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Erotexto é um blogue dedicado ao erotismo que tem por característica uma rica diversidade de estruturas narrativas. Seu objetivo é triplo: entreter, desenvolver o interesse pela escritura e - o principal - motivar a reflexão sobre a libido e a busca do prazer, cujo fundamento biológico acredito ser de caráter essencial e universalmente bissexual.

Erotexto tem formato fixo. A primeira página comporta a última narrativa proposta (não necessariamente a última criação). O material arquivado consiste de contos e relatos classificados por categoria sob a rubrica "EroStock" (coluna à direita), bem como séries, novelas e folhetins. Para conhecer a acepção em que cada estrutura narrativa foi tomada, convido o leitor a clicar em "Pequena Teoria da Narrativa", aqui acima.

Uma comunicação contínua com o leitor faz-se através da rubrica "EroNovas", a primeira da coluna à direita. Meu e-mail está à sua disposição. Para reagir a uma publicação, clique na palavra "comentário", abaixo de cada texto.

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Marc Fauwel

Barracão das Surpresas

Para publicar este pequeno relato verídico, assumo que todos são autorizados e até mesmo encorajados a escrever memórias biográficas, desde que sejam o retrato mais sincero da sua experiência vivida e não tenham aqualquer intenção doentia ou perversiva. Publicar-se o evento biográfico é coisa que tem efeito por assim dizer "terapêutico" porque nos força a dar aos outros o acesso a fatos que normalmente estiveram trancados por anos nos porões de nossas mentes, sinal de que é tempo de tirar deles uma carga que não mereciam ter recebido. Vou portanto relatar um desses episódios que julgo agora perfeitamente humano, natural e aceitável, merecedor de voltar à luz da qual é originário.

Desde que me conheço por gente, passei todas as férias, feriados prolongados e muitos fins de semana no sítio da minha família, no interior da Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro. O casal que toma conta da casa há anos ainda mora na mesma rua de terra batida e tem dois filhos, que vi crescer e que hoje em dia quase não encontro mais, mas que me trazem muitas recordações quando eventualmente nos esbarramos por lá.

Na década de 70, as férias chegavam cedo para os bons alunos e iam até meados de março. Assim que eu era aprovado, bye bye Rio: meu pai nos levava para o sítio numa sexta-feira, ficava até segunda e só voltava para passar as festas e fins de semana. Nós éramos sempre os primeiros a chegar – antes da "invasão" do sítio pelo resto da família e agregados – e como minha irmã era criança e infantil demais para mim, eu ia imediatamente procurar o Toninho e a Maria, filhos dos caseiros, para brincar e andar de bicicleta. Naquele ano, tudo aconteceu como nos anos anteriores até aquele momento, mas o que se seguiu seria tudo menos banal para mim.
- Severina, cadê o Toninho e a Maria? perguntei à caseira, assim que terminei de ajudar a tirar as coisas do carro e vestir uma sunga.
- Ah, estão lá pro quintal brincando desde depois do almoço. Devem estar lá longe, perto do barracão, respondeu a mulher, sorrindo.
- Oba, vou lá!
- Então avise a eles que eu vou ao supermercado com os seus pais. E juízo, vocês três!
- Está bem, Severina, não esquenta. E lá fui eu atrás deles.

A casa do sítio tinha um pomar enorme, principalmente com laranjeiras e limoeiros, mas também goiabeiras, nespereiras, jabuticabeiras e bananeiras. No fundo, havia um barracão com, móveis e velharias que os meus pais achavam "complicado" jogar fora, na verdade porque tinham valor estimativo. O barracão acabou virando uma casinha mobiliada onde nós brincávamos às vezes o dia todo quando ninguém nos levava à praia de carro, ou em dias de chuva. Desembestei quintal afora e, cerca de 5 minutos depois, cheguei à clareira de onde se avista, à direita, o barracão de tábuas velhas e telhado de zinco, com uma porta e uma janela frontais, e outra porta que dava para um banheirinho externo no fundo. A veneziana estava aberta, sinal de que eles estavam mesmo lá. Como eu sabia que era fácil ouvir qualquer um que se aproximasse por causa das folhas de bananeira no chão, fui pé ante pé até a janela e, com todo cuidado, arrisquei uma espiada rápida, na esperança de que ninguém estivesse olhando para fora naquele momento, mas o que vi num átimo me deixou apreensivo e logo me abaixei para que a minha respiração ofegante não me denunciasse. Dentro do barracão, à esquerda, vi a Maria encostada no batente da porta dos fundos, com as mãos para trás, olhando e dando um risinho zombeterio para o Toninho que, apoiado com as mãos na borda da mesa, olhava para baixo, grunhia como se fizesse esforço e parecia estar sendo empurrado por outro menino que eu não conseguia ver bem porque estava quase fora do meu campo de visão. Me pareceu que eles estivessem tentando empurrar juntos a mesa ou algo assim, mas para ver direito, eu teria que olhar de novo e arriscar ser visto. O que me ocorreu é que estivessem aprontando alguma que talvez fosse quebrar a mesa do mobiliário colonial que a minha mãe adorava. Eu não era dedo-duro, mas estava curioso e por isso não queria ser descoberto.

Sentado no chão embaixo da janela, eu podia ouvir os risinhos da Maria, o ranger da mesa e os grunhidos do Toninho, que foram me intrigando até que, não suportando mais de curiosidade, resolvi tentar de novo olhar para dentro. Fui me erguendo lentamente e com muita cautela pelo canto esquerdo da janela, até conseguir obter um campo de visão mais amplo. Quando pude enfim visualizar o lado esquerdo do cômodo, fiquei estarrecido com o que vi: para total assombro meu, o Toninho estava... dando a bunda!

Apertei os olhos, mas não havia dúvida, era verdade e o Toninho estava dando para ele na frente da própria irmã! O menino era mais alto e corpulento que ele, mas devia ter a mesma idade que nós ou um pouco mais. Eu podia vê-lo de perfil e o contraste entre sua cor de chocolate e a brancura do meu amigo me chamou a atenção. Os dois estavam com os shorts nos pés, coisa que eu não reparara da primeira vez, e o que me parecera ser um esforço conjunto para empurrar a mesa, nada mais era do que o efeito dos grunhidos do Toninho e a visão das mãos do outro segurando-o.

Do meu ângulo, eu não via detalhes, mas as caretas do Toninho me diziam que daquela vez não se tratava da brincadeira de "sarrinho"; daquela vez, era para valer. De vez em quando, a Maria fazia uma cara de nervoso misturada com riso e perguntava se ainda estava doendo. Toninho respondia que não, mandando-a calar a boca, irritado porque isso os "desconcentrava", como se se tratasse de um jogo, e continuava grunhindo enquanto o outro nem se abalava, continuando em seu vaivém fleugmático, olhando para as paredes do barracão, como se comer a bunda de um colega fosse a coisa mais natural do mundo. Eu, do lado de fora, me sentia mil vezes mais excitado com a cena do que ele parecia estar! Embora o Toninho e eu já tivéssemos nos esfregado um no outro naquele barracão, em momentos de tédio e provavelmente em dias chuvosos, eu nunca o tinha visto sequer completamente nu. O resultado foi que fui ficando tão excitado com a cena que tive um orgasmo apenas pela fricção do meu sexo contra a parede! Assim que o senti vir, só tive tempo de baixar a sunga para evitar a catástrofe, mas precisei pegar grama para limpar-me, uma situação das mais desagradáveis.

Não posso dizer com precisão, mas devo ter assistido à maior parte da coisa, que pode ter durado cerca de dez minutos, se desconsiderarmos a fase da penetração, que perdi. No final, o menino de trás murmurou alguma coisa, rápido demais para que eu entendesse, e começou a acelerar o vaivém, desencadeando uma chuva de protestos e "Aiês!" em Toninho, que se contorcia, agarrando-se à mesa, gemendo e multiplicando as caretas. Me lembro que o menino saiu dele e foi voando para o banheirinho, afugentando a Maria, que se afastou com cara de nojo, sem contudo tirar o olho do pinto dele, ainda duro, e caindo na gargalhada, enquanto Toninho ia lentamente na mesma direção, se arrastando com o short nos pés.

Apesar da minha bem sucedida cópula com a parede, eu custava muito, na época, a chegar ao orgasmo através da masturbação. Embora eu tivesse continuado a manipular-me, minha mão só me permitira alcançar a sensação das primícias do orgasmo, fortíssima, inebriante, mas seca e inconclusiva. Assim que o menino desconhecido saiu do banheiro, já de short, Toninho entrou e ficou lá por uns bons momentos, provavelmente porque a sua higiene requeria um pouco mais de habilidade e cuidado. Foi nesse ínterim que tive meu segundo orgasmo, intempestivo e sem imagens que o motivassem, mas tão intenso que vi estrelas e quase fui parar no chão.


Já recomposto, certifiquei-me de que tudo estava terminado e fiz barulho do lado de fora, como se estivesse acabando de chegar. Foi a Maria que abriu a porta. Ela estava com uma vassoura na mão como se fosse a dona da casa e assim que me viu caiu na gargalhada, sendo seguida pelos demais. Perguntei sonsamente qual era a graça, mas nenhum deles abriu a boca, nem ali nem nunca mais. Eu me pergunto qual seria a reação de algum deles se lesse este relato e descobrisse através dele que não estavam sozinhos naquele dia! Agora me lembro sorrindo de tudo que acontecia naqueles bons tempos de inocência, e isso só me faz bem.

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