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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Que Erotexto possa excitar de modo agradável, são e prazeroso, inspirar o leitor a escrever suas próprias histórias e principalmente, motivar a reflexão.

Marc Fauwel

Tribulações de Uma Garota de Ipanema

Recentemente, fui a uma recepção, coisa que faço rarissimamente mas cujo "convite" (na verdade, a convocação) não pude recusar por se tratar de um evento profissional. Além de colegas, havia parentes e amigos do anfitrião, diretor regional da empresa onde trabalho. A primeira parte foi dedicada a um tipo de balanço trimestral, com muita falação, bajulação de chefes, otimismo exagerado, felicitações hipócritas e aplausos ridículos, o que fazemos há algum tempo no Brasil para copiar o american way of life. Seguiu-se um bufê e depois ficamos livres para dançar, tomar drinques e travar novos conhecimentos. Preferi ficar com um grupo de colegas que se apossaram de um dos conjuntos estofados do imenso salão voltado para a praia de Ipanema e seu calçadão iluminado. A certa altura, um dos integrantes do grupo abriu a carteira e mostrou uma fotografia impressa onde se via uma menina de corpo perfeito e incrivelmente sensual, usando um ínfimo biquíni preto, correndo em direção ao mar.
- É a filha do homem, sussurrou ele, referindo-se ao nosso anfitrião.
- Uau! exclamou um dos espectadores. Tesãozinho! Que idade ela tem?
- Dezoito aninhos recém-completados.
- Nham-nham! fez o outro, dando uma olhada em volta.
- E adivinhem por que a foto dela está na minha carteira?
- ...

Todos nos entreolhamos, mas ninguém sabia a resposta. O diretor Macedo era tão inatingível na hierarquia da empresa, que era mais do que improvável que alguém se relacionasse coma filha dele. Ficamos todos curiosos, esperando ansiosamente pela resposta, que veio enfim.
- Essa é a foto mais "branda" que ela tem num site pornográfico.
- Caramba! Exclamou um dos rapazes. E como é que você descobriu que era ela?
- Calma, retrucou o outro, puxando o laptop aberto diante dele.

Ele digitou o link e abriu-se um site convencional de fotos e videos, encimado por um texto em caracteres exagerados e de cor berrante, que dizia "Aqui você vai descobrir como uma vagabunda de dezoito anos acabou com a vida de um homem de cinquenta". Cada miniatura que permitia descarregar fotos ou vídeos era acompanhada de uma descrição e, ao longo de uma quinzena de páginas, viam-se cenas e mais cenas de sexo com os mais diversos homens na faixa dos vinte e cinco a sessenta anos. Até ali, só conseguimos inferir que a filha do diretor Macedo transava com muitos homens e tinha um site na Internet. Foi só quando uma das miniaturas foi clicada que tudo se esclareceu. Diante dos nossos olhos esbugalhados, um clipe com uma quentíssima cena de sexo oral mostrava claramente o rosto extático de um homem de cerca de trinta e cinco anos recebendo uma felação da menina. Esse homem estava diante de nós e era precisamente aquele por quem o intrigante site estava sendo revelado.
- Caramba! Como é que..., ia começando o mais novo do grupo.
- Calma, respondeu o homem que víamos no clipe. Ainda não terminou.

Ele foi clicando aleatoriamente nas miniaturas e, a cada uma delas, aparecia um funcionário da empresa, inclusive a maioria dos presentes na recepção e vários dentre nós que eu conhecia relativamente bem. Mas de quem era o site? De quem era o preâmbulo? Quem era o cinquentão cuja vida aquela guria ia sacodir? O ponteiro clicou o "x" do canto superior direito da tela e o site foi fechado. Estávamos mudos, alguns espantados com os outros, talvez com os "perfis pornográficos" que jamais transparecem no âmbito de uma empresa tão austera e idônea como a nossa. Era quase possível sentir o suor escorrendo pelas têmporas de alguns dos colegas. O mal-estar era geral e, após alguns momentos de grande constragimento, o grupo se dispersou. Só eu fiquei sentado no enorme sofá, olhando a orla marítima e seus frequentadores noturnos, imaginando aquela menina de lindo corpo correndo para o mar com seu minúsculo biquíni preto.

O apartamento do diretor Macedo era planejado de tal modo que os convidados dispunham de um banheiro cujo acesso se fazia por um curto corredor que terminava numa pequena sala de estar, mas não permitia chegar aos os demais cômodos da casa. Quem desejasse podia ir ao banheiro, refrescar-se e, em seguida, descansar um pouco na saleta, antes de reingressar no salão dos convidados. Por volta da meia noite, tomado por um daqueles tão conhecidos torpores que nos fazem passar por todas as fases do sono exatamente quando não podemos pregar olho, tive a intenção de fazer precisamente isso. Ocorre que meu sono era tamanho que abri a porta na parede oposta e topei com um corredor que, em vez de curto e terminado pela tal saleta, era longo e cheio de portas. Sem suspeitar do meu erro, fui procurar o banheiro. A terceira porta da esquerda estava aberta e era um banheiro. Entrei, fiz o que tinha que fazer, lavei o rosto e me sentei um pouco numa poltroninha de veludo verde. Fechei os olhos e cochilei por alguns minutos até que, num sobressalto, arregalei os olhos, tomado pelo pânico de que minha ausência tivesse sido notada. Levantei-me e dirigi-me para a porta daquele amplo e confortável cômodo cercado de armários, pias, uma enorme banheira redonda e um generoso box para o chuveiro. Quando girei a maçaneta dourada, senti que não fiz força nenhuma. Quando a porta se abriu, me vi diante de uma menina morena, de cerca de dezoito anos, com um corpo que me lembrou imediatamente a menina da foto.

Eu estava todo enfarpelado, de terno, e ela usando unicamente um curto e apertado top branco de alça finíssima e o que me pareceu ser apenas uma calcinha. Educado e sem jeito, fingindo ajeitar o nó da gravata, olhando-a direta e somente nos olhos, pedi desculpas, licença e, já fazendo que ia sair, disse que precisava voltar para a recepção. Ela sorriu um sorriso que me fez perceber a burrice que seria não perder alguns minutos em sua companhia.
- Você... deve ser a filha do doutor Macedo, acabei dizendo, ocultando da melhor maneira a minha falta de jeito.
- Vem, disse ela, pegando-me pela mão e levando-me para outra porta, do outro lado do corredor.
Era o quarto dela. Quando entramos, a primeira coisa que vi foi o computador ligado e, encarapitada nele, uma ameaçadora webcam.
- Desculpe, mas não posso ficar, disse eu, já voltando para o corredor.
- Por quê?
- Não quero ir parar no o seu sitezinho divertido, respondi com um sorrisinho irônico.
- Que site?
- Como assim "que site"?
- É, que site? reiterou ela, firmemente.
- Você não está mesmo sabendo?
- Não sei nem do que você está falando.

Eu tinha decorado a url. Quando ela viu o site aberto e se identificou em todas aquelas fotos e clipes de sexo, ficou estarrecida, clicando em uma após outra, como se pudesse encontrar alguma em que ela não fosse a protagonista.
- Você está em todas, disse eu. Pelo visto, você "coleciona" funcionários do seu pai.
- ...

Ela não respondeu logo; ficou olhando para o computador e roendo as unhas até que, por fim, se voltou e me olhou diretamente nos olhos. Pela visão periférica, eu via seus pequenos seios redondos e os biquinho marcando o top justo.
- Eu nunca filmei nada do que fiz. Odeio isso e não tem nada a ver comigo.
- ...

Fiquei olhando para ela sem saber o que dizer. O olhar dela era desamparado e interrogativo.
- Mas todos esses homens...
- Todos esses homens são, sim, empregados do meu pai, e eu transei com eles neste quarto, assim como eu tinha a intenção de transar com você. Mas daí a filmar tudo e colocar num site, a distância é grande!
- Então quem pode ter sido? Seu pai? Só ele teria acesso ao computador do seu quarto, arguí, sinceramente intrigado, sem tirar da cabeça os dizeres do preâmbulo do site.
- Meu pai trabalha dezesseis horas por dia na empresa; ele jamais teria tempo para isso. A última vez que o vi entrar neste quarto, eu devia ter doze anos. Enfim, estou exagerando, mas assim você vê o nosso grau de intimidade.
- Você deve saber quem, além dele, teria acesso ao seu quarto para gravar essas cenas.
- Além da empregada e da minha mãe, não vejo quem.
- E o que você pretende fazer?
- Não sei, respondeu ela agoniada, espremendo as mãos.
- Posso saber por que você leva os funcionários do seu pai para a cama?
- Sei lá. Minha analista diz que é para chamar atenção do meu pai ausente.
- Entendo. E como seu pai gosta de misturar trabalho e lazer em recepções como a de hoje, volta e meia um idiota como eu cai na armadilha quando, tentando ir ao banheiro, entra pela porta errada.
- É. Descobri isso há muito tempo e há um ano resolvi começar a me aproveitar.
- Que idade você tem? perguntei para ouvir a resposta de sua própria boca.
- Fiz dezoito no mês passado.
- Uau! exlamei, fazendo rapidamente desfilar pela memória alguns dos rostos maduros que eu vira nas miniaturas do site.
- Que foi?
- Você sabe que essa gente pode ir presa por ter aceito, não é?
- Sei, mas não fiz isso para chantagear ninguém.
- Então acho bom você descobrir quem construiu esse site para que ele o suprima, senão a empresa do seu pai vai perder um bocado de pessoal!
- Me ajuda! implorou ela, pegando minhas mãos.
- Posso tentar, mas não sei nem por onde começar. Não conheço ninguém que frequente a sua casa e tenha acesso ao seu quarto.

Ficamos em silêncio durante alguns momentos e me ocorreu que ambos tivéramos a mesma idéia: não podíamos perder a mínima chance de provocar o culpado, e a primeira chance era aquela mesma, ali, naquele momento, ela e eu. Nos entreolhamos, mas, incerto quanto essa "telepatia", fiquei sem jeito e tentei desviar o olhar. No mesmo instante, senti um leve puxão logo abaixo da cintura.
- O que...?
- Psss! Fez ela, me olhando séria enquanto descia destramente o meu zíper.

A situação era tão surrealista que minha cabeça começou a girar ao ponto de me causar vertigem. Tive que me apoiar na mesa do computador para não cair. Enquanto isso, com minha calça nos pés, senti minha cueca sendo puxada coxas abaixo e meu membro ser abocanhado pela menina que se ajoelhara no chão. Ela pôs-se a chupá-lo ruidosamente.
- Você está sozinha em casa? Sua mãe não está? Não há outros parentes na casa?
- Não. Relaxa, fez ela, afastando-se momentaneamente.

Minha tensão era tamanha que ela teria podido me chupar durante horas sem provocar um orgasmo. Eu quase podia sentir as descargas de adrenalina em minha corrente sanguíneam e me pareceu que era exatamente isso que ela gostava. Depois de me chupar e manipular meu pau por alguns minutos, constatando que ele estava completamente duro, ela se levantou e, tirando o top apertado, deixando-me ver suas axilas brancas e lisas, libertou seus dois peitinhos miúdos, cujos bicos eretos não deixavam nenhuma dúvida: ela estava efetivamente excitada. Agarrando-a pela cintura, abocanhei um dos seios e rocei a língua no mamilo entumescido, arrancando um gemido sussurrado da menina, que se libertou do abraço e foi deitar-se na cama com as pernas escancaradas e rebatidas sobre o corpinho delicioso. Era o convite que faltava. Caminhando ridiculamente com as calças nos tornozelos, ajoelhei-me na cama e mergulhei na bucetinha branca e completamente depilada. Ela agarrou-me nervosamente pela cabeça, forçando-a contra o seu sexo e quase arrancando-me o cabelo.

Enquanto minha língua provocava contorções de prazer naquela menina claramente ninfomaníaca, eu pensava na recepção e na minha ausência que podia ser notada por algum dos colegas. O sabor da bucetinha de lábios firmes e encharcados se confundia com uma amarga impressão de que eu estava jogando minha carreira pela janela. Eu estava ciente de que, se, além disso, estivéssemos sendo filmados pelo autor do maldito site pornográfico e eu não conseguisse descobrir sua identidade, o maior prejudicado seria eu, porque a filha do grande diretor sairia certamente incólume de mais essa aventura com um funcionário do seu pai. Eu sentia suas coxas contra minhas orelhas enquanto minha mão empunhava a cinturinha fina e minha língua ora lixava o clitóris rosado e proeminente, ora se aprofundava no orifício vaginal encharcado do líquido do prazer.
- Mete, pediu ela a certa altura.
- ...

Mudo, me ajoelhei na cama, puxei-a pelas coxas, espalhei instintivamente o líquido lubrificante pincelando a entradinha rosada, e, sem escalas, enterrei meu pau até a base. Ela reprimiu um berro levando a mão à boca e mordendo-a enquanto eu começava um vaivém regular e intenso, sentindo meu prepúcio ser repuxado a cada entrada pela abertura vaginal ainda muito elástica. Como de costume, o perímetro incomodava mais que o comprimento. Eu sentia a menina ajeitar-se para suportar o desconforto inicial do alargamento, mas sua excitação era tanta que a abundante lubrificação foi fazendo sua parte até que tudo se tornou puro prazer. Eu entrava e saía dela com toda a força, elevando-me quase até sair completamente para voltar à carga comprimindo suas coxas contra o corpo e colando meu rosto ao seu pescoço. Não havia clima para beijos e não me pareceu que ela os quisesse. Nossos rostos se colavam, nossos lábios roçavam um no outro, mas nossas línguas não se procuravam. Não insisti e concentrei-me nos movimentos, desejando arrancar um orgasmo daquela estranha e misteriosa criaturinha. Vez por outra, eu me afastava, olhava seus pequeninos seios elevarem-se com a respiração forte e mergulhava num deles, esfregando a língua no mamilo e espremendo o outro com os dedos. Isso a fazia enroscar as pernas acima da minha bunda, elevando-se da cama e apertando-me contra si para, na descida, deixar-me totalmente enterrado nela. Foi numa dessas vezes que ela começou a gozar desvairadamente, em movimentos espasmódicos que me fizeram sentir todo o relevo do seu interior. Agarrada ao meu pescoço, ela desfechava verdadeiros golpes de pélvis contra mim, fazendo o que normalmente seria a minha tarefa e obrigando-me a ficar quase parado a uma altura determinada. Quando, por fim, exausta, ela desabou na cama, sentei-me sobre os calcanhares e fiquei olhando seu rosto vermelho e o corpo inundados de suor.
- Você não consegue gozar? perguntou ela com boca desdenhosa.
- Nervoso desse jeito? Difícil, respondi, olhando para o meu sexo ainda duro e todo vermelho.
- Vem cá, ordenou ela, indicando-me o caminho com o dedo.

De joelhos, avancei até ficar com seus braços sobre as minhas coxas. Ela pegou meu sexo, começou a masturbá-lo e, fazendo-me chegar ainda mais perto, o pôs em sua boca quente e molhada, chupando-o com a pressão exata, friccionando-o por baixo com a língua, estimulando energicamente o ponto certo. Em pouco tempo, veio o desejo de gozar e, em generosos jatos densos, esvaí-me completamente em sua boca. Apenas com o olhar, ela me fez entender a pergunta: "Posso?" Fiz que sim e ela engoliu confiante, saboreando em pequenos goles e sem fazer careta, tudo que eu depositara em sua boca. Por cima dela, igualmente encharcado de suor, comecei a perguntar-me como ia fazer para repor minha roupa.
- Você trepa bem, disse ela, dando-me a entender que termináramos e que ela queria sair de baixo de mim.
- Obrigado, respondi, saindo da cama.
- Agora, vamos procurar a câmera.
- Ah, é! Exclamei, concluindo tardiamente que as filmagens não poderiam ter sido feitas com a webcam dela.

Ainda nus, começamos a esquadrinhar a suíte de cerca de trinta metros quadrados. Como não é difícil encontrar uma câmera, logo concluímos que não havia nenhuma e começamos a procurar locais escondidos. Algum armário tinha fundo falso? Não. Havia outra porta no banheiro, pela qual alguém pudesse ter entrado, filmado e saído? Não. Era possível filmar pela janela? Era, mas quase a totalidade das cenas fora filmada à noite e a cortina estava fechada. Mais alguma idéia? Não.

Comecei a perambular pelo quarto, até que deparei com uma abertura retangular na parede junto à porta do banheiro, como se fosse um armariozinho. Estava aberto.
- O que é isso? perguntei.
- Ah, isso é uma passagem por onde eu mando a minha roupa diretamente para a lavanderia, ali fora.
- Hm.

Coincidentemente, se uma câmera pudesse ser apontada daquela abertura, o ângulo de filmagem corresponderia ao que se via nas fotos e vídeos do site pornográfico, que mostrava cenas tiradas lateralmente, aproximadamente ao mesmo nível da cama, como se a máquina estivesse a uns sessenta centímetros do solo e do lado direito da cama para quem a visse de cima.
- Acho que foi daqui. Essa portinha fica aberta às vezes?
- Às vezes, não: sempre. Eu vivo mandando roupa para a lavar e tenho preguiça de fechar.

Caminhei até o computador, escrevi a url e cliquei em alguns vídeos e fotos. Não havia dúvida, o ângulo correspondia ao lugar do armariozinho, era estático e invariável.
- Foi dali, certamente. Mas quem tem acesso à lavanderia para filmar sempre que o seu pai dá uma recepção?
- Meu pai faz "n" reuniões aqui em casa com esses mesmos funcionários. O mais provável é que seja algum dos caras que eu trouxe.
- Pode ser, mas quem?

Nesse momento, ocorreu-me atualizar a página do site. Quando cliquei no botão com a setinha curva, qual não foi meu espanto quando a nossa cena apareceu em primeiro lugar na matriz seis por seis de miniaturas.
- Ele já nos pôs online! exclamei, apavorado. E, pela rapidez, se não for alguém da casa, só poderia ser um vizinho seu.
- Impossível. Como é que ele entraria?
- Então é alguém daqui. Sua mãe, um irmão ou irmã, ou seu pai mesmo. Mas agora eu preciso voltar à recepção, senão vai dar na vista e vão achar que eu saí "à francesa". Só que estou todo suado.
- Vá tomar um banho. Ninguém vai passar e é pouco provável que outra pessoa erre de porta na mesma noite. Hoje era o seu dia. Pegue uma toalha no armário do banheiro; depois eu finjo que fui eu que usei.

Pela primeira vez, me lembrei de perguntar o nome da menina. Isadora foi a resposta. Fui tomar banho. Quando voltei, Isadora continuava nua, deslumbrantemente nua. O banho me acalmara e pude vê-la em toda a sua beleza e saúde de menina rica e bem tratada. Seus cabelos castanhos muito móveis e brilhantes tocavam-lhe os ombros e o corpo, muito claro, de pele indescritível, tinha formas discretas mas perfeitas. Os pequenos seios não eram em nada desproporcionais ao tronco ou às coxas porque, aos dezoito anos recém-completados, Isadora ainda era uma menina e, portanto, tinha um corpo leve, delgado, com um reflexo e uma certa transparência próprios da adolescência. Aproximei-me mais uma vez, tocando em seu sexo liso enquanto a beijava no rosto e afagava seu cabelo. Ela ergueu uma perna permitindo-me invadi-la mais e sentir seu calor íntimo, sua umidade, sua textura, seu relevo, enquanto empunhava-me uma vez mais o membro, avaliando-o, talvez tentando imaginá-lo profundamente penetrado nela, onde ele estivera momentos antes. Minha outra mão desceu pelo seu corpo e foi pousar-se em sua cintura, logo acima da elevação da bundinha discreta mas bem empinada. Encorajado pelas carícias, sentindo meu membro endurecer cada vez mais em sua mão e uma onda de excitação percorrer-me o corpo, continuei descendo, apalpando, apertando, invadindo o rego ainda levemente úmido e roçando o dedo médio na borda proeminente do orifício tão bem oculto. Isadora teve um sobressalto que só serviu para tornar explícito o seu desejo; tive a certeza de que ela queria ser possuída por trás.
- Você tem alguma coisa para lubrificar? perguntei, abraçando-a e sussurrando em seu ouvido.
- Vou pegar, respondeu ela, tão excitada que pude ouvir sua respiração ofegante.

Ela foi até o armário e, ao voltar, estendeu-me um frasquinho todo escrito em alemão. Pela consistência do líquido perfeitamente transparente, entendi que se tratava de um óleo específico. Devolvi-lhe o frasco e ela entendeu que eu queria que ela se untasse, o que ela fez com toda discrição. Em seguida, ela esperou que eu determinasse onde iríamos fazer. Sentindo-a excepcionalmente vulnerável nesse momento, eu quis saber por que ela estava assim.
- Você nunca fez?
- Fiz, mas sempre é muito "complicado", disse ela, um pouco sem jeito.
- Por quê?
- Acho que sou muito apertada. Para deixar de ser virgem já foi um custo, agora imagine atrás!

Cheguei bem perto dela e, fazendo-a roçando meu membro em sua barriga, beijei sua boca e prometi ser carinhoso. Senti-a trêmula, mas cheia de desejo, incapaz de largar-me, acariciando-me o sexo, a barriga, o peito. Conduzi-a até a porta do balcão, saímos e fiz com que ela se debruçasse confortavelmente no parapeito, olhando para o calçadão de Ipanema. Como esse balcão dava para a rua lateral, não havia risco de sermos vistos pelos convidados da recepção. 
- Você vai me comer aqui?
- Você não quer? Olhar para fora é relaxante.
- Não é isso... Alguém pode nos ver de outro prédio.
- São exatamente as pessoas que fazem isso, Isadora. Transar no balcão é coisa pra gente do seu mundo!
- É... Pode ser, respondeu ela, debruçando-se e deixando um braço distraído pender fora do amplo balcão gradeado.

A primeira coisa que fiz foi agarrá-la por trás e fazê-la sentir meu pau contra o sulco, ao que ela retribuiu empinando-se e entregando-se ao meu corpo, manhosa. Senti sua barriga curvar-se em minha mão espalmada e desci até sua pélvis para apalpar uma vez mais os carnudos e lábios vaginais perfeitamente depilados, que ela franqueou-me abrindo as coxas. Percorri o vale do entrelábios com um dedo e fui estimular o clitóris, que logo se entumesceu, provocando gemidinhos e fazendo Isadora procurar cada vez mais o meu corpo.
- Mete, pediu ela, apreensiva mas cheia de tesão.
- Está bem, respondi, passando meu pau entre suas coxas, sentindo-o endurecer ao máximo ao contato da pele macia e convidativa.

Afastei-me um pouco e, sempre acariciando a bundinha angelical da menina, invadi o reguinho e, pela primeira vez, entrei em contato com o ânus, que me pareceu ávido, saliente e pulsante. A borda raiada e perfeitamente circular beijou-me o dedo médio como uma boca e não quis mais separar-se dele. Confiando na viscosidade do óleo alemão, forcei levemente a entrada, que se expandiu um pouco e acolheu a extremidade do meu dedo, provocando um frisson em Isadora, que me olhou sorrindo por cima do ombro. Resolvi sair por um momento, mas, quando percorri o períneo na intenção de penetrá-la mais abaixo, encontrei dois dedos seus, num vaivém lento e regular. Voltei para trás, acariciando o bumbum antes de voltar a explorar o orifício de onde eu saíra que, desta vez, me acolheu mais generosamente, deixando-me mergulhar fundo, pulsando forte como se tentasse morder. Isadora oferecia-se empinando-se cada vez mais, convidando-me a prosseguir no meu intuito principal de possuí-la por trás. Sentindo seu cuzinho suficientemente relaxado, retirei meu dedo e olhei para meu pau que pulsava, em sua grossura máxima, repuxando a glande e ligeiramente arqueado para cima. Afastando levemente as nádegas, encostei a cabeça no anel e pressionei apenas o bastante para que ele se encaixasse sem escapulir. Isadora encolheu-se um pouco, mas logo voltou para trás, em sinal de que eu podia prosseguir. Senti sua mão indo empunhar meu pau, como se ela quisesse garantir que eu o conduziria em segurança para dentro. Avancei mais, sentindo a pressão do orifício comprimir-me a glande.
- É apertado mesmo, comentei, sussurrando em sua orelha.
- Eu avisei, disse ela, num gemido divertido.

Para distraí-la, pondo uma mão por cima da sua, ajudei-a a friccionar o clitóris enquanto, com a outra, direcionei meu pau fazendo-o começar lentamente a deslizar para dentro dela, fazendo-a choramingar baixinho e frear meu percurso com a mão que continuava a empunhar firmemente a duríssima tora. Foi muito lentamente que consegui penetrá-la, permitindo que a elasticidade do ânus se adaptasse ao diâmetro da minha glande, inegavelmente volumosa para alguém sem experiência nessa variedade. Quando a senti totalmente comprimida pela musculatura anal, tive pena de Isadora, que se contorcia de dor e incômodo, implorando-me para tirar.
- Calma. Você está sentindo mais apreensão do que propriamente dor. É que você não está acostumada com tanta pressão atrás. Assim que a cabeça atravessar o esfíncter, tudo vai melhorar e você vai sentir prazer.
- Está bem, fez ela, paciente, ainda contorcendo-se, completamente debruçada no parapeito e amolecendo o corpo.

Fiz alguns vaivéns bem curtos para acostumar o cu ao diâmetro maior do meu sexo. Meu prazer era inenarrável, mas eu também estava sentindo dor, porque a pressão enorme estava causando muito atrito. Literalmente entalado no ânus de Isadora, eu precisava forçar mais para que a glande chegasse do outro lado. E foi o que fiz, puxando-a para mim pela cintura e percorrendo os últimos centímetros daquele túnel apertado. Assim que a cabeça acabou de passar e a musculatura repousou na verga, de menor diâmetro, Isadora soltou um gemido de alívio e falou comigo.
- Agora para um pouco, por favor. Estou exausta e preciso me acostumar com a sensação.
- Está bem, respondi, satisfeito com a perseverança da menina.

Ficamos olhando o calçadão, as luzes, as pessoas, a praia, vendo e ouvindo o barulho do mar. Meu pau pulsava irregularmente dentro de Isadora, fazendo-a comentar, já de bom humor, o que sentia.
- Parece um daqueles filmes em que as paredes se fecham e o personagem faz força para tentar impedir.
- Mas é isso mesmo. Se ele não ficasse tão duro, seria esmagado!
- Mexe, vai, pediu ela, já bem mais descontraída.
- Nem precisa pedir!

Imprimi um vaivém curto que fui ampliando aos poucos à medida em que o meu líquido e a umidade anal iam se espalhando por toda a região até transformar nossos corpos numa máquina bem lubrificada. Isadora logo começou a responder aos meus movimentos, deixando-se invadir por inteira e pedindo-me que acariciasse os seus pequenos seios, cujos mamilos chegavam a estar doloridos de tão entumescidos. De bem lubrificada, a máquina se tornou pura harmonia, movendo-se por si, encontrando o ritmo e a velocidade ideais. Com uma mão para trás, Isadora acariciava-me o cabelo enquanto eu lambia, beijava e mordiscava sua orelha, fazendo-a gemer mais e mais, derreter-se de prazer. Descargas de líquido vaginal encharcavam meus dedos, em orgasmos sucessivos que foram se tornando ininterruptos, obrigando-a a apoiar-se no parapeito para não desabar no chão do balcão. Seu cu ficou tão relaxado que pude enfim entrar e sair dela com facilidade. Quando eu olhava para baixo, mal podia crer que aquela bundinha delicada estivesse acolhendo todo o perímetro e comprimento do meu membro, mas era verdade e vê-lo surgir, sair quase completamente e voltar a mergulhar no cuzinho que eu vira tão apertado momentos antes foi me levando a um grau de exitação tão extremo que não tardei a sentir o prenúncio do orgasmo. Segurando Isadora firmemente pela cintura, desferi uma última e ruidosa estocada e fui literalmente assaltado por espasmos violentíssimos que me impediram de sair dela enquanto uma série de jatos longos e intensos quase me fizeram ir a nocaute. Meu pau pulsava tanto que provocava gemidos assustados em Isadora que, firmemente agarrada à grade do balcão, tentava se manter de pé até o fim do meu demorado orgasmo. Quando terminou, eu estava novamente todo suado, colado contra o seu corpo delgado, dentro dela, sentindo as últimas pulsações e o início do gradativo amolecimento do meu sexo.
- Uau! fez ela, entusiasmada.
- Foi demais! assenti, beijando sua nuca enquanto meu pau deslizava para fora do seu corpo.
- Vou ter que mandar meu pai convidar você mais vezes, disse ela, sorrindo e apertando meus braços enlaçados nela enquanto, com a bundinha, bolinava meu pau amolecido mas ainda armado.
- Isso se ele não me despedir antes! respondi brincando, mas realmente apavorado.
- Xi, é mesmo! Você tem que voltar para lá.

Corri para o banheiro, tomei banho em menos de cinco minutos, me vesti, anotei o número do celular da Isadora, prometi que ligaria, nos beijamos na boca e eu voltei o mais discretamente possível para a recepção, dando, a cada um que me perguntava, a desculpa de que eu bebera demais e precisara descansar um pouco na saletinha junto ao banheiro. A desculpa parece ter "colado" e terminei a noite em puro delírio, mal acreditando que o meu encontro com Isadora tivesse sido real. Obviamente evitei reencontrar o grupo que vira o site pornográfico com as fotos dela.

No dia seguinte, liguei para Isadora para nos encontrarmos e bolarmos um plano para descobrir e desmascarar o autor do site. O Rio Sul às seis da tarde foi a melhor solução; eu trabalho até às cinco e meia e me bastaria atravessar o túnel. Quando cheguei, ela estava à minha espera, linda, de barriguina de fora na jeans baixinha que deixava o início da virilha de fora, top e tênis preto. Nos beijamos e senti que continuávamos na mesma sintonia. Sem falar muito, fomos direto para o banheiro masculino do segundo andar, que fica sempre vazio em dia de semana, entramos numa cabine, ela se sentou no vaso e abri minha calça. Minha excitação era tão grande que com algumas chupadas gozei copiosamente. Isadora engoliu sem hesitar. Não ficamos mais de cinco minutos no banheiro, mas saímos bem dispostos para discutir o assunto do site.
- Descobri uma coisa, disse ela, toda prosa.
- Conta!
- A filmagem não foi feita do armarinho da lavanderia.
- Não?
- Não. Não sei se você reparou, mas na mesma parede tem uma estante cheia de bugigangas minhas.
- Reparei, mas não tinha nada ali.
- Eu também achei que não tivesse, mas quando fui mexer numa webcam velha que eu pus ali, qual não foi a minha supresa ao descobrir que...
- Estava instalada?
- Exatamente! Alguém instalou a webcam no circuito de alarme da casa. Ela tem estado ligada 24h por dia.
- Caramba! Mas então é alguém que tem acesso às gravações das câmeras e sabe  recuperar muito bem esses dados. Pelo que você me falou, imagino que não poderia ser o seu pai.
- Não. Nem minha mãe, nem minha irmã mais velha que, aliás, nunca está em casa. Quem faz esse trabalho de recuperar as gravações é o motorista e essa foi a minha grande descoberta!
- Mas um motorista que entende de informática?
- Não, tolinho! Ele deve ser amigo do cara que instalou e faz manutenção do sistema de alarme. As câmeras vivem dando defeito; ele não sai daqui.
- Você acha que o motorista vai chantagear o teu pai ou algo assim?
- Não. Acho que ele tem raiva de mim porque não dou confiança a ele. Ele deve ter descoberto a minha "armadilha" porque tem câmera no corredor e agora quer me jogar contra o meu pai com esse site. Enquanto o meu pai não sabe de nada, tudo bem, mas ficar sabendo da existência do site é pura questão de tempo. Você é funcionário da empresa e descobriu. Se fosse outro, talvez tivesse contado para o meu pai. Por falar nisso, muita gente já sabe?
- Hoje, um colega mostrou o site para uma turminha durante a recepção. Foi discreto, mas uns seis viram. Acho que eles não contam porque alguns estão envolvidos e todo mundo tem medo de perder o emprego.
- Tá, mas deve estar por pouco. O pior é que não posso ir dar uma prensa no Carlos - é o motorista - assim, sozinha. Você viria comigo?
- Eu até iria, mas ele vai se retrair e jogar a culpa no cara que instala o sistema de alarme, e com estranhos você não vai ter a mínima chance. Se o cara se sentir encurralado, vai desencadear a chantagem na hora.
- É verdade, mas e aí, o que é que eu faço?
- Se eu fosse você, tentaria chegar no motorista com jeito, conversando, como se, de repente, tivesse descoberto que ele existe. Você é bonita. Se ele sentir que você está dando mais atenção a ele, vai ficar todo feliz e mudar de idéia a seu respeito. Quem sabe ele até tira o site da Internet espontaneamente? Eu já pedi aos meus colegas para não mostrarem mais o site a ninguém. Isso nos dá um pouco de tempo.
- Hum... Vou pensar. Eu nem pedi ao Carlos para vir me buscar aqui, mas amanhã ele vai me levar na faculdade, vou ter tempo de puxar um papo.
- Você nunca conversa com ele?
- Nunca. Ele é abusadinho porque está com o meu pai há um tempão e me viu criança.
- Quantos anos ele tem?
- Uns trinta.
- Ele é feio?
- Nem tanto, mas é grosseiro, e isso enfeia qualquer um.
- Forte?
- Claro! Vive fazendo trabalho braçal pro meu pai.
- Bom, você deve ter ferido a auto-estima dele, mas aposto que dando um pouco de atenção, ele vai comer na tua mão.
- Tomara! Vou tentar amanhã mesmo.

Depois de conversar, ainda ficamos andando abraçadinhos e dizendo coisas eróticas um para o outro, lembrando do nosso encontro na casa dela e da brincadeirinha inicial no banheiro do shopping. Isadora sabia que eu estava muito atraído pelo seu corpo. Ela queria se despir para mim e observar o meu desejo, me torturar antes de me saciar. Mas ela precisava voltar para casa. Por volta das oito e meia, nos despedimos e ficamos de nos falar no dia seguinte. Ela tomou um táxi e eu voltei para casa a pé. Sou um dos felizardos que moram no mesmo bairro em que o local de trabalho se encontra.

No dia seguinte, uma sexta-feira, tentei ligar para o celular da Isadora o dia todo. Deixei mensagem, mas ela não ligou de volta. Eu não podia ligar para o telefone fixo da casa; tinha que esperar. Continuei tentando durante o sábado todo, mas ela só me ligou no domingo de manhã, perguntando se eu estava livre à tarde. Tentei fazer com que ela me dissesse alguma coisa por telefone, mas foi inútil. Marcamos encontro às cinco da tarde, numa sorveteria famosa de Ipanema cujo sundae, disse ela, é irresistível. Me senti um adolescente aos quase 25 anos. Ela chegou de carro com o motorista, entrou, pediu o sundae preferido e, dizendo que não queria mais falar no assunto depois que eu lesse, me entregou o seguinte texto, escrito e impresso por ela.

"Na mesma noite em que nos encontramos, quinta-feira, eu avisei ao Carlos que ele ia me levar à faculdade no dia seguinte. Às nove, ele estava parado na frente do prédio me esperando, com a mesma cara de despeito dissimulado, certamente apostando que eu não abriria a boca de casa à faculdade. Só que, desta vez, para espanto dele, quando ele abriu a porta do carro para mim, fiz o maior sorriso e agradeci. Ele ficou verde! E mal ele encostou no volante, comecei um interrogatório sem fim sobre ele, o trabalho, os amigos, comida, me mostrando interessadíssima na vida dele. No início, ele foi monossilábico, mas eu estava tão simpática que ele acabou tendo que se render e desandou a conversar, chegando inclusive a dizer que me conhecia desde garotinha, tinha me visto crescer, blablablá, blablablá. Quem nos visse conversando jamais diria que ele estava fazendo uma coisa tão sórdida comigo e com o meu pai.

Quando senti que ele estava começando a mudar de opinião a meu respeito, perguntei: "Carlos, você gosta de mim? Pode responder sinceramente." Vi pelo retrovisor que ele ficou roxo, mas espichando o pescoço e olhando para mim, respondeu: "Como assim 'gosta', Isadora?" Ele me pareceu inteligente, tentando jogar com o duplo sentido da pergunta. Não me fiz de rogada e expliquei que era no sentido comum de 'gostar' e ele se limitou a dizer que isso não importava porque eu era a filha do patrão.  Resposta perfeita, se não fosse o "rabichinho" que ficou para trás e que eu fui lá pegar: "E no outro sentido, Carlos?" Com essa, ele dirigiu calado por durante alguns quarteirões fingindo ter que prestar atenção ao trânsito. Quando cobrei a resposta, ele disse: "Você deve saber, Isadora." Foi a deixa de que eu precisava. Aquilo me deu tanta segurança que me senti forte para atacar de frente e falar do site pornô. Eu disse que achava que ele devia me odiar, senão jamais teria imaginado aquilo; que (menti) todos os meus amigos estavam descobrindo e que se chegasse ao conhecimento do meu pai, isso o mataria. Perguntei o porquê daquilo, quis saber o que eu tinha feito para merecer tanto ódio, já que ele me conhecia desde garotinha, tinha me visto crescer, etc. Em suma, abri o verbo e me mostrei desconsolada com o tal site. Ele ouviu sem dizer uma palavra, sem fazer um movimento com a cabeça, dirigindo com toda competência. Quando eu terminei, ele se limitou a dizer que queria "uma coisa" em troca do desprezo que ele teve receber de mim durante todos esses anos. Perguntei o quê, ele respondeu: "Isso você também sabe muito bem." Não adiantava tentar ir mais longe. Perguntei: "Quando e onde?" Ele disse: "Amanhã, você vai passar o dia comigo." Me calei. Tudo estava claro e cristalino.

Às sete da manhã do sábado, meu celular tocou e não era você, era o Carlos. Ele estava de folga, mas tinha vindo me buscar e queria que eu descesse. Obedeci, andamos até um ponto e entramos num ônibus que ia para o Méier. Ele subiu depois de mim, pagou as passagens e ficamos em pé. Quando o ônibus foi enchendo, ele passou para trás de mim e começou a se esfregar no meu corpo. Cada vez que eu tentava evitá-lo, ele cochichava no meu ouvido: "Cuidado,  menina."  Entendi e parei de resistir, sentindo a sua excitação. Quando saímos da zona Sul, o ônibus foi lotando a um ponto tal que eu já estava preferindo ter o Carlos por trás de mim do que um outro qualquer. E eu tive de fato a impressão de que ele não estava apenas se aproveitando, mas também me protegendo, impedindo que outros me tocassem. Ele ficou excitado durante a viagem toda, até que descemos numa rua larga, acho que Dias da Cruz. Andamos um pouco pelas transversais e nos embrenhamos num labirinto de ruas desconhecidas para mim, até que chegamos a um pequeno prédio de três andares, caindo aos pedaços. "É aqui.", disse ele. Subimos até o segundo andar e entramos num dos seis apartamentos que havia num corredor sombrio, acho que o 203, um minúsculo sala e quarto pintado de verde pálido, com chão de tacos carcomidos, iluminado apenas por uma janela basculante que dava para uma área interna. A primeira coisa que vi foi o uniforme de motorista no encosto de uma das cadeiras da mesa da sala.
- Quer cerveja? ele perguntou, bruscamente.
- Quero.
- Pode sentar, não paga nada! ele disse, tentando quebrar o gelo.
- Tudo bem, respondi, escolhendo um canto do sofá em frangalhos.
- E aí, menina? Pronta pra "tirar o atraso" comigo? ele disse, voltando com a cerveja.

Eu sabia que não adiantaria tentar conversar com ele. Ele queria sexo para me deixar em paz e eu tinha resolvido dar o que ele queria. Naquela casa apertada, Carlos me pareceu bem maior que de costume, mas a verdade era que, pela primeira vez, eu estava vendo o motorista do meu pai como ele era na realidade. Quando ele se aproximou com o copo de cerveja, me vi diante de um homem de mais de 1,80m, cabeça redonda e pequena por causa do cabelo (ruim) raspado, pescoço e braços fortes e escuros, contrastando com a camiseta branca e coxas grossas forçando o tecido da jeans apertada e desbotada, provavelmente a única calça nova que ele tinha. Afundada no canto do sofá, me senti como uma garotinha que tivesse acabado de fazer a maior burrice de sua vida.

Ele me estendeu o copo ao mesmo tempo que pôs a mão no zíper da calça. Quando eu ia levar o copo à boca para tomar tudo de uma vez, ele me olhou bem nos olhos, disse: "Nã-nã-nã!" e me fez continuar com o copo à minha frente. Então, abrindo a calça, ele me mostrou o pau marrom, grande e ainda meio mole e, para meu horror, segurou minha mão e afundou a metade dele na cerveja, dizendo: "Agora você pode beber!" e se afastou para contemplar o espetáculo. Enojada mas assustada, prendi a respiração e bebi um gole da cerveja, diante do sorriso embevecido do Carlos, que me desafiava com um olhar vitorioso. "Bebe tudinho!" ordenou ele, rindo. Bebi desejando que o efeito da cerveja fosse imediato. Bebi e pedi mais, até que a minha cabeça começou a não dar mais tanta importância ao que estava acontecendo. O Carlos não me pareceu um cara violento; só estava querendo mostrar "quem manda" e foi essa a maneira que o pobre ignorante encontrou. Acabamos bebendo umas três cervejas inteiras, cada copo cheio passando pelo mesmo ritual. O álcool acabou fazendo o seu trabalho e meu medo sumiu diante da certeza de que eu também estava fazendo o meu trabalho direitinho - conquistar a confiança do Carlos. Mas pensei em você para ter coragem de continuar até o fim.

Já meio alterado, Carlos livrou-se da calça ainda na minha frente e ficou balançando aquela "coisa" a um palmo do meu rosto. Ele queria que eu ficasse nua, mas recusei. Então, ele se aproximou bem e me fez entender o que queria. Segurando o pau, ele me deu tapinhas no rosto com ele e, quando ficou satisfeito, me pegou pelo cabelo e o empurrou entre os meus lábios. Eu não queria, mas sabia que resistir era a pior coisa. Acabei abrindo a boca e tendo que deixar entrar aquele troço enorme, sentindo dor nos maxilares de tanto escancarar a boca. Esses primeiros instantes foram meio tensos, mas assim que ele começou a sentir prazer, entrou num tipo de transe, fechou os olhos e ficou balançando para frente e para trás, gemendo e me xingando: "Chupa... Assim... Filhinha-do-papai, putinha de luxo do papai." Ele estava se vingando e grande parte da excitação dele vinha daí. Não sei por que, mas aquela convicção foi me contagiando e me excitando também. A idéia de que ele tinha um motivo para estar fazendo tudo aquilo tornou tudo muito verdadeiro na minha cabeça e eu comecei a querer "ajudar" o Carlos a se vingar. Me recostei no sofá e ele se ajoelhou comigo entre as coxas. Comecei então a acariciá-las mecânicamente, mas pouco depois fui sentindo a minha velha gula de sexo voltar. Chupei com vontade, de boca encharcada de saliva, me deixando invadir por ele ao máximo, enquanto sentia nas mãos o relevo da musculatura das coxas daquele corpo de trabalhador braçal. Depois, levantando o pau e masturbando, lambi e suguei as bolas, arrancando urros do Carlos, mostrando que não ia ser fácil saber quem, entre nós, seria o dominador e quem o dominado. Mas acho que ele não queria gozar porque logo me pegou pela mão e me arrastou para o quarto.

Chegando ao cômodo iluminado apenas por um basculante alto, ele me despiu como se eu fosse um manequim de loja, me atirou na cama de costas e ficou me olhando, dizendo que eu era miúda, que não tinha evoluído, mas que era "muito gostosinha" e que ele ia me comer; que ele só lamentava ter que fazer isso depois de todos os funcionários do meu pai. Depois, entrou de joelhos na cama, ergueu e abriu minhas pernas como se fossem feitas de papel e mergulhou de boca no meu sexo, lambendo ruidosamente e esfregando meu clitóris com a língua dura. Sentindo a força daquele animal, a pressão da língua que me lixava sem dó nem piedade e as mãos enormes que espremiam meus seios, fui ficando ensopada e elétrica de tesão. Comecei a querer sinceramente senti-lo dentro de mim, me penetrando, me possuindo. Ele estava literalmente devorando minha buceta, não me dando chance sequer de protestar. Eu fiquei de boca aberta, como se fosse emitir berrar, mas não fiz nada além de ficar olhando, sem tocar em nada, para aquela cabeça se movendo entre as minhas pernas e para aquele corpo estendido de bruços na colcha velha e encardida da cama dura. De repente, uma onda começou a se propagar por todo o meu corpo e eu tive o orgasmo mais forte da minha vida. Eu dava pancadas tão fortes nele com os calcanhares que não sei como ele não me fez parar, enquanto ele me enfiava furiosamente dois dedos e continuava a me lixar com a língua. Quando soltei os braços na cama e as pernas por cima dele, exausta, ele se levantou e saiu do quarto, me deixando num misto de tesão e agonia.

Minutos depois, ele voltou com dois copos cheios de cerveja, me deu um e tomou o outro de pé, olhando pelo basculante. O calor estava escaldante e nós já estávamos encharcados. Tomei minha cerveja em três goles, ansiando pelo efeito. Ele também esvaziou o copo rapidamente e voltou para a cama, pondo-me de quatro com os joelhos bem afastados. Em seguida, ele espalhou cuspe e meu próprio líquido pelo meu sexo todo, me penetrou com os dedos e assim que saíram, me penetrou fundo e de uma vez só. Vi estrelas. Tive a impressão de que aquilo tinha rasgado tudo. Pensei: "Esse cavalo vai me destruir." A pressão da cabeça foi tão grande que eu não acreditei que aquilo pudesse ter entrado em mim. Tentei impedir, mas foi inútil porque ele me agarrou pelos quadris. Me debati, gritei que não queria mais, que estava arrependida de ter ido lá, que ele era um animal, um grosso, que ele estava despedido, que eu nunca mais queria vê-lo na vida, que eu iria dali para a polícia... Tudo em vão. Me agarrando com toda força pelos quadris com as duas mãos, ele empurrou aquele troço para dentro me fazendo engasgar com os soluços do choro. Eu sentia minha pele ser repuxada até o meio das coxas. Como também ardia, toquei na região e percebi que eu tinha sangrado como uma menina virgem, mas ele não me deu tempo de me recompor; começou um vaivém tão forte e tão decidido que parecia o começo de um longo suplício. Enquanto ele me possuía assim, senti o polegar dele forçando meu ânus, pressionando e fazendo movimentos circulares até poder entrar. De rosto colado naquela colcha fétida e cheia de nódoas, eu não tinha forças para nada, apenas sentia aquele corpo enorme me invadindo, entrando em mim, saindo, voltando, saindo, indefinidamente. Eu nunca me senti tão preenchida na vagina; eu estava imobilizada com aquilo cravado em mim.

Por incrível que pareça, a excitação existia e era imensa, mas tinha outra forma, outra expressão porque minha vagina ficou como que dormente de tanta fricção. Quando ele engrenou no vaivém, me fez ficar de joelhos mas erguida, depois enfiava dedos na minha boca, amassava meus seios, me mordia a nuca com força (devo estar toda marcada), puxava meu cabelo, me dava tapas fortes na bunda, esfregava meu clitóris... enfim, ele não parava de me causar um monte de pequenas dores e sensações de todo tipo. Ele me possuiu por todos os lados, por todos os membros, por todo o meu corpo, sem parar por nem um instante de entrar e sair de mim com aquela máquina de arrancar prazer. Quando ele avisou que ia gozar, eu lhe pedi para tirar, mas ele nem me ouviu. Desabando com todo o peso sobre o meu corpo completamente estendido de bruços, ele redobrou a rapidez e a força das estocadas, até começar a esguichar seu líquido quente dentro de mim, mantendo-me imprensada contra o colchão, fazendo-me sentir cada centímetro dele. Quando o orgasmo cessou, ele ficou imóvel durante alguns segundos, depois saiu calado e foi tomar banho.

Tomei um banho demorado, chorando muito e me achando imunda. Quando saí, recomposta para não parecer fraca, Carlos estava todo vestido, esperando para me levar até o ponto de ônibus. Ele estava sereno e não havia sinal de ódio ou ressentimento em seu rosto. Quando pus o pé no degrau do ônibus, ele olhou bem nos meus olhos e disse: "Fica tranquila. Até amanhã." Acho que esse foi o sinal de que o meu trabalho não tinha sido inútil, que ele mudou de opinião a meu respeito e que vai suprimir o tal site imundo."
- Uau, Isadora! exlamei, elétrico, depois de ler. Você escreveu um conto erótico!
- Tá legal, depois você se masturba com ele em casa! disse ela, fazendo a boquinha de desprezo que eu já conhecia. Eu escrevi para não esquecer de nenhum detalhe. Só quero que você me diga se também acha que o Carlos vai desistir de me chantagear.
- Baseado nesse "fica tranquila" que ele disse, acho, acho sim. Viu só como a minha idéia foi boa?
- Sua idéia! Sua idéia era que eu falasse com ele! Não foi bem o que aconteceu.
- Mas você resolveu o problema, não foi? E, sinceramente, agora que passou, foi tão ruim assim?
- Vocês homens são todos iguais mesmo! Me dá vontade de pedir ao Carlos para não tirar o site da Internet e usá-lo para fazer uma "limpeza"! Você ia ser minha primeira vítima! Ia para a rua na mesma hora... no mínimo!

Rimos a valer e terminamos o dia passeando como dois namorados ao sol poente do calçadão da praia de Ipanema.



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