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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

A Odisséia de Aninha (folhetim, episódio XXV)

25. No Luxo do Lixo

Em trinta dias, o que era uma linda butique idealizada pela sonhadora Stéphanie para a juventude dourada que frequenta a região dos Lagos transformou-se a antecâmara de um próspero comércio do sexo. Animado com o movimento, Rômulo cessou de fazer perguntas e sobre a presença e atuação dos "estagiários" que aparecem de dois em dois dias e usufrui dos ganhos da sua namorada com dispendiosos programas noturnos que se estendem da quarta ao sábado. Boa aluna, a clientela já aprendeu que se quiser ampliar seu leque de diversões após um atendimento personalizado dos mais estimulantes, Aninha tem boas dicas. Mirela liga diariamente para combinar a hora da entrega do cheque pelo motoboy, sempre no mesmo bar de pastéis e caldo de cana. Aninha estima que dentro em muito breve poderá alugar seu primeiro apartamento sozinha. O clima é de euforia. Para celebrar o primeiro mês de colaboração e os cinco mil reais que Aninha acumulou em comissões por cada cliente que ela indica à sua agência, Mirela convida a sua mais nova colaboradora para a festa anual que um dos donos oferecem em seu apartamento à beira-mar. Todos os modelos estarão presentes, diz ela, assim como os dois proprietários e muita gente importante. É uma excelente ocasião de fazer contatos. Aninha conta as horas, ansiosa pela chegada do sábado.

Vestida num caro e curtíssimo vestido branco colado ao corpo e livre de qualquer marca de calcinha, Aninha é recebida com sorrisos no espalhafatoso prédio que mistura cabofrienses emergentes e veranistas habituais, os últimos já ausentes. Mirela está no térreo esperando por ela, para apresentá-la pessoalmente ao seu patrão. Chegando ao apartamento, numa cobertura do quinto andar, ela leva Aninha até a janela, onde um grupo conversa animadamente.
- Norberto, essa é a moça que eu queria te apresentar, a Ana.
- Ah, muito prazer, diz o homem de cerca de 45 anos, alto e de feições regulares, curvando-se para dar dois beijinhos em Aninha, que retribui efusivamente.

O homem de negócios habituado a essa vida social de rotina, dono de hotéis e inventor do sistema de colaboração entre butiques e agências de sexo, vê Aninha como mais uma que ele levaria eventualmente para a cama por uma noite. Ela lhe parece bonita com seus longos cabelos negros e os seios e bunda perfeitamente proporcionais ao resto do corpo, coisa que ele considera bastante rara. Eles conversam um pouco e ele promete procurá-la ao longo da noite para falar de negócios, em seguida manda-a ir divertir-se e lhe dá as costas para voltar ao seu grupo. Aninha vaga pelos dois salões repletos de convidados, admirada com a beleza de alguns dos modelos e sentindo-se perfeitamente vestida para a ocasião, exceto talvez pela falta de jóias, que ela ainda não pôde comprar. Ela não precisa do seu sexto sentido para perceber que a atmosfera já está carregada de erotismo. Alguns homens em grupos de conhecidos conversam com a mão tranquilamente pousada abaixo da cintura de suas acompanhantes e nada é mais óbvio do que a consciência de algumas das mulheres de que todos olham para os seus seios expostos nos vestidos superdecotados. Nos sofás e poltronas, é nítido que algumas delas esperam o momento estratégico para cruzar ou descruzar as pernas diante de alvos masculinos específicos.

Caminhando por um longo corredor em busca de um banheiro, onde ela resolve ir mais por curiosidade que outra coisa, Aninha descobre que a festa está muito mais avançada do que ela supunha. Cinco portas entreabertas deixam ver as camas com casais ou trios entregues aos mais variados exercícios sensuais. A sexta porta se abre e dois rapazes saem rindo, passando indiferentes por Aninha. É um banheiro. Ela entra, mas logo toma um susto: um homem completamente nu e gravata borboleta, dono de um membro descomunal, cumprimenta-a com um amplo sorriso.
- Esteja à vontade!
- B-bom… vou tentar! responde ela, achando graça. Você vai ficar aqui?
- Eu fico no banheiro. Estou aqui para realizar suas fantasias.
- Ah, é por isso que os dois meninos saíram rindo?
- É sim, acabei de deixar os dois muito satisfeitos.
- Haha! Que idéia boa!

Aninha se aproxima do vaso, suspende o vestido e se senta, sem parar de olhar para o sujeito, um homem de uns trinta anos, de boa aparência e completamente à vontade, recostado no longo móvel com duas pias.
- Você tem algum desejo?
- Sei lá... eu... responde ela, ainda estranhando.
- Posso sugerir? Chupar fazendo xixi é ótimo.
- Haha! Eu topo, então.

O homem se aproxima e lhe diz para levá-lo á ereção com a boca. O monstro de mais de vinte centímetros cresce e incha tanto que a cabeça mal passa entre os lábios de Aninha, mas ela o saboreia e chupa com mestria, proporcionando um certo prazer ao profissional que àquela altura já teve alguns orgasmos. Ela comprova que é relaxante fazer xixi enquanto tenta tragar a tora o quanto pode, sentindo-se esvaziar até a última gota. Quando ela faz que vai pegar papel higiênico, o homem a detém e diz que isso é tarefa sua. Ele destaca algumas folhas, dobra e apõe sobre a vagina de Aninha, deixando-as absorver a umidade. Em seguida, ele lhe mostra um spray, que ela aprova, atomiza-lhe a pélvis, ajuda-a a sair do vaso e dá a descarga.
- Obrigada! Quero aproveitar para fazer uma pergunta, diz ela, baixando o vestido e alisando-o.
- Pode perguntar!
- As mulheres estão todas sem calcinha?
- A maioria que está de vestido curto e justo como o seu, sim.
- É, imaginei. São depiladas? diz ela, já lavando as mãos.
- Quase todas, com exceção de algumas estrangeiras. Aliás, os homens também.
- Eu gosto, é mais limpo.
- Você tem uma buceta muito bonita; bem lisa, nada sobrando, só o risquinho. E agora está fresquinha e perfumada! Parabéns!
- E você tem o maior pau que já toquei. Parabéns também!
- Volte quando quiser. Se eu enjoar, vai ter outra pessoa aqui, mas será como eu.
- Vou voltar, claro. Só não é certo que eu faça alguma coisa com ele.
- Você é quem manda! Tchau.
- Tchau.

Aninha sai do banheiro sorrindo como os dois rapazes que ela viu antes dela e congratulando-se por pertencer a um setor em que o sexo se torna tão banal quanto fazer xixi. O corredor está mais movimentado; há grupinhos parados em algumas portas abertas parecendo observar com interesse. Ela se aproxima de uma delas e insinuando-se entre três ou quatro cabeças, avista na cama dois rapazes presenteando uma jovem com uma dupla penetração e desincumbindo-se muito bem da tarefa de fazer isso para uma platéia.
- É a primeira DP da Priscila! diz o homem ao seu lado, acabando de enxugar o membro num lenço onde ele claramente acaba de deixar o produto do seu orgasmo.
- Sério? Corajosa! exclama Aninha, dividida entre a cena na cama e o seu vizinho.

Aninha assiste um pouco mais e volta aos salões para comer e beber alguma coisa. Numa rodinha de amigos, logo à entrada, uma jovem de vestido vermelho arregaçado até a cintura é o centro de atração; todos querem ver as tatuagens que lhe cobrem as pernas, as coxas e a bunda, como um collant. Na diagonal oposta, a mesma cena acontece, mas com um rapaz no centro da roda, tatuado da cintura ao pescoço. Aninha se dá conta de que são atrações contratadas para a festa, assim como o homem no banheiro e muito provavelmente os dois rapazes divertindo a jovem convidada no quarto. Os presentes se comportam relativamente bem e não há sinal de que a coisa vá degenerar.

Aproximando-se do buffet, Aninha avista um garçon que lhe oferece um pratinho com canapés e lhe pergunta o que vai beber, indicando vinhos, champanhe, cerveja, sucos e refrigerantes. Antes de abrir a boca, ela recebe do homem ao seu lado uma taça tradicional de champanhe. Aninha reconhece imediatamente o anfitrião.
- Não me esqueceu, espero! brinca ele, todo bem-humorado.
- Não, não! Norberto, não é isso?
- Exatamente! Boa memória.
- Ah, isso eu tenho mesmo!
- E então? Satisfeita de ser nossa colaboradora?
- Tive medo no início, mas estou muito satisfeita, sim.
- Medo?
- É, medo, mas deixa para lá, não vamos falar do lado "pesado".
- Está bem, Ana, mas você tem que entender que para remunerar tão bem, o nosso trabalho acontece do outro lado da lei, então todo o cuidado é pouco.
- Eu sei, eu sei, agora está tudo bem, estou acostumando.

Norberto pega uma garrafa de champanhe e leva Aninha até duas poltronas, onde conversa longamente com ela, mostrando-se muito interessado na butique Conchas e Crustáceos. Não há dúvida de que ele faria uma oferta de compra ali mesmo, se ela fosse a proprietária. Percebendo perfeitamente o seu grau de ambição, ele investe na conversação, muda de assunto várias vezes, fala de amenidades, brinda com ela ao sucesso, em suma, vai deixando-a descontraída, servindo-lhe champanhe e fazendo-a sentir-se importante por receber tanta atenção do patrão. Aninha está ligeiramente alta, mas sente-se bem e feliz. A certa altura, ele pega o telefone e fala rapidamente.
- Estou indo, ok? Chego daqui a uns cinco minutos. Tchau.

Ele desliga e se volta para Aninha.
- Quero te levar para ver uma coisa, Ana.
- O quê?
- É surpresa. Você confia em mim?
- Claro! ela responde, afastando o copo dos lábios.
- Ótimo! Então vamos.


Ele conduz Aninha até outro corredor do apartamento e entra num cômodo fechado à chave onde uma escada helicoidal leva a um cômodo idêntico no andar inferior. Quando ele abre essa segunda porta, Aninha ouve a música, que lhe parece ser de outra festa, mas nem de longe é capaz de imaginar o que realmente se desenrola no primeiro andar da cobertura do seu misterioso patrão.

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