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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

Momento Fálico (série, episódio III - 1/2)

3.1 Segundo Mergulho

Nos dias subsequentes ao meu fim de semana com Tiago, estive pouquíssimo receptivo aos avanços da minha mulher; eu diria até um tanto impaciente no que diz respeito ao sexo conjugal. Eu estava obsessivamente voltado para a sexualidade masculina e nem um pouco tolerante para com os eternos anseios de orgasmos apoteóticos que toda mulher desenvolve em relação às famosas "preliminares". Minha obsessão pelo falo elevou-se a uma potência exorbitante, as imagens das horas que passei com Tiago desfilavam sem cessar na minha mente, eu me masturbava furiosamente e não concebia frequentar outro trecho de praia que não aquele onde o grupo do futevôlei se encontrava diariamente. Mas, afinal, conciliar outro fim de semana em que minha mulher e minha filha estivessem na casa da praia com a disponibilidade de um dos garotos de programa acabou se revelando ser coisa das mais complicadas. Ora elas viajavam quando Henrique ou Jorge – eu estava determinado a limitar-me a eles – não apareciam, ora eles estavam na praia quando elas haviam resolvido ficar no Rio. Isso acabou durando semanas e semanas, a tal ponto que cheguei a perder as esperanças de dar prosseguimento ao projeto de elucidar a origem do meu súbito interesse pelo falo.

Foi numa fresca tarde de inverno, em pleno mês de julho, que a sorte voltou enfim a sorrir-me. Uma vez mais sozinho no Rio, eu resolvera ir ler num banco do calçadão e mal comecei a folhear as primeiras páginas quando alguém sentou-se ao meu lado. Era Tiago. Muito amavelmente, ele me disse que sentira a minha falta durante aquelas semanas todas e que, embora me visse, ficava sem jeito de abordar-me quando eu estava acompanhado. Conversamos um pouco e acabei encontrando uma maneira delicada de dizer que eu gostaria de ter uma experiência com outro dos rapazes, citando o Henrique como exemplo. Para felicidade minha, Tiago e ele se entendiam muito bem, haviam até sido namorados numa certa época e, independentemente disso, transavam com certa ragularidade porque Henrique, um apreciador dos membros avantajados, não conseguia privar-se por muito tempo do singular atributo do seu amigo. Eu ri e perguntei se ele conseguiria um encontro entre nós. Sem dizer mais nada, ele me deu as costas e se desapareceu no tumulto do calçadão.

Quinze minutos depois, Tiago voltou com o Henrique, que me cumprimentou timidamente. Para espanto meu, ele estava todo vestido: tênis, bermuda, camiseta larga e boné. Ele me explicou que só fora ao "escritório" porque tinha clientes agendados, mas era friorento e estava achando o dia desagradável. Nós rimos e perguntei se ele podia me encaixar num horário. Era impossível para aquele dia, a não ser que ele pudesse chegar tarde da noite aqui em casa. Respondi que estava bem para mim e ele me disse para estar preparado para recebê-lo por volta das 3h da manhã, senão mais tarde, depois de um programa. A sexta-feira é o dia mais intenso porque as pessoas têm o sábado para repor as forças. Ele ia para um apartamento onde haveria uma festa. Pensei durante alguns instantes, ponderando o fato de que estar com um garoto de programa depois de um "programa" não era das coisas mais animadoras, mas acabei aceitando porque eu não via outra oportunidade como aquela. E, afinal – pensei com meus botões – quando se encontra um desses rapazes, pouca diferença faz se seu último programa foi a dez minutos ou a seis horas do nosso; eles vivem disso e não são algumas horas a mais que vão deixá-los mais "limpos". Henrique me pareceu asseado e seu rosto saudável e bem disposto me inspiraram confiança. Obviamente, ele não deixava de ter o que eu chamo de "olheiras de sexo", mas não eram acentuadas e só contribuiam para enriquecer o contexto. Como Tiago sabia meu endereço, não tive que me preocupar com essa informação e fiquei de receber Henrique à hora que fosse, em plena madrugada. Voltei para casa pensativo, imaginando o que mais eu descobriria sobre minha sexualidade.

No elevador, lembrei-me que que eu tinha fotos do Henrique. Semanas antes, eu fora à praia levando uma câmera fotográfica e conseguira fotografar discretamente todas as pessoas do grupo do futevôlei. Chegando em casa, instalei-me ao computador e abri minha pasta oculta. Henrique aparecia em várias fotos, usando sungas variadas, cujo traço comum era o destacarem ainda mais a sua bunda já naturalmente saliente. Ao contrário de Tiago, Henrique tem um tipo que eu qualificaria de "mediterrâneo": pele morena-clara uniforme, cabelo castanho maleável, cheio e levemente ondulado, feições finas, lábios de espessura sensual, nariz curto e triangular, meigos olhos castanhos enquadrados por sobrancelhas finas e retas. Henrique é mais baixo que Tiago - não deve chegar aos 1,70m - e, sem ter absolutamente nada de gordo, também não é magro; seu corpo é todo proporcional. Entretanto, ele tem mais massa corporal que Tiago e é a isso que ele deve seus atributos maiores: coxas e bunda. As coxas são completamente lisas, muito bem feitas e, embora fortes, só exibem sua musculatura no esforço. Elas têm a qualidade de atingirem a largura máxima de um modo harmoniosamente proporcional ao tronco, o que é raro nos rapazes praianos cariocas, que, talvez por causa da prática do futebol, costumam ter coxas grossas demais e tronco estreito. Mas, a meu ver, o atributo incontestavelmente maior de Henrique é a bunda, que ele sabe valorizar através de uma criteriosa escolha das sungas. Embora ele estivesse de sunga preta quando me chamou a atenção pela primeira vez, acho que nunca o vi com uma mesma sunga. Seu gosto é eclético, indo do preto ao branco, passando por toda uma gama de tons pastéis. O que não varia é a forma, sempre estreita e ligeiramente encavada atrás, para deixar de fora parte das deliciosas polpas e convidar-nos a adivinhar o restante. Henrique não tem peitoral triangular nem barriga em "tanquinho". Embora ligeiramente mais velho que Tiago – beirando os vinte – ele cultiva um corpo e uma atitude mais jovem porque sabe que isso cativa a clientela. Até seu sexo é discreto, ficando bem contido na sunga, numa sutil indicação de que não é para ele que Henrique pretende chamar a atenção. Revendo as fotografias, me dei conta de que há todo um código vestimentário e corporal que permite a esses rapazes sinalizar aos clientes potenciais as suas características e preferências. Com efeito, à primeira vista, Tiago poderia levar alguém a julgá-lo puramente ativo. Entretanto, uma leitura correta logo revela que ele promove, sim, o seu enorme membro, mas, não obstante o seu corpo magro, também deseja "vender" sua bundinha, que transparece bem feita e saliente na ínfima sunga. Henrique, por outro lado, é "todo bunda" e isso fica nitidamente indicado pelas sungas que, embora justas, não destacam em nada a parte da frente. Passei a tarde revendo essas fotos - hoje em dia é fácil tirar uma enorme quantidade delas - preparando a chegada de Henrique de madrugada. A mera imagem bidimensional me excitou muito. Imaginá-lo nu na minha frente foi potencializando o meu desejo a um ponto tal que precisei tomar um uísque para me acalmar.

Depois de ter visto e revisto as fotos, ouvi música, vi televisão,  comi na cozinha. Por volta das dez da noite, minha esposa ligou da casa de praia dizendo que estava entediada porque a nossa filha já arrumara um namoradinho e a deixara sozinha. Procurei saber quem era e tranquilizei-a ao saber que era o filho dos vizinhos, um casal de Niterói que nós conhecemos bem. Por volta das onze, fui para a cama tentar dormir um pouco, já sabendo que isso seria impossível com a expectativa da interrupção no meio da madrugada. Mas li um pouco e caí num sono profundo. Às quatro e meia da manhã, o interfone tocou insistentemente. Peguei o telefone sem fio e disquei o ramal da portaria. Era o Henrique. Apertei o 5 para abrir a porta, voei para o banheiro para refrescar o rosto e fui esperar na sala, de porta entreaberta para evitar que ele tocasse a campainha.

Quando o elevador se abriu, Henrique saiu, eu sorri, mas – surpresa – ele não estava sozinho. O sorriso se desfez no meu rosto, olhei diretamente nos olhos de Henrique com ar interrogativo e francamente insatisfeito, mas como eu não queria fazer barulho, convidei ambos a entrar e fechei a porta.
– Foi esse o combinado, Henrique?
Dei uma breve olhada atrás dele. Um longo, magro, pálido e sombrio jovem, cujos cabelos pretos e lisos chegavam ao meio dos braços, me olhava com ar indiferente.
– Ah, pois é... eu queria pedir uma coisa. Será que dá pro Sweet ficar aqui? É só pra dormir umas horas. Cedinho ele se manda.
– Sweet, não é? Sei... Eu deveria ter previsto imprevistos.

Olhei para a figura de mais de um metro e oitenta, branco como cera, mais parecendo um espectro saído da Transilvânia. Contudo, o apelido era apropriado; ele tinha o ar mais inofensivo do mundo.
– Tudo bem, Sweet? Ficou sem lugar para dormir depois da festa, imagino.
– É, por aí. Iam me dar carona para casa, mas não rolou porque o cara resolveu ficar. Dei sorte do Henrique ter me ligado.

Portanto, eles não tinham vindo do mesmo lugar, mas eram amigos, etc. Eu não quis saber de mais nada às quatro e meia da manhã. Distribuí colchonetes e roupa de cama, indiquei um lugar na sala onde eles ficariam ao abrigo da luz da manhã e voltei para cama.

O imprevisto acabou me relaxando da espectativa do primeiro cara-a-cara com Henrique. Dormi sem interrupções até às nove da manhã, uma bela noite recheada de sonhos eróticos. Ao acordar, como sempre faço aos fins de semana, peguei meu livro para ler algumas páginas, mas, quando estava prestes a começar, ouvi ruídos entremeados de risinhos. Inferi que deveria ser a minha dupla na sala, acordando surpreendentemente cedo para quem caiu na esbórnia até a madrugada. Antes mesmo de desembocar na sala, identifiquei o barulho e estanquei em pleno corredor. Pé ante pé, fui espiar através da porta entreaberta. Localizei os colchonetes, entre o sofá e as duas poltronas, e o que vi corroborou imediatamente o meu pressentimento. Henrique, apenas de short, exibindo o traseiro praticamente na minha direção, dedicava-se a uma ruidosa felação, ajoelhado sobre o rapaz gótico, que continuava deitado. Os risinhos se crispavam, provavelmente devido à emoção da situação. Inicialmente, tive o ímpeto de ir lá e expulsar os dois, mas lembrei-me do meu objetivo e do fato de que eu agora estava sozinho em casa não com um, mas com dois homens de tendência homossexual. Do meu ponto de vista, era impossível ver a felação propriamente dita, mas Henrique me pareceu arrancar muita excitação do seu amigo. Assisti mais um pouco e voltei para o quarto. Mais tarde, fingi despontar na sala recém-desperto, bocejando e espreguiçando.
– Hora de acordar, minha gente! Dez e meia da manhã.

Os dois estavam fingindo dormir invertidos, cabeça de um com os pés do outro. Henrique era discreto sobre os seus namoradinhos, pensei. Eles fingiram estar profundamente adormecidos, principalmente o outro, que mais parecia um cadáver, com as mãos sobre o peito, mas fiz com que os dois se levantassem e me mostrei severo.
– Vamos tomar café e o sr. Sweet vai para casa.
– Tá legal, cara... a gente está acordando. Qual o teu nome mesmo?
A pergunta veio do Henrique, que me encarava um tanto amolado.
– Ricardo.
Menti. Eu omitira o meu nome ao Tiago, que logo passar a me tratar de "tio", mas não vi jeito de fazer o mesmo com Henrique.

Tomamos café na cozinha e, devo confessar, a companhia dos dois rapazes fez bem a este homem há tantos anos cercado de mulheres. Eles comeram frutas com leite e cereais, quiseram café com muito pão, queijo e geléia e ainda abriram uma barra de chocolate que eu tinha desavisadamente esquecido em cima da bancada. Resolvi esquecer que o tal gótico devia ir embora e – como se aquele fosse seu maior desejo – ele foi ficando. Depois do café, mostrei a casa, falei um pouco de mim, disse que era casado e que tinha uma filha, mostrei uma foto para que eles não pensassem que eu fosse alguma "tia" que não saía do armário, expliquei a ausência das duas e, por fim, expus meus objetivos, exatamente como eu fizera com o Tiago. Acabamos fechando o "tour" na cozinha porque eles queriam mais chocolate.
– E é isso. Tenho tido essa estranha atração pelo sexo masculino e quero descobrir até onde vai me levar minha recente inclinação bissexual. Mas estou falando isso para vocês dois sem nem saber se o Sweet é adepto das relações entre homens!
– Relaxa, Ricardo. Ela é biba! respondeu o Henrique rindo e requebrando a mão mão.
– Biba, não! Sou bi, Ricardo.
– Me engana que eu gosto! retrucou Henrique.

Sweet fez sinal para que Henrique parasse e olhou sério para mim.
– Sério, Ricardo. Eu sou bissexual. Sempre tive atração pelos dois sexos e nem gosto tanto de amassos com caras que ficam a fim de mim. Beijo, por exemplo, eu só gosto com mulher.

Ele disse isso com tanta segurança que senti uma súbita e irrupção de inveja invadir-me o rosto.
– Quantos anos você tem, Sweet?
– Vinte e dois. E você?
– Trinta e seis. Mas me fale do seu bissexualismo. Quando é que você soube? Como é que ele se manifesta e como é que você o pratica? Esse assunto me interessa demais.
– Bom, eu comecei sentindo atração por caras mais velhos que eu. Na verdade, nem era "atração", mas um tipo de admiração porque eram maiores e muito mais fortes que eu, praticavam algum esporte, tinham voz grossa. Mas eu sempre fui apaixonado por menina bonita. Eu comecei a beijar e ficar com vizinha e colega de escola antes da minha primeira transa com menino.
– Como aconteceu a tua primeira relação homossexual?
– Foi na escola. Um cara bem mais adiantado me pediu para entrar no banheiro com ele, me fez sentar no vaso, abriu a calça e botou aquele troço enorme para fora, duro. Eu fiquei parado, olhando, sem saber o que ele queria. Na verdade, eu não tinha nenhuma atração especial por caras. Eu quis até ir embora, mas esse carinha era legal e fiquei para ver qual era. Ele me pediu – pediu numa boa – para pegar, eu peguei; ele me mandou puxar até a cabeça ficar toda para fora, eu fiz. Acho que foi nesse instante que eu me toquei que estava gostando porque eu me lembro que comecei, por iniciativa própria, a tocar punheta para ele, com capricho e bem devagar, como eu gostava de fazer em mim. Lembro dele se contorcendo e respirando forte, passando a mão na barriga, revirando a cabeça, me falando para eu não parar até que, quando estava para gozar, ele tirou o pau da minha mão e terminou sozinho. Ele gozou muito, se melou todo e usou quase todo o papel higiênico para se limpar. Depois disso, talvez porque ele não tenha me forçado a nada, comecei a olhar para os caras de outro jeito. Acho que o meu bissexualismo começou naquele dia.
– Muitos meninos devem ter se descoberto dessa maneira, em banheiro de escola. Mas o que mais me excitou na tua história foi que, mesmo sendo mais velho, ele não te forçou a nada.
– É verdade, eu poderia até ter me recusado a entrar no banheiro com ele.
– Interessante. E a tua primeira experiência de sexo "para valer"?
– Comi um vizinho, um cara bem mais velho; devia ter bem mais de vinte na época, talvez até trinta. Nem me passava pela cabeça que ele gostasse de homens. Eu tinha entrado na casa dele uma vez, para ver uma luneta incrível que ele tinha. Às vezes, a galera do prédio via a ponta da luneta para fora da janela da sala. Um dia, ele percebeu que eu estava olhando e me chamou. Eu fui, a gente olhou um pouco o céu, ele me explicou umas coisas sobre estrelas e constelações e depois me convidou a sentar na sala para conversar. A gente falou de um monte de coisas e, não lembro mais como, ele acabou dizendo que me achava "interessante". Talvez fosse o termo certo porque eu sempre fui um palito e me achava tudo menos atraente. Fiquei meio sem saber o que dizer, mas, como eu nunca tive preconceitos a elogios masculinos, fui ouvindo, até que ele foi mudando o papo para sexo e acabou conseguindo me pedir para "ver".
– Caramba! E você?
– Ah, me fiz de desentendido, claro. Mas ele insistiu e eu acabei abrindo a calça, sentado mesmo, e mostrando para ele.
– E ele ficou olhando?
– Ele me saiu com uma que eu nunca vou esquecer: "Se ele estivesse limpinho e cheiroso eu chupava para você. Quer?"

Henrique e eu caímos na gargalhada.
– Foi exatamente a minha reação: comecei a rir. Mas ele estava falando sério e repetiu a proposta. Acabei indo ao banheiro para lavar meu pau com sabonete.
– E aí?
– Quando voltei, fui tratado como rei. O carinha me pediu para baixar a calça, a cueca e sentar na poltrona. Daí, se ajoelhou entre as minhas pernas e começou a lamber minhas bolas, passar a mão nas minhas coxas, chupar meu pau, até me deixar louco de tesão. Quando ele disse que tinha acabado de tomar banho e que, se eu quisesse, a gente podia tentar fazer "algo mais", nem consegui raciocinar para recusar.
– Mas, o corpo dele... um cara tão mais velho que você... Eu disse isso sentindo um certo mal-estar, por razões óbvias.
– Olha, não vou dizer que o cara era um deus, mas o corpo dele era bem legal. Ele era liso, devia se depilar, e tinha uma bunda super bem feita, brancona, mas carnuda e durinha.
– Mas ele não te pediu para chupá-lo também?
– Não. Ele foi claro de saída: queria me dar.
– E você quis comer ou esperava ser passivo?
– Olha, eu era tão magro como hoje em dia. Nunca me passou pela cabeça oferecer a minha bunda a alguém.
– Quanta maturidade!
– Sou gótico, mas sou realista, haha!
– Bom, mas continua. Estou curioso.
– Ele foi até o banheiro ou quarto, não lembro, pegou lubrificante e camisinha e trouxe para a sala. Daí, me mandou sentar na poltrona, deu mais umas chupadas bem profundas no meu pau e colocou a camisinha nele. Ainda me lembro que o meu pau chegava a doer de tão duro! Daí ele me mandou sair da poltrona e entrou nela de joelhos. Quando vi aquela bunda branca, lisa, apontada para mim, não acreditei, me senti o cara mais sortudo do mundo, sendo iniciado por um cara legal e ainda por cima de bunda gostosa. Ele me mandou passar lubrificante na palma da mão e espalhar pelo pau todo, esfregando como se fosse uma punheta com a mão por cima. Era oleoso, não era à base d‘água como esses que a gente usa agora.
– Ai, não gosto! Henrique disse isso com uma voz nitidamente afetada.
– Pois é, eu sei, mas com ele foi óleo. Bom, como eu ia dizendo, ele virou de costas e me mostrou tudo, passo a passo. É claro que não foi nenhuma performance. Me atolei para achar o buraco e para manter o ritmo, tive que tirar um monte de vezes para não gozar rápido, fiquei sem jeito para tocar no cara, eu não sabia onde pegar. Tudo isso ele foi me ensinando na prática.
– Ah, é por isso que você fode tão gostoso agora!

Henrique estava transformado. Entendi a cena matinal. Ele era um fã do sexo com Sweet.
– E essa transa "didática" proporcionou prazer a vocês?
– Cara, você não imagina o estado de excitação dele. Quando eu "peguei o jeito" e comecei a socar mais forte e com mais ritmo, ele não aguentou e tocou punheta até gozar na poltrona!
– Teu pau media quanto na época?
– Não faz tanto tempo assim; uns quatro ou cinco anos. Devia medir um pouco mais de dezesseis centímetros.
– Se você visse o pau dele, Ricardo.
A interferência de Henrique ressoou na cozinha e se impôs, digna de atenção tendo em vista os meus objetivos.
– Podemos ver esse "monumento", Sweet?
– Aqui na cozinha?
– Cozinha, banheiro, quarto... Faz muita diferença?
– Não, mas...

Um pouco embaraçado, certamente pela minha presença e pelo fato de que seu relato me excitara, ele levou lentamente a mão ao cinto, mas começou a se demorar na fivela, como se não quisesse realmente fazer o que eu pedira.
– Você prefere não mostrar?
– Não... tudo bem.

Ele abriu o cinto, depois o botão da calça, o zíper e pudemos ver sua cueca – preta como todo o resto da indumentária gótica – marcada pela barra rígida do sexo atravessado diagonalmente, forçando-a. A essa altura, como ele parecesse realmente estar com dificuldade para se exibir, Henrique o interrompeu e baixou para ele o elástico da cueca, desvelando um membro de comprimento proporcional à altura de Sweet, mas excepcionalmente grosso – logo depois eu viria a saber as medidas exatas: dezessete e meio de comprimento por seis de diâmetro – que se armou, circunciso, ficando apontado para o teto da cozinha, emoldurado à esquerda e à direita pelo cabelo do rapagão, que olhava para baixo meio desconcertado.
– Um colosso! O teu vizinho acolheu isso tudo sem reclamar?
– Ele quase chorou de tesão, foi o que ele me disse.
– Imagino.
– Ele deve ter rasgado a mona!

Henrique disse isso empunhando fortemente o membro do amigo e sacudindo-o como se estivesse dando-lhe uma lição. Isso me deu ensejo a uma pergunta.
– O Sweet te atrai, Henrique?
– Isso aqui me atrai!
– Você deixaria o Henrique chupar você, Sweet?
Os dois se entreolharam e riram, sem sequer suspeitar do que eu vira de manhã.
– Hãhã.
Não precisei dizer mais nada para que Henrique se debruçasse no colo de Sweet e desse uma chupada molhada e ruidosa no monstro.

Pronto, o gelo tinha derretido e estávamos sintonizados no sexo. Isso me descontraiu e permitiu que uma velha fantasia me aflorasse à mente. Peguei o pote de creme de chocolate com avelãs em cima da mesa e abri diante dos olhares curiosos dos meus dois comensais. Usando dois dedos, tirei uma boa quantidade e olhei para Sweet, que começou a rir. Pedi licença para empunhar aquele membro de diâmetro desmesurado em plena ereção e untei generosamente a glande, oferecendo-o em seguida para Henrique, que pôs-se a chupá-la como uma criança gulosa, fazendo seu amigo subir pelas paredes. A tora pulsava violentamente na minha mão enquanto os lábios de Henrique a percorriam de alto a baixo, tocando-me vez por outra. O grau de excitação foi subindo, indicando-me que eu podia saltar um ponto acima.
– Posso, Sweet?

Ele consentiu quase telepaticamente e pude compartilhar o pau que Henrique continuara a degustar sozinho. Mal pude acreditar quando premi o monstro entre a língua e o céu da boca. A dureza, o calor, a textura, o sabor me assaltaram simultaneamente ao volume imenso. Henrique e eu nos alternamos a chupá-lo, indiferentes às nossas salivas, indispensáveis à viabilidade da felação. Vez por outra, me agradava afastar-me um pouco para observar Henrique entregue àquela carícia tão intensa sob o olhar de Sweet que, lânguido, afagava seu cabelo sedoso. Num desses momentos, veio-me a idéia de despi-los. Comecei tirando a camiseta de Henrique, depois tirei completamente a calça de Sweet, que ele havia baixado até o meio das coxas. Enquanto ele se desfazia da camiseta, terminei de despir o short e a cueca de Henrique. Foi ali, de pé, contemplando a cena da felação, que me dei realmente conta de que havia dois jovens completamente nus na minha casa, dispostos a compartilhar horas de prazer comigo.

– Vamos para a sala? propus.

(continua na parte 3.2)

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