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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

Um Natal de Amigos

Nada pior do que tédio em tarde de Natal. Naquele ano, há muitos e muitos anos, meu colega de escola e amigo Frederico estava passando as festas de fim de ano conosco porque os pais haviam viajado para visitar um parente muito doente em outra cidade e não queriam que ele vivesse um clima pesado e triste em época de alegria. No sítio da minha família, no interior do Estado do Rio, o tempo estava lindo e o céu impecável, mas o calor sufocante e o tédio começavam a abater-nos porque a maioria das pessoas estavam de ressaca ou simplesmente exaustas em virtude dos excessos da véspera. Quando Frederico começou a procurar gibis para ler, vi que era hora de encontrar uma idéia. Tomar banho no lago me pareceu uma boa e fui propô-la. Entusiasmado, ele já ia disparando em direção ao meu quarto para trocar de roupa quando eu o detive dizendo que era desnecessário porque o lago era enorme e eu conhecia um lugar deserto. De saída, ele se mostrou um pouco reticente, mas logo concordou e lá fomos nós para o lago do condomínio, no fundo do vale.

Assim que chegamos ao meu lugar secreto, que eu chamava de "prainha" e cujo acesso exigia que se percorresse uma boa distância por dentro do mato sem trilha, fui logo tirando a roupa disposto a entrar nu no lago, mas notei que Frederico não tirava a cueca e decidi fazer como ele para não deixá-lo sem graça. Ele parecia estar mais à vontade assim, e como anfitrião, preferi respeitá-lo. A única consequência seria ter que voltar para casa sem roupa de baixo. Nos divertimos a valer apostando corrida, nadando por baixo d'água, procurando coisas interessantes no fundo e trepando em galhos para mergulhar.

Água de lago é sempre fria, portanto paramos diversas vezes para aquecer um pouco o corpo ao sol. Numa delas, Frederico ficou à beira d'água jogando "patinho" com seixos chatos e eu me sentei um pouco afastado, atrás dele. Observei-o distraidamente jogar durante algum tempo e, de repente, sem a menor premeditação, notei que sua bunda era muito bem feita; curta, mas rechonchuda na medida certa, ela transparecia lisa e muito branca na boxer cinza que revelava integralmente a sua forma. Pude olhar à vontade enquanto ele atirava pedras no lago sem perceber que era observado, e isso acabou me excitando. Essa parte do corpo sempre me atraiu mais do que qualquer outra, e descobrir que a do Frederico me excitava foi uma surpresa que, de saída, eu não soube muito bem como administrar. Olhei o quanto pude, mas sabendo que eu não podia exagerar, acabamos voltando para água e retomamos as brincadeiras bruscas de meninos em fim de adolescência. Na escola ou com os amigos, ele nunca demonstrara qualquer simpatia pelos joguinhos eróticos do tipo passar a mão ou dar encostões na fila. Tive medo que esse tipo de abordagem pudesse deixá-lo extremamente constrangido e estragar sua estada em nossa casa, onde ainda ficaríamos por vários dias. Se eu quisesse algum contato, eu teria que ser extremamente cauteloso.

Quando decidimos voltar para casa, Frederico tirou a cueca ao meu lado, mas com muita discrição. Ele a torceu, usou como toalha e vestiu a bermuda sem ela em segundos enquanto eu fazia tudo para que ele me visse nu o maior tempo possível, tentando perceber alguma reação, por menor que fosse. Me lembro de tê-lo surpreendido dando uma espiada no meu sexo, mas tão breve que não se justificava levá-la em conta. Quanto a mim, os trinta segundos foram mais do que suficiente para avaliar o dele e me sentir bem à vontade porque nossas medidas e aspectos eram tão compatíveis quanto nossas estaturas e fisionomias. Voltamos para casa conversando e pude sentir que o lago fora capaz de diluir completamente o tédio do meu amigo. A fome voltara e iríamos diretamente à cozinha com o intuito de nos empanturrar de panetone com sorvete e nozes!

Minha irmã de vinte e seis anos atendeu a porta e nos achou corados e bonitos como personagens de Mark Twain ou William Golding, passando a mão em nossos cabelos embaraçados e úmidos, andando abraçada conosco e perguntando como tinha sido o banho de lago. Tive uma sensação esquisita quando pus a mão no bolso e encontrei nele a minha cueca embolada e molhada enquanto meu sexo nu roçava solto na bermuda. Isso me lembrou que o Frederico também estava sem cueca por baixo e não pude deixar de me perguntar se ele estaria excitado. Minha irmã era bonita e sempre se sentiu muito à vontade com meus amigos, tratando-os como os crianções que éramos, mas sem medo de tocar nem de elogiar, de dizer quando os achava bonitos, altos ou fortes. Ela tinha um carinho especial pelo Frederico, que ela achava lindo e lhe dizia isso com toda franqueza, olhando-o nos olhos e tocando a ponta do nariz dele com o dedo indicador. A moda de chamar os meninos de "gatinho" ainda era privativa das classes média e alta, e ela usava e abusava desse adjetivo gentil quando um menino a agradava. Ela gostava de deixar o Frederico encabulado, enchendo-o de beijinhos no rosto e passando a mão pela franja dele, ou forçando-o a andar de mãos dadas com ela. Obviamente, ele adorava isso, mas sua cor passava do branco ao escarlate em questão de segundos. Por tudo isso perguntei-me se naquela situação, sem nada por baixo da bermuda, o meu amigo não estaria passando por uma tremenda ereção. Fomos juntos para a cozinha e minha irmã fez questão de preparar nosso panetone com sorvete e nozes, que levamos para o quarto para comer jogando videogames.

Talvez tenha sido devido ao frescor da noite no campo que Frederico se deu conta de que a sua cueca molhada ainda estava no bolso por volta das sete da noite. Foi isso que nos fez interromper a longa sessão de videogames. E acho que, mais uma vez, se não fosse eu, ele teria pego uma cueca limpa na mochila e levado para o banheiro para se vestir lá. Assim que a mobilização dele me certificou de que a minha hipótese era a boa, não consegui morder a língua. Vou romancear um pouco, mas o diálogo foi mais ou menos nesses termos.
– Você tem vergonha de ficar nu na frente de outro cara? perguntei como quem não quer nada.
– Eu? Euh... não. Por quê? respondeu ele, visivelmente apanhado.
– Sei lá, mas hoje, no lago, e agora, você indo botar uma cueca no banheiro quando a tua roupa está aqui no quarto...
– Não... é que eu ia aproveitar para ir ao banheiro, só isso.
– Para cima de mim, Fred! Conta outra, vai. Você está com vergonha de ficar nu na minha frente, confessa. Lá no lago, eu não tirei a cueca porque você não tirou, mas agora, não dá para entender. Isso sem falar que desde anteontem você se esconde para se vestir!
– Nada a ver, cara...
– Posso te dizer uma coisa? interrompi.
– Fala.
– Eu te vi hoje, no lago; você não tem motivo nenhum para querer esconder o corpo.
– Para você, não querer se exibir é se esconder?
– Não, mas você não é natural. Se você me pegar mudando de roupa, não estou nem aí, mas você se esconde para se vestir e tomar banho.
– Isso é hábito. Lá em casa é assim.
– E se eu te disser que é legal poder ficar à vontade perto de um amigo até para trocar de roupa ou tomar banho?
– Sei lá, eu...
– Tenta!
– Agora?
– Agora ou depois, tanto faz, mas seria legal você tentar.
– Cara, eu prometo que vou pensar nisso tudo, mas não vou fazer nada agora, tudo bem?
– Claro! Você faz quando estiver a fim. Eu sou teu amigo, não estou aqui para te pressionar.

Ele sorriu e saiu do meu quarto com a cueca seca em direção ao banheiro. Seu rosto passara do branco ao rubro uma dezena de vezes e ele estava francamente abalado. Pude imaginá-lo sentado no vaso com a cabeça enterrada entre as mãos, sentindo-se encurralado e perguntando-se: "O que é que eu faço?" Eu me sentira excitado por ele no lago, mas nada que me tivesse metido uma idéia fixa na cabeça; eu tinha outros amigos de corpo espetacular que gostavam de ser olhados, tocados e até mais que isso. Portanto, se o Frederico quisesse distância em relação a homens, não fazia diferença para mim, mas ele tinha um problema, e atração à parte, eu queria ajudar a resolver esse problema.

Ao voltar do banheiro, sua expressão transmitia uma extrema vulnerabilidade, como a do cachorro que quer brincar mas se aproxima com o rabo entre as pernas e andando com receio. Eu havia tocado num ponto sensível da personalidade do meu amigo: um inexplicável pudor excessivo. Talvez nem ele soubesse o quanto isso revelava e o quanto isso estava prejudicando a sua vida social e o seu desenvolvimento afetivo e sexual. Dono de um corpo deslumbrante, ele se forçava a escondê-lo como se fosse uma deformidade. Com muito, muito menos, outros meninos eram exibicionistas! Quem estava fazendo isso com o meu amigo? É óbvio que eu não podia me intrometer frontalmente na educação que ele recebia em casa, mas eu podia ao menos tentar desinibi-lo quando estivesse comigo. Como eu disse antes, o Frederico nunca me dera mostras de se interessar por meninos e eu não queria nem podia forçá-lo a optar por uma sexualidade que não fosse a dele, mas eu podia mostrar que estar naturalmente nu diante de um amigo pode ser agradável e até prazeroso porque o fato de saber que alguém se sente bem em companhia do nosso corpo nu contribui para a autoestima e para a autoconfiança.

Repare o leitor que este meu discurso "elaborado" é mais recente e resulta de muita matutagem sobre a sexualidade humana. Na época, beirando os dezoito, eu pouco refleti; só percebi que havia um problema e tive a convicção de que estava em meu poder ajudar.

A noite do dia 25 não foi longa para nós; estávamos cansados depois da tarde passada no lago. Fizemos o "enterro-dos-ossos" com a minha família e outros convidados, seguido da entrega de presentes, que passara a acontecer à noite depois que deixamos de ser crianças. Conversamos um pouco, mas recusamos a partida de War, jogo que a minha família sempre venerou e ainda pratica religiosamente. Subimos para o quarto por volta de meia-noite e meia. Me lembro de ter acendido a luz da mesinha entre as duas camas e tornado a sair para ir escovar os dentes. Quando voltei,  Frederico já estava de short de pijama, pronto para ir por sua vez ao banheiro. Ele conseguira uma vez mais trocar de roupa na minha ausência.

Eu dormia de cueca e camiseta, mas para dar o exemplo, resolvi ficar só de cueca e só me cobri com o lençol da cintura para baixo. Minutos depois, Frederico voltou do banheiro. Seu short de malha diretamente sobre a pele mais fazia sobressair do que cobria seu corpo. Quando ele se curvou para puxar o lençol e abrir a cama, pude ver mais uma vez a bunda linda que eu vira antes, agora dividida em dois pela costura do short apertado que a invadia profundamente. Uma ereção não tardou a se formar, sólida e pulsante, entre as minhas pernas. Enfiei a mão na cueca e fiquei brincando ostensivamente dentro dela por baixo do lençol. Obviamente, Frederico não disse nada, então resolvi provocar.
– Eu fico de pau duro à toa, cara; até andando! lancei, levantando o lençol para me olhar.
– ...
– Você não?
– Às vezes, respondeu ele, olhando para o teto.
– Quer saber por que eu fiquei, agora?
– Hm? fez ele, fingindo desinteresse.
– Te vendo com esse short.
– Que é isso, cara! reagiu ele, rindo de nervoso.
– É sério! Justo desse jeito, a tua bunda fica um tesão.
– Cara, posso te perguntar uma coisa? disse ele, se voltando para o meu lado.
– Hãhã, pergunta o que quiser.
– Você gosta de homem, não é?
– Não é bem gostar; eu tenho tesão por bunda e se for gostosa pode ser de homem ou de mulher.
– Ah, isso também já aconteceu comigo.
– Sério? Com quem?
– Vizinho, colega, primo...
– Você viu a bunda deles e o teu pau subiu?
– É.
– Chegou a ter vontade de fazer alguma coisa?
– Ah, sei lá.
– Se eu te falar uma coisa, você não conta para ninguém?
– Fala.
– Eu já brinquei de sarrar.
– Como assim "sarrar"?
– Sarrar é se esfregar no outro.
– Você só fez ou deixou fazer em você também?
– Cara, deixei.
– Eu conheço?
– Sabe o Adriano, aquele carinha que fez o primeiro semestre e saiu da escola?
– Adriano "Pimpão"?
– Ele mesmo.
– Pô! Se eu falei três vezes com ele, foi muito. Mas ele parecia gente fina.
– Ele saiu da escola dele, passou por umas três ou quatro escolas diferentes e voltou para a antiga para se formar lá nesse ano.
– Estranho! O que é que ele aprontou?
– Sei lá, mas teve a ver com sexo.
– Você comeu ele?
– Não, mas não foi por falta de vontade! Se você visse a bunda que ele tinha!
– Não sei como é que vocês conseguem essas coisas, sério mesmo. Ainda não fiz nada, cara, nadinha de sexo.
– Só punheta?
– Só. E você? Fala tudo aí.
– Bom, ainda não comi mulher, mas já fiquei com menina que curtia pegar no pau, chupar...
– Caraca! Quem chupou?
– Não vale rir: a Beth.
– A magrinha ou a outra?
– A outra, haha! Melhor do que nada, né?
– Pô cara, estava a perigo mesmo, hein! Mor barangona!
– Ela chupa bem, engole e pede mais, cara! Foi na casa do Tadeu e ela pagou boquete para três. Só pediu para a gente lavar o pau!
– Haha! Não sabia que ela era assim não. Mas cara, se você arruma mulher, por que é que você faz com homem também?
– Puro tesão por bunda.
– Você pede, na careta?
– Mais ou menos, depende. Com o meu primo Edu eu nem preciso pedir.
– O Edu que está aqui?
– É, o meu primo mimado que acabou de ganhar aquela montanha de jogos! A bundinha dele é um tesão.
– Caramba! Como é que vocês fazem?
– Faz tempo, já. Quando rolava banho juntos, era de lei.
– Mas você chegou a meter nele?
– Euh... Não, só rola encoxada e punheta.
– E você deixa ele fazer também?
– Cara, é dando que se recebe, entendeu?
– Haha! Daí vocês ficam se pegando no quarto e no banheiro?
– Quantas vezes aqui mesmo! Nesse ano, a gente não se viu tanto, mas até o ano passado, era só ficar sozinho com ele que o tesão ia a mil.
– Não me vejo fazendo isso, sério mesmo!
– Não se vê ou nem sente vontade?
– Sentir tesão, eu sinto, mas eu não sei chegar. Acho que o que vai acontecer é que um dia eu vou arrumar uma namorada que vai topar transar e pronto, mas até agora só beijei.
– Você toca muita punheta, Fred?
– Todo dia, cara! Às vezes mais de uma.
– E você pensa em quê, enquanto está tocando?
– Se for no meu quarto, eu vejo revista de mulher e se for no banho, eu imagino que estou trepando com uma.
– E até conseguir comer uma, você não acha que é mais fácil aliviar a pressão com algum amigo ou vizinho?
– Para mim não é fácil. E eu detesto essas brincadeiras de passar a mão e "sarrar", como você diz, daí não rola.
– Não rola por quê: você corta?
– É, vou logo dizendo que não estou a fim, daí os caras param. Mas eu sei que rola putaria entre os caras que curtem.
– Daqui a um mês você faz dezoito e só tocou punheta.
– E o que é que tem? Tanta gente é como eu!
– Sei lá, acho pena um cara como você perder tanto tempo esperando a "primeira vez" cair do céu.
– E o que é que eu tenho de diferente?
– Nada, mas você tem o corpo legal, devia se soltar mais.
– ...
– Agora há pouco você falou que já sentiu tesão vendo amigo, primo... Fala um pouco mais sobre isso, Fred.
– É a mesma coisa que você: tesão de ver bunda. Geralmente é no vestiário da piscina do clube.
– Chegou a ficar de pau duro?
– Cheguei, cara, e é horrível!
– É foda, eu sei! Fico louco para sarrar. Mas e aí, o que você faz?
– Chego em casa e bato uma lembrando.
– Haha! Você faz natação, né?
– Todo dia de manhã.
– Vê muita bunda gostosa?
– Nem tanto, mas uns dois ou três caras tem bunda boa, lisinha, perfeita, que nem de mulher. Depois da aula, eles ficam peladões um tempão no vestiário, enrolando para se vestir.
– De repente eles também tem tesão na tua bunda e você nem está sabendo, Fred.
– Problema deles!
– Devem tocar punheta lembrando dela, que nem você faz! Os caras com tesão em você e você neles, mas não rola nada. E só porque ninguem fala nada.
– E o que é que você queria que eu dissesse: "Cara, estou com o maior tesão na tua bunda!"?
– Não, eu sei que não é assim. Só estou dizendo que nessas horas todo mundo quer a mesma coisa e não rola nada.
– Claro, porque ninguém é gay! A gente chega em casa, bate uma lembrando da bunda gostosa, imagina que está metendo, goza e acabou.
– Quase sempre é por aí mesmo. Mas me fala, e com primo, não deu para ir mais longe?
– Eu tenho tesão na bunda de um primo, mas não tenho coragem de dizer.
– Mas ele fica pelado na tua frente?
– Fica e já vi milhões de vezes ele trocando de roupa porque eles moram longe da praia e vão direto lá em casa no fim de semana.
– Você está vacilando, Fred! De repente ele quer te dar, mas tem vergonha de falar.
– Então ele vai ter que tomar coragem! Eu fico com tesão porque ele tem bunda gostosa, mas ele nem sabe que eu presto atenção.
– Você é que pensa! Tem vontade de sarrar?
– Demais, cara. Se ele me desse, eu comia.
– Bom, já que você confessou isso, vou te confessar uma coisa também: eu comi o Edu.
– Caraca! Você falou que só encoxava.
– Eu sei... Mas não vai sair contando, hein!
– Relaxa, pô! Você podia ter convidado ele para ir no lago com a gente, hoje.

Frederico estava começando a se soltar e dizer o que sentia. A mão dele tinha ido sutilmente parar dentro do short de pijama, e eu percebi sem fazer comentários. Ele estava excitado com a conversa e fui descobrindo que tínhamos muito em comum, com a diferença de que eu punha as coisas em prática e ele não. A dificuldade era fazer com que ele reconhecesse o grau do desejo que era o seu. Ele se comportava como quem fosse quase indiferente a essa excitação pelos colegas e primos, muito mais acessíveis que as meninas, na época e com a nossa imaturidade. Se ele fosse capaz de reconhecer o quanto esse tesão era forte, ele seria obrigado a partir para a prática, não por ser "homo", "bi" ou o que quer que fosse, mas como eu, pela mera necessidade imperativa de aliviar a pressão hormonal gerada por essas irrupções da libido. O papo começava a tomar um rumo mais honesto.
– É verdade, eu podia ter convidado o Edu, mas nem lembrei dele. A gente não tem tanta afinidade assim e eu não estava pensando "naquilo" quando tive a idéia de ir nadar no lago. A gente pode voltar lá amanhã com ele.
– De repente ele dá para nós dois! lançou o Frederico, empolgado.
– Ah, agora sim, estou gostando de ver! exclamei. Está vendo como você gosta desse papo?
– Eu gosto, cara, mas até hoje, só falei dessas coisas com você e um pouco com o meu irmão, mas é raro ele estar a fim de falar sério, aí eu perco a paciência. Mas diz aí, você acha que o Edu daria para a gente se você pedisse?
– Sei lá, cara, de repente, mas esses lances acontecem por acaso, sem ninguém tramar nada. Se rolar clima, tudo pode acontecer.
– Eu sei. Um vizinho lá do meu prédio contou que um dia desses, ele foi na casa do Sérgio, um outro vizinho e quando chegou tinha uma galera. De repente, um dos caras falou que estava a fim de tocar uma punheta e todo mundo bateu junto. Ninguém imaginou que fosse rolar um lance assim, mas rolou porque pintou clima.
– Pois é, tem que deixar acontecer. Se a gente chamar o Edu amanhã, pode rolar um tesão, mas pode ser que não tenha nada a ver com o que a gente quer. Pode ser que ele só fique a fim de nadar pelado. Mas e você? Teria coragem de ficar pelado junto com a gente, se rolasse?
– Sei lá. É difícil para mim, mas de repente...
– Isso ia te ajudar a te soltar mais um pouco. Se um lance te dá tesão, você tem que ir atrás, não pode ficar diminuindo as coisas e achando que o que você sente não é importante.
– É, eu faço um pouco isso.
– Um pouco?
– Está legal, faço muito. Quando eu bato uma no banho, eu sinto um tesão monstro pela fantasia que eu tenho na cabeça, mas assim que eu gozo, paro de pensar porque me parece impossível realizar, entendeu? Com as meninas então, nem se fala! Eu sonho direto que estou trepando, mas não consigo chegar nelas e falar disso.
– Só que nem sempre é impossível, cara! Você tem que arriscar para saber quem está a fim ou não. Sempre que eu fico com uma menina pergunto se ela já transou. Não é porque eu vou dispensar se a resposta for não, mas é para saber de saída até onde eu posso ir com ela. E a mesma coisa é com os caras. Eu brinco, faço umas piadinhas, dou umas zoadas para descobrir se rolaria algo mais na hora do tesão.
– Acho que você é bi, Fernando.
– Sei lá, cara. Não gosto de dar nome, não. De repente sou, mas não quero ser obrigado a fazer tudo que bi faz só porque me dão esse nome.
– Fala a verdade: você já deu a bunda?
– Já fiz troca-troca.
– Com o Edu?
– Também.
– Gosta?
– Não dá para dizer assim. Algumas vezes foram boas, outras não.
– Quando é ruim é porque dói?
– Porque dói, porque arde, porque está seco, porque parece mais fechado que de outras vezes, porque eu não estava tão afim assim, porque não tinha nada a ver fazer com aquele cara... Tem um monte de motivos possíveis.
– E meter, é sempre bom?
– Meter é diferente porque rola mais tesão e a gente goza. Eu adoro bunda, então o meu tesão vai a mil só de ver o meu pau colado nela ou entrando e saíndo do cuzinho.
– Você já trepou com muitos caras?
– Trepar mesmo, não. O Edu foi o primeiro e com ele rola até hoje, e fiz com uns vizinhos e dois caras lá do colégio.
– O Adriano, aposto.
– O Adriano...
– Eu sabia. E quem mais?
– O Alexandre, da B-3.
– Aquele emo cheio de piercings?
– Ele mesmo.
– Ele parece gay.
– Parece não: é.
– Te deu que nem uma mulherzinha então.
– Ele gosta de pau. Chupou e tudo. E tem uma bundinha!
– Caraca, que tesão cara! Estou louco para meter!

Foi preciso uma hora de conversa para que o Frederico admitisse a sua premência. "Estou louco para meter!" Essa frase era lapidar. Agora, seria preciso levá-lo a lutar pela realização desse desejo, a partir para a ação. Por um lado, me desmotivava que ele se mostrasse tão viril, mas eu queria muito que ele atravessasse o ano novo com outra cabeça e, quem sabe, com uma primeira experiência! Eu via duas possibilidades: negociar um troca-troca ou tentar com o Edu no dia 26. O banho sem roupa no lago não me parecia coisa impossível de obter, mas daí a algo mais, eu tinha minhas dúvidas porque embora o Frederico e ele tivessem se entendido bem, a relação entre eles não ia muito além de um papo na hora das refeições e da parceria em algum jogo. O Edu não saíra do armário e jamais se disporia a expor-se a um dos meus melhores amigos. As coisas que ele fazia comigo, muitos homens sempre fizeram e não o comprometiam em absoluto. Analisando essas possiblidades, prossegui na longa conversa terapêutica com o meu amigo.
– Relaxa, Fred. Só de admitir que você sente o tesão e quer começar a trepar, é um tremendo progresso.
– Será que eu preciso mais do que isso para provar? disse ele, puxando o elástico do short.
– Não. Está provado! retruquei, mostrando o meu no mesmo estado e caindo na gargalhada.

Era notável a descontração que a conversa provocara em Frederico. Ele não só me mostrara a sua ereção como passara a olhar orgulhosamente para o seu sexo.
– É isso aí, Fred! A gente tem uma coisa muito forte entre as pernas e é ótimo poder dividir com os amigos o que sente e pensa sobre ela. Ser tímido com isso só faz mal.
– É, eu sei, mas quando eu estou com outras pessoas, tudo é bem diferente. Nem todo mundo é como você; ninguém me deixa à vontade assim. Eu fico nervoso no vestiário, na hora de tirar a roupa para fazer judô, de tirar a sunga depois da natação...
– O importante é começar a se soltar para aprender, até se acostumar. Você tem que pensar que se os caras te olham, só pode ser porque estão a fim de olhar. O teu corpo não tem nada de menos que o deles, pelo contrário!
– Mas eles falam muito de bunda, e isso inibe.
– Inibe por quê? Porque a tua é bonita? A minha também é, e se os caras gostam, para mim é elogio.
– Aí é que está: para mim, não é.
– Pois devia. Você queria ter uma bundinha escrota, magra, peluda ou toda caída?
– Claro que não, mas eu preferia achar que homem não olha para ela.
– Mas você olha a bunda deles!
– Isso é verdade. Acho que o que eu preciso é mudar a minha maneira de pensar.
– É por aí, Fred! Se um cara tiver tesão na tua bunda, o máximo que pode acontecer é ele te dar uma cantada, e se você não estiver a fim de dar para ele, vai responder "não" e pronto. Ninguém vai te forçar a dar a bunda!
– O lance é aprender a dizer não sem ofender nem brigar, não é isso? Porque a vontade que dá é de partir para a briga.
– O lance é tomar essas coisas como agrado, elogio, Fred. Na verdade, você deveria recusar agradecendo. Não é porque um cara tem tesão na tua bunda que ele está te chamando de viado. Ele só está dizendo que a tua bunda é tão bonita que provocou tesão nele.
– Haha! Vendo por aí, você está certo!
– Você já olhou a tua bunda no espelho, Fred?
– Sei lá, trocando de roupa, rapidinho, acho que já, mas eu olho mais para o meu pau.
– Nunca prestou atenção nela?
– Acho que não.

Nesse momento, eu me levantei e fui até o guarda-roupa, abri a porta de interior espelhado e chamei o Frederico.
– Vem cá, baixa esse short e olha.
– Agora?
– Agora. Levanta.
– Pô, cara...
– Agora, Fred!

Ele se levantou remanchando, mas concordou em por-se de costas para o espelho, baixar o short de malha do pijama e empinar a bunda branca e lisa em direção a ele, girando o corpo para olhá-la.
– É, ela é bem feitinha, disse ele, semi-indiferente.
– Só isso? Ela é perfeita, cara! Não tem homem nem mulher que não ache uma bunda assim um tesão!
– Tanto assim? fez ele, contorcendo-se para ver melhor.
– E mais ainda! exclamei, contemplando maravilhado as duas meias-luas rechonchudas agora desnudas que saltavam do fim das costas e terminavam em dois vincos curvos formados com as coxas igualmente lisas.
– Não vejo diferença em relação à tua, Nando.
– Não? retruquei, já baixando a cueca e me exibindo no espelho, lado a lado com ele.
– A minha é mais saltada, só isso, mas deve ser porque você está curvando menos a espinha.
– Não, cara, é porque a tua é perfeita e a minha é normal. Não tenho nada contra a minha, mas é uma bunda normal de homem.
– Pois eu gosto.

E subitamente, Frederico me surpreendeu pela segunda vez. Todo animado, ele me abraçou pela cintura e eu fiz o mesmo. Ficamos os dois colados pelos flancos, olhando para nossas costas refletidas no espelho. Eu já estava excitado e aquilo multiplicou meu estado por mil. Frederico, ao contrário, estava atento ao que via, em atitude de análise e simplesmente feliz; seu membro pendia ainda inchado porque estivera muito duro na cama, mas não havia ereção. Esse contato num momento de descontração total me encorajou a dar outro passo adiante. Deixando minha mão ser levada pelo peso, pousei-a sobre o lado da bunda do meu amigo e fiz pressão com os dedos. Ele viu, sentiu, e talvez para não ficar em desvantagem, imitou-me, abrindo um sorriso franco e bem-humorado. Era óbvio que ele estava passando da atmosfera de erotismo para outra, a da intimidade entre amigos, e estava se divertindo com o que para ele não passava agora de uma brincadeira. Espantosamente, ele se mostrava excelente aluno e estava se comportando com mais naturalidade que eu, que me sentia agora quase sufocado pela excitação. Eu precisava pensar rápido porque tudo cansa e ele não ficaria naquela posição eternamente. A idéia me veio quase imediatamente.
– Agora olha para cá, disse eu, levando-o a se virar para frente.
– Caramba! Por que você está assim? perguntou ele, ao ver meu membro em plena ereção pulsando e dançando a centímetros da minha barriga.
– Para te provar que a tua bunda dá tesão e que isso é natural, respondi dando-lhe um tapa na bunda para que ele se soltasse de mim e fosse explorar sozinho no espelho essa parte do corpo à qual ele nunca dera tanta atenção.
– O tesão que você sente é vontade de meter?
– É, de sarrar, meter e gozar.
– Se eu fosse viado, então, você já teria me "traçado"?
– O que você acha? retruquei, rindo e subindo a cueca enquanto ele dava uma última olhada para o seu corpo, agora de frente, antes de subir o short.
– Será que o Edu toparia dar para a gente no lago?
– Sei lá, mas com o tesão que eu estou, vou precisar bater uma antes de pensar nisso, respondi, olhando desolado para a minha indefectível ereção.
– Você vai tocar punheta no banheiro?
– Geralmente eu boto uma camisinha e bato aqui.
– Por mim, tudo bem, respondeu ele, com entonação madura.

Pensei durante alguns segundos, venci o pouco de constrangimento em favor da educação do meu amigo e fui pegar meu tesouro, uma caixa repleta de camisinhas dos mais variados sabores, lubrificantes e texturas.
– Você escolhe, ofereci.
– Põe essa, fez ele, estendendo-me um envelope dourado.
– Lubrificada e com gosto de cereja. Sabe colocar?
– Claro, né!
– Vamos colocar um no outro?

Frederico hesitou por uns instantes, mas logo aquiesceu. Me livrei da cueca, sentei na cama encostado na parede, pressionei a extremidade da camisinha e deixei o desenrolar por sua conta, o que ele fez muito bem. Em dois tempos, meu pau estava de capa vermelha e brilhante.
– Não quer colocar uma para bater comigo?
– Tudo bem. Posso escolher?
– Claro! Pega a que quiser.
– Hm... Esta aqui, fez ele, me estendendo um envelope mais sofisticado que o da minha.
– Quer que eu coloque? propus.
– Mm-hm, assentiu ele. Assim fica empate.

Era uma camisinha importada, presente do meu pai, extremamente fina e também lubrificada que se adaptou bem ao pau do Frederico deixando-o quase ao natural. Ele deu um risinho nervoso, mas admitiu que lhe dava tesão estar de camisinha. Começamos então a nos masturbar lentamente, sentados lado a lado. De vez em quando eu me permitia invadir sua privacidade, tomando o pau dele e masturbando-o algumas vezes, pelo prazer, é claro, mas igualmente para dar continuidade ao trabalho de desinibi-lo, reconhecendo que ele avançara léguas nessas últimas horas. Ele não se ofereceu, mas não me importei.
– Você já gozou fingindo que está trepando? perguntei, me lembrando de uma das minhas técnicas masturbatórias preferidas.
– Eu não. Como é isso?
– Você deita de bruços e finge que está por cima de uma mulher, metendo. Quer tentar?
– Quero! fez ele, animando-se.

Expliquei-lhe então a técnica que consiste em posicionar o membro apontado para o umbigo e deitar-se sobre ele, fazendo os movimentos da cópula. Ele me permitiu pousar a mão no final de suas costas para ajudar a ritmar os movimentos e sua bundinha passou subir e descer sob o meu comando, diante dos meus olhos, deliciando-me como nunca. Em determinado momento, talvez em agradecimento, ele procurou meu pau para masturbar-me um pouco. Estávamos em total harmonia nessa troca íntima que é tão comum entre as mulheres e tão rara entre homens. Bons minutos se passaram até que Frederico anunciasse o seu orgasmo. Com as pernas entreabertas, o saco saltitando entre elas, ele começou a ter espasmos que o forçaram a esfregar-se intensamente à cama enquanto seus glúteos tensionados transformavam sua linda bunda em dois montes estreitos de lados cavados. Sem fazer um gesto evidente, aproximei minha mão deles, deixando-a resvalar o início do sulco. Após alguns gemidos curtos, Frederico soltou ruidosamente o ar e disse "Estou gozando" com voz extática, apertando os olhos e mordendo os lábios como se de fato estivesse em plena ação. Ele ainda estava ofegante quando se virou para me mostrar o resultado, e de fato, havia uma bela quantidade de esperma na camisinha.
– Viu só? Foi como uma transa. Só faltou a mulher! brinquei.
– Haha! Caraca! Gozei demais! É melhor tirar num papel para não sujar a cama.
– Calma, não tira ainda. Não quer me ver gozar?
– Ah claro!

Eu ficara sentado ao lado dele, que permanecera deitado. Com a mão direita, recomecei a me masturbar tranquilamente. A certa altura, sem me pedir nada, ele tomou-me o membro e me senti muito excitado ao vê-lo concentrado na tarefa. Lamentei não estarmos avançados ao ponto de podermos transar porque a minha vontade foi de pô-lo de quatro na cama, penetrá-lo e enchê-lo do esperma que estava para ser desperdiçado. Mas isso ainda era impossível, então limitei-me a fazer-lhe pedidos mais inocentes a cada vez que eu reassumia a masturbação.
– Segura o meu saco enquanto eu bato mais um pouco.
– Assim?
– Isso. É gostoso... Hm...
– Eu acho o teu pau grande.
– Não é muito maior que o teu.
– Mas é maior.
– Tem uma régua em cima da mesa. Pode medir.
– Eu já sei que o meu mede dezesseis e meio.
– Tá, mas você nunca mediu o diâmetro.
– É, isso não, porque pau não é círculo, é achatado, então eu sempre acho que não vale.
– Mas todo mundo mede assim. Pega lá a régua.
– Pronto.
– Mede o meu que já está duro. Cola a régua na base e vê onde a ponta da cabeça encosta na régua.
– Isso eu sei, né! Deixa eu ver... Quase dezessete, por um tantinho.
– Isso. Eu digo dezessete quando perguntam. Agora o diâmetro. É só atravessar a régua no meio do pau.
– Tá, professor! Quatro e pouquinhos centímetros.
– É, eu digo quatro, mas às vezes ele fica tão inchado que chega a quatro e meio.
– É grosso!
– Agora vamos medir o teu. Endurece ele aí.
– Pronto.
– Comprimento... quinze... e oito. Você pode dizer dezesseis, e ainda vai crescer até a gente ter vinte e um anos, por aí.
– Agora o diâmetro, pede ele, impaciente.
– Diâmetro... três e... oito também. Quase quatro. É grosso em comparação com o comprimento.
– Eu logo vi que era menor que o teu.
– E daí, Fred? Não vai sofrer com isso, agora, vai?
– Não, não, tudo bem.
– Você tem a bunda mais gostosa que o pau, pronto! Não se pode ter tudo! brinquei.
– Viado! retrucou ele, me empurrando.
– Brochei com tanta medida, disse eu, olhando meu sexo arqueado. Quer fazer uma coisa que eu adoro e que eu sempre faço com o Edu?
– Faço.

Entrando na cama ajoelhado, expliquei que eu adorava ser masturbado por trás, como se fosse uma ordenha. Frederico adorou a idéia e pôs mãos à obra.
– Que sacão, hein! E eu estou vendo o teu cuzinho no fundo do rego! brincou ele.
– E eu estou vendo que você já está todo solto! Continua, anda.
– Você vai gozar muito?
– Acho que vou gozar um litro!
– Haha! Quero ver!

Em dois ou três minutos, espasmos fortes me levaram a gemer e dar golpes de pélvis como se estivesse penetrando alguém. Atingi o orgasmo e ejaculei fartamente, ouvindo as exclamações de admiração do meu amigo. Decidimos retirar as camisinhas no quarto para comparar o conteúdo e quando medimos, tive que me curvar à evidência: Frederico gozara muito mais.
– Está vendo só? Quem não transa gasta tudo na punheta! argumentei.
– Você está é com inveja porque eu enchi a camisinha!

Ficamos olhando por alguns momentos para o nível aparente no látex translúcido, até que uma idéia louca me invadiu a mente, uma idéia que já me ocorrera algumas vezes, mas que eu jamais tivera a ousadia de propor a alguém: misturar os espermas... e beber. Mas eu ainda não sabia muito bem como propor isso ao Frederico. Consegui facilmente convencê-lo a passar o conteúdo da minha camisinha para a sua, mais transparente, e apertá-la com os dedos para misturar, mas não tive coragem de propor a divisão do esperma entre nós. Então, assumindo totalmente o meu desejo, apertei a camisinha para dividir meio a meio os cerca de cinco centímetros de líquido e entornei essa metade diretamente na boca, deixando-o escorrer pela língua, apertando-o contra o céu da boca para sentir o sabor e engolindo em seguida.

Frederico estava estático, mudo e boquiaberto, e assim ficou por vários segundos, até que...
– Eca! Por que você fez isso, cara?
– Bebi um pouco do nosso nosso gozo, só isso!
– Isso eu vi, mas para quê?
– Sei lá, para mostrar como eu sou teu amigo. Quer beber a segunda metade?
– Nunca! Isso tem gosto de cinza de cigarro misturada com clara de ovo!
– Eu já acostumei; sempre bebo o meu, respondi, olhando o restante do conteúdo através da camisinha. Vai encarar?
– Pô, cara, estou sem coragem.
– Abre a boca, tapa o nariz e deixa descer.
– Você despeja?
– Tudo bem.
– Então está legal.

Era fantástico; estávamos nos divertindo nus e Frederico parecia ter esquecido completamente de como ele era até algumas horas antes! Bastava-lhe confiar em alguém para começar a aproveitar a vida de menino bonito com que a natureza o presenteara. Ele se acomodou na beira da cama, abriu a boca, pinçou o nariz com os dedos, apertou os olhos como para evitar alguma aparição monstruosa e me fez sinal com a cabeça. O líquido esbranquiçado escorreu pela camisinha diretamente sobre a língua, rumo à garganta. Frederico o bloqueou, mas dei-lhe um safanão para que o deixasse passar, até ouvir um "glup!" que me pareceu convincente.
– Pronto, estamos grávidos um do outro! brinquei.
– Eca! Eca! Eca! Fez ele, provando receoso o sabor do esperma misturado ao látex com o nariz agora desobstruído.
– Gostou?
– E como! ironizou ele, em meio a caretas.
– Você vai acostumar com o teu. É só fazer sempre. E tem proteína, então faz bem à saúde! Você já leu sobre isso?
– Eu não, e francamente, não sei se quero me acostumar!
– Mas foi legal como pacto de amizade, não foi? E a gente não precisou ir ao banheiro!
– Isso é verdade, haha! Não, sério, o lance do pacto foi legal. Tem gente que faz pacto de sangue; a gente fez pacto de gozo.
– Bem pouca gente deve fazer isso. Foi criativo, concluí, orgulhoso. E agora, vamos para cama. São duas da manhã e a gente vai precisar de descanso para pensar num jeito de levar o Edu até o lago.
– É mesmo. Será que ele vai topar?
– Esquece isso agora e vamos escovar os dentes.

Deitei-me por cima do lençol, completamente nu. Quando olhei para a outra cama e vi que o Frederico havia feito a mesma coisa, e não só isso, mas que ele estava de bruços e parecia inteiramente à vontade com a bundinha apontada para o teto, exultei. Ele se mostrara receptivo às minhas dicas, que lhe permitiriam relacionar-se facilmente com homens e mulheres. Ele viria a ter uma personalidade tão forte quanto a minha, viria a ser tão inqualificável quanto eu, a sentir-se tão feliz quanto eu me sentia. Dormi profundamente, sonhando com aquele dia de Natal. Restavam-nos alguns dias para estar juntos e aprofundar essa amizade. Eu não tinha dúvida de que o Frederico viria a desejar por si mesmo estar comigo ainda mais intimamente. Bastava-me permitir que ele descobrisse por completo o ser inteligente e livre de preconceitos que, em essência, ele era.

O dia 26 foi exatamente como esperávamos. Acalorados em mais um dia de céu azul e sol de verão, não foi difícil convencer o Edu a ir conosco nadar no lago e estabelecer rapidamente uma relação de amizade e confiança com o Frederico. Uma vez nus, ele não pôde ocultar seu entusiasmo, e o desejo de satisfazer-nos seguiu-se naturalmente. Meu amigo e hóspede teve assim sua tão sonhada primeira experiência integral. Tive o privilégio de assistir ao seu bom desempenho e de constatar o quanto de prazer ele arrancou do meu primo que, bem firmado nas mãos e joelhos, contorcia-se e gemia na prainha deserta do lago enquanto ele o penetrava com todo o desejo acumulado desde o fim da puberdade. Prometemos ao Edu jamais revelar seu segredo e ele tem levado a sua vida dupla com certa tranquilidade até hoje, homem feito e pai de três filhas lindas.

Frederico e eu continuamos em contato durante anos, até sua transferência para Durban, há cerca de cinco anos. Ele optou por uma vida sem amarras afetivas, mas sei que teve várias relações com pessoas de ambos os sexos, todas bem aproveitadas e bem resolvidas. Ele sempre me disse que jamais "perdia" as pessoas com quem se relacionara, e creio nisso porque também é o que se dá comigo; mantenho contato com todas. Sempre evocamos nosso pacto, mas forçosamente no dia 25 de dezembro, quando celebramos o aniversário do nascimento - natal - de sua extraordinária personalidade graças a uma terapia puramente intuitiva, mas comprovadamente eficaz, a da espontaneidade.




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