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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

Sonho Espanhol (folhetim, episódio I)

1. Miragem

Como – e por quê – não olhar para as mulheres com pouca roupa nas ruas, nos vestiários, nos ônibus, nos elevadores, nas piscinas...? Por que desviar o olhar de alguém que deseja inquestionavelmente ser olhado? Quando optei pela resposta óbvia a essa pergunta já tão retórica, minha vida mudou. Decidi narrar o fio de acontecimentos que se seguiram imediatamente a esse momento de iluminação.

Era verão na cidade mediterrânea espanhola onde resolvi ir passar meus trinta dias de férias. Muito mais do que no Brasil, e isso simplesmente pelo fato de que é mais seguro, as mulheres se despem nessas cidades costeiras da Europa. Elas usam microshorts, microssaias, microbusas, abusam da transparência e das peças justas. E por que não? O homem europeu é civilizado, sutil, sabe ver nessa exiguidade vestimentária algo mais do que um baixo e grosseiro estímulo animal. Ele encoraja a mulher a despir-se e ela entra saborosamente no jogo. Obviamente, o objetivo final é o sexo, mas esse jogo preliminar da sedução é traço distintivo de um modo elevado e inteligente de conquista, e o sabor da sutileza é incomparávelmente superior ao prazer imediatista almejado pelo instinto primitivo. O prazer que se estende na duração é um privilégio do homem civilizado.

Vi Teresa pela primeira vez quando saía do meu hotel para tomar o café da manhã e ir à praia. Ao avistá-la na calçada, caminhando animada alguns metros à frente, vestida num minúsculo short vermelho que deixava de fora duas dobrinhas nítidas produzidas pelo peso do bumbum mais apetitoso do mundo, precisei segui-la até o café onde ela entrou para comprar tortillas, provavelmente a serem consumidas no café da manhã, em casa. Ela conhecia todo mundo e foi gentilmente cumprimentada, com profusão de sorrisos e, claro, expressões maliciosas, mas cheias de carinho e alegria por revê-la. Sentei-me para observar seu jeito de moça de bairro desenvolta. Apoiada no balcão, espichando-se para ver seus petiscos sendo tirados do armarinho transparente pela servente, ela me proporcionou a visão de sua bundinha empinada, a costura profundamente oculta entre os dois deliciosos gomos que se destacavam, quase soltos, envoltos apenas pela fina e elástica lycra do short. Vinte e um, vinte e dois anos no máximo, estimei com meus botões, já sentindo meu colo fremir. Ela me parecia de uma naturalidade tamanha que tudo se passava como se estivesse absolutamente inconsciente do efeito que sua pouca roupa provocava nos homens.

Ao voltar do caixa, caminhando para a saída e de frente para mim, vestida naquele minúsculo short vermelho que a cobria apenas do final das coxas ao início da virilha, deixando de fora toda a barriga plana, ornada, no umbigo, de um pequeno piercing de esmeralda, Teresa sorriu e pensei comigo mesmo que se tratava de um sorriso de gente de bem com a vida, um sorriso de gente satisfeita com seu corpo e mente, satisfeita com as pessoas e com o mundo. Só pude sorrir de volta e, com um meneio de cabeça, fazê-la adivinhar o deslumbramento que sua imagem gerava à sua volta. Envaidecida e grata, ela empinou-se toda e, ajeitando a estreita bainha do short, presenteou-me com a visão da polpinha um pouco mais clara que as coxas morenas, logo acima da deliciosa dobra de uma das coxas. Não havia dúvida de que esse era um percurso habitual e tranquilizou-me saber que talvez eu pudesse vê-la toda manhã.

Tomei meu café da manhã ali mesmo, mas desisti de ir à praia e voltei ao hotel. Não pude deixar de masturbar-me no banho, pensando em Teresa, cujo nome real eu ainda desconhecia, imaginando-a comigo sob a ducha, seu corpo molhado, penetrando-a e arrancando gemidos profundos de sua linda garganta. O esperma profuso misturou-se à água e desceu pelo ralo junto com a fantasia que esvaneceu-se para dar lugar aos meus planos de turismo para aquele dia.

Nas ruelas ensolaradas da cidade arabizada, mulheres de todas as idades exibiam seus corpos de acordo com o bom senso de cada uma. Eu só via corpos de mulher, corpos, corpos e mais corpos, e a imagem de Teresa me invadia a mente porque não havia corpo mais perfeito que o dela. Fiz algumas visitas turísticas e perambulei pelas ruas até tarde. Agora, namoradinhas lascivas imprensadas contra os muros sombrios pelos rapazes mais audazes entregavam-se a carícias arrancadas às vezes a custo. Um casal bem jovem discutia porque ela se recusava a todo custo a curvar-se para proporcionar ao rapaz o que imaginei ser a felação tão almejada. O máximo que ele obteve foi que ela colhesse seu membro com a mão tímida, mas ela logo o largou fazendo ar de impressionada. O espanhol é viril; entende-se o susto da mocinha.

Pouco mais adiante, outro casal, ambos gemendo baixinho, ele cochichando coisas no ouvido dela, pareciam menos temerosos. Ele estava por trás, praticamente sentado num muro de meia altura e ela, de minissaia arregaçada, parecia estar fazendo-se penetrar discretamente por ele. Eles certamente superestimavam o abrigo das sombras. A pouca luz era suficiente para revelar as coxas descobertas da moça e o balançar dos corpos. Excitado, perguntei-me quais poderiam ser as dimensões do rapaz e o quanto de prazer ela poderia estar auferindo daquela cópula temerária.


As ruelas dos bairro antigos são propícias aos encontros noturnos. Não estou exagerando ao dizer que havia pelo menos um casal a cada vinte ou trinta metros. Aquilo funcionou, para mim, como um corredor polonês em que cada casal era um tapa em minhas costas, lembrando-me que o acesso ao prazer jamais é coisa fácil. Cheguei ao hotel exausto, suando, o coração aos pulos, excitado como uma fera sem fêmea em época de acasalamento.

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