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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

Sonho Espanhol (folhetim, episódio IV)

4. Santuário

A subida era coroada por uma praça onde uma multidão de jovens apreciava a paisagem impressionante do mar de colinas verdejantes que se estendia a perder de vista até parecer fundir-se na imensa cordilheira de cimos brancos. Senti que Isabel estava em seu ambiente. Sem se apressar e sem sair do meu lado, ela saudou alguns conhecidos, que me sorrriam gentilmente assim que ela me apresentava. Nenhum deles parecia estranhar a diferença de idade entre sua amiga e o estrangeiro desconhecido que ela levava àquele verdadeiro santuário da juventude, onde belos rostos bronzeados, cabelos longos, tatuagens exóticas, umbigos ornados de piercings, coxas à mostra, seios soltos nas blusas e torsos nus mesclavam-se tão profusa e naturalmente que banalizava-se a sensualidade habitualmente suscitada pelo corpo humano.
– Já perguntei sua idade, Isabel? perguntei, num intervalo entre dois "hola".
– Fiz dezenove há duas semanas.
– Dezenove?! Eu estava apostando em vinte e dois!
– Haha! Já estou parecendo mais velha, é?
– Não é isso, mas quando vi você pela primeira vez no café...
– É que lá, eu fico mais séria. Gosto dos frequentadores, eles me vêem todo dia e me tratam bem; mas sei que alguns são "danadinhos" e que não posso facilitar. Aqui, eu volto a ter a dezenove anos porque somos todos da mesma faixa de idade e alguns são até do meu grupo. Para dizer a verdade, eu já olho para eles sem ver, de tanto costume. Mas não vamos parar aqui não, Marcos; quero te mostrar um lugar muito especial.

Descendo alguns metros por uma das ruas que tangenciam a praça, chegamos a um forte medieval deixado em ruínas, do qual sobraram apenas fragmentos de muralhas e torres, caminhos, patamares e um amontoado de pedras. Entramos pelo que outrora teria sido um portal guarnecido de uma colossal porta de madeira em duas folhas, e qual não foi minha supresa ao descobrir que o amplo espaço interior era agora frequentado pelos jovens e essencialmente para as finalidades que lhes impõem seus vícios e pulsões! Isabel me levou até um patamar bem elevado de onde tínhamos uma ampla vista das ruínas e uma paisagem circundante de tirar o fôlego. Olhando para baixo, víamos principalmente casais se amando, totalmente alheios aos eventuais espectadores. Alguns solitários ou duplas de amigos fumavam seus baseados ou contemplavam a paisagem, mas a tônica eram os casais abraçados, trocando beijos e carícias. Via-se de tudo, desde simples abraços de torso nu ao estilo dos anos 70 até o ato consumado, passando pela masturbação e a felação.

Em poucos minutos, pude observar que o procedimento mais comum era simples: o casal entrava no forte e procurava por pedras cuja altura permitisse que ela, estrategicamente vestida de saia, se sentasse a uma altura em que ele pudesse penetrá-la de pé. Era engraçado vê-los procurando pela pedra adequada, experimentando algumas e em seguida despindo-se para por a teoria na prática. Isabel, muito à vontade, chamava-me para apontar os casais que mais a interessavam e ficávamos os dois a admirá-los, sem nos importar se podíamos ser vistos por eles ou não.
– A primeira vez que vim aqui, entrei virgem! disse ela, dando um risinho.
– Haha! Você fala como de um abatedouro!
– Foi bem ali, disse ela, apontando para um resto de torre quadrada de cerca de 5m de altura onde víamos um casal conversando e fumando, ambos de torso nu.
– Para terem vindo até aqui, é porque você queria isso, acertei?
– Ah sim! Faz quatro anos. Eu era louca pelo menino que me trouxe aqui. Fiquei doente quando terminamos! Mas isso é passado.
– Claro, e faz parte da vida de todo mundo! É importante ter vivido uma "fossa".
– Acho que hoje sei disso.
– E como foi, assim que você entrou no forte? Não se assustou com o que viu?
– E como! Assim que entramos, havia quatro meninos transando lado a lado com quatro meninas sentadas naquelas pedras, ali. A primeira coisa que vi foram as quatro bundas brancas indo e vindo com muito vigor, provocando um barulhão e fazendo as meninas gemerem muito. Aquilo me deixou tensa, achando que elas estivessem sentindo dor. Meu namorado teve que gastar muita saliva para me convencer de que tudo aquilo era prazer.
– Haha! O espectro da dor! Você sabia que isso afeta os homens também? Nos meninos não operados de fimose – fui um deles –, a glande é muito sensível e a gente morre de medo só de imaginar que ela possa ser esfregada ou comprimida.
– É, eu sei. E o meu ex-namorado sentia mais dor do que eu quando fazia sexo anal. Ele me dizia que chegava a esfolar!
– E você pode acreditar! O segredo do sexo anal é a lubrificação, porque...
– Olha só aqueles dois! Foi exatamente isso que vi quando entrei, interrompeu Isabel, um pouco sem jeito com o rumo que a conversa ia tomando.

Um jovem magro e cabeludo empreendia de pé e com a calça pelo meio das coxas um vaivém furioso, enquanto a menina que, sentada, dera um jeito de erguer e escancarar as pernas, gemia como se estivesse sendo torturada, firmemente agarrada aos antebraços do rapaz.
– Vendo e ouvindo sem jamais ter feito, é de apavorar mesmo! Seu namorado deve ter sido realmente persuasivo. Mas pelo que estou vendo, a vinda ao forte não traumatizou você tanto assim, acertei? brinquei, dando-lhe um empurrãozinho com o ombro, que ela retribuiu com outro.
– Olha! exclamou ela, apontando para outra direção, num recanto mais isolado.

Desta vez, viam-se dois rapazes, um deles debruçado numa pedra com a cabeça repousando sobre os braços e o outro, dotado de um membro considerável, por trás, penetrando-o e vez por outra acariciando-o e beijando-lhe as costas, talvez para tornar a coisa mais suportável.
– Sem preconceito? perguntei.
– Bem pouco. Tenho amigos gays que vêm aqui. A polícia é que não gosta. Quando há batidas, os gays sofrem mais que os outros. São levados para a delegacia, fichados e humilhados antes de serem liberados.
– Isso é pena. Mas pelo que vi na praia, tenho certeza de que o preconceito nem se compara ao que existe no Brasil, onde ainda se lincham gays.
– Ah, aqui isso só acontece bem no interior, e mesmo assim cada vez menos. Os homossexuais conquistaram muitos direitos ultimamente, aqui na Espanha.


Era impossível não excitar-me com o clima erótico que emanava das várias cenas que se desenrolavam simultaneamente diante de nós. Conjeturei que o tempo de fazer pequenas loucuras como aquelas talvez não fosse passado para o quarentão que eu era. Mas embora muito entusiasmado por Isabel e convicto de que ela estava em plena experimentação acerca dos seus própros atrativos, cobrei-me paciência porque ela ainda não me dera nenhum sinal de que seria favorável a uma aproximação mais íntima comigo. Da minha experiência de "playboy", aprendi que a jovem é sujeita a empolgações passageiras que podem gerar desejo, mas os momentos de pico da libido, nesses casos, são no mais das vezes lampejos de curtíssima duração acompanhados de temores e ansiedades das mais diversas naturezas, e perfeitamente justificáveis. Ao mesmo tempo em que a jovem quer ser amada pelo homem experiente, consciente de que ele será capaz de proporcionar-lhe momentos infinitamente mais prazerosos que os desajeitados encontros-relâmpago que ela teve com seus namoradinhos até então, ela é assaltada pelas imagens de uma eventual esposa, de eventuais filhos desse homem, e do que será o day after numa relação com ele, isso tudo para não mencionar a diferença de idade. Eu não queria viver isso com Isabel. Eu queria que ela tivesse a certeza de desejar estar comigo, a certeza na duração e não num momento de pico hormonal, e para isso, era preciso dar tempo ao tempo.

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