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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

A Odisséia de Aninha (folhetim, episódio XXXI)

31. Involuntariamente...

É domingo. Na república estudante, Rômulo se preocupa com Aninha que, às 14h continua dormindo. Ele decide acordá-la e a sente não só exausta, mas frágil e revoltada. Ele vê as marcas em seu pescoço e seios, e infere que a festa da véspera não se limitou a uma homenagem inocente aos novos colaboradores da agência Happy Hour. Aninha promete explicar tudo depois de um banho. Eles vão almoçar num restaurante e ela conta em detalhes o que aconteceu na cobertura do big boss.
– Você tem que falar com a polícia, Ana! Eles te drogaram e violentaram, e isso é estupro! exclama o rapaz, impressionado e assustado.
– Deixa de ser inocente, Rômulo! Você quer ser chamado a um necrotério para me identificar?
– Mas o que é que você vai fazer, então? Contar tudo à Stéphanie quando ela voltar? Ela te manda para a cadeia, e eu junto, por cumplicidade!
– É, eu sei, por isso resolvi te contar tudo. Essa colaboração com a agência do Norberto não pode continuar e não sei o que fazer. Tenho uma idéia, mas não sei se funciona.
– Fala.
– Você se lembra do Kleber, não é, o cara que arrumou o primeiro apartamento para mim aqui em Cabo Frio, e que ficou meu amigo, dono do apartamento no Peró onde a Stéphanie mora?
– Lembro, claro. Ele já foi à loja algumas vezes.
– Pois é, acho que eu vou falar com ele. Além de ser amigo da Stéphanie, ele gosta de mim. A gente pode fazer uma reunião a três, sei lá… Ele não vai negar ajuda.
– Mas o que é que ele pode fazer?
– Em último caso, Rômulo, até comprar a Conchas e Crustáceos, nem que seja só para fechar! Ele é rico e a butique ainda não vale tanto assim.
– E você acha que a Stéphanie entra nessa?
– Acho, se ela entender que corre perigo.
– Ela nunca mais vai querer te ver nem pintada, e isso se ela não quiser te processar! Você sai de uma roubada com criminosos e entra em outra com a justiça.
– Vamos parar com a nuvenzinha negra, Rômulo! Não foi para isso que eu te contei.
– Está bem, desculpa. Acho que falar com o Kleber é boa idéia. Ele está em Cabo Frio?
– Posso descobrir.

Aninha pega o telefone e, coincidentemente, ele toca e é Stéphanie, ligando de Arles, na França. Ela informa que adiou mais uma vez a volta e que portanto, só chegará dentro de dez dias. O alívio de Aninha é tamanho que lágrimas brotam dos seus olhos. Patroa e gerente se despedem naturalmente. Aninha liga para Kleber e descobre feliz que ele está, sim, em Cabo Frio. Eles marcam encontro na mesma noite de domingo. Ela passa o dia com Rômulo, mas vai sozinha ao apartamento do Peró. Ela explica detalhadamente a Kleber como funciona a colaboração da butique de Stéphanie com a agência de encontros e conta o que houve na véspera, na festa da cobertura do proprietário da agência. Kleber ouve atentamente e sem interrompê-la.
– E é isso, Kleber. Estou desesperada e precisando de ajuda para sair dessa. Não sei o que fazer e acho que você é a única pessoa capaz de ajudar, diz ela, olhando-o nos olhos com toda a sinceridade.
– Que encrenca grave, Ana! Você foi ingênua de ter aceito essa colaboração com uma agência de sexo.
– Eu sei, Kleber, mas parecia um dinheiro tão fácil! E com a Stéphanie na França… Não consegui recusar.

Kleber se levanta, acende um cigarro e caminha até a janela para pensar olhando na direção do mar. Três ou quatro minutos depois, ele se volta para o sofá onde Aninha permaneceu sentada.
– Ana, eu vou poder ajudar, mas você vai ter que fazer rigorosamente tudo que eu disser. Você concorda?
– Claro, Kleber! Faço o que você quiser para sair dessa!
– Muito bem. A primeira coisa é tirar você daqui porque você está correndo perigo depois dessa história da festa na cobertura.
– Você acha? Mas eu fui a vítima!
– Ana, agora você sabe do que eles são capazes e eles sabem que você sabe. Das duas, uma: ou eles te "compram", ou eles se livram de você.
– Nossa! Então me diz o que é que eu faço logo!
– Bom, você vai para casa, junta suas coisas e me espera. Enquanto isso, diz ao Rômulo para pedir demissão. Como você é gerente, pode assinar a carteira dele. Eu vou levar você para o Rio. Tenho um apartamento vago em Copacabana e você pode ficar lá até arrumar outra coisa. Eu cuido de tudo por aqui, com a Stéphanie.
– Está bem. Eu faço isso agora mesmo, chegando em casa?
– Chegando em casa. Pegue um táxi para não perder tempo e ligue para o Rômulo porque ele pode não estar em casa.
– Está bem, então eu fico te esperando no apartamento, diz Ana, amedrontada e já se levantando para sair.

Desse momento em diante, tudo é muito rápido. Ana e Rômulo vão até a butique, onde ela preenche e carimba sua demissão. Em seguida, eles voltam ao apartamento e ela põe tudo o que tem em duas malas para esperar Kleber. Por volta das 23h, o telefone toca. Ela atende e se levanta mecanicamente do sofá para falar.
– É o Kleber. Ele vai se atrasar um pouco, diz ela, voltando a sentar-se ao lado de Rômulo e olhando-o nos olhos, emocionada. Eu sei que te fiz mal, que te prejudiquei, mas não quero que você me odeie por isso. Tudo o que eu faço é para tentar não recair na vida ridícula que eu tive até bem pouco tempo, e eu só consigo ver o dinheiro como tábua de salvação. Você consegue entender, Rômulo?
– Mm-hm, entendo, Ana, mas…
– Chhh…


Ela cobre os lábios dele com os dedos, depois ergue o vestido até a cintura e senta-se a cavalo em seu colo, esfregando-se e beijando-o com paixão enquanto ele se livra da roupa. Basta-lhe um toque no membro pronto para que este deslize pelo entrelábios e mergulhe com toda facilidade, ambos encharcados. Eles fazem amor durante longos minutos beijando-se lascivamente, Rômulo acariciando suas coxas, ela o seu peito, suas costas, seu cabelo. Ela baixa as alças do vestido para oferecer-lhe os seios, que ele contempla, encontrando as marcas da véspera. Revolvido, angustiado, ele os suga com sofreguidão enquanto se sente pulsar dentro de Aninha, que geme em sua orelha. O orgasmo não tarda, quase simultâneo, e ela acolhe com amor o que lhe dá esse namorado, o primeiro por quem ela desenvolveu um carinho verdadeiro e respeito. Ela sabe que ele precisará de tempo para pensar, e que é até possível que jamais volte a vê-lo. Ela o deixa ficar longamente, sentindo-o pulsar em seu interior, e ao mesmo tempo que afaga o cabelo sedoso e bem tratado de menino da Zona Sul do Rio e explora seus olhos cheios de paixão e tristeza, Aninha se dá conta de que é para lá que ela vai, pela primeira vez de Mercedes e sem previsão de volta para o subúrbio.

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