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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

O Despertar de Bruna

Capítulo I – Primórdios Idílicos

Ela foi uma autêntica filha do campo durante os anos de infância. À medida, porém, que seu corpo e as reações suscitadas por ele foram modificando sua maneira de interpretar as pessoas que a cercavam, no ambiente inautêntico de fazenda de latifundiários em que ela nasceu e cresceu, Bruna foi desenvolvendo uma percepção atípica do relacionamento afetivo. É da história da transformação do caráter dessa jovem camponesa e das consequências disso para a sua vida que trata a presente narrativa.

Desde cedo, Bruna chamara a atenção pela beleza dos traços e pela expressividade do olhar. Sempre cercada pelas pessoas que tanto enfatizavam o aspecto físico em detrimento das qualidades mais sutis, freqüentemente levada à sede da fazenda para que todos a vissem, mimassem e para que fosse o "brinquedo preferido" das patroazinhas, quando estas vinham da cidade, ela foi sentindo-se amada e segura de si. Todos sorriam, todos a solicitavam, todos queriam sua companhia. Ela raramente era repreendida, e se porventura acontecesse um incidente, a repreensão ia para aquele que, dentre os filhos ou filhas do proprietário, estivesse com ela no momento. Bruna se sentia crescendo como a filha adotada de um riquíssimo dono de indústria que vinha à sua propriedade rural improdutiva unicamente para descansar do estresse urbano. Mal sabia ela que esse homem que ignorava tudo da verdadeira vida de fazenda nem sequer cogitava do que se passava na cabeça dessa filha de empregada que se tornara como parte do mobiliário.

Aos poucos, como toda menina, Bruna foi tomando corpo, mas o seu desenvolveu-se com uma excepcional harmonia de proporções, o que a poupou da fase em que a maioria das adolescentes se sentem desgraciosas, algumas desenvolvendo complexos por vezes irreversíveis. Aos doze, Bruna "virou mocinha" e aos treze já tinha formas de mulher. De um moreno da pele muito claro, cabelo cor de milho, denso e naturalmente trançado como cordas, olhos de um raro tom de verde, lábios bem feitos e uma pele que despertava o desejo de acariciar, a menina do campo sempre sorridente e tranquila seduzia quem quer que a encontrasse.

Mas a expressão do olhar de Bruna revelava uma inteligência vivaz e determinada, servindo inconscientemente – e talvez trabalhando contra ela – como uma barreira que inibia a maioria dos camponeses que a cercavam e levando-a a desejar relacionar-se exclusivamente com os donos da fazenda. Por donos entenda-se "Seu" Rodrigo Albuquerque e Dona Flora, sua esposa, assim como os seus oito filhos: cinco meninos e três meninas. No ano em que Bruna fez catorze anos, Tiago e Flávio, sempre tratados conjuntamente de "os gêmeos", tinham quinze anos, Caio tinha dezesseis, Luciano dezoito e Augusto vinte e um. As meninas, Julia, Clara e Isabel, tinham onze, doze e catorze anos respectivamente. Foi entre os bem nascidos membros dessa família, "os Albuquerque", como sua mãe lhe ensinara a tratá-los, que Bruna se habituou a crer que transitasse com toda naturalidade e que estivesse criando suas primeiras relações.

Nos primeiros anos, Bruna se sentira como a amiga inseparável das meninas, principalmente de Clara, a do meio. Com o passar do tempo, ela foi entrosando-se com os meninos, principalmente com Caio, muito reservado e quase sempre solitário, e com os gêmeos. Luciano e Augusto, sobretudo este último, por ser bem mais velho, a deixavam um pouco inibida. Sempre que a família vinha à fazenda, imediatamente mandavam sua mãe ir chamá-la em casa e ela passava os dias inteiros com eles, fazendo as refeições na sede da fazenda e por vezes dormindo lá, no quarto das meninas.

Como não poderia deixar de ser, a educação mais aberta e liberal recebida pelos filhos dos donos da fazenda ia sendo passada subrepticiamente para Bruna. A cada vinda da família, Isabel tinha algo a contar-lhe e os meninos se mostravam diferentes em relação à vez anterior. Completados treze anos, Isabel e Bruna passavam longos momentos conversando. Ela falava do comportamento dos meninos da cidade e das suas próprias reações. Bruna conhecia apenas a franqueza abrupta e simplória dos meninos da escola pública do vilarejo e isso a fazia desejar cada vez mais distanciar-se deles. Isabel lhe contava como os meninos a assediavam, descrevia os beijos de língua, as primeiras "mãos bobas", e tentava explicar como se sentia quando estava com algum que a agradasse mais. Isso foi dando a Bruna o desejo de ser iniciada no amor.

Desde sempre, Bruna tivera com Caio uma relação peculiar: discreta, quase silenciosa, mas muito íntima. Assim que ficaram um pouco mais velhos, eles passeavam pelas alamedas do jardim que cercava a imensa sede colonial retangular, branca, com duas fileiras de janelas azuis. Eles colhiam jaboticabas, iam ver os animais no pasto e passeavam a cavalo. Quando ela fez catorze e ele quinze, foram autorizados a trocar a piscina da casa pela cachoeirinha, que ficava a uns oitocentos metros da casa pela estrada de terra batida. Antes, porém, de prosseguir, proponho darmos um passo atrás para que a visão em perspectiva enriqueça a compreensão dos fatos.

Até então, quando era convidada a ir brincar na piscina com as outras crianças, Bruna simplesmente despia-se e ficava de roupa de baixo, não se importando de ser a única a não possuir maiô, mas assim que seu peito começou a se diferenciar do peito dos meninos e os primeiros pêlos pubianos despontaram, ela não se sentiu mais à vontade e passou a recusar sistematicamente os convites para ir à piscina dos Albuquerque. Percebendo isso alguns anos depois, Isabel, sua coetânea, chamou-a um dia ao seu quarto, abriu uma das gavetas da cômoda repleta de biquínis e maiôs e lhe pediu que escolhesse aquele que preferisse. Quando Bruna se despiu para experimentá-los, Isabel ficou boquiaberta diante do esplendor do seu corpo. Num instante, ela percebeu o quanto o seu próprio corpo era "desengonçado" em comparação às formas perfeitamente harmoniosas da sua amiga camponesa. Embora muito bonita de rosto, Isabel era alta e filiforme, sem cintura definida, e os seios ínfimos limitavam-se quase aos mamilos. Bruna já tinha seios, coxas e nádegas não só proporcionais, mas realmente invejáveis quanto à forma e dimensão. Era um corpo de mulher numa menina de um metro e meio! Isabel aproveitou a ocasião para dar várias dicas de cuidados e higiene à amiga, começando pelos pêlos em geral, que deviam ser eliminados, com exceção talvez dos pubianos que, no entanto, deviam estar sempre bem aparados e cheirosos. Contudo, ela revelou a Bruna que uma das fantasias dos meninos era vê-las totalmente depiladas porque eles gostavam de passar a língua bem ali. Bruna torceu o nariz e achou de muito mal gosto que eles quisessem ficar com sabor de xixi na língua. Por fim, ela escolheu um ou dois biquínis, dentre os quais um de padrão estampado que combinava cores vivas e outonais, em perfeita consonância à sua cor de pele e cabelo. Era esse o seu preferido.

No início, Isabel ia sempre à cachoeira com o seu irmão Caio e Bruna, mas foi-se aos poucos desinteressando e preferindo ficar no Rio para ir às festinhas de fim de semana, cujos convites começavam a pulular. Bruna habituou-se a ir sozinha com Caio, um programa que lhes era especialmente agradável. Um belo dia, ele surpreendeu-se a reparar nela, caminhando ao seu lado vestida apenas de roupa de banho. O sutiã do biquíni lhe pareceu mais "cheio", uma linha quase invisível de pelinhos alourados agora descia do umbigo, a calcinha justa sutilmente sulcada agora esposava o corpo, a cintura esculpira-se, a curvatura das costas acentuara-se… Tudo isso, Caio descobriu no mesmo dia e sentiu no baixo-ventre as repercussões dessa descoberta. Com o passar do tempo, ao ir secar-se e tomar sol na rocha tépida, Bruna foi instintivamente assumindo a atitude das meninas da cidade, deitando-se com os braços por trás da cabeça e elevando um pouco uma das pernas, virando a cabeça para um dos lados e fechando os olhos. Isso tudo "perturbava" Caio. Por trás do véu transparente da queda d'água, mergulhando para dar algumas braçadas na parte mais funda ou catando pedrinhas na parte rasa, Caio e Bruna haviam até então brincado como irmãos, mas a partir daquele dia, Caio não conseguia mais olhá-la do mesmo modo.

Sentado de pernas esticadas, apoiado com as mãos na rocha porosa e quente, Caio constatou pela enésima vez o volume na sunga e decidiu que não ia mais ocultá-lo. Instantes depois, Bruna perguntava por que é que "aquilo" estava daquele jeito. Ele respondeu que o motivo era ela. Isso aguçou a curiosidade da menina e ele autorizou-se a mostrar o efeito que o corpo de uma mulher produz no corpo de um homem. Era a primeira vez que Bruna via o sexo masculino daquele jeito. Ela já vira seus primos nus, mas eram todos muito mais novos que ela e por mais curiosa que ela ficasse, o que eles exibiam abaixo da cintura era-lhe completamente insignificante. O que o seu amigo lhe mostrava pareceu-lhe como um estranho dedo que despontava de um invólucro flácido recoberto de uma densa floresta de pêlos escuros e crespos, um dedo mais longo e mais grosso que os demais, desagradavelmente curvado para o lado.
– Pode tocar, se quiser.
– Assim? Bruna empunhou-o como quem dá a mão.
– É, fez Caio, maravilhado com a novidade.
– É torto! comenta ela, tentando endireitá-lo.
– Pode apertar que não dói.
– É duro!
– Tem que ser. Senão não entra.
– Aqui, né? fez ela, apontando para si mesma.
– É.
– O que tem nesse saquinho?
– Dois ovos.
– Ovos? Pra quê?
– Ah, sei lá. Tem a ver com fazer filho...
– Posso tocar também?
– Pode.
– É gozado!
– Ai!
– Que foi? Aí dói?
– Você nunca viu ninguém levar um chute no saco?
– Ah, já! Uma vez, o meu primo rolou no chão de dor.
– Então!
– Credo! Não toco mais.
– Pode tocar, mas devagar.
– Prefiro pegar no pinto.
– Quer ver uma coisa?
– Quero.

Caio retomou seu sexo e começou aplicadamente a masturbar-se diante dos olhos interrogativos da amiga.
– O que você está fazendo?
– Tocando punheta.
– Pra quê?
– Pra gozar, ué!
– Gozar? O que é isso?
– É uma sensação deliciosa que vem enquanto sai um líquido branco.
– Xixi?
– Não.
– Mentira!
– Juro!
– Mostra!
– Quer fazer?
– Tá bem.

E Bruna reempunhou o tal dedo branco e torto, reproduzindo os gestos de Caio, observando suas reações, os olhos se fecharem e as mãos se crisparem sobre a superfície rochosa.
– É tão gostoso assim?
– Demais! Não pára que eu já estou quase.

Caio pôs a mão por cima da sua para ensinar-lhe a pressão ideal. Boa aluna, Bruna não tardou a levá-lo ao clímax.
– Vou gozar. Ahhh!
– Nossa! fez ela, impressionada.
– Continua!
– Mas está espirrando na tua barriga!
– Não faz mal, é assim mesmo! Só não pára!

A explosão inicial surpreendeu Bruna, mas vendo o prazer na expressão de Caio, ela logo se acalmou, voltando a sorrir e a olhar com curiosidade para aquele fenômeno que ela via pela primeira vez na vida. Quando a ejaculação se esgotou, ela tirou a mão, mas continuou olhando para aquele estranho verme pulsante e para as pocinhas na barriga e peito de Caio. Ele tocou numa delas e lhe ofereceu a cheirar. Ela hesitou, teve um pouco de nojo, mas consentiu. O odor lhe pareceu indescritível… e fétido.
– Ruim, né?
– Bom é que não é, haha!
– Tem mulher que engole. Eu já vi vários vídeos.
– Não conta mentira!
– É sério! Aparece a mulher chupando, depois ela fica de boca aberta e o cara faz na boca dela.
– Que nojo!
– Eu já vi cara de nojo, mas geralmente elas gostam.

Bruna olhou para longe para desconversar, mas continuava curiosa. Enquanto Caio puxava a sunga, conformado com o fato de que nem tudo ia poder ser feito no mesmo dia, ela esfregava a mão na rocha áspera, meio sem saber como entrar num assunto.
– Sabe de uma coisa? ousou ela.
– O quê?
– É… Ah, não sei explicar!
– Agora que já começou, tem que falar!
– Quando eu passo o dedo…
– Passa o dedo aonde: na pedra?
– Não! Ah, você sabe!
– Sei nada! Explica direito!
– Aqui, ué! diz ela, apontando para si mesma.
– Ah sei! O que é que tem?
– Dá um tipo de nervoso, que nem um choque, mas depois é gostoso.
– Eu sei. Mulher goza que nem a gente.
– Igualzinho? Espirra longe também?
– Sei lá, não sou mulher.
– Se quiser pode fazer em mim. Quer tentar?
– Quero.

Bruna então soltou um laço da calcinha do biquíni e Caio pôde ver os pelinhos castanhos que começavam logo abaixo da marca do elástico. Sentando-se sobre uma das pernas, ele se virou de frente para ela, olhou atentamente e, com a mão livre, tocou-a, sentindo a estranha textura dos lábios. Ao primeiro contato, Bruna teve um sobressalto, mas logo deu liberdade à nova sensação. Ela já se acariciava no banho e na cama, e gostava disso, mas era precisamente naquele momento que o seu corpo parecia estar pronto a responder a esses estímulos pela primeira vez de maneira plena. Do clitóris, Caio sabia vagamente que ficava no alto, mas nada ali chamava a sua atenção mais do que qualquer outra parte dessa estranha fenda no corpo feminino tão bonito. Sendo assim, ele se concentrou no movimento, pressionando e esfregando os dedos em toda a extensão da coisa, enquanto Bruna respondia com tremores nas coxas e um movimento instintivo da pélvis, logo começando a gemer baixinho, respirando forte e guiando a mão de Caio como ele fizera.
– Está gozando? perguntou ele, olhando-a nos olhos.
– Ainda não. Continua.

Curioso, Caio acabou ensaiando introduzir a ponta do dedo no lugar certo, mas Bruna soltou um berro e o interrompeu bruscamente, puxando-lhe a mão. Ele não precisou de maiores explicações para inferir o significado de virgindade para uma jovem do campo e voltou a acariciá-la superficialmente. Mas por mais que ele se esforçasse, ela não chegava ao mesmo estado que ele. Caio foi perdendo a motivação.
– Não vai gozar?
– Calma! Continua.

Carinhosa, ela aproximou-se para beijá-lo, enquanto voltava a tocá-lo para, de alguma forma, compensá-lo pelo seu empenho e reduzir sua frustração. Ela sabia que não chegaria ao orgasmo assim. Muito excitado, foi Caio que teve um novo orgasmo, desta vez molhando sua mão.
– Nossa! Tem muito disso aí dentro?
– Sei lá! retrucou ele, divertido. Mas dizem que mulher goza muito mais forte que a gente. Homem goza rápido, só enquanto o esporro sai.
– Esporro?
– O nome certo é 'esperma', mas ninguém diz. Tem gente que diz 'porra', mas eu não gosto dessa palavra. E 'leite' não tem nada  a ver.
– Nada mesmo! E o da mulher se chama como?
– Sei lá, acho que é só 'gozo' mesmo.

É claro que Bruna desejava que Caio fosse mais longe, mas sua consciência de que o prazer poderia ser infinitamente maior quando tudo acontecesse "como se deve" a mantinha lúcida. Esse primeiro orgasmo pelas mãos dele viria um dia, pensou ela, mas as sensações provenientes da simples carícia já lhe pareciam ser evidência gritante de que o seu corpo era afeito a esse tipo de prazer.
– Hum… está tão gostoso! Quando eu… Bom, quando eu… gozo, lá em casa, sinto uma coisa no corpo inteirinho, como um arrepio forte, daí vem uns choques e molha tudo!
– Eu queria ver.
– Outro dia. Hoje não está dando certo.
– Se você quiser, a gente faz tudo, propõe Caio.
– Tudo como?
– Tudo, ué! Tansar. Só não dá pra transar e ficar virgem, você sabe, não é? E tem que ser de camisinha.
– Eu sei. Eu não ligo, mas a minha mãe não ia poder ficar sabendo, senão morreria de tristeza. Ela vive dizendo que vai me casar virgem.
– Você tem que pensar bem antes de fazer.
– Você é legal, Caio. Por isso eu te adoro.

Uma onda de paixão percorreu os dois corpos e Bruna puxou a cabeça do amigo querido para um novo beijo. Ela agora era sua namoradinha da fazenda, estaria à sua espera e à sua disposição. Depois de um longo banho de cachoeira, eles voltaram de mãos dadas para casa, brincando de dar formas estranhas às imensas sombras longilíneas projetadas pelo por do sol sobre a terra batida.


Capítulo II – Promessas do Campo

Entre uma vinda e outra dos donos da fazenda, Bruna passava a maior parte do tempo em casa, com seus pais. Ela ia à escola, encontrava vizinhos, mas tinha uma relação de pouco envolvimento com qualquer pessoa que não fosse da família dos proprietários. Muitos a consideravam pretensiosa – "metida", como se dizia na região – e acabavam evitando sua companhia, o que não a entristecia, pelo contrário: isso lhe dava tempo para passear sozinha em torno da sede, imaginando-se casada com Caio, Luciano ou ou até – por que não? – Augusto. Durante o seu flerte à distância com Caio, Bruna alimentava esse sonho e passou a desejar intensamente que ele se realizasse.

Porém, o estatuto de "namoradinha da fazenda" não garantia nada a Bruna. Caio tinha sua vida no Rio e sequer hesitava em trocar a lembrança de que ela estava à sua espera na fazenda por uma nova experiência com alguma menina da cidade. Pelo contrário, essa lembrança lhe dava a segurança que faltava para vencer sua introversão natural. Logo nas vindas seguintes à fazenda, Bruna já o sentiu outro, cada vez mais distante, desinteressado, ocupado com suas próprias coisas, até que eles não estiveram mais juntos, não foram mais à cachoeira, não andaram mais de mãos dadas, não mais se beijaram. Bruna passou o feriado da Semana Santa inteiro enfurnada em casa, calada e triste. Algumas semanas depois, descobrindo que Caio não tinha vindo com o resto da família nem lhe mandado um recado, ela se convenceu de sua insignificância aos olhos do patrãozinho.

Na turma da escola, Bruna tinha um colega que se comportava de modo selvagem com as meninas, o Tonho. Certa vez, ele chegou a abrir a calça, exibindo-se em plena ereção para uma delas, que recuou horrorizada ao som das gargalhadas do resto da turma. Por essa época, Bruna já tinha vivido sua história com Caio, na cachoeira, e a cena na escola despertou a libido nascente que ela reprimira um pouco depois da decepção sofrida. Ela se tornou receptiva a Tonho, sorrindo para ele e encorajando-a a uma abordagem, que não tardou muito a acontecer. Na sala de aula, o rapaz deu um jeito de se tornar seu vizinho de carteira e não perdia uma oportunidade para olhar as coxas que a sainha plissada da garota mal cobria até a metade. Bruna não o impedia e até olhava discretamente para o colo dele, percebendo na calça de tergal desse vizinho irrequieto o efeito produzido por ela.

Como Bruna não o deixasse ultrapassar o limite do olhar, Tonho foi ficando visivelmente agitado ao seu lado, ajeitando o sexo indisciplinado vezes sem conta por causa de alguma tremenda ereção que perseverava às vezes por aulas a fio. Isso despertou nela o desejo de testar até onde Tonho manteria a compostura. Num dia em que o número de ausentes foi tal que a carteira deles era a única ocupada de uma fileira de cinco, Bruna esperou que Tonho a olhasse e assim que notou o volume formando-se na calça, começou a passar distraidamente a mão pela própria coxa, forçando a sainha a subir ainda mais. A respiração do Tonho alterou-se e Bruna viu delinear-se uma barra pulsante sob o tergal da calça. O desconforto do rapaz foi tamanho que ele teve que pedir ao professor para ir ao banheiro. Durante a sua ausência, Bruna imaginou-o masturbando-se e vertendo o líquido leitoso e fétido que Caio lhe mostrara na cachoeira. Quando Tonho voltou, estava calmo e pôde enfim prestar atenção a uma aula, mas a cabeça de Bruna estava em ebulição; aquilo tudo começava  a despertar-lhe um interesse fora do comum.

Ir à escola começou a tornar-se, para Bruna e Tonho, sinônimo de ir excitar-se. Essa era a única motivação daquele filho de agricultores e da filha de empregados de fazenda recém saída de uma primeira frustração amorosa. Nada, nenhum sonho ou objetivo mais elevado os impedia de prosseguir nessa espiral de erotismo que literalmente bloqueava sua concentração e os impedia de progredir no estudo. Certo dia, cansada de apenas provocar, Bruna esperou que a rigidez insistente do sexo de Tonho começasse a incomodá-lo e, ao intuir que dentro de poucos segundos ele rogaria ao professor que o deixasse ir ao banheiro, pousou a mão sobre a protuberância que animava a calça de tergal. O rapaz manteve-se impassível para não chamar a atenção, mas olhou-a pelo canto dos olhos e sorriu um sorriso nervoso e cheio de malícia que dizia tudo. Bruna sentiu as pulsações em sua mão e, notando que Tonho voltara a olhar para suas coxas, abriu-as em sinal de convite, recebendo a manopla do camponês em cheio em seu sexo, já úmido por trás da calcinha. Um dedo pressionou a fenda, o que lhe deu a certeza de que seu vizinho já tinha alguma experiência. A sensação do contato com aquela mão forte foi tão intensa que ela teve que fechar as pernas. Tonho, por sua vez, sentindo-se masturbado por fora da calça, agitava-se, apreensivo com a possibilidade de ter uma ejaculação tão farta que pudesse transparecer em sua calça de uniforme – a única. Para evitar o desastre, ele tirou a mão de entre as pernas de Bruna, sendo seguido por ela. Os dois estavam tão perturbados que não se olharam mais até o fim da manhã.

Aos poucos, Bruna foi percebendo que não podia continuar a torturar Tonho sem dar-lhe nada de compensatório em troca. Ela tinha certeza de que ele se masturbava quando pedia para ir ao banheiro, mas notou que o remédio foi perdendo o efeito; em vez de aliviado, ele voltava acabrunhado para o seu lado. Sem saber o que fazer, ela parou bruscamente de provocá-lo. No mesmo dia em que isso aconteceu, Tonho, cujo caminho de casa era oposto ao seu, tomou a mesma direção. Durante as primeiras centenas de metros, Bruna não deu muita atenção, mas acabou perguntando aonde ele ia. Sem dizer palavra, o rapaz saiu da estrada de terra batida, andou até um arbusto e, certificando-se de que não vinha ninguém, baixou a calça até o meio das coxas, respondendo à pergunta de Bruna da maneira mais eloqüente. Entendendo que chegara a hora de dar o passo seguinte, ela foi juntar-se a ele, que continuava lá, de calças arriadas, exibindo simploriamente o estado em que se encontrava.

Eles caminharam um pouco juntos, procurando um lugar onde pudessem enfim dar vasão a pelo menos parte da energia sexual reprimida por tanto tempo. Chegando a uma área não cultivada por trás do milharal que ladeava a estrada, Tonho procurou uma árvore, recostou-se nela e baixou novamente a calça até os pés, abrindo a camisa do uniforme. Bruna não se fez de rogada e se aproximou, olhando diretamente para o volume na cueca, depois para as coxas grossas e musculosas, a barriga e o peito, já tão fortes naquele futuro peão que a excitava tanto. Aos dezoito anos incompletos, com seu rosto imberbe de descendente de alemães, Tonho já era um homem e isso o tornava ainda mais desejável aos seus olhos. Abrindo também a blusa do uniforme, ela foi colar-se ao corpo do rapaz, deixando as costas da mão resvalarem no membro duro por fora da cueca. "Pega nele", pediu ele. Ela obedeceu, recobrindo a protuberância com a mão. Ao mesmo tempo, Tonho a envolveu pela cintura e puxou-a para si agarrando-a pelo alto das coxas. O vigor do puxão deu a Bruna uma idéia do risco da aventura. Ela precisava pensar rápido se não quisesse se arrepender amargamente.

Tonho subira seu sutiã e começara a acariciar seus seios com força, pressionando os mamilos entre os dedos de uma mão enquanto, com a outra, por trás, apalpava-lhe corpo por dentro da calcinha, percorrendo o sulco até a entrada da vagina e roçando o ânus ao voltar, quase arrancando-lhe um grito. Bruna logo sentiu-se insignificante nas mãos daquele camponês rude acostumado a lidar com o gado, cavalos, cabras e galinhas que ele via copular livremente. Ele a fez desvencilhar-se da calcinha enquanto livrava-se da cueca. Depois, como a sainha curta não atrapalhasse, ignorou-a ao erguer Bruna pelas coxas para tentar espetá-la no membro em riste.
– Espera! exclamou ela, espalmando-lhe uma mão no peito e empurrando-o.
– Que foi, sô?

Tonho se deteve e ficou olhando-a nos olhos, enquanto Bruna se debatia para ser posta no chão, sentindo-se ao mesmo tempo encharcada e pronta, cheia do desejo quase imponderável de ser penetrada por aquele animal indócil, mas também amedrontada, hesitante. Ela não podia pôr tudo a perder! E Caio? E a família dos patrões, que ela tanto queria que fosse a sua futura família? Ela não podia entregar-se a Tonho, arriscar-se a engravidar e arruinar o futuro que ela idealizara para si! Ela tinha que procurar outra solução, capaz de satisfazer o desejo imediato de ambos sem comprometer seus projetos. Puxando Tonho pela mão, ela fez com que ele trocasse de lugar com ela. Um pouco espantado, ele a viu dar-lhe as costas, apoiando-se no tronco maciço da árvore e oferecendo-lhe o corpo nessa nova posição, olhando para trás e seduzindo-o pelo canto dos olhos.
– Não quero ter filho, Tonho. Você sabe fazer por trás?
– Ara! Claro que sei! Tem certeza que você quer desse jeito?
– Tenho.

Tonho se aproximou, passou uma das mãos por baixo da sainha para agarrar Bruna pela cintura, cuspiu várias vezes na glande e introduziu-a entre as duas nádegas redondas, que se empinaram para franquear-lhe a passagem. Em seguida, apalpando o orifício para situá-lo, ele encostou-lhe a glande e começou a pressionar. Sentindo o início da expansão, Bruna franziu a testa, apertou os olhos, respirou fundo e esperou pelo pior. Mas Tonho sabia o que fazer; ele deu cutucadas curtas e leves até que o ânus relaxasse para acolher a extremidade da glande. Excitada, mas apreensiva, Bruna passou a acariciar-se entre as pernas, esfregando o ponto sensível que lhe dava tanto prazer durante as fantasias solitárias. Isso a distraiu um pouco e contribuiu na lenta conversão da dor em prazer. Sentindo o ânus ceder pouco a pouco, Tonho agarrou Bruna pela cintura com as duas mãos e começou a empreender o esforço contínuo para introduzir-se.
– Vai, mete! ordenou ela, sofrendo atrozmente.
– Fala umas coisas pra mim, Bruna.
– Tá. Mete no meu cu, fez ela, sumária, olhando para trás para tentar ver a penetração, mas só conseguindo ver o corpo de Tonho e muito vagamente o tronco claro, reto e grosso que ele se aplicava a afundar-lhe entre as nádegas.

Entretanto, o suor dos corpos e a lubrificação oriunda da excitação de Tonho acabaram facilitando um pouco a tarefa e Bruna pôde enfim sentir a glande de grosso calibre deslizar para o interior, o que a aliviou um pouco. Ela pediu a Tonho que ficasse por um momento imóvel dentro dela, mas ele a puxou para si para penetrá-la ao máximo, arrancando-a literalmente da árvore, que ela agarrara. Tirada do chão e agarrada com toda força pela barriga, Bruna sentiu o enorme corpo invasor avançando em suas entranhas. Seus dedos quase histéricos atacaram o clitóris quando Tonho, incapaz de controlar-se mais, iniciou um vaivém furioso, grunhindo e arfando atrás dela, molhando a sua nuca e ombro com saliva e impregnando o ar de um hálito quente e ofegante. Essa ação combinada levou-a a um grau de excitação que transcendia tudo que ela extraíra de sua modesta imaginação. Assim que ela sentiu a estocada fortíssima que precedeu a primeira emissão de Tonho, ela recebeu no sexo o choque que desencadeou o seu próprio orgasmo, que veio em ondas crescentes e se apoderou do seu corpo, terminando nas pernas, que perderam completamente o controle. Tonho dava-lhe ruidosos golpes de pélvis, mas a lubrificação era tão abundante que ela agora só o sentia entrar e sair sem nenhum atrito. Num instante de lucidez, Bruna viu que continuava acima do chão, as pernas soltas e separada da árvore cujo largo tronco lhes projetava sombra. Tonho, robusto e mais alto que ela, encontrara um modo cômodo de penetrá-la fundo enquanto a mantinha estreitamente junto a si. Foi só quando tudo acabou e que os movimentos cessaram, que ele a pousou no chão e pareceu enfim atender ao pedido de ficar imóvel dentro dela. Passando uma mão por entre as coxas, Bruna foi apalpar os testículos colados às suas nádegas e a verga profundamente cravada em seu corpo, enquanto Tonho ainda resfolegava em seu pescoço sussurrando-lhe coisas que lhe brotavam da lembrança de revistinhas pornográficas. Com o coração aos trancos, mas satisfeita, ela retribuiu voltando-se para trás, procurando os seus lábios e dando-lhe um beijo molhado.

Enquanto repunham a roupa, Tonho jurou que se ela quisesse ter filhos com ele, não precisaria pedir duas vezes; ele se casaria de papel passado. Bruna sorriu, olhando-o nos olhos e descobrindo-o bondoso e sincero. Depois passou a mão em seu rosto imberbe e vermelho, beijou-o de leve nos lábios e caminhou de volta para a estrada. Tonho soube que não devia segui-la nem tampouco procurá-la para tentar dar continuidade ao que acabara de se passar à sombra daquela árvore.


Capítulo III – Os Gêmeos

As semanas se passaram. Na escola, Bruna passou a sentar-se sozinha e a voltar diretamente para casa após as aulas. Numa tentativa de continuar sendo a menina caseira e comportada malgrado a recente experiência com Tonho, intensa e inegavelmente precoce, Bruna voltou-se para a mãe, ajudando-a em todas as tarefas domésticas, muito prestativa e disponível, evitando até mesmo suas amigas na vizinhança.

Num fim de tarde de terça-feira, cerca de um mês e meio depois do último encontro de Bruna com Caio, sua mãe voltou da sede da fazenda com a notícia de que os patrões passariam o fim de semana na fazenda. Mesmo sem esperar muito de Caio, Bruna não coube em si de felicidade; ela reveria as pessoas de que ela mais gostava no mundo, a família à qual ela intimamente esperava pertencer um dia. E os minutos escoaram gota a gota, embora não faltasse o que fazer. Era preciso limpar e abastecer o casarão para todo o fim de semana. De quarta-feira à manhã de sexta, elas não pararam de esfregar varrer, encerar, espanar, lavar e arrumar. Toda a família viria, portanto uma faxina em regra se fazia necessária, e Bruna foi a primeira a empenhar-se de corpo e alma.

Finalmente o dia chegou e por volta das 14h da sexta-feira, Bruna reconheceu as buzinadas alegres ao longe, na estrada de terra. Ela escolhera as roupas mais novas que Isabel lhe dera e sentia-se como alguém da família ao postar-se por trás do enorme portão azul pronta para abri-lo. Como de costume, Seu Rodrigo vinha na frente e D. Flora atrás, cada um com o seu carro. Bruna abriu as duas pesadas grades, eles entraram, estacionaram, mas só os gêmeos saíram da van verde garrafa dirigida pelo pai. Bruna foi invadida por uma decepção nauseante. Nem ela mesma sabia  o quanto contava com a vinda de Caio.
– Oi, Bruna! Você está linda, exclamou o patrão, pondo as mãos em seus ombros e afastando-a para olhá-la, depois dando-lhe dois calorosos beijos no rosto.
– Você cresceu mais um pouco desde a última vez, Bruna! disse D. Flora, carinhosamente, beijando-a e caminhando abraçada com ela até a escada de acesso ao varandão da casa.

Tiago e Flávio eram assustadoramente idênticos. Mediam um pouco menos de 1,70m, tinham a pele muito clara contrastando com o cabelo preto liso constamente desabando diante dos olhos, forçando-os a ajeitá-lo com um movimento brusco da cabeça que os tornava ainda mais iguais. Bruna os achava muito bonitos, mas esquisitos, meio intimidantes com seus sorrisinhos sarcásticos que surgiam do repuxar de uma das comisuras dos lábios. Ela preferia o Caio, com seu jeitão de bom menino tímido, mas ele não viera e isso significava que talvez nem a chamassem à casa durante o fim de semana porque ela não tinha intimidade com os gêmeos. E de fato, a sexta-feira terminou e a mãe de Bruna voltou para casa sem nada para dizer-lhe. Bruna foi dormir triste, com saudades de Isabel, Julia e Clara, de Caio, da animação da casa e da voz de comando, forte, mas sempre amistosa do Seu Rodrigo. Ela acabou tendo um pesadelo, dormindo mal e arrependendo-se do muito que concedera a Tonho.

No sábado de manhã, porém, Bruna reconheceu as vozes dos gêmeos chamando por ela fora de sua casa. Eles estavam de bicicleta, iam passear e queriam que ela fosse junto. Embora sem muita empolgação, Bruna aceitou. Vestiu uma saia curtinha, sua camiseta preferida, o tênis All Star – presentes de Isabel –, foi para frente do espelho, olhou-se de todos os ângulos, alisou a saia, deu uma última boa olhada e saiu. Os gêmeos acharam-na bonita e atraente, mas limitaram-se a entreolhar-se, sorridentes. Os três enveredaram de bicicleta pela estradinha de terra que levava ao que restava da velha sede da fazenda da época dos engenhos.

No caminho, como quem não quer nada, Bruna perguntou por Caio, e os gêmeos a fustigaram com perguntas sobre o que é que ela e o irmão deles haviam aprontado. Bruna desconversou, mas logo percebeu que Caio havia revelado alguma coisa sobre a última ida à cachoeira, o que a magoou muito, embora ela nada tenha deixado transparecer.

A sólida casa de pedra perdera há muito o telhado, roubado pouco a pouco desde a mudança para a nova sede, e tudo que se apoiava no madeirame desabara. Os três adolescentes subiram a escadinha de pedra que desembocava na longa varanda ladrilhada, entraram juntos no salão e foram logo explorar os demais cômodos. Viam-se ninhos de pássaros nos furos onde os antigos caibros se encaixavam para sustentar o segundo piso, que desmoronara sobre o térreo. Eles percorreram a ruína, brincaram de esconder e quando se cansaram, foram sentar-se na grama maltratada do que outrora fora um vasto jardim circundante. Bruna começou a sentir-se menos insegura entre aquelas duas cópias humanas, porém o assunto não podia deixar de voltar à baila e os gêmeos alternaram-se na saraivada de perguntas.
– Agora conta o que rolou com o Caio, vai, Bruna! disparou Tiago.
– Contar o quê, menino? respondeu ela, arrancando grama do chão.
– A gente já sabe do dia da cachoeira, disse Flávio, provocativo.
– Se vocês já sabem, eu não preciso falar!
– É, mas diz pelo menos se gostou!
– Fala se gostou, Bruna! insistiu Tiago.
– Ai, está bem,gostei, pronto!
– Não quer fazer de novo?
– Ah, sei lá… respondeu ela, evasiva.
– Aposto que quer! lançou Flávio. Mostra para a gente como foi.
– Ah, não!
– Por que não?
– Sei lá! Não quero.
– Você só faz com o Caio? Está gostando dele, é?
– Para com isso, menino! retrucou ela, encabulada.
– Vamos lá pro banheiro da casa, sugeriu Flávio, lembrando-se do único lugar ainda relativamente preservado na ex-sede.
– Isso! animou-se o irmão, já se levantando.
– Nem morta!
– Por quê, Bruna? Não tem mais ninguém aqui e a gente pode se divertir a valer, argumentou o gêmeo mais esperto.
– E ninguém precisa ficar sabendo, reforçou o outro, já de pé.
– Poxa, topa aí, Bruna! Dá para aprender muita coisa juntos!
– Ah, não sei...
– A gente só faz se você quiser, garantiu Flávio, mas vamos até lá, por favor!

Bruna estava ao mesmo tempo tentada e temerosa. Temerosa porque consciente de ser muito mais adiantada que eles na matéria, e de que isso poderia prejudicá-la se eles abrissem a boca assim como Caio fez com eles. Por outro lado, a tentação era grande porque o clima de excitação promovido pelos gêmeos era indiscutível, os três estavam sozinhos, eles garantiam discrição e, principalmente, não havia dúvida de que seria uma oportunidade para ela de aproximar-se ainda mais da querida família dos patrões. Eles iriam embora no domingo e sabe-se lá quando e de que jeito voltariam. Depois de refletir um momento, Bruna forjou um suspiro condescendente, levantou-se sem olhá-los e caminhou com eles para a velha sede.

Assim que os três reentraram na casa pela entrada principal, Flávio e Tiago foram saltando pelo reticulado de caibros do imenso salão agora sem tábuas corridas até o único cômodo ainda guarnecido de teto. Pondo a cabeça para dentro, Bruna reviu o amplo banheiro situado numa das extremidades da casa e ocupando toda a largura. O chão estava praticamente intacto e ainda se viam alguns azulejos decorativos, a imensa banheira branca com pés de leão, a pia e o bidê, todos de um branco encardido. Ao entrar, Bruna deparou com Flávio sentado no parapeito da janela e Tiago de pé, ambos olhando para fora.
– Vem ver, Bruna! Rápido! sussurrou Flávio.

A cerca de 50m da casa, junto ao cercado, uma égua estava sendo coberta por um garanhão. Quando este se erguia sobre as patas traseiras, exaltado, arfando e relinchando, via-se o colossal membro ereto e seguia-se a impressionante penetração. Bruna, que havia visto a cena centenas de vezes, sorriu ao vê-los tão impressionados e flagrantemente excitados. Ela aproximou-se e Flávio passou-lhe um braço em torno da cintura. Ela tentou desvencilhar-se, mas a mão insistente foi parar em sua coxa, em movimento ascendente. Bruna tentou interceptá-la, mas como Flávio insistisse e Tiago parecia distraído com o espetáculo da intimidade eqüestre, acabou deixando-o livre, sentindo a mão chegar-lhe ao traseiro e apalpá-lo por cima da calcinha justa.

Tiago, empolgadíssimo, exclamava um "caraca!" a cada arremetida do garanhão na égua submissa e vez por outra ajeitava o próprio membro, cuja ereção não programada lhe causava incômodo. Bruna e Flávio acabaram percebendo e se entreolhavam sorrindo. Em determinado momento, o incômodo se tornou tão desagradável que Tiago lhes deu as costas e enfiou a mão por dentro da calça para tentar corrigir definitivamente o problema.
- Está tão duro assim? Perguntou Flávio, zombeteiro.
- Não é isso, panaca! retorquiu Tiago, enrubescendo. É que dói quando roça na roupa.
- Então bota pra fora, respondeu o irmão, com toda a naturalidade.

Embora consciente de que algo deveria desencadear o que eles se haviam proposto a ir fazer naquele banheiro, Tiago olhou espantado e incrédulo para esse irmão idêntico a ele mas de temperamento tão diferente, e foi só então que ele percebeu a mão acariciando Bruna por baixo da saia e ela olhando-o com um sorriso condescendente, como se tivesse se juntado ao seu irmão para gritar-lhe "Acorda, bobão!" Vendo-se encurralado, suspirando e fazendo uma expressão conformada, Tiago abriu a bermuda e baixou a cueca. De fato, devido à ereção, meia glande ultrapassara o prepúcio e causava-lhe a desconfortável fricção.

Dando um sorriso de júbilo, Flávio empurrou Bruna na direção do irmão, acomodando-se na janela para ver como ele se sairia. Deixando-se colidir com Tiago, Bruna fingiu horror quando o membro tocou em sua coxa, e afastou-se olhando para Flávio um pouco desorientada.
– Pega nele para a gente ver, pediu ele.

Fingindo impaciência, Bruna apoiou-se com uma mão no ombro de Tiago e levou a mão livre até seu sexo, sentindo-o pulsar e enrijecer entre seus dedos. As faces de Tiago incendiaram-se imediatamente e seus olhos foram procurar aprovação na maturidade da atitude do irmão enquanto Bruna sorria, achando graça da temperatura fria dos testículos e contemplando com olhar curioso o membro – o terceiro que ela via em tão pouco tempo – que dançava ao sabor das pulsações.

Bruna logo notou as diferenças entre Tiago e Caio. Embora fosse um ano mais novo, Tiago era mais corpulento e possuía um sexo mais volumoso, que ela comparou a uma salsicha branca com uma das extremidades abertas, por onde se insinuava uma porção bem maior da glande, talvez pelo excesso de "punheta" (ela agora sabia o que era isso). E as diferenças se somavam: o de Tiago era curvado para cima e não para o lado, e seu diâmetro era bem maior que o de Caio.
- Não quer provar, Bruna? perguntou Flávio, sempre sentado à janela, em tom brincalhão, mas visivelmente excitado.
- Ah, sei lá... respondeu ela, dando um sorriso um pouco tímido, mas na verdade menos acanhada do que preocupada em parecer fácil demais aos meninos da famíla que ela venerava.
- Dá um beijinho nele, vai! insistiu o gêmeo desinibido.
- Isso, Bruna! aderiu prontamente o outro, aceso. Só um beijinho!

Bruna hesitou por um momento, mas sentindo o sexo pulsando na mão colou seus lábios nos dele. Tiago correspondeu à altura, introduzindo a língua em sua boca e procurando grudar-se em seu corpo. Quanto a Flávio, caiu na gargalhada.
– Que foi? Perguntou ela, interrompendo o beijo sem entender nada.
– Pirou, cara? perguntou o irmão, tão intrigado quanto ela.
– Vocês não entenderam nada: o beijinho não era na boca!

Os dois inocentes entreolharam-se e Tiago, com o olhar perdido, ficou parado, sem saber quem deveria tomar uma iniciativa. Sem se fazer de rogada, Bruna puxou seu prepúcio para trás, expondo completamente a glande que, sendo de considerável volume, provocou uma fortíssima fisgada em Tiago.
– Ai!
– Que foi? perguntou ela?
– Assim dói! Tem que ser devagar.
– Ah, tadinho! fez ela, fazendo um carinho no tronco duro.
– Agora é que vai ter que dar beijinho mesmo, lançou Flávio, aproveitando a deixa.

Pondo-se bem de frente para Tiago, Bruna curvou-se e soprou na glande para fingir que fazia a dor passar. Em seguida, admitiu-a entre os lábios, provando pela primeira vez com a boca o tamanho, a textura e o sabor de um sexo. Tiago fechou os olhos, e começou espontaneamente a afagar-lhe o cabelo, iniciando ao mesmo tempo um lento movimento pélvico. Flávio acompanhou fascinado, dividido entre a felação e as dobrinhas das coxas de Bruna que ficaram expostas quando ela curvou-se. Pela primeira vez, ele notava a perfeição do corpo da menina que ele vira desde sempre e que agora aplicava-se à tarefa de dar prazer ao seu irmão. O cabelo, denso, forte, mas brilhante e saudável de Bruna movia-se ao sabor do ritmo do tronco. Ela lhe pareceu tão bonita e sensual que Flávio não conseguiu mais permanecer como mero espectador. Saindo da janela, ele foi encostar-se em Bruna por trás, dando uma piscadela para o irmão que continuava em êxtase. Como Bruna não se opusesse, ele levantou sua saia, rebatendo-a sobre as costas. Ela deu uma olhada para trás, mas sorriu e continuou concentrada no que estava fazendo. Então Flávio baixou e a cueca para esfregar-se nela. Vez por outra, Bruna se erguia para descansar e ele a agarrava pela cintura, passando as mãos por dentro de sua camiseta. Ela retribuía esfregando-se nele, procurando seus lábios para beijá-lo; Flávio a excitava muito, deixando-a toda quente e corada, com a respiração ofegante. Quando ele passou a mão entre suas coxas, ela gemeu e isso despertou ainda mais Tiago, que subiu sua camiseta e o sutiã, expondo os dois seios e pondo-se a acariciá-los e chupá-los alternadamente. Tomada pelos dois lados, Bruna foi sentindo-se tão excitada que esteve por várias vezes prestes a entregar-se aos gêmeos sem mais pensar, mas a razão trazia de volta à mente os seus objetivos e a impedia de comprometer sua realização.
– É melhor a gente parar, gemeu ela.
– Ah, Bruninha, dá para a gente, vai! pede Flávio, explícito pela primeira vez.
– Nunca!
– Vai dizer que não deu para o Caio?
– E não dei mesmo! Ele disse isso? perguntou ela, incrédula.
– Não, sou eu que estou dizendo, admitiu ele.

Mais impulsivo, Tiago se despira completamente, sentando-se nu no bordo da banheira e abrindo bem as pernas, em atitude de espera. Flávio, por sua vez, tentava dar um jeito de baixar a calcinha de Bruna, mas ela o impedia.
– Então tira pelo menos a camisa e o sutiã todo, pediu ele.
– Eu tiro, mas a gente só vai brincar, está bem?
– Está legal, responde o mais esperto, cruzando os dedos com a mão às costas.

Não pensem que isso não era um esforço para Bruna; ela não estava mais agüentando de desejo de ir além, principalmente com Flávio! A única coisa que a preocupava de verdade era a virgindade, que ela não queria perder numa brincadeira inconsequente. Quanto à razão principal, era de ordem puramente estratégica: os gêmeos não lhe pareciam ser a melhor maneira de ingressar na família Albuquerque.

Vendo o desconsolo dos dois porque o joguinho parecia estar virando água com açúcar, Bruna levou as mãos à camiseta e começou a tirá-la, depois o sutiã, diante dos olhos esbugalhados dos gêmeos, que não pouparam elogios à sua cor, às suas formas, aos seus seios, às nádegas lindas, empinadinhas, às coxas, à barriga plana com seu fio de penugem dourada que descia do umbigo para desaparecer na calcinha justa e cavada, de bolinhas, presente de Isabel. Eles estavam literalmente em contemplação e isso fez muito bem a Bruna, que começou enfim a sentir-se mais admirada do que assediada por eles. Ela voltou a acomodar-se entre as pernas Tiago, que logo a abraçou pela cintura, enquanto ela observava Flávio que resolvera também despir-se. Embora eles fossem idênticos, havia algo de mais firme e ágil na atitude dele, que tornava seu corpo mais desejável aos seus olhos e que a excitava muito mais. Assim que ficou nu, ele aproximou-se e colou-se a ela, beijando-a na boca, acariciando seus seios e sentindo seu sexo roçar no seu corpo. Bruna não tardou a presentear o seu favorito com o que concedera ao irmão. Flávio arrepiou-se todo ao sentir o hálito quente descer pelo seu corpo enquanto mãos suaves acariciavam-lhe as coxas e acolhiam seus testículos. Quando Bruna envolveu seu membro com os lábios, Flávio já estava tão excitado que teve instantaneamente um orgasmo, o mais forte que ele tivera até então. Suas nádegas se contraíram, seu corpo foi impelido para a frente e ele disparou dois ou três jatos que Bruna não pôde evitar, assustando-se e desviando o rosto.
– Aaah! Que é que aconteceu? gritou ela, cuspindo, enojada.
– Desculpa, Bruna! Eu juro que não queria, mas estava com tesão demais, respondeu ele sinceramente, às voltas com um fim de orgasmo que se esvaía desperdiçado entre os dedos.

Nesse momento, um motor de carro se fez ouvir. Tiago foi até a janela e, para horror seu, avistou a mãe que fora certamente procurá-los porque estava na hora de almoçar. Ela viera com a van para carregar as bicicletas. Quando eles saíram da sede em ruínas, vestidos e com a expressão mais inocente do mundo estampada no rosto, e foram acolhidos com o sorriso amoroso de uma mãe feliz por vê-los bonitos e corados, os gêmeos estavam tão tensos que mal puseram as bicicletas no carro e entraram, adormeceram imediatamente no amplo assento traseiro. Quanto a Bruna, ainda em choque pelo incidente com Flávio, não tivera tempo de recompor-se e permaneceu no banheiro, recomendando-lhes silêncio. Por sorte, sua bicicleta estava atrás de uma moita e escapou ao olhar de D. Vera, que acabou ignorando para sempre que os gêmeos estiveram com ela naquela manhã.

Sozinha no caminho de volta para casa, Bruna desejou que Flávio não a esquecesse assim que chegasse ao Rio e visse a primeira menina que o atraísse. Mas o silêncio entre eles durante o resto do fim de semana lhe soprava que entre os seus desejos e a vida real das pessoas daquela família que ela tanto queria integrar, havia uma zona obscura que ela ainda não entendia bem e que talvez ela jamais fosse capaz de transpor.


Capítulo IV – Precocidade Arriscada

Ainda que intencionalmente incompletas, as experiências de Bruna incorporaram nela a necessidade do sexo. Era flagrante que algo mudara nela. Pouco a pouco, suas atitudes e até seu semblante passaram a chamar a atenção de homens experientes. Os agricultores, os comerciantes do vilarejo, os professores da escola e até o vigário passaram a dirigir-se a ela com uma atenção inusitada. Bruna estava desinibida com os homens. Ela agora sabia do gosto e da fraqueza deles pela mulher jovem, bonita e bem feita.

Quando fazia compras para sua mãe, Bruna ia principalmente ao armazém do seu Jorge e era atendida pelo Gabriel, filho dele. Poucos meses antes, ela dizia o que queria de cabeça baixa e já corando, mas ultimamente ela o olhava bem nos olhos e quem corava era ele, desviando o olhar. Gabriel era um rapagão de 19 anos, não muito alto, mas forte de tanto carregar peso. Sendo "galego" como Tonho e tantos rapazes da região, ele era quase louro de olhos muito azuis, mas Bruna notava em seu olhar um fundo sombrio que ela não conseguia explicar. Foi fácil convencê-lo de que ele a interessava. Rapidamente, os dois começaram a se agarrar e beijar nos fundos do armazém quando não havia cliente ou em fim de expediente. Bruna ia de vestido solto e Gabriel a devorava com os olhos assim que ela entrava, imaginando seu corpo nu. Quando os dois chegavam ao fundo da loja, Bruna encostava-se numa pilha de sacos de cereais e deixava-se apalpar e beijar ardentemente, sentindo a ereção pulsante do rapaz contra o corpo.

No início, Bruna só pedia a Gabriel que tirasse a camisa, para que pudesse ver e apalpar seu peito, barriga e braços musculosos, mas não tardou a desejou ver suas coxas, que pareciam ser fortes e bonitas, as nádegas, que ela adivinhava firmes e bem feitas e, claro, o sexo que ela apenas sentia comprimido contra o seu corpo, sempre aprisionado na velha calça de trabalho. Decidida a realizar esses desejos, Bruna foi ao armazém com uma lista grande de compras, dez minutos antes do fim do expediente. Irritado, seu Jorge deixou por conta do filho e foi embora. Gabriel exultou ao ver o ar maroto da menina, já adivinhando a intenção oculta. Eles foram para os fundos e, assim que ele encostou-se nela para apalpar-lhe os seios e beijá-la, Bruna começou a abrir-lhe calça. Olhando-o bem nos olhos, ela desafivelou o cinto, o botão do cós, baixou o zíper até o final e puxou o elástico da cueca, mantendo-o afastado para que o membro assumisse sua posição natural. Gabriel ainda estava um pouco sem jeito quando Bruna inclinou-se e abocanhou a glande por inteiro, engolindo ruidosamente o fluido que se diluiu na saliva abundante e pondo-se a chupá-lo com gosto, sem dar qualquer sinal de asco.

Entretanto, a excitação fizera o seu trabalho e, assim como ocorrera com Flávio, Gabriel teve um um espasmo intensíssimo seguido de uma emissão que inundou a boca de Bruna com um primeiro jato incisivo e denso. Bruna mal teve tempo de direcionar os jatos seguintes para fora da boca. Seus olhos, testa, uma orelha, o pescoço e até o cabelo foram atingidos, enquanto Gabriel, zonzo, olhava para ela sem saber o que fazer, tomado por uma sucessão de espasmos menores que o forçaram a terminar masturbando-se nervosamente. Quando ele pôde enfim locomover-se, foi até o balcão segurando as calças pelo meio das coxas e voltou limpando-se com um pano e entregando outro a Bruna, que o recebeu com um traço de decepção nos lábios. Naquele dia, ela lhe pediu suas compras e foi embora calada, incapaz de entender como era uma relação sexual completa, se o orgasmo dos homens podia desencadear-se tão violentamente antes mesmo do ato propriamente dito.

Uma semana e meia se passou sem que Bruna desse a Gabriel qualquer sinal de interesse. No armazém, ele procurava por um olhar seu, mas ela se fazia de desentendida e concentrava-se nas compras. Domingo de manhã, caminhando por uma calçada, ela o viu atravessar a rua e vir na sua direção. Sem tentar detê-la, ele lhe disse que queria que ela fosse ao armazém no mesmo dia, por volta das cinco da tarde. A frente estaria fechada, mas a porta de trás não. Um pouco amolada, ela hesitou, mas como seu corpo já estivesse reclamando seus novos direitos, acabou decidindo dar uma chance ao rapaz, prevenindo-o de que não poderia ficar mais do que meia hora e acrescentando cinicamente: "Mas isso é tempo de sobra para você!" Gabriel se afastou, parecendo-lhe satisfeito. Ela foi para casa e passou o resto do domingo tomando sol no quintal. Quando chegou a hora, ela disse à mãe que ia à casa de uma colega para pegar os deveres da segunda-feira e saiu.

Chegando ao armazém do seu João, Bruna avistou Gabriel à porta dos fundos e entrou rapidamente para não ser vista. Assim que a porta se fechou, o rapaz mostrou-se mais seguro, tomando a iniciativa de despir-se e oferecendo-se à Bruna numa prodigiosa ereção. Animada, ela o empurrou até uma cadeira, ajoelhou-se entre suas pernas e pôs-se a lambê-lo lascivamente enquanto acariciava suas coxas. Gabriel estava resistente e isso não lhe passou despercebido. Ela o olhou admirada, perguntando-lhe com sarcasmo se ele "treinara" em casa antes de marcar esse novo encontro. Ele deu um risinho e a mandou calar-se e prosseguir. Ela pôs-se então a chupá-lo gulosamente, tão concentrada que não percebeu os ruídos estranhos no depósito habitualmente silencioso. Ela só se deu conta de qualquer diferença quando sentiu um par de mãos fortes como tenazes imobilizar-lhe os braços, mas antes que pudesse esboçar qualquer reação, uma mordaça tapou-lhe a boca e um saco de pano desceu-lhe pela cabeça.

Os longos minutos que se seguiram foram de silêncio absoluto,  mas de ação incessante. Bruna foi agarrada por trás e colocada de bruços sobre uma pilha de sacos de cereal. Depois, tiraram seu vestido, o sutiã e a calcinha.  Ela sentiu seus seios contra o saco de fibra áspera. Duas mãos rudes a agarraram pela cintura e uma terceira mão, untada com o que poderia ser óleo de cozinha ou azeite, percorreu-lhe as nádegas, por dentro e por fora, depois a vulva e o interior das coxas. Debatendo-se inutilmente e já prevendo o etapa seguinte, Bruna fez um esforço sobre-humano para abrir a boca ao máximo, até poder abocanhar a mordaça, mastigá-la e tentar gritar algo de compreensível aos seus captores. "Na frente não! Na frente não, pelo amor de Deus!", gritou ela, soluçando. Houve um silêncio, ela os imaginou comunicando-se por gestos e, momentos depois, ainda com medo, porém mais aliviada, sentiu um contato seguido da lenta expansão do ânus pelo que parecia ser um dedo habilmente manejado. Gabriel fora covarde para planejar aquilo daquela maneira, mas não perverso o suficiente para negar um pedido seu, pensou Bruna. Bem lubrificado, o dedo entrava e saía, evocando uma sensação que ela já conhecia.

Eles eram três. Bruna ouviu murmúrios em três timbres de voz diferentes. Enquanto o primeiro começava a penetrá-la lentamente, provavelmente controlado por Gabriel, os outros limitavam-se a acariciar suas coxas, suas costas, suas nádegas, seus ombros... Isso foi acalmando-a, ela foi parando de soluçar e acabou por aquietar-se, esforçando-se para acreditar que tudo não passava de um golpe infantil de Gabriel com amigos, alguns dos quais ela conhecia e sabia não serem  marginais. Vendo que ela não pretendia reagir, eles acabaram soltando suas mãos. Bruna queria vê-los, mas eles não lhe tiravam o saco de algodão da cabeça. Seus mamilos estavam doloridos em virtude do atrito. Bruna fez que desejava erguer o tronco para aliviá-los e logo sentiu duas mãos começando a massageá-los com energia. Através da mordaça, Bruna chamou baixinho por Gabriel e só então descobriu que não estava sendo penetrada por ele. Gabriel aproximou-se e cochichou-lhe: "Está vendo o que acontece com quem zomba de mim, menina?" Bruna quis responder, mas a mordaça entre os dentes a impedia de articular. Gabriel resolveu soltá-la, sem contudo decobrir-lhe a cabeça. Ela tentou explicar que não zombara dele, que só tinha ficado decepcionada com aquela ejaculação tão rápida e que sua atitude era uma maneira de "descontar". Ele então ofereceu-lhe o sexo todo duro, que ela aceitou.

Penetrada "respeitosamente" no orifício de sua escolha e sentindo-se à vontade com a felação para um Gabriel ainda em desvantagem, Bruna começou pouco a pouco a perder o medo e a distender-se. Por trás dela, o comparsa que a penetrava não se comparava ao Tonho; seu sexo pareceu-lhe muito longo e fino, produzindo uma ação relativamente indolor e cujo vaivém foi-se intensificando até estabilizar-se dentro dela e transformar-se em pequenos trancos enquanto pulsava e vertia uma série de jatos mornos.

Momentos depois, novos cochichos fizeram-se ouvir e outra glande veio encaixar-se no mesmo orifício, porém expandindo-o bem mais que a primeira. Bruna gemeu forte e interrompeu a felação em Gabriel, novamente apreensiva. Seu segundo agressor era mais rude e iniciou estocadas que se intensificavam rapidamente. Um arrepio percorreu-lhe o corpo, enrijecendo-lhe os mamilos e alagando-lhe a vagina intacta. O membro a penetrava fundo, friccionando as paredes do reto, enquanto mãos ásperas puxavam-na pela cintura, fazendo-a chocar-se fortemente contra duas coxas duras como troncos de árvore. Os gemidos saíam espontaneamente de sua boca, agora ocupada pelo membro do primeiro rapaz que a possuíra, empenhado agora em empurrá-lo até o fundo de sua garganta. Gabriel, apaixonado e contemplativo, dedicava-se às suas costas, acariciando-as até o final, descendo pelas nádegas, percorrendo as coxas e observando de perto a penetração. Subitamente, os jatos quentes na boca. O esperma descia pela garganta enquanto outros jatos se sucediam, na língua, nos lábios, no rosto, sem parecer ter fim. Bruna tentou tirar o saco de algodão da cabeça, mas foi impedida. Logo em seguida, as mãos que agarravam-na pelas ancas crisparam-se, as estocadas se intensificaram e ela sentiu pela segunda vez várias descargas quentes inundarem-lhe as entranhas.

Ofegante, sentindo seu ânus dolorido voltar ao diâmetro normal e o esperma quente escorrer-lhe pelas coxas, Bruna rogou por uma trégua. Alguns minutos lhe foram concedidos, até que ela ouviu a porta abrir e tornar a fechar-se. Imaginando com horror que uma quarta pessoa houvesse entrado, ela pôs-se a gritar e contorcer-se. Mas o saco de algodão foi arrancado da sua cabeça e ela se viu sozinha diante de Gabriel. "O que é que eu vou fazer com você?", perguntou ele, ainda cheio de revolta na voz. Ela lhe respondeu que faria o que ele quisesse desde que ele a deixasse virgem. Ele quis saber por quê. "Por causa da minha mãe!" Gritou ela, recorrendo à desculpa habitual, forçando o choro, mas cada vez mais consciente de que a virgindade era a chave que lhe permitiria um dia livrar-se daquela vida e daquela gente para ingressar no mundo da família Albuquerque, o mundo que ela merecia. Custasse o que custasse, ela queria se preservar para um deles, mas isso ela não podia contar a Gabriel, daí o recurso à desculpa com a mãe. Ela estava nua, desamparada diante daquele rapaz ofendido e tão mais forte que ela, sentindo seu corpo dolorido e naquela posição humilhante. Ela tentou erguer-se, mas Gabriel pôs uma mão pesada sobre suas costas. "Agora é minha vez", disse ele, dando um risinho e afagando-lhe as nádegas, admirando-lhes o moreno claro, o perfeito arredondado da forma, a textura lisa e uniforme, o profundo sulco entre elas… e, pouco abaixo, a fenda proibida.
- Você se depila, é?
- Não está vendo?
- Mas depila para quê? Você não é virgem?
- Sou, e daí?
- Eu não sabia que mulher virgem se depilava.
- Ah, não? Então ficou sabendo agora!

Gabriel levou um dedo aos grandes lábios e sentiu sua maciez, a separação entre eles, aprofundando-o ligeiramente. Bruna fechou as pernas com força e lhe pediu que parasse. Isso aguçou o desejo do rapaz, que sentiu um novo tranco do membro novamente rígido. Não suportando mais, ele agarrou Bruna, virou-a de frente, separou suas coxas e mergulhou o rosto entre elas. Ela tentou espernear, fechar as pernas, mas ele as segurou com tanta força, rebatendo-as completamente contra o corpo, escancaradas, que isso a imobilizou. Essa posição expôs a vagina e ele pôde distinguir os dois pequenos lábios discretos e rosados. Gabriel deu uma primeira linguada, do períneo ao final da fenda, depois voltou para trás, iniciando no ânus a segunda linguada molhada e justa, depois uma terceira, uma quarta e uma quinta. Bruna não pôde resistir por muito tempo e acabou cedendo, relaxando as pernas, vendo seus joelhos quase tocarem o saco de milho de cada lado do tronco. A cada linguada, Gabriel sentia o contorno dos lábios, a textura da vagina, seu sabor tão especial, ligeiramente tendente ao salgado. Quando ele se afastou, viu que a tinha aberto um pouco mais e descobriu o botão do clitóris, volumoso e entumescido no ângulo superior. Ele o colheu com os lábios e pôs-se a lambê-lo, causando em Bruna um tremor que foi pouco a pouco tomando todo o corpo. Agora, era ela que, segurando as próprias pernas, mantinha-as escancaradas para facilitar a ação de Gabriel que, debruçado nos sacos de milho picado, literalmente sorvia seu clitóris com os lábios. O orgasmo não tardou a vir, um orgasmo fulminante e farto, sob forma de espasmos fortíssimos que se manifestavam com golpes de pélvis. Gabriel continuou a lamber com força, recolhendo o líquido quente que encharcava a vulva. Quando tudo terminou, Bruna ficou estendida sobre os sacos de milho, inerte, muito ofegante, as pernas trêmulas.
- Você é mesmo encapetada! exclamou ele, observando-a.
- Encapetada? Por quê?
- Daqui a pouco, ninguém vai poder com você!

Bruna se sentou, olhando sorridente para Gabriel. Como Tonho, ele também era bom e ingênuo, e ela sabia disso.
- Por que você fez isso? Por que chamou aqueles dois? Quem eram?
- Eu queria dar uma lição em você, mas estou arrependido. Foi muito ruim?
- Adivinha, Gabriel! Eles podiam ter me machucado muito!
- Que nada! Eu estava do lado o tempo todo para não deixar. Mas não posso te contar quem eram. Talvez um dia...
- Você acabou ficando de fora.
- É... Fiquei na vontade. Todo mundo aproveitou, menos eu!
- Bobo!

Bruna se aproximou de Gabriel, que estava de pé diante dela, sentindo o pênis ainda duro resvalar seu corpo.
- Ué! Mudou de idéia?
- Não, seu bobão. Vou deixar você fazer, mas que nem os outros.
- É?
- É. Mas presta atenção: que nem os outros!

Gabriel posicionou-se atrás dela, que voltou a debruçar-se sobre um saco de milho, e deixou o resto por conta do peso do corpo, enquanto ela se preparava para ser mais uma vez penetrada, agora com pleno consentimento. Seu ânus ainda sensível acolheu esse terceiro homem, agora tragando-o com desejo até o fim. Virando-se para ele com olhar meigo, ela sorriu quando Gabriel lhe pediu desculpas com toda a sinceridade que encontrou dentro de si. Ela o beijou-o com carinho e eles fizeram amor pela primeira vez, assim, do modo imposto por ela para não prejudicar seus projetos, mas assim mesmo com amor.


Capítulo V – A Noiva

Como o "tratamento de choque" preparado por Gabriel e seus amigos teve um desfecho, por assim dizer, não traumático, Bruna concordou em ter um tipo de namoro com Gabriel, que se revelou profundamente apaixonado, atencioso e seriamente intencionado a seu respeito. Bruna sabia que ele não seria seu companheiro definitivo, mas sua presença era tão agradável e sempre carregada de erotismo que ela se sentia preenchida e realmente feliz. Toda tarde, por volta das 5h, ela ia ajudá-lo a fechar a mercearia e eles passavam uma ou duas horas descobrindo e explorando o sexo de todas as maneiras possíveis, não obstante a condição de que a virgindade de Bruna fosse preservada.

Narcisista, Gabriel gostava de ir para o depósito e fechar a porta para que Bruna o encontrasse completamente nu, de pé no meio do amplo cômodo abarrotado de produtos e se despisse diante dele, olhando seu membro avolumar-se e subir até quase colar no umbigo. Bruna se aproximava, beijava-o da boca à pélvis e colhia entre os lábios a glande encharcada e brilhante, sorvendo, engolindo, fazendo Gabriel fremir de desejo de penetrá-la. Nada o excitava mais do que vê-la olhando-o diretamente nos olhos e, pouco abaixo, seu pênis deslizando entre os lindos lábios projetados da namorada. Invariavelmente, isso provocava uma primeira ejaculação, muito farta, que Gabriel direcionava para onde quisesse ou simplesmente deixava Bruna engolir enquanto contemplava o seu rosto. Sempre sorridente, Bruna já se acostumara ao seu esperma sem visco e sabor ligeiramente adocicado. Em seguida, eles se amavam, trocando palavras sensuais, carícias íntimas e beijos, até que Gabriel estivesse novamente cheio de desejo.

Bruna gostava de proporcionar ao namorado o prazer mais agradável possível. Gabriel habituara-se à exigência de penetrá-la exclusivamente por trás. Ele respeitava essa exigência, embora isso o intrigasse e entristecesse um pouco, pois ele não podia deixar de indagar a quem ela concederia deflorá-la. Bruna gostava de sentir-se profundamente penetrada pelo grosso membro que a abria e preenchia enquanto as duas poderosas coxas premiam-na com força contra os sacos de cereal em que ela se debruçava. Era um momento em que, ao contrário do seu caráter, ela se sentia frágil e indefesa. Enquanto Gabriel a possuía, ela se masturbava até o orgasmo, sempre muito intenso porque as preocupações estavam ausentes dessas relações obrigatoriamente anais.

Os meses do décimo-sexto ano de Bruna foram se passando, até que, um belo dia, sua mãe recebeu um telefonema de D. Flora. A família viria em peso à fazenda, chegando na sexta-feira da mesma semana, à noitinha. Inebriada de felicidade, Bruna foi à sede todo dia, depois do colégio, ajudar a mãe a preparar tudo. Ela se encarregou dos quartos. Ao fazer a cama de Caio, ela se lembrou do menino bonito de olhos serenos, de sua tranqüilidade e do sexo longo e curvo, o primeiro que ela vira e tocara, objeto de seu primeiro contato íntimo. Em seguida, no quarto dos gêmeos Tiago e Flávio, veio-lhe a imagem nítida da aventura a três no banheiro da sede velha. Ela tentou imaginá-los da mesma maneira, ambos nus diante dela, porém mais crescidos, com corpos mais desenvolvidos e membros ainda maiores. Talvez eles quisessem "brincar" com ela durante a próxima estada, conjeturou ela.

Depois de passar longos momentos relembrando essas primeiras experiências, que os meses iam carregando para longe, Bruna seguiu para os quartos das meninas. Primeiro o das mais novas, Julia e Clara, ainda decorado de maneira infantil, depois o de Isabel, sua confidente. Como estaria a menina linda e esguia que lhe dera as primeiras dicas sobre os meninos, sobre sexo e até sobre higiene feminina? Bruna mal podia esperar para rever sua amiga coetânea, torcendo para que ela não estivesse mudada.

Os dois quartos seguintes lhe inspiravam mais respeito. Luciano devia estar com dezenove anos e Augusto com vinte e dois, mas Bruna nunca tivera contato com eles, nem quando mais jovens. Augusto era sete anos mais velho que ela e sempre demonstrou considerá-la uma "pirralha", mal percebendo-a na casa, quando ela ia brincar com seus irmãos. Ela nunca o vira na intimidade, mas se lembrava bem do corpo já adulto estendido numa espreguiçadeira, tomando sol na piscina. Ela reparava discretamente a diferença entre seu sexo e o dos demais, tentando adivinhar, através do volume da sunga, o seu tamanho e indagando-se que tamanho poderia atingir um pênis.

Luciano era mais acessível que Augusto, mas Bruna o considerava inatingível. Extraordinariamente bonito, com seu corpo fino, o cabelo mais claro que o dos irmãos, longo e levemente ondulado, os olhos tão claros que pareciam transparentes, as sobrancelhas retas e inteligentes, Luciano era o mais legítimo representante do pai. Desde cedo enfronhado nas coisas da fazenda e interessado por tudo que ia nela, ele não deixava dúvida de que seria o herdeiro mais ativo do Seu Rodrigo. Bruna se lembrava dele andando a cavalo pela propriedade, e de um episódio único relacionado a ela. Cerca de um ano antes, num desses passeios a cavalo, Luciano passara pela casa dela e a surpreendera bronzeando-se no quintal, deitada de bruços sobre uma toalha, usando o menor biquini que Isabel lhe dera. Encabulada, Bruna fez menção de levantar-se ou de virar-se de frente, mas ele, do alto do cavalo, lhe disse: "Está ficando linda, Bruna!" Ela se lembrou bem do olhar dele, diretamente pousado sobre suas costas, e se lembrou que ela o evitara durante o final de toda aquela estada da família, com vergonha. Mas Luciano pareceu não dar a menor importância ao fato, e aquela foi a única ocasião em que ele se dirigiu a Bruna.

Por último, já na sexta-feira e com o máximo de cuidado, Bruna preparou o quarto de Seu Rodrigo e Dona Flora, fez a enorme cama de casal de jacarandá com baldaquim e deu por encerrada a sua participação na arrumação da fazenda. A casa estava limpa e arrumada, pronta para receber a família.

Os carros chegaram por volta das seis da tarde. Bruna e a mãe estavam no portão quando todos passaram, os mais novos fazendo algazarra e caretas. Assim que Isabel saiu, quis puxar Bruna pela mão e levá-la para o seu quarto dizendo que tinha montes de coisas para contar. Isso não impediu Bruna de cruzar de relance o olhar de Caio, que lhe sorriu. Os gêmeos passaram por ela gracejando, Tiago soltou um "Oi, gostosa!"  quase sussurrado e levou safanão de Isabel, que se mostrou chocada, sem entender, ao contrário de Bruna, o porquê daquele tratamento. Constatando o quanto eles haviam crescido, Bruna dirigiu breve e incontrolavelmente o seu olhar para a cintura deles, num relance, mas indiferentes, eles já disparavam escada para entrar na casa. Dona Flora deu-lhe um beijo muito afetuoso e simpático, elogiando sua beleza e mostrando-se admirada com seu desenvolvimento. Seu Rodrigo se deteve diante dela, perguntou como iam os estudos e "os namoros". Bruna sentiu-se percorrida pelo olhar do patrão de quase cinqüenta anos e reteve essa impressão sem se acanhar nem se zangar. Por último, Julia e Clara vieram tentar tirá-la de Isabel. Bruna não pôde deixar de notar como as meninas, agora com treze e catorze anos, estavam crescidas e haviam tomado corpo. Julia estava inacreditavelmente linda. Seus seios recém-despontados harmonizaram seu corpo, suavizando a curva das nádegas que sempre foram pronunciadas. Clara estava longe de ser o patinho feio da família, mas ainda era muito nova. Na verdade, Bruna não tinha críticas a essa família à qual ela sempre quisera pertencer. Isabel puxou-a pela mão e arrastou-a para dentro de casa.

Chegando ao quarto, Isabel abriu sua bolsa e tirou dela um embrulho, entregando-o a Bruna. Era um vestido lindo e novo. Isabel confessou tê-lo usado uma ou duas vezes, mas garantiu que decidiu dá-lo a Bruna assim que o pôs no corpo. Era um vestido azul, de alças finas, sem decote. Bruna precisou pô-lo na hora. Assim que ela se despiu, ficando só de calcinha e sutiã, Isabel soltou um "Uau!", mais uma vez admirada com o prodigioso desenvolvimento da amiga. Bruna deixou o vestido descer pelo corpo, sentindo-o tomar suavemente as suas formas. O tecido finíssimo revelou imediatamente a bela ondulação da cintura. Isabel ficou tão satisfeita que pulou no pescoço da amiga, dando-lhe um beijo forte na bochecha, sentindo a pele morna e a firmeza sensual daquele corpo de menina do campo. Quando Bruna retribuiu, seus lábios esbarraram na comisura dos de Isabel, que tentou demorar-se, mas logo recuou, um pouco embaraçada ao não constatar reciprocidade. Bruna levantou os braços, deu uma volta e agradeceu, deslumbrada. As amigas conversaram até as oito da noite, quando a mãe de Bruna bateu à porta para chamá-la. Antes de se despedirem, Isabel convidou Bruna para uma festa que haveria na casa domingo à tarde e lhe disse para vir com o novo vestido. Bruna foi para casa exultante, atropelando as frases para relatar à mãe tudo que Isabel lhe contara.

Às três horas em ponto do domingo, Isabel colou o nariz no vidro da porta da frente da enorme residência colonial. Quem atendeu foi Caio, dando em Bruna dois beijos carinhosos, que ela retribuiu timidamente, sem conseguir se livrar da imagem dos gêmeos, postados pouco atrás, desta vez com ar amistoso, mas o mesmo olhar cheio de malícia que ela conhecera bem. Quando Bruna deu o segundo passo para dentro, foi surpreendida por um altíssimo “Feliz Aniversário!” gritado em uníssono por toda a família. Como evitar a cara de espanto? Não era seu aniversário! Foi Isabel que explicou tudo. Eles queriam ter festejado seus quinze anos, mas fora impossível no ano anterior, então ofereciam-lhe aos dezesseis uma festa de quinze anos. Bruna não cabia em si de felicidade. Festejar um aniversário com a "sua" família era o maior presente que ela poderia receber. Ela foi levada ao salão de festas, onde a longa mesa ostentava um lindo bolo branco. Bruna se sentiu como uma noiva. Para ela, aquele não era um bolo de aniversário, mas um bolo de noivado, o bolo do noivado dela com a família dos seus sonhos. E foi como noiva que ela percorreu o imenso salão, agradecendo a cada um com um beijo sincero. Ela estava quase febril quando foi beijar as mais novas e, por fim, Isabel. Abraçadas, as duas amigas se emocionaram juntas e, embora um pouco transtornada, Bruna não deixou de perceber o beijo no pescoço, quente, sensual, úmido, que lhe deu Isabel com os lábios entreabertos. Ela não teve dúvida de que fora intencional.

A festa transcorreu normalmente. Música, salgadinhos, bolo, refrigerantes... e até champanhe! A família ficou reunida durante cerca de duas horas, até que D. Flora e Seu Rodrigo subiram e alguns dos filhos se dispersaram. Bruna ficou sentada com Isabel no divã do salão, observando as brincadeiras de menino entre Caio, os gêmeos e, vez por outra, Luciano. Ela logo reparou como, no fundo, o eixo central é sempre o sexo. Se a brincadeira é de lutar, os golpes "baixos" logo acontecem e as mãos protegem as partes genitais como para chamar atenção sobre elas. Se a brincadeira é de tocar ou fazer cócegas, um logo procura a coxa ou as nádegas do outro. Quando os gêmeos tentaram destacar sua virilidade com Luciano, ele respondeu: "Não estou vendo nada aí!" e morrendo de rir. Bruna não pôde evitar o pensamento de que Luciano nem podia imaginar o quanto estava enganado! Ela e Isabel riam uma para a outra, divertindo-se com as brincadeiras bruscas e imorais dos homens da casa.

Aos poucos, eles se cansaram e cada um foi para o seu lado. Isabel olhou Bruna fixamente nos olhos.
– Você percebeu?
– Percebi. Por que você fez aquilo?
– Porque você está linda.
– Que nada!
– É sério, Bruna. Você é a menina mais bonita que eu já vi.
– Eu é que acho você linda!
– Se é verdade, minha opinião tem que pesar muito para você.

As duas estavam sérias, olhando-se ininterruptamente. O olhar de Isabel era tão intenso e sincero que Bruna não teve dúvida da seriedade daquele momento e da veracidade do que ela dizia.
– Acho melhor a gente sair daqui, Isabel.
– Também acho, respondeu a lourinha, já saindo do divã e oferecendo uma mão a Bruna.

As duas amigas subiram silenciosamente a escada central da casa e caminharam pelo longo corredor até o quarto de Isabel, que fez a amiga entrar e trancou a porta atrás de si. Depois, caminhou até a cama, onde Bruna já estava sentada, pondo-se ao seu lado.
– O que é que eu faço? perguntou Bruna, desorientada.
– Nada, respondeu a outra, procurando sua boca.

Bruna se retraiu um pouco, mas Isabel insistiu e foi colher seus lábios. Bruna então consentiu e elas se beijaram profundamente, misturando suas línguas e salivas. O corpo de Bruna logo atendeu ao chamado e começou a acender-se. Isabel livrou-se do vestido e começou a tirar o da amiga, acariciando suas coxas, a cintura, as costas, os seios, a nuca, o cabelo... Depois ela se virou para que Bruna abrisse o seu sutiã e fez o mesmo para ela, pegando um seio em cada mão, acariciando-os, sentindo o enrijecer dos mamilos. Só de calcinha, elas se deitaram e passaram longos momentos se beijando e acariciando. Isabel não cessava de elogiar as lindas formas de Bruna, a cor da sua pele, a trama forte do seu cabelo, seus seios de mamilos morenos... "Você pode, Isabel", sussurrou Bruna, quase num gemido, sentindo em seguida lábios quentes e molhados pressionarem com doçura o seu seio, a língua indo em busca do bico. Sua excitação foi crescendo e induzindo-a a soltar-se cada vez mais, liberando os movimentos do seu corpo e sentindo os de Isabel se tornarem também cada vez mais voluptuosos. Foi Bruna que tomou a iniciativa de acariciar o sexo da amiga. Para não marcar o vestido, Isabel pusera uma calcinha fio-dental preta que envolvia praticamente apenas o par de lábios carnudos de uma vagina generosa. Bruna sentiu o tecido liso bem molhado contra os seus dedos e começou a friccioná-lo lentamente no sentido da fenda, causando contorções em Isabel, que passou a devorar sua boca com vigor crescente, escancarando as pernas e fazendo movimentos de pélvis. Bruna acariciou-a assim durante algum tempo, mas, não ousou ir mais longe. Isabel, então, ajoelhou-se na cama e começou a baixar-lhe sensualmente a calcinha. Bruna viu o encanto em seus olhos quando ela descobriu seu sexo. Num impulso, Isabel deu um beijo no pequeno triângulo de pelinhos rasos, o que fez Bruna relaxar-se e abrir mais as pernas, revelando lábios carnudos como os seus, porém menos extensos. Em seguida, ela ajoelhou-se entre as pernas da amiga, contemplando demoradamente o sexo discreto e fechado, dividido apenas pelo fino traço sombrio que surgia de um dos vértices do triângulo pubiano. Ela se deitou de bruços e, após olhar sorridente para Bruna, deu uma longa lambida na fenda que ela já imaginava intocada. Bruna retribuiu acariciando-lhe o cabelo, os ombros, sentindo as pernas leves e nervosas querendo levitar, tentando oferecer-se ao máxmo para Isabel, cuja avidez ia aumentando num crescendo. A lourinha deu as últimas lambidas generosas e em seguida separou com os polegares os lábios macios, exibindo as duas pétalas rubras, encharcadas e, na extremidade inferior, o orifício ainda obstruído.
– Nunca, Bruna? perguntou Isabel.
– Nunca. Quer dizer... Aí, nunca.
– Só aí?
– É.
– Eu sinto muita dor atrás, confidenciou a amiga.
– Eu acostumei. De tanto fazer. O Gabriel adora.
– Gabriel?
– É. A gente fica junto às vezes. Ele diz que é doido por mim.
– E você não fez tudo com ele por quê?
– Sei lá. Para isso, tem que ser alguém especial, não acha?
– Eu não! Não dou a mínima para virgindade.

Isabel passou a língua pela fenda aberta e ouviu um gemido em resposta. Em seguida, cutucou com a ponta da língua o orifício vaginal, forçando-o um pouco para tocar o hímen. Bruna sentiu uma ondinha de prazer invadi-la, mas não permitiu à amiga uma longa exploração do lugar, puxando-a carinhosamente pela cabeça. Isabel então subiu ao clitóris, que ela descobriu generoso e saliente, sinal da superfeminilidade dessa amiga que tanto a atraía. Bruna, com a cabeça numa almofada alta, conseguia ver o contorno de seus lábios vaginais e, entre eles, a língua de Isabel pincelando o clitóris. A sensação foi ficando tão intensa que ela teve que puxar suas pernas para trás com as mãos, para que elas não despencassem. Ao afastar-se, Isabel via a vagina inteira e, logo abaixo, separado dela apenas por um estreito períneo, o outro orifício, o único que Bruna dizia conceder aos seus namorados. Isabel afastou-se e contemplou-o, não vendo nele nenhuma irregularidade, mas admitindo em silêncio que, de fato, ele lhe parecia já ter sido "visitado". Afundando a cabeça ao máximo entre as pernas de Bruna, ela retomou suas linguadas a partir dele, passando pelo períneo, percorrendo o interior dos lábios e chegando ao clitóris, repetindo a operação e levando Bruna ao delírio, fazendo-a morder a almofada para conter gemidos que despertariam a atenção da casa. Vez por outra, ela ia beijar-lhe os seios, mordiscar-lhe os mamilos, beijá-la, e quando regressava ao sexo, Bruna estremecia, rogando-lhe que a fizesse gozar.

Isabel levou Bruna ao mais intenso orgasmo que ela jamais sentira masturbando-se. A insistência das lambidas, o calor, a fricção contínua causaram espasmos tão fortes que Bruna chutava o ar e balbuciava coisas sem nexo. No paroxismo da excitação, limiar da dor, ela achava que Isabel devia parar, mas Isabel não parava, sugando e friccionando mais e mais aquele órgão eréctil que havia chegado ao seu volume e rigidez máximos, chegando a impressioná-la. Bruna esmagava os próprios seios e torcia os mamilos com força, numa aflição deliciosa e infinita. Quando Isabel deixou por um momento o clitóris, foi para percorrer com a língua a fenda aberta e molhada e sorver-lhe sumo, que passara a escorrer francamente, mas quando voltou a ele, Bruna sentiu um fortíssimo espasmo, sendo em seguida arrastada numa torrente orgásmica que lhe era desconhecida até então e que a fez perder totalmente o controle. Pressionando-lhe as coxas contra o corpo para abri-la ao máximo, Isabel recolhia com a língua as suas descargas e espalhava pela vagina a porção não engolida. Bruna, entregue a uma sucessão interminável de espasmos mais curtos, empreendia um supremo esforço para não começar a gritar. Constatando a intensidade e a duração do orgasmo da amiga, Isabel decidiu passar das lambidas aos pequenos beijos nos lábios, na pélvis, nas coxas e na barriga de Bruna, para que o orgasmo chegasse suavemente ao fim sem que o prazer fosse bruscamente cortado. Aos poucos, o orgasmo cedeu.
– Que loucura, Isabel! Nunca senti isso com tanta força.
– Vou te dizer uma coisa: me deu até inveja!

Para descansar da posição, Bruna virou-se de bruços e Isabel conversou com ela acariciando-lhe o final das costas.
– Você tem uma bunda linda, Bruna.
– E você está me deixando encabulada, falando assim!
– Mas é verdade! retrucou Isabel, beijando-a.

As duas amigas conversaram e trocaram carícias por alguns minutos. Entretanto, Isabel não se saciara, portanto havia muita excitação e desejo em seu corpo e mente. As carícias superficiais aprofundaram-se e levaram-na a sentir na língua leves pulsações anais de Bruna, que lhe pareceu novamente receptiva, sua respiração fazendo-se ouvir, além de pequenos gemidos. Estimulada por isso, Isabel, com muito carinho, tentou introduzir-lhe um dedo, mas isso incomodou Bruna, e ela se deteve.

Calada, Bruna tentou analisar sua própria recusa e concluiu que por mais que Isabel a excitasse com suas mãos e língua, nada se comparava ao vigor com que Tonho ou Gabriel a penetraram tão profunda e intensamente. Por mais excitada e molhada que ela estivesse, nada se igualava aos sexos dos rapazes preenchendo-a, nem aos espasmos que faziam seus sexos duros e inchados disparar jatos quentes em seu ventre, em seu rosto, em sua boca. Embora Isabel tivesse provocado nela um orgasmo intenso masturbando-a, jamais seria capaz de fazê-la sentir o mesmo que eles. Bruna se deixaria acariciar e beijar por ela durante mais aluguns minutos, mas seria incapaz de retribuir o prazer que a amiga lhe proporcionara. Seu corpo era era aberto ao homem, próprio a acolher o corpo do homem, e destinado a dar prazer ao homem.

Ao despedir-se de Isabel, Bruna estava perfeitamente consciente de que havia deixado uma insatisfação. Meses antes, isso a teria perturbado, mas agora ela associava essa lacuna a mais uma conquista. A insatisfação criada indicava uma certa dependência de Isabel para com ela. Essa dependência lhe convinha, pois poderia vir a ser-lhe útil no futuro. Não é que ela não sentisse uma grande afeição por Isabel, mas agora ela sabia separar sentimento e interesse, e ela jamais sacrificaria nada ao seu interesse maior, que era o de vir a pertencer à família de Isabel e passar enfim para o mundo que ela julgava merecer. Ter estado com Isabel naquele dia simbolizou a concretização do seu "noivado" com a família toda. Bruna não era lésbica, mas, caso quisesse alcançar seu objetivo, sua opção sexual teria que passar para segundo plano, porque seu objetivo poderia vir a ter que ser alcançado através de Isabel ou de uma de suas irmãs. Naquele dia, Bruna teve mais uma comprovação de que nada se interporia ao seu projeto.


Capítulo VI – Já Que os Olhos não Viram…

Eram seis da tarde. No bar do Seu Quinzinho encontravam-se alguns rapazes saídos do trabalho e sedentos por uma "gelada" jogando um totó ou uma sinuquinha antes de ir para casa. Dois deles eram Amadeu e Pedro, os amigos que Gabriel chamara para ajudá-lo a dar uma lição em Bruna.
– É… pelo visto, o Gabriel não vai chamar a gente pra outra não. Foi só aquele dia mesmo, lamenta-se Pedro, tocando a bola 7.
– Qual é, rapaz! Queria comer a Bruna todo dia, é? Ele só queria dar um pega nela, mas agora estão de namoro sério.
– Namoro sério, nada! Você acha que ela quer alguma coisa com o Gabriel? Ela não sai da fazenda dos Albuquerque quando eles estão aí! Dizem que ela já deu pra todos os filhos do coroa, até pros mais mais novos. Aposto que hoje mesmo ela apronta com algum!
– Conversa! Ela foi praticamente criada lá dentro.
– Olhaí, Paulinho! O Amadeu aqui não está sabendo de nada, disse Pedro a um rapaz entretido num jogo solitário de sinuca.
– "Pior cego é aquele que não quer ver!" citou Paulinho. Eu vi os dois se pegando na cachoeira.
– Os dois quem? perguntou Amadeu, em tom incrédulo.
– Ela e o Caio, o filho mais novo dos Albuquerque! Eu passei pela trilha e eles nem me viram, de tão entretidos. Só precisei me agachar para ver tudo.
– Ver tudo o quê? insistiu o rapaz.
– Ela tocou uma punhetinha pro sortudo!
– Que é isso! exclamou Amadeu, mais incrédulo ainda.
– E eu ia mentir para quê? retorquiu Paulinho, golpeando a bola branca. Ela é rampeira de nascença, não tem  jeito! Vai dizer que você também não sabe que ela toma banho de sol quase pelada no meio quintal da casa dela, quando a mãe está para a fazenda trabalhando?
– É, disso eu sei, respondeu Amadeu. Mas o que eu sei mesmo é que eu comeria aquela delícia todo dia, isso sim! Êta corpo danado de bom que essa menina tem! Eu só não entendo por que o Gabriel não rebenta o cabacinho dela. Se fosse comigo, ela já tinha até emprenhado!
– Aí que tá o mistério, respondeu Pedro. Ela só dá atrás mesmo. Deve estar querendo casar virgem!

Os três rapazes riram e, quando iam voltar aos gracejos, foram interrompidos pela irrupção, no bar, de ninguém menos que... a própria Bruna.
– Oi, seu Quinzinho. Eu quero uma Coca grande, faz favor.
– É pra já, Bruna, respondeu o sexagenário, amigo de longa data do pai.

Bruna estava vestindo um shortinho de lycra verde claro apertadíssimo e um top preto que deixava a barriga toda de fora, presentes de Isabel. Os rapazes não sabiam mais para onde olhar, se para o lindo rosto de olhos verdes e cabelo cor de milho, para os seios firmes ou para as nádegas que enchiam o short e o dividiam em dois gomos generosos e bem feitos. Bruna nem se incomodou de olhá-los e menos ainda cumprimentá-los, pois sabia que, embora fossem amigos de Gabriel, quando estavam juntos eram só mais um bando de tarados. Ela sabia que Pedro e Amadeu eram amigos do seu namorado, mas ignorava que fossem eles seus dois comparsas na realização daquela infeliz idéia que ele tivera de puni-la. Ironicamente, ela tinha até uma certa atração por Pedro, que resplandecia do alto dos seus 1,85m e um corpo apolíneo. Ele a excitava, com suas calças sempre justas que deixavam perfeitamente adivinhar o tamanho do "documento". Bruna já se masturbara sonhando que se atracava com ele no mato. Quanto a Amadeu, franzino, de cabeça raspada para evitar o cabelo ruim e de voz de taquara rachada, ela o ignorava solenemente.
– Sua Coca, menina. disse o proprietário do bar, colocando a garrafa plástica sobre o balcão.
– Obrigada, Seu Quinzinho. A mãe pediu pra pôr na conta.
– Não tem problema, belezura!

Bruna pegou a coca e foi embora, limitando-se a olhar de relance para Pedro antes de dar as costas. O rapaz percebeu, ficou pensativo durante alguns minutos e, depois de esvaziar seu copo de cerveja, despediu-se dos amigos com o máximo de naturalidade, tomando a mesma direção que Bruna, que ele logo avistou. Apressando o passo, ele se aproximou do corpo que o excitava tanto e que ele já conhecia profunda mas secretamente. Ele decidiu ser o mais direto possível.
– Oi, Bruna, disse ele, pouco atrás dela.
– Oi, respondeu ela, reduzindo o passo sem olhar Pedro no rosto.
– Você está muito bonita com essa roupa.
– Obrigada! disse ela, iluminando-se.
– Está indo para casa?
– Estou.
– A Coca é para o almoço de vocês?
– Só o meu. A mãe está trabalhando na fazenda que os patrões estão aí. Eu só vou lá depois.
– E o que você está fazendo em casa?
– Tomando banho de mangueira no quintal, só. Está um calorão!
– Está mesmo! E você já está toda queimada de sol.
– Vou queimar muito mais. Quero ficar preta nesse verão!
– Vai ficar linda! exclamou o moço, já sentindo a excitação despontar.
– Obrigada! respondeu Bruna, desta vez olhando para ele bem nos olhos e constatando mais uma vez o quanto também o achava bonito e atraente, com seu nariz curto e reto, os olhos grandes muito vivos e dentes deslumbrantes.

Eles caminharam conversando sobre o verão, o calor, as férias. Chegando em frente de casa, Bruna parou, sem querer muito se despedir.
– Bom... a gente se vê, então, disse ela.
– Você vai voltar para quintal? perguntou o rapaz, nada disposto a entregar os pontos.
– Vou botar o biquini agorinha! Ele nem deve ter secado! respondeu ela, com um sorriso radiante.
– Então está bem, a gente se vê, disse o rapaz, curvando-se para lhe dar dois beijinhos no rosto, que ela retribuiu com prazer.

Bruna entrou e fechou a porta enquanto Pedro ficou imaginando sua casa. Ele sabia que o quintal era aberto porque a casa ficava no interior da propriedade dos Albuquerque. Era um terreno grande que se abria para o nada a partir dos fundos da casa simples, mas de bom tamanho. Os empregados moravam todos nessa alameda de casas, cada uma com 10m de cerca viva de cada lado e um longo terreno de cerca de 100m de profundidade, onde eles plantavam o que quisessem. A casa de Bruna era a última da alameda e era a que mais tinha árvores, porque desde que seu pai morrera ou fora embora (é o grande mistério da família), ela e a mãe cultivavam bem pouca coisa. Havia uma pequna horta logo atrás da casa e o restante era um vasto pomar, com bananeiras, nespereiras, pitangueiras, goiabeiras e outras tantas árvores. Pedro deduziu que Bruna tomava sol na porção esquerda do final do terreno, onde só os proprietários passavam a cavalo de vez em quando e onde os vizinhos não podiam vê-la de casa, porque à direita, entre aquele canto desnudo e a segunda casa, havia muitas árvores. Ele decidiu, portanto, contornar o terreno pela esquerda, "invadindo" a fazenda pelo mato, e ir conferir.

Pedro estava certo. No canto direito do terreno havia uma toalha estendida no chão e, fora dela, o que parecia ser um short e uma camiseta, além de um tubo de bronzeador. Ele se escondeu no mato e não teve que esperar muito para ver Bruna despontar das últimas árvores, toda molhada, usando um minúsculo biquini amarelo que, à distância de 20 metros, resumia-se a três pequenos triângulos de tecido, recobrindo o mínimo dos seios e do sexo. Ele logo entendeu o porquê da roupa no chão. Se a mãe dela a visse usando aquele biquini, seria a guerra! Bruna sabia que fazia coisas que sua mãe desaprovaria se descobrisse.

De seu posto, Pedro viu Bruna deitar-se de costas na toalha e recomeçar a queimar ao sol. Quando ela secou do banho de mangueira, passou bronzeador no corpo todo e ficou imóvel, como se dormisse. O corpo de Pedro logo respondeu à visão do pequeno triângulo perdendo-se entre as coxas entreabertas. Decidido a agir, ele avançou e ficou de pé a poucos metros de Bruna.
– Oi, disse ele, baixinho para não assustá-la.
– O que é que você está fazendo aqui?, perguntou ela, totalmente surpresa, sentando-se na toalha de pernas fechadas e já puxando a camiseta para vesti-la.
– Não, Bruna, fica assim, disse o rapaz, gesticulando. Vou falar com toda a sinceridade: eu vim te ver. Eu queria te ver de biquini.

A franqueza de Pedro acalmou-a imediatamente. Ela desistiu de pôr a camiseta e ficou olhando para o seu belo visitante.
– Eu estou de sunga, disse ele. Se estiver tudo bem, a gente pode tomar sol junto.
– Não sei... respondeu ela, mais indecisa do que descontente.
– Sua mãe está para chegar?
– Não, não é isso, ela só deve voltar à noite. Eu é que ia até a fazenda daqui a pouco.
– Você tem que ir?
– Não tenho, mas quero, respondeu ela, implicante.
– Ah, fica, vai! fez ele, dando um sorriso que o tornava ainda mais bonito e já fazendo que ia abrir o primeiro botão da calça.
– Tá bom, mas só um pouco. Eu tenho que ir lá à tarde.

Radiante, o rapaz tirou a camiseta e foi baixando a calça, revelando a sunga preta de lateral muito estreita. Bruna engasgou intimamente ao ver o membro rebatido à direita; ele estivera duro momentos antes e Pedro não teve solução senão acomodá-lo assim. Mas isso não o embaraçou. Pelo contrário, ele estava todo orgulhoso de exibir um dote digno do corpo maravilhoso de Bruna. Aliás, Pedro não estava nem um pouco interessado no banho de sol e não pretendia enganá-la quanto a isso. Olhando-a fixamente, observando a marca dos mamilos nos triângulos amarelos do biquíni ainda molhado e o estreito fio de penugem loura descendo do umbigo ao interior da calcinha cavada e estreitamente ajustada, Pedro sentiu as primeiras pulsações dentro da sunga. Seu membro logo começou a forçar a pequena peça elástica, chamando a atenção de Bruna.
– Nossa! Isso aí está ficando assim por quê?
– Por tua causa, Bruna. Por causa desse teu corpinho delicioso, respondeu o rapaz levando a mão à sunga.
– Então a culpa é minha?
– É sim. Você deixa todo mundo doido, menina, respondeu ele, acariciando seu membro completamente duro.
– É? Mas eu não faço nada, sou tão quietinha! retrucou ela com um sorrisinho malicioso e olhar inocente.
– Pois é, as quietinhas são as piores, retrucou o rapaz, esperando por uma reação mais concreta.

Bruna logo começou a arder por aquele corpo. Seu coração estava a mil e sua vagina umedecia-se sob o tecido fino que a escondia. Pedro tinha coxas perfeitas, longas e musculosas, barriga plana mas não descarnada, peito e braços fortes, uma bela cor de cobre e feições agradáveis. Ela sempre o considerara atraente, e naquela atitude, em pé diante dela, acariciando o sexo para provocá-la explicitamente, ele lhe pareceu irresistível. Ela resolveu não inibi-lo. Aproximando-se dela, Pedro baixou o elástico da sunga e seu membro armou-se, reto e claro, a cabeça rubra e bem feita quase totalmente descoberta. Empunhando-o pelo tronco, ele fez recuar o prepúcio e exibiu a glande em seu esplendor total. Sentada, Bruna o via de baixo como se despontasse do espesso e redondo envólucro dos testículos encaixados no vértice das coxas. Ela podia ver também a parte inferior das nádegas do rapaz, lisas, salientes e firmes. Pondo-se de joelhos, ela percorreu-lhe as pernas com as mãos, acariciando suas coxas, sentindo os pelos roçarem nas palmas das mãos, e abocanhou-lhe o saco que se destacava em primeiro plano. Assim que sentiu o contato, Pedro reagiu pondo-lhe a mão na cabeça.
– Isso, Bruninha, lambe meu saco... Assim...

Bruna podia tanto focalizar o rosto transfigurado de Pedro quanto a verga que dançava centímetros acima dos seus olhos enquanto ela lambia e mordia a pele rugosa e macia daquela estrutura exótica. Escalando as coxas de Pedro com as mãos, ela foi espalmá-las sobre a sua barriga enquanto começava a lamber o tronco do pênis e tentava mordê-lo sem usar as mãos. Seus seios roçavam nas coxas do rapaz, que contemplava isso com excitação redobrada, abaixando-se para acariciá-los e pressionar os mamilos. Excitada, Bruna empunhou com força o tronco pulsante, premendo-o e colhendo na língua um fio denso do líquido que já brotava abundante da glande, saboreando-o e engolindo-o com gosto. Deslumbrado com a cena, Pedro embrenhou-se no cabelo espesso de Bruna, puxando-a para si e convidando-a a admitir todo o seu sexo na boca.
– Chupa todo, vai... Engole o meu pau... Assim... sussurrava ele, gemendo e fazendo amplos movimentos de pélvis.

Bruna, de joelhos, passara a apoiar as mãos no final das costas de Pedro, já na curvatura das nádegas. Como ele não desse sinal de descontentamento, ela foi descendo e, excitada com a felação, começou a acariciar os dois gomos salientes, sentindo nasn pontas dos dedos o calor da entrada no sulco. Isso aumentou ainda mais a excitação de Pedro, que assistia deslumbrado ao espetáculo do seu sexo mergulhando quase até o talo na linda boca da menina.
– Você chupa bem demais, Bruna...
– Está gostando? perguntou ela, retirando por um momento o grosso membro da boca e olhando-o nos olhos com um sorriso molhado.
– Demais, respondeu ele, aproximando-se para beijá-la.

Bruna aproveitou para ficar de pé e se sentiu envolvida pelos braços fortes do rapaz, que acariciou suas nádegas, percorrendo o sulco e chegando até a borda da vagina encharcada. Num reflexo, ela recuou um pouco, mas teve tempo de perceber que ele não tentara penetrá-la com os dedos, como se adivinhasse que ela fazia questão de manter-se virgem. Isso a intrigou, mas a excitação impediu que ela desse maior importância ao fato no momento. Ela viu-se colada àquele corpo tão viril, sentindo o membro duro deslizar em sua barriga para ir acomodar-se entre suas coxas, deslizando pelos lábios molhados do seu sexo. Ela fechou as pernas e permitiu que ele se masturbasse assim entre suas coxas. Pedro lhe pareceu resistente. Quantas vezes ela levara Gabriel a ejacular apenas com isso! Mas Pedro a puxava para si e friccionava vigorosamente o sexo entre suas coxas bem fechadas, sem mostrar qualquer sinal de luta contra um orgasmo iminente. Bruna sentia sua vagina em chamas em contato com a verga grossa e molhada que percorria-lhe a fenda por inteiro, indo e vindo incessantemente. Seu estado de excitação chegou ao máximo. Caberia a ela a iniciativa de propor a penetração. Era um momento delicado, dada a condição que ela mesma se impusera quando decidira manter-se virgem.
– Pedro... cochichou ela, entre gemidos, pendurando-se no pescoço do rapaz e mordiscando-lhe a orelha.
– Que foi? respondeu ele sem parar de roçar-se nela.
– Quero dar pra você, completou ela, ofegante.
– É tudo o que eu mais quero na vida, Bruna, respondeu o rapaz, ciente da cláusula secreta, mas sem se arriscar a mencioná-la.
– É que...
– Fala, Bruna, respondeu ele, estimulando-a a proferir o que ele já sabia. Ouvi-la dizer o excitaria ainda mais.
– É que tem que ser... por trás, disse ela quase engolindo as duas últimas palavras.
– Atrás do quê, Bruna? perguntou ele, fazendo-se de desentendido, sem parar de esfregar-se entre suas coxas, sentindo-a bamba de excitação.
– Atrás, ora! Vai dizer que nunca fez!

Pedro ouviu essa resposta com um certo sentimento de culpa. Se ela soubesse o quanto ele já "fizera", e especificamente com quem! pensou o rapaz, em suas próprias palavras. Mas ele logo rechaçou esses pensamentos em prol da realização desse sonho de estar sozinho com Bruna e ser desejado por ela.
– Pega a toalha, Bruna, comandou ele.

Assim que ela obedeceu, ele a pegou no colo como se fosse uma pluma e levou até uma árvore grande e copada, de tronco grosso e generosa sombra. Chegando lá, ele a pousou no chão, disse-lhe para estender a toalha e ficar de quatro. Bruna obedeceu, empinando-se toda para que não pairasse nenhuma dúvida quanto ao ponto exato.
– Já disseram que a tua bunda é linda, moça?
– Já, bobo! respondeu ela com sorriso na voz.

Antes de pedir que Bruna abrisse um pouco mais as pernas, Pedro quis contemplar por alguns instantes a perfeição que tinha diante dos olhos. Em seguida, ajoelhando-se por trás dela e separando carinhosamente as suas nádegas, ele reviu o orifício que ele explorara sem que ela suspeitasse. Extasiado, quase com emoção, colou a língua nele, pondo-se a lambê-lo com devoção. Mal se aguentando de tanto desejo, Bruna ofereceu-se, abrindo as pernas e movendo-se para senti-lo o mais possível. Seu sexo encharcou-se e ela desejou loucamente que Pedro o penetrasse, mas controlou-se uma vez mais, dizendo a si mesma que não podia por tudo a perder.

Empunhando o membro completamente duro, Pedro aplicou a glande contra o orifício, deixou um longo fio de saliva viscosa cair sobre o tronco, espalhou a saliva na região e, pedindo a Bruna para firmar-se bem, começou a forçar, cuspindo para manter a entrada lubrificada. Embora acostumada, Bruna teve dificuldade de acolher sua glande, bem mais ampla no sentido do diâmetro. Num átimo, ela se lembrou de uma dificuldade semelhante, quando do "castigo" de Gabriel, mas não foi capaz de associar Pedro ao que se passou naquele dia, no armazém. Quando a saliva fez seu trabalho, Bruna pôde sentir a grossa glande começar a deslizar para dentro ao mesmo tempo que ampliava a abertura.
– Aaaaaai! fez ela. Está me rasgando!
– Está doendo muito? preocupou-se o rapaz.
– É grande, exclamou ela.
– Nem tanto. É que está muito duro.

Esse diálogo só fez estimular a excitação dos dois. Bruna firmou-se bem com as mãos e joelhos.
– Mete, Pedro. Estou louca para te dar.

O rapaz não precisou ouvir duas vezes. Puxando Bruna pelos flancos e soltando o peso do corpo, ele consegiuiu fazer com que a glande mergulhasse. Em seguida, a verga dura como aço deslizou, só parando quando o seu corpo se chocou contra o dela.
– Pronto. Agora você é minha putinha, brincou Pedro.
– Ai, para com isso! retrucou ela, chocada.
– Você não gosta de ser a putinha de quem te come?
– Não é isso... É que falar assim é gozado... Mas é verdade. Se eu estou dando para você e a gente não é nem namorado, santa é que eu não sou. Mete, vai... Está gostoso e eu não conhecia essa posição, pediu ela depois que Pedro tomou uma variante para penetrá-la em que ele praticamente montou em suas costas.
– Eu chamo de posição da "escavadeira", porque o pau entra reto e eu soco que nem escavadeira de mão.
– No-ossa, Pedro! É demais! Eu sinto ele todinho dentro de mim e entra com muita força. Quase não estou me agüentando nas mãos! Ela disse isso já se apoiando nos antebraços, ficando com a coluna completamente envergada.
– Caramba! Assim é demais, vendo a tua bunda toda empinada e o meu pau entrando e saindo.
– Mais forte... Fode gostoso, Pedro… Ai, assim… pediu ela quase choramingando.
– Vou poder gozar dentro, Bruna?
– Va-ai, Pedro... Eu deixo, mas mete com força!

Pedro conseguiu fazer com que seu membro saísse completamente para tornar a penetrá-lo fundo, solicitando a elasticidade do ânus, que se dilatava e relaxava em pulsações contínuas. Isso associado à fricção começou a causar uma sensação tão intensa que pareceu a Bruna estar ingressando num orgasmo anal. Na verade, um orgasmo vaginal estava sendo desencadeado pelo excesso de excitação e pela natureza da posição, mas a intensidade da sensação anal impediam-na de localizá-lo.
– Es-es-tou go-goz-zando, Pedro..., gemeu ela, baixinho, dominada por um prazer avassalador.
– Você está esfregando o grelo? A pergunta dele foi espontânea.
– Na-não... Nem estou entendendo! Ela disse isso quase perdendo as forças.

Pedro confirmou que Bruna não estava usando as maõs, e a mera suposição de que ele pudesse estar provocando um orgasmo anal, embora quase certo de que isso não existia, elevou sua excitação a tal ponto que ele não pôde retardar seu próprio orgasmo. Seu membro pôs-se a pulsar com mais freqüência e ele sentiu a descarga se aproximando. Ele conseguiu não parar de pistonear, sempre na vertical, forçando seu pênis, até que os primeiros jatos o obrigaram a permanecer dentro dela, puxando-a com força pelas ancas, sentindo seu púbis contra a pele das nádegas dela, seu próprio ânus exposto, seus testículos livres, suas coxas anestesiadas pelo excesso de esforço contínuo, o calor do seu corpo, o suor...

Languidamente, Bruna levou uma mão à vagina para friccionar o clitóris. Isso desencadeou imediatamente o orgasmo "clássico" e ela entendeu que o estímulo anal fora tão forte que o iniciara.
– Ahhhh... Estou gozando mais, Pedro..., gemeu ela, soltando-se completamente em suas mãos.
– E eu estou enchendo a tua barriga com o meu leite, respondeu o rapaz entre gemidos, voltando a dar estocadas, desta vez mais suaves, sem parar de ejacular.
– Então me dá... Me dá o teu leite todinho... Quero ficar com ele pra mim, dentro de mim, gemeu ela com a voz minguando na garganta, sentindo seu reto quente e inundado, e o longo e grosso membro deslizando para dentro e para fora do seu corpo, quase livremente, quase sem atrito.

Assim que Pedro retirou-se dela, Bruna sentiu seu ânus retrair-se e, para evitar que o esperma saísse logo, deitou-se de bruços sobre a toalha, pediu a Pedro que se deitasse ao seu lado e começou a beijá-lo carinhosamente, lambendo seus lábios, procurando sua língua, chupando-a e engolindo sua saliva. Ela também lhe disse que jamais um rapaz tinha lhe dado tanto prazer. Essa foi sua maneira de agradecer. Quando Pedro lhe perguntou por que ela namorava Gabriel, por que ela não fazia sexo vaginal, por que ela tinha tanto apego aos donos da fazenda, e tentou fazer-lhe outras perguntas que intrigavam os rapazes do vilarejo, ela colou dois dedos nos lábios dele e o fez calar-se. Ele entendeu que não devia insistir, deu-lhe um último beijo e os dois tornaram a vestir-se, ele a roupa, ela o biquíni.

Foi com um carinho raro que Bruna se despediu de Pedro, prometendo-lhe mais dias de prazer, mas desencorajando-o quanto a qualquer tentativa de uma relação mais séria. Intimamente, ela continuava inflexível em seu propósito de ingressar na família Albuquerque e não permitiria que sentimento algum a desviasse de seu objetivo.


Capítulo VII – Ganhando uns Trocados

Um belo dia, a mãe de Bruna acordou com a idéia de que era hora, para a filha, de procurar emprego. Aos dezessete anos, Bruna limitava-se a ajudá-la nas tarefas domésticas em casa e na fazenda dos Albuquerque. Se ela pudesse trazer um dinheirinho a mais para casa, elas teriam um pouco mais de conforto. Poderiam até, quem sabe, comprar uma televisão nova! Ela conversou com a filha e Bruna começou a assuntar.

Na escola, a notícia se espalhou rapidamente e alguns filhos de comerciantes correram até às lojas dos pais, durante o recreio, para perguntar se havia lugar para Bruna, imaginando que, se conseguissem colocá-la no negócio do pai, poderiam obter alguma retribuição afetiva dessa colega tão atraente e, quem sabe, até um namoro. Consciente das razões ocultas que os motivavam, Bruna recusou as ofertas e procurou sozinha. Inteligente, ela foi direto ao mercado do seu Modesto, que empregava vários jovens do vilarejo e que a recebeu com toda a gentileza.
– Eu era muito amigo do seu pai, sabia?
– Não sabia não, seu Modesto. Então, o senhor vai me dar o emprego?
– Claro, Bruna! Só não tem lugar de caixa. Você se importa de trabalhar dentro da loja, arrumando, etiquetando, desembalando mercadoria no estoque, arrumando e limpando?
– Não, faço qualquer coisa. Preciso ajudar com as despesas em casa.
– Ótimo. Você vai trabalhar de 1h às 6h da tarde, para não atrapalhar os estudos. Se quiser, pode começar amanhã mesmo.
– Começo sim! Obrigada, seu Modesto.
– Até amanhã, Bruna.

No dia seguinte, à 1h da tarde, Bruna já estava de guarda-pó verde, no estoque, sendo apresentada aos empregados pelo patrão. Ela já conhecia todos de vista, mas se surpreendeu com a presença de três deles. Ana era uma mulatinha centrada no próprio umbigo que tinha fama de "fácil" e se gabava de conhecer segredos de muitos homens do vilarejo. Vitor, "Vitinho", um branquela frágil e fofoqueiro, não fazia muita questão de esconder sua preferência por homens mais velhos, mostrando-se todo solícito a tudo que o seu Modesto pedia. Rui, o menino bonito, forte e desinvolto, esnobava as meninas locais – inclusive Bruna –, que ele tratava de "caipiras". Ele só saía com meninas de cidade grande, especialmente as veranistas do Rio. Quanto aos outros empregados, mais três rapazes e três meninas, Bruna os considerava comuns e tinha com eles uma relação cordial. Os nove empregados tinham menos de vinte anos e seu Modesto, largamente quarentão e no auge da ambição, os empregava ilegalmente, negando-se a assinar carteiras e evitando assim os encargos sociais, exceto para as duas caixas, visíveis demais. Quando eventualmente mandavam um fiscal da cidade, ele dava um jeito de ser avisado e mandava a turma sumir até que o inconveniente fosse embora. Seu Modesto explorava esses jovens, que ele punha para trabalhar pesado. Mas o ambiente era descontraído. Bruna logo se entendeu com a maioria e aprendeu os segredos da vida no mercadinho. Ela chegava em casa cansada, mas contente, o que alegrava sua mãe.

De vez em quando, Bruna encerrava seu expediente dez ou quinze minutos depois do horário porque seu Modesto fazia questão que ela terminasse o que tinha que ser terminado. Numa dessas ocasiões, ao aproximar-se do vestiário, Bruna ouviu cochichos e resolveu não abrir imediatamente a porta. Ela pensava estar sozinha, mas, pelo visto, se enganara. Colando a orelha à porta, ela ouviu uma voz sussurrada de homem  dizendo algo como: "Isso, deixa bem limpinho... Assim... Um pouco mais..." Ela também ouviu algo que lhe pareceu serem soluços de choro. Ela não entrou e, cinco minutos depois, seu Modesto saiu apressado do vestiário, dizendo que tinha ido verificar se havia mesmo um vazamento no banheiro dos empregados, mas não tinha. Bruna entrou e viu Rosa, que fora admitida alguns dias depois dela, sentada no longo banco, com cara de desânimo e cansaço.
– Está tudo bem, Rosinha?
– Está, respondeu ela, sem olhá-la, tirando o guarda-pó para repor a roupa.
– Está gostando do trabalho?
– Estou, respondeu ela, lacônica.

Bruna não quis insistir. Diante do armarinho de madeira, ela também começou a se despir para para ir embora. Do canto do olho, ela pode constatar discretamente a beleza do corpo da colega, que usava o guarda-pó sobre a roupa de baixo. O sutiã barato e transparente revelava completamente os seios redondos, muito bem feitos, e embora ela estivesse usando calcinha fio-dental, Bruna não a julgou porque não parecia haver ninguém menos malicioso que ela. Quando ela se despediu e ia saindo, Rosinha chamou.
– Espera.
– Hã? Que foi?
– Posso sair com você?
– Claro. Está com medo de alguma coisa?
– Não é isso... É que..., e desatou a chorar.
– Ele abusou de você, não foi?

Bruna ajudou-a a terminar de se vestir e saiu com ela. Caminhando pela calçada, Rosinha lhe contou que tinha dezoito anos e acabara de sair de casa porque não aguentava mais o padrasto, e que embora seu Modesto só tivesse aceitado empregá-la em troca de favores sexuais, estes eram de longe mais leves que aqueles aos quais ela era submetida já há anos pelo novo marido da mãe. O trato era que seu Modesto a procuraria quando lhe desse vontade. Geralmente, pedia para ver seu corpo, tocava ou beijava seus seios. No máximo, ele lhe pedia sexo oral e costumava terminar sozinho, mas naquele dia, ele exigira que ela ela engolisse o seu esperma e isso lhe causara um nojo extremo. Ela quis negar, mas ele avisou que ela fosse se preparando porque ele iria "bem mais longe" com ela. Ela estava infelicíssima, mas não podia largar o emprego porque agora tinha que pagar o aluguel de um quarto na casa da D. Eulália, uma respeitável moradora do vilarejo. Bruna prometeu fazer alguma coisa e se despediu carinhosamente recomendando-lhe que descansasse bem.

No dia seguinte, Bruna vestiu o guarda-pó e foi imediatamente ao escritório do patrão revelar o que descobrira por acaso na véspera, ouvindo atrás da porta o que ele dissera a Rosinha. Assustado, Modesto ouviu atentamente. Bruna lhe disse que ele podia levar a vidinha sexual dele no vestiário, desde que o que ele fizesse fosse consentido. Ela acrescentou que ouvira Rosinha chorar e que, portanto, tinha o bastante para denunciá-lo e sujar o nome dele no vilarejo, mas não faria nada se ele aceitasse certas condições. Nervosíssimo, o homem fez-se todo ouvidos e dispôs-se a aceitar qualquer exigência. Bruna lhe pediu que assinasse as carteiras de todos, aliviasse a carga de trabalho e desse mais autonomia aos empregados. Ela explicou que essa autonomia era uma condição para que ela não o denunciasse por abuso sexual. Ele concordou com tudo e, como todo bom tarado e cara-de-pau inveterado, pediu a Bruna que lhe fizesse um "agrado" para compensar o susto que ela lhe dera. Ela olhou para ele com um misto de pena e desprezo: Modesto estava em suas mãos.

Com a autonomia recém-adquirida, as idéias fervilhavam na cabeça de Bruna. No fim do expediente do mesmo dia, ela reuniu os colegas de trabalho. Ela queria abrir um serviço de entrega em casa cujos ganhos – uma certa percentagem sobre a compra – fossem integralmente revertidos aos empregados. Dois dias depois, a informação sobre o sistema de entrega em casa estava aprovada pelo patrão e afixada no quadro de promoções. Os clientes mais abastados não tardaram a usar o serviço, mobilizando os oito jovens do mercadinho. Uma nova era começara. Durante três meses, o serviço de entrega do Mercadinho Modesto funcionou normalmente. As compras podiam ser feitas até por telefone e chegavam no máximo em meia-hora. A percentagem paga ia para uma caixa comum e era equitativamente dividida. No fim de cada mês, isso representava um bom adicional para os jovens.

Num belo dia de sol, em meados do quarto mês, Bruna anotou a encomenda de uma cliente habitual, encheu um carrinho e foi fazer a entrega. Chegando à casa, D. Rita a fez entrar pela portinhola do jardim, mas estava de saída e disse que o filho receberia as compras e acertaria as contas com ela. Assim que a mulher saiu, Bruna ouviu uma voz de rapaz vindo do quintal: "Estou aqui atrás!" Contornando a casa, ela foi até os fundos, onde o Jader, que ela logo reconheceu, estava debruçado na borda da piscina, olhando em sua direção com meio corpo dentro d'água.
– Ah, é aqui que você mora? Está aqui a nota. São três reais da entrega, disse ela, laconicamente assim que avistou o rapaz cuja fama ela já conhecia bem dos rumores que ela ouvia na escola.
– Pra que a pressa? Chega aí, Bruna. Vamos conversar um pouco.
– Não dá. Estou trabalhando e tenho que vol...

O rapaz ia saindo da água. Jader tinha um tipo indígena, moreno, de cabelo preto comprido, mas era alto. Assim que seu corpo ultrapassou a borda, Bruna notou que ele estava nu em pelo.
– Está nu por quê? Perguntou ela, encabulada.
– Porque está quente, porque estou sozinho e porque estou na minha casa. Não gostou?
– Não é isso. É que...

Bruna não conseguiu evitar olhar abaixo da cintura do rapaz que ia em sua direção sem qualquer constrangimento. Como ela ainda precisava receber o pagamento pelas compras, a única coisa que lhe ocorreu foi pedir água e eles foram para a cozinha caminhando lado a lado. Assim que Jader passou-lhe o copo d’água, foi até a pia e sentou-se nela.
– Vai ficar com frio na bunda! brincou Bruna.
– Tenho mais frio nas bolas, respondeu ele, olhando para baixo e em seguida para ela.

Não resistindo à curiosidade, Bruna dirigiu o olhar para as coxas entreabertas de Jader e foi-lhe impossível negar o interesse despertado pelo que ela via.
– Eu sei que você gosta, Bruna. Sou amigo do Gabriel, esqueceu? Pega um pouquinho "nele", vai!
– Se o Gabriel fica sabendo…, disse ela, já decidida, mas meneando a cabeça, sem se dar conta de que seu namorado revelava sua intimidade aos amigos.
– Não tem mais ninguém aqui, Bruna. Me faz feliz, vai!

Com a boca ainda seca, Bruna esvaziou o copo sem tirar os olhos de Jader. Entre as duas coxas musculosas e curtidas de sol, ela viu o membro erguer-se, endurecer completamente e ir colar-se à barriga. A glande exposta quase tocava o umbigo. Jader o empunhou e ficou olhando para ela com ar provocante. Ela sorriu, ainda um pouco acanhada, mas acabou aproximando-se e indo colocar-se entre as pernas do rapaz, que lhe passou orgulhoso o bastão.
– Toma, Bruninha... Faz o que quiser com ele.
– É grande, disse ela, empunhando-o firmemente pelo tronco, sentindo-o pulsar, os olhos fixos nele.
– Maior que o do Gabriel? fez o rapaz, provocativo.
– Ah, pára com isso! Não tem nada a ver comparar.

Mas Bruna sabia que a resposta era afirmativa. Na sua opinião, Jader possuía o pênis sonhado por toda jovem: longo mas grosso, ligeiramente envergado para cima. Quando ela o puxou para si e o olhou de topo, a cabeça se destacou no primeiro plano, ampla e vermelha. Após uma olhadela em Jader, ela envolveu-a com os lábios e provou o fluido que já descia copioso. De seca, sua boca começou a salivar abundantemente.
- Ah! Isso, Bruninha… fez ele, suspirando, sentindo o calor úmido propagar-se pelo membro.

Embora encantada com a bela ferramenta de Jader, Bruna sabia que não podia mimar demais aquele garanhão tão cheio de si. Ela não queria ser mais uma conquista submissa.
- Ei! Quer me fazer gozar logo, é? disse ele, se contorcendo todo ao sentir a língua friccionar intensamente o freio da glande.
- Você não gosta assim? perguntou ela, erguendo a cabeça.
- Adoro, mas não lambe aí com muita força senão eu gozo rápido demais e eu queria que a gente fosse lá para dentro.

Decidida a dominar a situação, Bruna passou a submeter Jader ao segundo grau da deliciosa tortura. Apoiando-se com os braços nas coxas dele, ela admitiu o membro ao máximo, deixando a glande ir bater no fundo da garganta. Seus lábios se fechavam a três dedos dos testículos, ela jamais conseguiria tê-lo inteiro na boca, mas era o suficiente para provocar sobressaltos no rapaz, que agonizava sentindo-se levar ao orgasmo em segundos.

Em dado momento, ouviu-se uma voz masculina gritar da rua: "Jadinho! Chega aê!" Era um amigo. Bruna parou. Jader não queria parar, mas sabia que se não atendesse a porta, ele entraria, porque era um amigo íntimo. Ele olhou consternado para Bruna e ela, radiante, deu-lhe três últimas chupadas profundas e intensas. O outro se esgoelava na calçada enquanto Jader, não podendo conter-se, sentiu o orgasmo se desencadear. Mas Bruna já se afastara e ele só teve tempo para se virar de lado e, masturbando-se aflito, por puro reflexo, deixar que os jatos se perdessem na pia. Bruna se despediu rindo, pedindo a Jader que quando estivesse menos "atolado" passasse no mercadinho para pagar a despesa e os três reais da comissão dela.
– Bruna, espera! pediu o ele, desconsolado, entregue aos espasmos.
– E vê se não esquece os três reais! reiterou ela, rindo e saíndo da cozinha pela mesma porta por onde entrara.

Bruna pegou o carrinho do mercado e passou pelo amigo inoportuno, que a salvara de uma provável situação complicada. Ela logo o reconheceu.
– O que é que vocês estavam fazendo? Estou chamando há um tempão! protestou ele, olhando-a de cima a baixo.
– Pode ir direto até a piscina, Oswaldo. O Jader está esperando, respondeu ela, rindo.

No caminho de volta, Bruna se lembrou das suas experiências iniciais com os filhos dos Albuquerque, tão isentas de grosseria, de malícia e de oportunismo. Isso lhe trouxe de volta à mente o propósito de pertencer à família dos patrões da sua mãe, que se esmaecera nos últimos tempos. Ela chegou ao mercadinho em silêncio e sem vontade de contar às amigas a sua aventura recente.


Capítulo VIII – Querido Diário…

Enquanto narrador, tenho omitido uma informação que doravante passa a assumir uma relevância sem precedentes. Trata-se do fato de que, desde muito cedo, Bruna manteve um diário com certa regularidade. Quem lhe sugeriu a idéia foi Isabel, a filha mais velha dos patrões da sua mãe. Uma vez por ano, Isabel lhe trazia do Rio um diário novo, encadernado e delicadamente ilustrado, como um presente dado com muita afeição. Por um concurso de circunstâncias, a coleção dos diários de Bruna chegou-me às mãos e o seu conteúdo inspirou-me a escrever essa história, por razões que serão esclarecidas mais adiante.

O que me levou a narrar em terceira pessoa e no passado, em vez de me servir do diário, foi o fato de que Bruna precisou de muito tempo, sempre sob a orientação de Isabel, para elaborar um texto propriamente dito. No início, eram frases de menina, escritas mais pelo prazer de por em prática a ortografia recém-adquirida em letra grande e redonda do que pela mensagem. A partir dos catorze e isso até os dezesseis anos, Bruna limitava-se a anotações breves e lacônicas, nomes ou pequenas frases que denotavam algum fato marcante, sem narrar ou explicar e, muito menos, dialogar com seu diário, como se aprende nos filmes estrangeiros, e ela com Isabel. Mas a partir daí e aos poucos, percebe-se que, apesar das falhas gramaticais, das limitações lexicais, da carência estilística e da simploriedade do conteúdo, Bruna foi adquirindo um vocabulário urbano e aprendendo a redigir pequenos parágrafos, a dar coesão ao seu texto e, finalmente, a verdadeiramente narrar os episódios marcantes do seu dia-a-dia. A tal ponto que ela enchia páginas de caderno, que ela colava às do diário. A influência de Isabel no estilo dos últimos volumes parece ter sido determinante para que Bruna chegasse a escrever razoavelmente bem e para que eu decidisse que era hora de passar a caneta à protagonista de sua própria história e cessar de romanceá-la a partir do que julguei ser capaz de inferir de suas parcas anotações. Porque foi o exatamente o que fiz: criar uma história como um investigador que estuda pistas e evidências! Isso, bem sei, dá muita margem a erros. A partir deste capítulo, portanto, a narrativa será redigida pela própria autora dos diário, em primeira pessoa, o que, tenho certeza, tornará a leitura mais cativante e, sem dúvida alguma, excitante, já que – e isso me surpreendeu – a imagética de Bruna é das mais realistas!

Para estabelecer uma continuidade entre o ponto em que parei de criar e o texto original, tomei a liberdade de começar a reproduzir o diário a partir do momento em que Bruna anotou o seu encontro com Jader, episódio que data de há sete anos atrás. Essa estreita superposição facilitará a vida do leitor que tenha interrompido a sua leitura no sétimo capítulo.

Quero lembrar que, por tratar-se de um diário - objeto sujeito a cair em mãos estranhas -, a autora omitia certas palavras, grafava outras apenas com as primeiras letras, modificava nomes, colocava entre parênteses indicações que só ela entendia, criava analogias não-eróticas, etc. Ela fez isso até ter encontrado o que lhe pareceu ser o "esconderijo perfeito" para o seu diário, o que se deu logo após a época que tomei para início da publicação ipsis litteris do mesmo. Tenho certeza que o leitor terá o mesmo prazer que eu tive de decifrar elementos do "código brunaico".

Resta-me dizer que as transcrições que se seguem concentram-se em 2007, tratam quase exclusivamente da vida sexual e afetiva de Bruna (em meio a centenas de anotações da mais variada natureza) e correspondem às últimas confidências deixadas por ela em seu diário, cujo conteúdo retrata fatos que foram decisivos para o rumo que tomou sua vida e que o leitor poderá articular ao resto da narrativa afim de julgar por si as implicações psicológicas e morais dessa história.

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Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Ai ai,  Diário, eu já fiz entrega na casa do J várias vezes e ele nunca está. Eu nem sabia que ele morava lá. Por que é que logo hoje eu tinha que entrar? Que raiva! Ainda bem que o amigo dele chegou porque eu não quero nada com ele.

O Gabriel paga picolé para mim e fica brincando de empurrar tudo na minha garganta! Dá vontade de vomitar!


Segunda-feira, 12 de março de 2007

Aquele podre continua magoando a flor, mas ela me fala que está tudo bem, então não me meto mais. O cachorro nem agradece nem nada, maltrata, manda a pobre sair e continua a trabalhar. Eu ainda mato esse velho! Ele que não venha de gracinha pra mim!

Por falar em vir de gracinha, quem está arrastando asa pro meu lado é o Rui, o garanhão das veranistas. Não sei o que ele quer comigo. Hoje ele veio perguntar se eu já tinha visto algum cara de capa de chuva. Claro que já, mas eu não ia dizer isso pra ele, né, Diário! Bom, eu sei que foi pura provocação porque ele sabe que eu estou namorando com o Gabriel. Não é que ele me falou que se eu quiser ver ele de capa é só pedir?! E o pior é que a bobona aqui ainda ficou em dúvida porque ele é o maior gato. Mas eu vou aguentar, Diário, te juro! Pra ele, menina serve só pra dizer que fez e depois joga fora. Ai Diário, eu falo isso tudo, mas por dentro eu estou morrendo de vontade. O Rui é LINDO! E se ele já é lindo vestido, imagina né! Ele é todo fortinho, deve beijar bem demais e o resto então! Ah se ele soubesse que eu ainda…, aí é que ia querer mesmo! Aliás, Diário, a gente tem que voltar a falar nisso, né? Está cada vez mais difícil falar não para o Gabriel porque ele vive insistindo, mas eu só gosto dele como passatempo. O meu namorado firme vai ter A no sobrenome. Eu vou sair dessa vida e desse buraco! É isso que eu quero e vou conseguir! Por falar nisso, já estou com saudade deles.

Quinta-feira, 15 de março de 2007

Já sei que o Chico está para chegar. Ainda bem que ele vem sozinho. A Isabel reclama quando ele vem. A Ana não; ela me disse que já "fez" quando ele estava. Com quem será que foi?

Segunda-feira, 19 de março de 2007

Diário, não posso esquecer de fazer uma coisa amanhã. O Vitinho me pediu para falar dele com o seu Modesto, mas ainda não sei como eu vou fazer. Eu sei que o Vitor só está querendo dinheiro. Ele quer vender chupeta para o seu Modesto mas o velho já tem fornecedor, você entendeu, né? Bom, estou morrendo de sono. Boa noite, Diário.


Capítulo IX – Jader Insistente

Quarta-feira, 28 de março de 2007

Já vai para mais de uma semana que eu não te conto nada, Diário. Vou aproveitar a falta de sono para te deixar em dia e sei que você vai clarear minhas idéias.

A primeira coisa é sobre o Jader. Um dia desses, ele foi lá no mercado para pagar as compras que eu levei na casa dele. Como ele também tinha ficado devendo os três reais da minha gorgeta, pediu à Soninha do caixa para me chamar. Ele queria conversar comigo depois do expediente. Aceitei porque ele estava bem sério. Aliás, ele estava lindo, bronzeado, de bermuda e camiseta novas. Quando eu saí, ele estava me esperando do lado de fora. Ele me chamou para sentar na praça para conversar. Estava vazio, as pessoas só começam a chegar lá pelas sete e pouco. Foi engraçado, nós dois sentados na beirinha do banco enorme, eu nervosa de curiosidade, ele nervoso pra começar. Quando ele conseguiu falar, desembestou e soltou tudo de uma vez: depois daquele dia na cozinha, ele não parava de pensar em mim e queria que eu terminasse com o Gabriel pra ficar com ele.

Enquanto eu ainda estava abestalhada, olhando pra ele sem saber o que dizer, ele pegou a minha mão, botou bem entre as pernas dele e disse: "Está vendo o que você fez comigo, Bruninha? Estou assim o tempo todo, dia e noite. Não consigo parar de pensar em você. Acho que é amor." Fiquei maluquinha, Diário, sem noção mesmo! Deixei minha mão lá, com a dele por cima me fazendo sentir aquele calombo latejando sem parar. Ele começou a procurar os meus olhos, cobrando uma resposta, e eu fui ficando confusa, com vontade de me soltar, mas pensando no Gabriel. Só que foi ficando tão forte, com ele me pressionando daquele jeito, que acabou num beijo. Diário, nunca – mas nunca mesmo – um menino me beijou tão gostoso! Primeiro, ele abriu a boca por cima da minha e começou a lamber os meus lábios fechados até me fazer perder a vergonha e abrir a minha também. Daí a língua dele entrou inteirinha na minha boca e procurou a minha. Tive que retribuir e foi um tremendo beijão. Enquanto isso, ele fez minha mão passear pela bermuda dele, sentindo aquele troço cada vez maior e mais duro. Eu fiquei foi abobada com o jeito dele fazer as coisas, Diário! Por isso me senti indefesa. Fiquei sem ação perto de tanta conviquição (é assim que se escreve?) e desejo. Nenhum dos dois descolava do outro e a gente começou a se esfregar, ele passou a mão por baixo da minha blusa... Fui ficando toda molhada. Ah, Diário, estava tão gostoso que eu acabei resolvendo aproveitar pelo menos aquele momento. O Jader estava tão carinhoso e com tanta vontade que eu resolvi ser boazinha. Sem parar de beijar, botei a perna por cima da coxa dele. Assim que ele sentiu que eu estava de perna aberta, tacou a mão. Eu estava com aquela sainha rosa plissada, curtinha e rodada que a Isabel me deu de aniversário. Quando ele chegou lá e cobriu tudo com aquela mão dele, apertando, quase desmaiei de aflição. Ele logo sentiu que eu estava encharcada e começou a massagear com força. E isso tudo, Diário, sem parar de chupar minha língua! Dava para ouvir quando ele engolia a minha saliva! Você já adivinhou, né? Ele foi ficando tão doido que teve que abrir a bermuda. Devia estar tão apertado! Eu ajudei, puxando a cueca pra deixar o troço sair. Estava duro e tão molhado que eu nem toquei, fiquei olhando. Foi nessa hora que o Jader parou de me beijar e cochichou no meu ouvido que, depois daquele dia na casa dele, ele tinha ficado muito fissurado e queria que a gente terminasse o que estava fazendo quando o colega dele chegou. Ele falou isso me olhando nos olhos, respirando forte e sem parar de me esfregar.

Como a noite já tinha caído e não vinha ninguém (nós ficamos naquele banco lá longe, que dá para a rua Acre, sempre vazia), resolvi fazer o que eu nunca tinha feito: avançar o sinal em lugar público. Sorri para o Jader, dei um estalinho na boquinha linda dele e fiquei um tempinho com a cabeça no peito dele, segurando aquele troço enorme, de cabeça molhada, olhando, cheia de água na boca, lembrando da chupetinha na cozinha. Acho que isso relaxou o Jader. Ele se soltou todo no banco, abriu bem as pernas e botou os braços por trás do encosto. Eu só tive que descer até a altura do umbigo dele pra morder a fruta. A cabeça deslizou entre os meus lábios e logo senti a vara grossa latejando neles. A coxa do Jader endureceu na hora, a barriga também, ele começou a gemer baixinho, subindo e descendo devagarinho. Fiquei com a mão meio para dentro da cueca dele, massageando as bolas, apertando de leve, enquanto a minha boca subia e descia por aquele treco grosso e duro que começou a soltar o melzinho transparente que eu adoro. O Jader foi relaxando cada vez mais e me deixando mamar gostoso, me fazendo carinho no cabelo e no pescoço, falando baixinho: "Chupa, Bruninha... Assim... Chupa gostoso com essa boquinha maravilhosa..." Ele falou um monte de coisas sensuais enquanto eu deixava o pau dele entrar todinho na minha boca e sair todo molhado de saliva. Desta vez, Diário, deu pra sentir melhor como o pau dele é gostoso, grosso e cabeçudo. É uma delícia ficar com ele dentro da boca, sentindo o gosto do melzinho que sai sem parar. Como o Jader se acalmou, a gente ficou nisso um tempão, parando para beijar às vezes e trocar carinho. Só bem depois, ele começou a mexer um pouco e me pedir para fazer pressão com a boca. Eu logo percebi que ele queria gozar e senti, pela pressão da mão dele na minha cabeça, que ele queria que fosse na boca. Eu pensei um segundinho e resolvi não negar. Assim que eu apertei a boca nele, sentindo cada curvinha na língua, o Jader começou a se agitar e senti os jatos do leite dele. Minha boca chegou a doer, de tanto que eu tinha que abrir! Mas não deixei escorrer nadinha! Quando eu senti que ele tinha gozado tudo, cuspi e voltei a lamber até deixar tudo limpinho. Ele falou que nenhuma menina tinha chupado tão gostoso e me deu outro beijão, falou que estava gostando de mim de verdade e repetiu que eu tinha que terminar com o Gabriel. Ah, Diário... estou numa dúvida! Por mim, eu acho que aceitava, mas o Gabriel não vai entender nada e vai ficar uma fera. Me ajuda a pensar, vai!

Para complicar as coisas, os Albuquerque chegaram. Nem sei ainda quem veio dessa vez, porque quando eu cheguei em casa, só tinha um bilhete da minha mãe dizendo que ia ficar lá fazendo jantar e arrumando. Mas é claro que amanhã ninguém me segura aqui. Eu vou lá de qualquer maneira, mesmo se não me chamarem! Se a Isabel tiver vindo, ela me chama sem falta. Se forem só os meninos, vai depender quem. Já sei que eu vou ter sono agitado...

Nossa, Diário, se alguém te lesse agora, eu estaria morta! Ainda bem que descobri o esconderijo perfeito pra você! De agora em diante, vou poder te contar tudinho sem ter que ficar mudando as palavras.


Capítulo X – O Penúltimo Irmão

Segunda-feira, 9 de abril de 2007

Oi, Diário! Tenho tanta coisa para contar que nem sei por onde começar. A última vez que escrevi foi no finalzinho mês passado achando que todo mundo tinha vindo para a fazenda passar o resto da semana, mas não foi bem assim; só o seu Rodrigo e a dona Flora vieram para resolver umas coisas e eu acabei não indo lá. Mas na sexta passada eles vieram de novo, dessa vez todo mundo, e a Isabel me chamou para ir lá depois do trabalho. A gente ficou horas conversando na varanda do fundo, nas cadeiras de balanço. A Isabel contou que está ficando com uma professora dela super bonita e legal. Duas vezes por semana, ela vai direto da escola para a casa da Lua (nome engraçado, né?) e elas ficam a tarde toda juntas, namorando. Antes de ter ficado com a Isabel, eu achava tão esquisito isso de duas mulheres juntas, mas agora sei como é carinhoso e excitante. Só não sei como elas conseguem ficar sem homem de vez em quando.

Mas chega disso. Quero contar o mais importante. Enquanto eu estava no varandão com a Isabel, o Luciano, irmão dela, ficou entrando e saindo o tempo todo, como se quisesse que a gente chamasse ele para conversar. Eu conheço o Luciano desde pequena e nem acredito quando penso que ele está com quase 20 anos! Ele tem o mesmo jeito do pai, parece o dono da fazenda. Nunca esqueço do dia em que ele passou a cavalo quando eu estava tomando banho de sol no quintal – quase morri de vergonha –, disse "Está ficando linda, Bruna!" e foi embora do mesmo jeito que apareceu. Pois então, ontem ele ficou num entra-e-sai das 9h ao meio-dia. Eu notei e falei com a Isabel. Ela prestou atenção e começou a estranhar também. De repente, ela virou pra mim e disse: "Bruna, acho que é com você!" Eu devo ter olhado pra ela muito espantada, porque, para mim, interessar o Luciano era a última coisa do mundo que poderia acontecer. Mas a Isabel começou a ter certeza e não deu outra: o Luciano acabou chegando perto da gente e perguntando se eu não queria andar a cavalo com ele no sábado de manhã. A Isabel riu e eu fiquei sem fala, Diário! Eu tinha dois problemas. Um deles é que eu não monto nem morta sozinha num cavalo, mas quando eu disse isso para o Luciano, ele riu e disse que a idéia era andar juntos no mesmo cavalo. Olhei para a Isabel, ela fez que sim, eu aceitei e o Luciano não voltou mais ao varandão. O outro problema é que eu trabalho aos sábados e, como você sabe, querido Diário, pedir uma folga o seu Modesto nunca fica de graça. Tive que recusar e o Luciano me perguntou se podia ser no sábado que vem. Aceitei, é claro! Se o seu Modesto me der essa folga, faço tudo que ele quiser! Estou brincando, Diário.

Quinta-feira, 12 de abril de 2007

Logo hoje que eu ia pedir a minha folga, parece que o seu Modesto estava mais safado do que nunca. A Rosinha me contou que ele deu uma pegada nela de manhã e agora à tardinha quis de novo. O gozado, nessa história, é que eu estou achando que a Rosinha não está detestando tanto assim os apertos dele! Agora, quando ela fala, não parece mais a menininha indefesa do início... Já pensou se eles viram amantes?

Novidade: terminei com o Gabriel! Eu pedi para a gente conversar durante o meu almoço e expliquei tudinho, disse até que eu estava interessada no Jader. Ele ficou mais chateado do que zangado, mas acho que a gente já estava cansando dessa vidinha de transar nos fundos do armazém. Ele só pediu para me dar um último beijo e passar a mão por baixo da minha saia para se despedir do meu corpo. Eu deixei, mas estou tão ligada no Luciano que, na hora, eu nem pensei nele... Aliás, nem no Jader. Você me acha esquisita, Diário? Quando ele foi embora, fiquei olhando para o corpo fortinho dele e lembrando daquele dia, no armazém, quando ele e os dois amigos dele me pegaram, e me perguntando se algum dia eu descobriria quem eram eles. Acho que perdi uma chance de ficar sabendo.

Sexta-feira, dia 13 de abril de 2007

Consegui minha folga de amanhã, Diário! E sabe o quê? Não precisei pagar muito caro. Seu Modesto só queria que eu virasse e deixasse ele se esfregar em mim. Eu esperei um pouco, olhando para aquela cara de tarado dele, e pensei no passeio a cavalo de amanhã com o Luciano. Daí me virei e deixei. Ainda bem que eu estava de calça, mas ele só levantou meu guarda-pó e se esfregou em mim, passando a mão com força entre as minhas pernas, depois no meu peito, por fora da camiseta, cochichando que me acha bonita e que eu devo transar gostoso com os meninos. Eu não fiz nada, não falei nada, só fiquei parada até ele terminar. Se ele gozou, foi na calada. Eu só senti que ele me apertou com mais força no final. Com a Rosinha ele é bem mais sem-vergonha. De mim ele tem medo.

Xi! Acabaei de lembrar que esqueci de falar com o seu Modesto sobre o Vitinho. Agora, que ele me contou que quer conseguir um aumento "por fora" e que eu já sei que o nosso patrão safado não recusa nada, não tenho mais desculpa para enrolar. É chato, mas vou ver se falo disso na segunda.

Sábado, 14 de abril de 2007

Diário meu, esse dia eu não vou esquecer!
Cheguei na fazenda hoje às 9h, o Luciano apareceu, me deu dois beijinhos e foi direto para a estrebaria. Quinze minutos depois, ele apareceu montado naquela égua linda que eles têm, rajada de branco e preto, com uma crina maravilhosa e o rabo quase até o chão. Ela é grande, mas tão mansinha, que a gente se apaixona. O Luciano só pôs a manta do estribo nela, sem sela. Assim que ele parou, apeou, me ajudou a montar e tornou a montar, por trás de mim. Tive um pouco de medo, mas ele garantiu que a gente não ia galopar. Esqueci de dizer que eu fui de vestido mesmo, um bem largão que a Isabel me deu, todo estampado de florzinhas.

Assim que a gente se afastou da casa, o Luciano começou a falar, me contar tudo sobre a fazenda. Ele estava super animado, apontando para todas as direções, me mostrando várias coisas que eu nunca tinha reparado e falando dos projetos dele para a fazenda. Estava interessante, mas uma meia-hora depois, eu fui ficando cansada da posição e rencostei todinha nele. Assim que ele sentiu que eu estava a fim, ele chegou para frente e nós ficamos coladinhos um no outro. A conversa acabou ali, Diário! Ele começou a respirar no meu pescoço, dizendo que gostava do meu cheiro e logo me agarrou pela cintura, me fazendo sentir o corpo dele batendo no meu a cada passo da égua. De repente, ele começou a cochichar no meu ouvido e eu fui respondendo. Foi mais ou menos assim.
– Eu nunca tive a mesma sorte que os meus irmãos com você.
– Sorte? Como assim?
– Ah, você sabe...
– Não sei não. Fala!
– O Caio, os gêmeos... Eu estou sabendo.
– Nossa, que fofoqueiros!
– Vai me dizer que não sabe que irmão conta tudo um para o outro!
– ...

Durante o papo, ele me puxava cada vez mais forte pra junto dele e, como não tinha sela, comecei a sentir tudo. Não tive mais dúvida sobre o motivo do convite para passear. Na hora, fiquei um pouco decepcionada, porque eu tinha chegado a pensar que era outro tipo de interesse, mas logo tirei essa idéia da cabeça e entrei no jogo: comecei a fazer carinho nas pernas dele para mostrar que eu estava gsotando e queria que ele ficasse bem coladinho comigo. De repente, ele começou a puxar o meu vestido até a altura das coxas e me pediu para levantar um pouco para ele passar a parte de trás do vestido por baixo. Assim que eu senti o corpo do cavalo quase direto contra o meu, comecei a ficar molhada! Luciano acariciou minhas coxas, depois entre elas, direto na calcinha. Aí não resisti e cheguei a calcinha para o lado para ele esfregar bem "lá". Por várias vezes, ele tentou enfiar o dedo na entradinha, mas eu não deixei. Ele ficou intrigado e a gente teve outra conversa que eu me lembro bem.
– Você é virgem, Bruna?
– Sou, por quê?
– Por nada. Eu sei que os meus irmãos não... Enfim, você não transou com outros caras, tipo... transa mesmo, "completa"?
– Eu deitei com outros meninos, mas não quero perder a virgindade assim... desse jeito... Ah, você entendeu, né? (Eu não podia revelar os meus motivos pra ele, Diário!)
– Então, até hoje, você só beijou?
– Não, bobo! A gente não precisa perder a virgindade para transar, não é?
– Ah! Entendi. Então até hoje, você só deixou atrás.
– É.
– Com muitos?
– Isso é pergunta que se faça, seu moço?

Ele parou de perguntar, mas ficou quieto. Senti que, ao mesmo tempo, ele tinha ficado mais aceso ainda, se ajeitando no cavalo, passando a mão por dentro da calça pra ajeitar o "coiso" que devia estar matando naquela calça apertada. Acabei perguntando se ele não queria tirar a calça e não precisei perguntar outra vez. Ele apeou, tirou a roupa e tornou a montar se colando em mim. Aliás, não tinha nada de mais porque ele estava de sunga; ele queria ir até a cachoeira. Nós cavalgamos um pouco, bem comportados, só para sentir o ventinho.Não tive coragem de tirar o vestido todo porque algum peão podia passar eu não quero que gente daqui saiba de nada sobre o que eu faço com os Albuquerque. Ninguém tem nada a ver com isso. O único problema, Diário, é que é impossível ficar cavalgando colada num cara como o Luciano, sem fazer nada! Até que ele começou bem, mas fui eu que não agüentei e pedi para virar de frente para ele. Passei as pernas por cima das coxas dele, como eu gosto, e comecei a beijar aquela boquinha linda. Ele logo me puxou e fiquei grudada no troço dele, tão duro que parecia um cabo de enxada na sunga. A gente ficou se beijando, ele fazendo carinho nas minhas coxas e eu no cabelo dele. Fui ficando toda quente, encharcada, doidinha pra dar tudo para ele.

Ah, Diário... Minha cabeça que não pára disparou e comecei a me perguntar se não tinha chegado a hora certa de realizar o meu sonho. Eu já sabia que ele não tinha me convidado para aquele passeio por amor, mas nunca se sabe quando um rapaz se apaixona; poderia ser ali, durante aquela troca de carinho entre a gente, que estava tão gostosa! Cheguei a pensar que, se a gente transasse, e com um pouco de sorte, eu poderia até engravidar do Luciano. Enquanto eu pensava em tudo isso, sentia o corpo dele encostado no meu, separado só pelos tecidos fininhos de uma calcinha e de uma sunga, a língua dele procurando a minha, a mão dele entrando pelo meu vestido, apalpando os meus peitos, apertando os biquinhos doloridos de tão duros. Me senti estranha. Acho que aquela indecisão me deixou meio tonta.

De repente, me senti agarrada pela cintura e "acordei" achando que o Luciano tinha tomado a decisão por mim. Entrei em pânico, olhando para ele sem saber o que dizer, mas não consegui resistir quando ele me trouxe mais para o meio do cavalo e me fez a levantar as pernas. Vi que ele estava pronto, mas em vez de baixar a sunga, ele se afastou mais de mim, sentando bem atrás, na garupa, agarrou as minhas coxas com força e mergulhou de boca na minha calcinha.

Ah, Diário, não sei se consigo contar isso por escrito! O Luciano entrou de boca em mim, mordendo e lambendo tudo junto com a calcinha de tudo que é jeito e maneira, juntando a saliva dele com a minha gosma e deixando tudo empapado. Eu me agarrei com tanta força na égua para não despencar lá de cima que nem sei como ela não sentiu dor, enquanto o Luciano me lambia sem parar. Depois de um tempo fazendo isso, ele parou, se afastou, puxou a minha calcinha para o lado e ficou olhando. Ele nunca tinha visto mulher virgem. A gente teve outro papo gozado nessa hora.
– Não é tudo fechado, tem uma carninha tapando, mas não tudo.
– Ainda bem! Se assim já dói, imagina se fosse tudo fechado!
– Haha! É mesmo.

Aí, ele tocou com o dedo bem na entrada e até tentou começar a enfiar a ponta do mindinho. Talvez entrasse sem dor, sei lá, mas não deixei ele continuar. Ele adorou a minha xoxota, falou que era linda, ficou um tempão olhando. Quando eu tirei a calcinha e ele começou a me lamber, só faltei desmaiar de prazer! Aquela língua quente começou a pincelar tudo, me deixando toda gosmenta. Ele lambeu os lados dos lábios, forçou a entradinha com a ponta da língua, mordiscou, depois voltou com vontade no meu grelo, esfregando que nem um gato, me segurando para eu não cair do cavalo. Ah, Diário, ele lambeu tão bem que eu comecei a gozar. Faltou pouco para eu falar para ele meter e acabar logo com isso. Acho que era tudo que ele mais queria, mas eu consegui me controlar e em vez disso falei bem baixinho que deixava ele botar atrás se quisesse. É claro que ele quis!

Acho que quando o Luciano viu o meu bumbum, esqueceu a xoxota fechada. Não demorou um segundo para eu sentir ele me  puxando para trás. Abracei a égua, deitei a cabeça na crina branca e fofinha e me preparei. Luciano cuspiu lá de cima e senti a saliva bater no rego e escorrer devagar pelo cuzinho. Daí ele começou esfregar o pau. Essa sensação eu já conhecia, então relaxei, abraçando e alisando o corpo quente da égua, até que o pau foi entrando, devagarinho mas sem parar. Foi gostoso, não senti dor, o Luciano gemendo alto, me chamando de gostosa e mais um monte de coisas, falando como dava tesão ver o pau dele entrando e saindo de mim. Daí a pouco, ele me agarrou com toda força, eu senti entrar o restinho que faltava e ele começou a socar curtinho, colado em mim, até gozar. Ele gozou muito enquanto eu me esfregava para gozar junto. A gente ficou lá, um tempão, eu toda mole em cima da égua e ele desabado em cima de mim, até o pinto escapulir sozinho. Acho que eu nunca te contei que eu já brinquei montada em cavalo com o Gabriel, não é, Diário? Uma vez a gente se embrenhou no matão da Jaqueira e eu fiquei pelada com ele a cavalo, mas eu não quis deixar ele fazer nada. Ele ficou por conta Benedito! Com o Luciano, foi a primeira vez que eu deixei. Não vou dizer que é ótimo, mas quando o tesão começa, a gente até esquece da vida!

Depois de descansar um pouco, a gente apeou para caminhar e o Luciano foi levando a égua pelas rédeas. Ele ainda me me mostrou uma outra cachoeira que tem na fazenda (eu sabia onde era, mas só tinha ido naquela de perto da casa) e o dia terminou com um banho delicioso, os dois pelados. Lá, ele me pediu para fazer uma coisa que eu não tinha feito e que ele gostava muito - chupar -, e isso ele adorou. Na volta, ele veio conversando comigo, contando sobre a vida dele no Rio. Não sei se a gente vai namorar, ele não tocou no assunto, mas a gente se beijou várias vezes pelo caminho e aqui, pertinho de casa, ele me deu um beijo bem longo e carinhoso. Quem sabe? Fiquei toda esperançosa!

Boa noite, meu Diário. Dorme bem e toma conta de tudo que eu já te contei até hoje. É você que vai me ajudar a escolher e descobrir o que é melhor para mim e para a minha vida.


Capítulo XI - Alguma Coisa Tem que Mudar

Quarta-feira, 23 de maio de 2007

Querido Diário, faz muito tempo que eu não te conto os meus segredos, e nem tudo que eu vou contar hoje é bom. Muita coisa aconteceu e ainda acho que você é o único que me entende.

A primeira coisa é que o porco do seu Modesto tanto fez que acabou engravidando a Rosinha. Ela me disse que nos últimos tempos estava indo ao escritório dele praticamente todo dia depois do expediente e que ele estava todo prosa porque conseguia tirar antes de gozar. Ela implorava para ele botar camisinha, mas ele não queria mais. Ela ficou dois meses sem menstruar e começou a ter enjôo. O médico só precisou dizer o que ela já desconfiava. Ela contou tudo em casa, o padrasto quase matou o seu Modesto e o mercado vai fechar por que a história se espalhou e ninguém mais vai comprar lá. Acho até que o velho vai embora da cidade. A Rosinha vai ser mãe e eu vou ficar sem emprego. Para onde será que eu vou? Tem uma vaga de manicure na D. Palmira, mas eu não queria fazer unha!

Sexta-feira, 1 de junho de 2007

O Vitor virou meu melhor amigo. A gente não desgruda mais. Eu queria tanto que ele fosse lá na fazenda um dia para conhecer! Mas tem que ser quando os Albuquerque estiverem no Rio. O Vitor me conta tudo. Eu já te contei que ele gosta de menino e que ele tinha pedido ao seu Modesto para sair mais cedo às vezes porque arrumou um namorado, não contei? Bom, se o mercado fechar ele vai poder ver o menino todo dia! Eles transam sem parar. O nome do menino é Matias e ele pede pra comer o Vitinho em tudo que é lugar. Uma vez, o Matias foi lá no mercadinho durante o expediente e eu vi os dois. Eles foram lá para baixo. Te juro pela minha mãe mortinha, Diário: o Vitor me pediu para tomar conta da porta! Eu fiquei do lado de dentro, de orelha grudada na porta. O Vitor só baixou a calça, encostou num armarinho e deu para o Matias assim, em pé. Os armários ficam entre a porta e o lugar de se vestir, mas eu consegui ver muita coisa pelo espelho da parede. O Vitor quase chora dando, geme tanto! Eu só via a bundinha do Matias pra frente e pra trás, e o Vitinho gemendo, falando "Ai, me fode, vai!" com aquela voz de mulherzinha que ele tem. Eles ficaram lá uns dez minutos. Agora que passou, nem sei o que eu teria feito se tivesse chegado alguém! Imagina se fosse o seu Modesto! Ia querer comer os dois... e eu junto!

Terça-feira, 5 de junho de 2007

Quero te falar da Aninha, Diário. Você sabe como ela é piranhuda, né? Desde quando a gente começou a trabalhar no mercado, ela já deve ter dado pra uns 20 clientes, sério mesmo! Ela ganha uma nota fazendo entrega porque nem liga de beijar, deixar os caras passarem a mão e até se esfregar nela. Eu acho que ela é amante do seu Braga, aquele coroa que era sargento. Ele é tão feio e velho – eca! Ela não diz que sim nem que não, mas quando eu aperto, ela ri. Acho que ele come ela e dá presente e dinheiro, porque ela está cheia de roupa nova. O coitado do velho nem desconfia que é amante cornudo! Se ele visse os caras agarrando a Ana lá no fundo do mercado ia ter um ataque do coração! Você sabe como ela se veste, né? Ela bota o guarda-pó por cima da calcinha e do sutiã. Todo mundo pensa que ela tá de mini-saia ou vestido curto, mas que nada! Um dia, ela foi de calcinha fio-dental só porque o aquele gato do Pedro ia lá logo depos do almoço, quando não tem ninguém. Eles ficaram se agarrando lá no fundo. Teve uma hora que eu passei e vi a mão dele toda atolada na bunda dela. A rampeira estava que não se agüentava; aposto que ele estava enfiando o dedo na xoxota dela! O que estraga a Aninha é que ela acha que todo mundo quer transar com ela. Todo dia ela me conta como é que ela chupou o fulano na pracinha, como é que ela deixou o beltrano mamar nos peitos dela durante o expediente, como é que o sicrano encoxou ela na calçada... No começo era engraçado, mas agora está ficando até chato. Só teve uma história dela que me deixou de cabelo em pé: a do Junior, sobrinho do padre Amélio. Você sabe como aquele menino é a coisa mais linda, né, Diário? Pois é, ela seduziu o garoto quando ele estava sozinho em casa para receber as compras que o padre Amélio tinha encomendado. E eu sei que é verdade porque depois o menino não parava mais de ir no mercado procurar a Aninha e a malvada fazia que nem conhecia o pobre. Ele quase endoidou. Vou contar.

A Ana foi entregar as compras e o Junior atendeu. Nem sei quantos anos ele tem, mas se for dezoito, não parece, e morando com o padre, então, parece um bocó. Ela falou que sabia que ele estava sozinho e que assim que ele abriu a porta ela vôou em cima dele e deu-lhe o maior beijão de língua. Quando o menino deu por si, já estava no chão da sala com ela por cima dele, tirando a blusa e mostrando os peitos. A Ana falou que em menos de um minuto o pinto dele estava dentro dela! Ela imobilizou o menino e não deixou ele fazer nada. Só ela podia mexer. Parece que ele ficou todo acalorado, vermelho e com aquela cara de bobo. A Ana me disse que só parou quando ele gozou, daí levantou, botou a roupa e ficou olhando para ele, que ficou lá, deitado no chão, todo amuado. Quando ela perguntou por que é que ele estava daquele jeito, ele respondeu que era porque ele nunca tinha feito nada com mulher. Ela nem deu trela, virou as costas e saiu. Depois desse dia, o Junior ia todo dia lá no mercado. Ele implorava para falar com a Aninha, mas ela nem aparecia. Ele estava apaixonado de verdade! A gente chegou a achar que ele fosse se matar de tristeza. Levou um tempão até ele desistir de ir lá, e ele nunca mais foi o mesmo depois disso. A Aninha é malvada; se o mercado fechar vai ser bem feito para ela.

Sexta-feira, 22 de junho de 2007

A escola está uma chatice com tanta prova. Para piorar, o Tonho resolveu não falar mais comigo porque não quero mais "sair" com ele (você sabe que para o Tonho, sair significa sair da estrada para ir me espremer numa árvore!), mas converso com todo mundo. Ele é bronco demais! Estou doida para terminar o colégio e poder só trabalhar. Ah, se eu pudesse contar os meus sonhos para a minha mãe! Ela me tiraria do colégio porque quando eu entrar para a família Albuquerque, não vou precisar de estudo. Mas não adianta sonhar. Não posso contar e pronto. Enquanto isso, vou enrolando, matando aula com os meninos e pedindo para ir ao banheiro um monte de vezes durante a aula.

Por falar em matar aula com os meninos, nem te contei que um dia desses a gente foi matar aula na igreja, eu, a Soninha, o Anselmo e mais o Zeca! Não tinha ninguém e o padre Amélio não estava. A gente sentou no último banco e os meninos começaram a passar a mão na coxa da gente, o Anselmo na Soninha e o Zeca em mim. Eu fiquei toda arrepiada, mas estava morrendo de medo do padre entrar porque se ele visse a gente de uniforme ia mandar sair na hora e ainda falar com o diretor. Eu ficava olhando para a porta enquanto o Zeca alisava as minhas coxas e apertava a minha xoxota por fora da calcinha. Eu não conseguia me concentrar, de tanto nervoso! Quando eu olhei para a Sonia, ela estava com o pau do Anselmo todo duro na mão e ele com a mão enfiada entre as pernas dela. O Zeca virou pra mim e disse "Viu só? Eles estão ganhando da gente!" Aí, Diário, eu nem pensei duas vezes. Esqueci o padre Amélio, puxei o Zeca e grudei na boca dele. Ele apertou minha xoxota com força e me deu um chupão que me deixou sem ar. A gente ficou se beijando um tempinho e logo ele pegou a minha mão e botou na calça dele. Com uma mão só, eu abri o botão de cima, desci o zíper e mergulhei na cueca dele. Estava tudo melado e o pau que nem ferro em brasa de tão duro e quente! Ele parou de me beijar e olhou para mim, sorrindo e fazendo sinal com a cabeça. Entendi na hora e caí de boca no pau grossão do Zeca.

Eu estava lá, toda concentrada quando, de repente - plaf! -, ouvi um estalo e senti minha bunda arder: a Sonia tinha me dado o maior tapão que ecoou na igreja toda! Minha saia deve ter subido quando eu me inclinei para chupar o Zeca e a minha bunda ficou toda de fora, aí a vaca da Sonia aproveitou para aprontar uma das dela! Só sei que eu virei para trás e disse: "Sua puta!" E ela: "Sou mesmo, com muita honra!" e também começou a chupar o pau do Anselmo, que gemia e pedia pra ela ir devagar senão ele ia gozar.

Enquanto a gente estava chupando, os meninos estavam de cochicho e rindo, mas não era nada de mau não. Teve uma hora que eu ouvi o Zeca dizendo: "Ela deve fazer mais gostoso que a Vera!" Sabe quem é a Vera, né, Diário? É aquela morena grande da farmácia, que só dá trela para homem mais velho e só se tiver casa, carro e dinheiro. Ela é falada, já foi até amante e todo mundo fala que ela é boa de cama. Se eu chupo melhor que ela, posso ficar toda prosa! Só sei que quando o Zeca falou aquilo, comecei a chupar forte pra fazer ele gozar.

De repente, uma porta lá na frente fez barulho e a gente teve que parar tudo para fingir que estava rezando. Não deu nem tempo dos meninos fecharem a braguilha. Era o Tião Sacristão. É claro que ele notou, mas ele é legal e não dedura quando a gente mata aula para aprontar, mas mandou todo mundo sair. A gente acabou indo para a praça, mais porque a Sonia queria continuar, senão eu não teria ido. Não fiz nada lá, só fiquei me agarrando com o Zeca e fiz ele gozar na cueca. A Sonia encostou o Anselmo na parede, botou o pau dele pra fora, agachou, chupou e só parou quando engoliu tudinho que ele gozou! Só vendo a cara do menino quando começou a gozar na boca daquela doida. A Sonia é muito vadia!

Você sabe, não é, Diário, que eu faço essas coisas para passar o tempo? Eu sei o que eu quero e não vou estragar tudo que eu sonhei e ficar falada. Essas meninas como a Sonia e umas outras lá da escola vão acabar arrumando filho e virando mães solteiras. Eu não quero isso para mim. Por falar nisso, bem que eu queria que acontecesse logo o que eu sonho para mim. Já cansei dessa história de sair com os meninos, ter que explicar que eu quero ficar virgem e só deixar botar atrás. Isso tem que acabar, eu tenho que arrumar um Albuquerque, um Albuquerque só para mim, e o Albuquerque certo! Quando eu paro para pensar, sei que não vai ser o Tiago nem o Flávio nem o Caio. Os gêmeos são dois crianções que só querem saber de farra e o Caio é um doce, mas muito desligadão. O Luciano é diferente, o dia do passeio a cavalo com ele foi maravilhoso, mas acho que ele só pensa na fazenda. Falta o Augusto, mas eu nem posso dizer que a gente se conhece. Fora que ele é bem esquisito; a minha mãe diz que ele só vai na fazenda sozinho ou com algum amigo e só pede a ela para ir lá fazer a comida. Aliás, isso mudou! Eu ia levar o Vitinho para conhecer a fazenda no fim de semana, mas não vai dar para entrar na casa, e sabe por quê? Porque o Augusto está lá! Bom, eu posso ir de qualquer maneira, mostrar o lado de fora e deixar a casa para outra vez, né? Acho que vou perguntar ao Vitinho amanhã mesmo! E quem sabe se o Augusto não é o meu Albuquerque? Sei lá... Só sei que estou enjoada dessa vidinha chata. Alguma coisa tem que mudar. Boa noite, Diário, dorme bem!


Capítulo XII - Férias

Domingo, 1 de julho de 2007

Oi Diário! É domingo à noite, mas foi o primeiro dia de férias. E como eu não estou mais trabalhando, vou ter férias de verdade!

Hoje, todo mundo da minha turma foi nadar no lago porque a gente vai ficar sem se ver durante quinze dias. Os meninos ficaram doidos vendo a Jessica de biquíni! Pudera, com aquele bundão todo de fora! Você sabe que eu não sou despeitada, mas ela tem vinte e dois anos, então não tem vantagem eles ficarem acesos com ela. Todo mundo viu o Beto e o Juliano se agarrando com ela dentro d'água e quando ela pegou no pau do Jeferson eu estava do lado deles. Vai ficar mal falada como a Débora! Aquela lá mostra os peitos e deixa todo mundo fazer o que quiser. Já ouvi cada história cabeluda com a Débora, Diário! Um dia vai aparecer grávida, pode apostar! O Tião me contou que uma vez foram uns dez lá para a casa abandonada que era da D. Lina mais o seu Euzébio e ela deixou os meninos botarem na frente e atrás enquanto ela chupava o de outro! Todo mundo meteu e gozou dentro ou na boca dela! Isso me dá um pouco de nojo.

O Clécio quis ficar comigo, mas eu não estava nem um pouco a fim e ele acabou desistindo. Ele fala que quer me namorar. Coitado, vai ficar querendo!

Quinta-feira, 5 de julho de 2007

Fiquei arrumando a sede com a minha mãe. A família toda vem amanhã. Estou louca para ver todo mundo.

Sábado, 7 de julho de 2007

Dormi na fazenda de ontem para hoje. É gostoso dormir com a Isabel porque ela é carinhosa comigo e me respeita. Eu gosto de homem e não faço as mesmas coisas que ela faz em mim, mas ela me faz gozar de um jeito tão diferente tão gostoso! Ela é tão legal e gosta tanto de mim que eu não consigo dizer não para ela.

Não gosto muito dos gêmeos, Diário. O Tiago e o Flávio não são como o Caio, a Isabel e os outros, que me tratam como se eu fosse da família; são sempre meio distantes. Aposto que naquele dia, na sede antiga, eles só queriam se aproveitar de mim. O Augusto não conversa muito comigo porque é mais velho e não porque é antipático. Ele é legal e sorridente comigo. Os gêmeos são metidos.

Eu e a minha mãe limpamos a piscina ontem e hoje todo mundo pode entrar. Não sei se é cisma, mas parece que todo mundo olha para mim quando eu estou de biquíni. Também pode ser porque os meus biquínis eram da Isabel e eles se lembram deles. Hoje o Luciano disse que eu estava linda. Fiquei toda prosa.

A Julia e a Clara estão ficando tão bonitinhas! Acho que elas gostam de mim e já dá para conversar um pouco com elas agora. Elas eram bebezinhas ainda no outro dia!

A Dona Flora deu tanta roupa para a minha mãe que ela vai distribuir com os empregados. Já sei que vai dar fofoca e inveja; vão achar que ela ficou com as melhores e deu o resto, mas minha mãe não aprende!

Domingo, 8 de julho de 2007

Sempre fico triste depois que eles vão embora, Diário. Dá uma coisa lá no fundo, não sei explicar.

Achei o Caio meio amuado. Vai ver que ele terminou com alguma namorada lá no Rio. Eu queria perguntar, mas sempre que eu chegava perto dele, vinha alguém, parecia de propósito. Ele está lindo de cabelo mais comprido!

Terça-feira, 10 de julho de 2007

Hoje eu encontrei a Rosinha. Estou achando que já dá para notar a barriga. Ela não está com cara de infeliz não, mas eu acho uma pena que o bebê não vai ter pai. O covarde do seu Modesto foi embora e ela vai ter que criar ele sozinho.

Você acredita que eu já estou com saudade das aulas, Diário? Não tem nada para fazer e os Albuquerque foram para a casa de praia passar o resto das férias. Estou enjoada de ficar à toa!

Sexta-feira, 13 de julho de 2007

Credo, só faltou o gato preto e o espelho quebrado, Diário! O Clécio veio aqui cedo me pedir para ir com ele lá na fazenda do seu Bentinho pegar umas coisas para a mãe dele e a boba aqui aceitou. A gente foi de bicicleta, mas no meio do caminho ele falou que não era nada disso e o que ele queria mesmo era falar comigo. Aí ele veio com uma conversa toda enrolada, dizendo que nunca tinha feito nada com mulher e que já estava com dezenove anos. Eu perguntei o que eu tinha a ver com isso e ele falo que eu podia "salvar" ele. Me deu uma raiva, Diário, mas uma raiva! Raiva de mim de ter ido tão longe para ouvir besteira e raiva dele de me levar lá para falar coisa sem pé nem cabeça. Só sei que eu fui falando não, não, não, não para tudo. Mas você sabe como eu sou, né. No final, me deu tanta dó que eu deixei ele passar a mão em mim e beijar. Ele é feinho, coitado, queixudo daquele jeito, mas até que ele beija bem. Eu queria parar nisso, mas ele mostrou que estava tudo duro na calça e pediu para me mostrar. Até aí tudo bem, eu não ia fazer nada mesmo. Ele tem pau grande, do tamanho do pau do Tonho ou um pouquinho menor só. Ele pediu para eu chupar, mas eu disse que nem morta, daí ele implorou para eu pegar pelo menos e eu não consegui dizer não. E foi aí que aconteceu a desgraça. Sabe a Silvana, mulher do Irineu? Ela passou na horinha pela picada e viu a gente. Já sei que todo mundo vai pensar que eu estou namorando o Clécio. Já pensou, Diário? Eu devo ter passado por baixo de escada sem perceber! Vou chegar na escola morrendo de medo, na segunda-feira. Eu não podia ter arrumado um jeito melhor para terminar as férias!


Capítulo XIII - Tocando a Vida para Frente

Domingo, 5 de agosto de 2007

Apaga o que eu disse no outro dia, Diário; quero voltar para as férias! Bem que eu falei: a Silvana espalhou para todo mundo que me viu com o Clécio e eu levei a semana toda até convencer todo mundo na escola que eu não estou namorando aquele menino. O pior é que estão achando que eu fiz tudinho com ele, e você sabe que isso não é verdade. A Fatinha veio até me perguntar como é que eu tenho coragem de dar para ele. Quase dei um tabefe nela de desconfiar de mim! Mas você me conhece, né Diário, espalhei para todo mundo que o Clécio nunca transou. Os meninos caíram na pele dele.

Tomara que os Albuquerque venham na semana que vem. Já estou sentindo falta.

Hoje eu fui no aniversário da Vanda com aquele vestido de alcinha, todo colorido que a Isabel me deu. Precisava ver como a peãozada olhou para mim, Diário, fiquei até sem jeito! A família toda estava e até um tio dela bem velho veio puxar prosa! Me fez tanta pergunta e me olhou de um jeito! Parecia até que queria casar. Credo e cruz!

Aliás se a Vanda não casar com o namorado logo, vai arrumar filho sem querer! Eu vi os dois na maior agarração no quintal. Ele estava escorado no muro e ela toda encostada nele. Parecia que eles estavam fazendo porque ele estava mexendo muito e ela numa gemedeira que só! De saia já não é difícil, e a dela não tinha como ser mais curta!

Sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Arrumei emprego de caixa na padaria da dona Lígia. Foi a tia do Zacarias que me apresentou. Vai ser bem diferente do mercado, mas paga melhor. Eu preferia vender, mas só tinha vaga de caixa. Começa na segunda.

Os Albuquerque não vão vir de novo no fim de semana. Deve estar bom no Rio de Janeiro, é por isso.

Sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Estou voltando da sede. Eles vieram, Diário! O Caio estava um doce comigo. A gente vai na cachoeira amanhã. Nem sei se vou conseguir dormir, de tão agitada.

Sábado, 25 de agosto de 2007

A primeira semana de trabalho foi legal. É fácil ficar no caixa e eu não fico tão cansada. A única coisa chata é que eu não posso usar a máqina registradora toda hora e aí me complica fazer cálculo. Dependendo da mercadoria eu não tiro nota, não entendo bem isso e a dona Lígia não explica.

Hoje eu passei o dia inteirinho na sede e estou voltando agora. A cachoeira acabou sendo sem graça porque um montão de gente resolveu ir junto comigo mais o Caio. Aliás não entendi nada porque a Isabel trouxe um amigo que não desgruda dela. Será que ele sabe que ela gosta de menina? Ela quase não me deu atenção. O Luciano é que estava todo bonzinho comigo. Teve uma hora que a gente até caminhou um pouco na estradinha, mas as meninas vieram chamar para almoçar e quase pegaram a gente se beijando. Foi pena porque ele estava bem aceso e eu morrendo de vontade de ficar me agarrando com ele.

Sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Ai, ai, Diário, não sei o que eu faço. Desde que eu comecei a trabalhar na padaria, o Everton não me larga. Ele puxa conversa, me paga doce, me traz até em casa, me dá presentes... Hoje a padaria abriu, mas a gente não trabalhou, então ele me convenceu a ficar com ele depois da cerimônia na praça. De tardinha, ele insistiu tanto que eu não aguentei e a gente voltou para a praça e ficou se agarrando num banco. Ele é impossível! Assim que a gente sentou, logo no primeiro beijo, ele já foi passando a mão no meu peito! Quando eu botei a mão no colo dele, estava tudo duro e latejando! Acho que eu estava carente depois que não deu certo com o Luciano na cachoeira e acabei afrouxando. Vou confessar, mas só para você, Diário: eu peguei no pau dele e até chupei um pouco. Ele queria que a gente fizesse, mas eu falei para ele que eu era virgem e não contei que eu já tinha dado atrás. Primeiro ele ficou meio nervoso, depois ficou tristinho, aí eu falei que tocava punheta para ele, e nisso ele se animou um pouco. Só vendo como ele gozou, Diário! Mas foi muito mesmo! Eu tinha lenço de papel na bolsa e foi tudo embora limpando a gente! Ele me trouxe para casa e falou que que não para de pensar em mim e quer me namorar, mas eu estou tão indecisa! Você sabe que se eu ficar com ele vai ser por passatempo porque eu não vou estragar os meus sonhos por causa de um vendedor de pão! Mas não quero magoar o pobre dizendo isso a ele. Me ajuda a pensar, Diário!

Domingo, 16 de setembro de 2007

Estou voltando da sede. Os Albuquerque acabaram de ir embora para o Rio. Não contei para ninguém que estou namorando com o Everton, mais foi difícil esconder da Isabel porque ela notou que eu estou diferente, não sei como. Não contei por pouco! Dessa vez, ela veio sozinha, então nós ficamos o tempo todo juntas, conversando. Aquele amigo dela que veio aqui da outra vez não era nada não, era só amigo mesmo. Quando ela explicou, me tirou a cisma. A gente até se beijou.

Os meninos passaram o fim de semana todinho jogando na frente da televisão. Joguei um pouco com eles, mas não tenho paciência e não gosto de ver tanto sangue.

Domingo, 30 de setembro de 2007

É, não tinha jeito mesmo, Diário, o Everton queria tanto, estava insitindo tanto! Ele já estava me perguntando se gente está namorando mesmo ou se eu estou enrolando ele. Foi hoje, na casa dele. Os pais dele foram viajar e ele acabou me convencendo a deixar. É claro que eu não deixei na frente, e isso ele entendeu e até gostou porque ele enfiou na cabeça que a gente vai casar e ele queria casar com uma virgem. Foi bom porque fazia tempo que eu estava de freira! Até doeu no começo, mas já acostumei, então fico esperando ficar bom e dali a pouquinho fica bem gostoso. A gente fez um monte de vezes, na sala, na cozinha, no quarto dele e até na varanda que dá para o quintal. Ele me falou que já fez com várias meninas no quintal e no mato. Fiquei morrendo de curiosidade, mas ele não quis dizer o nome de nenhuma que ele comeu. Mas você sabe que eu sou inteligente e que vou acabar descobrindo, né Diário! Uma coisa eu te digo: o Everton sabe fazer. Ele me deixou doidinha! Quando foi a hora de terminar porque os pais dele podiam voltar, a gente fez no chuveiro e ele quase me desmontou com aquela mão dele entre as minhas pernas enquanto metia atrás. Eu já estava mole de tanto dar para ele. Ainda bem que o dele não é grosso que nem o do Tonho, senão eu não ia aguentar! Não sei como esse menino pode gozar tanto, nunca vi! Cada vez ele gozava, a gente parava, ficava um pouco se beijando, daí ele queria mais e a gente ia para outro lugar fazer de novo. Te juro que perdi a conta de quantas vezes ele gozou. O Everton é alegre, eu gosto de ficar com ele, mas ele não vai ser o homem da minha vida porque eu não quero viver enterrada aqui.

Sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Primeira briga. O Everton acabou de sair daqui fulo de raiva porque eu não vou sair com ele no fim de semana. E não vou mesmo porque os Albuquerque vieram e eu não vou para banco de praça namorar, né! O pior é que  a minha mãe está gostando dele e fica contra mim. Isso não vai dar certo.

Domingo, 7 de outubro de 2007

Beijei o Caio! Mas beijar não é trair, né Diário. Ele estava tão lindo com aquela carinha branca e o cabelo muito preto tapando o olho que eu não restisti quando ele chegou perto. Lá, tem um canto com um sofá fofinho e a gente ficou se beijando um tempão até quase a hora deles irem embora para o Rio. Se alguém viu, não falou nada. Até que eu queria que o seu Rodrigo me visse com um dos filhos dele. Visse e gostasse, né!

Quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Eu sou mesmo doida, Diário. Deixei o Everton botar em mim na padaria! Ele ficou o dia inteirinho me azucrinando que queria porque queria e quando foi a hora de fechar, ele me pediu para ficar com ele um pouco lá dentro. Eu fiquei do lado de dentro do balcão como se eu estivesse atendendo uma cliente e ele ficou botando. Morri de medo de alguém voltar porque esqueceu alguma coisa. Só teve uma coisa chata: a gente teve que correr pro banheiro. Pudera, né! Fazer depois de trabalhar o dia inteiro! O Everton não liga, diz que é assim mesmo e quer fazer mais na padaria. Se alguém pega, a gente vai para a rua na mesma hora!

Sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Arre! Vai ser sempre a mesma coisa! O Everton implica sempre que os Albuquerque estão aqui e eu não quero ficar com ele no fim de semana. Será que não basta a gente trabalhar no mesmo lugar? O dia foi um inferno por causa disso. De cinco em cinco minutos, lá vinha ele me encher os ouvidos. Mas eu disse não até o fim e ele foi embora sem se despedir de mim. Se ele ficar muito chato com isso, eu termino com ele, Diário, estou avisando!

Sábado, 27 de outubro de 2007

Diário, você não sabe o que me aconteceu: vi o Augusto pelado! É, o Augusto! Ele que nunca vem com a família. Eu estava com a Isabel no quarto e me deu vontade de ir ao banheiro. Quando eu passei pela porta, estava só encostada e eu ouvi barulho de chuveiro. Você sabe como aquele banheiro é enorme, né, Diário. Então, eu fiquei curiosa e empurrei um pouquinho para tentar ver quem estava no banho. Só podia ser um dos meninos porque as meninas estavam no quarto, eu estava com a Isabel e o seu Rodrigo estava com a dona Flora lá embaixo, no salão. Quando eu botei a cabeça para dentro, vi o Augusto no banho. Ele é um sonho! Já tem corpo de homem feito com as coxas bem cabeludas, bastante pelo embaixo dos braços e um pouco na barriga e no peito. Ele deve estar com uns vinte e três, vinte e quatro anos. Não deu para ficar olhando um tempão, claro, mas deu para ver o pinto que estava mole mas parecia bem grande. Ele é bem do meu tipo. Te juro que se só a gente estivesse na casa ou se todo mundo estivesse dormindo, eu teria entrado! Quando eu voltei para o quarto da Isabel, eu estava até meio zonza de ver aquele deus. Eu quase nunca vejo o Augusto, então ver ele pelado foi como ver um fantasma, e que fantasma!

Terça-feira, 6 de novembro

Acabou, Diário. Terminei com o Everton e ainda pedi as contas na padaria. Uma: não quero transar com ele todo dia na padaria depois do expediente, não tem mais graça. Duas: não aguento mais ele no meu pé, querendo saber tudo que eu faço quando eu passo o fim de semana na sede da fazenda. Eu tentei terminar bem, conversando com ele, mas ele não quis saber, então fui falar com a dona Lígia e pedi as contas. Eu não contei tudo para ela, mas falei que ia ficar difícil continuar depois de ter brigado com ele e ela entendeu, me pagou e fez tudo direitinho. Estou meio triste porque o Everton é legal e ficou arrasado, mas isso passa com o tempo e ele logo arruma outra namorada. Eu não ia ficar com ele para sempre e ele já estava cheio de idéias na cabeça.


Capítulo XIV - Final

Terça-feira, 27 de novembro de 2007

Diário, Diário, vou te deixar de queixo caído.

Como eu te disse que queria fazer, levei o Vitinho para conhecer a fazenda. Resolvi levar ele lá ontem porque nunca tem ninguém no começo da semana. Chegando lá, comecei a mostrar o jardim, a piscina e a casa por fora, mas percebi que tinha alguém porque algumas janelas estavam abertas. Podia ser o seu Rodrigo, então a gente resolveu sair e voltar outro dia. Quando a gente ia voltando para o portão, o Augusto chamou lá da porta. Ele tinha vindo sozinho.

Enquanto eu estava explicando o que a gente estava fazendo lá, notei que ele estava olhando sem parar para o Vitinho. Pudera, o Vitor não consegue falar sem desmunhecar, então não precisou de mais de um minuto para o Augusto descobrir que ele é bicha. Mas ele não falou nada e ainda foi um anjo, mostrou a casa todinha para o Vitor e depois até serviu refrigerante para gente enquanto contava a história da família. Ele parecia outra pessoa! A gente ficou umas duas horas lá e quando se despediu, senti que o Augusto tinha gostado.

Agora vem a parte interessante. Ontem mesmo, à noitinha, o Vitinho veio aqui em casa todo esbaforido para falar comigo. A gente foi pro quintal e ele desandou a falar. Ele disse quando a gente estava para se despedir, o Augusto aproveitou uma hora que eu fui ao banheiro e convidou ele para voltar lá hoje de manhã. O danado não me falou nada e foi! Ele me disse que assim que chegou, o Augusto atendeu, mandou ele entrar e estava todo agitado olhando muito para ele. Sabe como é o Vitor, né? Também foi ficando nervoso, sem entender nada. Daí a pouco, o Augusto desembuchou. Disse que nunca tinha feito isso na vida, mas que não podia deixar a chance passar. O Vitor ainda não estava entendendo direito, mas começou a notar que o Augusto estava olhando com tanta insistência e de um jeito tão estranho, que acabou desconfiando. E foi tiro e queda: o Augusto se declarou para ele, dizendo que tinha achado ele bonito e até sonhado com ele à noite. Quando o Vitor perguntou que tipo de sonho, ficou com ódio dele mesmo mesmo só de imaginar a noite que ele teria passado com o Augusto se não tivesse ido embora! O Vitor disse que dali em diante, eles começaram a se beijar, um arrancou a roupa do outro, ficaram se agarrando um tempão e acabaram fazendo tudo. Bem que a minha mãe acha estranho o Augusto vir para a fazenda sempre sozinho ou com um amigo! Mas ela só sabe da missa a metade. Depois eu conto tudo que eles fizeram, mas escuta só o que aconteceu.

Quarta-feira, 28 de novembro de 2007

O Vitor prometeu para o Augusto que ia de novo hoje lá tomar banho de piscina, mas queria que eu fosse junto e o Augusto deixou. Ele disse que não queria que o Augusto pensasse que ele estava interessado demais.

Devia ser umas dez e pouca quando a gente chegou na sede. O Augusto já estava na piscina, sentado na beira. A gente estava com a roupa de banho por baixo e eu reparei que ele olhou muito para nós dois quando tiramos a roupa. O Vitor tirou primeiro. Ele foi com uma sunga branca tão apertada que deixava tudo de fora, não sei como ele tem coragem! Com aquele bundão que ele tem, a sunga entrava toda, que nem biquíni! O Augusto quase engasgou quando o Vitor começou a desfilar para a gente na borda da piscina. Mas como eu te disse, ele olhou para nós dois. Quando eu comecei a tirar a blusa, quieta no meu canto, ele não parou de olhar e quando eu fui andando para a escadinha da piscina, parecia que ele ia me comer com os olhos. Ele até sorriu quando eu bati os olhos na sunga dele sem querer. Achei estranho, mas me deu a impressão que ele não estava interessado só no Vitor.

Nunca te descrevi o Augusto, não é, Diário? Ele tem vinte e três ou vinte e quatro anos, é bem alto, forte porque faz natação, tem cabelo castanho cortado curtinho, os olhos castanhos bem escuros, nariz fino e a boca e o queixo dos homens da família. Como eu vi ele no banho, naquela noite que te contei, eu já tinha visto como o corpo dele é gostoso, mas ver de pertinho hoje foi outra coisa!

Eu fui com um biquini estampado que a Isabel me deu, não muito indecente, mas cavado, bem justinho. O Augusto olhou tanto para mim que o Vitor até estranhou, mas não disse nada e foi sentar do lado dele para conversar. Eu entrei na água, que estava uma delícia, depois fui tomar sol, olhando os dois conversando baixinho bem de pertinho. De repente, eles levantaram e foram andando até desaparecerem do outro lado da casa. Logo imaginei besteira, mas o sol estava tão bom que a curiosidade perdeu. Só que eles começaram a demorar e eu fui ficando com uma sede danada. Levantei, dei a volta à casa, mas nada de ver os dois. A porta dos fundos estava aberta e entrei para ir até a geladeira. Quando comecei a subir a escadinha, ouvi a voz do Vitor. Quer dizer, não a voz, mas uns gemidos ou grunhidos, sei lá. Foi só quando eu pude ver a mesa grande da cozinha que eu entendi. O Augusto estava sentado numa ponta com o Vitor entre as pernas. Eles estavam se beijando, mas de vez em quando o Vitor abaixava, chupava o pau do Augusto e voltava para a boca. Dava para sentir que os dois estavam com muita vontade e que não iam sair dali sem fazer de um tudo.

De onde eu estava, dava para ver bem os dois de lado. Fiquei quietinha atrás da parede onde eu estava escondida, esperando para ver o que ia acontecer. Não demorou muito, o Augusto desceu da mesa e ficou se esfregando no Vitor por trás, beijando a nuca dele e falando umas coisas que eu não conseguia ouvir direito. O Vitor estava que nem uma égua no cio, meio parado, de rosto todo vermelho. Daí a pouco, o Augusto cochichou alguma coisa e o Vitor debruçou na mesa. O Augusto tirou a sunga e se esfregou mais um pouco na bunda do Vitor, depois foi baixando devagarinho a sunga dele até tirar toda. Só vendo a cara dele olhando para aquele bundão branco apontado para ele! Nem parecia que ele já conhecia! Ele chegou para trás para ficar olhando um pouco enquanto o Vitor olhava para ele com cara de safado.

Dali a pouco, Diário, o Augusto pegou a mantegueira na mesa e espalhou manteiga no pau. Parei até de respirar pra não fazer barulho! Depois, ele voltou para trás do Vitor e untou o cu dele, enfiando o dedo várias vezes. O Vitor ficou doidinho, dizendo que já estava que não se aguentava, gemendo sem parar e mandando ele meter logo. Aí o Augusto apontou o pau e começou a meter. Só vendo como o Vitinho fala as coisas quando está dando! "Mete gostoso no meu rabo! Fode o meu cuzinho!" Até eu fui ficando molhada, Diário! Quando o Augusto começou a mexer, botando e tirando, te juro que eu tive que enfiar a mão no biquini. De vez em quando, o Augusto tirava o pau todo e ficava olhando para a bunda do Vitor, fazendo carinho nela, apertando, beijando, lambendo, dando tapinhas, daí voltava a meter com com toda força. O Vitor gritava, chamava ele de "meu macho" e empinava cada vez mais a bunda. Isso foi deixando o Augusto tão doido que não demorou pra ele falar que ia gozar. Só deu tempo do Vitor falar "Então tira!" apavorado. Assim que o Augusto tirou, o pau dele começou a cuspir e ele terminou assim, tocando punheta, gozando muito, tudo nas costas do Vitor.

Eu aproveitei quando ele foi pegar guardanapo para eles se limparem e voltei para a piscina. Quando eles chegaram, eu estava deitada numa espreguiçadeira. Passado um tempinho, eu pedi um refrigerante ao Augusto e ele voltou sozinho até a cozinha para pegar. Enquanto isso, perguntei ao Vitor aonde eles tinham ido e ele riu para mim fazendo sinal de que eles tinham transado. Eu ri, mas não disse nada. O Augusto voltou trazendo Coca-cola e umas coisas para comer. A gente ficou um tempão conversando. De vez em quando, um entrava na água e os dois outros ficavam conversando. Quando o Vitinho ia para a água, o Augusto me perguntava um monte de coisas e elogiava o meu corpo. Como ele é o meu tipo, resolvi dizer que também achava ele um rapaz bonito. Pelo jeito dele me olhar, parecia que estava interessado em mim. Quando ele se esticava na cadeira e fechava o olho, eu disfarçava e olhava para aquele calombo na sunga, torcendo para acontecer alguma coisa entre a gente. Mas aí o Vitor voltava da água e queria saber do que a gente tinha conversado. O Augusto inventava mil mentiras e eu achava graça.

Quando o sol parou de bater na piscina, o Augusto convidou a gente a entrar para tomar banho e comer pizza congelada. O Vitor voou para o chuveiro e eu fiquei na cozinha com ele, escolhendo as pizzas no freezer e pondo a mesa. Teve uma hora que eu me estiquei toda para alcançar um copo e o Augusto foi me ajudar, mas encostou em mim por trás. Assim que eu senti o corpo dele encostar no meu, fiquei toda arrepiada e me virei. Ele já estava esperando para me beijar. Não teve jeito, Diário, a gente deu um beijão daqueles, o Augusto me abraçou e eu pude sentir a vontade dele. Por mim, a gente teria subido para o quarto na mesma hora, mas seria falta de consideração com o Vitor. Tive que me contentar com a mão do Augusto acariciando a minha bunda e só retribuí com um carinho por fora da sunga dele, que estava uma bola dura, enorme! Dali a pouco, o Vitor entrou na cozinha todo perfumado e se rebolando todo, indo direto dar um beijo no Augusto. Fiquei com um pouco de pena dele, mas pensando bem, Diário, a vida de quem gosta de homem e de mulher, como o Augusto, também deve ser bem complicada!

A gente comeu pizza conversando sobre o que cada um queria fazer na vida. Eu fiz muitas perguntas para o Augusto sobre o Rio e descobri que ele gasta muito tempo com sexo. Ele confessou que é meio viciado, que não consegue ficar um dia sem pensar nisso e que precisa transar pelo menos três vezes por semana. Isso me animou toda, Diário. Se eu pudesse, também transaria várias vezes por semana e se fosse com um Albuquerque, ia ser como ganhar sozinha na loto. Perguntei como ele faz para conhecer gente legal para isso e ele explicou que no Rio é fácil, principalmente no fim de semana, porque as pessoas se encontram em festas, barzinhos e são muito evoluídas. Não é como nesta cidade chata, onde nada acontece e a gente é obrigada a sair com os mesmos meninos se quiser se divertir. O Vitor disse que também adora sexo, mas é fiel e gosta de ficar um tempão com a mesma pessoa. Enquanto ele falava, brincava com a mão do Augusto, com jeitinho apaixonado. Acho que eu fiquei com pena porque logo vi que ele se enganou: ele pensou que o apaixonado fosse o Augusto, mas quem estava caidinho era ele!

Depois da pizza, o Vitor foi para o salão e acabou pegando no sono num sofá. O Augusto ficou comigo para lavar e arrumar a louça, mas a atração era tanta que a gente acabou se agarrando na cozinha. Ele chegou a baixar a sunga e me pedir para pegar, e eu não neguei, mas isso era pouco e a gente acabou indo lá para cima, subindo a escada com todo cuidado para não acordar o Vitor.

Chegando no quarto do Augusto, eu logo vi a cama enorme que eu já fiz um montão de vezes quando ajudo a minha mãe a arrumar a casa. A gente entrou se beijando e ele puxou o laço do sutiã do meu biquini. Ele pediu para ficar me olhando e repetiu que me achava linda e que o meu corpo devia ser delicioso. Nunca ninguém me olhou como ele. Fiquei toda boba, me olhando no espelho do guarda-roupa e sorrindo. Então ele chegou pertinho e começou a fazer carinho nos meus seios, beijando e sugando os bicos, depois beijou meu pescoço, minha boca, apertou e acariciou a minha bunda, me abraçou com força e me disse coisas sensuais. Fui ficando doidinha de vontade de dar para ele, Diário. Só precisei baixar a mão até o elástico da sunga dele e soltar o pau que ficou colado entre a gente. Cochichando no meu ouvido, Augusto perguntou se eu queria chupar um pouco. Respondi que sim e já ia abaixando para abocanhar aquele cabeção brilhante quando ele me pegou no colo e me levou até a cama. Diário, me senti como uma recém-casada chegando na lua de mel!

O Augusto sentou na beira da cama e tirou a minha calcinha do biquíni, depois tirou a sunga toda, deitou no meio da cama e me pediu para vir por cima dele na posição de 69. Assim que eu fiquei de frente para o pau dele, senti um puxão e um calor entre as pernas. Era a língua dele colando na minha xoxota e começando a lamber com força. Eu já devia estar ensopada e me molhei mais ainda, me sentindo toda quente e gemendo, gemendo sem parar. Comecei a rebolar que nem doida em cima do rosto dele, tentando engolir aquele pau gostoso e todo meu. O Augusto me lambeu todinha, esfregando meu grelo e tentando entrar com a língua sem conseguir. Não sei se ele percebeu de saída, porque tentou várias vezes entrar com o dedo e eu não deixei, impedindo com a mão, mas tenho certeza que ele viu e resolveu não comentar. Ele me lambeu com tanta força, com tanta vontade, que eu gozei muito com a língua dele e o dedo esfregando o grelo. A ondinha vinha, minhas pernas começavam a ficar moles, eu sentia um tipo de tonteira, vertigem, sei lá, daí o gozo começava, me obrigando a fechar as pernas e quase espremer a cabeça do Augusto, que parecia continuar com mais força, como se fosse de propósito, para ver o que aconteceria se eu fosse ficando cada vez mais excitada.

Foi só quando ele parou um pouco que eu pude parar de gemer e chupar o pau dele direito. Era grosso e de cabeça bem grande, mas assim que ela entrou na minha boca, consegui mamar direito, fazendo o Augusto gemer enquanto acariciava a minha bunda e as minhas coxas, passando a língua no meu rego e até no cu, que não parava de piscar. Fiquei mamando um tempão, sentindo aquela delícia deslizar na minha língua, para frente e para trás, ouvindo o barulho da saliva, sugando e engolindo a babinha deliciosa. Dos caras que eu chupei, o Augusto é o que mais aguenta. Ele não reclamou, não me mandou parar ou chupar mais devagar ou mais fraco, e não parou de me lamber e me fazer carinho enquanto eu estava chupando, como a maioria faz. Pelo contrário, ele ainda ajudava mexendo a cintura, como se estivesse transando com a minha boca!

De repente, o Augusto me tirou de cima dele e me pôs deitada. Fiquei desarmada, olhando para ele, com um medinho me gelando a espinha. Ele se ajoelhou entre as minhas pernas e veio me lambendo e beijando do umbigo para cima, chupou meus peitos, me deu um beijo na boca e disse: "Você é linda, Bruna. Quero ser o primeiro". Eu estava pronta para ele, Diário, encharcada e pronta para deixar o Augusto abrir o meu cabacinho, sentindo o calor do pau dele pertinho da minha gruta. Fiquei olhando para ele bem nos olhos, decidida a entregar a ele o que eu tinha negado a todos. Cada esbarrão do pau dele nas minhas pernas me dava um arrepio pelo corpo inteiro. O momento era aquele, eu não podia e não queria desistir. O Augusto ia ser o Albuquerque da minha vida. Joguei os braços para trás e me preparei, sentindo o meu corpo pedir o dele. Olhei para baixo para não perder nada do momento mais importante da minha vida.

Augusto botou minhas pernas por cima das coxas dele e avançou um pouco, depois baixou o pau, encostou a cabeça no lugar certo e empurrou uma, duas, três vezes, e nada: doía mas não entrava. Tive que pedir para parar. Ele ficou là, ajoelhado, olhando entre as minhas pernas, sorrindo e brincando que eu tinha um cabacinho valente. Assim que a dor passou e eu tomei coragem, abri mais ainda as pernas e pedi para ele voltar. Ele tentou de novo, mas continou não conseguindo. Eu queria que fosse de frente porque queria ver o rosto dele quando o pau dele entrasse em mim, mas estava começando a achar que naquela posição ia ser complicado.

Me vendo sem saber o que fazer, o Augusto pensou um pouco e me perguntou se o meu corpo era bem flexível. Eu disse que sim, que sempre fui muito boa em ginástica. Ele sorriu para mim e dobrou as minhas pernas por cima do meu corpo. Eu logo entendi e ajudei, relaxando o corpo o mais que eu pude e deixando os meus joelhos quase encostarem nos ombros. Eu estava toda arreganhada, então ele me lambeu bastante a xoxota, deixando tudo bem molhado, depois chegou para frente e tornou a encostar o pau, cuspindo e pincelando a entrada com a cabeça do pau. Daí forçou. Diário, a única coisa que eu consegui fazer foi apertar os olhos e engolir um grito, sentindo a dor chegar até o meio das coxas! Foi como se estivessem me rasgando. Tive que pedir de novo para ele parar.

Contando assim, parece que isso desanima e faz o tesão diminuir, mas não, Diário, a gente estava que era fogo puro. Doido para conseguir, o Augusto disse que já sabia que eu era flexível e agora queria saber se eu também era forte. Eu disse que era muito forte, e sou mesmo! Aí ele se apoiou nas minhas coxas com as mãos, colando os meus joelhos do lado dos ombros, me espremendo e me arreganhando mais ainda, olhando bem nos meus olhos para me dar coragem. Fiz que sim para ele continuar e só assim senti a cabeça me abrindo e começando a passar. Tive vontade de berrar, mas o Augusto enfiou a língua toda na minha boca. Esse beijo aliviou um pouco a dor e ele acabou engrenando, entrando e saindo, primeiro devagar, depois mais rápido. Como era grosso! Quando chegava no final, eu não acreditava que aquilo tudo estava dentro de mim, então o Augusto me mandava levantar a cabeça e se afastava um pouco para me deixar ver como o corpo dele estava todo colado no meu. Daí em diante, ele começou a fazer um vaivém rápido, corpo dele batendo no meu com força, e eu fui sentindo uma coisa por dentro até começar a gozar que nem uma doida. Foi a sensação mais maravilhosa que eu já senti na vida até aquele dia. Cheguei a me arrepender de não ter dado para todos os outros, mas logo me lembrei do meu objetivo e me agarrei no pescoço do meu novo namorado Albuquerque, gemendo na orelha dele, dizendo que eu era dele e que eu queria que ele me comesse muito porque era com ele que eu me sentia uma mulher completa. Mais tranquilo, ele começou a meter mais rápido, entrando e saindo de mim com vontade. Eu queria tudo, queria mais, queria ele todinho dentro de mim, me abrindo, me alargando, me rasgando, me fazendo engasgar de tanto prazer, e ele estava fazendo tudo isso.

Quando o Augusto cansou da posição, me virou de costas, me pôs de joelhos e meteu por trás, agarrando na minha cintura como ele tinha feito com o Vitinho. Nessa posição, ele socou tão rápido que deixou a minha gruta dormente. Fiquei tão bamba que acabei deitada na cama, sentindo aquele pau gostoso inteirinho dentro de mim. O tempo todo, ele ficou dizendo que estava doido pelo meu corpo e que eu era a mulher mais gostosa que ele conhecia. Ele me chamou de mulher, Diário! Cada vez que ele dizia isso, eu ficava toda molhada.

A gente mudou de posição várias vezes, o Augusto sempre metendo com a mesma vontade, mas nada de gozar. Quando eu estava começando a achar que o Vitinho era o culpado, ele saiu de mim e veio ficar com o pau pertinho do meu rosto, me pedindo para terminar tocando punheta nele. Aceitei e ele aguentou um tempão, gemendo muito e me mandando continuar, até que ele disse que ia gozar e queria que eu apontasse o pau dele para a minha boca. Quando começou a esguichar, arregalei os olhos, sem saber o que era para fazer, mas o Augusto olhou para mim sorrindo e perdi o medo. Aí ele fez uma coisa que eu duvido que o Tonho, o Gabriel, o Pedro ou qualquer outro tivessem coragem de fazer nessa hora: ele lambeu meu rosto melado e engoliu um pouco, depois me beijou para me passar o resto. Até que achei bem gostosinho. Pronto, Diário, não sou mais virgem e tenho certeza que não foi só com a pessoa certa, mas com o Albuquerque certo.

O Augusto queria que eu ficasse na casa com ele, mas não teria como explicar para a minha mãe porque ela sabia que a família não estava lá. Então a gente tomou banho junto e desceu para acordar o Vitor e contar tudo. Ele ficou sem fala, Diário, mas não ficou chateado porque ele não é muito de se prender às pessoas, mesmo estando bem apaixonado pelo Augusto. Eu disse a ele que o Augusto tinha adorado ficar com ele e que não ia ser a última vez. A gente voltou conversando e eu contei tudo em detalhes para ele.

Domingo, 2 de dezembro de 2007

Não te contei mais nada, Diário, porque andei muito ocupada e chegava em casa exausta. Voltei na fazenda todo dia para ficar com o Augusto. Eu passava o dia todo lá com ele e só voltava à tardinha, dizendo à minha mãe que estava com amigas minhas. A gente transou milhões de vezes todo dia até às 11h da manhã de sexta porque a minha mãe ia lá para preparar tudo para o resto da família que ia chegar. Ela estranhou de me ver lá, mas eu tinha arrumado um pouco para disfarçar e ela não falou mais nada.

O Augusto vai me levar para conhecer o Rio, mas a gente vai ficar num hotel porque não dá para ficar na casa deles assim de saída. A gente conversa muito e ele é super sincero, diz que sente tesão pelo Vitinho e não vai parar de sair com ele, mas quer me conhecer melhor porque ele nunca se sentiu tão bem com nenhuma namorada como ele se sente comigo. Ele acha que a gente combina e que pode até ficar junto muito tempo. Diário, a sensação de namorar um Albuquerque é como ter chegado numa montanha depois de ter passado um tempão só olhando para ela na paisagem: parece que não é a mesma montanha, de tantos riachos, de tantas árvores bonitas, de tantas flores... Isso me fez pensar nos meus sonhos e desejos com certeza de que vou poder realizar todos. Os Albuquerque, para mim, não são mais paisagem, viraram realidade. Acho que eu despertei.


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Esta foi a última anotação de Bruna em seu diário. Retomo portanto a pluma para traçar o epílogo de toda essa história e esclarecer de uma vez por todas o mistério que certamente ainda paira na mente do leitor.

Em janeiro de 2010, Bruna Maria da Conceição Quintana casou-se. Em junho do mesmo ano, sua mãe, que não quis deixar a fazenda, pediu-me autorização para ocupar uma casa de empregados desocupada e reformada. A mudança foi feita e decidi também mandar reformar a casa que ela ocupara por mais de 20 anos. Dias depois, um operário veio à sede da fazenda trazendo um volume embrulhado em jornal e explicando-me que encontrara o conteúdo sob uma tábua solta do assoalho da casa em reforma. Ao abrir, deparei com os 6 diários escritos por Bruna. Curioso, entreguei-me à leitura integral da coleção e foi assim que descobri o quanto o desenvolvimento sexual e afetivo dessa jovem fora condicionado por uma verdadeira obsessão pela família dos patrões de sua mãe, que ela certamente idealizava para fugir às suas raízes, ao mau casamento do qual ela era o fruto e à sua própria vida simples de menina do campo. O tema era digno de virar romance, mas como não sou escritor, fiz o que pude para criar uma narrativa a partir das anotações muitas vezes fragmentárias dos diários e, assim que possível, ceder a palavra à autora deles.

O objetivo que norteou a vida de Bruna foi alcançado em 2010 e estamos em 2014. Ela agora se chama Bruna Albuquerque, já nos deu um casal de netos, tem amadurecido rapidamente, aprendido muito e parece estar feliz com o meu filho Augusto.


Rodrigo Albuquerque


FIM

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