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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Momento Fálico (série, episódio I)

Apresentação

O relato que se segue é verídico, ocorreu em meados do ano de 2009, pouco antes do trigésimo sexto aniversário do protagonista e narrador, e diz respeito a fatos que expandiram sua sexualidade numa direção totalmente imprevista. Segundo ele, as poucas diferenças do texto em relação à realidade se limitam a certos diálogos quanto à forma e visam apenas a torná‑lo menos banal ou cru do que a realidade. Afinal, diz ele, esta é apenas mais uma história de sexo!

Este é um relato atípico, cuja extensão e estrutura me permitem publicá-lo no Erotexto como série. Tomei portanto a liberdade de subdividi-lo em episódios(3) e quando estes ainda me pareceram muito longos, de subdividi-los por sua vez em duas partes.

O autor não chegou a concretizar na integralidade o seu projeto por uma razão que ele explica ao final. Espero que o sua história possa despertar no leitor o interesse pelo tema, bem como suscitar imagens e sensações tão intensas quanto aquelas que me inspiraram a publicá‑la no Erotexto. Boa leitura a todos!

M.F.
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1. Inesperada Atração

Certo dia, me dei conta de que, nas minhas sessões de navegação pelos sites de sexo, eu vinha sentindo – contrariamente aos meus hábitos heterossexuais e já há algum tempo – uma estranha atração pelo membro viril, que se tornou tão forte a ponto de me levar a tomar providências práticas para evitar que os sonhos e fantasias a que eu estava sendo constantemente submetido comprometessem minha integridade psíquica e...

Bah! Estamos entre leitores e autores de contos eróticos; vou mudar de registro e dizer as coisas como elas são: eu estava ficando transtornado de tanto sonhar com sungas, coxas, paus e bolas. Como eu disse, tudo começou pela Internet. Um belo dia, excepcionalmente e muito a contragosto, aceitei abrir a câmera para um homem que conheci numa sala de bate-papo sobre sexo; ele queria simplesmente me ver observá-lo nu. Aceitei porque ele tinha uma conversa inteligente, mas fui surpreendido pela visão de um corpo masculino incrivelmente sensual. Da cabeça aos pés, dos traços fisionômicos à forma dos artelhos, não havia nada que pudesse desagradar naquele corpo recém-saído da adolescência. Ele tinha dezenove anos, a pele de um moreno claro agradável, o cabelo castanho farto e cheio de mobilidade, uma bela proporção olhos-boca-nariz, lábios na espessura exata, olhos escuros compondo um olhar sagaz e franco, o pescoço forte sem ser curto, o peito musculoso mas não proeminente, a barriga delineada por uma musculatura discreta mas visivelmente poderosa, um belo par de fortes coxas lisas e, entre elas – o que mudaria meu destino daquele dia em diante – o sexo claro, longo e generoso, terminado por uma bela cabeça rosada e saudável, inchado na justa medida que o permitia pender armado como um meio-arco diante do saco esticado e bem constituído, cujas bolas róseas apareciam de um lado e de outro. Esse personagem mitológico, esse tipo de semideus sorria despretensiosamente e me pedia apenas para observá-lo nu; o que o excitava era a reação dos homens diante do seu corpo.

Quando liguei minha câmera, imaginei que minha atitude fosse ser a do mero espectador, mas, assim que ele me viu, pediu que eu me despisse completamente e ficasse de pé. Relutei, mas acabei me deixando convencer. Assim que terminei de tirar a roupa, ele se afastou, de modo que eu pudesse ver inteiramente o seu corpo, e começou a se virar, até ficar quase totalmente de costas, exibindo uma bunda curta e estreita tipicamente masculina, mas carnuda e saliente, o que lhe dava um perfil redondo extremamente excitante. Longe de ser inocente, Flávio (era o seu nome) se virara sem deixar de olhar para a câmera por cima do ombro: ele sabia o que causava a reação inicial na maioria dos homens que o viam. E a minha não foi exceção; uma ereção súbita e vigorosa levou-me instintivamente a empunhar meu sexo, senti-lo duro e inchado, e a querer masturbar-me.

Ora, eu nunca fora inclinado à excitação por pessoas do mesmo sexo; aquele impulso estava em flagrante contradição com o que vinha sendo a constante heterossexual durante toda a minha vida, descontando-se obviamente a eventual promiscuidade entre vizinhos recém-púberes. O que atenuou esse início de conflito foi o fato de que Flávio estivesse me exibindo a bunda e que se tratasse de uma bunda lisa como a de uma mulher, ou de um jovem cuja androginia pudesse prestar a confusão. Autorizei-me então a masturbar-me, disposto a ir até o orgasmo. Subitamente, porém, Flávio voltou a ficar de frente. Aquilo me desagradou e pedi que ele se virasse, mas ele não me deu ouvidos – estávamos usando o microfone – e continou de frente, acariciando o membro, cujo endurecimento foi chamando a minha atenção; me dei conta de que eu jamais vira um outro que não o meu endurecendo. Ligeiramente elíptico de tronco, encurvado para cima, suas dimensões quando duro deviam ser de uns dezessete ou dezoito centímetros de comprimento por cerca de cinco ou seis de diâmetro. A cabeça era muito bem feita, volumosa e de bordas bem definidas. Flávio o empunhava com força, como se precisasse dominar aquele corpo tão vigoroso. O resultado foi que aquilo me deu muito prazer e que ambos ejaculamos fartamente diante das nossas webcams.

Depois desse episódio, comecei a ter fantasias despertas e sonhos, em que eu me excitava com jovens de coxas másculas, porém femininamente lisas, ostentando despudoradamente seus paus em sungas diminutas, fosse sob forma de uma protuberância arredondada ou de uma barra atravessada até o elástico. Confesso que passei também não só a fantasiar, como a olhar para as bundas bem feitas e lisas de rapazes na praia, mas a diferença realmente radical que observei no meu comportamento sexual foi o surgimento de fantasias em que o protagonista era o pênis. Não se passava um dia – ou uma noite - sem que eu tivesse uma delas, e tão vívida que me levava à masturbação imediata. Foi esse início de obsessão que me levou a procurar a solução pragmática que constitui o objeto do presente relato.

Dado que a maioria das minhas fantasias envolviam rapazes de sunga e que eu moro a poucas quadras da praia, minha primeira ação concreta foi a de ir procurar na praia um modo de analisar esse novo objeto das minhas pulsões sexuais. Eu chegava nos momentos em que havia muitos jovens em torno das quadras de vôlei e ficava observando discretamente até encontrar aqueles que correspondessem mais fielmente às minhas imagens fantasiosas. Logo fui capaz de circunscrever o subconjunto do meu interesse: pertencente à faixa etária dos 18-20, quase completamente liso de corpo, exceção feita às axilas, antebraços, canelas e panturrilhas; barriga plana sem ser necessariamente forte; um "V" da virilha exposto e bem delineado; bunda bem feita a saliente; e o essencial, a sunga diminuta, caracterizada pela lateral muito estreita, de modo a permitir a plena avaliação de um belo membro. Não tenho nada contra o short, o "sungão" e outros trajes, mas o corpo se perde neles, o que isenta o usuário da ousadia e do despudor exigidos daquele que se expõe de sunguinha, que deve estar pronto a assumir as consequências dessa ousadia ou, caso contrário, dispor-se a precipitar-se na água, deitar de bruços, sentar de pernas recolhidas ou, na pior das hipóteses, tapar o sexo com as mãos. Alguns não escondem sua ereção, o que já vi ocorrer, e não poucas vezes, mas é privilégio dos mais fortes, que não se importam e até fazem questão de ostentar seu sexo da maneira mais natural. Estabeleci como objetivo prioritário encontrar precisamente esses exibicionistas ou, mais eufemisticamente, esses "descontraídos" no uso da sunga.

Com o passar dos dias, fui conhecendo um bom grupo de frequentadores, inclusive pelos nomes, que eu ouvia sendo pronunciados pelos colegas. Tiago era moreno claro, aparentava ter acabado de passar dos dezoito anos, tinha cerca de 1,70m, raspava a cabeça, era magro e, embora lhe faltasse um tantinho para que a bunda respondesse aos meus critérios, era dono de um pau tão volumoso e protuberante que não havia como evitá-lo com os olhos. Devido, talvez, à consciência de ser magro, ele usava confiantemente uma sunguinha de lateral muito estreita, justa a ponto de delimitar o contorno do pau quando este estava um pouco mais armado. Pude vê-lo desfazendo com a mão aquela incômoda protuberância rígida, para rebater o membro semi-endurecido contra o corpo, quando alguma razão misteriosa o tirava do repouso, circunstância em que seu tamanho descomunal o fazia chegar quase à costura lateral da sunguinha azul. Era impossível não ficar curioso quanto ao seu comprimento; minha primeira estimativa situou-o entre dezoito e vinte centímetros. Eu observava a reação das pessoas que o olhavam. Algumas mulheres comentavam entre risinhos, mas não tiravam os olhos dele; rapazes davam olhadas furtivas para não se arriscarem a ser descobertos; gays não ocultavam seu interesse e, quando em grupo, faziam todo um teatro; homens adultos encontravam, como eu, "postos de observação" seguros, de onde podiam olhar pelo tempo que fosse sem serem descobertos, e quantos o faziam!

Desejei muito ver Tiago nu, fantasiei muito com seu corpo. Às vezes, eu o imaginava chegando em casa com um amigo  após a praia, ambos ainda de sunga e camiseta, e não conseguia deixar de pensar que talvez alguma fantasia erótica passasse pela cabeça desse amigo. Tudo indicava que seu pau fosse um convite à manipulação e à felação. É mais que provável que algum amigo quisesse vê-lo duro, tocá-lo por fora da sunga, depois pegá-lo, masturbá-lo, chupá-lo, ainda que por um desejo inconfesso que Tiago jamais viesse a descobrir. Quantas vezes me masturbei no banho imaginando-me protagonista de cenas como essas, em que eu causava um prazer delirante ao meu jovem banhista, levando-o aos mais incríveis orgasmos, totalmente entregue à minha libertinagem.

O segundo que observei mais atentamente se chamava Henrique e, ao contrário do Tiago, me impressionou pela bunda saliente, que mal cabia no pouco pano da sunga preta. Apertadíssima, ela dividia as nádegas com tanta pressão que duas saborosas polpas sobravam de um lado e de outro, forçando-o a puxá-la do rego reiteradamente, como um Nadal banhista. Henrique não tinha muito pau, ou o seu era um pau tranquilo. Longe de formar a protuberância arredondada ou a barra rígida que Tiago ostentava despudoradamente, sua existência na sunga não chegava a delinear-lhe o contorno, formando apenas a elevação própria ao comum dos mortais. Pronunciada em Henrique era a curvatura das costas, que terminavam em duas covinhas logo acima do elástico da sunga, onde os olhos se pousavam antes de prosseguir rumo à bunda saliente e divinamente carnuda. Quando, entregue às minhas fantasias, eu o imaginava chegando em casa após a praia, trazendo um amigo para almoçar, era ele que eu via insinuando-se, dando as costas e empinando-se ainda mais para provocar o amigo e eventualmente senti-lo de pau duro contra a sua bunda tão atraente. Tenho certeza de que ele devia despertar a fantasia de algum amigo de índole bissexual, assim como ele despertava a minha na praia.

O terceiro objeto das minhas observações tinha cor de chocolate ao leite e se chamava Jorge, um menino simpático e ótimo jogador de futevôlei. Jorge tinha um corpo perfeito, forte e bem desenhado, com um peitoral privilegiado e a musculatura abdominal de belo relevo. De costas, suas coxas musculosas eram harmoniosamente articuladas com a bunda saliente e firme, cujo "cofrinho" despontava forçosamente da minúscula sunguinha branca. Quanto ao pau, era tão volumoso que, além de perfeitamente delineado sob o tecido esticado – via-se nitidamente que a glande era descoberta – empurrava o elástico, chegando, quando estava mais rijo, a afastá-lo ligeiramente da barriga perfeitamente plana. Isso me fazia imaginar que quem o olhasse de cima para baixo – qualquer pessoa de pé diante dele – poderia ver parte do seu sexo. Parecia ser um pau maciço, muito grosso, de diâmetro maior no centro que nas extremidades, medindo cerca de dezessete centímetros. As mulheres olhavam ainda mais para ele do que para Tiago, talvez porque, sendo mulato, ele inspirasse algo de mais fogoso e sexualmente ativo. Quanto aos homens, perdi a conta de quantos surpreendi a observá-lo com ar sonhador ou com um sorriso que revelava estarem mergulhados numa avaliação do incalculável prazer que se poderia auferir de uma noite de sexo ou de amor com o dono de um corpo como aquele. Estou omitindo, é claro, os comentários sobre aqueles que o olhavam com um certo despeito, heterossexuais inveterados que não deixavam de comparar seus corpos com os de outros homens.

Observei inúmeros rapazes assíduos na praia, mas Tiago, Henrique e Jorge foram os mais representativos do perfil que eu concebera previamente, portanto me ative a esses três e passei várias semanas observando sua conduta, procurando traçar um estratagema que me permitisse uma eventual abordagem. Frequentei religiosamente a praia e, a fim de não ser notado, me instalava cada dia num lugar diferente. A dança dos corpos masculinos jogando futevôlei não tardou a me contagiar e senti que minha atração natural pelo sexo oposto – que em momento algum se esmaecera – fundia-se harmoniosamente com o meu novo objeto de interesse. Pelo contrário, as mulheres deslumbrantes, com seus corpos morenos cheios de curvas e de sensualidade natural, me pareceram ainda mais atraentes do que antes. Comecei a me perguntar se o que estava acontecendo comigo não poderia ser qualificado de "expansão bissexual".

Muito embora eu mudasse de lugar, era natural que eu começasse a reconhecer pessoas que como eu iam à praia todo dia, e a ser reconhecido por elas. O passo seguinte foi o do cumprimento ao chegar e as primeiras conversas não tardaram a acontecer. Até que, em certa ocasião, um homem de cerca de cinquenta anos me dirigiu a palavra.
– É um espetáculo, não é?
– Euh... O jogo?, perguntei, um tanto embaraçado.
– Não, os meninos.

Emudeci, tentei dar a entender que não queria entrar no assunto, mas foi inútil. Ele me disse que vinha me observando há semanas e que não tinha dúvida de que eu estava interessado nos rapazes do futevôlei. Ele disse que os conhecia todos e que tinha uma "notícia" para me dar: eles não iam àquela praia diariamente apenas para jogar e malhar. A maioria morava a léguas de Ipanema e era ingenuidade minha achar que eles fizessem a viagem apenas para ficar fortinhos e saudáveis. Comecei a imaginar qual seria a conclusão, mas não interrompi.
– Eles estão aqui pelo sexo, meu caro. Pelo sexo!
– ...

Fiquei olhando para o jogo, para os corpos, para as sungas, para aqueles homens e mulheres em volta (clientes?) e imediatamente entendi que o meu interlocutor não estava dizendo nenhum disparate. Isso tornava o meu projeto uma faca de dois gumes: se, por um lado, qualquer contato se tornaria mais fácil, por outro lado, entrar em contato com esse mundo do comércio sexual não me agradava em nada.
– Não vá me dizer que você imaginou que aquela sunga branca ocultasse um corpo inocente!
– Não, não..., respondi, ainda tentando evitar a conversa.
– Eu devo ter saído com uns dez daquele bandinho. E metade dos homens e mulheres que você está vendo em volta deles é uma clientela fiel, pode crer!

Essa última declaração me tirou da fleugma que eu simulara por receio de me revelar. Eu quis saber mais e o resultado foi que o homem me narrou, durante dias a fio e com riqueza de detalhes, suas saídas com os rapazes da turma do futevôlei, narrativa que obviamente não vou reproduzir aqui, mas que me serviu para aprender a abordá-los. Em termos gerais, o contato inicial se fazia no intervalo entre um jogo e outro e dependia simplesmente do lugar em que o interessado estivesse sentado. Bastava-lhe ficar próximo ao canto do fundo de quadra correpondente ao lado em que o "seu" jogador estivesse para que, no intervalo, este fosse discretamente procurá-lo, como se fossem velhos amigos. Seria o momento de falar das modalidades oferecidas e dos preços. Depois do jogo, os dois (ou mais) se encontrariam discretamente no lugar combinado durante o intervalo. Geralmente o carro do cliente estava estacionado em algum lugar próximo. O resto é fácil de concluir.

Tudo se passava, portanto, de um modo simples e informal, mas aparentemente muito eficaz. Em momento algum o homem foi direto, mas me encorajava tacitamente a mergulhar nessa aventura. E foi, em grande parte, o que me decidiu.

(continua* na parte 2.1)

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