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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

Ano Novo Nerd

No dia 31 de dezembro, o único estado de espírito que ocupa o professor é a falta de sua sala na faculdade de filosofia da PUC. É lá que ele se sente existir e é lá que a sua solidão se dilui no burburinho do dia-a-dia acadêmico. É lá também que ele tem as suas fantasias, habitualmente com pessoas que lhe são diametralmente opostas em tudo. Quanto à realidade das suas relações afetivas e sexuais, sempre foram de nerd para nerd e aparentemente jamais deixariam de ser. Mas neste 31 de dezembro...

– Marcela?! diz o professor, espantadíssimo, abrindo a porta do pequeno apartamento da rua Santa Clara.
– Oi, mestre, responde a lourinha recatada, de grandes olhos azuis por trás da lente espessa dos óculos antiquados.
– Aconteceu alguma coisa?
– Desculpe incomodar, Cícero, mas aconteceu, sim: estou sozinha e com medo de me deprimir, declara ela, os olhos já invadidos pelas lágrimas.
– Não diga isso, Marcela! Entre, entre. Você vai passar o réveillon comigo. Vamos conversar, comer bem e ir ver os fogos na praia, que tal? Eu também estou sozinho, então vamos fazer companhia um ao outro.

Enxugando as lágrimas por baixo das lentes, a jovem sardenta de cabelo em rabo-de-cavalo e econômica de gestos devido à timidez excessiva avança na sala abarrotada de livros. Seu corpo de jovem de vinte anos transparece na velha jeans e na camiseta que revela as axilas, que ela vestiu de qualquer maneira, minutos antes, na república em que ela mora com mais quatro estudantes, a algumas quadras da casa do seu professor. Isso perturba Cícero, dividido entre prestar-lhe auxílio e olhar para ela, o que o excita.
– E suas colegas da república, Marcela?
– Foram todas passar o réveillon na casa da família.
– E isso não é a situação ideal, para você? A casa toda sua para ler e estudar no canto que você quiser?
– É sim, sempre foi, mas não sei o que me deu hoje.

Ela diz isso apertando as mãos, aflita, o que projeta levemente os seios, fazendo-os balançar sutilmente. Cícero imagina-os rosados, de mamilos generosos, ávidos de uma boca ardente.
– Vamos sentar um pouco, Marcela, convida ele, indicando o sofá e sentando-se ao lado dela.
– Obrigada.
– Você quer beber alguma coisa: uma Coca, um suco de laranja...?
– Você divide uma Coca comigo? Não aguento uma inteira.
– Claro, claro. Vou buscar.

Cícero se levanta e vai até a cozinha, pega uma latinha do refrigerante, um limão e a forma de gelo no congelador, e vai preparar dois copos. Ele não se apressa, tentando bolar algum meio de distrair essa aluna deprimida. Passar o dia com ela poderia ser custoso. Talvez fosse melhor sair com ela, passear, ir a algum lugar onde ela pudesse ver um pouco de animação. Outra opção, caso seu estado se degradasse, seria levá-la à casa da sua irmã Beatriz, que tem casa grande, filhos, cachorro e onde a bagunça reina dia e noite. Ela o convidou, e ele recusou precisamente por causa disso, mas sendo sua única e querida irmã, poderia facilmente reconsiderar. Senão, havia o Bernardo, seu melhor amigo, mas seria bem mais complicado porque ele estava às voltas com o problema de um assalto recente. Cícero volta para a sala com os copos, mas sem nenhuma solução na cabeça. E então, acontece o inesperado.

Ao chegar à porta da cozinha, ele não vê Marcela. A segunda coisa que lhe vem à cabeça é ir até a janela para tentar vê-la na calçada, já que a primeira foi imaginar que ela desistiu e foi embora. Mas ele não a vê do seu terceiro andar com ampla vista para a rua.
– Marcela! ele chama, interrogativamente.
– Aqui, Cícero, responde uma vozinha desfiada vinda do interior do apartamento.

Ele deposita os copos sobre uns papéis na mesa abarrotada e caminha em direção à porta que dá acesso ao o banheiro e ao único quarto da casa. Ele escolhe o banheiro, mas sua visão perférica revela o movimento no quarto. Quando ele se volta, avista Marcela deitada em sua cama... completamente nua. Seus olhos são diretamente atraídos pelo monte de Vênus cujos pelinhos claros e muito bem aparados contrastam deliciosamente com a textura lisa do corpo.
– Não fala nada e vem, diz ela, estendendo os braços para ele, com uma expressão indefinível no rosto.

Cícero não é de tirar a roupa assim, facilmente, na frente de uma mulher, principalmente quando ele esteve à vontade em casa durante horas, sem se preocupar com a roupa de baixo. Por sorte, ele se lembra que neste 31 de dezembro, entra em vigor o seu ditado prefrerido: ano novo, roupa nova. Ele está usando uma imaculada Calvin Klein branca, presente do seu amigo professor titular de epistemologia na faculdade. Sem tirar os olhos do corpo de Marcela, ele despe prontamente a bermuda cáqui e a polo bordeaux e caminha até a cama. A primeira coisa que ela faz é abocanhar seu sexo já revolto na cueca nova enquanto leva a mão dele até o seio.

Cícero contempla a nudez da aluna. Os seios cônicos e suficientes mantêm-se firmes e apontados para cima, enquanto ele os acaricia com a mão e percorre o seu corpo, peito e barriga abaixo, rumo à pélvis deliciosa e ao pequeno triângulo isósceles que aponta para o que em circunstâncias normais, seria para esse professor um sonho impossível, uma mera fantasia.

Marcela, por sua vez, puxou-lhe a Calvin Klein pelo elástico estriado e observa o membro que a espia, curvado na direção do seu rosto. É uma estrutura clara, longa de uns dezessete centímetros por uns cinco de diâmetro e de glande coberta, obviamente, pois que se trata do pênis de um professor de metafísica. Mas ele lhe parece grande a contento, maior que a média observada nos seus poucos namorados nerds. Ele pende acima do seu rosto e o professor parece não saber que iniciativa tomar. Ela então o empunha porque a primeira etapa é endurecê-lo completamente, o que não tarda a acontecer. O membro pulsa em sua mão e isso causa fisgadas no orifício do prepúcio forçando Cícero a avançar um pouco para convidar Marcela a puxá-lo para trás. Pronto, se a situação parece não ter pé nem cabeça, o mesmo não se dá com o que ela tem na mão.
– É grande, diz ela, voltando os olhos para ele, com ar tímido e parecendo começar a despertar de uma ação impensada.
– É um tamanho bom, Marcela, diz ele, gentil, olhando para a convergência das pernas dela e sentindo-se maltratado pelas pulsações selvagens que vão todas morrer na mão de sua aluna.
– Você... quer que eu chupe? indaga ela, como se fizesse a pergunta mais pertinente de toda a história da filosofia.
– Bem, Marcela, se não for de todo contra os seus princípios, eu gostaria, sim, responde ele, com um sorrisinho tímido, mas indubitavelmente irônico.

Ela ergue a cabeça e abocanha a glande, acolhendo-a toda na boca. Cícero coloca um joelho na cama, permitindo-lhe voltar a recostar a cabeça no travesseiro e oferecer-lhe essa felação com um mínimo de conforto. Ele logo percebe que Marcela domina mais que os fundamentos dessa arte. Puxando-o pela coxa, ela o convida a penetrar profundamente a sua boca, sem dar o menor indício de náusea. Ela acolhe facilmente dois terços do seu membro e, num esforço suplementar, faz desaparecer o último terço, colando seus lábios em sua pélvis. Ao retirá-lo da boca escancarada, Cícero o traz envolto numa membrana de saliva espessa que escorre até seus testículos. Seria uma pena não aproveitar toda essa lubrificação, pensa ele. É melhor interromper as preliminares. Ele poderá presenteá-la depois com uma boa sessão de sexo oral.

Marcela, perspicaz, gira na cama e deita-se transversalmente com as pernas abertas e rebatidas sobre o corpo. A visão da fenda longa entre o par de lábios rechonchudos triplica a excitação do professor que observa de pé, empunhando o membro em riste e gotejante. Marcela passa dois dedos ensalivados entre os pequenos lábios e seu sorriso se transfigurou em malícia e desejo.
– Mete, professor, pede ela, oferecida.

Cícero ajoelha-se na borda da cama, apoia-se nas coxas dela, pincela o entrelábios com a glande encharcada e aprofunda-se, penetrando a carne e provocando um avanço brusco da sua aluna, que solta um gemido e o segura firmemente pelos antebraços, olhando-o nos olhos. O membro que a penetra é grande, e ela sente a expansão inhabitual do seu sexo, como há pouco sentiu a da sua boca. Mas, muito bem lubrificado, Cícero avança, penetrando nela até a base, roçando seus pelos contra os dela. Sua aluna resfolega, invadida pelo corpo decidido do macho maduro, um corpo que já não procura, mas que vai diretamente onde deve ir e chega sem hesitar até onde deve chegar. Completamente penetrada por ele, Marcela olha fixamente Cícero nos olhos, como se dissesse: "Confio em você."

Ele inicia então o longo vaivém inicial, ampliando, alargando, aprofundando, em suma, tornando adulto de uma vez por todas esse corpo ainda verde de sua aluna nerd. A cada penetração, ela franze o cenho e agita a cabeça de um lado para o outro, tomada por sensações que ela não conhecia. Sua porta se abriu para um aríete possante que se transformou num cavalo de Tróia invasor e corpulento, cujos ocupantes estão para ser expelidos numa enxurrada, figura ela, em sua mente nérdica enquanto aguenta corajosamente as primeiras investidas esperando pelo momento em que o corpo adaptável as acolherá com prazer. Cícero é resistente e trabalha com afinco acima dela, sem beijá-la, sem acariciá-la, profundamente concentrado em sua prospecção. De vez em quando ela o empurra gentilmente pelo peito, ele aquiesce por cinco ou seis segundos para que ela respire e reinicia as estocadas ritmadas e sempre profundas, parecendo capaz de prosseguir indefinidamente.

Mas a natureza é sábia. Aos poucos, o que era esforço se torna avidez e Marcela passa a desejar que esse corpo maciço se afunde mais e mais em suas entranhas. Ela geme e pede e chuta e xinga, puxando o professor pela nuca para forçá-lo a penetrá-la também com a língua, autorizando-o a dar o passo que, por respeito, ele não foi capaz de dar. Ela o abraça, sentindo-o ir e vir no seu corpo com seu êmbolo preciso e causar-lhe uma sensação cada vez mais intensa que se propaga até a raiz dos cabelos. Agora ela sente que poderia acolher muito, muito, muito mais, e ela chega a desesejar isso. Ela sonha com mil homens e suas mil vergas pistoneando o seu sexo numa alternância alucinante, depois ocupando simultaneamente todos os orifícios do seu corpo. Graças à resistência, regularidade e precisão do seu professor, ela mergulha num transe orgiástico digno dos mais violentos rituais da Antiguidade. Atingido o clímax, Marcela revira os olhos e seu gemido se prolonga numa espécie de canto contínuo e trêmulo. Excitado ao extremo, Cícero se retira dela e detém com vigor esse animal revolto que lança o fluido da vida pela venta única, em jatos profusos que batizam o corpo ainda tão puro de sua aluna. Ela os acolhe um a um, acompanhando sua trajetória e provando com a língua esse estranho orvalho de indefinível sabor masculino.


Em atitude contemplativa, Cícero ajoelha-se e inclina-se diante da fenda úmida e ainda entreaberta que ele acaba de deixar. Ele sente o aroma e prova o sabor procurando retê-los na memória porque sabe que a lembrança será a única coisa que lhe restará dessa aventura louca com uma aluna jovem e solitária, num último dia do ano.


2 comentários:

  1. Como aluna sei como um professor exerce seu poder e sedução, mesmo que involuntário. Um professor é um troféu que muitas de nós desejamos. Tive minha sorte e Cícero teve a dele... adorei o conto... como você escreve bem heim!! Sensual e tesudo como um texto dessa qualidade deve ser...*-*

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  2. Obrigado pela visita, Sibila. É um prazer ver você por aqui :)

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