Seja bem-vindo!

Caro Visitante,

Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

Os botões "Índice" e "Resumos" propiciam acesso fácil aos textos e uma visão global do conteúdo do blogue.

Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Momento Fálico (série, episódio II - 2/2)

2.2 Mergulhando

Voltei do quarto de short e camiseta. Ao me ver, Tiago fez menção de procurar a sunga para vesti-la, mas logo se lembrou do que eu dissera e continuou deitado. Esse contraste entre nós já bastou para recomeçar a me excitar. Ele havia posto uma almofada sob a cabeça e estava folheando uma revista. Seu longo membro agora repousava sobre a virilha, voltado para cima, a glande já recoberta. Instantaneamente tornei a desejá-lo, mas me contive para analisar mais profundamente essa atração quase incontrolável. Afastei-me um pouco e, de pé, continuei olhando para aquele corpo moreno, tão jovem e de compleição frágil, prefeitamente compreendido entre os braços do sofá de tecido areia. De vez em quando, Tiago me olhava de rabo de olho e voltava, sorrindo, para a revista, achando graça na minha atitude de observador passivo. Seu corpo inteiramente liso me excitava por si só, seu longo corpo moreno claro, sem nenhum pelo exceto a fina cobertura de cabelos crespos, raspados à máquina 1. Ele se depilava. Do umbigo à pélvis, testículos, ânus, nada, nenhum pelo. Foi só quando ele ergueu um braço para passá-lo por trás da cabeça que reparei nas axilas, apenas aparadas. Sua pele era mate, refletia a luz foscamente, mas era jovem, uniforme, lisa, sem rugas nem descontinuidades. Ele herdou os traços faciais finos do lado branco da família. Lábios grossos mas não projetados e um nariz curto e retilíneo tornavam-no quase puramente moreno. O que o traía era o cabelo, cujo corte revelava a sua insatisfação.

A certa altura, Tiago começou a bocejar um pouco e virou-se para o encosto do sofá, adormecendo logo. Nessa atitude tão desguarnecida, a bunda pequena mas saliente destacou-se do corpo delgado. Aproximei-me e toquei a pele perfeitamente lisa da superfície curva que despontava das costas, sentindo meus dedos invadirem ligeiramente o rego. Tiago reagiu oferecendo-se, virando-se completamente de bruços e entreabrindo as pernas, deixando-me ver o volumoso saco de pele mais escura, que eu gentilmente envolvi com a mão enquanto, com a outra, pus-me a acariciar a pele fina das costas. Tiago ajeitou-se como um gato, curvando-se mais, empinando-se mais, oferecendo-se mais, entregando-se às minhas carícias. Separei os dois gomos da bundinha deliciosa, expondo o orifício que eu já penetrara com tanto gosto. Tiago retribuía, empinando-a, pedindo. Não havia dúvida de que era um corpo em uso. Do orifício, cuja obturação natural já revelava um certo hábito da expansão e contração, irradiavam-se pregas maleáveis e extensíveis, algumas falhadas, sinal de que já houvera expansão desmesurada. Obviamente, nessa profissão, não há como recusar no meio do caminho, entre as quatro paredes de um motel sórdido ou trancafiado na casa do cliente. Mais uma vez, porém, era a juventude que salvava o quadro. Os entornos do ânus eram de uma pele tão lisa e uniforme e a carne tão firme e elástica, que a visão do todo me levou a uma sólida ereção e a um desejo intenso. Aproximando-me mais, passei a língua no fundo do rego, sentindo o relevo do orifício ainda dilatado pela minha penetração e o cheiro do nosso sexo recente. Tiago empinou-se todo, colando-se a mim, gemendo e sussurrando, "Isso, tio... Assim...". Lambi gulosamente, forçando as nádegas para fora com os polegares e expondo o cuzinho que, relaxado, desabrochou, exibindo o início do interior vermelho vivo. Minha saliva se tornou tão espessa que minha língua deslizava por toda a região, descendo pelo períneo e chegando ao ponto em que brota o saco, o que arrancou um gemido mais forte de Tiago. Passando a mão por baixo de seu corpo, senti o mastro novamente armado, mas como ele balançava sem cessar a bunda, não havia dúvida de que, pelo menos comigo, Tiago se sentia 100% passivo. Voltando a massagear seu saco, toquei a parte carnuda do polegar da outra mão no orifício e afundei-o, fazendo-o deslizar para dentro graças à saliva espessa. Tiago gemeu forte, empinando-se agora completamente, descolando a pélvis do sofá e franqueando-me o caminho para o seu pau, que encontrei pulsante, colossal. Tirei o polegar e enfiei dois dedos. Tiago gemeu.
– Fode, tio...
– Que cuzinho guloso você tem, Tiago.
– Quero rola, tio. Mete outra vez, vai.

Ele disse isso se remexendo todo e era exatamente o que eu queria ver. Eu não queria comê-lo de novo já, queria vê-lo excitado, contorcendo-se, cheio de tesão. O sexo padece do mesmo problema da paisagem: ou você fica de longe e contempla, ou você invade e não vê mais nada. Naquele momento, eu queria contemplar a jovem paisagem que eu dinha diante dos olhos.

Tirei lentamente os dedos, me desconectando de Tiago, que ficou balançando o traseiro para frente e para trás, num vaivém puramente reflexo, olhando para trás para indagar por que eu tinha parado. Mas eu não tinha parado e vê-lo daquela maneira estava sendo uma das experiências mais excitantes da minha vida. Acho que não há nada mais erótico do que ver uma pessoa alucinada de prazer, oferecendo-se, doida para dar. Ele estava tão receptivo que suas nádegas ficaram abertas, com o cu exposto e pulsante. Havia sem dúvida uma componente de vício nessa atividade. Certas coisas desencadeavam outras, abriam novos estágios que, quando não eram percorridos, geravam expectativa, ansiedade e frustração. Tiago estava num estágio desses. A maioria dos homens o teria penetrado naquele estágio e esse teria sido o gesto natural e esperado da sequência. Sem isso, ele ficou desorientado, perdeu o poder de previsão e com ele o poder tout court sobre mim.

Rapidamente, seu enorme e pesado pau começou a arquear e amolecer, ao mesmo tempo que Tiago fez menção de voltar a se deitar completamente de bruços. Com toda a gentileza, passei a mão por entre as pernas dele e, segurando o mastro pela base, puxei-o para trás ajeitando-o entre as duas coxas lisas alongadas no sofá. Quem não está acostumado a essa posição sente repuxamentos e uma certa inquietude de que seu pau vá se condicionar a ficar para baixo. Mas Tiago  mostrou estar perfeitamente ciente de que essa é uma das posições clássicas dos gays e se deixou conduzir sem resistência. Soltando completamente seu peso no sofá, ele me deixou estender seu pau longitudinalmente, como se fosse uma terceira perna entre as pernas reais. Essa primeira visão comparativa foi impressionante. O enorme falo de vinte e um centímetros realmente chegava ao meio das coxas.
– Você já meteu isso em alguém, Tiago? Digo completamente.
– Mais raro é eu não meter, tio! A maioria quer ele todinho do rabo.
– Engraçado, não tenho a menor vontade, mas me excita demais olhar para ele.

Eu disse isso enquanto acariciava a verga, sentindo-a já macia entre os dedos. Paus grandes amolecem rápido porque é preciso muito sangue para mantê-los eretos. É por isso que nos filmes pornô as atrizes chupam e manipulam durante tanto tempo os paus dos superdotados.
– Você certamente consegue chupar seu próprio pau.
– Sempre fiz "selfisuque", tio. (Ele queria dizer "selfsuck"). Desde novinho.
– Em todas as posições?
– Qualquer uma, mas eu gostava sentado, para gozar na boca e deixar a porra escorrer pelo pau.
– E jogando as pernas para trás, a gente perde o tesão, não é isso?
– É. Você também fazia isso, tio?
– Andei fazendo minhas tentativas, mas quando novo.
– Safado, você!

Ele disse isso enquanto se virava para se deitar de costas com os braços por trás da cabeça. Sua nudez adolescente me causou um arrepio. Tudo era tão simples naquele corpo liso em perfeito funcionamento. Era uma máquina de sexo, sempre pronta a recomeçar. Acariciei-lhe a região pubiana, sentindo imediatamente as breves pulsações do membro predisposto, e me ajoelhei no chão ao seu lado.

Tudo parecia favorável, da serenidade que reinava entre nós à luminosidade e quietude do cômodo. Chegando o mais perto possível do corpo de Tiago, peguei seu saco por baixo, contendo-o completamente na mão, sentindo nas pontas dos dedos o calor da parte inferior. Tiago ajeitou-se no sofá, contraindo as coxas e soltando um suspiro. Olhei para ele sorrindo e continuei a acariciá-lo, apertando com cuidado, mas profundamente, aquele envólucro de pele espessa, tão bem cuidado e liso quanto o resto do corpo, e observando os efeitos no pau, que ia lentamente avolumando-se, armando-se, sem contudo assumir aquela rigidez férrea dos paus pequenos. O pau grande tem uma majestade que lhe outorga o direito de ter tempo para endurecer. Era precisamente o que me seduzia naquele momento. Como eu disse, a experiência da felação só me atraía quando eu a imaginava praticada num pau grande e semi-ereto, de modo algum num curto membro em riste e rígido como aço. O que me excitava, nas cenas de felação, era imaginar a sensação táctil do corpo volumoso e ainda macio endurecendo lenta mas não completamente na boca. O estado de languidez de Tiago naquele momento favoreceu essa configuração e não tive dúvida de que era a ocasião que eu esperava.

Empunhando seu membro pela base, ergui-o da barriga plana onde ele ele ainda repousava e lentamente repuxei o prepúcio. A imponente glande rubra despontou, inchando-se mais e mais, desenvolvendo-se ao máximo, ocupando seu volume no espaço e esticando completmente a pele folgada da extremidade do prepúcio. Continuei puxando, até fazê-la chegar ao diâmetro máximo para, no instante seguinte, ultrapassar a borda da glande, fechando-se sobre a verga. Isso arrancou um gemido sibilado de Tiago, que vinha acompanhando cada passo com uma expressão sonolenta e relaxada. Agora eu empunhava seu longo membro ainda arqueado e macio, sentindo suas pulsações de gigante e desejando-o com água na boca. Erguendo-me um pouco nos joelhos e debruçando-me sobre o corpo de Tiago, envolvi a glande com a boca, sentindo na língua o seu contorno, sua temperatura, sua textura, sua rigidez e, logo depois, o sabor único do fluido espesso que a envolvia completamente. Suguei-a e saboreei esse sumo, desejando engoli-lo. Mas me contive e, rompendo uma primeira barreira, fui depositá-lo na boca de Tiago, num beijo que o surpreendeu mas ao qual ele respondeu sem reservas, fazendo-me sentir na mão o quanto isso o excitara. Rapidamente voltei à felação. Eu não queria perder o ponto exato. Repondo a tora na boca, pus-me a sugá-la, apertá-la, mordiscá-la, num vaivém suave mas profundo que foi levando Tiago a um intenso estado de excitação, que se manifestava por contrações das coxas, por longos gemidos e por curtas frases, entrecortadas de suspiros, como: "Assim... chupa gostoso, tio... Mama tudinho... Engole meu cacete... É tudo teu..."

Embora o diâmetro da verga não fosse tão grande, o volume da glande de Tiago ocupava uma parte considerável da minha boca, cansando-me os maxilares e forçando-me a fazer algumas pausas, durante as quais eu beijava e sugava seus mamilos, a barriga, o umbigo. Ele gostava dos beijos. Acho que, por ele, nós ficaríamos nos beijando durante horas, nus, enquanto nos acariciávamos e masturbávamos. Mas eu preferia explorar com a boca o resto do seu corpo e o que me deleitou sobremaneira foi o saco, com o malabarismo de erguer as coxas para expô-lo completamente. Quando Tiago fez isso, pulei para o sofá e, empurrando suas pernas para trás, abocanhei aquele pacotinho de carne, sentindo-o na língua, pressionando-o e provocando em Tiago os gestos nervosos do receio da dor. Mas eu não sou adepto do sadomasoquismo. Concebo o sexo como  prazer puro, apenas limiar da dor. Enquanto eu me dedicava àquele saco róseo, cheio, liso, eu imaginava o cuzinho logo abaixo, exposto, ligeiramente aberto, provavelmente pulsante e novamente receptivo. Isso me fazia descer mais, ir lamber o períneo já resvalando a entradinha. Era nesse momento que eu sentia meu próprio pau pulsar furiosamente, o que me lembrava da minha incontestável tendência ativa. Meu desejo mais animalesco, nesses momentos, era meter, meter até gozar, encher o reto de Tiago com todo o esperma que eu pudesse emitir, sentindo-o espremido pelo meu corpo. Mas meu exercício me cobrava controle, racionalidade, equilíbrio, para não por tudo a perder. Tiago puxou as próprias pernas para junto de si, deixando-me de mãos livres para tocá-lo onde quisesse. Seu cuzinho estava lá, a centímetros do final do saco, aberto como uma flor no centro do reguinho claro e perfeitamente liso. A posição de Tiago o esticava, tornando-o parecido com um funil que se formava pela conformação natural da curvatura da pele ou, para tentar uma metáfora astrofísica extravagante, parecido com um "buraco negro" ou um "buraco de minhoca". No fundo do rego, a parede interna das nádegas se tornava mais escura nos arredores do ânus e, em sua periferia, ia-se aprofundando até fechar-se num imperceptível orifício já bem interno. Mesmo em pleno contexto erótico, não pude evitar de abrir a boca.
– Você já deu muitas vezes, Tiago?
– Foi assim que eu comecei.
– Porque a sua primeira vez foi com um ativo?
– Não. Porque eu comecei com os meus meios-irmãos, mais velhos que eu.
– Ah, entendo. Você prefere não falar nisso?
– Tanto faz.
– Como você preferir.
– Não vou dizer que eu não queria porque seria mentira. Mas às vezes eles me comiam a dois durante um tempão, quando não levavam mais um ou dois amigos lá em casa para me comer.
– Entendo. Isso não tem nada a ver com gostar.

Olhei Tiago bem nos olhos e senti que ele era forte quando a essa questão. Ao que tudo indicava, isso não o tinha traumatizado. Não havia nele sinal de sofrimento ou revolta. Ele apenas respondera à minha pergunta sobre sua conformação anal e eu me dei por satisfeito.

Durante o nosso pequeno diálogo, permanecemos na mesma posição, mas o longo membro de Tiago saiu da rigidez absoluta que ele acabara de atingir e voltou a repousar sobre a barriga. Vendo-o na minha consistência predileta, tornei a empunhá-lo, disposto a ir até o fim. Introduzi o mais que pude na boca e retirei-o pressionando-o com força, arrancando um grunhido de Tiago, que se agarrou com as duas mãos ao meu cabelo. Em seguida, chupei um dedo indicador para lubrificá-lo bem e introduzi-o suavemente no cu aberto, enquanto pus-me a sugar o pau com vaivéns ritmados, sentindo na boca a mudança rápida da consistência, de macia para completamente rígida. Tiago tensionou as coxas, puxou meu cabelo, gemeu, contorceu-se, agitou a cabeça e gritou: "Ai, tio! Porra, que tesão! Vai, mama esse caralho! Faz ele gozar! Quero te dar leite!"

Ajoelhado no sofá, entre as pernas de Tiago, empunhando com toda força a tora vertical e masturbando-a simultaneamente na região da base, perdi a conta de quantos vaivéns foram necessários para levá-lo ao orgasmo. Embora ele gemesse sem parar e manifestasse estar literalmente subindo pelas paredes, sua resistência à felação era notável, coisa de um verdadeiro profissional. Um terço do seu mastro, agora rijo como um pau (!), saía encharcado da minha boca, ligado a ela por um fio de saliva espessa, para tão-logo voltar a desaparecer dentro dela. Ainda assim, foi só quando eu tive a idéia de concentrar-me no freio da glande e massageá-lo fortemente com a língua que o resultado começou a anunciar-se. Senti a mão de Tiago vir ajudar-me a masturbá-lo com mais força e, instantes depois, seu rosto se desfigurou e sua boca se escancarou num longo "Ahhhhhhhhhhhh!", enquanto os jatos começaram a se suceder, longos jatos que eu direcionei para o seu próprio corpo e que iam deixando rastros de esperma em seu cabelo, rosto, peito e barriga enquanto o corpo inteiro de Tiago se convulsionava em espasmos titânicos. Quando eu revejo na imaginação aquela extraordinária emissão de esperma, fico abismado até hoje. Eu esperava algo vigoroso, sim, mas o que vi foram seis ou oito jatos densos e longos, separados por intervalos não menos expressivos, que colidiam com o corpo de Tiago formando generosos veios leitosos que logo se espalhavam e escorriam pela curvatura do corpo. O que lhe atingia o rosto, ele recolhia com os dedos e levava voluptuosamente à boca, dando um sorrisinho malicioso convidando-me profissionalmente a imitá-lo. Servi-lhe os excessos, que fui recolhendo pelo seu corpo e fazendo-o sorver, vez por outra introduzindo-lhe dois dedos na boca, que ele chupava, deixando-os quentes e molhados, o que se refletia nas pulsações do meu pau continuamente duro. Não tenho dúvida de que aquele foi o mais prodigioso orgasmo a que já assisti.

Depois dessa longa sessão de felação, fomos ao banheiro para mais um banho, o que me permitiu ver mais uma vez o corpo desnudo de Tiago em pleno movimento, sua bunda, coxas, barriga, peito, ombros... Ao vê-lo molhado sob o chuveiro excitei-me novamente e, compreensivo, Tiago afastou as pernas para me deixar penetrá-lo uma vez mais. Não vou descrever uma cena corriqueira a leitores tão exigentes a habituados ao texto erótico. Vou apenas mencionar que comer Tiago de pé, voltado para os ladrilhos do box, agarrando-o pela cintura e saindo dele apenas para o orgasmo – que escorreu pelas suas coxas e se perdeu nas águas do ralo –, sentir suas mãos esfregarem as minhas e seu corpo empinar-se contra o meu, todo esse contato, somado aos momentos que vivêramos antes, despertou em mim um sentimento de intimidade que, embora  presente em estado embrionário, ainda não havia dado mostras de que ia evoluir. Foi naquele momento, naquele segundo banho, que senti a primeira centelha de real afeição por Tiago. Quando saí dele, em vez de afastar-me, deixei-o virar-se e ficar a centímetros do meu corpo. O beijo aconteceu espontaneamente, um beijo longo e muito profundo que o deixou visivelmente perturbado, um beijo que escapou ao seu controle de profissional e ao meu de "curioso" científico e racional. Enquanto esse beijo imprevisível se eternizava, minha mão passeou pelo corpo liso e fime e nossos sexos pulsaram juntos. Ainda pude, uma última vez, percorrer o caminho que surgia logo atrás do saco para adentrar o rego da bundinha, demorando-me no períneo e terminando no cuzinho generoso, introduzindo um dedo nele, depois dois, e entregando-me àquele beijo tão necessário e improvável.


O dia ia se escoou rapidamente. Por volta das cinco da tarde, convidei Tiago a um shopping, onde poderíamos comer e – eu não lhe disse isso – comprar roupas. Fomos ao Rio Sul, o mais próximo. Comemos carne vermelha, tomamos um vinho, Tiago adorou o tiramisu e, em seguida, fomos percorrer algumas lojas do shopping. Ele saiu de lá vestido da cabeça aos pés. Voltamos para casa, conversamos um pouco, fizemos sexo mais uma vez, desta vez na cama, e dormimos profundamente. Fui acordado pela felação que ele me fez de manhãzinha, mas não me levantei e logo tornei a pegar no sono. De madrugada, eu me levantara e pusera um bom presente em dinheiro em sua calça nova, com um bilhete que dizia: "Você foi delicioso como uma amante. E acredite, sei do que estou falando." Assinei com um beijo.

(continua na parte 3.1)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Eu gostaria de receber um parecer seu. Obrigado!