8. Visitinha Perigosa
Mais uma vez, várias semanas se passaram sem que eu tivesse notícias de
Isabel. É bem verdade que eu estava ocupado com meu novo bed &
breakfast e que isso me permitiu concentrar-me ao máximo nas pequenas
reformas e adaptações a supervisionar, mas teria sido um prazer vê-la, ainda
que por alguns instantes por dia. Foi num entardecer escaldante que a vi da
janela chegar de bicicleta quando eu agradecia e me despedia do mestre de obras
pelo trabalho impecável.
— Ficou bonito! exclamou ela, parando a bicicleta na calçada oposta.
— Gostou? respondi, feliz como um cachorro que reencontra o dono em
volta de viagem.
Enquanto Isabel atravessava a rua, saboreei a imagem do seu corpo
deliciosamente mal contido na exiguidade habitual dos seus trajes de ciclista:
short curto, top resumido aos seios, sandália resumida à sola, nada mais.
— Eu adoraria ver tudo. Pena que estou sem tranca para a bicicleta.
— Não seja por isso; eu trago a bicicleta para dentro! respondi,
descendo os poucos degraus que levavam à calçada.
— Quanto cavalheirismo! fez ela, atravessando a rua e passando-me o
guidon.
Deixei a bicicleta no hall
de entrada e comecei a mostrar o andar térreo. Isabel elogiou meu gosto para as
cores e madeiras na ampla sala de estar e no refeitório, e para o padrão dos
revestimentos frios da cozinha e banheiro. Em seguida, convidei-a a
subir ao primeiro andar. Fiquei indeciso quando a ir na frente ou deixá-la passar,
mas ela pareceu indiferente ao fato de que seu short poderia deixar-me ver mais
do que algumas jovens gostariam de exibir a um homem vinte anos mais velho. Subi
logo abaixo dela, sentindo-me agraciado pelo shortinho curto, que oferecia a visão
plena das dobrinhas sensuais que a cada degrau se formavam no encontro das
coxas com as nádegas salientes. Isabel subiu sem apressar-se e sem olhar para
trás, como se confiasse em mim. Chegando ao primeiro andar, a surpresa.
— Ainda não tem nada! exclamou ela, do meio do corredor, de onde se viam
dois dos quatro quartos.
— Pois é para isso que eu conto com você.
— Ah é? retrucou ela, com um sorriso de fazer derreter uma barra de aço,
as mãos na cintura chamando o meu olhar para a barriga plana e forte.
— Quero que você me ajude a mobiliar os quartos. As lojas de móveis daqui são bem
diversificadas?
— Nunca precisei entrar numa, mas dizem que são excelentes.
— Ótimo! Que tal amanhã de manhã?
— Depois de amanhã, pode ser? Amanhã tenho triatlon.
— Feito!
— E assim vou ter o que contar!
— Você sabe que assunto não é o que nos falta, Isabel, retruquei,
dando-lhe uma piscadela.
— Hum, que galante! fez ela, com humor.
Eu mal podia acreditar que estivesse sozinho numa casa vazia com uma
jovem espanhola absolutamente deslumbrante. Lembrei-me dos tempos em que, no
Rio, eu ia visitar apartamentos unicamente com o objetivo de obter uma boa
sessão de sexo com as corretoras. Tudo era tão fácil! Mas Isabel, do alto dos
seus vinte anos, mantinha-me "no meu lugar" com uma naturalidade
pueril. Ela parecia não se dar conta da intensidade da carga erótica que o seu
corpo transmitia a alguém como eu. Se dependesse unicamente de mim e se eu não
a respeitasse, minha mão teria ido aninhar-se entre suas coxas já na escada,
pensei com meus botões. Mas àquela altura, depois de alguns passeios na mais
santa inocência, era-me impossível saber se havia um mínimo de reciprocidade
nas sensações de Isabel no que dizia respeito à faceta erótica da nossa
relação. Sendo assim, continuei a mostrar-lhe a casa.
Ela gostou do sótão, que ocupava toda a área da que eu já mobiliara
parcialmente. Havia uma sala e um quarto amplos, um pequeno escritório ainda
vazio, uma kitchenette equipada e um banheiro. O que mais seduziu minha
visitante foi o janelão do quarto com vista direta para a imensa catedral
gótica da cidade. Ao entrar, ela foi diretamente debruçar-se, oferecendo-me
novamente a visão mais perturbadora do seu lindo corpo. Tive que conter-me para
não ir abraçá-la por trás e sentir em meu sexo desperto a firmeza daquelas nádegas
que só não faziam estourar a costura devido à qualidade da roupa. Isabel olhou
para trás e chamou-me para juntar-me a ela e desfrutar daquele outro panorama
irretocável. Ficamos lado a lado e senti um ligeiro arrepio quando seu braço,
sem cerimônia, colou-se ao meu.
— Você encontrou um lugar fantástico! exclamou ela. E o interior vai
ficar lindo, sei disso!
— Com a sua ajuda! Vamos comprar camas, tapetes, móveis e algumas
reproduções bem modernas para decorar as paredes.
— Espero ter gosto para isso!
— Não tenho a menor dúvida de que você só pode ter bom gosto, Isabel,
retruquei cravando os olhos nos dela e descendo até os lábios para vê-la falar.
— Vou ter liberdade de escolha? disse ela, terminando com um sorriso
maroto.
— Quase irrestrita! consenti, tentando ver seus seios, mas frustrando-me
ao constatar que o top os premia estreitamente.
— Cuidado comigo, hein! Eu sei gastar!
— Toda mulher sabe! fiz eu, tocando-lhe a ponta do nariz com um dedo e,
na falta de qualquer receptividade específica, saindo da janela para dar fim
aos meus tormentos.
Isabel espreguiçou-se languidamente na calçada, sem qualquer zelo para
comigo ou os demais transeuntes do meu sexo, alguns dos quais voltavam-se para
olhar incrédulos para a cena da jovem de pouca roupa bocejando e confessando-se
cansada depois de um dia tão quente. Não pude deixar de pensar que ela bem
poderia ter manifestado o desejo de passar a noite comigo no meu hotel ainda
não inaugurado, mas obviamente, isso não aconteceu. Com dois beijinhos
carinhosos, ela despediu-se de mim, pegou a bicicleta e saiu pedalando com o
lindo traseirinho todo empinado para trás.

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