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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

A Odisséia de Aninha (folhetim, episódio XXIII)

23. Contágio

Duas semanas inteiras se passaram e graças ao tratamento privilegiado dispensado em noites ardentes ao seu namoradinho de boa família, Aninha não precisou alterar sequer de um fio de cabelo o seu modo de gerenciar a Conchas e Crustáceos. Em apenas quinze dias, o boca-a-boca fez com que a clientela refinada fosse substituída por frequentadores ávidos de emoções menos sutis cujo objetivo maior é ser atendidos por vendedores seminus que eventualmente concedem favores extraordinários. Aninha se sente em seu ambiente enquanto Rômulo faz de tudo para se abstrair da nova atmosfera carregada de olhares, cochichos e comentários inconvenientes.
- Quero que o meu namorado "fica" assim como você nessa sunguinha, gato! diz uma criatura de longas unhas rubras a um Rômulo que tenta ficar invisível diante do seu olhar devorador.
- Se ele for alto e magro, vai ficar, responde o rapaz, lacônico.
- Nossa, ele é um filé! intervém a amiga loura de voz imatura vestida num short branco que quer dividi-la em duas, dando um tapinha na mão do Rômulo e aproveitando para escanear seu corpo pela décima vez com os olhos.
- Precisando de ajuda? pergunta Aninha, parando ao lado dele.
- Não, mas você pode terminar para mim, se quiser. Assim eu atendo aquele cliente, ali, que está parecendo meio perdido, responde Rômulo, feliz por desvencilhar-se.

Aninha pergunta à interessada se é tudo e recebe uma enxurrada de perguntas, vindo a descobrir que a compra da sunga era mero pretexto e que ela não vai levar absolutamente nada.
- Querida, eu tenho uma proposta a fazer.
- Uma proposta? Sobre o quê?
- Olha, não leva a mal o que vou te dizer, mas essa loja está dando o que falar por aqui e a gente está sabendo que o negócio vai indo muito bem.
- É, mas não estou entendendo esse papo, responde Aninha visivelmente intrigada.
- Deixa eu te falar. Eu tenho uma agência de modelos e queria te propor de trabalhar junto com vocês.
- Usando as nossas roupas e acessórios em desfiles?
- Não é bem isso, querida, mas você pode tirar muito, mas muito dinheiro mesmo.

Muito curiosa e vendo que a mulher está reticente para desenvolver mais o assunto, Aninha pergunta a Rômulo se ele pode ficar por uns minutos sozinho e, sem que ele perceba,  sobe com a cliente até o pequeno estoque, onde há uma mesa e duas cadeiras. A jovem mulher abre o jogo.
- Seu nome é Ana, não é?
- É.
- Ana, foi um amigo meu que me falou de você. Ele veio aqui comprar sungas e foi você que atendeu.
- Sei...
- Você deve se lembrar dele, um moreno boinito de cabelo preto muito brilhante, com cara de peruano.

Aninha não precisa se esforçar para se lembrar do rapaz dotado que usava cueca fio-dental a quem ela deu um atendimento mais que personalizado, mas nada deixa transparecer.
- Pode ser, mas não tenho certeza; é tanta gente que entra para compar sungas!
- Pois é, querida, mas ele me disse que foi super bem atendido, e é só olhar para você para ver que só pode ter sido mesmo! Mas olha, eu vou ser direta para não roubar o teu tempo. Eu queria que você fizesse propaganda da minha agência aqui, com os clientes. Nós temos um atendimento ótimo, personalizado e na casa do cliente. Nossos modelos são todos assim, como você e o Rômulo, e são profissionais mesmo. Sair com eles é garantia de satisfação.
- Mas isso aqui é uma loja; não posso fazer propaganda de agência de sexo.
- Eu sei, querida, mas você não está entendendo. O que você faz aqui é proibido, então a gente pode se ajudar, o que você acha?
- Você está me chantageando?
- Não é isso, meu bem, mas você sabe que pode colaborar.
- Você sabe que a loja não é minha.
- Claro que sei. Quem não conhece a francesa? Mas aposto que ela não sabe nada do que vocês fazem nos vestiários. Meu amigo disse que nunca vai esquecer do que você fez nele. E - que chato, não é? -, o irmão dele trabalha na polícia.
- Você está me deixando nervosa. Me diz o que você quer que eu faça e eu te digo se é possível ou não.
- É facílimo, meu amor. Você só vai ter que "caprichar" no atendimento e vai dizer para os clientes que se quiserem muito mais, sempre e melhor, você tem a dica da hora.
- Ah, "só" isso? retruca Aninha, sarcástica.
- Mais ou menos, querida. Só tem mais uma coisinha. De vez em quando, eu quero que um dos nossos modelos – temos rapazes e moças – passem um dia com vocês. A idéia é ter um outro local de divulgação, entende, e também dar uma olhadinha para ver se está tudo indo bem por aqui.
- Para vigiar, você quer dizer?
- Não olha por esse lado, amor! É que se a gente trabalhar junto, eu tenho que ter algum controle, não é mesmo? E eu quero que eles atendam quando você achar que algum cliente quer um servicinho extra, percebe? Pensa positivo, querida! Isso vai até aliviar você.
- E eu lá tenho escolha?
- É, amor, não tem, diz a outra com voz lânguida, ajeitando o cabelo comprido.
- Olha, durante duas ou três semanas eu até posso ter gente de vocês aqui, mas quando a dona chegar, vai ser impossível.
- Até lá a gente vê isso, querida. Vamos falar do presente. Você sabe quanto pode ganhar se aceitar?

O número soa astronômico aos ouvidos de Aninha, que imediatamente se imagina comprando carro e alugando sozinha um apartamento grande. A proposta é tão sedutora que ela toma a decisão ali mesmo.
- Eu topo, mas me dá uns dias antes de mandar o primeiro modelo para cá, está bem? Vou precisar preparar o Rômulo e ainda não sei como.
- Olha querida, sem querer interferir na sua vida, nós podemos dar um jeitinho para o Rômulo não atrapalhar. Você gosta muito dele?
- Ele é meu namorado!
- Ah tá, então a gente pensa em outra coisa. Mas assim você já fica sabendo que o nosso esquema prevê tudo para tirar os problemas do caminho, tá, meu bem?

O medo se apodera de Aninha assim que ela entende que está diante da representante de uma gang organizada. Ela não pode recuar e agora tem motivos para temer pela própria vida.
- Olha, você me diz o que eu tenho que dizer aos clientes e fica tudo bem, pode ficar tranquila, diz ela conformada.
- Assim é que se fala! Já vi que você é uma menina ambiciosa que quer ir longe.

A mulher passa então à Aninha o endereço eletrônico, links de sites e telefones da agência exclusivamente virtual a serem transmitidos aos clientes. Ela se despede recomendando que Aninha comece o mais rápido possível. De volta à loja, Aninha tenta desesperadamente pensar nos ganhos para combater a tremedeira, mas ela está lívida e Rômulo percebe assim que a vê.
- O que foi, Aninha? Está se sentindo mal?
- Foi só um enjôo, por isso fui lá para cima. Ainda estou "meia" tonta,mas vai passar
- Quer ir embora? Falta pouco para fechar, posso tomar conta de tudo.
- Não, não, está tudo bem.
- Não vai me dizer que está gravida! diz ele, brincando.
- Isola! retruca ela, batendo na madeira.

Aninha está tão ansiosa que começa imediatamente a procurar dentre os clientes da butique algum que poderia ser a primeira "vítima". Pela primeira vez, ela constata com pesar que a clientela mudou, reconhece sua responsabilidade, mas é isso que lhe permitirá sobreviver. Ela não demora a encontrar um homem de cerca de quarenta anos, robusto, que não tira os olhos do seu corpo.
- Oi, precisa de ajuda?
- Estou procurando uma camiseta para o meu filho, mas vocês têm tantas!

Aninha o ajuda a escolher, mas essa compra não vai levá-lo ao vestiário, então ela aproveita de sua satisfação para propor alguns artigos. Ele acaba encontrando uma bermuda que o agrada e ela o acompanha até o corredor das cabines fazendo-o entrar na do fundo, fechando a cortina e ficando de fora.
- Como você não trouxe a esposa, eu posso dizer se ficou bom, está bem?
- Claro, minha linda! É um prazer ser atendido por uma deusa! exclama o homem, excitado com a companhia da vendedora de biquíni.

Quando ele abre a cortina, seu olhar se pousa lascivamente sobre o corpo de Aninha, que aprova a peça de roupa com indiferença, aproximando-se e ajustando-a na sua cintura, puxando-a para testar o grau de aperto.
- Ficou boa e esse é o seu número.
- Achou mesmo, minha linda? Você sairia com um cara vestido nela?
- Claro, principalmente um cara charmoso como você, finge ela, escondendo perfeitamente a contrariedade.
- Nossa, assim você me deixa sem jeito, princesa! retruca ele, acariciando de cima a baixo o braço de Aninha e ficando com sua mão na dele.
- Se a sua esposa visse isso… sussurra Aninha, fazendo-se de conquistada.

O homem leva a mão dela até a bermuda, fazendo-a sentir seu sexo que já pulsa forte dentro dela. Aninha sente um alívio, começando a acreditar que talvez não tenha sido tão arriscado assim associar-se com a mulher da agência. Ela conhece os gestos e as atitudes a tomar diante de um homem; isso é natural nela. Bem mais alto, ele a envolve em seus braços apanhando sua bunda com duas mãos grandes e abertas enquanto a puxa para si e se esfrega nela, beijando seu pescoço. Aninha presta atenção aos ruídos externos. Uma das cabines está ocupada, mas não há sinal do Rômulo. Agarrado a ela, seu cliente parece pronto a tudo. Ela abre os botões da bermuda nova e apalpa a cueca por fora para avaliar as possibilidades. Ela precisa agir rápido, não há tempo para grandes preliminares e ele certamente quer tudo que ela possa oferecer. Ela então o empurra para o fundo da cabine, fecha bem a cortina e, chegando a calcinha para o lado cola-se nele envolvendo-o com uma perna nas suas. Experiente, ele a penetra fundo e de uma vez só fazendo-a fincar os dentes em seu ombro para não gritar. As estocadas se sucedem, fortíssimas e rápidas, incessantes, até o orgasmo. Seu membro é de comprimento normal, com cerca de dezesseis centímetros, mas é grosso, estima Aninha, sentindo a borda da glande a cada reentrada. O homem ejacula até o fim dentro dela, apertando um dos seus seios que escapole do sutiã e tentando em vão beijá-la na boca. Tudo se passa no maior silêncio. Ele se veste enquanto ela se recompõe, aplicando um lenço de papel estrategicamente entre os lábios da vagina molhada para que o esperma não molhe a calcinha ao voltar. Para sorte sua, Stéphanie teve a brilhante idéia de deixar sempre uma caixa de lenços de papel para eventuais necessidades.

Quando o homem se prepara para sair, Aninha o detém e pergunta se ele tem algo para escrever. Ele lhe dá uma notinha de caixa e uma caneta, certamente acreditando que vai poder manter contato com ela. No verso da nota, ela escreve um a url de um site e um endereço eletrônico.
- Que é isso, gata?
- Qual é o seu nome mesmo? Pergunta Aninha, sorrindo.
- Jorge.
- Jorge, você gostou do que a gente fez?
- Adorei, gata! Por mim eu…
- Então olha, entra no site deles que você vai adorar. Tem meninas assim, como eu e você faz tão bem que elas vão brigar por você.
- Sério, minha linda?
- Juro! Mas entra mesmo no site, viu? Promete?
- Por você eu faço tudo! Exclama o tolo, procurando mais uma vez beijá-la na boca e recebendo o rosto, mas conseguindo encaixar a mão uma última vez entre suas coxas.

O homem sai carregando a bermuda seguido por Aninha, que vasculha seu próprio corpo em busca do menor vestígio capaz denunciá-la. Antes de surgir do corredor dos vestiários, ela inspira profundamente e sopra para acalmar-se; em seguida, vai até o caixa concluir a venda da bermuda. O homem é todo sorrisos, falando alto e prometendo não só voltar como fazer propaganda da loja. Aninha corre ao banheiro para lavar-se e trocar de biquíni. Mentalmente exausta, ela passa o resto do dia dedicada a vendas "normais", mas com a cabeça a mil por hora, imaginando o que terá que fazer para desencumbir-se da nova tarefa, para abordar o assunto com Rômulo e para evitar que Stéphanie descubra o "esquema" quando voltar. À noite, no quarto, Rômulo quer tudo, mas Aninha só é capaz de lhe dar o mínimo.

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