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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

Entre Mar e Montanha (folhetim, episódio XX)

20. Médium

Subitamente, novas notas ressoavam na pequena sala. Era Cassia que, pela primeira vez, parecia verdadeiramente tomada de êxtase. Ela retribuía cada golpe com pequenos ganidos suspirados - quase desfalecimento - e acariciava a parede lisa como se fosse um rosto ou um corpo amado. Embora igualmente imerso num estado de confusão e êxtase, pude enfim desvendar o enigma: na fantasia desse casal misterioso, Hércules levava Cassia ao clímax sem tocá-la, e isso só seria realizável se ele fosse capaz de possuí-la através de outro corpo. Eles precisavam de um médium e eu fui esse médium.

Toda sombra de dúvida foi dissipada quando constatei que uma vez consolidado, nosso trio tornou-se indissolúvel e Hércules se servia de mim para fazer amor com a esposa. Num momento de comparação pobre e risível, vi-me como uma espécie de "adaptador", como se o membro do nosso sátiro não tivesse as dimensões requeridas para levar o máximo prazer à mulher. Mas logo percebi que a intenção por trás do ato era muito mais sutil e preciosa. Ao mesmo tempo que Hércules transmitia o vigor das suas estocadas pelo meu intermédio, ele continuava a cochichar-me ordens sobre o que fazer com as mãos e pernas, peito, barriga e boca. Ele não precisava de um membro somente, mas de todos, ele queria multiplicar-se como um deus hindu. E o efeito era de incontstável intensidade, mas sutilmente provocado por ação indireta.

O leitor já concluiu que o meu próprio prazer era secundário na fantasia do misterioso casal. Enquanto médium, minha função era de veicular, nada mais, e aos poucos, fui-me flexibilizando até tornar-me uma espécie de autômato que Hércules "vestia", como uma luva, mas no sexo e não na mão. Raras vezes ele saiu de mim e não mais penetrou Cassia diretamente. Ela escolhia o local e a posição e ele, com muita habilidade, manipulava-me para adaptar-me a ela a fim de proporcionar-lhe o máximo de prazer. E a minúscula sala não bastou mais; fomos ao quarto, ao banheiro, à cozinha. Cassia ingressou numa espécie de transe orgásmico contínuo que inebriava o marido, e passamos a vagar pela casa como um estranho trio composto de um duo assimétrico e uma criatura exausta, mas dansante e sensual.

Detendo-nos um momento diante da porta dos fundos, vimos o pátio e as plantas banhados de azul da lua. Cassia nos atraiu até um abacateiro grande e frondoso e lá, acariciando-me o sexo cansado, fez-me ajoelhar. Em seguida, abraçando o marido, cochichou-lhe algo que ouvi como "Já é tarde, Hércules", deu-lhe um beijo nos lábios e afastou-se de um ou dois passos. Ele então se aproximou de mim e, pousando a mão em minha cabeça, convidou-me a provar seu membro incansável. A glande escancarou-me a boca, percorreu minha língua e foi bater no fundo, colidindo com o palato.
- Com força, comandou ele, posicionando-se frente a mim.

Fiz o possível para não decepcioná-lo, apliquei todos os meus conhecimentos, inclusive os mais recentes, adquiridos ao longo daquelas duas horas, mas foi em vão e ele logo segurou minha cabeça com ambas as mãos para copular furiosamente com a minha boca, provocando ruídos assustadores. Firmemente apoiado em suas coxas, salivando de um modo que me era totalmente desconhecido até então, deixei que ele abrisse em mim esse novo espaço, procurando relaxar os maxilares e admitir o máximo possível do seu sexo que ia e vinha num ritmo regular. Vez por outra, ele o retirava da minha boca e, segurando-me pelo cabelo, me dava tapinhas no rosto com ele. Eu percebia que isso o deixava mais excitado.

Vendo-me um pouco agoniado, Cassia aproximou-se e pôs-se a afagar meu cabelo enquanto olhava para o rosto contraído do marido. Depois, pegou minha mão e a levou entre as coxas dele, sugerindo a carícia. Estávamos mais uma vez interligados. A saliva espessa que vinha das minhas entranhas lubrificava tão bem minha boca que não havia mais qualquer resistência ao vaivém do maciço êmbolo de carne.
- Agora aperta bem com a boca e a língua, sussurrou-me Cassia.

Obedeci, pressionei os lábios contra o tronco duríssimo e curvado para o alto e em mais um ou dois minutos, Hércules pôs-se a gemer contraidamente, de olhos fechados, a cabeça voltada para o céu estrelado. Cassia veio por trás de mim acariciar-me o rosto com as duas mãos, deixando-as sobre meus ombros. Não conseguindo suportar o orgasmo sem se tocar, Hércules empunhou nervosamente a tora vibrante que logo começou a ejacular em inúmeros jatos rápidos e densos que recebi não só na boca mas no rosto todo, testa e cabelo, e que eu sentia escorrer pelo meu pescoço e peito. Eu só vira algo semelhante em filmes. À medida que os espasmos se sucediam, ele ia soltando a respiração em gemidos roucos, até que uma grande expiração final encerrou o orgasmo magistral. O longo e espesso membro logo pendeu amolecido contra as coxas musculosas. Num último agrado, Cassia o colheu em sua boca e o lavou com saliva, sorvendo e engolindo o esperma remanescente. Caminhamos lado a lado para dentro, rendendo-nos ao silêncio da exaustão.

Era meia-noite e meia quando deixei a casinha tosca daquele homem de barba mal feita que eu redescobrira sátiro, e de sua mulher, bela ninfa dos bosques, serena e cansada. Saí sem saber se gostaria de voltar e nem sequer se eles existiam realmente. Saí pensando que não me espantaria se, passeando no dia seguinte, eu não encontrasse nem a casa nem o casal. Eu fora médium e me sentia médium, puramente médium de um espírito chamado Prazer.

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