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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Sonho Espanhol (folhetim, episódio II)

2. Um Nome

Minha cidade praiana fervilhava de turistas. As praias, onde um nudismo parcial é tradicionalmente praticado e até estimulado só eram convidativas até às onze horas da manhã ou no final da tarde, por causa da multidão e do calor. Durante alguns dias, tomei meu café da manhã bem cedo e fui passar uma ou duas horas tomando um sol saudável, moderado pela brisa fresca, ler romances em espanhol e observar o comportamento dos frequentadores. Constatei que as mulheres jovens e bonitas, de seios e bundas firmes e bem feitos, iam maciçamente praticar o topless nessa praia específica e, ao contrário do que eu supunha, que os homens as olhavam bastante e tinham as mais diversas reações diante dessa exposição de belos corpos bronzeados. Isso me permitiu tirar certas conclusões. Quanto mais jovem o macho, menos capaz de ocultar seus impulsos. Os adolescentes têm ereções que por vezes parecem incomodá-los, levando-os a ocultá-las com as mãos, deitando-se de bruços ou entrando n'água. Passados os vinte anos, uma incipiente censura social obriga o jovem a uma certa compostura e ele sabe prevenir para não ter que remediar, intercalando olhadas furtivas à distração com os amigos. Depois dos trinta, o homem já domina todos os artifícios que o permitam não ser surpreendido a olhar, mas o observador atento e paciente é perfeitamente capaz de detectar qualquer manobra empreendida pelos voyeurs inveterados. Os cinquentões e sessentões permitem-se olhar explicitamente sem se sentir vítimas dos caprichos involuntários do corpo, que eles já controlam à perfeição. E os bem mais velhos parecem não mais dar a mínima importância a essas formas por vezes deíficas; seu tempo passou e eles lêem jornal, repousam, dormem, molham os pés na água, assistem os netos brincando na areia. Quanto às mulheres, sua faixa de exibicionismo parece situar-se entre os sweet sixteen e os trinta e poucos, sobretudo apoiada na beleza do corpo, que lhes dá a auto-afirmação de que necessitam para enfrentar o implacável julgamento da gens masculina. A praia é meu lugar preferido para examinar os corpos de ambos os gêneros. As proporções do corpo humano me interessam muito e estou constantemente em busca daquelas que tornam alguém realmente atraente. Lembrando-me de Teresa e de suas proporções incomparaveis às de noventa e nove por cento das pessoas que eu via na praia, conscientizei-me mais uma vez do quanto é difícil encontrar um ser humano com um corpo realmente digno de contemplação.

Fui à praia nos três dias que se seguiram à descoberta dessa pepita rara que batizei de Teresa. Em seguida choveu e, numa manhã ainda cinzenta, um evento inesperado veio temperar a nova rotina. Por volta das 9h, entrei num café que me agradou pela paz e pedi minhas tostadas com manteiga, geléia e café preto. Em viagem, prefiro observar as pessoas do que ler, mas naquele dia, excepcionalmente, comprei um jornal com o intuito de me informar um pouco sobre o que não se vê nas ruas. A Espanha está em plena crise, o desemprego é colossal, os preços de certas coisas desabam em consequência, e o adágio de que o infortúnio de uns faz a felicidade de outros é inegável. Já fazia alguns anos que eu acalentava o desejo de comprar um imóvel antigo, de uns três andares, sótão e porão, para transformar em pequeno hotel bed & breakfast, sendo assim, apliquei-me à leitura minuciosa do meu jornal de cidade-balneário. Mas antes do terceiro classificado...
 Hola!

Fui interrompido por uma voz feminina. A entonação me soou estranha, como carregada de um traço de condescendência, mas não sei bem como exprimir o que percebi antes mesmo de baixar meu jornal. Sei que reconheci o timbre de Teresa e não fui capaz de ocultar meu contentamento. Ela estava de pé ao meu lado, as coxas coladas ao tampo da mesa, descobertas até à barra de uma curtíssima saia verde de tecido mole. Meu olhar naturalmente viajou das coxas aos seios e dos seios às coxas antes de conseguir ir atabalhoadamente fixar-se nas negras íris da linda espanholinha.
– Você por aqui? perguntou ela, toda sorrisos.
– Pois é, me acostumei com o lugar. Veja que paz!
– Ah! Então eu não vou incom...

Sua reticência não poderia ter sido mais eloqüente. Sem perder a deixa, convidei-a a sentar-se e tomar café comigo, para não perdê-la. Vi suas coxas descolarem-se da borda metálica do tampo de vidro e acompanhei-as até vê-las fechando-se num reflexo assim que Teresa, já sentada à minha frente, se deu conta da transparência da mesa. Quando eu lhe disse para ficar à vontade, argumentando que isso só amplificaria o meu prazer de ter sua companhia, ela respondeu com um risinho e, de fato, instantes depois, percebi que suas pernas se entreabriram, deixando-me vislumbrar vez por outra uma imaculada calcinha branca ao fundo. Ela me pareceu mais madura, sem a presença familiar dos clientes habituais do café onde ela comprava tortillas.
– Você se espantou porque o reconheci?
– Confesso que sim.
– Você me olhou tanto, naquele dia!
– Você estava provocante, retruquei, ousado.
– Eu?! exclamou ela, surpresa. Mas só fui comprar tortillas como todo dia!
– Você se olha no espelho antes de sair, menina? perguntei com afeição.
– Você diz isso por causa das roupas que eu uso? retrucou ela olhando para baixo e alisando a sainha sobre as coxas. Será que sou a única que usa shorts ou saias curtos? De onde você é? Seu sotaque me parece sul-americano; seus zês são sibilados.
– Bom, vamos recomeçar do zero. Que tal você me dizer seu nome? perguntei, para mudar o rumo da conversa.
– Isabel, respondeu ela, menos afável.
– Isabel? Muito um prazer, Isabel. Meu nome é Marcos, respondi, sem dar a perceber que meu sorriso se devia ao fato de que a Teresa das minhas fantasias acabara de evaporar-se. Meu nome é Marcos e moro no Rio de Janeiro.
– Ah! Brasileiro?
– Mm-hm.

Percebi que seus conhecimentos sobre o Gigante Adormecido se limitavam a localizar a cidade no país, mas minha resposta surtiu bom efeito e pudemos prosseguir sem animosidade. Enquanto conversávamos, eu dava um jeito de observar discretamente o movimento das pernas de Isabel através do tampo de vidro. Mais tranquila, ela logo reassumiu sua negligência juvenil, encantando-me com a visão das magníficas coxas alargadas pela compressão no assento e agraciando-me com flashes ocasionais da calcinha branca perfeitamente ajustada ao sexo. Alheia ao fato, Isabel saboreava sua tortilla com suco de laranja, contando-me um pouco da sua rotina tranquila de jovem espanhola: família, estudos, férias, namoro, trabalho, lazer, lazer, lazer. Como quê, o desenvolvimento suprime realmente obstáculos, concluí mais uma vez, olhando-a nos olhos sem causar-lhe o menor embaraço. Tomamos café sem pressa, até que as nuvens deram lugar a uma bela manhã de céu azul. Em sinal de reconciliação, Isabel admitiu estar à toa e propôs ciceronear-me. Paguei, deixei alguns euros na mesa e saímos nos despedindo da jovem garçonete que acenou gentilmente da porta enquanto nos afastávamos. Eu estava entusiasmado com a minha companhia e todo prosa de ser visto com ela por toda a gente, principalmente pelos rapazes, alguns dos quais a olhavam com ar interrogativo.

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