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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

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Marc Fauwel

Entre Mar e Montanha (folhetim, episódio XIX)

19. O Sátiro Artista

Eu não podia estar mais constrangido. Embora excitado pela situação e inquestionavelmente atraído por aquele semideus sexoólico, a presença de uma mulher, o tratar-se precisamente da esposa e, como se não bastasse, sua gravidez, todos esses fatores pesavam tanto que a minha ereção se mantinha unica e exclusivamente graças ao vigoroso estímulo bucal que eu estava recebendo e que parecia ir num crescendo até sabe-se lá que ponto. Não havia dúvida de que Cassia não reprovava o marido por isso – ela já me convencera de ser perfeitamente amoral – mas vê-lo assim, devorar-me o sexo diante dela me privava de qualquer iniciativa. Eu, que já vinha apenas obedecendo as ordens que ele nos dava aos trancos, me senti decididamente relegado à passividade vendo aquele homem de quase quarenta anos assumir autoritariamente o papel que costuma inicialmente ser prerrogativa daquele que recebe o outro em seu corpo.

Ele parou habilmente a dois dedos do meu orgasmo e, na confusão mental em que eu me encontrava, não ofereci a menor resistência quando ele me fez subir no sofá e apoiar as mãos no encosto com a mulher dele entre as pernas. Bastou um olhar para que ela assumisse obediente a tarefa de chupar-me e assim completar a pose. O artista afastou-se para contemplar a obra, sempre dando ordens.
- Chupa até o talo, Cassia. Mexe, garoto! Quero te ver metendo na boca como você fez com a buceta.

Limitei-me a obedecer, calado e um tanto apreensivo. De canto de olho, eu procurava acompanhar os movimentos do homem e prever o passo seguinte. A vulnerabilidade da minha posição era total e me permitia sentir cada parte do meu corpo, especialmente as partes que não costumam ficar expostas. Não é que houvesse medo no ar, mas a encenação montada atuava sobre mim como algo de tirânico, embora a verdade fosse que Hércules, além de gostar de compartilhar a esposa, era um voyeur sensível à estética das formas e poses. Pondo-se de lado, depois permanecendo atrás de mim, agachando-se, inclinando-se, ele passou longos minutos observando o vaivém do meu sexo na boca da mulher, corrigindo nossas posições, mandando-a relaxar completamente os lábios para que eles se projetassem a cada retirada e não parecessem pinçar-me a cada avanço. Ele também corrigiu-me a posição das pernas, da coluna e da cabeça para que eu não ficasse tão completamente na vertical contra o corpo de Cassia.

O fato é que aquela atmosfera de ateliê foi-me descontraíndo e comecei pouco a pouco sentir-me como um modelo de nu artístico, moldando-me aos insights do artista. E logo notei que era precisamente essa a fantasia de Hércules. Isso também me permitiu explicar a atitude zen da esposa que, embora parecesse cansada, em momento algum contestava os desejos do marido. Desse momento em diante, me fundi com Cassia e Hércules compôs com o material dos nossos corpos vários duos eróticos nas mais variadas posições. Percorremos o sofá e cada móvel, cada canto da pequena peça parcamente mobiliada, deixando nela os fantasma das nossas posições e atitudes. Por uma razão inexplicável, minha ereção não se desfez em momento algum; pelo contrário, fortaleceu-se e uma excitação erótica saudável e crescente tomou conta do meu corpo. O corpo escultural de Cassia, que logo pude ver completamente nu, me levou a desejar penetrá-la mais e mais, e pude vez por outra conseguir ver-nos através do espelho do fundo da cristaleira, herança de algum parente de outras épocas.

À medida que as poses se sucediam, Cassia também foi despertando, percebendo que seu marido estava realizando algo que talvez só muito raramente ele conseguisse levar a cabo. Apaixonada, ela lhe pedia que a penetrasse assim que eu a deixava, dando-me a oportunidade de assistir um encontro de gigantes do sexo. Ao ser penetrada por ele, sua cabeça ia para trás e a voz exprimia um susto, mas logo os gemidinhos abafados enchiam o ar de prazer. Ele era incansável e continuava não dando o menor sinal de orgasmo.


Foi quando a possuí de rosto colado à parede que ele veio pela primeira vez. Um breve roçar do sexo logo cedeu a vez ao contato integral do corpo fortemente enlaçado ao nosso por dois braços de ferro. Cassia abriu os olhos e sorriu. "Relaxa", instruiu-me; ela sabia que chegara a hora de enriquecer o quadro. Obedeci e logo senti o toque certeiro e a reação da minha carne ao início de expansão. Procurei distração mordiscando o pescoço da mulher, acariciando-lhe os seios e concentrando-me em meu próprio sexo profundamente enterrado nela. Ela retribuiu movendo-se, empinando-se e contraíndo a musculatura da fenda para excitar-me ao máximo e fazer-me aceitar com desejo o seu homem que vencia pouco a pouco a resistência involuntária do meu corpo. Embora relaxado e sem medo, eu bloqueava com dificuldade o impulso de exprimir a dor lancinante desse início.

Era natural que essa primeira vez com um homem feito - e um homem dono da anatomia de um Hércules - fosse árdua, mas resisti; agarrei-me à Cassia e às sensações que ela ajudava a amplificar para atenuar as outras e resisti, segundo por segundo, centímetro por centímetro, até que a expansão chegou ao máximo para logo em seguida baixar de um ponto e criar a folga necessária ao alívio da força de reação do esfíncter.

Seu vigor era o de um sátiro que nos atravessava a ambos com seu falo mítico. Eu transmitia os seus impactos à Cassia, que gemia a cada vez, sempre grudada como um lagarto na pedra fresca, enquanto ele os reiterava infindavelmente, abrindo um tunel que levava ao meu âmago, percorrendo-o vezes sem conta para torná-lo amplo e facultar a passagem livre que leva ao êxtase da completude. Duas mãos imensas vieram agarrar-me firmemente pela cintura e as estocadas se tornaram secas e profundas. Passei a não me sentir mais dentro de Cassia e espalmei as mãos na parede, tentando oferecer alguma resistência. Dentro de mim, algo de enorme acontecia, como se uma invasão ocupasse cada centímetro cúbico e se apossasse de mim de dentro para fora. Eu mudara de forma; eu continha agora aquele corpo que se instalara em mim e se amoldara ao meu para gerar uma só forma fremente e ávida de prazer.

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