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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

Nora ou Vida Barroca

Vou chamá-la Nora por motivos óbvios. A ex-mulher do meu filho transtornou minha vida e transformou minha existência num paraíso na terra, mas o preço foi alto porque pai nenhum deseja a infelicidade de um filho.

Sou pai de quatro filhos e três filhas, homem bem vivido e completamente realizado no ramo da metalurgia de precisão. Viúvo aos trinta e oito, decidi não me casar novamente e passei a sair com mulheres variadas, mais jovens, menos jovens, casadas, solteiras, noivas e até namoradas. Até o dia em que topei com Nora numa circunstância das mais inesperadas.

27 de fevereiro de 2014. Faz exatamente um ano que eu perambulava na areia da praia do Leblon num início de noite quando avistei o casal se amando na areia. Eram muito jovens e tinham dado um jeito de consumar o ato sem despir a roupa de banho, diante dos olhares aturdidos dos poucos passantes. Quando me aproximei, tive uma estranha sensação de familiaridade. Reduzi o passo alguns metros antes de passar por eles e, coincidentemente, a jovem virou a cabeça para o meu lado. Minha surpresa foi inenarrável: era Nora.

Acostumado às mulheres que traem, preparei-me para piscar um olho e passar por eles sem que o rapaz sequer desconfiasse do insólito encontro, mas Nora falou.
– Oi, Sávio!

O rapaz voltou-se tão-logo, aparentemente sem sair de dentro dela, que estava por baixo com ele entre as pernas. E ela voltou a falar.
– É o meu sogro.
– Ah! fez o rapaz, amistoso.

Pude observar que os poucos passantes que haviam parado para observar a cena se dispersaram assim que me aproximei do casal, como se a minha presença tivesse infirmado a tese do ato sexual em público. E muito rapidamente, com um giro hábil do corpo para deitar-se de lado na areia, o rapaz reassumiu uma posição perfeitamente conveniente enquanto Nora puxava a calcinha do biquíni para o lugar como se estivesse apenas livrando-se da areia.
– Muito prazer. Eduardo, fez o rapaz, agora sentado na areia, estendendo-me a mão.
– O prazer é meu, Ed...
– Dado. Pode me chamar de Dado.
– Dado, então, consenti, sentando-me ao lado de Nora. Vocês... se conhecem há muito tempo?
– O Dado trabalha para você, Sávio, respondeu Nora.
– Ah é? respondi, dando vazão à ironia.
– Quanta coincidência, não é mesmo? acrescentou ela, sorrindo com humildade, completamente desarmada.
– É verdade, respondi. E o que vocês vão fazer? Vai pedir divórcio, Nora?
– Eu amo o Cássio, Sávio. Entre o Dado e eu é pura corrente elétrica; a gente não consegue se largar desde o instante em que se viu lá em casa, quando ele trabalhou uns dias à noite com o Cássio. Mas cada um tem a sua vida afetiva. Nos entendemos bem, mas não nos amamos.
– Hum... Sei, fiz, olhando para a quebra-mar e entendendo perfeitamente a situação por tê-la vivido algumas vezes enquanto minha mulher era viva.
– Além disso... o Dado é... Bem, ele é bissexual, então...
– Então ele tem que variar. Não é isso que você quer dizer?
– É, é por aí, confirmou ela, olhando para o rapaz com ar de reprovação jocosa e empurrando-o com o ombro.

Enquanto isso, Dado me encarava perscrutadoramente, o que parecia corroborar o discurso da minha nora. Alto, moreno, de cabelo castanho ondulado e olhos escuros, Dado é de um tipo espanhol que tem tudo para agradar lourinhas de olhos azuis como ela. E o que ele viu nela? Provavelmente o mesmo toque masculino que eu vejo. Apesar do corpo delicioso, Nora tem pouco peito e cabelo curto, o que a torna meio andrógina. E apesar da juventude, é uma mulher forte e decidida, que sabe o que quer. Isso encanta certos tipos de homens, classe na qual me incluo e certamente o seu jovem amante.
– Nasci assim, respondeu ele com um sorriso franco.
– Naturalmente voltado para homens e mulheres?
– Desde a escola.
– E como é que você tomou consciência disso? perguntei, aproveitando para satisfazer meu interesse pelo tema da bissexualidade.
– Bem, desde criança, eu ficava muito impressionado pela beleza de certos meninos, principalmente o rosto.
– Mas a beleza impressiona mesmo, não?
– Sim, mas eu notava que meus amigos não falavam nisso, ainda que eventualmente o reconhecessem; então eu me reprimia e também não falava, mas sentia com muita força algo que eu defino como uma emoção intensa, ao olhar para meninos tão bonitos quanto meninas.
– E essa emoção foi evoluindo.
– Exatamente. Aos poucos, notei que me apaixonava igualmente por meninos e meninas. Não havia a menor diferença no grau de atração que eu sentia.
– Até que um dia... interrompeu Nora, talvez para cortar caminho.
– Até que um dia, um colega me deu um beijo no rosto quando estudávamos na casa dele, e era simplesmente o menino mais bonito da escola.
– Ele ficou que nem o arco-íris, Sávio! gritou Nora, implicante.
– É, de todas as cores. Na segunda vez em que nos encontramos, já rolávamos no chão quando a mãe dele nos deixava quietos no quarto. Acabamos descobrindo o sexo juntos.
– E isso não esmaeceu o interesse por meninas?
– Pelo contrário; eu queria mais e mais, sempre as mais lindas, e conseguia. Dos quinze em diante, eu não parava de conquistar meninas bonitas até mais velhas que eu, ao mesmo tempo que tinha amigos que gostavam de meninos.
– Bissexuais como você?
– Nunca! Estou com vinte e seis anos e só fui conhecer bissexuais depois dos vinte.
– O Dado já fez ménage à trois, Sávio, disse Nora, espevitada.
– Ménage bi? perguntei, dirigindo-me a ele.
– Sim.
– Com mulheres simpatizantes, é claro.
- Sempre achei esse tipo de relação interessante.
– Verdade? perguntou ele, olhando-me bem.
– É sério! Sempre achei os trios fascinantes quando há bissexuais.
– Em que composição? Uma mulher e dois homens ou duas mulheres e um homem?
– Uma mulher e dois homens.
– Hum! E posso saber por que? perguntou Dado com interesse crescente.
– Porque dois homens dão tanto ou mais prazer à mulher quanto outra mulher poderia dar, e ainda podem divertir-se juntos.
– Gostei do "divertir-se"! interrompeu Nora.
– Mas é verdade! Outro dia, eu li uma coisa engraçada; um sujeito dizia que se os homens não devessem divertir-se entre eles, não possuiriam um "joystick" entre as pernas. Achei o argumento concludente.
– Ha! Ha! Demais! exclamou Dado.
– Eu não sabia que você era simpatizante, Sávio, disse Nora maliciosa.
– Ainda bem! Cada um tem seus segredos, respondi, dando-lhe um toque na pontinha do nariz curto e bem feito.
– Você tem alguma coisa para fazer, Sávio? perguntou Dado.
– Hoje à noite? Só voltar para casa, renovar a água do cachorro e ir montar aviãozinho no meu ateliê.

Dado e Nora entreolharam-se, sorriram e ele prosseguiu.
– Então que tal você ir lá para casa conosco? Podemos continuar o papo por lá e comer alguma coisa juntos.
– Excelente idéia! Eu estava começando achar a posição desconfortável.
– Oba! Então vamos, disse Nora, já levantando-se e sacudindo a canga em que sentáramos.

Segui de carro a motocicleta em direção ao Jardim Botânico. Nora vestira um minúsculo short jeans que me permitiu ir deliciando-me com suas formas ao longo do percurso. Desde os tempos de namoro com meu filho, sempre achei sua cintura muito bem esculpida, as coxas na medida exata e a bunda saliente uma graça, o que compensava a pequenez dos seios. Com Dado, ela parecia ter florecido plenamente. Vê-la agarrada a ele na moto, de coxas abertas e a bunda empinada de tal modo que o contato com assento só podia ser dos mais íntimos fazia-me fremir ao volante do meu carro. Boa porção das nádegas ultrapassava de um lado e do outro o short e a única coisa que cobria as costas era a tira do sutiã do biquíni. Eu que já a desejara secretamente tantas vezes comecei a alimentar uma longínqua esperança, encorajada por esse convite de Eduardo, que a minha maturidade impedia de intepretar de forma completamente inocente.

O apartamento do antigo prédio de quatro andares me pareceu muito confortável, indicando que para um rapaz de sua idade, Dado já gozava de certa prosperidade. Havia móveis de estilo, objetos decorativos, tapetes e belas telas na parede.
– A decoração foi minha mãe arquiteta que bolou, antecipou ele.
– Muito bonito! lancei, pronto a segui-lo pela visita ao apartamento.

Enquanto Dado me apresentava cada um dos cinco ou seis cômodos cuidadosamente decorados, Nora foi preparar gin tônica, já conhecendo o meu gosto. Logo notei que ela se desfez do short e ficou de biquíni. Ela parecia sentir-se muito à vontade na casa do Eduardo, o que me fez pensar que a relação entre eles não era das mais recentes. Mas ele desviou-me a atenção mostrando-me fotografias emolduradas em que apareciam várias pessoas com quem ele se havia relacionado.
– Esta é a Carol. Nós namoramos durante um ano. E este é o Pablo, um argentino que veio trabalhar no Brasil e que endoidou por mim.  Às vezes eu passava o dia com a Carol e a noite com ele.
– E conseguia administrar bem isso?
– Muito bem, e adoro quando isso acontece; uma relação completa a outra e alivia os probleminhas normais de namoro.
– Interessante!
– Olha. Esse é o Vicente. Namoramos "sério", disse ele dando um risinho nostálgico. Todo mundo achou que fosse dar em casamento!
– Bonito rapaz, tive que admitir.
– E estes dois são a Lana e a Patrícia. A Lana era lésbica e nós dois éramos completamente apaixonados pela Patrícia, que é mais linda ainda que na foto.
– As duas são deslumbrantes, exclamei.
– A Patrícia era de fazer as pessoas pararem para olhar!
– Imagino; estou paralizado! Mas me diga, Dado, e nas suas relações com homens, como é o sexo? Podem-se usar os termos "ativo" e "passivo" ou isso caiu de moda, ou nunca existiu? Tive umas experiências de menino, mas sempre fui o machinho da história e não havia confusão.
– Ah não, Sávio. Na relação bissexual, tudo pode acontecer. Não faz sentido um cara não usar o sexo que ele tem de nascença, não acha? Esses homens que odeiam ter ereção me dão até nojo! A não ser que seja um defeito físico, não vejo sentido em condenar o próprio sexo.
– Entendo e concordo. A pura passividade sempre me pareceu um déficit, ainda que possa ser uma preferência.
– É o meu caso. Gosto de sexo com as mulheres e o que me dá mais prazer com os homens é ser penetrado, mas isso não me impede de modo algum de penetrar. Houve casos, aliás, em que adorei ser quase que o tempo todo ativo. Isso depende do corpo do outro, do tipo da relação, do astral do momento, etc.
– Concordo em número, gênero e grau.
– Homens, o aperitivo está servido! chamou Nora.
– Mas me fale um pouco das suas experiências, Sávio, pediu Dado enquanto voltávamos à sala, onde havia gin tônica com bastante gelo, azeitonas verdes e biscoitinhos na mesa de centro em frente ao sofá.
– Qual é o assunto? perguntou Nora, simpática.
– Eu mostrei as fotos para o Sávio e estávamos falando sobre bissexualidade. Na verdade, sobre homossexualidade, agora por último.
– Ah! E aí, Sávio? Dá para encarar o tema?
– Eu estava dizendo ao Dado que tive minhas experiências, mas na verdade era mais por falta de sexo oposto disponível!
– É, eu fui terrível com os meninos, disse ela. Não dava a menor chance, só queria os caras de dezoito, dezenove. Hoje em dia entendo por que alguns acabam se virando entre si.
– É questão de sobrevivência! exlamei.
– Mas e os meninos que "davam", Sávio, o que é que você...
– Não vamos exagerar, hein, Dado! interrompi. Fiz isso umas poucas vezes - dá para contar nos dedos -, com dois vizinhos, e assim que comecei a namorar não senti mais necessidade.
– Sim, mas quero saber o que você pensava deles. Você os considerava "viados", gays ou simplesmente meninos "fáceis" por serem menos reprimidos que os outros?
– Bom, na época, eu era muito amigo de um deles e continuamos amigos durante muito tempo. Ele se casou, teve filhos como eu e nunca mais voltamos a falar nos nossos troca-trocas. Nunca me passou pela cabeça julgá-lo.
– Ahá! Você disse "troca-trocas"! Quer dizer que...
– É, mas não vá se empolgando; menos de um por cento das ocorrências terminava em penetração! Na maior parte das vezes a esfregação era mútua, e era preciso negociar exaustivamente para conseguir um pouco de alívio das pulsões porque a maioria não se deixava encostar se não fosse recíproco.
– Sei como é isso. Mas você mencionou dois meninos. Como era com o outro?
– Com o outro eu não tinha intimidade, mas ele gostava de ser passivo, e fiquei sabendo disso através de outro colega do prédio. Quando um menino inundado de hormônios e ainda virgem descobre que um outro permite que o ato se consuma, ele pensa nisso dia e noite e persegue o objetivo até alcançar. E assim foi, e tive um trabalhão para obter os favores do Felipe, um afeminadinho seboso cheio de não me toques e com preferências bem definidas em nossa turma.
– Então você o define como gay.
– Sem sombra de dúvida!
– Conta como foi, Sávio! pediu Nora, empolgando-se.
– Você extrai confissões dessa natureza do meu filho também, Nora?
– E você acha que a bundinha linda do Cássio criava mofo? Haha!
– É sério, Nora? Meu filho Cássio..., perguntei, revirando os pulsos.
– Não, estou brincando, Sávio. O Cássio nem brinca com esse assunto. Aliás é por isso que o Dado me faz tão bem. Mas agora conta como foi com esse Felipe, anda.
– Não tenho quase nada para contar. Tudo foi acertado através do colega que me havia falado dele e o Felipe me ligou num dia em que os pais não estavam. Como eu disse, não tínhamos a menor intimidade, só nos víamos no prédio mas nunca estávamos juntos. Ele abriu a porta, levou-me ao seu quarto e, chegando lá, disse-me que sabia que eu queria.
– Ah, foi assim que ele disse? perguntou Dado, achando graça.
– É, foi nesses termos. Eu confirmei, todo nervoso mas muito excitado e cheio de vontade. Ele me mandou baixar a calça porque queria ver (parecia brincadeira de médico). Fiz o que ele mandou e provei a gravidade da minha situação. Ele pegou, manipulou bastante, testou o recuo do prepúcio e finalmente, disse que ia deixar.
– Quer dizer que você poderia ter sido reprovado se a pele não tivesse chegado para trás? perguntou Dado.
– Ah, sim! Se a pele não recuasse, se estivesse fedendo, se o meu apetrecho fosse pequeno demais, etc. Era ele que decidia! Aliás, se não me engano, o Felipe era até um pouco mais velho que eu. Lembro-me de um corpo grande quando penso nele, mas acho que nunca perguntei que idade ele tinha.
– Mas continua! pediu minha nora, impaciente.
– Bom, ele então me mandou virar de costas e pude ouvi-lo tirando a roupa. Quando eu pude olhar, ele estava peladinho debruçado na mesa, olhando para mim de costas.
– Bem objetivo, ele! exclamou Dado.
– Pois é. Olhei para aquele bundão virado para mim e não pensei duas vezes, grudei nele e comecei a me esfregar.
- Ficou até emocionado, não é? disse Dado.
- Foi a sensação mais intensa da minha até então curta vida! No primeiro toque, cheguei a sentir vertigem. Mas mamãe Natureza me guiou e a prática do Felipe ajudou. Depois de algumas escapulidas e um pouco de dor de glande virgem, encontrei o caminho e fui até o fim.
– Mas foi "robótico", ou vocês dois chegaram a curtir juntos? perguntou Dado.
– Bom, eu me assanhei todo depois que consegui botar tudo e engrenar no vaivém!
– Ele gemeu? perguntou Nora, curiosa.
– Só me lembro que ele sibilava um pouco, mas principalmente que ele falava. Ele me mandou continuar até o fim; a ordem prioritária era não parar em hipótese alguma, e eu obedeci. Na idade, a gente não se solta muito para o orgasmo, então a coisa se estendeu por longos minutos até que a avalanche se desencadeasse.
– E foi tudo dentro! apostou Dado.
– Tudinho! Vi tudo preto quando começou a sair.
– E depois? Alguma surpresa desagradável, para não dizer... repulsiva?
– Ah! Entendi, haha! Não, não, e a janela aberta deu conta da ventilação. Foi uma boa experiência quanto a esse aspecto também.
– Quando tudo acabou, o que é que ele fez? Ele disse alguma coisa? perguntou Dado, realmente interessado.
– Ele tornou a vestir-se, disse que preferia com os meninos maiores e aconselhou-me a tirar o cavalinho da chuva caso estivesse acalentando a esperança de repetir a dose.
– Haha! É sério? Ele disse isso?
– Disse sim. É por isso que eu acho que ele era mais velho que eu, além de me lembrar do corpo grande.
– Bunda e pinto grandes, você quer dizer? perguntou Dado.
– É, para dar nome aos bois, é essencialmente isso, mas ele era todo mais corpulento que eu. Tinha coxas e bunda grande e teve que flexionar as pernas para ficar com a cintura à altura da minha.
- E você acha que "deu conta" ou ele ficou decepcionado?
- Acho que dei conta, mas ele não quis admitir. Em todo caso, tamanho eu tinha, se você entende o que quero dizer.
– Claro. E você devia ser maduro para a idade.
- Era, e acho que e foi em grande parte por isso que ele me aceitou: eu sabia o que queria.
- E depois disso, nunca mais, então?
– Fiz umas três ou quatro vezes com ele mesmo, apesar do aviso. Depois tive um primeiro namorinho mais "quente" com uma colega da escola e não o procurei mais.
– Mas isso deixou você de mente aberta sobre a bissexualidade, considerou Dado.
– Sem dúvida, porque apesar de me sentir heterossexual, as imagens dos encontros com o Felipe nunca saíram da minha mente; até hoje, lembro-me nitidamente de algumas. Nenhum dos meus amigos teve - ou não admite ter tido - sequer a mais breve experiência homossexual. Eles são portanto bem diferentes de mim e jamais admitiriam o tipo de conversa que estamos tendo aqui.
– Mas o melhor disso tudo é que vocês não deixaram de gostar de mulheres, interferiu Nora levantando-se e fazendo trejeitos, deliciosa no diminuto biquíni.
– Eu não passaria sem mulheres, declarei com franqueza.
– E consigo, mas só durante um tempo, disse Dado.
– Ainda bem, retrucou Nora, porque seria um desperdício!
– Ah é? perguntei, já adivinhando o porquê.
– Menos, Nora! exclamou o rapaz.
– Ah, mostra, meu amor! pediu ela, apertando-se toda.
– Você está me deixando sem jeito, Norinha!
– Então vamos fazer uma coisa: vocês dois vão mostrar para mim, propôs ela, enfatizando bem o "dois".

A idéia me assustou de saída, mas já no segundo copo de gin tônica e com toda aquela conversa, sem falar nos dois jovens seminus e o que eu vira entre eles na praia, eu estava me sentindo disposto para o que desse e viesse. Fui eu portanto que levantei-me e tomei a iniciativa de despir-me. Abri a calça e baixei-a sem hesitar até o meio das coxas diante dos olhares pasmos dos meus anfitriões. Não tenho do que me encabular, já que a forma e as dimensões do meu sexo não depõem contra mim, muito pelo contrário. Olhei-os bem nos olhos para ver suas reações. Nora pousou os seus no meu sexo e o contemplou com simpatia enquanto Dado veio por-se ao meu lado e fez o mesmo que eu, baixando bermuda e sunga para exibir-se. Nossos membros pendiam alongados, mas ligeiramente arqueados devido às imagens evocadas pela conversa. O meu chega a dezessete centímetros quando em plena ereção. O dele, eu não me arriscava a avaliar porque sei que alguns homens impressionam pela diferença entre o comprimento em repouso e o comprimento em ereção.

Nora gostou do espetáculo à sua frente e resolveu provocar-nos, desafiando-nos a reagir, sem nos tocarmos, a tudo que ela faria. Concordamos e ficamos parados diante dela exibindo nossos sexos pendentes. Inicialmente, ela desfez habilmente o laço do sutiã do biquíni e o tirou. Foi a primeira vez que vi seus seios, que até então eu apenas adivinhava miúdos. De fato, não passavam de dois pequenos cones firmes de bicos róseos, encantadores, mas infantis. Essa nudez parcial revelava a Nora andrógina, de tronco quase masculino acima de uma cintura e coxas divinamente femininas. Isso me excitou e fez estremecer meu sexo que armou-se em arco. Nora abriu um largo sorriso.
– "Alguém" já gostou! exlamou ela.
– Isso não vale! protestou Dado. O Sávio não conhece o teu corpo; vai reagir logo porque é a primeira vez.
– Não necessariamente, interferi. Sou homem experiente e muito exigente! Continue, Nora.

Ela dançou diante de nós, agitando os pequenos seios e ondulando como uma serpente. Em seguida, deu-nos as costas, e estava quase nua, a calcinha perdida no sulco formado pelas duas elevações douradas e salientes. Senti uma ereção incipiente e notei que Dado começava a reagir também. Ela então pôs uma mão em cada nádega e separou-as para deixar-nos redescobrir o segredo da calcinha de biquíni. O pequeno triângulo de tecido situado no final das costas afina-se à medida que invade o sulco, torna-se quase um fio que mal cobre o orifício anal, contorna o períneo emergindo novamente em triângulo para envolver a deliciosa curvatura do monte de Vênus. São praticamente dois triângulos isósceles opostos pelo vértice, cujas bases são reunidas por laços à altura da cintura. Fiquei feliz de poder fazer essa minuciosa análise da mais sensual das peças do vestuário feminino.

Dado, com as mãos na cintura, contemplava o progresso da sua ereção. Descoberto, seu membro chegara rapidamente a um comprimento de cerca de dezessete centímetros e se assemelhava a uma longa e bem curvada vara de pesca. Quanto a mim, era preciso admitir, a excitação me invadira quase instantaneamente e faltava bem pouco para que a ereção atingisse a plenitude. Nora curvara-se toda para frente e espiava-nos por entre as pernas, exibindo a pequena protuberância anal, bojuda como uma ilha vulcânica, único ponto escuro no fundo alvo do sulco. Àquela altura, meu desejo era de ajoelhar-me e lambê-la em vez de limitar-me a sentir as pulsações do meu sexo.
– Meu filho não sabe o que está perdendo, exlamei.
– Eu dou showzinhos privados para ele, Sávio.
– E ele sabe aproveitar? Saiu ao pai?
– Sabe, mas perde para o Dado!
– Que lisongeiro! exclamei, olhando para o amante que, com as mãos nas ancas, agitava a cintura para fazer balançar o longo membro de um lado para o outro.

Com um giro gracioso, Nora virou-se de frente para nós. A calcinha do biquíni desaparecera como num passe de mágica e entre suas coxas, via-se o fino traço sombrio separando os dois lábios claros, espessos e perfeitamente depilados. Isso, aliado à visão do seu rosto lindo, os pequenos seios e a cintura bem feita alargando-se para formar coxas bem torneadas, foi o golpe de misericórdia de que eu precisava. Um ligeiro arrepio fez-me olhar para baixo, onde um cintilante fio de platina escorria da extremidade do meu pênis.
– Temos um vencedor! declarou Nora. O Sávio está com água na boca, ou melhor, na "bica"!
– Concordo, disse Dado, olhando sem pudor para o fenômeno.

Nora então deu dois passos em minha direção e começou descontraidamente a despir-me, livrando-me da camisa e do resto, enquanto Dado se despia sozinho. Seus gestos se encadearam tão bem que não tive tempo de sentir-me constrangido ou sequer de forçar-me a providenciar alguma fala. Ela empurrou-nos até o sofá de três lugares e sentou-se no meio.
– Entre o sogro e o amante! brincou ela, empunhando nossos membros em riste e olhando significativamente para mim.
– Hum! Mãos de fada! suspirei.
– Você ainda não viu nada, disse Dado, avançando a cabeça para olhar-me.

Quantas vezes na vida imaginei-me sentado num sofá com um amigo enquanto uma mulher sentada entre nós empunhava nossos membros! Quando a fantasia se tornou realidade, ela me pareceu dez vezes mais intensa e excitante. Nora masturbou-nos enquanto abria as pernas convidando-nos a acariciar suas coxas até resvalar os lábios macios da vagina depilada, que ela franqeou-nos com um sorriso sapeca. Escalamos juntos sua barriga plana para chegar aos bicos dos seios, já eriçados. O que eu via entre Dado e eu não era apenas uma mulher; parecia um ser mitológico híbrido de mulher transbordante de sensualidade e de efebo másculo, com seu cabelo curto e o olhar penetrante, cheio de malícia e desejo.

Debruçando-se sobre sua coxa, Nora pôs-se a devorar o membro do amante enquanto erguia uma perna para deixar-se acariciar por mim. Pude assim explorar seu sexo molhado, percorrendo o entrelábios e aprofundando-me nele com um, depois dois dedos, ouvindo-a suspirar e deliciar-se com a felação que ela praticava com mestria em Dado. Em dois tempos, virei-me também de lado e penetrei-a profundamente, arrancando-lhe um gemido longo e logo sentindo sua mão vir acariciar-me o flanco em sinal de aprovação.

Enquanto nos entregávamos aos primeiros momentos do nosso jogo a três, veio-me à mente a reflexão de que há dois tipos diametralmente opostos de pessoas adequadas à concretização de relações como essa: as completamente burras e as mais inteligentes que a média; não há meio termo. As primeiras deixam-se simplesmente levar pelo desejo fácil desencadeado pela libido, comportando-se como animais no cio. É o que vemos em noventa e nove por cento dos vídeos amadores feitos em países subdesenvolvidos como o nosso: mulheres como cadelas copulando com inexpressivos machos mudos. As segundas brincam com as pulsões, moldando-as aos seu gosto e tirando proveito máximo das infinitas possiblidades de prazer que elas oferecem. E não há meio termo porque entre a apatia animalesca e a inteligência leve e bem-humorada há um limbo de indecisão e complexos que caracterizam a massa medíocre. Depois de anos e anos de meras cópulas, eu encontrara enfim uma dupla inteligente, que entremeava o diálogo ao gemido e o palavrão ao elogio, integrando a finesse ao ato animal.

Enquanto eu penetrava minha nora, podia vê-la dando prazer ao amante, que olhava extasiado para o seu rosto ocupado enquanto ela devorava-lhe o longo sexo com profusão de ruídos salivares e murmúrios de êxtase. À certa altura, ele olhou para mim.
– Que tal, Sávio? Gostando de provar a norinha?
– Estou nas nuvens, respondi, acariciando a coxa colada a mim. Vocês sempre fazem isso? Me refiro ao ménage.
– De vez em quando. Tenho dois bons amigos que se entrosaram muito bem conosco, ultimamente; um casal.
– Ah! A quatro deve ser interessante também.
– É ótimo. Minha única restrição é que ele é um pouco radical.
– Radical?
– Ele é heterossexual, Dado, e você sabe disso, inteveio Nora, cessando de chupá-lo em punhando seu membro para masturbá-lo.
– É, eu sei, mas se ele não baixar um pouco a guarda, vai começar a ficar desagradável; ele não se deixa tocar por mim!
- Por você! retrucou Nora.
– Assim são os "héteros"! brinquei.
– Pois é, e não há nada que eu mais goste do que uma boa transa com o marido depois da diversão em grupo, então é uma pena, mas até agora, o Alex foi irredutível, não é, Norinha?
- Ele vai acabar cedendo. É que ele ainda não está totalmente à vontade para isso.
– Nora, você assiste, nessas ocasiões? perguntei.
– De camarote, Sávio! Adoro ver o Dado transando com outro. O sexo entre homens é tão intenso! As posições, o vigor, os músculos em ação... tudo me excita!
– Com licença um momento, Norinha, diz Dado, dando-lhe um beijo no rosto e levantando-se.

Foi a primeira vez que prestei mais atenção ao corpo do amante da mulher do meu filho.
– Belo bumbum, murmurei, observando-o afastar-se.
– Acho esse corpo dele um tesão, comentou Nora, tirando-me dela com carinho e voltando empunhar meu membro, sentada ao meu lado.
– É, devo admitir. Em todo caso, a bunda é bem atraente, acrescentei.
– Interessado, sogrinho? Ele adora! Provocou ela, repousandoa  cabeça no meu ombro e acariciando-me a coxa no sentido dos pelos, assistindo à dança do meu membro livre.
– Vamos ver, vamos ver, respondi. Acho que continuo de mente aberta.
– Até com tantos anos de vida hétero?
– Quem fez não esquece, Norinha!
– É, não deve mesmo. Mas não perca essa oportunidade, ouviu? À essa altura, e pelo que ele já disse até agora, o Dado já está contando com isso, disse ela, inventando uma voz de personagem e movendo meu membro como se fosse um fantoche a falar comigo. Dei uma piscadela de assentimento ao mesmo tempo que o Dado voltava à sala trazendo mais três copos de long drink e castanhas de caju.

Da luminária do canto provinha um facho que desenhava o contorno do corpo atlético do rapaz, de pé à nossa frente. Sentando-se à beira do sofá, Nora acariciou suas coxas, depois seu longo membro, que ergueu-se um pouco, até retomar por um momento a posição de caniço de pesca. Ela o ergueu e lambeu repetidamente o envólucro de pele rugosa abaixo dele, o que o levou rapidamente ao estado de ereção máxima. Nessa posição, pude avaliar seu comprimento final: cerca de dezenove centímetros, dimensão perfeitamente proporcional à boa estatura do dono. Senti-me dividido entre o desejo de masturbar e penetrar aquele jovem de atributos tentadores, mas repudiei a idéia de propor-lhe a felação diante da minha nora. Vez por outra, ela me olhava significativamente, como se insinuasse que era a deixa para que eu tomasse uma iniciativa. Dado parecia disponível, ora sorvendo seu gin em pequenos goles, ora olhando para baixo e admirando os seios saltitantes da amante, que voltara a masturbá-lo. Ela me explicou que isso a divertia porque ela gostava de testar a resistência que o Dado vangloriava-se de ser infinita. Minutos depois, deixando-o lá, com o membro apontado para o teto, ela levantou-se, passou para trás dele, enlaçou-o pela cintura e pôs-se a acariciar-lhe a barriga, o peito e a esfregar-se nele como se produzisse uma ação masculina. Isso o excitou em flecha e seu membro agora solto pos-se a dançar ao ritmo das pulsações poderosas.

Convencido, levantei-me do sofá e juntei-me a eles, empunhando a verga agora rígida que Dado ostentava olhando-a sem pudor. Ele suspirou, flagrantemente excitado com a surpresa. Nora então passou gentilmente para o lado, oferecendo-me o lugar e assumindo a suave masturbação que eu iniciara. Dado reagiu de pronto ao meu contato, colando-se a mim e iniciando movimentos de cintura.
– Ah, eu estava louco por isso! suspirou ele, puxando Nora para beijá-la na boca enquanto o roçar da minha glande entre suas nádegas firmes me excitava ao extremo.

Dado toca piano, e um belo instrumento enriquece a ornamentação da sala. Foi essa palavra que o ouvi cochichar na orelha da minha nora, que nos levou até ele puxando-nos fraternalmente pelas mão. Dado curvou-se sobre o tampo do instrumento colado à parede e assim que voltei a abraçá-lo por trás, cochichou outra coisa à amante. Nora afastou-se por um momento e voltou com um frasco, cujo conteúdo ela própria espalhou entre as nádegas do amante, untando seu orifício, penetrando-o com os dedos e arrancando gemidos discretos. O erotismo da cena foi por si suficiente para deixar-me pronto. Em seguida, acomodando-me sobre a tampa do teclado, ela espalhou generosamente o lubrificante aromático em meu membro, masturbando-me até deixá-lo todo brilhante e irreversivelmente ereto. Ela encarregou-se também de direcioná-lo quando Dado veio empalar-se profundamente com um longo suspiro gemido enquanto recebia as carícias dessa amante andrógina que parecia gostar de vê-lo assim, entregue a um homem e tão submisso. Sua anatomia perfeitamente adaptada à minha e o diâmetro considerável do meu sexo proporcionaram a Dado um prazer imediato que, civilizadamente, ele manifestou com palavras.
– Sávio, sábio... Ah, como é bom! exclamou ele, dentre outras coisas, num susprio extático.
– É a experiência, meu querido, disse-lhe amorosamente a minha nora, acariciando-lhe a nuca e aprofundando os dedos em seu cabelo, enquanto o masturbava suavemente e assistia comigo ao vaivém ritmado do meu membro entre as belas nádegas lisas e globulares.
– Assim, Sávio... Você fode bem demais. Só falando assim mesmo, gemeu ele, ajeitando-se para que eu aprofundasse mais e mais.
– Isso mesmo, meninos! É hora de afrouxar a linguagem, instiguei.
– Ele estava sem coragem de falar nomes feios, interferiu Nora, vindo em defesa do amante.
– E quem disse que precisam ser feios, os nomes? "Cu" não é tão feio, e o do Dado está me levando ao delírio.
– Haha! Aposto que começou a mordiscar.
- Está faminto! exclamei, sentindo de fato o estímulo das fortes contrações anais no meu sexo.
- Sávio, como você já liberou "fode", posso falar mais?
- É claro! Mande lá!
- Então lá vai: fode bem gostoso o cu do Dadinho, que ele está adorando!
– Hum! Isso, Nora, mais!
– E "buceta", sogrinho? O que você acha? perguntou ela em tom provocante.
– Não é a palavra mais bonita do mundo, mas no momento certo, é imprescindível.
– É que a minha está encharcada de ver você metendo no Dado desse jeito, olha.

Ela pegou minha mão e levou entre as pernas. Não havia dúvida, sua excitação era manifesta.
- Dado, é com você, sugeri.

Ele logo entendeu, puxando-a para si e penetrando-a sem desempalar-se de mim. Foi a primeira vez que compus um "trenzinho" e fiquei extremamente excitado, principalmente quando Dado encontrou um jeito de, apoiando-se no piano, penetrar Nora desempalando-se de mim e sair dela reempalando-se. Foi assim que tive o meu primeiro orgasmo, após uma autorização tácita do rapaz, que voou para o banheiro assim que terminei de esvair-me em suas entranhas.
– E então, Sávio? Matou as saudades? peguntou minha nora quando estávamos a sós.
– E como! Só espero que o Dado não reclame o direito à recíproca! exclamei.
– Não, não; não com você. Mas ele é louco para dobrar o Alex, daquele casal que tem saído com a gente.
– E qual é o critério do Dado, na sua opinião?
– Acho que é de idade. Ele gosta de ser passivo para os mais velhos e ativo com os mais novos.
– É comprensível e acho que mais comum do que se imagina.

Eu me sentara no banco do piano e Nora numa das minhas pernas. Ela passara um braço em volta dos meus ombros com a intimidade de uma boa relação sogro-nora.
– E o meu fiho Cássio, menina? Você vai conseguir não deixá-lo, mesmo que o sexo fora do casamento continue tão satisfatório?
– Para ser franca, Sávio, não sei. Às vezes tenho dúvidas de que o amo de verdade, outras vezes me sinto convencida de que fiz a escolha certa e que ele é o homem da minha vida. Ele é um pouco imaturo no casamento...
– Ele é imaturo, ponto final. Mas fode bem?
– É, saiu ao pai, mas não no humor. E por falar nisso, você não me condenou por ter um amante.
– Não tenho razões para isso. Você não está privando o Cássio de nada.
- Pelo contrário! Em casa, sou completamente disponível em termos de sexo apesar da minha relação com o Dado. E olhe que o Cássio tem caprichos, hein!
- É sério? Bons ou maus caprichos?
- Anal, anal, anal e mais anal, Sávio.
- Tanto assim? É, faz sentido; isso é coisa de gente calada.
- Haha! De onde você tirou essa?
- Pode escrever que eu assino, norinha!
- Bom, coincidência ou não, seu filho é caladão e não quer saber de outra coisa.
- Pois então! Mas me diga, vocês variam um pouco de vez em quando? Quero netos!
– Ele não é muito fã de filhos, Savio. Eu quero, mas também não sou obcecada. Se acontecer naturalmente, tudo bem.
– Como é que ele resiste a essa bucetinha? brinquei, pinçando-lhe de leve os grandes lábios e tocando-lhe mais uma vez a ponta do narizinho delicado.
- Ai! Você é danado, sogrinho!

Vendo Dado voltar de banho tomado, perguntei se eles se incomodavam que eu também tomasse um. Havia fome no ar e o trio se dispersou um pouco, Nora indo preparar alguma coisa enquanto Dado, relaxado e satisfeito, extraía um improviso jazzístico do piano. Entrei na ducha sentindo-me feliz por ter encontrado uma modalidade de relação erótica perfeitamente adequada ao meu temperamento. Quando saí do banheiro, não inspirei aromas culinários, mas ouvi gemidos intensos vindo desta vez do quarto. O casal, que parecia entender-se muito bem na cama, aproveitara o momento a sós. Dado entre as pernas escancaradas de Nora, desfechava fortíssimos golpes que logo a levaram literalmente a berrar de excitação. Eu os via de um ângulo que me permitia observar o pênis dele pistonear furiosamente e a dança dos testículos que colidiam com o períneo a cada investida. Ignorando que eu os observava, Nora se soltara.
– Fode. Assim. Mete. Mais forte. Mais forte. Mais forte, Dinho. Vai. Vai. Fode! Ahn! Ahn! Ahn! Ai, assim. Está bom demais! Não para, hein! Fode, fode, fode, fode... Ai, vou gozar de novo! Não para, Dinho! Não para que eu estou quase... Mhm! Mhm!
- Ahn! Ahn! Vai, meu amor, que eu quero gozar muito nessa bucetinha alagada.
– Forte, agora! Assim! Assim! Não para! Ass... Aaah! Aaah! Aaaaaah!
– Eu também v... Aaaaaaah!
– Isso, me dá tudo, goza gostoso! Ai, Dinho, você está ficando uma coisa louca de gostoso! Estou até zonza, mas vou querer atrás depois.
- Ahn! Ahn! Estou gozando demais! Ahn...! É sério? Está com vontade de dar o cuzinho?
- Tua transa com o Sávio me deixou com tesão.
- Você sabe que isso eu nunca recuso!

Ela fincara as unhas das duas mãos no belo traseiro do amante, contribuindo para a intensidade das arremetidas. Pareciam duas feras selvagens na cama, engalfinhando-se e urrando, assaltados pela excitação e ávidos de um prazer crescente. Quando ouvi Nora dizer ao "Dinho" que gostaria que ele a penetrasse atrás, percebi que eles haviam engrenado numa longa sessão e decidi deixá-los a sós. Era tarde e já nos divertíramos bem a três. Deixei um bilhetinho na mesa da sala e saí, batendo a porta com cuidado. No carro, não pude deixar de pensar no que eu fizera, na minha própria vida de homem divorciado e na do meu filho Cássio que, àquela altura, sequer desconfiava da esposa. Há pessoas que o sexo agrega e outras para as quais ele é inócuo. Nora e Dado eram naturalmente agregáveis e agregadores, e eu fui o radical livre que deixou-se um belo dia agregar também. Os meses se passaram e hoje faz um ano que tivemos nosso primeiro encontro a três, dos inúmeros ao longo do ano de 2014, uma relação que ainda não têm data para expirar. Em outubro, minha nora decidiu dizer ao meu filho que tinha um amante e deixou nas mãos dele a decisão de divorciar-se ou não. Ela calou sobre a minha participação e tenho consolado hipocritamente esse filho recém-divorciado e à beira do desespero. A vida é bem barroca.





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