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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

Entre Mar e Montanha (folhetim, episódio XXII)

22. Soltem os fogos de artifício!

Marta saiu nos deixando desamparados, com as imagens do episódio interrompido girando numa cabeça e atormentando a outra.
- Não consigo imaginar o que pode ter acontecido de tão diferente entre ela e o Tulio, depois disso que ela acabou de contar. Só ficou faltando ela transar com ele; o resto ela já fez e bem pouca gente teve uma experiência dessas, não acha?
- Também não imagino, Tomás, mas se ela diz que uma nova Marta nasceu depois disso, é porque deve ter sido incrível. O que eu sei é que ela me deixou com tesão, declarei, olhando para a evidência em minha sunga.
- E eu! respondeu o Tomás, contemplando o efeito das bruscas pulsações na sua.

Estávamos de frente um para o outro, cada um sentado num degrau da pequena escada de acesso ao varandão da Casa Grande. Só se ouvia o barulho do vento nas árvores e a probabilidade de sermos vistos era próxima de zero. O momento me pareceu propício a mais uma tentativa de abordagem ao meu amigo arredio. Pus a mão em sua perna.
- Marcos, Marcos..., fez ele, sorrindo e assumindo mal, como sempre, a possibilidade de ser visitado por um desejo atípico ao macho.
- A história da Marta te deixou com tesão e a mim também. Estamos sozinhos. O que é que te impede? perguntei, alternando meu olhar entre seus olhos e a sunga pulsante.
- Fiquei com tesão por elas, Marcos, não pelo Tulio.
- E eu não vou te pedir nada que o Tulio não faria, você sabe disso. Confessa que está doido para ganhar pelo menos um toque, vai.
- Não é bem assim...
- Não banca o difícil, Tomás! Vai me dizer que você prefere sair daqui e ir para o banheiro bater uma?
- De repente é o que eu ia fazer mesmo, disse ele, sem sair do lugar e sem aparentar a menor convicção.
- Mostra.
- Quê?
- Você ouviu bem: mostra.

Tomás riu, se fingiu de desanimado, olhou para o outro lado, mas acabou baixando o elástico da sunguinha de natação.
- Olha só como está isso! exclamei, feliz com o privilégio que há alguns dias vinha sendo exclusivo da Marta.
- Eu te falei que estava com tesão, disse ele, alegando o óbvio enquanto olhava fixamente para o membro que continuava a pulsar, indócil.
- Posso ir aí?
- Para quê?
- Perguntei se posso.
- Vem, ué! consentiu ele, fazendo-se de indiferente.

Fui me ajoelhar no degrau, de frente para ele, observei por alguns instantes e empunhei-o firmemente, como se fosse um animal vivo que pudesse escapar, repousando meu punho fechado no saco claro e depilado.
- Você trouxe barbeador para cá? Está tudo liso.
- Trouxe e raspei tudo no banho, ontem à noite antes de... Bom, você sabe que eu e a Marta...
- Claro que sei, vocês estão transando. Não sei por que você fica cheio de dedos para me falar nisso.
- Sei lá, não quero te magoar. Você também gostou de transar com ela.
- E quero transar outras vezes, Tomás, não só com ela mas com vocês dois, nós três juntos, mas juntos mesmo, para fazer bem mais do que naquela vez, fora do carro.
- Sério? Você você gostou tanto assim?
- Você sabe que eu gostei de te dar enquanto comia a Marta. Mas você não se solta quando ela está por perto, parece que tem que fazer as coisas comigo escondido!
- É que...
- A gente não precisa falar disso agora, mas tenta relaxar com com essas coisas. Daqui a dois dias, é hora voltar para Cabo Frio e as famílias, e você vai se arrepender de ter perdido tantas chances de fazer o que bem pouca gente faz.

Eu disse isso acariciando o membro dele, masturbando-o de leve, observando maravilhado o fluido transparente brotar da glande e envolvê-la tornando-a brilhante. Embora excitado, Tomás ficou pensativo com o que eu disse, olhando para frente com o olhar vago, sem responder, então me curvei e comecei a lamber suavemente a glande, depois envolvendo-a com os lábios, sentindo sua rigidez e contorno na língua e saboreando o fluido liso e quase insípido que a envolvia inteiramente. Tomás pousou o braço nas minhas costas e deixou lá, um gesto que considerei enorme, em se tratando dele. Sua ereção se completou e logo chegou ao máximo, pulsando vivamente em minha boca. Chupei bem de leve, usando a língua para acariciá-lo sem muita pressão, sem sugar, apenas para provocar o máximo de excitação possível. O momento não podia ser mais propício e eu não queria de jeito nenhum perder aquela ocasião única de produzir um salto quântico na concepção que o meu amigo fazia do sexo. Tomás pousou a mão em minha cabeça em sinal de aprovação e pude ver de perto a tensão na musculatura de suas coxas.

Eu não podia dar nenhum passo em falso; mesmo não sendo um submisso, era hora de servi-lo, de apenas seduzi-lo, como o caçador que tende a isca, estático para não espantar a presa. Chupei longamente, mas sempre de leve, ouvindo-o ofegar e controlando cada gesto para evitar que ele gozasse assim. Seu membro foi enrijecendo até atingir o máximo de diâmetro e curvar-se para cima. Continuei a percorrê-lo com os lábios, apenas para estimulá-lo e molhá-lo. Cheguei a pensar que assim mesmo Tomás fosse explodir num orgasmo incontrolável e que mais uma vez não iríamos mais longe, quando, de repente, senti sua mão descer pelas minhas costas e ir acariciar-me a bunda por fora da sunga, depois baixá-la um pouco e me tocar diretamente. Todo arrepiado, interrompi a felação, voltei a empunhar seu pau e me aproximei para que ele pudesse me tocar melhor. Ele acariciou-me a coxa por trás e voltou à bunda, tocando-me bem no ponto sensível, que eu desejava tanto que o provocasse.
- Piscando, disse ele, baixinho, com voz sorridente.

Só consegui responder gemendo, agora debruçado sobre ele e com os cotovelos no degrau acima, completamente disponível. Tomás começou a massagear meu cu, circundando-o com o dedo e pressionando-o sem entrar. Senti meu pau pulsar entre sua coxa e minha barriga e via o seu dançar fora da sunga. Não havia mais por que respeitar barreiras, pensei comigo mesmo. Tudo ficou muito claro, e foi então que tomei a decisão. Passando por cima do seu corpo, percorri os dois degraus restantes e fiquei ajoelhado no alto da escada, já na longa varanda do casarão. Não havia o que dizer, adotei novamente o comportamento animal mais instintivo e assumi a postura que a natureza ensina sem palavras. Tomás levantou-se assim que passei por ele e, para total surpresa minha, pincelou-me o rego com a língua molhada. Gemi, num misto de surpresa e tesão, e procurei meu sexo, já sentindo as rápidas obturações involuntárias do meu ânus a cada linguada Tomás. Obviamente, eu estava um pouco tenso por ter esperado tanto, então deixei-o explorar-me até me sentir relaxado o suficiente para recebê-lo. Mas ele me surpreendeu mais uma vez, parecendo aplicar-se à tarefa de penetrar-me com a extremidade da língua, cutucando-me com ela. A máquina engrenara e Tomás agora sabia o que queria. Ele não tardou a por-se em posição, um degrau abaixo e segurando-me pela cintura.

O momento do contato é instintivo também para todo aquele cuja região anal é uma zona erógena. Ao primeiro toque, seja o da mão que agarra a cintura, seja o do membro que vem colar-se ao rego pelo prazer do contato estreito, a coluna vertebral se curva para baixo salientando a bunda, que se abre, facultando o acesso, as pernas se afastam na medida certa e os braços se firmam para fornecer o apoio requerido. Segue-se um instante de imobilidade muito característico, que precede a penetração propriamente dita, e quando, por fim, a glande encaixa-se na entrada, tornando lisa a região raiada do orifício, algo dificilmente definível toma conta do corpo que vai abrir-se ao outro. Quando atingi esse estágio, Tomás estava tão excitado, lubrificado, e eu tão pronto, que praticamente o "traguei" para o meu interior. Senti uma abrupta expansão e contração anal seguida da passagem do corpo volumoso e liso que me invadiu de uma vez só até deter-se ao mesmo tempo que o impacto da pélvis e das coxas de Tomás contra as minhas ressoava no extenso varandão.
- Tomá-á-ás! Gemi, mal segurando-me nos braços.
- Entrou rápido! exclamou ele, espantado, excitadíssimo e já começando a mover-se.

Com a cabeça entre os braços, eu podia ver o fio de prata que fluia da minha glande até o chão de ladrilhos, e por trás dele, as coxas de Tomás, num vaivém que rapidamente alcançou um ritmo intenso e regular. Eu teria podido ficar assim por uma eternidade, apenas sentindo-me penetrar mais e mais profundamente por ele, estimulando-o e preparando-o para um orgasmo inesquecível que, claro, ele sabia-se autorizado a concluir dentro de mim. Alternei entre masturbar-me e colar seu saco ao meu, acariciando-o quando vinha encaixar-se estreitamente entre minhas coxas. Ficamos assim por um longo momento. Estávamos quentes e úmidos como o dia de verão que nos envolvia.

Percebi que aquela era uma penetração perfeita quando meu corpo todo foi tornando-se um só orgão sensitivo e certos "fenômenos" se sucederam. Inicialmente a sensação irradiou-se pelas minhas pernas, depois pela barriga e peito, em seguida pelos braços, pescoço e, por fim, sob a forma de um intenso formigamento, no couro cabeludo. Tomás parecia ter encontrado a fórmula exata do seu prazer e movia-se ininterruptamente, longe de temer o orgasmo intempestivo. Seu estímulo foi ficando tão intenso que a certa altura comecei a gozar sem me tocar, ejaculando fartamente em direção ao meu queixo. Tomás ficou admirado quando eu lhe disse o que estava acontecendo comigo, e não tardou a ser também presenteado; meu estranho orgasmo gerou tantas contrações anais que logo desencadeou o seu. Ele despejou jatos e jatos dentro de mim, puxando-me violentamente pela cintura e colidindo com força contra o meu corpo. Isso provocou em mim uma sensação até então desconhecida, uma espécie de clímax, por assim dizer, localizado na região anal, mas obviamente sem ejaculação, puro efeito da fricção. A sensação foi intensa e tão prazerosa quanto um orgasmo, e eu quis que durasse eternamente.
- Não pára, Tomás. Você não imagina o que estou sentindo agora, pedi, gemendo.
- O que é?
- Sei lá, é forte como se eu estivesse gozando, mas é atrás e eu sei que isso não existe. Mas continua, por favor...
- Estranho... Mas relaxa, estou bem assim.
- Pega o meu pau... Bate um pouco para mim, vai, pedi.
- Está legal, ele respondeu, cooperativo.

Assim que Tomás começou a me masturbar, meu orgasmo "verdadeiro" desencadeou-se, acompanhado de muitos espasmos e outra ejaculação que chegou a me espantar pela quantidade, tudo isso somado à nova sensação anal. Tomás consegiu conter-se e se manteve no ritmo, mas fui que eu "entreguei os pontos" e pus a mão em sua barriga para evitar a estocada seguinte. Quando ele saiu de mim, precisei deitar-me de lado sobre o ladrilho fresco, sentindo meu corpo  todo pulsar. Levei alguns minutos para voltar ao normal.
- Adorei! exclamou Tomás, mais animado que nunca.
- É sério? Milagre! Nunca pensei ouvir isso de você.
- Bom, você não precisa sair contando para a Marta assim que ela chegar, mas confesso que foi bom demais e que gozar assim é uma delícia.
- Uau! Quer dizer que sou bom professor?
- Hein? Eu é que ia fazer essa pergunta!
- Sei! Cala a boca e vamos para o banho, anda.

Quando Marta voltou, ainda tive a esperança de que Tomás lhe contasse alguma coisa, mas ele preferiu bombardeá-la com perguntas sobre o parto da vaca, o que não abalou minha certeza de que esse episódio na escada da Casa Grande simbolizaria para o Tomás um degrau a mais galgado rumo à liberdade.

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