Seja bem-vindo!

Caro Visitante,

Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

Os botões "Índice" e "Resumos" propiciam acesso fácil aos textos e uma visão global do conteúdo do blogue.

Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

A Odisséia de Aninha (folhetim, episódio XXIV)

24. Infecção

Para alívio de Aninha, o resto da semana se passou sem incidentes nem surpresas, o que a motivou não só a manter em segredo o seu acordo com a mulher vulgar das longas unhas vermelhas, limitando-se a transmitir discretamente a alguns clientes as informações sobre a agência de "modelos", como também a evitar o atendimento por demais próximo, que começou a causar-lhe asco depois que virou obrigação. Tudo parecia ter voltado ao normal até a segunda-feira à tarde, quando o seu celular toca.
- Olá, querida, é a Mirela, da agência "Rapiauer" (o nome é Happy Hour).
- Ah… Oi... responde Aninha, empalidecendo.
- Estou te ligando para dar os parabéns, amor. Um cliente de vocês entrou em contato com a gente pedindo uma modelo e gastou um dinheirão no fim de semana. Você quer que eu deposite a sua comissão ou prefere acumular um pouco?

Aninha se anima toda, as cores voltam ao seu rosto e ela respira profundamente o ar da vitória, banindo todos os maus pressentimentos. Afinal, era a decisão certa a tomar, pensa ela, mal cabendo em si de felicidade.
- Ai, Mirela, acho que eu vou querer o dinheiro logo. Estou tão feliz que vou até festejar!
- Ótimo, menina! Isso mesmo! Então vou mandar o garoto aí entregar o cheque, está bem?
- Mirela, tem jeito de ser em outro lugar? A gente combina uma hora.
- Claro, é só dizer.

Na hora do lanche, Aninha vai até a banal lanchonete de pastéis e caldo de cana a duas quadras da Conchas e Crustáceos e minutos depois, um menino chega de Honda 125 e vai sem hesitar até ela entregar-lhe um envelope do tamanho de uma carta comum. Dentro dele, um cheque de duzentos reais e, para seu maior espanto, um recibo perfeitamente legal, no qual consta que ela desfilou para a agência de modelos Happy Hour. Na volta para a loja, os sonhos pululam na cabeça de Aninha. Para seu espanto e alívio, no mesmo dia Stéphanie liga para a butique e informa Aninha de que vai prolongar sua estada na França. É seu dia de sorte, Aninha está esfuziante. Até o fim do dia, ela atende os clientes com um sorriso de orelha a orelha e não poupa pequenos toques e uma proximidade que os deixa completamente magnetizados pelo seu lindo corpo. O último cliente, um alemão que mora na cidade há vários anos vai embora tão satisfeito que se compromete a ligar para a agência no mesmo dia.

Na quarta-feira da terceira semana de ausência de Stéphanie, quando Aninha e Rômulo vão chegando à Conchas e Crustáceos, um dos clientes que estão esperando, muito alto e de ótima aparência, a aborda.
- Você é a Ana, não é? Meu nome é Fabrício, da agência Happy Hour.
- Ah… euh… oi.

Aninha fica sem ação. Rômulo está parado com ar interrogativo e o modelo parece totalmente à vontade, como se todas as butiques da cidade se associassem a agências de acompanhantes. Raciocinando a mil por hora, ela abre a loja e cochicha ao rapaz "Se perguntarem, você está aqui para um estágio, está bem?" Ele aquiesce e ela vai até Rômulo, que já está escolhendo a sunga que vai por de manhã.
- Depois eu te explico melhor, mas uma agência de modelos entrou em contato com a gente e quer que eles estagiem aqui.
- Você pediu autorização à Steph?
- Não precisa, ela não vai nem saber.
- Claro que vai, Ana! A cidade é minúscula.
- Deixa isso comigo, está bem? Vai mudar de roupa que eu cuido do modelo.
- Você é que sabe; já nem falo mais nada.

Esbaforida, ela pega um maiô para ela, escolhe uma sunga para o modelo e puxando-o pelo pulso, leva-o para o banheiro, onde ela fala enquanto vai mudando de roupa.
- Fabrício, aqui a gente trabalha de roupa de banho, você sabe, não é?
- Sei sim; já vim aqui. O que você quer que eu faça? Tenho experiência em vendas.
- Ótimo. Você vai olhar a loja para conhecer os produtos e pode trazer os clientes até as cabines para experimentar, mas o Rômulo ou eu concluímos as vendas, está bem?
- Tudo bem.
- Outra coisa: quero que você seja super discreto para fazer propaganda da agência. Não quero ouvir zumzum de clientes sobre isso, entendeu?
- Claro. Eu já faço isso para a Mirela há um tempão.

À vontade com o rapaz habituado a se vestir e despir em presença de outros, Aninha veste o maiô sem deixar de contemplar o corpo perfeito do modelo. Magro, muito moreno, o cabelo farto e sedoso, um sorriso sereno revelando dentes impecáveis, Fabrício tem tudo para agradar a clientela. Quando ele tira a cueca e se prepara para pôr a sunga colorida da loja, Aninha não tem mais dúvida de que seu dia será proveitoso.
- Só mais uma coisinha. Se acontecer de algum cliente querer "algo mais" aqui mesmo, você sabe fazer a coisa no silêncio total, não é?
- Relaxa, Ana. Eu sei que tem que ser sigiloso.
- Bom, vou confiar em você.

Já de maiô, mas com os seios ainda descobertos, ela se aproxima e empunha o longo membro de Fabrício para deixá-lo cheio e ligeiramente armado. Em seguida, ela ajusta a sunga, ajeitando-o atravessado nela. O rapaz sorri, afagando-lhe um seio e dando uma piscadela conivente que a relaxa. Ela lhe dá as últimas instruções e ambos vão para a loja iniciar o dia de trabalho.

Não há dúvida de que um terceiro vendedor torna a butique ainda mais atraente. No começo da tarde, o movimento é grande; Aninha tem a impressão de que as clientes se encarregaram de espalhar a novidade. Os dois corpos masculinos seminus agradam tanto que o trânsito até as cabines é incessante ao ponto de haver fila de espera. As jovens clientes não se acanham em aparecer segurando a parte de cima do biquíni com as mãos ou virar de costas para pedir opiniões específicas sobre o efeito visual da calcinha entre as nádegas. Rômulo mantém a distância profissional, enquanto Fabrício se deixa levar ao limite da intimidade e visa especificamente a clientela que parece ter o poder aquisitivo requerido a quem entra em contato com a sua agência. Por volta das 16h, uma mulher de cerca de trinta e cinco anos, pouco mais ou menos o chama.
- Ai, não estou conseguindo me decidir. Preciso comprar uma sunga para o meu filho. Esta ou esta? Ele é bem mais novo que você, mas vocês se parecem e ele tem o teu corpo.
- Bom, eu gosto desta, diz ele, tocando na sunga estampada em tons amarelos, laranja e vermelho.
- É, acho que ele poderia gostar também, mas olhando assim, na mão, não consigo saber se vai ficar boa. Você me faria o favor de experimentar as duas para eu ver?
- Com todo prazer! responde o rapaz, todo afável, já pegando as sungas e convidando-a a ir até o corredor dos provadores e esperar por ele no sofá enquanto ele veste a primeira.

Quando Fabrício surge no corredor, chamando a cliente, ela abre um sorriso. Ele a convida a entrar com ele na cabine para estarem mais à vontade e diante de espelhos.
- Estou até vendo o meu filho! Ficou ótima! Bundinhas iguais, diz ela, olhando pelo espelho e dando um risinho. Quando eu penso que ontem ele era um garotinho que batia no meu ombro e hoje eu é que mal chego ao queixo dele…
- Gostou então? Quer que eu experimente a outra?
- Claro! Mas não quero sair. Você se importar de se trocar na minha frente?
- Não, tudo bem, responde o rapaz calmamente, já baixando a sunga e pegando a outra, que ela lhe estende com a mão.
- Como vocês se desenvolvem, hoje em dia! se admira ela, olhando diretamente para o membro longo e descoberto, balançando entre as coxas.
- Acha mesmo? Era diferente, no seu tempo? Não estou chamando você de velha, ouviu? Acho você supergata.

De fato, a mulher, muito bonita e bem maquiada, está vestida à moda litorânea, mas com gosto, com um short de linho que revela pernas lisas e bem feitas, uma blusa branca, decotada e acessórios artesanais de couro, sementes e cobre.
- Ah, hoje em dia, a criançada fica enorme! Meus irmãos são todos um pouco maiores que eu, mas meus três filhos têm mais de 1,80m.
- É, eu cresci bem, também; cheguei a 1,85 com 17 anos e estou com 20.
- Vai aos 2m, então! Exclama ela, contemplando-o na segunda sunga.

Fabrício se sente como um filho, mas, experiente, acredita que a cliente pode ser "trabalhada". De frente para ela de pernas entreabertas, exibindo-se profissionalmente, ele a deixa livre para olhá-lo e usá-lo como manequim.
- Não tenho certeza absoluta, mas essas sungas me parecem um pouco mais curtas que as do meu filho, e se forem, as famosas "marquinhas" vão aparecer nas coxas, diz ela, tocando numa das bocas da sunga.
- Ah sim, mas ele pode logo tomar sol que a marca some.
- Como é que você não tem marca?
- É que eu uso sunguinha, menor ainda que essa.
- Sério? Ainda se usam essas pequenininhas?
- Algumas pessoas gostam. Como eu sou modelo, uso.
- Você é modelo?
- Sou, trabalho para uma agência.
- Ah é? Vou poder ver você desfilar, então! diz ela, brincalhona. Mas falando sério, me mostra a sua marquinha.

Em vez de subir as bocas da sunga, Fabricio aproveita a "deixa" para baixá-la até o meio das coxas.
- Está vendo? A marca fica no alto das coxas, quase na altura do…
- É mesmo! Igualzinho à sunguinha do Gabeira! interrompe ela, rido.
- Quem?
- Ah, deixa para lá. Ele nem é do meu tempo, mas meu irmão mais velho falava muito dele. Ele ia para Ipanema com uma sunguinha de crochê ínfima, estreitinha dos lados. Mas ele era muito magro, não tinha esse corpo que você tem.
- É, quando eu ponho, fica aquela bola enorme na frente, faz ele apontando para o próprio membro.
- É indecente, não acha?
- Um pouco, mas ninguém se queixou até hoje, então eu uso.
- É, o do meu filho também deve estar enchendo uma sunga, diz ela, pondo a mão no elástico como se para tornar a subi-lo.

Nesse momento, Fabrício pega a sua mão e a pousa diretamente em seu membro, olhando-a fixamente nos olhos. A mulher se assusta, faz que vai tirar a mão, mas ao senti-lo grosso e começando a armar-se, se detém para olhá-lo. É grande, longo, bem feito, limpo… e não é o do seu filho.
- Você pode sair daqui? pergunta ela?
- Quando você quiser, responde ele, sorridente.

À guisa de "sinal", a bela balzaquiana se curva, abocanha o membro de Fabrício e dá duas ou três chupadas nele sem lhe dar tempo de endurecer. Em seguida, ela pega sua bolsa e as sungas, e sai do vestiário para pagá-las dizendo-lhe onde seu carro está estacionado. Fabrício dispara ao banheiro, se veste e sai da loja despedindo-se de Aninha, dizendo que vai atender uma cliente e avisando que o próximo ou próxima modelo a vir não deverá ser ele. Rômulo observa discretamente toda essa movimentação, fica intrigado, mas nem suspeita da verdadeira trama por trás do aparente "estágio" para modelos. Aninha respira aliviada por ver sua loja voltar um pouco ao normal e intimamente exulta, impaciente com a próxima entrega do motoboy.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Eu gostaria de receber um parecer seu. Obrigado!