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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

A Odisséia de Aninha (folhetim, episódio XXX)

30. Arles

Num quarto aconchegante do pequeno apartamento na cidade galo-romana do sul da França, nem tudo é concórdia. Stéphanie quer adiar novamente a volta para o Brasil, mas Gabriel já está com saudades de casa.
– Eu quero é voltar, diz ele, olhando para o teto.
– Você tem visto tanta coisa diferente, Gab, e meus amigos gostaram tanto de você! Não vá me dizer que não está aproveitando, indaga a francesa, acariciando os pelinhos curtos logo acima do ponto em que desponta o sexo do rapaz.
– Não é isso. É que eu acho que você já terminou o que tinha para fazer, retruca ele, olhando as próprias mãos contra a luz do teto.
– E também porque como já viu Paris, o resto não interessa, não é isso? Está entediado aqui na minha cidade de província, provoca a mulher, irônica.
– Já faz quase um mês que a gente está viajando!
– E você deve ser a única pessoa do mundo que não gostaria de ficar mais um mês na França, mon beau! retruca ela, passando uma perna por sobre a dele, roçando seu púbis em sua coxa musculosa e lisa, percorrendo com o dedo o longo membro que repousa ainda úmido sobre a virilha.
– Por mim, a gente volta, reforça ele, olhando de relance para os seios alvos, bem feitos e generosos de Stéphanie, enquanto ela tenta convencê-lo através do argumento que melhor tem funcionado.
– E se eu pedir muito, Gab? E se eu fizer tudo que você quiser? prossegue ela, acariciando-lhe a coxa e aproximando-se ainda mais dele.

Por mais que Gabriel lute contra a excitação, ele não pode impedir que seu pênis vá se armando e caia prisioneiro da mão da francesa, que já sente entre os dedos o poder de uma nova ereção. Ela o desembainha uma vez mais, repuxando o prepúcio com vigor e causando um sobressalto em Gabriel. Em seguida, percorre o tronco até os testículos, mantém a verga na vertical e assiste deslumbrada ao brotar do fluido que logo inunda a cabeça e desce por ela em veios cintilantes. Gabriel não pode conter as pulsações que lhe dão a medida exata da sua rigidez. Ele está excitado e uma vez mais pronto.
– Assim não vale, protesta ele languidamente, sorrindo e seguindo com os olhos a cabeça da francesa que já se move para baixo.
– "Solicitamos ao Sr. Gabriel que fique mais tempo na França com a Srta. Stéphanie!" brinca ela, os lábios colados à glande, fingindo estar ao microfone.
– Não, porque não gosto de chantagem, responde o rapaz, resistindo.
– Ah não?

Ela abocanha a volumosa glande brilhante, sugando-a, varrendo-a com a língua e tirando-a ruidosamente da boca enquanto masturba o membro que vai ficando cada vez mais rígido. Ela sabe que isso tortura Gabriel.
– Não, persevera ele, apertando os olhos, contendo gemidos.

A francesa então monta no rapaz, esfregando-lhe o sexo com o seu, apoiada com as duas mãos em seu peito e olhando-o nos olhos. Gabriel tenta expulsá-la, mas ela se serve, empunhando e encaixando-se em seu membro, afundando-se até a base. Gabriel lhe dá golpes de pélvis para tentar derrubá-la, mas é inútil e isso só faz excitá-lo mais.
– Vai ficar aqui comigo ou não? ela reitera.
– Não! responde ele, imobilizando-se.

Embora muito excitada, Stéphanie avança, desencaixando-se, e senta-se sobre a barriga de Gabriel, acariciando-lhe o rosto.
– O que você quer que eu faça para dizer que fica?
– Nada, diz ele, olhando-a calmamente.
– Cede um pouco, Gab, por favor! suplica a francesa, contrariando seus hábitos. E se for só por mais alguns dias, digamos… dez dias a mais?
– Não.

Ela se curva sobre seu corpo e o beija na boca, procurando sua língua, sentindo o membro solto roçar-lhe as costas. Gabriel se excita vendo os seios dançarem sobre o seu peito e roçarem nele os bicos entumescidos. Embora se veja como macho e dominante, ele aprecia secretamente quando ela se faz de superior e tenta dominá-lo também no sexo. Gabriel tem uma fantasia que a francesa realiza às vezes, mas que ele ainda não assume plenamente e que ele só consegue exteriorizar, ainda que alusivamente, em situações como essa.
– Faz aquilo… pede ele num murmúrio quase ininteligível.
– Hum?
– Faz aquilo comigo.
– Aquilo o quê, Gab?
– Ah, não vou explicar não! retruca ele, todo embaraçado.

Ela entendeu desde o início e sabe que não deve responder com palavras, simplesmente agir. Nesse jogo entre os dois, ela vence, mas a estratégia tem que ficar implícita para que o jogo não se torne batalha.

Saindo de cima de Gabriel e pondo-se de joelhos entre suas pernas, ela aguarda que ele dê o primeiro passo. Como sempre, ele começa em processo de denegação e está encabulado. Ela acaricia-lhe as coxas para encorajá-lo sutilmente, até que ele se decida a jogar as pernas bem para trás, bem abertas, única ocasião em que ele se expõe tanto. Em seguida, ele fechará os olhos e deixará tudo por conta dela.

Foi por veneração ao corpo deslumbrante desse jovem dos trópicos que Stéphanie o fez descobrir essa forma de prazer. Foi virando-o e revirando-o, amando-o frente e verso, provando-o com o sexo e com a língua que ela ensinou-lhe mais essa modalidade de atingir o êxtase. E ele adorou, mas ainda não teve a coragem de assumir isso sequer para si mesmo, e um grande trabalho resta por vir até que ele o faça.

Ela inicia pelos testículos que se destacam em primeiro plano, saco volumoso e redondo. Ela prova, lambendo e mordiscando, sentindo com a língua a textura e a maciez, depois abocanha as contas que o preenchem como duas sementes. Em seguida, ela força as coxas de Gabriel contra o corpo para expor mais o períneo e atarda-se nele, em lambidas longas que se prolongam até a pele esticada e lisa da base do saco, enquanto o rapaz antegoza o momento sublime do primeiro toque. Ela já sabe que quando se afastar verá o pulsar ansioso do orifício de pele escura e raiada.

É minúsculo. Habituada a ter amigos que conheceram experiências homossexuais, ela não reconhece em Gabriel alguém que as tenha em seu histórico, e isso a alegra. Ela o beija no alvo. Gabriel freme. Ela começa a lamber em pinceladas generosas. Gabriel tranca em si gemidos que fariam balançar o imóvel. Em troca, ele se oferece ao máximo, ofegante e arriscando uma olhada sem que ela perceba. A francesa trabalha com a língua sentindo nela o desassossego dessa área cujo potencial em Gabrial ela começa a conhecer bem.

É hora de multiplicar os focos de prazer. Stéphanie empunha o membro que jaz sobre a barriga do rapaz. Ele está tão concentrado em outro ponto que a ereção se esvaiu parcialmente. Ela inicia uma lenta masturabção ao mesmo tempo que acaricia em movimento ascendente a bolsa que flutua abaixo dele. Esses estímulos associados ao pincelar do orifício que pulsa nervosamente levam Gabriel ao ponto de excitação que dispara  no momento certo a inevitável manifestação verbal.
– Mete… sussurra ele entre os dentes.

Com o polegar, ela recobre o orifício que sua língua amaciou e que se abre como um pequeno funil cujo rosa vivo contrasta com a pele escura do entorno. Ele cede à pressão do dedo, que se afunda sem dificuldade entre as paredes lisas. Um "Ahn!" denuncia o quanto de prazer essa penetração anal por assim dizer "autorizada" proporciona ao rapaz. Stéphanie prossegue, aprofundando seu polegar enquanto masturba suavemente o membro que recuperou a rigidez total. Gabriel agora geme sem controle, sentindo seu ânus pulsar em torno do dedo que o expande, como se o mordesse. Não se trata de um desvio de sua sexualidade, ele não pensa em homens nesse momento, ele não deseja que o polegar se transforme em pênis. Ele apenas se entrega ao puro prazer que a sensação lhe proporciona.
– Mais… suplica o jovem, gemendo, de olhos semicerrados.

Stéphanie retira o polegar e volta a lamber a área, molhando-a com saliva abundante, separando bem as nádegas com as mãos. Em seguida, ela introduz o dedo indicador seguido do médio, movendo-os radialmente para relaxar ainda mais a abertura. Gabriel puxa suas pernas para trás, como se pudesse abrir-se mais e mais. Ela então inicia um vaivém suave mas ritmado e profundo que tem por efeito relaxar completamente a área e cuja continuidade tanto excita Gabriel que ele acaba ejaculando, sem espasmos, apenas liberando um veio de esperma que escorre pela barriga em direção ao lençol e é interceptado por Stéphanie, que o colhe com a língua e o engole em sinal de carinho.
– Diz que fica comigo, mon chéri, torna ela, toda meiga. Só uma semana a mais.
– Uma semana? murmura o rapaz.
– Uma semana, prometo.

Ele repousa as pernas na cama e Stéphanie monta-o novamente, desta vez empunhando seu membro para empalar-se nele por trás, mostrando a Gabriel que ele não deve temer julgamentos por sentir prazer de um modo que costuma caracterizar tão pejorativamente o homem. Demonstrando-lhe que a mulher deseja o sexo anal com um pênis, ela procura clarificar as coisas e reforçar a auto-estima do seu predileto. A dor logo se converte em prazer e ela se deixa invadir pelo instrumento poderoso que a natureza deu a Gabriel. Vaivéns intensos arrancam gritos da francesa, que o exorta a possuí-la, chamando-o de mon mec e levando-o ao delírio para que ele se solte e goze profundamente em suas entranhas. Recuperando a confiança, ele a agarra pelas coxas e sente seu membro percorrido pelo orifício que o comprime e repuxa vivamente a glande pelo freio. Um novo mergulho e ele irrompe numa explosão de múltiplos jatos. Stéphanie galopa sem parar de gemer, sentindo o grosso tronco pistoneá-la sem dó. Ela o quer dentro dela e quer seu esperma dentro dela. Gabriel dá-lhe estocadas fortes, esvaindo-se nela até que as fisgadas no períneo indiquem o fim do ato. Stéphanie desaba sobre seu peito, exausta.
– Então, a gente fica? murmura ela com voz sonolenta.
– Só mais uma semana, responde ele igualmente num murmúrio, adormecendo logo em seguida.

2 comentários:

  1. Continuo acompanhando suas narrativas, estão melhores a cada dia. Parabéns!
    Apesar de Anônimo, com certeza sabe quem sou.
    Abraço

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    Respostas
    1. Claro que identifico, e com muito carinho, o autor desse recado.
      Um grande abraço,
      Marc

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