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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

Longe Demais

Rio de Janeiro, 7 de março de 2014

Só hoje estou me sentindo forte para escrever o que fiz. Foi uma loucura que não posso deixar de registrar e divulgar, para que saibam até onde a vontade de prazer pode levar.

Sou reservado, levo minha vida sexual com bastante discrição, mas faz tempo que optei pelo homossexualismo. Prefiro relacionamentos menos afetivos e mais "pele", geralmente com pessoas de fora do Rio; sinto que isso me dá liberdade. Tenho 23 anos, ainda moro com meus pais, mas não quero de modo algum perder a mínima oportunidade de ter experiências interessantes, e esta que me aconteceu extrapolou todas as minhas fantasias mais loucas e ainda ignoro as consequências que ela vai ter para a minha vida.

Quarta feira passada, há exatamente uma semana, fui à padaria às 6h30 da manhã porque me deu vontade de comer pão francês quentinho no café. Fui passando pelas lojas fechadas, olhando para o trânsito e para o céu azul, reparando nas pessoas que correm, nas que andam de bicicleta, nas que saem com seus cachorros e nos mendigos dormindo junto às grades das galerias. A população matinal tem sua peculiaridade, um ar bem disposto e alegre que falta à gente da tarde e da noite. Não me espantaria nada ver as pessoas se cumprimentarem na rua, de manhã cedo, como dizem que se fazia antigamente.

Quase ao chegar à esquina onde fica a padaria, passei por um grupo de pivetes amontoados uns sobre os outros e dormindo profundamente. Parcialmente atravessado sobre um outro, um deles, que me pareceu ter quase a minha idade ou pouco menos, chamou-me a atenção pelo fato de estar com o zíper da calça aberto. Isso fez disparar minha imaginação que pôs-se imediatamente a construir uma fantasia extremamente erótica, associando a postura dele, as olheiras em seu rosto e seu contato físico tão promíscuo com os demais à exaustão que se teria seguido a uma intensa atividade sexual na véspera.

Na padaria, decidi esperar por uma nova fornada para conseguir pão quentinho. Quando saí, cerca de 15 minutos depois, percebi movimento no bolo humano que eu vira há pouco. Reduzi o passo e pude perceber que o rapaz que me chamara a atenção, agora de bruços sobre um outro e com a calça baixada até o meio da bunda, fazia vigorosos movimentos de cintura. Com sua cabeça raspada, ele forçava a do outro para baixo, enquanto com um braço lhe aplicava uma chave de pescoço. O outro, bem mais jovem, debatia-se inutlmente, tentando erguer a cabeça para protestar, mas só se ouviam seus gritos abafados pelo tecido imundo da roupa de um terceiro - adormecido ou derrubado pelo excesso de cola -, que ele mordia com toda a força.

Quando eu estava para passar bem ao lado deles, o dominador ergueu a cabeça e encarou-me com o olhar mais agressivo que eu jamais vira. E, para espanto meu, o outro, vendo-se mais livre, também virou-se e lançou-me um olhar, mas um olhar debochado que fez-me acelerar o passo e afastar-me sem sentir um pingo de piedade. Cheguei em casa com a cabeça a mil por hora. A cena e as expressões daqueles dois não se apagavam das minhas retinas. Preparei meu café e comecei a comer de pé, na cozinha mesmo, mas logo percebi que estava não só transtornado como inexplicavelmente excitado.

Quando desci para ir trabalhar - faço estágio numa empresa de engenharia civil -, tornei a passar pela galeria, mas ela já estava aberta e o rapaz que me lançara o olhar agressivo estava de pé, sozinho, encostado numa das colunas, com meias mãos nos bolsos. Ele tinha fechado o zíper da jeans imunda, mas o botão de cima não existia e deixava ver a fileira de pelos que subia até o umbigo. A camisa aberta revelava uma faixa de barriga e peito, ambos planos, onde notei pequenas marcas e cicatrizes aqui e ali, provavelmente resultantes de cortes a canivete e queimaduras de ponta de cigarro. A cabeça raspada acentuava os traços e, sob os olhos, desciam profundas olheiras azuladas, certamente oriundas da droga barata e das mal-dormidas noites e orgias de calçada. Ele me olhou pela segunda vez e pude perceber que me reconheceu. Quando passei (a meio metro dele) e minha visão periférica já não o incluía mais, pude ouvi-lo dizer, num cochicho zombado: "Eu espero!"

Não consegui fazer nada no estágio. Minhas pernas chegaram bambas, pedindo cadeira, minha concentração foi zero e meu desejo de não estar lá chegou a 100%. Mas os segundos viraram minutos, os minutos horas e as horas séculos. Quando enfim chegou a hora do almoço, o único desejo que eu tinha em mente era pegar o ônibus e voltar à minha rua. Eu precisava desesperadamente fazer coincidir a imagem que me assediava com a coisa real, nem que fosse para me certificar de que era verdade e não alucinação.

Ele não estava lá. Nem na porta da galeria, nem na calçada, nem na padaria. "Como eu sou burro!" pensei, vendo claramente que alguém como ele jamais ficaria parado o dia todo numa porta de galeria aberta. Nem me dei o trabalho de ficar tentando imaginar um lugar onde encontrá-lo; tomei o ônibus de volta e passei o resto do dia com fome porque não deu tempo de almoçar. O período da tarde foi um pouco mais produtivo, pude corrigir algumas besteiras que eu tinha feito de manhã, mas a opressão do tempo longo continuou opressora.

Quando passei novamente pela galeria, por volta das 6h da tarde, também não o vi. Fui para casa e, quase sem falar com ninguém, tomei um banho, fui para o quarto e botei um CD do The Verve. Quando começou This Could Be My Moment, não aguentei, me vesti de novo e fui para a rua, mandando o meu irmão dizer à minha mãe que eu não ia jantar em casa. Eu estava obcecado pela imagem do cara de expressão dura. Resolvi me sentar num murinho do outro lado da rua e ficar esperando. Por volta das 8h eles voltaram, ele e mais uns dois, mas não aquele que ele tinha penetrado descaradamente na calçada. Esperei alguns minutos e atravessei de volta.

Fui em direção à galeria, que tem três portas enormes, abertas até às nove da noite. Quando entrei, ouvi a mesma voz cochichada e sarcástica: "Não falei que ia te esperar, mané?" Logo entendi que ele tinha me visto do outro lado da rua. Continuei caminhando para o interior da galeria que possui lanchonetes, um cinema fajuto, lojas de terceira e que já trocara o borburinho do dia pelo movimento noturno. Sentei-me num dos bancos da lanchonete e pedi um caldo de cana, que fiquei tomando enquanto olhava sem ver o movimento escasso. Não demorou muito, o rapaz aproximou-se e me pediu para pagar um caldo de cana e um bolinho. Eu paguei, ele deu uma mordida no bolinho constituído de 90% de pasta branca, depois deu um gole no caldo de cana e ficou me olhando com uma expressão de dar medo, algo de pavorosamente hostil misturado àquele ar de deboche que eu vira no outro rapaz. Sem saber o que fazer, perguntei se o bolinho estava bom. Sem se virar, olhando-me obliquamente, ele respondeu: "Tu tá quereno dá p'a mim, né véi?"

Senti o rosto ferver e olhei para os lados para ver se alguém tinha ouvido aquilo. Não havia ninguém por perto e o servente meu conhecido estava fazendo faxina. Me lembro que a única coisa que consegui dizer foi: "Que é isso, cara!" Mas ele não titubeou e devolveu: "Quer ou não, mano? Vai ficar só de viadagem, passando e olhando pra mim?" Percebi que não fazia sentido retrucar e tentar me defender. Afinal, se eu tinha feito aquilo tudo, era por alguma razão. Não tinha cabimento desperdiçar o que "could be my moment", como diz a música! Respirei fundo e, assumindo plenamente o que eu sentia, respondi que eu não tinha lugar. Ele me deu as costas e foi saindo da galeria a passos rápidos. Fiquei olhando, até que ele se voltou e fez sinal com a cabeça. Obviamente comecei a segui-lo, mas de longe.

A rua paralela à da galeria é bem menor que ela e tem umas transversais estreitas, sinistras à noite. Algumas delas dão acesso ao morro que virou favela há algumas décadas e que agora tenta ser "comunidade". Logo descobri que estávamos indo para uma delas. Quando chegamos ao começo da subida, o marginal virou e disse que eu teria que pagar. Eu só tinha uns dez reais e o trocado da lanchonete. Ele então me olhou e declarou tranquilamente que eu buscaria mais, depois, se não quisesse virar peneira. Gelei, mas não estava mais em condições de avaliar nada e muito menos desistir. Estava me sentindo humilhado por não estar escolhendo nem decidindo mais nada. Eu perdera o controle da situação.

Estávamos num início de escadaria estreita, um dos tantos acessos a morros da cidade do Rio de Janeiro. Eu ia seguindo o cara, que subiu uns 50 degraus e entrou por uma trilha que desembocava, uns 30m adiante, num espaço de terra batida onde se viam latões de lixo velhos e enferrujados, alguns emborcados, outros não. Viam-se os fundos de edifícios do meu bairro. Um poste iluminava mal o chão e notava-se que o local só era freqüentado à noite por gente barra-pesada ou em circunstâncias como aquela em que eu me metera.

Assim que paramos, ele sentou-se num dos latões emborcados. Pude ver novamente o peito e a barriga magros por trás das bordas da camisa aberta. As sombras produzidas pela pouca luz tornavam aquele rosto abatido ainda mais agressivo. Sem dizer nada, ele abriu o zíper e baixou a calça até o meio das coxas. "Agora chupa!" ordenou ele, chegando para trás e deixando-me ver seu sexo longo e descoberto, mas ainda mole. Perguntei se eu podia colocar-lhe uma camisinha e ele assentiu, talvez mais por diversão do que por compreensão do meu asco. Assim que o peguei entre os dedos, ele tomou vida e, em dois tempos, encheu minha mão com um considerável volume; era amplo de cabeça e grosso de tronco. Coloquei o preservativo e assim que soltei o bico de látex, ouvi o comando impaciente, numa voz seca e hostil: "Chupa logo essa porra, viado!" Depois que o pus na boca, procurei não tocá-lo muito, mantendo as mãos na beira do latão. O cara parecia não sentir, acostumado a fazer sexo em bando toda noite. Tentei a todo custo manter-me calmo, não só para evitar irritá-lo, como também para tirar algum proveito daquela experiência louca, já que eu provocara o encontro. Em circunstâncias outras, o que eu tinha na boca seria digno de longos momentos de dedicação. Cheguei a arrancar uns gemidos e sibilos daquele cara tão endurecido pela vida e tão diferente de mim no que diz respeito à busca do prazer. Na verdade, ele grunhia, não gemia, enquanto eu percorria o seu membro tornando-o cada vez mais duro. Ele também não me tocava, limitando-se a impulsionar a pélvis, parecendo satisfeito com o desempenho da sua vítima.

Estávamos sozinhos ali, ninguém passava. Ele deve ter percebido isso e me fez passar pelo segundo momento de suplício: tive que tirar a roupa toda. Fiquei nu e ele vestido, ou quase. Por sorte, fui autorizado a ficar perto das minhas roupas. Quando voltei a chupá-lo, botei as mãos em suas coxas, quase sem movê-las, mas sentindo-as. Eram magras mas firmes, puro músculo, de tanto fugir, subir e descer morro, trepar... O pau dele estava duro como o ferro do latão em que eu me agarrava e o meu desejo que ele quisesse ir além foi tornando-se bem real. Ele nem dava sinal de orgasmo, mas parecia continuar satisfeito, o que me deu coragem de ousar dar mais um passo e massagear-lhe as bolas enquanto chupava. Ele escancarou as pernas e ficou assistindo com os braços para trás, apoiados na borda oposta do latão.

Depois de longos minutos em que só se ouvia o ruído salivar da minha felação, ele quebrou o silêncio, falando baixo e numa entonação cheia de sarcasmo: "Tá gostando, né, viado? Isso, vai mamando na minha rola! Mama que eu já vou meter nesse rabo branco teu. Eu sei que tu tá a fim de dar ele pra mim desde hoje cedo e como tu tá merecendo..." E assim por diante, numa avalanche de propostas misturadas com insultos que, fora de qualquer expectativa, me deixaram tão excitado que cheguei a esquecer que estava nu num local público. Ele então empurrou-me bruscamente pela testa e saltou do latão. Fiquei de pé diante dele, sem saber o que fazer ou dizer. Pela primeira vez, nos olhamos bem de frente. Ele me olhou de cima a baixo, disse que já tinha comido muito cu e que viado era bom pra servir de escravo. Eu perguntei se o outro cara era escravo dele, ele disse que sim e completou dizendo que o mataria com as próprias mãos se ele desse pra outro. Depois disso, me mandou debruçar no latão onde ele estivera e assim que eu fiquei na posição, colou-se em mim me agarrando pela cintura e se esfregando com o membro ainda muito duro. Naquele momento, minha excitação era tamanha que eu mal me aguentava em pé e queria que ele me penetrasse como um cavalo.

E de fato, ele me penetrou. Mas o que eu senti entrando não tinha a forma, a textura e a temperatura que eu conhecia bem; era uma coisa dura e fria que me invadiu de uma vez só. Meus glúteos se contraíram e abafei um grito, mordendo o punho fechado, apavorado. O marginal então o puxou para fora e me mostrou. Era um cabo amarelado, imitação de marfim, todo irregular, grosso e longo, com a extremidade circular, de metal. Do lado oposto, uma imensa lâmina brilhante refletia a única luz daquela sinistra clareira urbana. Achei que a próxima etapa fosse a do punhal entrando em mim pela lâmina, mas ele não fez isso e começou a rir, agitando a arma com uma mão enquanto empunhava o membro em total ereção com a outra, a calça agora nos calcanhares. Se não fosse trágico, seria cômico, pensei na hora, sentindo lágrimas de tensão escorrerem enquanto tentava esboçar um sorriso. Com um sinal de queixo, ele me mandou voltar a debruçar sobre o latão alegando ter atingido o grau de tesão suficiente para "enrabar".

Mal me virei, senti o punho dele invadindo minhas nádega com o polegar em riste para procurar a entrada, conduzir o membro e afundá-lo até a base. Em menos de três segundos eu sentia as primeiras colisões fortes do seu corpo contra o meu. Em meio a uma dor lancinante, ele iniciou o vaivém mais brutal que experimentei na vida. Ele me agarrou com tanta força pela cintura, que ainda tenho uma marca de cada lado e um lanho na barriga por causa da borda do latão. A camisinha logo secou e parecia que o meu ânus rasgava-se a cada passagem do membro longo e grosso. As estocadas eram tão fortes que aquilo não poderia durar muito. Apostei que o orgasmo viria em dois ou três minutos. Que engano! Ele não parava! Era como se ele só gozasse quando decidisse. E era a primeira vez que eu era penetrado por algo tão grande. Eu sentia o diâmetro abrir-me e o comprimento invadir-me fundo, bater nas paredes do reto provocando a cada vez uma nova dor. Mas ele não parecia nem um pouco preocupado com o meu tormento, todo voltado para o próprio prazer. Às vezes ele largava a minha cintura e comprimia tanto as minhas costas que eu sentia a borda do latão cortar-me em dois! Eu tentava empurrar o cara com uma das mãos, mas a cada vez, ele me torcia o braço e me insultava: "Toma, viado! Engole o meu pauzão com esse cu! Não pediu? Agora aguenta!" E continuava a socar furiosamente.

Meu sexo estava mole contra o latão áspero e frio. Toda a minha mente estava concentrada no que se passava atrás, onde eu sentia um calor extremo e os músculos completamente frouxos. É impossível descrever o que seja buscar uma sensação de prazer em meio ao pavor e à dor. Ao mesmo tempo que eu sentia que estava realizando uma fantasia que eu tinha há algum tempo, de entragar-me a um marginal, o medo do que poderia vir depois era inevitável. Então, confuso, comecei a chorar. Chorei convulsivamente, aos soluços, enquanto ele me penetrava sem descanso. Ele dizia: "Não era isso que tu queria, mané? Tá chorando porquê, porra? Ficou me cantando e agora vai amarelar?" Tentei imaginar o que dizer, mas era inútil, ele não entenderia nada e compreenderia ainda menos. Ele era apenas uma besta sexual hiper-resistente cuja vida o endurecer a ponto impedi-lo de gozar por prazer. Era mais prudente deixá-lo terminar. 

Aquela barra maciça atravessava-me o reto a cada meio segundo, produzindo calor e suor. Fui ficando mole como um João-Bobo. Em dado momento, senti minha face esquerda esfregar-se no tampo frio do latão, afrouxei as mãos e comecei a descer molemente. Isso enfureceu o cara, que me suspendeu pelas axilas para me repor debruçado no o latão, quase desacordado. Esperei que ele voltasse à carga, mas ele colou-se a mim para me agarrar pelo pescoço e começou a me encher de socos no flanco, como se eu fosse um adversário numa luta de boxe. Em seguida, ele voltou a penetrar-me decidido a ir até o fim. Semi-desacordado, eu me sentia como uma massa pulsante de contrações dolorosas.

Agarrado à borda do latão e espremendo-me contra ele a cada estocada, ele recomeçou a falar: "Tô de saco cheio! Jà te enchi de porrada e agora vou te encher de porra, viadinho!"  "Tá gostando de ser enrabado pelo teu macho?" Como eu não dizia nada, ele começou a exigir: "Responde, putinha! Quero ouvir tu dizer que tá gostando!" Com a voz muito fraca, comecei a responder ao que ele me pedia: "Estou gostando... Você é o meu macho... Come o meu cu, vai... Soca mais... Goza no meu rabo gostoso..." Isso o deixou num estado incontrolável de fúria sexual. Depois de uma série de estocadas contínuas que me pareceram intermináveis, ele começou enfim a gozar. Eu só sentia as pancadas do seu corpo contra o meu. Já não reagia mais, não sentia mais nada, estava como anestesiado.

Quando finalmente ele saiu de mim, procurei com esforço ver o conteúdo da camisinha, mas ele estava sem ela e logo senti o líquido quente escorrer pelas coxas. Sem forças para  manifestar meu pavor, soltei o peso e senti-me descer até o chão, junto ao latão frio e enferrujado. A última coisa de que me lembro antes de perder a consciência (ou adormecer de exaustão), foi a sensação de um líquido aquecer-me o cabelo e descer pelos ombros, braços e peito. O último gesto do animal fora o de aliviar-se em cima do meu corpo.

Devo ter ficado incapaz de ação por cerca de 45 minutos. Quando me dei conta de que tinha que sair dali o quanto antes, limpei-me com jornal que encontrei num latão de lixo, repus a roupa com muito custo e voltei para casa. Horrorizados, meus pais me trouxeram para cá, o hospital onde acabo de escrever este relato. Estamos esperando o resultado dos exames. Agora, tenho ainda mais motivos para ignorar o que o futuro me reserva, se é que tenho futuro! Se não for o caso, minha história ficará para falar por mim e evitar que outros se deixem levar pelo desejo além dos limites do bom senso.

Felipe Augusto S. V.




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