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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

Ninfomaníaca

Eu soube instantaneamente, através da expressão que brotou de sua boca, nariz e olhar, assim que ela se virou para me ver percorrendo o corpo que ela ia revelando aos poucos. Ela tirara a calcinha já no cinema e caminhara um bom trecho sem ela, de mãos dadas comigo, comentando a textura do meu sexo e o sabor do esperma que ela provara em vez de assistir ao filme. Ainda não tínhamos feito sexo e muito menos amor. Seu corpo era deslumbrante e eu estava em fogo.

Cláudia tinha a pele do sexo, as curvas do sexo, o cheiro do sexo, as olheiras do sexo. Quando nos beijamos pela primeira vez, na véspera, vi-me assediado e não apenas beijado. Sua língua abriu espaço entre meus lábios e invadiu-me a boca procurando minha língua, trazendo-a para fora e sugando-a até a dor enquanto meu sexo endurecia e tentava quase em vão expandir-se na jaula dos seus dedos. À noite, no bistrô com amigos, a cada vez que a via livre, Claudia capturava-me a mão para pousá-la em sua coxa desnuda, fazendo-me percorrê-la rápido para ir aliviar o incêndio do seu sexo, que seu próprio fluido era incapaz de aplacar. Mas não pudemos passar a noite juntos e foi com uma espécie de ira no olhar e um sofrimento nos lábios que ela se despediu de mim com outro beijo voraz, quase canibal.

No dia seguinte, pudemos nos encontrar à tarde e obviamente o cinema foi a primeira coisa que ocorreu à minha nova namorada. Ignoramos as pipocas, a multidão animada e a tela equivalente a quatro andares. Claudia queria me oferecer sua boca e seus seios, suas coxas e seu sexo ardente em troca da minha saliva e do meu esperma. Sua mão controlava a minha, guiando-a ao seu bel-prazer pela parte do corpo que ela desejava sentir estimulada. Ora um seio, ora outro, ora por dentro das coxas, ora o rosto, ora a boca. Estávamos sentados num dos cantos do cinema num dia de semana, os ingressos custavam uma fortuna e o filme era cativante; o silêncio era total e nossa privacidade estava garantida. Cláudia arregaçou a saia já curta exibindo uma calcinha justa, colada ao monte de Vênus e olhando-me com cara de quem diz: "Já sabe o que fazer, não é?" Colei a mão na calcinha encharcada, sentindo o relevo dos lábios no tecido quente e sendo imediatamente embalado por um movimento pélvico estudado a fundo. Cláudia pôs as pernas por cima dos braços da poltrona, abriu a calcinha como uma cortina e repousou a cabeça no encosto, deixando bem claro o seu desejo. Percorri o entrelábios com um dedo, massageei um clitóris que me pareceu dos mais salientes e fui mergulhar pela primeira vez no interior daquele poço de águas termais, com dois dedos e bem profundamente, enquanto Cláudia reprimia um grito e para total assombro meu, irrompia num furioso orgasmo, agarrando minha mão com ambas as suas para impedir que eu sequer tivesse a infeliz idéia de retirar-me. O terceiro dedo que acrescentei aos dois primeiros levou Cláudia, agora de blusinha sem manga acima dos seios, a esmagá-los e torcer os mamilos. Eu estava tão impressionado com a cena que mal me dava conta da minha própria ereção.

Foi então que ela tirou a calcinha, saindo da posição ginecológica e pondo-a na bolsa, deixando-me estarrecido com a ousadia. Por um instante, achei que fosse ter que esperar pela minha vez; me parecia natural que ela quisesse retomar fôlego e descansar um pouco assistindo ao filme. Mas não, ato contínuo, ela debruçou-se em mim beijando-me muito e agradecendo com voz felina, já se atracando com o meu cinto para abri-lo e à calça. Meu sexo estava, sim, todo duro, embora eu quase o tivesse ignorado, e ela gostou de descobri-lo assim pela primeira vez. Claudia sequer olhava para a sala, inteiramente concentrada em si. Quanto a mim, volta e meia dava uma olhada rápida para me certificar de que ninguém nos observava de esguelha e foi precisamente numa dessas vezes que ela capturou meu membro e o enfiou todo na boca, colando os lábios na minha barriga e voltando para trás, devolvendo-o ao ar como num filme de trás para frente. Tudo foi tão rápido que me assustei e pus a mão em sua cabeça como para impedi-la, mas só tive tempo de dizer um tímido "não foi nada" quando ela me olhou com aquela expressão de insaciabilidade. O resultado foi que ela me masturbou com a boca, num aterrador "deep throat" que esfregou-me repetidamente o membro do talo à cabeça fazendo-me gozar diretamente em sua faringe e passar vários segundos tentando controlar a respiração para não resfolegar. Cláudia passou o resto da sessão evitando que meu membro amolecesse.

Quando o filme acabou, ainda me perguntei se ela recolocaria a calcinha, mas logo descobri que não e pela primeira vez na vida caminhei com uma menina de minissaia e nada por baixo. "Vento não levanta jeans, relaxa." disse ela, andando de mãos dadas comigo sem se abalar. Ela me contou que andava sem calcinha desde quando descobrira que isso a excitava, por volta dos quinze anos. Ela voltava para casa molhada e se masturbava relembrando as expressões dos homens que a tinham olhado. Era um hábito que ela não pretendia abandonar. Embora muito jovem, não me importei com isso; muito pelo contrário: achei excitante imaginar os homens fantasiando sem saber que sua fantasia estava sendo realizada. Cláudia gostou disso.

Me lembro que quando chegamos à sua casa, Cláudia me chamou diretamente à cozinha e comemos morangos com creme. E foi lá que ela caminhou até uma parede ornada apenas com um friso e, dando-me as costas, começou a erguer a saia olhando-me lascivamente por cima do ombro. Ela queria mais, e viria a querer mais e mais e mais, sempre mais e muito mais. Depois daquela primeira vez na cozinha, entre morangos vaginais e creme peniano, chegamos a fazer sexo oito vezes num mesmo dia. E quando adormecíamos num motel, exaustos após quatro horas de sexo contínuo, ela acordava dizendo ter passado o tempo todo atormentada por sonhos dos mais exóticos e precisando aplacar imediatamente uma excitação irreprimível.

Claudia e eu passamos três meses juntos. Saí dessa experiência alguns quilos mais magro e bem menos afeito ao sexo por demais intenso, ansioso por retomar minha vida, meus hobbys, voltar aos meus livros. Ela, ao contrário, talvez por despeito, revelou-me que durante os noventa dias da nossa relação, teve mais de vinte encontros esporádicos com homens diferentes, alguns dos quais, enfatizou ela, muito mais dignos de tê-la na cama do que eu fora. Dei-lhe o benefício da última palavra.


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