocupado com meu novo bed & breakfast e que isso me permitiu concentrar-me ao máximo nas pequenas reformas e adaptações a supervisionar, mas teria sido um prazer vê-la, ainda que por alguns instantes por dia. Foi num entardecer escaldante que a vi da janela chegar de bicicleta quando eu agradecia e me despedia do mestre de obras pelo trabalho impecável.
- Ficou bonito! exclamou ela, parando a bicicleta na calçada oposta.
- Gostou? respondi, feliz como um cachorro que reencontra o dono que volta de viagem.

Enquanto Isabel atravessava a rua, saboreei a imagem do seu corpo deliciosamente mal contido na exiguidade habitual dos seus trajes de ciclista: short curto, top resumido aos seios, sandália resumida à sola, nada mais.
- Eu adoraria ver tudo. Pena que estou sem tranca para a bicicleta.
- Não seja por isso; eu trago a bicicleta para dentro! respondi, descendo os poucos degraus que levavam à calçada.
- Quanto cavalheirismo! fez ela, atravessando a rua e passando-me o guidon.

Deixei a bicicleta no hall de entrada e comecei a mostrar o andar térreo. Isabel elogiou meu gosto para as cores e madeiras na ampla sala de estar e no refeitório, e para o padrão dos revestimentos frios da cozinha e banheiro. Em seguida, convidei-a a subir ao primeiro andar. Fiquei indeciso quando a ir na frente ou deixá-la passar, mas ela pareceu indiferente ao fato de que seu short poderia deixar-me ver mais do que algumas jovens gostariam de exibir a um homem vinte anos mais velho. Subi logo abaixo dela, sentindo-me agraciado pelo shortinho curto, que oferecia a visão plena das dobrinhas sensuais que a cada degrau se formavam no encontro das coxas com as nádegas salientes. Isabel subiu sem apressar-se e sem olhar para trás, como se confiasse em mim. Chegando ao primeiro andar, a surpresa.
- Ainda não tem nada! exclamou ela, do meio do corredor, de onde se viam dois dos quatro quartos.
- Pois é para isso que eu conto com você.
- Ah é? retrucou ela, com um sorriso de fazer derreter uma barra de aço, as mãos na cintura chamando o meu olhar para a barriga plana e forte.
- Quero que você me ajude a mobiliar os quartos. A Ikea daqui é bem diversificada?
- Nunca fui lá, mas dizem que é excelente.
- Ótimo! Que tal amanhã de manhã?
- Depois de amanhã, pode ser? Amanhã tenho triatlon.
- Feito!
- E assim vou ter o que contar!
- Você sabe que assunto não é o que nos falta, Isabel, retruquei, dando-lhe uma piscadela.
- Hum, que galante! fez ela, com humor.

Eu mal podia acreditar que estivesse sozinho numa casa vazia com uma jovem espanhola absolutamente deslumbrante. Lembrei-me dos tempos em que, no Rio, eu ia visitar apartamentos unicamente com o objetivo de obter uma boa sessão de sexo com as corretoras. Tudo era tão fácil! Mas Isabel, do alto dos seus vinte anos, mantinha-me "no meu lugar" com uma naturalidade pueril. Ela parecia não se dar conta da intensidade da carga erótica que o seu corpo transmitia a alguém como eu. Se dependesse unicamente de mim e se eu não a respeitasse, minha mão teria ido aninhar-se entre suas coxas já na escada, pensei com meus botões. Mas àquela altura, depois de alguns passeios na mais santa inocência, era-me impossível saber se havia um mínimo de reciprocidade nas sensações de Isabel no que dizia respeito à faceta erótica da nossa relação. Sendo assim, continuei a mostrar-lhe a casa.

Ela gostou do sótão, que ocupava toda a área da que eu já mobiliara parcialmente. Havia uma sala e um quarto amplos, um pequeno escritório ainda vazio, uma kitchenette equipada e um banheiro. O que mais seduziu minha visitante foi o janelão do quarto com vista direta para a imensa catedral gótica da cidade. Ao entrar, ela foi diretamente debruçar-se, oferecendo-me novamente a visão mais perturbadora do seu lindo corpo. Tive que conter-me para não ir abraçá-la por trás e sentir em meu sexo desperto a firmeza daquelas nádegas que só não faziam estourar a costura devido à qualidade da roupa. Isabel olhou para trás e chamou-me para juntar-me a ela e desfrutar daquele outro panorama irretocável. Ficamos lado a lado e senti um ligeiro arrepio quando seu braço, sem cerimônia, colou-se ao meu.
- Você encontrou um lugar fantástico! exclamou ela. E o interior vai ficar lindo, sei disso!
- Com a sua ajuda! Vamos comprar camas, tapetes, móveis e algumas reproduções bem modernas para decorar as paredes.
- Espero ter gosto para isso!
- Não tenho a menor dúvida de que você só pode ter bom gosto, Isabel, retruquei cravando os olhos nos dela e descendo até os lábios para vê-la falar.
- Vou ter liberdade de escolha? disse ela, terminando com um sorriso maroto.
- Quase irrestrita! consenti, tentando ver seus seios, mas frustrando-me ao constatar que o top os premia estreitamente.
- Cuidado comigo, hein! Eu sei gastar!
- Toda mulher sabe! fiz eu, tocando-lhe a ponta do nariz com um dedo e, na falta de qualquer receptividade específica, saindo da janela para dar fim aos meus tormentos.

Isabel espreguiçou-se languidamente na calçada, sem qualquer zelo para comigo ou os demais transeuntes do meu sexo, alguns dos quais voltavam-se para olhar incrédulos para a cena da jovem de pouca roupa bocejando e confessando-se cansada depois de um dia tão quente. Não pude deixar de pensar que ela bem poderia ter manifestado o desejo de passar a noite comigo no meu hotel ainda não inaugurado, mas obviamente, isso não aconteceu. Com dois beijinhos carinhosos, ela despediu-se de mim, pegou a bicicleta e saiu pedalando com o lindo traseirinho todo empinado para trás.



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